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terça-feira, 3 de março de 2020

Frente Brasil Popular divulga calendário de protestos contra desmandos de Bolsonaro



CUT, centrais sindicais e entidades que compõem a frente se reuniram para definir as estratégias para levar população às ruas. Manifestações começam no Dia Internacional da Mulher – 8 de março

Foto Roberto Parizotti
por Andre Accarini
A CUT, movimentos sociais e entidades que compõem a Frente Brasil Popular (FBP) se reuniram em São Paulo, na manhã desta segunda-feira (2), para debater a estratégia de enfrentamento aos ataques do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) contra os trabalhadores e as trabalhadoras e os brasileiros mais pobres.
Na reunião, realizada na sede da CUT, ficou definido um calendário de lutas, que começa no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, segue no dia 14 com protestos exigindo justiça pela morte de Marielle Franco, vereadora do Psol assassinada no Rio de Janeiro em 2018, e no dia 18, com o Dia de Mobilização em Defesa da Educação e da Democracia, que está sendo organizado por todas as centrais sindicais.
Consenso entre as entidades, a defesa da democracia será pauta principal das  mobilizações. A secretária de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais, Janeslei Albuquerque, explica que as entidades somarão forças num “grito único das ruas”, contra o governo Bolsonaro.
“Nosso foco é de que só podemos ter luta num contexto de democracia. Fora disso é opressão, totalitarismo e negação o direito à liberdade e à vida das pessoas”.
Por isso, as entidades definiram que o eixo principal de todas as mobilizações deve ser dar um “basta ao governo Bolsonaro”, que conforme lembra Janeslei, é “um governo que joga direitos no lixo, cospe na cultura brasileira, destrói a economia em favor do sistema financeiro e tem profundo desprezo pelos pobres, além de abusar de mentiras para ludibriar o povo brasileiro.”
O QUE VEMOS HOJE COM BOLSONARO É ALGO QUE NÃO HOUVE NEM MESMO NA DITADURA MILITAR, APESAR DE TODA A OPRESSÃO. NUNCA O BRASIL FOI TÃO RIDICULARIZADO POR TER UM PRESIDENTE COMO ACONTECE AGORA COM BOLSONARO QUE DESPREZA NOSSOS VALORES

– Janeslei Albuquerque
Motivos e desafios
Bolsonaro cumpriu o objetivo de preparar um terreno favorável para sua reeleição em 2022.  Essa é a análise de Valter Sorrentino, secretário de Relações Internacionais do PCdoB. Ele afirma que o projeto passa da destruição das políticas sociais que protegem os mais pobres ao terror ideológico que tem como instrumento principal as redes sociais e que, de acordo com ele, propiciam o cenário de caos visto hoje no Brasil.
“É uma contrarrevolução econômica que acompanha uma realidade mundial de avanço do conservadorismo que favorece o setor produtivo e isso impacta nos mais pobres e nas nações em desenvolvimento”, afirmou Sorrentino.
As redes sociais, ele diz, colocaram a luta de classes em um novo patamar. Se antes havia a disputa ideológica, por canais de informação, agora a “guerra” é feita por algoritmos, que são sistemas que captam todas as informações de usuários das redes, de forma a direcionar informação – falsa ou verdadeira – e assim, facilitar a manipulação dos cidadãos.
Em uma linguagem simples, o algoritmo direciona ao indivíduo, tudo aquilo que, com base em seu perfil, ele provavelmente esteja mais receptivo a ver, ferindo a forma democrática de informação, em que os dois lados da questão são apresentados e assim, o usuário tem a chance de formar sua própria opinião.
Sorrentino vê a necessidade de uma estratégia que passa pela criação de uma agência de notícias do campo democrático que possa ter um alcance maior sobre todos os brasileiros, para que a disputa ideológica seja mais justa.

