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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Xadrez da Precisa Medicamentos (o da sujeira descoberta no Ministério da Saúde) e o que isso tem a ver com o empresário assassinado pelo filho, por Luís Nassif

 

O que o empresário assassinado pelo filho tem em comum com o dono da Precisa

O caso do empresário Fabrício César de Oliveira, assassinado pelo próprio filho, permite um mergulho no mundo da lavagem de dinheiro e, a partir daí, tirar algumas conclusões sobre os negócios da Precisa.

Peça 1 – a indústria da contravenção

A grande indústria da contravenção avança a passos largos no país, com o avanço das milícias, a desmobilização da repressão e o aval tácito dos Bolsonaro..

É composta de duas pernas: as atividades ilegais e a lavagem de dinheiro. Não significa que todos os empresários, de algumas dessas atividades, sejam necessariamente contraventores.

Grupos de geradores de receita

Os principais setores da atualidade:

  • Indústria do cigarro.

Hoje em dia, é o negócio preferido da economia subterrânea.

  • Rodeios

Como foi demonstrado pelo próprio Adriano da Nóbrega, do Escritório do Crime, tornou-se campo preferencial para investimentos das milícias.

  • Contrabando

Hoje em dia, um dos pontos centrais é o contrabando, especialmente de produtos chineses, devido à larga proliferação de grupos empresariais chineses e a pouca regulação do mercado.

  • Narcotráfico
  • Jogos e cassino
  • Combustíveis

Grupo da lavagem do dinheiro

Operam em mercados com baixas referências para precificação de preços.

  • mercados de colecionadores

Entra aí o mercado de carros, de artes etc.

Vez por outra surge um artista pouco conhecido cujas cotações explodem. Qual a justificativa? Algum colecionador que gostou da obra puxa a cotação e cria um efeito manada. Mas não há como se basear em nenhum parâmetro para saber se o preço pago foi excessivo ou não.

  • cavalos e touros de raça

Outro setor em que o valor não tem referencial maior.

  • criptomoedas

Criou-se um sistema monetário paralelo, fora do alcance dos óirgãos de controlwe.

  • passe de jogador de futebol

Como justificar uma compra de jogador por 222 milhões de euros, ou US$ 266 milhões? Esse foi o valor pago pelo PSG por Neimar. Ocorre que a receita anual do PSG é de 520 milhões. Como justificar economicamente tal valor?

  • cassinos e sites de jogos

Na CPI dos Anões, um obscuro deputado baiano justificou o aumento de patrimônio alegando ter vencido dezenas de vezes na loteria. Na época, já havia o jogo de se comprar bilhetes premiados de terceiros, para lavar dinheiro. 

Agora, com a disseminação de cassinos e cassinos eletrônicos, a lavagem de dinheiro ficou enormemente facilitada.

Peça 2 – O empresário assassinado pelo filho de 14 anos

Os exemplos abaixo não são necessariamente de contraventores, mas de empresários que transitam nessas zonas cinzentas.

Fabrício César de Oliveira foi morto pelo próprio filho, de 14 anos, devido às agressões frequentes contra ele e contra a mãe. Um dia antes da tragédia, Fabrício colocou ambos de joelhos no chão e apontou uma arma para suas cabeças. Enfiou uma arma na boca de um deles e ameaçou matá-los.

A mídia apresentou Fabrício como “empresário do ramo de som automotivo”.

Aparece como controlador do grupo Booster do Brasil. É nomeado “embaixador da qualidade e do mérito empresarial” de uma certa Câmara Brasileira do Comércio Brasil-China por uma Associação Brasileira de Liderança – cujos sites lembram, bastante, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do reverendo Amilton de Paula.

A Booster, é uma empresa de Miami, que entrou no Brasil através do Paraguai e tem parte de sua produção na China e na Coréia. Os países escolhidos são significativos do modo de operação da companhia..

Ao chegar no local do crime, a polícia encontrou oito armas, entre as quais um fuzil e uma submetralhadora.

Durante o dia, moradores do condomínio viram o empresário rodando em um Lamborghini, carro de colecionador. Em uma das reportagens, contava-se que o empresário era conhecido por colecionar carros de luxo e já tinha passagens pela polícia por estelionato. Era presidente de uma certa Câmara de Comércio Brasil-China.

