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sexta-feira, 12 de maio de 2023

MP encontrou R$ 477 mil de depósitos de dinheiro vivo “sem origem” a Carlos Bolsonaro e Cristina Valle


 

Ao ver os indícios levantados pelo MP-RJ, juiz detectou indícios de "lavagem de dinheiro" feitos por Carlos Bolsonaro 



O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


O filho 02 e a ex-esposa de Jair Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Ana Cristina Siqueira Valle, receberam quase R$ 477 mil em dinheiro vivo, sem origem identificada, desde 2005.

Os calhamaços de notas foram enviados em depósitos em suas contas bancárias. Carlos Bolsonaro recebeu pouco mais de R$ 90 mil, em sete depósitos, entre 2008 e 2015, sem origem definida. E Cristina, mais R$ 385 mil em 177 depósitos, entre 2005 e 2021.

Investigação do MP do Rio

Os dados constam em laudo do Laboratório de Tecnologia de Combate à Lavagem de Dinheiro e à Corrupção do MP do Rio (Ministério Público do RJ), divulgados pela repórter Juliana Dal Piva, que no ano passado lançou o livro “O Negócio do Jair”, que traça o grande esquema de corrupção na trajetória política da família Bolsonaro.

Os dados do MP-RJ trazidos à tona agora mostram, também, que a ex-esposa de Jair Bolsonaro recebeu R$ 34,2 mil diretamente de Jair Bolsonaro, em 3 depósitos, entre os anos de 2012 e 2014. Até o ano de 2008, Cristina trabalhou como chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, sem comparecer ao trabalho, como funcionária fantasma.

Juiz detectou lavagem de dinheiro

Em maio de 2021, o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), entendeu haver “indícios rotundos de atividade criminosa em regime organizado” no gabinete de Carlos Bolsonaro, sendo ele visto “diretamente como o chefe da organização”.

Os investigadores consideram suspeitos os depósitos sem origem identificada e enviados em frações de dinheiro vivo. Para o juiz Rubioli, há “fortes indícios de prática de crime de lavagem de capitais”.

Leia mais:

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Em cartas, ex de Bolsonaro fala de dinheiro e briga por Carlos. Um retrato da "cristã" família "conservadora". Podcast UOL Investiga

 

Do UOL:

O podcast UOL Investiga traz um episódio bônus, com atualizações da primeira temporada, “A Vida Secreta de Jair”. A colunista do UOL Juliana Dal Piva conta o que aconteceu após as revelações da primeira temporada e como estão as investigações sobre o clã Bolsonaro por conta da rachadinha, esquema ilegal de entrega de salários de assessores. A jornalista também revela cartas de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, escritas em 2007, em que ela fala de dinheiro, de bens e da briga por Carlos Bolsonaro.



quarta-feira, 30 de março de 2022

Sempre a mesma tática: Casos reais de corrupção expostos e crise de imagem antecedem sempre as providenciais internações de Bolsonaro para cirurgias e tratamentos.... e o uso político da doença...

 Levantamento do GGN mostra o contexto reveladores  em que Bolsonaro estava metido em todas as vezes em que procurou hospitais





Refluxo, crise de soluço, dores abdominais, obstrução intestinal. Comer demais ou comer errado têm rendido a Jair Bolsonaro (PL) internações em hospitais nos últimos anos. Parte da imprensa tem afirmado que os episódios são “desdobramento” da facada que ele levou na eleição de 2018, já que o líder da extrema-direita, que já realizou seis cirurgias desde então, terá de lidar com os efeitos colaterais do atentado pelo resto da vida. Mas é curioso como Bolsonaro manipula questões de saúde em benefício próprio sempre que está envolvido em polêmicas, com a popularidade no chão ou cercado por escândalos de corrupção de seu governo.