O mundo brasileiro

A realidade mundial, de avanço do conservadorismo social e econômico, encarnada no Brasil pelo governo Bolsonaro, gera “uma asfixia econômica e uma crise de democracia que dá origem ao autoritarismo”, afirma Valter Sorrentino.
“Hoje, a emoção domina a razão e a tendência não é que se ache o meio termo para a sociedade, mas sim a polarização”, diz o dirigente sobre a democracia ser afetada pela forma de Bolsonaro governar o país. Ele complementa: “nossa sociedade está cada vez mais fragmentada e isso impacta diretamente na representação e defesa dos direitos”.
Como caminho para enfrentar esse autoritarismo, ele destaca que as disputas devem ter como eixo principal a defesa da “democracia”. Bolsonaro ataca abertamente as instituições brasileiras como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, forçar um embate, ou seja, “mudar a percepção dos brasileiros sobre o que representam as instituições é uma forma de isolar e barrar o avanço fascista de Bolsonaro”.
A deputada federal e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, concorda com a análise sobre a estratégia de Bolsonaro. Para ela, o ‘capitão’ é eficaz em manipular a opinião pública e depois “surfar na onda de descontentamento do povo brasileiro sobre o Congresso”.
“Os partidos de oposição vão traçar estratégias para defender os valores democráticos e das instituições que não têm defesa intransigente da população. Há pesquisas que mostram que a visão do povo brasileiro é crítica sobre esses valores e Bolsonaro surfa nessa onda, usando as instituições para fazer o que ele quer”, afirma a parlamentar.
Ela considera que a convocação para as manifestações contra o Congresso e contra o Supremo Tribunal Federal, feita por Bolsonaro em vídeo compartilhado em sua própria conta de WhatsApp, nada mais é do que “o modo de operar as coisas com a lógica de abafar pautas mais importantes, ou que ataquem eles ou que eles queiram que aconteçam”. Por isso, ela diz, Bolsonaro “cria esses fatos”.
Exemplo é o resultado econômico da política do ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, que já apresenta retração na previsão do Produto Interno Bruto (PIB) que já baixou de 25% para 1,5% em 2020. “Além disso, o dólar bate recordes e a bolsa está em queda”, completa Gleisi Hoffman.
BOLSONARO DÁ UM TAPA NA DEMOCRACIA, NO CONGRESSO E NO STF PARA MEDIR FORÇAS COM AS INSTITUIÇÕES E DESVIAR O FOCO DOS CASOS ESCABROSOS ENVOLVENDO A FAMÍLIA BOLSONARO

– Gleisi Hoffmann
A deputada avalia que, para além do eixo da democracia, a Frente Brasil Popular deve manter e reforçar em sua luta pautas como a saúde, a educação e outras políticas sociais que afetam diretamente os mais pobres. “São causas fundamentais e para diálogo que podemos fazer com o povo que vai ser disputado pela bandeira do autoritarismo”, afirma.
Ela explica que o objetivo principal do governo é implementar o projeto ultra neoliberal e isso só é possível atacando a democracia. “Esse projeto lida com direitos das pessoas. Por isso, espaços democráticos têm que ser eliminados e Bolsonaro cumpre esse papel”.

ROBERTO PARIZOTTIRoberto Parizotti
Mônica Valente

Na avaliação de Mônica Valente, secretária de Relações Internacionais do PT, Bolsonaro usa o discurso de que, para melhorar o Brasil, ele precisa enfrentar o Congresso com um discurso ‘antissistema’.
Para ela, “é necessário mostrar e fazer a disputa política na sociedade contra o modelo econômico implementado e contra essa face autoritária de Bolsonaro”.
Mônica diz ainda que a Frente Brasil Popular deve reforçar debates nas eleições municipais de 2020. “Temos que jogar peso nessas eleições porque há uma sede de participação política de setores como a juventude e a partir dos municípios é possível avançar na disputa política na sociedade”.

Calendário de lutas

Março:
5 a 14: Jornada de luta das mulheres
08/03: Dia Internacional das Mulheres
14/03: dois anos do assassinato de Marielle Franco
18/03: Dia Nacional de Mobilização em defesa da Educação e da Democracia
Maio:
1°/05: Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras com atos unificados das centrais sindicais

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quarta-feira, 29 de maio de 2019

"Entra-se em uma nova fase do fascismo, na qual os principais veículos de mobilização da etapa anterior – veículos de mídia – perdem o controle sobre as massas." - Luis Nassif



As disputas de rua e a hora de avançar nos espaços de mediação, por Luis Nassif

Eu sei o que ele fizeram no último verão. Mas o que importa, agora, é o rascunho do mapa do inferno que se desenha, caso a parte racional da sociedade civil não se junte em fortalecimento do chamado centro democrático.