Repare, portanto, que o empresário que espancava filhos e esposa tinha um conjunto de características comuns.

* Empresas que passam por Miami, Paraguai e China.

* Posse de carros de coleção.

* Posse de armamento pesado.

* Participação em sites de poker.

O empresário morto pelo filho era usuário de poker online. Seu histórico lembra Luiz Antonio Duarte Ferreira,  Luizinho Cai-Cai, fabricante de cigarros que depois passou a transitar por outros setores, especialmente pelo futebol. Lidava com venda de carros de luxo, poker e negócios no mundo do futebol. Fez parte da lista dos 14 produtores de tabaco entre os 500 maiores devedores da União, com dívida de R$ 8,8 bilhões.

Atualmente investe em clubes de futebol. Passou pela Ferroviária e, agora, atua no mercado português.

Empresário para quem Luizinho vendeu a Ferroviária, Giuliano Bertolucci tornou-se empresário de alguns dos mais valiosos jogadores do momento, incluindo Neymar. Recentemente foi alvo de inúmeros processos do Ministério Público do Rio Grande do Sul, por malfeitos no Internacional de Porto Alegre.

Peça 3 – a loja de carros do dono da Precisa

O que Francisco Maximiano o dono da Precisa Medicamentos – acusado de golpes pela CPI do Covid – tem em comum com Fabrício? Ambos são especializados em carros de coleção.

O COAF (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) identificou transações suspeitas, envolvendo carros de luxo. As transações se davam entre a 6M Participações, que tem capital de apenas R$ 500,00, e a Precisa. Foram movimentados R$ 33 milhões na 6M e R$ 22 milhões na Precisa.

As operações passam pela 4 Boss Brasil e Comércio e Locação de Veículos, empresa com capital de R$ 80 mil, que opera no aeroporto de Brasilia. 

Foi identificada outra transação, da HVM Comércio e Locação de Veículos, que tem o mesmo endereço da 4 Boss.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Xadrez de como Bolsonaro herdou a rede neopentecostal de Eduardo Cunha, por Luis Nassif


Do GGN:


Para entender o bolsonarismo, peça central é a questão da religião, especialmente do ativismo econômico e político das chamadas religiões neopentecostais.
Publicada originalmente em 25/11/2019

Peça 1 – Bolsonaro e Eduardo Cunha

Para entender o bolsonarismo, peça central é a questão da religião, especialmente do ativismo econômico e político das chamadas religiões neopentecostais.
A base de apoio de Eduardo Cunha misturava religião, milícias e um mundo de negócios: igrejas, contrabando, produção clandestina de cigarros, tráfico de armas, segurança privada de novos ricos que precisam andar nas sombras, produção e distribuição de música e literatura religiosa, shows e eventos artísticos, etc. Apesar dessa confluência, obviamente a vinculação de igrejas com crime é parcela menor desse universo.
Jair Bolsonaro herdou essa base. Mesmo antes de seu Partido 38 entrar em operação, significa que ele continuará tendo uma base de apoio razoável e estável no Congresso.
Cunha construiu sua rede de apoio no Congresso e no Estado do Rio financiando deputados. Mas a base de lançamento foram neopentecostais que ele convocava nos boletins diários da rádio Melodia FM, com o bordão “afinal de contas, o nosso povo merece respeito”.
Em janeiro de 2015, a eleição de Cunha para a presidência da Câmara Federal foi entusiasticamente apoiada pelos 90 deputados da bancada evangélica, e pela bancada ruralista.
Para ambos, Cunha acenou com a rejeição a qualquer tentativa de liberalização do aborto e de criminalização da homofobia. Para os ruralistas, a promessa para que o Congresso tenha poder de demarcar terras indígenas.
O entusiasmo poderia ser medido pelas palavras do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC: “Cunha representa a possibilidade de termos uma Câmara independente onde serão colocados na pauta assuntos de interesse do Brasil e não somente do governo e do partido do governo”, disse ele.
Cunha pertencia à Igreja Sara Nossa Terra, com um milhão de fiéis. Trocou pela Assembleia de Deus, com 13 milhões. E obteve o apoio de dois dos principais líderes evangélicos do estado, o bispo Manoel Ferreira e o Pastor Everaldo.
Essa estrutura fio inteiramente absorvida por Bolsonaro.