Nesta terça-feira, 29 de março de 2022, Bolsonaro deixou o hospital militar onde fez exames alegando dores abdominais. Coincidentemente, o mal estar surgiu no mesmo dia da exoneração do ministro da Educação e da troca de comando na Petrobras. Milton Ribeiro abriu as portas do MEC para a influência obscura de pastores evangélicos que vinham negociando a distribuição de verbas federais para prefeituras, com indícios de que cobraram vantagens indevidas como contrapartida. Já a intervenção na Petrobras seria uma tentativa de Bolsonaro de contornar os impopulares reajustes nos preços dos combustíveis.

É a segunda vez, só em 2022, que Bolsonaro, candidato à reeleição, é internado com “dores abdominais”. A última farra com comida, autoprovocando as complicações, havia ocorrido em janeiro, enquanto o presidente curtia as férias de fim de ano na praia. Bolsonaro comeu um camarão inteiro, sem mastigar adequadamente, e foi parar no hospital. A internação ocorreu depois que a imprensa passou a questionar a conduta do presidente, que andava de jet-ski enquanto o povo da Bahia enfrentava uma tragédia humanitária provocada por fortes chuvas.

GGN fez um levantamento relembrando o contexto em que Bolsonaro estava metido em todas as vezes em que procurou hospitais em busca de cirurgias e outros tratamentos médicos. Os dados mostram que nem todos os atendimentos estavam ligados à facada de 2018, mas em praticamente todas as internações, Bolsonaro estava metido em alguma polêmica ou escândalo de corrupção:

2019RACHADINHAS DO CLÃ BOLSONARO

A primeira internação de Bolsonaro na condição de presidente da República ocorreu no final de janeiro de 2019, quando ele passou por uma cirurgia para retirar a bolsa de colostomia. Ele ficou internado até metade de fevereiro. A internação ocorreu após a imprensa metralhar o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, mostrando os indícios de enriquecimento ilícito às custas do esquema conhecido por “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Bolsonaro ficou tantos dias internado que deu tempo de estourar outro escândalo, envolvendo as candidaturas eleitorais laranjas do PSL.

Capas do jornal Folha de S. Paulo mostram pressão sobre Flávio Bolsonaro e indícios de enriquecimento ilícito por meio das “rachadinhas” – desvio de verba da Assembleia do Rio de Janeiro.

Em 7 de setembro de 2019, Bolsonaro voltou à mesa de cirurgia pela segunda vez dentro do mandato – mas já era a quarta cirurgia após a facada àquela altura, pois duas delas ocorreram ainda em 2018.

Naquele mês, a rejeição capturada pelas pesquisas de opinião crescia, enquanto o governo anunciava corte em programa sociais, dava sinais de intervenção da Polícia Federal para proteger aliados políticos e o clã Bolsonaro. No plano internacional, o desgaste à imagem do Brasil por causa das queimadas na Amazônia ganharam dimensão na ONU.

Em dezembro de 2019, Bolsonaro foi levado para o HFA, em Brasília, após sofrer uma queda no banheiro. Ele passou a noite na instituição de saúde. Na mesma semana, Bolsonaro havia concedido indulto para policiais condenados por crimes sem “intenção deliberada”.

2020: A “MAMATA” NÃO ACABOU

No final de janeiro de 2020, Bolsonaro deu entrada no hospital para uma cirurgia eletiva: ele decidiu realizar sua segunda vasectomia – a quinta cirurgia desde a facada de 2018.

A internação ocorreu justamente após seu irmão ser acusado de negociar verbas federais para prefeituras e também depois da exoneração do ministro da Cultura, Roberto Alvim, que divulgou um vídeo institucional com estética nazista. Além disso, o então chefe da Secretaria de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, também esteve na berlinda por ser sócio de empresas que recebiam dinheiro federal.

Dias antes de fazer a segunda vasectomia, Bolsonaro estampou capas de jornais por questões polêmicas e suposto esquema de corrupção envolvendo seu próprio irmão.