Do Jornal GGN:
As manifestações em favor de Jair Bolsonaro, independentemente das avaliações sobre a quantidade de pessoas que compareceram, levam definitivamente a luta política para as ruas. Entra-se em uma nova fase do fascismo, na qual os principais veículos de mobilização da etapa anterior – veículos de mídia – perdem o controle sobre as massas. Pouco importa se lideradas por um estadista ou por um imbecil, a besta das ruas ganha vida própria, mas não o suficiente, ontem, para o autogolpe.
As manifestações bolsonaristas do dia 26 propuseram explicitamente o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal). Dias atrás, o Ministro Luís Roberto “Iluminista” Barroso deu novamente carne fresca à matilha alegando que as raras decisões da casa, em defesa dos direitos individuais, justificariam a selvageria das ruas. Para se poupar, atiçava os mastins contra seus adversários, mesmo sabendo que as mordidas seriam em cima de uma democracia claudicante.
A pusilanimidade de Barroso é um indício claro da dificuldade em recompor o centro democrático visando impedir o avanço da barbárie nesses tempos de cólera. Ainda haverá necessidade de mais massa crítica contra a barbárie, até os homens bons terem certeza de que é um bom negócio pular de volta para o barco da democracia.
A falta de noção de perigo é tamanha que a Globonews colocou todos seus jornalistas instrumentalizando as manifestações, apresentadas como em defesa da reforma da Previdência e do pacote de encarceramento em massa do Ministro Sérgio Moro. Pouco importa se esse endosso significou um reforço extra para um governo que está desmontando o país. A síndrome do imediatismo é uma praga inarredável.

O pacto

O impeachment se deu quando o principal adversário do PT, o PSDB, se viu sem condições de recuperar o poder. Não apenas pela derrota de Aécio Neves por Dilma Rousseff, mas também pela perspectiva de, em 2018, ter Lula novamente como candidato.
Foi uma reedição dos golpes políticos-midiáticos-jurídicos que marcaram a América Latina desde a redemocratização dos anos 80. A maneira como advogados legalistas tardios, Ministros garantistas retardatários, jornalistas que se tornaram democratas de nascença desde o ano passado se uniram, no pré-impeachment, para tentar legitimar o golpe é assunto para a história.
Eu sei o que ele fizeram no último verão. Mas o que importa, agora, é o rascunho do mapa do inferno que se desenha, caso a parte racional da sociedade civil não se junte em fortalecimento do chamado centro democrático.
Se não chegarem a um acordo, a alternativa Bolsonaro será Hamilton Mourão, com duas forças disputando o controle do país: ou as milícias, com Bolsonaro, ou o poder militar, com Mourão. E ninguém se iluda com os militares. A exemplo de outras instituições contemporâneas, trata-se de uma força incapaz de pensar o país até nos aspectos que lhe dizem respeito direto: a noção de defesa nacional, desestruturada com a venda da Embraer, sem um sinal sequer de resistência das Forças Armadas, ou o decreto das armas, ameaça direta aos soldados, quando a anarquia se impuser.
A defesa da democracia não poderá depender de nenhuma dessas alternativas, mas de um grupo democrático forte, que vá acumulando massa crítica para se antepor ao avanço do autoritarismo.
Daí a necessidade premente de um rearranjo do centro democrático.

