Mostrando postagens com marcador Privacidade Hackeada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Privacidade Hackeada. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de dezembro de 2020

Não há como escapar de nosso mundo tecnofeudal, por Pepe Escobar

 

Não há como escapar de nosso mundo tecnofeudal

"A total concentração da gleba digital vem levando a um cenário onde todas as terras de um país pertenciam a um único senhor. Nossa dependência generalizada de nossos senhores digitais parece ser o futuro canibal do liberalismo na era dos algoritmos", escreve o jornalista Pepe Escobar

Por Pepe Escobar, para o Asia Times

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

A economia política da Era Digital permanece como uma virtual terra incógnita. No livro Tecnofeudalismo, publicado há três meses na França (não há tradução para o inglês até o momento), Cedric Durand, um economista da Sorbonne, oferece um serviço de utilidade pública de crucial importância para o mundo inteiro, ao  submeter a um minucioso exame a nova Matrix que controla a vida de todos nós.

Durand coloca a Era Digital no contexto maior da evolução do capitalismo, para mostrar de que forma o Consenso de Washington acabou por se metastizar no Consenso do Vale do Silício. Em uma deliciosa pirueta, ele batiza a nova onda de "ideologia californiana". 

Estamos longe do Jefferson Airplane e dos Beach Boys. Aqui, temos mais uma "destruição criativa" de Schumpeter bombada a esteróides, somada a "reformas estruturais" do tipo FMI, enfatizando a "flexibilização" do trabalho e a total marquetização/financialização da vida cotidiana.

Desde o início, a Era Digital foi associada principalmente à ideologia direitista. A incubação foi trazida pela Progress and Freedom Foundation - PFF (Fundação para o Progresso e a Liberdade, que funcionou de 1993 a 2010, sendo, muito convenientemente, financiada pela Microsoft, At&T, Disney, Sony, Oracle, Google e Yahoo, entre outras. 

Em 1994, a PFF realizou uma conferência pioneira em Atlanta, que acabou por levar a uma Carta Magna de importância seminal: literalmente, Cyberspace and the American Dream: a Magna Carta for the Knowledge Era (O Ciberespaço e o Sonho Americano: Uma Carta Magna para a Era do Conhecimento), publicada em 1996, no primeiro mandato de Clinton.

Não foi por acidente que a revista Wired foi fundada, da mesma forma que a PFF, em 1993, transformando-se instantaneamente  no veículo interno da "ideologia californiana".

Dentre os autores da Carta Magna encontramos o futurista Alvin "Future Shock" Toffler e o ex-consultor científico de Reagan, George Keyworth. Antes de quaisquer outros, eles criaram o conceito de que o "ciberespaço é um ambiente bioeletrônico que é literalmente universal". Sua Carta Magna foi o mapa privilegiado para a exploração dessa nova fronteira.

Esses heróis randianos 

Também não foi por acidente que a guru intelectual dessa nova fronteira tenha sido Ayn Rand, com sua dicotomia bastante primitiva entre "pioneiros" e plebe. Rand declarou que o egoísmo é bom, o altruísmo é mau e a empatia é irracional.

Quando se trata dos novos direitos de propriedade nesse novo Eldorado, todo o poder deve ser exercido pelos "pioneiros" do Vale do Silício, uma turma narcísica apaixonada pela própria imagem de heróis randianos. Em nome da inovação, deve ser permitido a eles destruir toda e qualquer regra estabelecida, em um frenesi de "destruição criativa" à la Schumpeter. 

Isso nos levou a nosso ambiente atual, onde Google, Facebook, Uber e cia. conseguem passar por cima de qualquer sistema legal, impondo suas inovações como um fait accompli.

Durand vai ao cerne da questão ao tratar da verdadeira natureza da "dominação digital": a liderança alcançada pelos Estados Unidos nunca se deveu a forças de mercado espontâneas. 

