quinta-feira, 5 de março de 2026

Mais uma rodada da Lava Jato 2 visando as Eleições 2026, por Luís Nassif

 

Da fase da intimidação, mostrando quem manda, à fase dos vazamentos em série: é a nova versão da Lava Jato em curso e com novos trejeitos.

Do Jornal GGN:

    André Mendonça - arquivo Agência Brasil


O jogo do Ministro André Mendonça parece claro.

A primeira jogada foi autorizar a quebra do sigilo bancário de Fábio Luiz, o Lulinha. A suspeita é de ligação com o tal “careca do INSS”. Detalhe: a investigação autorizada por Mendonça é sobre o Banco Master. Mas pouco importa.

A segunda jogada foi mostrar poder, chamando a atenção do Procurador-Geral da República no despacho que mandou Daniel Vorcaro para a prisão.

A lógica é a mesma da Lava Jato 1, implementada pelo DHS, o Gabinete de Segurança Interna dos EUA. Tem que mostrar ser a autoridade absoluta, para dobrar o suspeito e conseguir dele a delação que interessa aos investigadores. Ou seja, não é uma tarefa que não admite o chamado devido processo legal.

Finalmente, abrir a torneira dos vazamentos. Ontem, vários veículos, vários repórteres já divulgavam notícias exclusivas, vazadas pela força tarefa da Polícia Federal. Inclusive a inacreditável manchete do Metrópoles sobre os R$ 19 milhões de movimentação bancária de Lulinha ao longo de 4 anos, somando depósitos e saques para criar volume e deixando de informar sobre a venda da Gamecorp.

Tem-se, em uma ponta, um fanfarrão barra pesada, Daniel Vorcaro. As mensagens no celular – para pegar Lauro Jardim – são pura fanfarronice, que nem o próprio Lauro deve ter levado a sério. Mas serviu de álibi para prender Vorcaro, corrigindo, aliás, o erro inicial, que foi a sua liberação anterior.

Logo em seguida, vem o inacreditável: o suicídio do tal Sicário, na sede da Polícia Federal onde estava detido, levantando a suspeita fortíssima de queima de arquivo.

Em todos esses dias, não houve um vazamento sequer sobre governadores do Centrão, sobre Ibanez. Chegou-se a dois funcionários do Banco Central, cooptados por Vorcaro na gestão Roberto Campos Neto. Espera-se que, ao menos, levantem como um sujeito indiciado pela polícia conseguiu autorização do BC, na gestão Campos Neto, para adquirir o Banco Máxima, que depois virou Master.

Mas a Lava Jato 2 não encontrará as mesmas facilidades da Lava Jato 1. De um lado, a maioria dos suspeitos pertence à banda política de André Mendonça, a mistura de Centrão e Bolsonarismo. Não dá para tapar o sol com a peneira. De outro, Brasília não é Curitiba e, na mídia, não há mais a mesma unanimidade vergonhosa que marcou a cobertura da Lava Jato. 

Mas a capacidade de produzir estragos é grande. Ontem dei o exemplo da quantidade de matérias suscitadas pela quebra do sigilo bancário de Lulinha, em contraposição à ausência total de denúncias contra Flávio Bolsonaro, que está no centro das atenções, por se consolidar como candidato da direita.

Enquanto o inquérito corre, os vazamentos ocorrem, a mídia aposta as fichas em uma figura intrinsecamente ligada às milícias cariocas, o país espera uma nesga de esperança para escapar da tragédia política.

LEIA TAMBÉM:


Nenhum comentário:

Postar um comentário