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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Bob Fernandes sobre o Doria de Alckmin: "Não à Política", força de uma mídia tendenciosa e derrota do PT



Geraldo Alckmin teve estrondosa vitória com João Dória no 1º turno. E larga na frente para 2018.
Terá que tourear egos e apetites no PSDB, grande vencedor desta eleição...
Um bom problema. Isso é bem melhor do que purgar uma derrota...
Alckmin tem o PSB do seu vice, Marcio França, como alternativa e espantalho para impor-se no tucanato.
Aécio ainda comanda o partido e se fortalece se João Leite vencer em Belo Horizonte.
Serra, que não desiste nunca, à revelia do PSDB perdeu com Matarazzo e Marta.
Muito dependerá dos rumos da Lava Jato. Por ora os camburões da Lava Jato mantem fechadas as portas do lado direito.
Marcelo negocia delação. Se quiserem mesmo saber o que ele sabe, e indicam planilhas, dados e computadores da Odebrecht, baixas para 2018 serão ampliadas.
Grande derrotado, o PT já chegou às urnas encolhido. Disputou mil prefeituras menos do que em 2012. E perdeu 60% das suas 644 prefeituras.
Derrota antecipada pelo desastre econômico. Desastre esse antecedido e inflado pelo desastre no território ético-político.
O PT fez o que por duas décadas mostrou que os demais faziam. Por isso agora pagou dobrado pelo mesmo que os demais compram, ou vendem.
O "Mensalão" está nas manchetes há 10 anos. O "Petrolão" há três.
O PT se queixa: instituições da chamada Grande Mídia têm lado. Enquanto magnificam erros do PT escondem ou minimizam erros de aliados tradicionais.
Onde está a novidade? Por que, em 13 anos no Poder, o PT não convocou a sociedade para, ao menos, debater regulação econômica que impeça monopólios no setor?
Porque apostou na conciliação com quase tudo e todos. E nisso PMDB e similares são insubstituíveis.
O PMDB, apesar de derrotas como a de Paes e seu Pedro Paulo no Rio de Janeiro, segue com maior número de prefeitos. Isso conta para 2018, inclusive para formatação do Congresso.
Há outro grande vitorioso. Em São Paulo, votos brancos e nulos ganharam de Haddad, o segundo colocado.
Dória venceu anunciando "Não ser Político". Por 11.147 votos Dória perdeu para abstenção, brancos e nulos.
Estes somados, 38,5% dos paulistanos disseram "Não à Política". No Rio de Janeiro, 42,5% disseram "Não á Política". Cenário que se repetiu em outras cidades e estados.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