Ao contrário. A história do Vale do Silício é totalmente dependente da intervenção estatal - especialmente via complexo industrial-militar e complexo aeroespacial. O Centro de Pesquisas Ames, um dos principais laboratórios da NASA, fica em Mountain View, em pleno Vale do Silício. A Universidade de Stanford, também localizada no Vale, sempre foi premiada com suculentos contratos de pesquisa da área militar. Durante a Segunda Guerra, a Hewlett Packard, por exemplo, prosperou enormemente graças ao fato de seus produtos eletrônicos serem usados na fabricação de radares. Por toda a década de 1960, as forças armadas dos Estados Unidos compraram o grosso da produção ainda nascente de semicondutores. 

The Rise of Data Capital, um relatório publicado em 2016 na MIT Technological Review, elaborado em  "parceria" com a Oracle, mostra de que forma as redes digitais abrem acesso a um território inexplorado, repleto de recursos: "Os que chegarem primeiro e assumirem o controle conseguirão os recursos que procuram" - na forma de dados.

Então, tudo o que vai de imagens de câmeras de segurança a dados bancários eletrônicos, amostras de DNA e notas de supermercado implica alguma forma de apropriação territorial. Aqui vemos, em toda a sua glória, a lógica extrativista embutida no desenvolvimento do Big Data. 

Durand nos traz o exemplo do Android para ilustrar a lógica extrativista em ação. A Google fez com que o acesso ao Android fosse gratuito para todos os smartphones, a fim de conquistar uma posição de mercado estratégica, derrotando o ecossistema da Apple e tornando-se assim o ponto de entrada padrão à Internet em praticamente todo o planeta. É assim que um imensamente valioso império de propriedades online é construído. 

O ponto-chave é que fosse qual fosse a empresa original - Google, Amazon, Uber – todas as estratégias de conquista de ciberespaço apontavam para o mesmo alvo: assumir o controle dos "espaços de observação e captura" de dados.

Sobre o sistema de crédito chinês … 

Durand traz uma análise finamente calibrada do sistema de créditos chinês, um sistema híbrido público/privado lançado em 2013 durante a 3ª Sessão Plenária do 18º Congresso do PCC, com o lema "valorizar a sinceridade e punir a insinceridade". 

Para o Conselho de Estado, a autoridade governamental suprema na China, o que realmente importava era incentivar comportamentos vistos como responsáveis nas esferas financeira, econômica e sociopolítica, e punir os que não eram. O ponto central é a confiança. Pequim define o sistema como um método para o aperfeiçoamento da economia de mercado socialista, que melhora a governança social".

O significado do termo chinês – shehui xinyong – praticamente se perde nas traduções ocidentais. Muito mais complexo que "crédito social", ele traz mais a ideia de "confiabilidade", no sentido de integridade. Ao contrário de ser orweliano, do que é acusado no Ocidente, as prioridades do sistema incluem o combate à fraude e à corrupção nos níveis nacional, regional e local, às violações das regras ambientais, ao desrespeito das normas de segurança alimentar.
O gerenciamento cibernético da vida social vem sendo seriamente discutido na China desde a década de 1980. Na verdade, desde a década de 1940, como podemos ver no Livro Vermelho do Presidente Mao. O sistema pode ser visto como inspirado no princípio maoísta das "linhas de massa", como em "começar com as massas para retornar às massas: coletar as ideias das massas (que são dispersas e não-sistemáticas), concentrá-las (em ideias gerais e sistematizadas), para depois voltar às massas para difundi-las e explicá-las, assegurando que as massas as assimilem e as traduzam em ação, verificando na ação das massas a pertinência dessas ideias".
A análise de Durand vai um passo além da de Soshana Zuboff, em seu The Age of Surveillance Capitalism, quando ele finalmente chega ao cerne de sua tese, mostrando de que forma as plataformas digitais se transformam em "feudos": elas tiram seu sustento e lucram com seu vasto "território digital" povoado por dados, ao mesmo tempo em que assumem poder total sobre seus serviços, que passam a ser vistos como indispensáveis.

E, da mesma forma que no feudalismo, os feudos dominam seu território prendendo os servos à terra. Os senhores ganhavam a vida lucrando do poder advindo da exploração de seus domínios, o que implicava um poder ilimitado sobre os servos.