Peça 2 – a lavagem de dinheiro

Não se trata apenas da economia da fé. A possibilidade de ganho fácil em uma economia informal acabou atraindo muitos jovens ambiciosos também que encontraram um terreno fértil para a ilegalidade.
Trata-se de um território absolutamente informal, no qual as doações não são documentadas nem regularizadas. Fiéis de igrejas pentecostais mais sérias tentaram definir regras, como a necessidade de o doador registrar CPF, mas não conseguiram avançar.
Criou-se, então, um campo fértil para o embricamento entre igrejas e economia clandestina, doações e lavagem de dinheiro, como comprovou o próprio Eduardo Cunha e suas relações obscuras com a Refinaria de Manguinhos.
Uma das denúncias da Lava Jato foi a de que a Igreja Evangélica Cristo em Casa fez um empréstimo de R$ 250 mil pra Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, como forma de lavar dinheiro. A Igreja é presidida por Francisco Oliveira da Silva, ex-deputado federal e aliado de Cunha.
Na denúncia contra Cunha, o então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot anotou que parte da propina a Cunha foi paga em doação para uma Assembleia de Deus em Campinas, presidida por Samuel Ferreira, irmão do pastor Abner Ferreira, presidente da Assembleia de Deus de Madureira, frequentada por Cunha.

Peça 3 – o empreendedorismo evangélico

É nesse quadro de informalidade, que se desenvolve o empreendedorismo evangélico, tendo como modelos os Jorge Paulo Lehmans da fé: Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (patrimônio de US$ 950 milhões), Valdemiro Santigo, da Igreja Mundial do Poder de Deus (US$ 440 milhões), Silas Malafaia (US$ 150 milhões), R.R.Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus (US$ 125 milhões), Estevam e Sônia Hernandes, da Igreja Renascer (US$ 65 milhões).
Reportagem da revista norte-americana Forbes, especializada em negócios, descreveu bem o fenômeno.
Os dois pontos centrais da expansão da economia evangélica foram a ascensão das novas classes sociais e as facilidades de ingresso no negócio religião, tudo pavimentado pela chamada teologia da prosperidade.
No Brasil, diz a revista, com os muito ricos e os muito pobres permanecendo firmemente católicos, a maioria dos evangélicos protestantes no Brasil está na classe média ascendente, seguindo a teologia da prosperidade.
O segundo ponto foi a flexibilização na formação dos pastores. As igrejas protestantes mais tradicionais exigem de seus pastores pelo menos o curso de mestrado. As Neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus, oferecem cursos intensivos de formação de pastores por até US$ 350,00 e alguns dias de aula.
Segundo a revista, trata-se de um mercado com ampla expansão. Os católicos representam 64,6% da população, contra 92% em 1970. E os evangélicos passaram de 15,4% para 22,3% da população, ou 42,3 milhões de pessoas, em apenas uma década.
Os novos pastores ganham bons salários – Malafaia paga até US$ 11 mil mensais para os pastores de maior talento -, mas também ganham poder. E o fascínio da riqueza fácil, mas a informalidade do setor, estimulou algumas aventuras mais agressivas no mundo da contravenção.

Peça 4 – o desenho do novo mercado

O caso do pastor Márcio Matos é bem significativo da resultante de uma atividade que mistura a economia da fé, informalidade, política e lavagem de dinheiro.
Matos é apontado como provável candidato a prefeito em Caxias pela REDE, de Marina Silva. É dono da Pentecostal Anabatista, com mais de 100 igrejas no Brasil, e uma em Miami, na Flórida.
É o maior distribuidor de cigarros na baixada Fluminense.
Ela e a esposa são donos de várias empresas ligadas a cigarro, a Clean Tabacos, a Quality Tabacos, a Gudang Tabacos do Brasil entre outras.
Seu empreendedorismo já foi enaltecido em um publieditorial (publicidade em forma de matéria, fornecida por terceiros) da revista Veja sobre a família Poncio, que controla distribuidora de tabacos, grife de roupa, agência de publicidade e marketing, empresa de aromatizantes, entre outras.