O fator Lula

Maior líder da história, Lula padece de um dilema paradoxal. Seria o personagem público mais qualificado para conduzir o grande acordo nacional, não fosse o desequilíbrio que impõe ao jogo pela absoluta ausência, no campo tucano-mercado-liberal, de um interlocutor à sua altura.
Transformado no grande mote da polarização política, no entanto, não há espaço para Lula ser protagonista principal. Basta colocar a cabeça de fora para Imediatamente acender o antilulismo, resultando no impasse político. Não adianta deblaterar contra essa democracia condicionada, hipócrita: ela é um dado na realidade, em um país em que a defesa da democracia é tratada de forma utilitarista.
Mesmo sem Lula em primeiro plano, o polo progressista tem se aglutinado em torno de Fernando Haddad, como representante do principal partido de oposição, o PT e o político respeitado por outras lideranças significativas do arco da esquerda.  A maneira como está sendo recebido em várias partes do país, o modo como foi tratado pela juventude estudantil paulistana nas passeatas pela educação, a coerência e, ao mesmo tempo, a interlocução com forças modernas da esquerda e do centro, o qualificam como o grande interlocutor do lado do PT.
Já o Partido de Jorge Paulo Lehmann e os Novos da vida estão trabalhando mercadologicamente nomes novos. Em vez de apostar desde já em uma improvável eleição em 2022, deveriam esquecer um pouco a miragem Luciano Huck e se empenhar nesse grande acordo e, principalmente, em diluir a pesada demonização dos adversários, plantada no período pré-impeachment.
No Senado, há remanescentes da razia produzida pela Lava Jato em condições de conduzir negociações junto aos demais poderes. Há um grupo de governadores nordestinos de espírito democrático comprovado. Se o PSDB conseguir se libertar do imediatismo de João Dória Jr poderá agregar os políticos históricos com jovens promessas comprometidas com a democracia e a tolerância.
O importante é que um pacto dessa dimensão tem que ser equânime, respeitando o conceito de frente cuja bandeira maior tem que ser a defesa da democracia.




segunda-feira, 27 de maio de 2019

Oposição levou muito mais gente às ruas que Bolsonaro. Por João Almeida Moreira


  “As manifestações (pró-Bolsonaro) não foram pífias mas também não fazem do presidente um vencedor”, resumiu Júlia Duailibi, colunista da Globo News. A maioria dos observadores já previa que os protestos dificilmente representariam uma vitória para o governo.

Manifestação é um retumbante fracasso!


Manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro e da reforma da previdência, o principal objetivo do governo neste ano, moveram ontem milhares de brasileiros em pouco mais de 130 cidades de 26 estados do Brasil. No passado dia 15, protestos contra os cortes na educação foram realizados em 166 localidades no mesmo número de estados. Bolsonaro considerou os atos “um recado às velhas práticas” da política brasileira, isto é, um alerta ao poder legislativo, considerado pela maioria dos observadores o principal alvo, ainda que não assumido, dos atos.
“Hoje [ontem], por coincidência, é um dia em que o povo está indo às ruas não para defender o presidente, um político ou quem quer que seja. Está indo para defender o futuro desta nação, uma manifestação espontânea com uma pauta definida, com respeito às leis e às instituições, mas com firme propósito de dar um recado àqueles que teimam, por velhas práticas, em não deixar que esse povo se liberte”, afirmou Bolsonaro durante culto na Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a cerca de quatro mil fiéis.
“As palavras na política nem sempre representam a prática. Nós estamos casando a palavra com a prática e os problemas se avolumam. Se fosse só eu a sofrer, eu até diria que vale a pena, mas quem está ao meu lado, parente ou não, também sofre. Nós estamos mudando o paradigma, mudando a forma de se apresentar junto a vocês, 208 milhões de pessoas às quais eu devo ser obediente, devo lealdade, devo o norte que tem que ser dado para o futuro do nosso Brasil”. Mais tarde, à chegada ao Palácio do alvorada, afirmou que o povo foi pedir “paz, democracia e liberdade”.
“Número de manifestantes nada desprezível”, afirmou por sua vez Augusto Heleno, ministro do gabinete de segurança institucional.
Nem Bolsonaro, nem Heleno, nem nenhum dos outros 21 ministro participaram no ato.
O ato, aliás, teve o condão de dividir ao meio a base de apoio do governo: o Partido Novo, que vem apoiando a agenda do presidente no Congresso Nacional, João Doria, governador de São Paulo e aliado nacional de Bolsonaro, os movimentos que organizaram as manifestações contra Dilma Rousseff, em 2015, e alguns dos mais mediáticos parlamentares do PSL, partido do presidente, recusaram-se a participar. “Estes protestos não são racionais”, disse Janaína Paschoal, a deputada estadual mais votada do país.
Nas ruas, a maioria dos manifestantes usava, como na campanha eleitoral do ano passado e nos atos a favor do impeachment de Dilma, camisas verde e amarelas, da seleção brasileira de futebol, e palavras de ordem a favor de Bolsonaro e do seu ministro da justiça, Sergio Moro. Em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, um boneco insuflável com o corpo do Super Homem e o rosto do ex-juiz da Operação Lava-Jato deu nas vistas, assim como outro crítico a Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados. Registaram-se ainda na capital censuras à “lagosta” e outras iguarias que fazem parte do cardápio do Supremo Tribunal Federal, outro dos alvos – velados – do protesto.
Em São Paulo, um padre, em discurso, associou a esquerda brasileira ao atentado ao presidente de Juiz de Fora, em setembro do ano passado.
No Rio, houve gritos de “mito” dedicados a Bolsonaro e trios elétricos, normalmente usados no célebre carnaval da cidade.