O que significa concentração total. Peter Thiel, um defensor incondicional  do Vale do Silício, sempre insistiu que a meta do empreendedor digital é exatamente contornar a concorrência. Tal como citado em Crashed: How a Decade of Financial Crises Changed the World (Quebradeira: Como uma Década de Crises Financeiras Mudou o Mundo), Thiel declarou: "Capitalismo e concorrência são antagônicos. Concorrência é para perdedores".

O  que nos confronta agora, portanto, não é apenas um choque entre o capitalismo do Vale do Silício e o capital financeiro, mas sim um novo modo de produção: a sobrevivência do capitalismo rentista na forma de um turbocapitalismo, onde os gigantes do Silício tomam o lugar das grandes propriedades feudais e também do Estado. Essa seria a opção tecnofeudal, tal como definida por Durand.  

Blake encontra Burroughs

O livro de Durand é de extrema relevância, por mostrar que a crítica teórica e política da Era Digital ainda é rarefeita. Não existe uma cartografia precisa de todos aqueles circuitos marotos da extração de receita. Nem ainda uma análise de como eles lucram no cassino financeiro - em especial os mega-fundos de investimento que facilitam a hiperconcentração.  Ou como eles lucram com a exploração pesada dos trabalhadores na gig economy, ou economia dos bicos.

A total concentração da gleba digital vem levando a um cenário, como lembra Durand, já antes sonhado por Stuart Mill, onde todas as terras de um país pertenciam a um único senhor. Nossa dependência generalizada de nossos senhores digitais parece ser 'o futuro canibal do liberalismo na era dos algoritmos". 

Haveria saída possível? A tentação é radicalizar – cruzando Blake e Burroughs. Temos que expandir nossa área de compreensão - e deixar de confundir o mapa (mostrado na Carta Magna) com o território (nossa percepção). 

William Blake, em suas visões proto-psicodélicas, tratava de libertação e subordinação - retratando uma deidade autoritária impondo conformismo por meio de uma espécie de código-fonte concebido para influenciar as massas. O que soa como uma proto-análise da Era Digital. 

William Burroughs criou o conceito de Controle – um conjunto de manipulações incluindo a mídia de massa (ele ficaria horrorizado com as mídias sociais). Para derrubar o Controle, temos que ter a capacidade de invadi-lo e desorganizar seus principais programas. Burroughs mostrou que todas as formas de Controle têm que ser rejeitadas - e derrotadas: "As figuras de autoridade aparecem como realmente são: máscaras mortas e vazias manipuladas por computadores".   

Esse é nosso futuro: ou hackers ou escravos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Acabando com a segurança de todos no Brasil em tática ainda pior que o da Privacidade Hackeada: o xadrez da privatização do Serpro e Dataprev, por Luis Nassif



Se a falta de controle sobre os dados pessoais, nas redes sociais, colocou sob risco a democracia americana, quais os riscos de se ter o controle das principais bases de dados públicas em mãos de grupos privados?



Por Luis Nassif

Em dois artigos, procurei mostrar o comércio de bancos de dados que se criou no país.
Vamos, primeiro, entender o modelo de negócios das bigdatas.

Peça 1 – o modelo de negócio

Uma base de dados trabalhada, tem as seguintes aplicações comerciais:
Marketing – juntando várias bases de dados, é possível identificar hábitos de consumo. De interesse do varejo.
Proteção ao crédito – montagem de cadastro positivo ou negativo, de amplo interesse de empresas em geral.
Estratégias políticas – identificar tendências de grupos homogêneos e testar hipóteses de teses políticas.
Segurança nacional – se a falta de controle sobre os dados pessoais, nas redes sociais, colocou sob risco a democracia americana, quais os riscos de se ter o controle das principais bases de dados públicas em mãos de grupos privados?

