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segunda-feira, 23 de março de 2026

Escancaramento da parcialidade e manipulação da Globo na ressurreição da Lava Jato na versão 2.0 2026: O Power Point da Andréa Sadi e as relações de Daniel Vorcaro com a Globo, por Luis Nassif

 

Se o mote do Power Point foram apenas os contatos, porque não entrou o logotipo da Globo? 

Do Jornal GGN:

O Power Point da Andréa Sadi e as relações de Vorcaro com a Globo


    Reprodução


A desonestidade jornalística exige um mínimo de arte para não esbarrar no ridículo. Até pode sensibilizar a parte mais desinformada da opinião pública. Mas para o público que pensa, vale uma adadptação do refrão de Gonzaguinha: “é ridículo, é ridículo e é ridículo”.

Se o mote do Power Point foram apenas os contatos, porque não entrou o logotipo da Globo? 

O foco deveria ter sido os governadores que autorizaram aplicações dos fundos de pensão dos funcionários no Master; políticos que tentaram aumentar os limites do FGC; a estrutura de alianças que ele consolidou junto ao Centrão. Mas o jornalismo da Globo decidiu optar por um apanhado geral dos encontros dele com autoridades, sem se dar ao trabalho, jornalisticamente honesto, de identificar quem cometeu atos ilícitos em favor de Vorcaro.

No Summit Valor Econômico Brazil-USA (Nova York, maio de 2024), organizado pelo jornal Valor Econômico (Grupo Globo), teve Daniel Vorcaro como patrocinador e palestrante de abertura.

O evento foi aberto por Frederic Kachar, diretor da Editora Globo. Em sua fala, agradeceu ao Banco Master, “na figura de Daniel Vorcaro” e mencionou uma “relação pessoal” com ele.

“A gente tem alegria de ter patrocinadores de empresas que a gente admira e que eu tenho privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco Master [sorri e aponta para a plateia, onde estava o então banqueiro] na figura de seu presidente Daniel Vorcaro, que apresenta o seminário de hoje”.

“Relação pessoal” é mais do que um contato fortuito ou agendado.

Houve o pedido de uma reunião com Lula, intermediado por Guido Mantega. Para a reunião, Lula convocou uma série de autoridades para não dar espaço a nenhuma insinuação da parte de Vorcaro.

E com a Globo, qual o teor das conversas? O segundo patrocinador do evento foi Eduardo Magro, o maior sonegador da história do país, sobejamente conhecido há décadas. 

Naquela data, o Master já despertava suspeitas no mercado. Mas foi tratado pela Globo como ator relevante, legítimo e amigo. Entre outras coisas, porque o Will Bank era um forte patrocinador de programas da Globo.

A Lava Jato foi um desastre para a imprensa. A repetição da fraude jornalística será o fim.

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Mais uma rodada da Lava Jato 2 visando as Eleições 2026, por Luís Nassif

 

Da fase da intimidação, mostrando quem manda, à fase dos vazamentos em série: é a nova versão da Lava Jato em curso e com novos trejeitos.

Do Jornal GGN:

    André Mendonça - arquivo Agência Brasil


O jogo do Ministro André Mendonça parece claro.

A primeira jogada foi autorizar a quebra do sigilo bancário de Fábio Luiz, o Lulinha. A suspeita é de ligação com o tal “careca do INSS”. Detalhe: a investigação autorizada por Mendonça é sobre o Banco Master. Mas pouco importa.

A segunda jogada foi mostrar poder, chamando a atenção do Procurador-Geral da República no despacho que mandou Daniel Vorcaro para a prisão.

A lógica é a mesma da Lava Jato 1, implementada pelo DHS, o Gabinete de Segurança Interna dos EUA. Tem que mostrar ser a autoridade absoluta, para dobrar o suspeito e conseguir dele a delação que interessa aos investigadores. Ou seja, não é uma tarefa que não admite o chamado devido processo legal.

