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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Jogo Capitalista: coroa, rico ganha; cara, pobre perde, por Fernando Nogueira da Costa

Devido ao golpismo, houve crescimento contínuo da taxa de subutilização, desde 2015, com subocupação da força de trabalho potencial por insuficiência de horas trabalhadas. O contingente de pessoas subutilizadas na força de trabalho no Brasil totalizou 27,6 milhões de pessoas ou quase ¼ das pessoas em busca de trabalho em 2019.

Jogo Capitalista: coroa, rico ganha; cara, pobre perde

por Fernando Nogueira da Costa, no GGN

Os adeptos do discurso “nós contra eles”, reducionista da complexidade do mundo real à luta binária de classes sociais, não devem encarar como uma boa notícia a seguinte: os ricaços perderam riqueza financeira, ao final do mês de março de 2020, em média per capita, R$ 1,036 milhão!
São 120.707 clientes do Private Banking. Tinha cada um cerca de R$ 10,9 milhões no fim de fevereiro e depois do crash de março contabilizou R$ 9,9 milhões. No primeiro trimestre do ano corrente, perderam -8,9% de riqueza financeira.
Apostaram no projeto de transformação da economia de endividamento público à brasileira em economia de mercado de capitais à americana, em propaganda enganosa do ex-banqueiro de negócios, dublê de ministro da Economia, e perderam mais de ¼ do investimento em ações, diretamente ou através de Fundos de Ações. Chegaram a ter 25% do portfólio em renda variável, mas no fim de março tiveram reduzida essa participação para 20%.
Pior, em comportamento de manada por conta da “sorte do iniciante”, quando investidores inexperientes entram na euforia da alta de bolsa de valores com profecia autorrealizável, não foram só 171 mil idosos acima de 65 anos quem perdeu no crash. Estes mais ricos perderam per capita, no primeiro quadrimestre do ano, R$ 335 mil.
Mas o rebanho em fuga da renda fixa com taxa de juro real negativa não aprende a lição: mercado de risco não é para principiante. Em todo o ano passado, entraram 868 mil Pessoas Físicas na bolsa de valores. No primeiro quadrimestre de 2020, entraram (bem) mais 704 mil! De 813 mil investidores no fim de 2018 passaram a quase 2,4 milhões durante um governo incapaz de enfrentar os maus fundamentos da economia brasileira!
Com o típico viés heurístico classificado de “diversificação ingênua”, as apostas são nas oito grandes corporações mais conhecidas. Elas representavam 40% do valor de mercado de todas as 330 sociedades abertas com ações listadas na bolsa de valores logo depois do pico histórico do Ibovespa de 119.527 pontos atingido em 23 de janeiro de 2020. Perderam dois pontos percentuais de participação. Mas o valor de mercado total tinha alcançado R$ 4,7 trilhões e caiu para R$ 3,149 trilhões no fim de março. O ganho de 8,2% em abril compensou a perda percentual (-7,9%) equivalente em fevereiro, mas não a perda de quase -28% em março.
Qual é o problema para os pobres quando os muitos ricos perdem dinheiro? Eles buscam a recomposição patrimonial cortando gastos, senão em consumo de luxo, onde já têm tudo (e já fizeram todas as farras), mas sim em vez de investir em novos ativos – formas de manutenção de riqueza – optam por especulação mais rápida com ativos existentes. Buscam aqueles preços com tendência firme de alta, por exemplo, em imóveis, terras, dólar, ações, etc. Isto não aumenta a capacidade produtiva nem gera empregos.
Em economia de mercado, o contrato social é este: só as decisões de gastos em investimentos novos dos empreendedores são capazes de gerar empregos. A oferta destes é independente da demanda, isto é, da necessidade social de vender sua força do trabalho para obter ocupação e renda para a sobrevivência familiar.
Devido ao golpismo, houve crescimento contínuo da taxa de subutilização, desde 2015, com subocupação da força de trabalho potencial por insuficiência de horas trabalhadas. O contingente de pessoas subutilizadas na força de trabalho no Brasil totalizou 27,6 milhões de pessoas ou quase ¼ das pessoas em busca de trabalho em 2019.
A capacidade de obter um emprego não depende só do esforço individual de trabalhadores. Houve uma mudança importante no mercado de trabalho brasileiro quanto ao nível de escolaridade com a massificação do Ensino Superior promovida desde a Era Social-Desenvolvimentista. Somaram-se mais 6,5 milhões de trabalhadores diplomados nesse nível de 2012 a 2019, aumento acima dos quase 5 milhões de trabalhadores com Ensino Médio completo.
Aproximam-se de vinte milhões (19,2 milhões) os formados em curso superior, cerca de 21% do total de ocupados. Trabalhadores com escolaridade acima do Ensino Médio completo passaram de 51% em 2012 para 61% em 2019.
O nível de instrução possui relação positiva em relação ao rendimento médio mensal real de todos os trabalhos. Quanto maior o nível de instrução alcançado, maior o rendimento.
As pessoas sem instrução apresentaram o menor rendimento médio (R$ 918) em 2019. O rendimento das pessoas com ensino fundamental completo ou equivalente foi 60,3% maior, chegando a R$ 1.472. Aqueles com ensino superior completo (R$ 5.108) registraram rendimento médio aproximadamente 3 vezes acima de aqueles com somente o ensino médio completo e cerca de 6 vezes o daqueles sem instrução.
Após o fim da Era Social-Desenvolvimentista, em 2014, junto com o neoliberalismo, voltaram o desemprego e o menor poder de barganha sindical, inclusive por causa da reforma trabalhista dos golpistas. Caíram progressivamente os rendimentos médios reais mensais de todos os níveis de instrução. E a maioria dos eleitores brasileiros votou como um rebanho, submetida à opinião pública manipulada, no antipetismo… Estamos todos, até ricaços, agora sofrendo as duras consequências sociais desse ato irrefletido.
Fernando Nogueira da Costa – Professor Titular do IE-UNICAMP. Autor de “Bancos Estatais sob Ideologia do Estado Mínimo” (2020). Baixe em: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ E-mail: fernandonogueiracosta@gmail.com.