Peça 2 – os negócios nebulosos

Há pouca informação e transparência sobre o valor das bases de dados, em um cenário de bigdatas. Essa falta de transparência tem permitido dois tipos de jogadas.
Uma delas, a doação de bancos de dados públicos para empresas privadas, como ocorreu com o Cadin (Cadastro de Inadimplentes) do estado de São Paulo, doado pelo então governador José Serra à Serasa-Experian. Pouco tempo depois a Experian adquiriu de Verônica Serra um site de email marketing por R$ 120 milhões, contra preço de mercado de, no máximo, R$ 30 milhões.
Outra forma, é a inversão da doação. A empresa – no caso a Neoway – recebe a base de dados de todos os funcionários da Prefeitura de São Paulo. Irá trabalhar a base, que será monetizada para outros clientes. Mas, no contrato, esse trabalho na base de dados é caracterizado como doação da empresa à Prefeitura.

Peça 3 – as implicações jurídicas e políticas

O fator Cambridge Analytics já revelou o caráter corrosivo do uso maciço de bases de dados. E mencionava especificamente bases de dados privadas, como Facebook e Twitter.
Politicamente, o uso privado de bases de dados públicas traz riscos ainda maiores. De um lado, pode ajudar nos trabalhos de identificar fraudes contra o setor público. Mas também poderá ser utilizado como filtro político-ideológico para monitorar funcionários públicos. Ou o uso de dados fiscais em guerras comerciais.
O caso Dolly-Coca Cola é ilustrativo. A Dolly não é flor que se cheire. E o cerco a que foi submetido pela Secretaria da Fazenda de São Paulo, com sistemas da Neoway, pode ser considerado um feito fiscal. Mas a empresa acusou expressamente a Neoway de estar a serviço da arqui-inimiga Coca-Cola atuando como a Kroll – a superempresa americana de espionagem empresarial.
Pode ter sido denúncia vazia, mas em uma empresa com acesso a todos os dados fiscais de um governo, e trabalhando para clientes privados, há um claro conflito de interesses. E se essa empresa passasse a trabalhar para governos estrangeiros? Por aí se entende como o fator segurança nacional fica exposto, especialmente quando se fala em privatizar os dois maiores bancos de dados públicos: do Serpro e da Dataprev.

Peça 4 – as bases de dados privatizáveis

A Dataprev tem como principal cliente o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). São mais de 34,5 milhões de aposentados e pensionistas. Hoje em dia, já existe um amplo mercado informal, com o uso de dados pessoais por instituições que trabalham com crédito consignado. Além disso, é responsável pelos programas da rede de atendimento do INSS e do Sistema Nacional do Emprego, por todos os registros de nascimento e óbito.
Já o Serpro, além do sistema de interoperabilidade das diferentes redes públicas, processa dados do Imposto de Renda de Pessoas Físicas e Jurídicas, sobre CPF, Carteira de Motorista, importação e exportação, controle portuário, passaportes e repasses federais, registro de veículos roubados em todo o país, dados da Agência Brasileira de Inteligência, entre outros.
Ainda não existe legislação capaz de proteger a população contra vazamentos.

Peça 5 – os negócios obscuros

A Neoway se tornou uma empresa de mais de um bilhão de dólares explorando as zonas cinzentas do mercado de bancos de dados públicos. Montou um modelo de negócios com altas taxas de intermediação. E deixa por conta dos intermediários os negócios obscuros. Foi assim com o pagamento de propina na Petrobras, que a colocou no meio da Lava Jato.
A Neoway é ligada à LIDE, a empresa de eventos do governador João Dória Jr. Entrou na Prefeitura de São Paulo pelas mãos de Dória. Hoje em dia, é de copa e cozinha do prefeito Bruno Covas.
Não é a única empresa a atuar nesse mercado. Recentemente, a Estadão denunciou o controle do banco de dados do lixo de São Paulo pela empresa Green . Toda empresa que produz mais de 200 litros de lixo por dia e não tem direito à coleta domiciliar gratuita, é obrigada a se cadastrar e deve pagar pela retirada do material e sua designação. A Green, por sua vez, é dona da Greening Inovação e Sustentabilidade. O controle do banco de dados lhe deu uma vantagem central sobre os concorrentes, para oferecer serviços ambientais para as empresas.
Não apenas isso.
Hoje em dia, há duas pessoas chave no processo de privatização dos bancos de dados públicos.
O primeiro é Paulo Antonio Spencer Uebel, Secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital . O outro é Caio Mário Paes de Andrade, presidente do Serpro.
O que ambos têm em comum?
Na condição de Secretário Municipal de Gestão da Prefeitura de São Paulo, Uebel foi quem assinou o contrato com a Neoway. É integrante da LIDE, do então prefeito João Dória Jr. E sócio da Webforce, fundo de investimento que investe em startups e empresas de tecnologia.
Caio Mário é um dos pioneiros da Internet. Participou das grandes jogadas da Telemar, no início da privatização, com compras e vendas milionárias de sites, incluindo o hpG, site de hospedagem, em um momento em que não havia clareza sobre a precipitação dos ativos. Também é sócio da Webforce.
Não é por outro motivo que a Neoway se tornou uma frequentadora assídua dos gabinetes do Ministério da Economia.