Em Belém, cantou-se o hino e rezou-se o Pai Nosso.

“As manifestações não foram pífias mas também não fazem do presidente um vencedor”, resumiu Júlia Duailibi, colunista da Globo News. A maioria dos observadores já previa que os protestos dificilmente representariam uma vitória para o governo. Em primeiro lugar, porque depois de obter mais de 55 milhões de votos há menos oito meses, mesmo que a adesão fosse extraordinária perderia sempre na comparação para esse número e sublinharia a queda, abrupta, nas sondagens da popularidade de Bolsonaro.
Depois, porque era provável que perdesse, também, na comparação para as manifestações de dia 15, organizadas pela oposição, em nome da educação.
E porque nem uma vitória na manifestação melhoraria a situação política do Planalto: hostilizar o Congresso Nacional numa fase em que o executivo precisa do legislativo para aprovar reformas, dizem os analistas, é contraproducente.
Finalmente, porque expôs em definitivo a falta de coesão governamental, com a ala mais programática, liderada pelos filhos do presidente e inspirada pelo auto-proclamado ideólogo da nova direita brasileira Olavo de Carvalho, a apoiar o ato e os membros da ala mais prática a demarcaram-se dele.

domingo, 19 de maio de 2019

GGN: O balanço do 15 de Maio e os preparativos para novo ato contra o fascista e seus entreguistas



Foram mais de 3 milhões de pessoas, em 240 cidades do Brasil e em todos os estados do país, protestando contra os cortes na Educação, e prometem mais no 30 de Maio


Rio de Janeiro, RJ. Foto: Pedro Rocha / Fotografia Pela Democracia
Jornal GGN O Brasil parou no último 15 de Maio, no que ficou conhecido como o Tsunami da Educação. Foram mais de 3 milhões de pessoas, em 240 cidades do Brasil e em todos os estados do país, protestando contra os cortes determinados nas Universidades e instituições de ensino superior.
Movimentos sociais, estudantes, professores, sindicatos já se preparam para o segundo ato, marcado para o dia 30 de maio, reunindo as reivindicações dos estudantes e professores, mas também contra outras pautas da agenda de Jair Bolsonaro, como a Reforma da Previdência, contra as privatizações e o cenário de crise econômica, a redução dos direitos trabalhistas.
Os Jornalistas Livres produziram um vídeo com um balanço das imagens que marcaram o dia 15 de maio na história do país:


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Educação x Barbárie fascista: um sentido para o 15 de Maio e o pouco discutido perigo militar Mourão, por Rogério Dultra



"(...) ao lado da alegria com as ruas desse 15 de maio histórico, surge a preocupação de que o aprofundamento das pautas antissociais ganhe novo fôlego com um eventualmente mais estável e racional governo militar igualmente de extrema direita de Mourão. Essa é a nova barbárie que se avizinha."  - Rogério Dutra

Do Jornal GGN:



Sentimentos ambíguos me invadem na análise do tsunami que varreu o Brasil ontem em protesto contra os cortes da Educação realizados pelo governo Bolsonaro. E isto não porque o alerta vermelho da desconfiança sempre deve acender quando a grande mídia de repente encampa pautas populares, orientada pelos seus interesses inconfessáveis e em geral contrários aos interesses do povo.

A leitura diferente e ambígua é que por mais que esteja cristalino que a fragilidade de Bolsonaro – antes etérea para seus aliados – tenha se decantado e solidificado em uma reação política e institucional robusta, a pauta econômica e social que ele representa na verdade continua pétrea dentro do golpe.

