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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Os Parasitas de Paulo Guedes, as classes e a insustentabilidade, por Veyzon Campos Muniz



 "Superando o debate científico no campo do direito administrativo de que agentes políticos, como são ministros de estado, devem se submeter ao regime jurídico administrativo, esquizofrenicamente, o representante da pasta econômica generaliza e desmoraliza funcionários públicos atribuindo-os equivocadamente privilégios de classe. Todavia, tal qual acontece na iniciativa privada, direitos e deveres de detentores de cargos e empregos públicos igualmente constituem-se de modo escalonado em carreiras, prerrogativas e realidades muito distintas. Logo, a maioria dos trabalhadores do setor público não logra dos benefícios que lhe são equivocadamente imputados." - Veyzon Campos Muniz

Do site Justificando:

 
Os Parasitas, as classes e a insustentabilidade
Segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Os Parasitas, as classes e a insustentabilidade


Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil – Fundo: Filme Parasita

Por Veyzon Campos Muniz

As ciências biológicas ensinam que o fenômeno do parasitismo corresponde a uma relação de dependência entre espécies distintas, em que há variavelmente um processo danoso. Fato é que o hospedeiro do ser parasita deve sobreviver para que o alienígena sobreviva, o que, por si só, revela que o ambiente parasitário se constitui em um locus, em múltiplos aspectos, de cooperação. 


O melhor filme de 2020, dentre a listagem geral e entre aqueles em língua não-inglesa, mais bem dirigido e com o roteiro original de maior qualidade, segundo a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – AMPAS, recebeu o título internacional “Parasita” (Gisaengchung, 2019). A obra fílmica acompanha a escalada da família Kim na tentativa de superar a pobreza, valendo-se de uma breve ascensão social advinda de postos de trabalho oferecidos na casa da rica família Park. O parasitismo que, em uma análise apressada, poderia ser identificado no processo de infiltração do clã pobre naquele espaço, é na realidade percebido de modo complexo, difuso e, consequentemente, cooperativo. A divisão de classes é explicitada de modo sútil, o que proporciona, de um lado, uma oportunidade de reflexão individual e de entretenimento e, de outro, uma importante forma de se compreender a dinâmica das relações sociais contemporâneas.

Em entrevista à revista colombiana Arcadia, o diretor, produtor e roteirista do filme, Bong Joon-ho afirmou que, no mundo real, os caminhos de famílias Park e Kim não se cruzariam. Dentro do sistema hierárquico de classe como está posto, os quatro desempregados e o núcleo familiar abastado nunca se comunicariam, se não fosse as relações de trabalho pela qual a classe rica se vale da prestação de determinados serviços pela pobre – na produção, “as duas classes se reúnem tão perto que podem sentir a respiração (e o cheiro) uma da outra”. Os dois estratos estão imersos em uma situação em que o menor deslize pode causar fissuras e erupções, o que ocorre, graficamente, quando marginalizados em extrema pobreza emergem naquele contexto.


Filia-se, nesses termos, à perspectiva do cineasta de que na estrutura capitalista existem variedades de realidades invisíveis aos olhos. “Desprezamos as hierarquias de classe superficialmente, como algo do passado, mas as realidades são linhas que não podem ser cruzadas. Eu acho que este filme deve mostrar os inevitáveis colapsos quando as classes se deparam nessa sociedade cada vez mais polarizada”, afirma ele.

Parasita apresenta uma potente narrativa que, através da comédia, do drama, do suspense, do terror e da melancolia, proporciona uma urgente e relevante análise acerca do impacto nas relações domésticas decorrente do neoliberalismo, pelo qual, como bem afirma Noam Chomsky ao jornal El País, “princípios do livre mercado são ótimos para ser aplicados aos pobres, mas (dos quais) os muito ricos são protegidos”. Homônima ao título do filme, foi a alcunha imputada por Paulo Guedes, Ministro da Economia, à totalidade dos servidores públicos brasileiros. No início de fevereiro deste ano, afirmou: “o funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, além de ter estabilidade na carreira e aposentadoria generosa. O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita”.

Superando o debate científico no campo do direito administrativo de que agentes políticos, como são ministros de estado, devem se submeter ao regime jurídico administrativo, esquizofrenicamente, o representante da pasta econômica generaliza e desmoraliza funcionários públicos atribuindo-os equivocadamente privilégios de classe. Todavia, tal qual acontece na iniciativa privada, direitos e deveres de detentores de cargos e empregos públicos igualmente constituem-se de modo escalonado em carreiras, prerrogativas e realidades muito distintas. Logo, a maioria dos trabalhadores do setor público não logra dos benefícios que lhe são equivocadamente imputados.


De outra monta, a afirmação de que a relação do Estado com o servidor que ele emprega é parasitária é um ataque nevrálgico à sua própria atividade administrativa. O Estado é, afinal, um organismo abstrato do qual os servidores são suas células, isto é, suas unidades estruturais e funcionais – e, jamais, eventuais parasitas, como são aqueles que nele ingressam temporária e precariamente tentando lhe causar danos indeléveis. 