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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Wall Street ama o “socialismo” para banqueiros, mas não para pessoas comuns, por Robert Reich no The Guardian



Crítico do socialismo, CEO do JPMorgan também estava no comando quando o banco recebeu um resgate socialista de US$ 25 bilhões em 2008, depois que várias instituições financeiras de Wall Street quase caíram por causa de seus empréstimos imprudentes



Por Robert Reich
Em carta anual aos acionistas, distribuída na semana passada, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, apontou para o “socialismo”, alertando que seria “um desastre para o nosso país”, porque produz “estagnação, corrupção e muitas vezes pior”.
Dimon deveria saber. Ele estava no comando quando o JPMorgan recebeu um resgate socialista de US$ 25 bilhões em 2008, depois que ele e outros bancos de Wall Street quase caíram por causa de seus empréstimos imprudentes.
Dimon posteriormente concordou em pagar ao governo US$ 13bilhões para encerrar acusações de que o banco havia exagerado a qualidade das hipotecas que estava vendendo para os investidores no período que antecedeu a crise. De acordo com o Departamento de Justiça, o JPMorgan reconheceu que regular e conscientemente vendia hipotecas que nunca deveriam ter sido vendidas. (Presumivelmente, é aí que entra a “estagnação, corrupção e muitas vezes pior”).
A multa de US$ 13 bilhões foi comida de galinha para o maior banco de Wall Street, cujos lucros no ano passado somaram US$ 35 bilhões. Além disso, o JPMorgan conseguiu deduzir cerca de US$ 11 bilhões dos custos de liquidação de sua renda tributável.
Em outras palavras, Dimon e outros CEOs de Wall Street ajudaram a desencadear a crise financeira de 2008, quando os empréstimos perigosos e irresponsáveis ​​que seus bancos estavam vendendo – com os quais ganharam muito dinheiro – finalmente faliram. Mas, em vez de deixar o mercado punir os bancos (que é o que o capitalismo deve fazer), o governo os resgatou e acabou aplicando multas insignificantes, que os bancos consideravam como o custo de fazer negócios.
Se isso não é o socialismo que o CEO critica, o que é então?
No entanto, é uma forma particular de socialismo. Milhões de proprietários que possuíam mais do que suas casas passaram a valer não foram resgatados pelo governo. Milhões de trabalhadores que perderam seus empregos ou suas economias, ou ambos, não foram resgatados. Nenhum grande banqueiro foi preso.
Chame isso de socialismo para os banqueiros ricos.
É um presente que continua dando. Dimon aproveitou a crise financeira para adquirir o Bear Stearns e o Washington Mutual, ampliando enormemente o JPMorgan. Os cinco maiores bancos americanos, incluindo o Dimon’s, agora controlam 46% de todos os depósitos, ante 12% no início dos anos 1990.
E porque são tão grandes, Dimon e outros grandes bancos de Wall Street são agora considerados “grandes demais para falhar”. Isso se traduz em um subsídio oculto de cerca de US$ 83 bilhões por ano, porque os credores que enfrentam menos riscos aceitam juros mais baixos em depósitos e empréstimos.
Mais socialismo para os banqueiros ricos.