Peça 6 – o papel do MPF

Todo esse cenário deve chamar a atenção do Ministério Público e dos Tribunais de Conta. Mas não apenas isso. É função da Procuradoria Geral da República uma provocação ao Supremo Tribunal Federal para definir um mínimo de ordem e coordenação a esse mercado de bigdatas. Não apenas pelos negócios nebulosos que pode gerar, mas, também, pelos riscos que traz não apenas à privacidade dos cidadãos, mas à própria segurança nacional.
O controle das bases de dados públicas tornará  essas empresas muitas vezes mais letais do que Cambridge Analytics e similares, com implicações diretas na política.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A manipulação de consciência pela internet não se dá apenas pelo Facebook, como mostrado em Privacidade Hackeada, ou nos Fake News do Whatsapp. O youtube é tão ou mais eficaz na manipualçao pró-extrema direita quanto estas outras plataformas. E o the New New York Times fala sobre isto no caso Bolsonaro...


video de henry bugalho seguido da reportagem da the new york times:


How YouTube Radicalized Brazil




Image
CreditCreditDado Galdieri for The New York Times
NITERÓI, Brazil — When Matheus Dominguez was 16, YouTube recommended a video that changed his life.
He was in a band in Niterói, a beach-ringed city in Brazil, and practiced guitar by watching tutorials online.
YouTube had recently installed a powerful new artificial intelligence system that learned from user behavior and paired videos with recommendations for others. One day, it directed him to an amateur guitar teacher named Nando Moura, who had gained a wide following by posting videos about heavy metal, video games and, most of all, politics.
In colorful and paranoid far-right rants, Mr. Moura accused feminists, teachers and mainstream politicians of waging vast conspiracies. Mr. Dominguez was hooked.
As his time on the site grew, YouTube recommended videos from other far-right figures. One was a lawmaker named Jair Bolsonaro, then a marginal figure in national politics — but a star in YouTube’s far-right community in Brazil, where the platform has become more widely watched than all but one TV channel.



Last year, he became President Bolsonaro.
“YouTube became the social media platform of the Brazilian right,” said Mr. Dominguez, now a lanky 17-year-old who says he, too, plans to seek political office.
[Watch Max Fisher and Amanda Taub report on YouTube’s influence in Brazil for The Times’s new TV show, “The Weekly,” on FX and Hulu.]
Members of the nation’s newly empowered far right — from grass-roots organizers to federal lawmakers — say their movement would not have risen so far, so fast, without YouTube’s recommendation engine.
New research has found they may be correct. YouTube’s search and recommendation system appears to have systematically diverted users to far-right and conspiracy channels in Brazil.
A New York Times investigation in Brazil found that, time and again, videos promoted by the site have upended central elements of daily life.