São Paulo ensina a pequenez




Na “reorganização” das escolas do Estado, dois cacoetes das elites: decidir sem debate e oferecer às maiorias o mínimo. Mas Florestan Fernandes inspira a resistir
Por Fernanda Feijó1 - Pesquisadora do Laboratório de Política e Governo da UNESP
O Brasil caracteriza-se por estabelecer políticas sociais de forma autoritária: sempre “de cima para baixo”. Tal fenômeno tem marcado o desenvolvimento do país desde os primórdios da República (se considerarmos que o Império era um regime autoritário em si) até os dias atuais. Podemos perceber a força desse autoritarismo quando falamos mais especificamente de políticas educacionais e dos percursos que as mesmas percorreram ao longo do último século.
Desde a década de 1930, quando a intelectualidade brasileira iniciava o processo de institucionalização das ciências sociais, já se anunciava a importância da educação formal dentro do país, ainda que naquele momento a preocupação maior fosse formar quadros para a elite dirigente do país que pudessem impulsionar o processo de modernização que se colocava em curso. No contexto de centralização política propiciada pela Revolução de 1930, a educação nacional passa, então, efetivamente a ser responsabilidade do Estado. Foi justamente nesse momento, que o Brasil ensaiou o desenvolvimento de um “pseudoestado de bem-estar”, a saber extremamente conservador e autoritário, na qual o Estado realizava reformas sem a participação da sociedade nos processos decisórios.
Esse contexto é fundamental para compreender as origens da nossa cultura política tão antidemocrática, na qual vigora o famoso esquema “de cima para baixo”, onde a população não tem a possibilidade de participar, efetivamente das decisões acerca de política que vão influenciar diretamente sua vida.
Nem na primeira experiência política de fato democrática que o país experimentou, a partir de 1945, houve participação democrática no que tange aos processos decisórios em termos das políticas educacionais. O caso da primeira Lei de Diretrizes e Bases (lei 4024/61), deixa claro o movimento antidemocrático que ronda a questão educacional no país. Sua tramitação demorou longos 15 anos para ser concluída, durante um período no qual grupos de intelectuais lutavam por uma educação pública, democrática, laica e de qualidade. Apesar de diversos movimentos e da participação intensa de personalidades como Florestan Fernandes na defesa da escola pública, a lei aprovada, ao final, representava apenas a vontade da elite, favorecendo o ensino privado.
Com o fim desse primeiro ciclo democrático e a ascensão de um novo governo autoritário, não se poderia esperar nada melhor da Reforma Jarbas Passarinho (Lei 5692/71), executada em 1971 no seio da ditadura militar, que incentivava ainda mais a privatização e também o tecnicismo da educação.
Com o novo advento da democracia, esperava-se conseguir uma nova perspectiva, especialmente no que tange à questão das políticas sociais, sobretudo após tantos anos de autoritarismo nas decisões. Nesse espírito foi concebida a “Constituição Cidadã”e em conformidade com a mesma, iniciou-se o processo de construção de uma nova Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96). A princípio, a tramitação da LDB deu-se a partir de uma visão democrática e participativa, pensando o avanço democrático e que pudesse qualificar as políticas nacionais de educação. O primeiro projeto de lei da nova LDB constituiu-se a partir de discussões que envolveram, além dos parlamentares, o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública (FNDEP), representante da sociedade civil através de educadores, intelectuais, estudantes, etc. Ou seja, um ampla discussão perpassava a construção da nova lei, levando-se em consideração a necessidade da construção de uma escola pública de qualidade.Porém nem ela escapou à sanha autoritária das decisões políticas que reinam na nossa cultura política. A LDB tramitou durante 8 anos no pós-redemocratização, durante os quais a correlação de forças políticas dentro do Congresso Nacional passou por diversas movimentações. No momento em que ela foi aprovada (1996), a base governista apoiava o projeto que o poder executivo, então PSDBista, elaborava para a educação nacional. Nesse sentido, aprovou-se uma Lei de Diretrizes e Bases com um sentido administrativo bastante distinto daquele concebido no início da sua discussão, no qual se ampliava o controle do poder executivo (e consequentemente anulava-se o de outras instâncias da sociedade civil) sobre as decisões acerca da educação nacional.
Esse breve contexto histórico nos permite compreender a dimensão histórica do problema pelo qual passamos, uma vez que os problemas que vivênciamos na educação paulista agora são fruto, ao mesmo tempo, da herança política autoritária e das reformas educacionais executadas ao longo da nossa história, mas sobretudo das que viriam na década de 1990. Tais reformas foram realizadas em nível nacional, mas o estado de São Paulo, por estar alinhado política e partidariamente com o governo central à época, adotou tais medidas incondicionalmente, servindo de modelo para essa nova política instaurada.
A política educacional adotada pelo governo federal na década de 1990 foi realizada e em consonância com as transformações político-econômicas vigentes no país na mesma época. Nesse período, não só o Brasil, mas a América Latina como um todo, realizou reformas estruturais no aparelho do Estado, como tentativa de superar os graves problemas econômicos que assolavam esses países, pautadas no ideário dos países desenvolvidos – considerados “potências econômicas” – acerca das medidas a serem tomadas para frear a recessão e incentivar o crescimento dos países latino-americanos. Nesse contexto, o Brasil passou a assistir a uma intensa desregulamentação das relações de mercado, bem como da organização de produção e trabalho, cada vez mais complexificados pela revolução tecnológica e econômica impulsionada pelo avanço da globalização.