Depois da crise financeira e do resgate, o Congresso promulgou uma versão milionária da Lei Glass-Steagall, uma lei bancária da Grande Depressão que os banqueiros mataram nos anos 1990. A substituição foi chamada de Lei Dodd-Frank .
Desde então, Dimon se esforça para enfraquecer Dodd-Frank.
Quando os reguladores de Obama quiseram estender a Dodd-Frank às filiais e subsidiárias estrangeiras dos bancos de Wall Street, Dimon advertiu que isso prejudicaria a competitividade de Wall Street.
Este foi o mesmo Jamie Dimon que escolheu Londres como o lugar para fazer negócios de derivativos altamente arriscados que perderam US$ 6 bilhões em 2012 – prova de que, a menos que as operações internacionais dos bancos de Wall Street sejam cobertas pelas regulamentações americanas, bancos gigantes como o dele ampliarão suas apostas no exterior, escondendo os riscos para que os reguladores dos EUA não possam vê-las.
Mais recentemente, os reguladores bancários de Trump deram ouvidos a Dimon e revogaram Dodd-Frank.
Dimon também foi fundamental para conseguir os grandes cortes de impostos do Trump através do Congresso. Eles salvaram o JPMorgan e os outros grandes bancos em US$ 21 bilhões só no ano passado.
Dimon recebeu US$ 31 milhões no ano passado. Ele é estimado pela Forbes em US $ 1,3 bilhão .
Ironicamente, há algumas semanas, Dimon alertou que a desigualdade de renda está dividindo a América. Ele disse que uma “grande fatia” de americanos foi deixada para trás e, anunciando um programa de US$ 350 milhões para treinar trabalhadores para os empregos do futuro, lamentou que 40% dos americanos ganham menos de US$ 15 por hora.
É verdade, mas US$ 350 milhões em cinco anos não é nem uma gota no oceano para os americanos que ficaram para trás.
Bônus de Wall Street totalizaram US$ 27,5 bilhões no último ano, que é mais de três vezes os ganhos anuais combinadas de todos os trabalhadores americanos empregados em tempo integral no salário mínimo federal. São mais de 600.000 trabalhadores de baixa renda.
Se Dimon estivesse falando sério sobre o problema da ampliação da desigualdade, ele usaria sua proeza de lobby para ajudar a elevar o salário mínimo federal. Ele também tentaria tornar mais fácil para os trabalhadores sindicalizar e aumentar os impostos sobre os super-ricos como ele.
Mas, é claro, Dimon não está realmente preocupado com o aumento da desigualdade. Ele também não está preocupado com o socialismo.
A preocupação real de Dimon é que a América acabe com o tipo de socialismo do qual ele e outros habitantes da rua dependem – resgates, lacunas regulatórias e isenções fiscais.
Isso fez com que Dimon e seus companheiros construíssem uma fortuna, mas trouxeram ao resto da América estagnação, corrupção e pior.
Robert Reich é ex-secretário do trabalho dos EUA, professor de Políticas Públicas na Universidade da Califórnia em Berkeley e autor de Saving Capitalism: para muitos, não para poucos e para o bem comum . Ele também é colunista do Guardian US.

sábado, 23 de março de 2019

Maria Lúcia Fattorelli desmonta a farsa: BANCOS querem a todo custar destruir a Previdência Social. Isto é o resultado da Política Monetária do Banco Central. Entendam de vez a farsa de Bolsonaro, das elites e dos fascistas