▫ A Operação Vícios

Em maio passado, a Justiça condenou diversas pessoas envolvidas em lavagem de dinheiro, e alvos da Operação Vícios, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, deflagrada em 2015. Tratava-se de um esquema visando fraudar a Casa da Moeda e a Receita Federal, por uma empresa de nome SICPA Brasil Indústria de Tintas e Sistemas.
A SICPA prestava serviços de controle numérico e rastreamento de produção de bebidas. A partir de 2008 firmou com a Casa da Moeda um contrato de cinco anos, da ordem de R$ 3,3 bilhões, para execução de serviços relacionados ao Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal.
A licitação teria sido manipulada pelo auditor-fiscal Marcelo Fisch, que era coordenador geral de licitação. Seu cunhado Farid Raouf Merheb é conhecido doleiro de Brasilia. Entre suas atividades está a representação da Gudang Tabacos Brasil, do pastor Márcio, através da Duke Distribuidora.

▫ Operação Grande Rios

No dia 16 de abril passado, a Operação Grandes Rios, da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte e da Receita Federal, desnudou o esquema de lavagem de dinheiro de fabricantes de cigarros. Eram abertas fábricas de cigarros em nomes de “laranjas”, que acumulava passivos fiscais. Quando a Receita cancelava o registro de funcionamento, nova empresa era aberta em nome de “laranjas”. Os lucros eram lavados no Brasil e no exterior.
Estimou-se que a fraude chegava a R$ 3,5 bilhões. A operação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco.
Não foram divulgados nomes das empresas e pessoas envolvidas. Mas o modo de operação era significativo dos personagens que se entrecruzam nesse mercado cinzento.

Peça 5 – o apoio de Bolsonaro

Bolsonaro já acenou várias vezes com benefícios e estímulos à economia da fé.
Uma dessas medidas foi o apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção das Exportações) para a internacionalização do aplicativo Atos6, uma “plataforma cristã”, criada para auxiliar igrejas evangélicas no “recebimento de doações recorrentes online”.
É um aplicativo sofisticado, que permite doações, ofertas e dízimos em cartão de crédito e boleto bancário; pastoreio de membros da igreja e novos convertidos e uma integração com o Google Maps, para ajudar a identificar bairros adequados ao perfil dos cadastrados.
Foi anunciado um pacote desobrigando igrejas menores de se inscreverem no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ; e a elevação (de 1,2 milhão para 4,8 milhões de reais) do piso de arrecadação para que uma igreja seja obrigada a informar suas movimentações financeiras diárias.

Peça 6 – a rede Bolsonaro

No início do governo Bolsonaro, havia muita resistência das Igrejas evangélicas não-pentecostais, ao modelo desenvolvido por Eduardo Cunha. Gradativamente, passou a haver uma adesão cada vez mais ampla a Bolsonaro.
Hoje em dia, além do apoio espontâneo de segmentos a classe média e empresariais, o bolsonarismo conta com as seguintes redes de propagação, atuando em nível nacional.

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quarta-feira, 11 de março de 2020