Consequentemente, as políticas educacionais formuladas no final do século XX foram elaboradas a partir das novas formas de organização das esferas sociais e políticas, resultando em uma reforma institucional na qual se procurou adequar o currículo escolar às novas exigências do mercado de trabalho e às mudanças tecnológicas, pois o profissional que passa a ser exigido pelo mercado deveria, então, ser “criativo”, “imaginativo”, “adaptável”, “maleável” e “autônomo”, de forma que as motivações pessoais acabam por se sobrepor aos valores coletivos. A educação brasileira vai dar vazão a essa lógica que subordina a educação às exigências da estrutura econômica vigente, através de uma legislação educacional que preconiza um currículo que prima por um viés educacional individualista e cognitivista.
Desse modo, sob o auspício do governo do PSDB, tanto em nível nacional quanto no estado de São Paulo, estabeleceu-se uma centralização administrativa na qual o Estado passa a ter total controle sobre as reformas a serem implementadas, porém de forma absolutamente autoritária (conforme a tradição política do país…), uma vez que toda discussão realizada com a sociedade civil – organizada ou não – era ignorada pelo poder público na hora de implementar as políticas necessárias.
Nesse contexto, o governo Mário Covas com a Secretaria de Educação de São Paulo sob o controle de Rose Neubauer, inicia uma reforma, também à época (1995) denominada de “reorganização”. Os objetivos eram os mesmos que permeiam a “reorganização” agora proposta por seu suecessor Herman Voorwald: dividir as escolas por ciclos/faixas etárias, com o intuito de melhorar a qualidade da oferta de ensino.
Porém, a intenção de realizar essa “reorganização” fazia parte da reforma nacional mais ampla: economizar com a educação, segundo os ditames de bancos e organismos internacionais (BIRD, BM, UNESCO, dentre outros). Reorganizar, nesse sentido, significava fechar salas e instituir parcerias, tanto com os municípios visando o avanço do plano de municipalização do ensino fundamental (previsto na Constituição e, com mais foco, na LDB que ainda seria aprovada no ano seguinte), quanto com a iniciativa privada, no intuito de se despojar de diversas de suas responsabilidades – ainda que, em termos de determinar as políticas, a centralização autoritária das decisões permanecesse.
O estado de São Paulo, ao pautar a reforma que se inicia em 1995, baseou-se em estudos de agências internacionais – cujo objetivo era analisar que tipos de políticas poderiam otimizar resultados educacionais – que“mostravam” que reduzir o número de alunos por sala e investir em valorização de docentes era um investimento que não se justificava, uma vez que medidas mais baratas como a adoção das já referidas parcerias, também propiciavam desempenho positivo nos exames externos de qualidade da educação. A reorganização, portanto, foi guiada por uma visão econômica do processo educativo; realizando, na verdade, mais uma reforma administrativa que buscava maior aproveitamento de resultados a custos mínimos do que, de fato, uma reforma que pudesse melhorar a qualidade do ensino.
Qualquer análise grosseira da atual condição em que se encontra a educação paulista hoje é capaz de apontar o fato de que essa reforma, vinte anos depois, não resultou em qualidade, nem em avanços para o ensino. Pelo contrário. Para aqueles que, como nós, estamos em franco e cotidiano contato com a rede estadual de ensino, fica claro o quanto a escola pública está sucateada. Salas superlotadas (onde estão as classes ociosas??), falta de infraestrutura como bibliotecas, laboratórios, salas multimídia, para além do ajuste fiscal realizado esse ano, a partir do qual diversas escolas ficaram sem o material básico de trabalho (papel sulfite, canetas, papel higiênico, etc).
Fácil compreender porque, nesse momento, a secretaria de Educação apela, mais uma vez, para a velha medida de “reorganização”. Vinte anos atrás deu resultado. Economizou-se bastante dinheiro: à custa da qualidade do ensino, à custa de salas fechadas, de acordos escusos com a iniciativa privada, à custa do emprego de professores.
Mais uma vez, o Estado se utiliza da tradição autoritária que nossa tradição impõe, de estabelecer uma política de cima pra baixo,determinando que a divisão por ciclos vai ocorrer sem consulta aos diretamente envolvidos: alunos, seus pais e professores. Mais uma vez, o discurso aponta para a garantia de aumento da qualidade da educação, caso os alunos sejam divididos por ciclos (Anos iniciais do ensino fundamental – 1º a 5º anos, anos finais do ensino fundamental – 6º a 9º anos e Ensino Médio – 1ª a 3ª séries). Porém, se não deu certo há vinte anos, o que garante que dará certo agora? Em quais pesquisas (sérias) o governo se baseia para afirmar que essa divisão de ciclos é melhor para nossas crianças e adolescentes? Além disso, outro argumento que sustenta a decisão para essa reforma (sim reforma! É um movimento muito grande para ser denominado apenas de “reorganização”) é o das “classe ociosas” em função da diminuição de alunos no estado. Que houve a diminuição, concordamos. Que existem salas sem utilidade, não! Por que não diminuir a quantidade de alunos por turma? Ou reaproveitar salas como laboratórios, multimeios, bibliotecas…
Não existem classes sem aluno! O que existe é classe sem professor, escola sem biblioteca, banheiro sem papel higiênico… E agora alunos sendo considerados como números, com sua subjetividade e afeto por sua escola, professores, funcionários e amigos, sendo veementemente ignorados.
Essa é a cultura política que impera no nosso país: antidemocrática, que desencoraja a participação da população nas decisões que impactarão diretamente as suas vidas. Tratando-se ainda de educação, tal situação torna-se ainda mais grave: como formar alunos aptos à participação política democrática se à eles é imposta toda e qualquer política que, na maior parte das vezes, não tem como foco a qualidade do seu ensino?
Por isso é preciso resistir. É preciso que permaneçamos firmes lutando, como lutou nosso saudoso mestre Florestan Fernandes da década de 1950 até o fim de sua vida, por uma educação pública, democrática, laica e de qualidade.