À sombra do Presidente cada vez mais perdido em explicações a dar sobre aumentos de patrimônio, milícias, acordos escusos, etc., emerge a figura de um governo puramente militar, sob o respaldo retórico da chancela eleitoral.
Embora as eleições de 2018 sejam um caso muito provável de golpe midiático-judicial – com a prisão espetacular de Lula, o principal oponente e plausível vitorioso, orquestrada pelo beneficiário do cargo de Ministro da Justiça do governo a se instalar; embora haja a forte suspeita da manipulação de informação com financiamentos escusos a ser estudada no futuro; o fato é que dentro da quadra histórica do golpe as eleições ocorreram na propagandeada “normalidade”.
O resultado de 2018 não é somente a legitimação “democrática” desse Bolsonaro que derrete em praça pública. É claro que o Presidente acossa sem sutileza o futuro do país atacando a Educação e também não entrega o ouro prometido à sanha ansiosa da banca – isto é, a reforma da previdência e as privatizações de tudo que valha privatizar. Mas também somos cada vez mais obrigados a lembrar que 2018 legitima o seu vice, o General Hamilton Mourão.
Mourão sofreu nos últimos meses uma espécie de repaginação estética. Antes e logo depois das eleições, declarações radicais, alinhadas com a agenda mais dura do neoliberalismo, envolvendo eliminação de direitos trabalhistas constitucionalizados, privatizações, etc.
Mas, passado pouco tempo, e já clara a impossibilidade de Bolsonaro montar e guiar um governo consistente, Mourão desenvolveu duas estratégias: moderou o discurso – em especial na pauta dos costumes, desenvolvendo falas não alinhadas com o núcleo “ideológico” do governo –, e passou, pontualmente, porém de maneira sensível, a se posicionar contra determinadas ações desastradas do Presidente e de sua trupe.
Para cada declaração que expõe e explora a crise do governo, outras dez declarações de fidelidade. Procede, assim, como um agente privilegiado da fritura de Bolsonaro.
O primeiro e mais claro movimento nesse sentido – o do afastamento estratégico de Mourão do governo em franca decadência – foi revelar que Sergio Moro, ainda juiz, fora convidado pela campanha de Bolsonaro, durante as eleições, para o Ministério da Justiça.
Diante desses elementos conjunturais, a ambiguidade do sentimento sobre a maravilhosa sublevação das ruas ontem pode ser assim descrita: apesar do enorme alívio e da alegria em ver a pauta da educação ser tomada pela população como de primeira necessidade, a ponto das ruas serem coalhadas inequivocamente pelos seus defensores em massa, os ataques aos nossos direitos sociais talvez subam a um novo patamar de radicalidade e consistência.
Pelo dito acima, já transparece que o meu entendimento da conjuntura aponta para o fortalecimento político de um dos núcleos militares do governo, o composto pelo vice-Presidente.
Fortalecimento, por antinomínia, no ataque orquestrado da grande mídia contra Bolsonaro, sua família e seu núcleo “ideológico”. O ataque tem sido até mesmo contra o “Super Ministro” Sérgio Moro, cuja única entrega foi a confissão de seu patrão de que o sagrou ministro num acordo no mínimo escuso: em troca de uma vaga no STF.
As comparações das manifestações de ontem com as de 2013, e a louvação da educação e dos jovens estudantes mobilizados pela nobre causa, se por um lado são naturais, por outro são de desconfiar. E não somente por terem sido feitas em uníssono pela grande mídia – expressando de forma rara e com certa fidedignidade o que ocorreu –, mas exatamente por ser este o estratagema utilizado anteriormente para desestabilizar o governo Dilma Rousseff.