Cumpre asseverar que a adoção pelo Estado dos princípios do livre mercado, como pretende o atual Governo brasileiro, obrigatoriamente deve atender a integralidade das diretrizes constitucionais, como são os objetivos fundamentais da República de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais (CF, artigo 3º, III), incluindo-se nessa diretiva, por óbvio, a servidores públicos – que não são (e não devem ser) considerados cidadãos marginalizáveis.

Mesmo após sua retratação, igualmente, parece equivocada a segunda afirmação do aludido agente político que disse: “o Estado que está virando parasitário. O cara que me referi foi o Estado”. Falta-lhe a noção publicista de que a relação administrativa se pauta na cooperação em prol do bem coletivo geral, eis que o background de tal discurso revela-se em uma avaliação positiva acerca da manutenção de imobilidades e hierarquias de classe para os cidadãos que constituem o corpo funcional do Estado.

“Democratizando” o seu pensamento insustentável, o Ministro, na mesma data ainda afirmou: “Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vamos importar menos, fazer substituição de importações, turismo. (Era) todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para a Disneylândia, uma festa danada”. Através de exposta ignorância sobre o conteúdo jurídico do direito humano ao desenvolvimento, desvela uma agenda política despreocupada com a redução das desigualdades socioeconômicas, atentando nominalmente a grupos vulneráveis – onde, essencialmente, se incluem os pobres.

Destarte, ciente de que existem divergências teóricas quanto à natureza do cargo, advoga-se pela noção de que um ministro de estado, não é simplesmente um preposto de uma programa de governamental e sim, materialmente, um servidor público, em sua significância mais abrangente e essencial. Deve, assim, subordinar-se ao cidadão, nos termos da lei. Nesse particular, oportuno registrar que a Lei nº 13.460/2017, ao dispor sobre a defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos da administração pública, conceitua agente público como aquele que exerce função pública, de natureza civil, ainda que transitoriamente (artigo 2º, IV) – como é Paulo Guedes – e estabelece que o cidadão possui direito à adequada prestação dos serviços, devendo os agentes observar diretrizes de urbanidade, respeito e cortesia (artigo 5º, I) – as quais ele deveria atentar.

Por conseguinte, como se pode depreender deste lamentável estado de coisas, no Brasil de 2020, não se vislumbra a clássica luta de classes. Como na obra de Bong Joon-ho, há, do lado dos abastados, desprezo ou ódio de classe e, do lado dos necessitados, a batalha cotidiana pela sobrevivência. Assim, ao ministro, aos ricos em geral e a todos aqueles que seguem com a insustentável prática de alijar os direitos mais básicos dos pobres (como é a dignidade humana), une-se ao clamor de Geun-se (interpretado por Myeong-hoon Park): Respeito!