Finalmente, abrir a torneira dos vazamentos. Ontem, vários veículos, vários repórteres já divulgavam notícias exclusivas, vazadas pela força tarefa da Polícia Federal. Inclusive a inacreditável manchete do Metrópoles sobre os R$ 19 milhões de movimentação bancária de Lulinha ao longo de 4 anos, somando depósitos e saques para criar volume e deixando de informar sobre a venda da Gamecorp.

Tem-se, em uma ponta, um fanfarrão barra pesada, Daniel Vorcaro. As mensagens no celular – para pegar Lauro Jardim – são pura fanfarronice, que nem o próprio Lauro deve ter levado a sério. Mas serviu de álibi para prender Vorcaro, corrigindo, aliás, o erro inicial, que foi a sua liberação anterior.

Logo em seguida, vem o inacreditável: o suicídio do tal Sicário, na sede da Polícia Federal onde estava detido, levantando a suspeita fortíssima de queima de arquivo.

Em todos esses dias, não houve um vazamento sequer sobre governadores do Centrão, sobre Ibanez. Chegou-se a dois funcionários do Banco Central, cooptados por Vorcaro na gestão Roberto Campos Neto. Espera-se que, ao menos, levantem como um sujeito indiciado pela polícia conseguiu autorização do BC, na gestão Campos Neto, para adquirir o Banco Máxima, que depois virou Master.

Mas a Lava Jato 2 não encontrará as mesmas facilidades da Lava Jato 1. De um lado, a maioria dos suspeitos pertence à banda política de André Mendonça, a mistura de Centrão e Bolsonarismo. Não dá para tapar o sol com a peneira. De outro, Brasília não é Curitiba e, na mídia, não há mais a mesma unanimidade vergonhosa que marcou a cobertura da Lava Jato. 

Mas a capacidade de produzir estragos é grande. Ontem dei o exemplo da quantidade de matérias suscitadas pela quebra do sigilo bancário de Lulinha, em contraposição à ausência total de denúncias contra Flávio Bolsonaro, que está no centro das atenções, por se consolidar como candidato da direita.

Enquanto o inquérito corre, os vazamentos ocorrem, a mídia aposta as fichas em uma figura intrinsecamente ligada às milícias cariocas, o país espera uma nesga de esperança para escapar da tragédia política.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Por trás dos ataques da Globo ao STF, uma causa de R$ 19,8 bilhões. Artigo de Luis Nassif

 

Historicamente, as Organizações Globo sempre foram implacáveis com quem pudesse colocar seus interesses em risco.

Do Jornal GGN:

Por trás dos ataques da Globo ao STF, uma causa de R$ 19,8 bi

Tudo gira em torno da decisão do STF que validou a constitucionalidade da CIDE sobre remessas ao exterior.


Historicamente, as Organizações Globo sempre foram implacáveis com quem pudesse colocar seus interesses em risco.

Foi assim com Ibrahim Abi Ackel, Ministro da Justiça no governo José Sarney, quando resolveu questionar a compra de equipamentos radiofônicos pela emissora, sem pagamento de impostos – operação vulgarmente conhecida como contrabando.

O atrito começou quando Abi-Ackel defendeu maior controle estatal sobre concessões de rádio e TV, endureceu o discurso sobre renovação e fiscalização das concessões e sinalizou que comunicação não era propriedade privada perpétua, mas serviço público. O Ministro foi alvo de uma campanha diária, através do Jornal Nacional, apresentado como inimigo da democracia. Culminou com acusações – jamais comprovadas – de que se valera das prerrogativas do cargo para contrabando de joias.

Outro caso chocante foi a campanha contra o Ministro de Fernando Collor, Alceni Guerra, quando propôs uma aproximação com Leonel Brizola. Houve uma campanha implacável, contra a principal obra do Ministro – aluguel de bicicletas para agentes de saúde -, acusando-o de corrupção. Liquidaram com a carreira de um dos mais promissores políticos da época,.

A campanha contra Alexandre de Moraes enquadra-se nesse estilo, conforme revelado por Roberto Barbosa, no Diário da Guanabara.

Tudo gira em torno da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que validou a constitucionalidade da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre remessas ao exterior, no julgamento do Tema 914 de Repercussão Geral.