Em 25 de setembro de 2020, Bolsonaro submeteu-se a sua sexta cirurgia, agora para retirada de um cálculo renal. Aquele talvez tenha sido um dos meses mais “tranquilos” para Bolsonaro. Com rejeição em queda por causa do Renda Cidadã, o presidente não foi associado pela Folha de S. Paulo a nenhum escândalo de corrupção naquele mês.

2021: O ANO DA CORRUPÇÃO NA COMPRA DE VACINAS

Em setembro de 2021, Bolsonaro atravessou um de seus piores meses à frente da Presidência. Pesquisas de opinião mostraram que ele batia recordes de rejeição. A CPI da Pandemia no Senado revelou improbidade e negociatas na compra das vacinas contra Covid-19 pelo Ministério da Saúde. 70% dos brasileiros disseram ao Datafolha que o governo era corrupto.

Folha manchetou que, “pela primeira vez”, a maioria queria o impeachment de Bolsonaro. O general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, e o líder do governo Ricardo Barros foram citados nas investigações do Senado envolvendo intermediárias para compra dos imunizantes. Bolsonaro, então, alegou uma “crise de soluço” e nova obstrução intestinal para ficar no hospital. Dessa vez, não teve cirurgia, mas “tratamento menos agressivo”.

Em dezembro de 2021, Bolsonaro foi ao posto de saúde pelo menos umas três vezes, sem informar as razões.

Em 2018, o então candidato não participou de debates eleitorais alegando não estar em condições adequadas após a facada. Em contraste com a fuga estão as várias entrevistas, lives em redes sociais, fotos e vídeos que Bolsonaro distribuiu aos seus seguidores mesmo debilitado.

Leia mais:

1 – Uso político da doença por Bolsonaro é vergonhoso, diz Luis Nassif

2 – Governo Bolsonaro entra em modo de pânico, por Luis Nassif

3 – Jair é o “organizador” da rachadinha nos gabinetes do clã Bolsonaro: “está materializado”, diz Dal Piva ao GGN

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

GGN: Inquérito das rachadinhas contra Flávio se aproxima de Jair Bolsonaro

 

Ex-funcionário de Flávio, coronel da reserva que prestou serviço junto com o presidente na Academia Militar das Agulhas Negras, comprou terreno de Jair Bolsonaro com dinheiro vivo, em 2008


Jornal GGN Quanto mais os investigadores apuram o inquérito das rachadinhas, que coloca entre os alvos o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), mais se aproximam de conexões com o próprio presidente, Jair Bolsonaro.

Entre os indícios encontrados mais recentemente, Guilherme dos Santos Hudson, ex-funcionário do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), chegou a comprar, em 2008, um terreno do próprio presidente Jair Bolsonaro.

O terreno localiza-se em Resende, no Rio, e foi adquirido pelo ex-assessor de Flávio Bolsonaro pela quantia de R$ 38 mil, pago pelo então funcionário em dinheiro vivo. Os vendedores eram Jair Bolsonaro, então deputado federal, e sua ex-esposa, Ana Cristina Siqueira Valle.

Em outra das coincidências, Hudson, que é coronel da reserva, é casado com a tia da ex-esposa de Bolsonaro. Ainda, o ex-assessor de Flávio serviu junto com o presidente na Academia Militar das Agulhas Negras, nos anos 70. O que os investigadores levantaram suspeitas é que o imóvel foi vendido supostamente pelo mesmo valor que foi comprado, cinco anos antes. Ainda, o valor de uma propriedade similar custa cerca de R$ 430 mil a R$ 480 mil.

Hudson ainda é apontado pelo MP-RJ de ter sacado R$ 15 mil em dois meses, há dois anos, quando Bolsonaro disputava a Presidência da República e Flávio tinha Hudson trabalhando em seu gabinete. Segundo o MP, ele atuava no repasse do esquema das rachadinhas.

O caso envolvendo o coronel também chega a seus familiares. Outra das investigações da rachadinha, envolvendo o irmão Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), mira, segundo o Estadão, em um filho e duas noras do coronel da reserva.