Teachers describe classrooms made unruly by students who quote from YouTube conspiracy videos or who, encouraged by right-wing YouTube stars, secretly record their instructors.
Some parents look to “Dr. YouTube” for health advice but get dangerous misinformation instead, hampering the nation’s efforts to fight diseases like Zika. Viral videos have incited death threats against public health advocates.
And in politics, a wave of right-wing YouTube stars ran for office alongside Mr. Bolsonaro, some winning by historic margins. Most still use the platform, governing the world’s fourth-largest democracy through internet-honed trolling and provocation.
YouTube’s recommendation system is engineered to maximize watchtime, among other factors, the company says, but not to favor any political ideology. The system suggests what to watch next, often playing the videos automatically, in a never-ending quest to keep us glued to our screens.
But the emotions that draw people in — like fear, doubt and anger — are often central features of conspiracy theories, and in particular, experts say, of right-wing extremism.
As the system suggests more provocative videos to keep users watching, it can direct them toward extreme content they might otherwise never find. And it is designed to lead users to new topics to pique new interest — a boon for channels like Mr. Moura’s that use pop culture as a gateway to far-right ideas.
The system now drives 70 percent of total time on the platform, the company says. As viewership skyrockets globally, YouTube is bringing in over $1 billion a month, some analysts believe.



Zeynep Tufekci, a social media scholar, has called it “one of the most powerful radicalizing instruments of the 21st century.”
Company representatives disputed the studies’ methodology and said that the platform’s systems do not privilege any one viewpoint or direct users toward extremism. However, company representatives conceded some of the findings and promised to make changes.
Farshad Shadloo, a spokesman, said that YouTube has “invested heavily in the policies, resources and products” to reduce the spread of harmful misinformation, adding, “we’ve seen that authoritative content is thriving in Brazil and is some of the most recommended content on the site.”
Danah Boyd, founder of the think tank Data & Society, attributed the disruption in Brazil to YouTube’s unrelenting push for viewer engagement, and the revenues it generates.
Though corruption scandals and a deep recession had already devastated Brazil’s political establishment and left many Brazilians ready for a break with the status quo, Ms. Boyd called YouTube’s impact a worrying indication of the platform’s growing impact on democracies worldwide.
“This is happening everywhere,” she said.






Image
CreditAdriano Machado/Reuters
Maurício Martins, the local vice president of Mr. Bolsonaro’s party in Niterói, credited “most” of the party’s recruitment to YouTube — including his own.



He was killing time on the site one day, he recalled, when the platform showed him a video by a right-wing blogger. He watched out of curiosity. It showed him another, and then another.
“Before that, I didn’t have an ideological political background,” Mr. Martins said. YouTube’s auto-playing recommendations, he declared, were “my political education.”
“It was like that with everyone,” he said.
The platform’s political influence is increasingly felt in Brazilian schools.
“Sometimes I’m watching videos about a game, and all of a sudden it’s a Bolsonaro video,” said Inzaghi D., a 17-year-old high schooler in Niterói.
More and more, his fellow students are making extremist claims, often citing as evidence YouTube stars like Mr. Moura, the guitarist-turned-conspiracist.
“It’s the main source that kids have to get information,” he said.
Few illustrate YouTube’s influence better than Carlos Jordy.
Musclebound and heavily tattooed — his left hand bears a flaming skull with diamond eyes — he joined the City Council in 2017 with few prospects of rising through traditional politics. So Mr. Jordy took inspiration from bloggers like Mr. Moura and his political mentor, Mr. Bolsonaro, turning his focus to YouTube.



He posted videos accusing local teachers of conspiring to indoctrinate students into communism. The videos won him a “national audience,” he said, and propelled his stunning rise, only two years later, to the federal legislature.
“If social media didn’t exist, I wouldn’t be here,” he said. “Jair Bolsonaro wouldn’t be president.”






Image
CreditDado Galdieri for The New York Times
A few hundred miles away from Niterói, a team of researchers led by Virgilio Almeida at the Federal University of Minas Gerais hunched over computers, trying understand how YouTube shapes its users’ reality.
The team analyzed transcripts from thousands of videos, as well as the comments beneath them. Right-wing channels in Brazil, they found, had seen their audiences expand far faster than others did, and seemed to be tilting the site’s overall political content.
In the months after YouTube changed its algorithm, positive mentions of Mr. Bolsonaro ballooned. So did mentions of conspiracy theories that he had floated. This began as polls still showed him to be deeply unpopular, suggesting that the platform was doing more than merely reflecting political trends.
A team at Harvard’s Berkman Klein Center set out to test whether the Brazilian far right’s meteoric rise on the platform had been boosted by YouTube’s recommendation engine.