É interessante acompanhar o tema, porque reforça a hipótese de que todas as campanhas contra o STF tem como pano de fundo a ofensiva contra a lavagem de dinheiro e contra a engenharia tributária utilizada no mercado.

Até então, a cobrança do CIDE incidia apenas sobre contratos de transferência de tecnologia. Depois da decisão do STF, passou a incidir também sobre o pagamento de direitos autorais e licenciamento de conteúdos internacionais.

Entendeu-se que a CIDE-Remessas é um tributo de natureza extrafiscal, cuja validade decorre não do fato gerador em si, mas da finalidade constitucionalmente legítima: o financiamento do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro.

No acórdão, o Ministro Flávio Dino entendeu que as contribuições de intervenção no domínio econômico não exigem “referibilidade direta” ou contraprestação em favor do contribuinte. 

“É desnecessária a existência de benefício direto em favor dos respectivos contribuintes. A contribuição de intervenção no domínio econômico caracteriza-se pelo aspecto finalístico e não pelo elemento material (fato gerador).” — Trecho do Acórdão, Redator Min. Flávio Dino.

Foi uma votação apertada, de 6 a 5. O relator original, Luiz Fux, obviamente defendia teses favoráveis a Globo. Mas Dino abriu a divergência e conseguiu a maioria, consolidando a cobrança sobre royalties, serviços técnicos e assistência administrativa de qualquer natureza.

O voto de Dino foi acompanhado por Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luis Roberto Barroso. Votos vencidos foram de Fux, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, André Mendonça e Nunes Marques.

A decisão do STF impediu uma perda de R$ 19,6 bilhões para a União, valor que seria recuperado pelas empresas caso prosperasse a tese da inconstitucionalidade.

Segundo o artigo, “a impossibilidade de deduzir a CIDE como despesa operacional para fins de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Constribuição Sobre Lucro Liquido) agrava o impacto, reduzindo diretamente o lucro líquido e a capacidade de investimento do grupo em novas aquisições internacionais”.

Se a tese estiver correta, o próximo alvo da Globo será o Ministro Flávio Dino.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

"O jogo vai ficando claro. A ofensiva midiática visa enfraquecer as investidas da PF contra a Faria Lima. O alvo, agora, é a diretoria de fiscalização do BC" - Luis Nassif sobre o caso Malu Gaspar-Globo contra o STF

   "É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo."

Do Jornal GGN:

Como utilizar o método Malu Gaspar para interpretar Malu Gaspar, por Luís Nassif


O jogo vai ficando claro. A ofensiva midiática visa enfraquecer as investidas da PF contra a Faria Lima. O alvo, agora, é a diretoria de fiscalização do BC


Está na hora dos veículos de imprensa se debruçarem sobre um código de ética mínimo. Tem-se um modelo de jornalismo que está sendo destruído pelas redes sociais, pelas informações desestruturadas, pelas fake news, pela irresponsabilidade no uso do off e dos assassinatos de reputação.

Mas insiste-se em combater esse desgaste recorrendo ao mesmo estilo irresponsável das redes sociais, sem nenhum compromisso com dados, com fontes, com fatos, apenas atrás de likes. E a falta de compromissos com a lógica e com os fatos é meio caminho andado para o exercício do lobby.

É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo.

Aqui, sua última versão. Não mais a de que a convocação do Diretor de Fiscalização do Banco Central para uma acareação com um diretor do BRB, visava intimidá-lo. Na última versão, o diretor de fiscalização passa a ser cúmplice do Banco Master em uma jogada articulada pelos advogados do Master.