Foi o que produziu entre 2013 e 2016 a narrativa do impeachment: o “vem pra rua” genérico e cooptável – “contra tudo e contra todos” – é agora substituído pela férrea e clara defesa da Educação, com uma crítica hoje endereçada diretamente ao governo que começa a agonizar. Dois movimentos históricos diversos, uma resultante desejada pelo capital: a queda de um governo que não atende às suas expectativas.
Nesse sentido, a impressão é que se anuncia um golpe de Estado dentro do golpe de Estado perpetrado em 2016. Com as personagens de sempre. Desta vez diante de um Presidente com um passivo de malfeitos provável e, quase que certamente, muito, mas muito mais consistente do que as burocráticas “pedaladas” que condenaram Rousseff no passado recente.
A palavra “impeachment” surge mais uma vez. Agora com o ar de plena justificação diante de um governo bizarro, com personagens grotescos, e com uma inconsistência que flerta diuturnamente com o desatino. E isto, convenhamos, é muito distante do que ocorreu e do que significou o governo Dilma em 2016.
Portanto, ao lado da alegria com as ruas desse 15 de maio histórico, surge a preocupação de que o aprofundamento das pautas antissociais ganhe novo fôlego com um eventualmente mais estável e racional governo Mourão. Essa é a nova barbárie que se avizinha.
E, assim, as ruas precisam ter a dimensão de que talvez o verdadeiro combate ainda sequer tenha começado.
Mas há, nesse cenário sombrio de mais instabilidade e de claríssima deteriorização da democracia, um fiat de esperança. Leiamos as ruas de ontem sob perspectiva diversa:
Enquanto as ignorâncias do Ministro da Educação eram massacradas no Congresso, o Brasil se levantava em manifestações multitudinárias. Diferentemente de 2013, as pautas não eram difusas e desencontradas. O povo gritava majoritariamente contra os cortes na Educação propostos pelo governo e, em menor escala, contra a reforma da previdência e contra o desemprego.
Foram manifestações das mesmas classes médias que se levantaram em 2013. Ou não?
O governo não tem a exata dimensão de muita coisa. Mas certamente não percebe a revolução produzida pelo processo de capilarização do ensino público Federal levado a cabo na última década e meia. Ao mexer com Institutos Federais e Universidades, agitou diretamente famílias de todos os estratos das classes médias, e com uma parte ainda minoritária de famílias pobres que veem os estudos de seus filhos ameaçados. É bom lembrar que os IF’s, como o Colégio Pedro II no Rio, respondem também pelo ensino médio.
Há, portanto, uma diferença qualitativa nas manifestações de ontem, se comparadas às de 2013. Há uma clara pauta e uma clara direção. Há unidade. Não há um movimento difuso a ser capturado por aventureiros de plantão. E, por cima de tudo, surge finalmente um substrato importante do povão a entender que mexer com o ensino público é mexer com o futuro de ascensão social de seus filhos.
A geração das ruas de 2019 sabe exatamente do que se trata. E o governo Fakenews de Bolsonaro e sua trupe, por ser tão caricato – exatamente pela transparência bizarra de sua absoluta inconsistência –, desnudou para o povo o que realmente importa, o que está em jogo de verdade.
Se a luta que se avizinha pode ser mais longa do que se possa imaginar, a resistência pode ser também mais qualificada, mais sólida, consciente, a contaminar setores inéditos do tecido social. E, nesse contexto de desesperança, de desemprego e de crise, isto é revolucionário. E é, sim, a revolução possibilitada pela Educação.