Escute e reflita o que diz a auditora Maria Lúcia Fattorelli, entenda a farsa de Guedes e Bolsonaro para atender aos interesses dos já podres de ricos Bancos.... Entenda também a farsa da Política Monetária elitista do Banco Central:



Coordenadora da Auditoria Cidadã explica, durante lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Previdência Social, onde está o rombo nas contas públicas e quem são os verdadeiros privilegiados: os bancos. Segundo ela, se parar de remunerar sobra de caixa dos bancos, já traria economia de R$ 1 trilhão que o Guedes quer com o desmonte da previdência.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

"A elite escravocrata brasileira vive um púlpito de euforia pelo retorno ao passado." Por Maister F. da Silva



"Sob a bandeira da moralidade a escória mais retrógrada dos ricos brasileiros agrupou-se em torno de um projeto anti-nacional, anti-povo, comprometido com uma política econômica ultraliberal, reforma trabalhista que remete a um período anterior à Getúlio Vargas - sonho primeiro dos ricos, não pagar direito trabalhista à empregada doméstica - e o fim de programas sociais. Baseado em três pilares: demonização do estado, desrespeito e ataque a quem não tem voz na sociedade (negros, mulheres, índios e LGBT's), defesa da família e da propriedade privada. E dois espectros: a crise política e econômica e o voto evangélico."




Implacáveis no combate, generosos na vitória
por Maister F. da Silva

Enfim a história não está morta, tampouco a boa e velha luta entre ricos e pobres. A elite escravocrata brasileira vive um púlpito de euforia pelo retorno ao passado. Com a certeza da impunidade já iniciaram a marcha a ré, como exemplo claro temos a retomada explícita do voto a cabresto.
Sob a bandeira da moralidade a escória mais retrógrada dos ricos brasileiros agrupou-se em torno de um projeto anti-nacional, anti-povo, comprometido com uma política econômica ultraliberal, reforma trabalhista que remete a um período anterior à Getúlio Vargas - sonho primeiro dos ricos, não pagar direito trabalhista à empregada doméstica - e o fim de programas sociais. Baseado em três pilares: demonização do estado, desrespeito e ataque a quem não tem voz na sociedade (negros, mulheres, índios e LGBT's), defesa da família e da propriedade privada. E dois espectros: a crise política e econômica e o voto evangélico.
O messias do fascismo brasileiro não demorou em atrair o setor financeiro, que não se preocupa com a orientação ideológica do regime governante, sua preocupação é manter seu lucro extraordinário, trouxe junto consigo o chamado centrão, agremiação de partidos fisiológicos que tem "preço". Tudo isso configurou um cenário perigoso que não se acaba em 2018, o ovo do fascismo descascou.
O messias do fascismo deixou de ser um rufião qualquer, produtor de bravatas e já acena em prolongar a crise política caso saia derrotado nas urnas, questionando a seriedade do processo eleitoral, ou seja, o processo democrático não é um valor a ele e seus pares. Outro dissabor prestado por ele a nação brasileira é que seu discurso de ódio e discriminação rompeu a fronteira das ideias e chegou as ruas mensurando-se em fatos, naturalizou e autorizou os fascistas a espancar e matar quem se oponha a sua posição política, casos sucedem um após outro, sabendo-se apenas estatísticas de casos que são denunciados, quantos mais não ocorrem por aí?
O que está em disputa agora é a vida e a liberdade. Temos ainda vinte dias para derrotar o fascismo e fazer um país soberano, que acredita na igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos. Que é possível ter emprego e direitos trabalhistas, que é possível que todo brasileiro tenha três refeições diárias e distribuição de renda, que é possível ter segurança pública e educação de qualidade ao mesmo tempo.
Se eles possuem uma indústria de fakenews, robôs e capitães do mato, nós temos uma militância aguerrida e brava.
Nesses vinte dias, em uma mão a carteira de trabalho, na outra um livro, sejamos todos: Implacáveis no combate, generosos na vitória.

Maister F. da Silva - Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores. Integrante do FRONT – Instituto de Estudos Contemporâneos


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Chegou a guerra contra o povo... Se falhou a propaganda da mídia, agora vale a força....