Malu Gaspar
Depois de conseguir o envio da investigação sobre o Master para o Supremo Tribunal Federal e a decretação de sigilo absoluto no caso, a próxima etapa da estratégia de defesa do banco já está em andamento. O objetivo é minar a credibilidade do Banco Central e desmontar o trabalho que levou à liquidação do Master para revertê-la e, no limite, quem sabe até receber algum tipo de ressarcimento.Não há uma fonte, uma explicação jurídica embasando a afirmação. É mero desconfiômetro ligado.
O plano já foi desenhado pelos advogados do Master nas manifestações feitas tanto ao próprio Supremo como ao Tribunal de Contas da União, no processo em que o ministro Jhonatan de Jesus pediu esclarecimentos ao BC sobre a “decisão extrema” de liquidar o banco de Vorcaro.Mistura um Ministro do TCU, indicado pelo PL (partido por trás do Banco Master) com o BC. Não há nenhuma comprovação, nenhuma dica, nenhum indício de que há o tal plano desenhado pelos advogados do Master.
Para que o estratagema dê certo, porém, é preciso criar fatos para justificar uma decisão de Toffoli contra os diretores e técnicos do BC. O histórico do ministro autoriza supor que ele tem chance de prosperarDesde que embarcou no jatinho de um amigo empresário junto com o advogado de um dos investigados no caso para ir a Lima assistir a final da Libertadores, Toffoli vem seguindo à risca o script da defesa.O jatinho não era do advogado. Ambos eram caronas de terceiros. E acertos obscuros são realizados em locais sigilosos, não em viagens para assistir jogo do Palmeiras.É uma ilação ridícula.
Primeira informação útil: a liquidação foi decidida com a aprovação unânime da diretoria colegiada do BC, incluindo o voto sim do presidente, Gabriel Galipolo, que em princípio não precisava se manifestar, já que os outros oito diretores eram a favor. A responsabilidade, portanto, é de toda a cúpula da autarquia.E ainda: de todos, quem mais resistiu à ideia da liquidação foi o próprio Ailton Aquino, da fiscalização. Internamente no BC e no sistema financeiro, Aquino era visto como um aliado do Master.O diretor que, segundo Gaspar, é visto como aliado do Master, votou pela liquidação do banco.Ela acusa um funcionário de carreira, de ficha limpa, de “aliado do Master”, baseado em fontes em off (se é que existem).
Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sustentado por recursos dos próprios bancos, mostram que houve 38 comunicados oficiais sobre os riscos de liquidez, furos no balanço do Master e outras questões que deveriam levar a uma ação mais contundente do órgão regulatório.Quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino, e muitos foram feitos em reuniões presenciais. Duas pessoas que participaram desses encontros me relataram que a atitude do diretor era sempre a de minimizar os problemas – que foram só se agravando ao longo do tempo.Confira a malícia.Todos os alertas eram produzidos pela área de Aquino, que era diretor de fiscalização.Mas, segundo Gaspar, “quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino”, como se fossem alertas externos, não considerados pela diretoria de fiscalização.
Foi no processo de análise dessa operação que outra diretoria, a de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, encontrou as fraudes nos contratos de crédito consignado que avalizaram o repasse de R$ 12, 2 bilhões do BRB para o Master pela venda da carteira, antes mesmo da fusão dos dois bancos.A partir daí deu-se um racha interno, com a área de Renato Gomes propondo intervir no Master e a de Aquino tentando encontrar uma solução que permitisse ao banco seguir operando. Portanto, o integrante do BC que mais conhece as fraudes e seu mecanismo não é Aquino, e sim Gomes, que até já terminou o mandato.Conclusão forçada. Em processos dessa natureza, o objetivo maior é impedir impactos sobre o sistema financeiro como um todo. A saída mais lógica é propor medidas que permitam a venda do banco com problemas para outro, que absorva os passivos. A intervenção sempre é o último passo.Quando constatado o repasse de RF$ 12,2 bilhões do BRB para o Master, viu-se que o único caminho seria a liquidação.O fato de haver um diretor a favor da intervenção não o torna mais conhecedor do caso que o outro.
Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.Poderia escrever: há um alívio entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem esclarecidas as prováveis interferências em seu trabalho. Teria o mesmo valor que a afirmação ao lado.
Enquanto esse embate interno se dava, em julho de 2025, ocorreu uma reunião em que o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu a Galipolo pelo Master. Moraes, cuja mulher tem um contrato de prestação de serviços jurídicos de R$ 130 milhões com o banco, disse gostar de Vorcaro e recorreu a um argumento muito usado à época – o de que o banqueiro vinha sendo perseguido pelos grandes que não queriam concorrência. Ao ser informado por Galípolo de que o BC havia descoberto as fraudes, Moraes recuou e disse que tudo precisava ser investigado.Finalmente, admitiu o que outros jornalistas já haviam revelado.
Dois dias antes de a liquidação ser decretada e Vorcaro ser preso, o dono do Master pediu para antecipar uma reunião com Aquino para dizer que tinha encontrado compradores para seu banco, um consórcio entre a financeira Fictor e um fundo árabe que ele nunca soube qual era.Depois da prisão na área de embarque do aeroporto de Guarulhos, o registro da reunião foi usado pela defesa de Vorcaro para argumentar que ele tinha avisado ao BC que viajaria para Dubai e que portanto não poderia estar fugindo. O ofício com o registro, assinado por Aquino, foi fundamental para que Vorcaro fosse tirado da cadeia e enviado à prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.Ai Vorcaro vai até o Aquino e diz que encontrou um comprador para seu banco. Toda reunião tem um registro. Teria registro se a reunião fosse com qualquer outro diretor do BC.Gaspar utiliza o ofício para insinuar cumplicidade de Aquino.
Se queria mesmo entender como foi feito o trabalho dos técnicos da autarquia, Toffoli deveria ter convocado ao menos os dois diretores – e não apenas o mais próximo de Vorcaro. Diante desse quadro, os representantes legais do BC acusaram o risco de “armadilhas processuais” e pediram o cancelamento da acareação.Mentira! Ela coloca o questionamento dos representantes legais do BC – sobre a possibilidade do diretor ser colocado no mesmo nível dos acusados – para insinuar que o questionamento foi sobre a suposta imparcialidade do diretor.