ROGERIO DULTRA

Professor do Departamento de Direito Público da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Justiça Administrativa (PPGJA-UFF), pesquisador Vinculado ao INCT/INEAC da UFF e Avaliador ad hoc da CAPES na Área do Direito.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Dia Nacional de Greve na Educação: manifestações ocorrem em todo o país


Hoje, dia 15 de maio, é o Dia Nacional de Greve na Educação. Manifestações estão programadas em todo o país em protesto contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais e contra a reforma da Previdência.



Jornal GGN Hoje, dia 15 de maio, é o Dia Nacional de Greve na Educação. Manifestações estão programadas em todo o país em protesto contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais e contra a reforma da Previdência.
Dia de cruzar os braços e ir para as ruas. Secundaristas, universitários, pós-graduados, professores, trabalhadores da Educação e população estarão nessa grande mobilização nacional. Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) diz que a expectativa é de que a sociedade apoie e participe das manifestações.
Universidades vão parar no Brasil inteiro. Até o momento, 70 universidades confirmaram a adesão à greve e aos atos. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) entende que o corte de recursos ‘colocou lenha na fogueira’ e ajudou a ampliar a adesão. ‘Somente juntos vamos fortalecer essa luta pelo direito social e humano a uma educação pública e de qualidade da creche à pós-graduação’, disse.
Escolas e universidades particulares também confirmaram adesão às manifestações de hoje e trabalhadores nestas instituições cruzarão os braços.
Eis a agenda de mobilizações.
SUL
Rio Grande do Sul
– Porto Alegre: Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), às 18h.
– Caxias do Sul: Praça Dante Alighieri, no centro, às 17h30
– Viamão: centro de Viamão, às 16h
Santa Catarina
– Florianópolis: Praça Central, às 15h
– Chapecó: Praça Coronel Bertaso, no centro, às 9h30
Paraná
– Curitiba: Praça Santos Andrade, centro, às 9h, com caminhada a partir das 10h até o Centro Cívico.
Às 11h30, haverá ato em frente a prefeitura e, às 12h30, uma reunião com a bancada da Educação na Assembleia Legislativa.
SUDESTE
São Paulo
– São Paulo: Masp, na Avenida Paulista, às 14h
– Sorocaba: Praça Coronel Fernando Prestes, centro, às 9h
– São Carlos: Praça Coronel Salles, às 9h
– Campinas: Largo do Rosário, às 10h30
Minas Gerais
– Belo Horizonte: Praça da Estação, na Avenida dos Andradas, às 9h. A partir das 14h haverá um debate sobre a reforma da previdência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Rio de Janeiro
– Rio de Janeiro: Candelária, na Praça Pio X, às 15h
Espírito Santo
– Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus Goiabeiras e Maruípe, às 16h30. Às 8h30 terá um ato unitário na Praça do Papa, também na capital.
CENTRO-OESTE
Distrito Federal
– Brasília: Museu Nacional, às 10h
Goiás
– Goiânia: Praça Universitária, no Setor Leste, às 14h. Já por volta das 15h, os trabalhadores da educação em Goiânia farão ato público na Praça Cívica.
Mato Grosso
– Cuiabá: Praça Alencastro, às 14h, com estudantes, professores e servidores da educação.
Mato Grosso do Sul
– Campo Grande: Gramado do Pontilhão, em frente a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, às 9h.
NORTE
Amapá
– Macapá, Praça da Bandeira, 16h, com estudantes e trabalhadores da educação.
Amazonas
– Manaus: Entrada da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), às 7h e, na Praça do Congresso, às 15h.
Pará
– Belém: às 8h, na Praça da República, haverá um ato público da categoria. Mais tarde, na Praça Dom Pedro II, às 11h, os estudantes realizarão sua manifestação.
Tocantins
– Palmas: Praça dos Girassóis, na Av. Joaquim Teotônio Segurado, às 9h. No mesmo horário, trabalhadores realizarão um ato na Câmara Municipal.
Acre
– Rio Branco: Ato na Universidade Federal do Acre (Ufac), às 7h. Já às 8h terá um ato público, organizado pelos trabalhadores da educação, em frente ao Palácio Rio Branco.
NORDESTE
Maranhão
– São Luis: Ato de estudantes na vivência da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), às 11h30. Mais tarde, às 15h, na Praça Deodoro, os trabalhadores da educação farão greve e participar do ato unificado.
Piauí
– Teresina: em frente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), às 8h, com trabalhadores em educação básica e entidades estudantis.
Alagoas
– Maceió: Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), na Avenida Fernandes Lima, às 9h.
Paraíba
– João Pessoa: Lyceu Paraibano, na Avenida Presidente Getúlio Vargas, às 9h. Um ato público também será feito, às 14h, na Assembleia Legislativa.
Sergipe
– Aracaju: às 8h30, será feito um ato em frente a Câmara Municipal. Às 14h, uma mobilização unificada entre sindicatos e movimentos sociais, na Praça General Valadão, região central.
Ceará
– Fortaleza: Praça da Bandeira, às 8h. Será feita uma caminhada até a reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde terá um grande ato unificado, com estudantes e trabalhadores.
Pernambuco
– Recife: ato no Ginásio Pernambucana da Aurora, às 15h, que sairá em caminhada até a Praça do Carmo.
Rio Grande do Norte
– Natal: às 15h, os trabalhadores junto com as universidade estarão nas ruas participando do ato unificado em frente ao Midway Mal, na Avenida Bernardo Vieira.
Bahia
– Salvador: Ato em Campo Grande, às 9h. Às 08h30 terá um ato unificado ao lado da prefeitura da capital, com a participação de professores e professoras da rede pública de municipal de Camaçari.