"O grande pensador contemporâneo Noam Chomsky esclareceu que temos a ditadura, um governo de exceção, toda vez que o governo controla as pessoas pelos cassetetes ou quando manipula a consciência da população pela propaganda, pela criação de ilusões, e marginalizando o povo em geral, reduzindo-o a alguma forma de apatia."  - Pedro Augusto Pinho

A guerra chegou, por Pedro Augusto Pinho


Por Pedro Augusto Pinho

Foto El Pais

GGN. - O grande pensador contemporâneo Noam Chomsky esclareceu que temos a ditadura, um governo de exceção, toda vez que o governo controla as pessoas pelos cassetetes ou quando manipula a consciência da população pela propaganda, pela criação de ilusões, e marginalizando o povo em geral, reduzindo-o a alguma forma de apatia.
Vivemos neste século XXI sob a tirania da banca, designação que dou ao sistema financeiro internacional, um conjunto de meia centena de famílias que detém mais de um terço dos fluxos financeiros internacionais, administram um sistema de organismos, ocultos e públicos, de gestão particular e de Estados Nacionais, para pesquisa, para propaganda e diversas finalidades que interferem diretamente na vida de mais da metade da população mundial.
Os objetivos de apropriação de bens e dos recursos naturais já estão muito adiantados. Poderia dizer que neste ano de 2018 poucos recursos e bens, efetivamente relevantes, não estão sob controle ou nas vésperas de o ser pela banca. Também muitos Estados Nacionais. As importantes exceções são a Federação Russa – sistematicamente agredida por organismos e instituições controladas pela banca – os chamados países bolivarianos (Venezuela e Bolívia) e as Repúblicas Populares da China, da Coreia do Norte e as Repúblicas do Irã e da Síria.
Veja o caro leitor como são tratados estes países pela imprensa internacional e por todos aqueles que estão, de alguma maneira, dominados pela banca. Fica fácil, assim, determinar onde está a banca e onde ela não conseguiu penetrar.
O objetivo a ser perseguido pela banca – e não faltam balões de ensaio e as mais incríveis e estapafúrdias formulações – é a redução da população mundial. Somos quase 8 bilhões de pessoas, pressionando pelo demografia os recursos escassos que a banca reservou para si. A banca pretende que sejamos entre 400 a 800 milhões, com já nos informam várias fontes e analistas.
As duas formas de redução populacional convencionais estão em plena execução: a guerra e a fome. Os sofisticados métodos de criação de epidemias ainda não estão suficientemente maduros para serem implementados. A disfunção da Aids ainda está muito recente e gastou-se muito para a conter.
Não é por mero acaso que a comunidade muçulmana, que tem elevada taxa de fecundidade, tem sido a mais atingida pela guerras da banca. E se propagam pela Ásia, o continente mais populoso.
A banca lança agora, tendo se apossado do governo brasileiro, o quinto país mais populoso do mundo, vizinho do que detém a maior reserva de petróleo no planeta (Venezuela), seu projeto antipopulacional na América do Sul.
No projeto da banca, com a colaboração dos escravistas e rentistas do Brasil, este plano já começou com o estabelecimento discreto de forças militares estadunidenses na Amazônia.
Em março do último ano, o comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, o major-general Clarence K.K Chinn, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Militar. Na ocasião, visitou instalações do Comando Militar da Amazônia – uma demonstração clara de que a doutrina de defesa da Amazônia perdia força nas Forças Armadas brasileiras.
O local da operação não poderia ser mais explícito sobre suas reais intenções: a tríplice fronteira – Colômbia, Peru, Brasil. A Colômbia é, desde muitos anos, um país governado pelos interesses estadunidenses, hoje se confundindo com da banca, embora menos do que na Gestão Obama. O Peru se perfila entre os gerenciados pela banca, assim como o Brasil de Temer. E na mira desta trinca estão as reservas de petróleo venezuelanas.
Outra ponta deste plano é a criação do Ministério de Segurança Pública, já apelidado de MisSegura. Claro que não será para subir os morros cariocas nem invadir as periferias paulistana e paraense, as invasões baianas e favelas pernambucanas. O MisSegura será outro ministério armado, com controle das polícias estaduais, para enfrentar alguma reação do Exército à guerra civil da banca.
A recente intervenção militar no Rio de Janeiro tem, para este modesto escriba, alguns objetivos não explícitos. Primeiro, como já foi apresentado pela professora Jaqueline Muniz em entrevista, lançar descrédito sobre o Exército.
O trafico de droga é um dos domínios da banca e das três maiores fontes de receita internacional. No Brasil, ele é representado por figuras públicas e não pelo pé de chinelo favelado. 
O crime organizado de São Paulo atua em coabitação aparente com os governos tucanos, há mais de duas décadas no poder estadual. Como administrador vejo nesta expansão carioca, como já ocorrera no norte do País, uma racionalização gerencial do PCC – Primeiro Comando da Capital, paulista.
E, também, para as transferências de recursos públicos e ampliar a corrupção em favor dos interesses dos governantes e da banca.
Assim, matam-se vários coelhos com uma intervenção só. Organiza-se melhor o tráfico, aumenta-se o ganho da banca, desmoraliza-se a Força Armada e aumenta a ira popular. Esta vem sendo construída pela Globo e todas as emissoras associadas à banca desde 2013.
Com a farsa de venezuelanos "fugindo" para Roraima, o servil presidente, com elogio de um dos organismos internacionais pró-banca, foi lá fazer seu proselitismo, devidamente protegido do contato fotográfico com os "invasores".
Arma-se, assim, a guerra civil para reduzir a população sulamericana e dar mais conforto à banca.
Aos que vem nestas linhas a teoria conspiratória, eu contraporia: e as práticas conspiratórias? Pois não vão me convencer que o Brasil foi às ruas por centavos nos ônibus, em junho de 2013, e não vai agora pela sua aposentadoria. Também que a Líbia, o país africano com maior índice de desenvolvimento humano, com presidente aclamado pelo povo, às vésperas de dar um grande tombo na cotação do dólar estadunidense sofresse o ataque das grandes potencias coloniais europeias e dos Estados Unidos da América (EUA) para lá promover a democracia, ou o Iraque fosse invadido pelas suas armas químicas.
Acordemos antes que o sono seja eterno.
Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Artigo da Deutsche Welle sobre o reacionarismo no Brasil