Vamos aplicar o método Malu Gaspar para interpretar o jornalismo de Malu Gaspar.

  • A tese que se espalhou pelas redes é que a ofensiva contra Alexandre de Moraes é comandada por coronéis da Faria Lima, justamente para reduzir a ofensiva da PF sobre os crimes cometidos por instituições de lá. 
  • Pela legislação (Lei 4.595, Lei 13.506/2017 e normas do CMN), o BC tem o dever legal de comunicar o Ministério Público quando surgem indícios de crime, compartilhar informações com PF e MPF mediante requisição ou cooperação formal.
  • Portanto, foi o trabalho da Diretoria de Fiscalização que permitiu a Operação Colossus – a primeira ofensiva séria da Polícia Federal sobre a máquina de lavar dinheiro da Faria Lima.
  • Estender os ataques à Difis (Diretoria de Fiscalização do BC) se encaixa bem nessa estratégia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

domingo, 28 de dezembro de 2025

Luis Nassif sobre o caso Malu Gaspar e a inacreditável equiparação (pela direita e seus golpistas e saudosistas da ditadura) ao caso Watergate

 

A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo

Do Jornal GGN:


O caso Malu Gaspar deflagrou uma discussão curiosa sobre princípios do jornalismo e da reportagem. Até a, em geral, prudente ombudsman da Folha embarcou na retórica das falsas analogias.

Diz ela, citando um colega: 

  1. Jornalista não precisa apresentar provas, isto é papel da Justiça. Está correta.
  2. Watergate começou com uma denúncia sem provas e, com o tempo, resultou na queda de Nixon.

Qual a lógica dela? Como tanto Watergate quanto o caso Malu Gaspar têm em comum a não apresentação (inicial) de provas. Logo, as denúncias de Malu têm tanto peso quanto às de Watergate. Tenha a santa paciência!

Poderia ter recorrido a uma comparação mais caseira: a Lava Jato, da qual Malu Gaspar foi uma das principais porta-vozes. A maioria das denúncias da Lava Jato não vinha acompanhada de provas ou, no máximo, vinha com provas plantadas. Grande parte se revelou falsa e, mesmo assim, foi endossada pela mídia. Logo…

Malu trouxe uma informação concreta: o contrato do escritório da família de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Não bastou. Trouxe, então, um reforço: a suposta interferência de Moraes no BC, na forma de 4 telefonemas e uma reunião presencial com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para supostamente tentar reverter a decisão do BC, de liquidar o Master.