Oito empresas são investigadas por lavagem de dinheiro no caso Ronaldinho



Esquema de lavagem envolve entrada de dinheiro vivo pelas fronteiras, transferência para os Estados Unidos e repatriação
Jornal GGN – As autoridades do Paraguai investigam esquema de lavagem de dinheiro e evasão cambial no caso Ronaldinho. É o que informa o jornal Extra desta quarta (11), que conseguiu confirmar a informação com uma autoridade daquele País. A trama já havia sido revelada pelo jornal paraguaio El Independiente. Até o momento, o que se sabe é que pelo menos 8 empresas estão na mira dos investigadores.
Uma delas seria a Fundação Fraternidade Angelical, criada pela empresária Dalia López, responsável por organizar eventos sociais para justificar a passagem dos irmãos Assis pelo Paraguai. Segundo o diário, a intenção dos brasileiros, na verdade, era usufruir de um esquema de lavagem que poderia movimentar quantias bilionárias.
Publicamente, contudo, Ronaldinho alegou que foi participar do lançamento de um programa voltado para crianças carentes. Desde o dia 4 de março está preso, pelo porte dos documentos falsos. Cerca de 11 pessoas envolvidas na fraude já foram denunciadas.
Dalia seria, de acordo com jornais locais, “a líder do esquema de lavagem de dinheiro”. Ela opera viabilizando a entrada de dinheiro vivo pelas fronteiras. Os recursos são, então, transferidos em dólar para os Estados Unidos, e depois “repatriados de maneira clandestina”, narrou o Extra.
A Lava Jato sob Sergio Moro já chegou a investigar, mas poupou de denúncia formal, o empresário Nelson Luiz Belotti dos Santos, amigo de Dalia e responsável por convidar Ronaldinho ao Paraguai.
Para os procuradores de Curitiba, Belotti poderia ser parte do esquema de lavagem de Alberto Youssef, possivelmente em benefício de José Janene, ex-senador do PP.
Moro chegou a ligar para o ministro do Interior, Euclides Acevedo, para pedir que Ronaldinho fosse solto, sem sucesso. Na noite de terça (10), a promotoria do Paraguai mandou um recado: “somos independentes”. A imprensa local também passou a pressionar as autoridades para que o caso seja investigado à exaustão, e punido exemplarmente.
Segundo o EXTRA, os investigadores não deram mais detalhes do caso Ronaldinho, como o nome das outras empresas investigadas por lavagem, para não prejudicar as apurações em andamento.
O jogador tentou ser transferido para a prisão domiciliar, mas a Justiça negou o pedido na terça (10). Além da possibilidade de fuga ou de obstrução das investigações, o juiz entendeu que Ronaldinho não detém os “documentos necessários” para utilizar um imóvel de 800 mil dólares que possui no Paraguai como “fiança”.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Bolsonaro mexeu na PF do Rio por causa de inquérito sobre milicianos, diz jornal Valor Econômico desta segunda-feira, dia 09 de setembro




Valor diz que Bolsonaro atuou para afastar superintendente da PF do Rio, com medo que investigação sobre milicianos pudesse ser explorada contra Flávio Bolsonaro



Jornal GGN – Jair Bolsonaro teria atuado pessoalmente para afastar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro por temer que um inquérito contra milicianos pudesse ser usado contra Flávio Bolsonaro. A informação é do Valor Econômico desta segunda-feira (9).
De acordo com o jornal, a PF chegou aos milicianos ao descobrir que um grupo estaria achacando doleiros investigados por lavagem de dinheiro. O inquérito passou a ser investigado “sob discrição”, mas algum agente da PF alinhado a Bolsonaro teria “transmitido a informação” ao Planalto.
“Segundo o relato de fonte a par do caso, Bolsonaro passou a recear que a investigação, se tornada pública, fosse explorada pela oposição a seu governo para atacar Flávio Bolsonaro”, pontuou o Valor.
Em agosto, Bolsonaro passou a pedir informações sobre o superintendente da corporação no Rio, o delegado Ricardo Saadi. Como o perfil do agente é estritamente técnico – ele é especialista em combate a crimes financeiros e organizações criminosas – Bolsonaro passou a dizer publicamente que Saadi precisava ser trocado por produtividade. Em 30 de agosto, foi exonerado.
Flávio Bolsonaro manteve, durante mais de 10 anos, em seu gabinete de deputado do Rio, familiares do miliciano Adriano Nóbrega, suspeito de ser o líder do Escritório do Crime, uma organização criminosa que trabalha com assassinatos por encomenda.
A esposa e mãe de Adriano só foram exoneradas em dezembro do ano passado, no dia em que a imprensa revelou que Fabrício Queiroz, então braço-direito de Flávio Bolsonaro, estava sendo investigado por movimentações financeiras milionárias e incompatíveis com seu patrimônio e renda.
Há algumas semanas, Jair Bolsonaro também prometeu usar o indulto de Natal para tirar da cadeia policias militares e civis presos, segundo ele, por “pressão da mídia”. Analistas indicaram que a intenção de Bolsonaro é favorecer as milícias.