"Eu acho que é uma gente que se sentiu ameaçada por uma ascensão social de pessoas mais modestas. Os últimos debates sobre concentração de renda mostram que os ricos continuaram ricos, e os pobres avançaram em detrimento da classe média. Isso levou a uma exacerbação dessa mentalidade quase de apartheid social", pondera Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade da Sorbonne, em Paris, e docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Da Deutsche Welle:



A nova onda conservadora no Brasil

Fatores históricos e insatisfação da classe média podem ajudar a explicar posições tradicionais em relação a temas como aborto e pena de morte, assim como moralismo exacerbado e ascensão de Bolsonaro, apontam analistas.
Jair Bolsonaro
Pré-candidato conservador Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para 2018
Após eleger em 2014 o Congresso mais conservador em cinco décadas, a sociedade brasileira atingiu o ápice do conservadorismo dos últimos anos em dezembro de 2016, segundo uma pesquisa divulgada pelo Ibope. De acordo com o levantamento, 54% dos brasileiros têm posições tradicionais em relação a questões como legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, pena de morte e redução da maioridade penal.
A análise, realizada em 2010 e repetida no ano passado, mostrou uma variação importante. Em temas ligados à violência, todos os questionamentos apresentaram oscilação para cima. A porcentagem de pessoas a favor da pena de morte saltou de 31% para 49%. Quando a pergunta foi acerca da prisão perpétua para crimes hediondos, a porcentagem passou de 66% para 78%.
Mais recentemente, as manifestações contra exposições artísticas no país, o retorno de um moralismo exacerbado, principalmente nas redes sociais, e a ascensão do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) nas pesquisas de intenção de voto para o pleito presidencial de 2018 transformaram o cenário político e social do Brasil.
É possível dizer que o Brasil é um país conservador? De acordo com o professor Emérito da USP, José Arthur Giannotti, o conservadorismo brasileiro está associado às bases históricas de construção da sociedade.
"Um país que nasceu do Estado, forjando uma economia escravocrata e mais tarde, muito desigual, só poderia ser governado por elites cujos acordos excluíam as vontades populares. Há uma camada que sempre foi extremamente conservadora no Brasil e que agora encontrou meios de manifestação", disse.
A desigualdade é um fator que ajuda a explicar o conservadorismo atual, acredita José Álvaro Moisés, professor de Ciência Política da USP e Diretor Científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas - NUPPs/USP.
"Qualquer sociedade contemporânea complexa e desigual, como é o caso do Brasil, tem uma multiplicidade de interesses que estão escondidos e passam a se debelar publicamente, gerando uma série de conflitos”, afirma.
Para Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade da Sorbonne, em Paris, e docente na Fundação Getúlio Vargas (FGV), a onda conservadora atual apoiada na insatisfação da classe média.
"Eu acho que é uma gente que se sentiu ameaçada por uma ascensão social de pessoas mais modestas. Os últimos debates sobre concentração de renda mostram que os ricos continuaram ricos, e os pobres avançaram em detrimento da classe média. Isso levou a uma exacerbação dessa mentalidade quase de apartheid social", pondera.
Mistura de política e religião
Outro fator que tem acentuado a presença de ideias mais tradicionais é o crescimento das igrejas pentecostais e neopentecostais no Brasil, pontua Reginaldo Prandi, sociólogo da USP. O número de evangélicos no país aumentou 61,45% entre 2000 e 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros.