O contrato advocatício atenta contra a ética. A suposta interferência direta do Ministro pode ser enquadrada em crime. Justamente por isso exigiria um conjunto de evidências que fortalecesse a versão apresentada.

Qual a evidência? A informação vaga de que se baseara em 5 fontes do mercado e uma do Banco Central. Logo em seguida duas colegas, de outros jornais, soltaram a mesma denúncia, baseada nas mesmas fontes.

Na era do WhatsApp, basta uma pessoa chegar em um grupo e dar uma informação sensível. Imediatamente todas as pessoas do grupo passam a deter a tal informação. Apenas uma supostamente teve acesso à fonte original. Mas todas as 6, agora, têm a informação.

Ainda mais sabendo que um dos recursos de impacto da jornalista, em suas notas, sempre foi a de usar fontes individuais de forma genérica, um estilo que acaba permitindo que uma mera nota irrelevante, de repente, ganhe peso jornalístico aos olhos do leigo . Ficou famosa a série de “tal medida provocou mal-estar nos militares”, como se o sentimento fosse de todos os militares.

Por exemplo, há uma divisão no STF entre dois grupos, cisão conhecida. O título da nota será : “Decisão de Moraes causa mal estar no Supremo”. E, aí, ingressa-se em um estilo peculiar de caça-likes, que consiste em esquentar informações secundárias. 

Não apenas isso.

Outro indicador da parcialidade da mídia – e de repórteres – é a seletividade das denúncias.

Vamos a dois casos emblemáticos:

  1. O Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, indicado pelo PL, questionou diretamente o Banco Central, pediu informações detalhadas em 72 horas, para comprovar que o Master não poderia ter sido salvo via mercado. Intenção óbvia de tentar uma reversão da liquidação. Repercussão mínima na imprensa.
  2. O Ministro Dias Toffoli convoca o diretor de fiscalização do BC e um diretor do BRB para esclarecer a demora do BC em impedir as aventuras do Master. Nenhum indício de que pretenderia reverter a liquidação do banco. Mas soltam balões de ensaio, dizendo que Toffoli pretenderia ressuscitar o Master, gerando um sem-número de protestos em cima do nada.

O que se tem a esclarecer

O ponto central a ser esclarecido não são as circunstâncias da liquidação do Master, mas a razão do BC ter demorado tanto tempo para liquidar a instituição – e aí se remete ao período de Roberto Campos Neto. Gabriel Galípolo cumpriu seu papel, enviando os inquéritos para o Ministério Público Federal.

Mas desde 2019 havia sinais de que o Master era uma pirâmide. E os golpes não se limitaram aos fundos municipais de previdência, ou à constituição de ativos falsos para rechear seus fundos. O mercado sabia que era um golpe, mas grandes instituições lucraram muito colocando os papéis do Master no mercado. Colocavam as cotas dos fundos, recebiam suas taxas de corretagem e os clientes que explodissem mais à frente.

E aí se volta às denúncias seletivas. Nada se fala sobre os volumes expressivos de títulos do Master vendidos pela XP e pelo BTG. Nada se fala sobre a paralisação dos processos do Master no Banco Central.

Pouquíssimo se falou sobre o envolvimento de Campos Neto com operações de lavagem de dinheiro, quando presidia a Tesouraria do Santander e, depois, como presidente do BC, as normas que adotou para flexibilizar o mercado, abrindo espaço para a enorme zorra posterior.

A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo, e um dos aríetes do STF para deslindar a mais ampla teia de corrupção já instalada no país: o sistema de lavagem de dinheiro incrustado na Faria Lima. E as reações não vêm só do sistema lavajatista.

Pelo visto, André Esteves, um dos donos do país, aprendeu bem com seu antecessor, Daniel Dantas: não basta cooptar a mídia mainstream.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com