Veyzon Campos Muniz é doutorando e mestre em Direito

domingo, 17 de janeiro de 2016

Cinco sinais singulares que podem indicar ser você mais inteligente que a média


Cinco sinais singulares de que você é mais inteligente que a média

Isso não tem a ver com raízes quadradas, mas com ter gato ou ser preocupado






Quando dizemos que o homem é um animal superior, nós nos referimos ao fato de ser mais inteligente que outros por ter a capacidade de pensar, compreender, raciocinar e processar a informação de forma lógica. A questão ao longo da história tem sido como medir ou detectar essa capacidade. A própria dotação humana, e seu inerente pragmatismo, levou a homem à criação dos testes de inteligência, esses instrumentos para comparar as pessoas quanto a suas habilidades mentais e cognitivas. Os primeiros testes foram criados no início do século XX pelos psicólogos Binet e Simon, por encomenda do primeiro-ministro francês, para poder detectar o atraso mental em crianças. Mas antes deles existiram outros estudos, também científicos – embora menos modernos –, que mediam a inteligência com base em parâmetros tão arbitrários como o tamanho do cérebro, partindo da seguinte premissa: quanto maior o tamanho encefálico, maior a agudeza intelectual.
Os anos passam, a ciência evolui e continuamos obcecados com o estudo da inteligência. Agora os pesquisadores também se interessam em descobrir se existem traços em comum entre as pessoas superdotadas que possam defini-las. Ou seja, que aspectos, qualidades ou atividades elas compartilham. Em busca de coincidências, a comunidade científica não perde a oportunidade de valorizar todos os tipos de fatores: das atividades da infância aos vícios adquiridos.
Será que existem, então, indícios externos, além do coeficiente intelectual, para identificar as pessoas mais brilhantes? Aqui estão algumas características muito curiosas que situam quem as tem mais perto da genialidade que a maioria dos mortais.
1. Ser o primogênito
Em muitas famílias, aquilo que o irmão mais velho diz é lei, e não só os demais irmãos o obedecem, como também os próprios pais aceitam resignados sua “superioridade” para analisar as situações e determinar o que é preciso fazer, em uma espécie de ditadura consensual. Tanto é assim que o assunto tem sido de estudos e gerado ampla literatura. Para explicar o fenômeno, quase sempre se recorre às variáveis ambientais, em oposição aos fatores biológicos ou herdados, com base na premissa de que o primogênito talvez receba mais atenção e estímulo intelectual de seus pais, além de adotar posteriormente o papel de ajudante destes na criação e educação dos irmãos mais novos. Foi a essa conclusão que chegaram os autores de um estudo recente realizado na Universidade de Leipzig (Alemanha), no qual se analisou uma amostra de 20.000 crianças de até três nacionalidades. Stefan Schmukle, o psicólogo que liderou a investigação, concluiu que a ordem dos irmãos não influi na personalidade, mas sim na inteligência, que aumenta levemente no caso dos mais velhos. Atenção: não quer dizer que os irmãos mais novos não sejam capazes de realizações incríveis.
2. Estudar música durante a infância ou adolescência
Só existiu um Mozart, mas as crianças que estudam música desde tenra idade pertencem a esse grupo de pessoas notavelmente inteligentes.
É o que explica María del Carmen Reis Belmonte, música, docente e pesquisadora. Além de ela mesma ter vivido isso e de testemunhar esse fato dia a dia em seu trabalho como professora, sua tese, realizada na Universidade de Valência (Espanha), descreve a realidade que muitos docentes intuem: “A música influi na inteligência do aluno, cria conexões a partir de seu próprio sentido de ser. Trabalha conceitos matemáticos e linguísticos ou conhecimentos do ambiente que o rodeia”. Sua investigação, que parte dos estudos pedagógicos e clínicos sobre a resposta das pessoas à música, comprova que qualquer criança melhora seu rendimento quando estuda música, e ainda mais aquelas que se dedicam à sua aprendizagem em nível extraescolar. “Elas desenvolvem outro tipo de estratégias de natureza social e emocional muito positivas e benéficas para sua autoestima e para o comportamento na sala de aula, como o trabalho em equipe e a responsabilidade de apresentar um trabalho bem feito nas audições e concertos”, explica.
3. Preocupar-se com frequência
Ser um pouco preocupado não é tão ruim e, se lidamos bem com isso, é sinal de inteligência emocional, que consiste em reconhecer as emoções do outro, segundo o célebre psicólogo americano John D. Mayer. Já se escreveu muito sobre essa capacidade e sua relação com o estresse. Uma das últimas teorias é apresentada pela psicóloga e professora da Stanford University Kelly McGonigal. Ela se retrata de suas afirmações anteriores nas quais vinculava o estresse com uma doença, afirmando agora que “o estresse só é ruim se nós mesmos acreditarmos que seja”. “As pessoas que vivem o estresse como uma oportunidade de superar desafios conseguirão, além disso, melhorar sua inteligência emocional e sua resiliência”, assinala. Tudo isso tem a ver com a oxitocina, um hormônio que intervém – tanto como a adrenalina – no estresse. A doutora McGonigal explica: “A oxitocina, hormônio produzido em casos de estresse, também aprimora os instintos sociais e nos prepara para fortalecer relações próximas. Promove o desejo de contato físico, melhora a empatia e nossa disposição de ajudar e apoiar”. Ou seja: quanto mais preocupação, mais oxitocina, mais desejo de nos aproximar do próximo e, portanto, mais habilidade de compreender o mundo.
4. Beber álcool, mas não fumar
A tendência de maior consumo e dependência da bebida em adultos se relacionou com um índice de inteligência alto na infância. Esse fato foi comprovado em um estudo com quase 7.000 pessoas, integrantes do grupo 1958 National Survey (amostra de pessoas estudadas pelo Centro de Estudos Longitudinais no Reino Unido), que tiveram seu quociente de inteligência (QI) medido aos 11 anos e, posteriormente, aos 42. Ficou confirmado que os mais preparados na infância consumiam agora mais álcool. Com o tabaco, segundo um experimento realizado no hospital Sheba Medical Center de Israel em 2010, ocorre exatamente o contrário.
5. Ter um gato
Um estudo realizado em 2014 na Carroll University, em Wisconsin (EUA), pôs em pé de guerra as pessoas que gostam dos cães ao afirmar que quem tinha gato era mais inteligente que elas. O teste analisou 600 estudantes universitários, todos com um animal de estimação, para revelar que os que criavam um felino tinham um QI superior, enquanto os donos de cães eram mais simpáticos. Denise Guastello, a autora do estudo, explicou que provavelmente os resultados se devam à personalidade dos sujeitos: os donos de cães, que têm de sair mais à rua e relacionar-se, são pessoas mais alegres e extrovertidas; enquanto os que preferem os gatos passam mais tempo em casa, cultivando seu cérebro com longas leituras.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Redes Sociais e um mundo tecnologicamente embalado não implica humano contato ou maior companhia, muito menos maior possibilidade de afetividade sadia




Em uma época onde as pessoas perdem suas raizes, assumem papeis estereotipados e se atomiza o contato, as chamadas redes sociais são apenas sociais na aparência. Veja-se o excelente video abaixo, reflita, discuta e compartilhe... A que ponto chegamos no processo de "coisificação", desencantamento e artificialização do mundo, tornado líquido, tornado eletrônico, tornado descartável...