Jonas Kaiser and Yasodara Córdova, with Adrian Rauchfleisch of National Taiwan University, programmed a Brazil-based server to enter a popular channel or search term, then open YouTube’s top recommendations, then follow the recommendations on each of those, and so on.
By repeating this thousands of times, the researchers tracked how the platform moved users from one video to the next. They found that after users watched a video about politics or even entertainment, YouTube’s recommendations often favored right-wing, conspiracy-filled channels like Mr. Moura’s.
Crucially, users who watched one far-right channel would often be shown many more.
The algorithm had united once-marginal channels — and then built an audience for them, the researchers concluded.
One of those channels belonged to Mr. Bolsonaro, who had long used the platform to post hoaxes and conspiracies. Though a YouTube early adopter, his online following had done little to expand his political base, which barely existed on a national level.
Then Brazil’s political system collapsed just as YouTube’s popularity there soared. Mr. Bolsonaro’s views had not changed. But YouTube’s far-right, where he was a major figure, saw its audience explode, helping to prime large numbers of Brazilians for his message at a time when the country was ripe for a political shift.



YouTube challenged the researchers’ methodology and said its internal data contradicted their findings. But the company declined the Times’ requests for that data, as well as requests for certain statistics that would reveal whether or not the researchers’ findings were accurate.






Image
CreditDado Galdieri for The New York Times
The conspiracies were not limited to politics. Many Brazilians searching YouTube for health care information found videos that terrified them: some said Zika was being spread by vaccines, or by the insecticides meant to curb the spread of the mosquito-borne disease that has ravaged northeastern Brazil.
The videos appeared to rise on the platform in much the same way as extremist political content: by making alarming claims and promising forbidden truths that kept users glued to their screens.
Doctors, social workers and former government officials said the videos had created the foundation of a public health crisis as frightened patients refused vaccines and even anti-Zika insecticides.
The consequences have been pronounced in poorer communities like Maceió, a city in Brazil’s northeast that was among the hardest hit by Zika.
“Fake news is a virtual war,” said Flávio Santana, a pediatric neurologist based in Maceió. “We have it coming from every direction.”
When Zika first spread in 2015, health workers distributed larvicides that killed the mosquitoes that spread the disease.



Not long after YouTube installed its new recommendation engine, Dr. Santana’s patients began telling him that they’d seen videos blaming Zika on vaccines — and, later, on larvicides. Many refused both.
Dr. Auriene Oliviera, an infectious disease specialist at the same hospital, said patients increasingly defied her advice, including on procedures crucial to their child’s survival.
“They say, ‘No, I’ve researched it on Google, I’ve seen it on YouTube,” she said.
Medical providers, she said, were competing “every single day” against “Dr. Google and Dr. YouTube” — and they were losing.
Mardjane Nunes, a Zika expert who recently left a senior role in the health ministry, said that health workers across Brazil have been reporting similar experiences. As more communities refuse the anti-Zika larvicide, she added, the disease is seeing a small resurgence.
“Social media is winning,” she said.
Brazil’s medical community had reason to feel outmatched. The Harvard researchers found that YouTube’s systems frequently directed users who searched for information on Zika, or even those who watched a reputable video on health issues, toward conspiracy channels.
A spokesman for YouTube confirmed the Times’ findings, calling them unintended, and said the company would change how its search tool surfaced videos related to Zika.