1Professora de Sociologia da rede estadual paulista de ensino.Doutoranda em Ciências Sociais pela FCLAr – UNESP.
Pesquisadora do Laboratório de Política e Governo da UNESP.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O editor do blog Implicante, fianciando por Geraldo Alckimin com 70 mil reais por mês, Fernando Gouveia, ou Gravataí Merengue, acredita ser um gênio e todos os demais uns bocós


"Com argumentos falaciosos e patéticos, ele tenta justificar o injustificável: o mensalão que seu site, o Implicante, recebe do governo Alckmin, por intermédio da agência Propeg.

"Revelada essa mamata monstruosa, ele conseguiu dizer que o caso se enquadra numa tentativa de tentar coibir as vozes antipetistas na internet. Quer dizer: se fingiu de vítima."



O editor do Implicante deve achar que somos todos imbecis. Por Paulo Nogueira


Implicante com cara de bobo


Fernando Gouveia, ou Gravataí Merengue, deve achar que somos todos imbecis.

Com argumentos falaciosos e patéticos, ele tenta justificar o injustificável: o mensalão que seu site, o Implicante, recebe do governo Alckmin, por intermédio da agência Propeg.

Revelada essa mamata monstruosa, ele conseguiu dizer que o caso se enquadra numa tentativa de tentar coibir as vozes antipetistas na internet. Quer dizer: se fingiu de vítima.

Ora, Merengue: a questão aí é impedir canalhices como as que vocês publicam (ou publicavam) rotineiramente.

Num mundo menos imperfeito, Merengue estaria já na cadeia, tais e tantas calúnias espalhou contra o PT, Lula e Dilma.

Mas o mundo é como ele é, e então temos que suportar as explicações ridículas de Merengue.

A farsa começa já na apresentação do site.

“Não somos jornal, não usamos concessão pública, nada disso.”

Sim. Usam 70 mil reais, ao mês, do dinheiro do contribuinte.

Alckmin sabia desse conteúdo? Eis uma pergunta que deve ser respondida em algum momento.

Porque o Implicante é um golpe baixo, sujo, desleal.

Desinforma, manipula, calunia, mente o tempo todo.

Ainda na apresentação, o editor diz que você não vai gostar do conteúdo caso seja “do governo, alguém por ele contratado ou apenas um militante”.

O asco provocado pelo Implicante vai muito além disso. Ele provoca repulsa em qualquer pessoa com um mínimo de apreço à verdade e à decência.

O site esteve fora do ar algumas horas hoje, e isso fez circular o rumor de que fora desativado.

Gravataí, numa nota no próprio site, desmentiu.

Vai ser divertido observar os próximos movimentos do Implicante, se os houver.

Sites dessa natureza vivem da escuridão, das sombras – e não resistem a raios de sol que exponham suas entranhas.

“Vai começar a brincadeira”: esta a derradeira linha do texto em que o editor introduziu o Implicante ao público.

Agora, é tempo de acrescentar o seguinte: acabou a brincadeira.