Atualmente, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), liderada pelo deputado João Campos (PRB), tem 92 deputados no Congresso. Os membros da FPE são a principal vitrine da mistura de política e religião no Brasil. Dezenas de projetos de cunho conservador ligados aos deputados da frente vêm sendo levados ao Congresso.
"Isso [conservadorismo] é efeito do crescimento do segmento evangélico e de alguns setores de posição ideológica mais à direita, e que até agora não se sentiam à vontade para se expressar", argumenta Álvaro Moisés. "Esses agrupamentos que estão colocando a cabeça de fora e assumindo suas identidades estavam escondidos. Eles tinham medo de se manifestar contra a liberdade sexual, contra a união de pessoas do mesmo sexo", analisa.
O fator Bolsonaro
Pesquisas de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2018 colocaram o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), ferrenho defensor da ditadura militar, do autoritarismo e de ideias ultraconservadoras, como vice-líder na corrida eleitoral, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não tem sua candidatura confirmada. Na mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada no último fim de semana, Bolsonaro aparece em segundo lugar na corrida presidencial em quase todos os cenários abordados pelo instituto, superando rivais de centro.
A ascensão da política promovida por Bolsonaro e pela extrema direita tem a ver com a ausência de opções plausíveis no cenário político nacional, reforça Álvaro Moisés. O momento é propício para o surgimento de aventureiros, diz.
"Tenho feito pesquisas com o eleitorado brasileiro para medir a confiança nas instituições. As últimas duas foram em 2006 e 2014. Elas apontam uma tendência de desconfiança muito grande dos setores mais diversos em relação aos partidos e ao Congresso Nacional", afirma. "Se essa tendência de descrença e rejeição permanece por muito tempo, essas pessoas que se sentem desrespeitadas começam a formar uma base social a favor de posições autoritárias."
Bolsonaro tem arregimentado seguidores no Brasil e fora dele. Durante viagem pelos EUA, em outubro, ele defendeu o fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a liberação de armas de fogo para cidadãos, a desburocratização para empresas, entre outros temas. A visita contou tanto com gritos de "mito" entoados por simpatizantes quanto com a manifestação de pessoas contrárias às posições expostas pelo militar.
Apesar da aparente ascensão, Reginaldo Prandi, que é um dos idealizadores do modelo de pesquisa utilizado pelo Datafolha, acredita ser muito cedo para avaliar os números do deputado federal.
"Uma coisa que a gente aprendeu desde o começo com as pesquisas é que quem sai na frente nem sempre chega lá. A coisa só vale depois que a campanha começa, as alianças se estabelecem, os discursos vêm a público e as rivalidades aparecem. Ele é um franco-atirador, e eu não acho que tenhamos que ter medo desse tipo de figura", completa.
Alencastro, por sua vez, diz não ter a menor dúvida de que o deputado será derrotado. "Esse é um tipo de candidato que não suporta dois turnos. O caso de Marine Le Pen [candidata populista de direita na França] tornou isso muito evidente. Ela era muito mais profissional [que Bolsonaro], e mesmo assim o primarismo e a agressividade ficaram perceptíveis nos debates", afirma.
"Bolsonaro é muito pouco profissional do ponto de vista da própria expressão do autoritarismo dele. É um populista no pior sentindo da palavra", avalia.
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