Image
CreditJaron Berman for The New York Times
As the far right rose, many of its leading voices had learned to weaponize the conspiracy videos, offering their vast audiences a target: people to blame. Eventually, the YouTube conspiracists turned their spotlight on Debora Diniz, a women’s rights activist whose abortion advocacy had long made her a target of the far right.
Bernardo Küster, a YouTube star whose homemade rants had won him 750,000 subscribers and an endorsement from Mr. Bolsonaro, accused her of involvement in the supposed Zika plots.
The very people working to help families affected by Zika, their videos implied, were behind the disease. Backed by shadowy foreigners, their goal was to abolish Brazil’s abortion ban — or even make abortions mandatory.
As far-right and conspiracy channels began citing one another, YouTube’s recommendation system learned to string their videos together. However implausible any individual rumor might be on its own, joined together, they created the impression that dozens of disparate sources were revealing the same terrifying truth.
“It feels like the connection is made by the viewer, but the connection is made by the system,” Ms. Diniz said.
Threats of rape and torture filled Ms. Diniz’s phone and email. Some cited her daily routines. Many echoed claims from Mr. Küster’s videos, she said.
Mr. Küster gleefully mentioned, though never explicitly endorsed, the threats. That kept him just within YouTube’s rules.



When the university where Ms. Diniz taught received a warning that a gunman would shoot her and her students, and the police said they could no longer guarantee her safety, she left Brazil.
“The YouTube system of recommending the next video and the next video,” she said, had created “an ecosystem of hate.”
“‘I heard here that she’s an enemy of Brazil. I hear in the next one that feminists are changing family values. And the next one I hear that they receive money from abroad” she said. “That loop is what leads someone to say ‘I will do what has to be done.’”
“We need the companies to face their role,” Ms. Diniz said. “Ethically, they are responsible.”
As conspiracies spread on YouTube, video makers targeted aid groups whose work touches on controversial issues like abortion. Even some families that had long relied on such groups came to wonder if the videos might be true, and began to avoid them.
In Brazil, this is a growing online practice known as “linchamento” — lynching. Mr. Bolsonaro was an early pioneer, spreading videos in 2012 that falsely accused left-wing academics of plotting to force schools to distribute “gay kits” to convert children to homosexuality.
Mr. Jordy, his tattooed Niterói protégé, was untroubled to learn that his own YouTube campaign, accusing teachers of spreading communism, had turned their lives upside down.
One of those teachers, Valeria Borges, said she and her colleagues had been overwhelmed with messages of hate, creating a climate of fear.



Mr. Jordy, far from disputing this, said it had been his goal. “I wanted her to feel fear,” he said.
“It’s a culture war we’re fighting,” he explained. “This is what I came into office to do.”






Image
CreditThe Weekly/The New York Times/FX/Hulu
Ground zero for politics by YouTube may be the São Paulo headquarters of Movimento Brasil Livre, which formed to agitate for the 2016 impeachment of the left-wing President Dilma Rousseff. Its members trend young, middle-class, right-wing and extremely online.
Renan Santos, the group’s national coordinator, gestured to a door marked “the YouTube Division” and said, “This is the heart of things.”
Inside, eight young men poked at editing software. One was stylizing an image of Benito Mussolini for a video arguing that fascism had been wrongly blamed on the right.
But even some people here fear the platform’s impact on democracy. Mr. Santos, for example, called social media a “weapon,” adding that some people around Mr. Bolsonaro “want to use this weapon to pressure institutions in a way that I don’t see as responsible.”
The group’s co-founder, a man-bunned former rock guitarist name Pedro D’Eyrot, said “we have something here that we call the dictatorship of the like.”



Reality, he said, is shaped by whatever message goes most viral.
Even as he spoke, a two-hour YouTube video was captivating the nation. Titled “1964” for the year of Brazil’s military coup, it argued that the takeover had been necessary to save Brazil from communism.
Mr. Dominguez, the teenager learning to play guitar, said the video persuaded him that his teachers had fabricated the horrors of military rule.
Ms. Borges, the history teacher vilified on YouTube, said it brought back memories of military curfews, disappeared activists and police beatings.
“I don’t think I’ve had my last beating,” she said.



The Interpreter is a column by Max Fisher and Amanda Taub exploring the ideas and context behind major world events. Follow them on Twitter @Max_Fisher and @amandataub.
Mariana Simões contributed reporting from Niterói and Maceió, Brazil. Kate Steiker-Ginzberg contributed reporting from Niterói, Maceió and São Paulo, Brazil. Renata Matarazzo contributed research.