quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Eduardo Moreira ironiza 'torcida' do mercado financeiro pela aprovação da PEC do Calote

 

"Eu vivi para ver o 'mercado' torcendo (e reagindo positivamente) por um calote da dívida pública", postou o economista nas redes sociais

Eduardo Moreira e plenário da Camara dos Deputados

Eduardo Moreira e plenário da Camara dos Deputados (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

247 - O economista Eduardo Moreira usou as redes sociais para ironizar “a torcida” do mercado financeiro pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 23/21, batizada de PEC dos Precatórios, que limita o valor de despesas anuais com precatórios e abre espaço para que o governo remaneje R$ 91 bilhões em 2022, ano eleitoral. 

“Eu vivi para ver o “mercado” torcendo (e reagindo positivamente) por um calote da dívida pública…”, postou o economista no Twitter. A PEC dos Precatórios foi aprovada na madrugada desta quinta-feira (4), em primeiro turno, pela Câmara dos Deputados. 

Confira a postagem de Eduardo Moreira sobre o assunto:

Joaquim de Carvalho: Sérgio Moro quebrou o Brasil e Bolsonaro é sua herança maldita

 

Quando vemos o Brasil no fundo do poço com Bolsonaro, é preciso lembrar que quem colocou o País nessa situação foi Moro (e seus aliados da Lava Jato), escreve Joaquim de Carvalho

Jair Bolsonaro e Sergio Moro

Jair Bolsonaro e Sergio Moro (Foto: Adriano Machado/Reuters)

A provável candidatura de Sergio Moro a presidente ou qualquer outro cargo eletivo será a oportunidade do Brasil debater o verdadeiro legado da Lava Jato.

Como político que vestia toga — ele sempre foi político —, Moro destruiu a economia brasileira.

Quando a Lava Jato começou, em março de 2014, a taxa de desemprego no Brasil era de 5% e o PIB havia crescido 3% no ano anterior — o que colocava o País na sétima posição entre as economias mundiais.

A Petrobras tinha um valor de mercado na ordem 104,9 bilhões de dólares — o equivalente a 587 bilhões de reais.

Hoje, o valor de mercado da empresa petrolífera gira em torno de 350 bilhões de reais, a taxa de desemprego é superior a 14% e o PIB despencou 4,1% no ano passado.

Sim, há a pandemia, mas, em 2019, quando o coronavírus ainda não circulava entre nós, o crescimento foi pífio - 1,4%, metade da taxa de crescimento mundial.

A economia brasileira deixou de ser uma das dez maiores do mundo. 

No início deste ano, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos levantou o tamanho do estrago provocado diretamente pela Lava Jato.

A operação incensada pela velha imprensa custou 4,4 milhões de empregos e 3,6% do PIB. Com a Lava Jato, o País deixou de arrecadar 47,4 bilhões de reais em impostos e 20,3 bilhões de reais em contribuições sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial em 85,8 bilhões de reais.

Entre 2014 e 2017, por causa da Lava Jato de Moro, a Petrobras e a indústria da construção civil deixaram de investir cerca de 172 bilhões de reais.

Na política, o legado de Sergio Moro tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. Moro e a família fizeram campanha para ele, direta e indiretamente.

Rosângela fez propaganda para Bolsonaro na rede social, depois que o candidato dela, Álvaro Dias, deu sinais de que não decolaria.

Álvaro Dias foi poupado pela Lava Jato, assim como Paulo Guedes, flagrado com um depósito suspeito de R$ 560 mil (em valores de 2007) numa empresa apontada como fachada para arrecadação de propinas no esquema de Beto Richa, do PSDB.

Guedes tinha interesse financeiro no Estado. Ele era do Conselho de Administração da empreiteira Triunfo, que tem como um dos proprietários Luiz Fernando de Carvalho Wolff, primo de Rosângela Moro.

Guedes, é bom não esquecer, foi quem negociou com Moro sua ida ao governo de Jair Bolsonaro, quando o líder da Lava Jato ainda era juiz.

Na mesma época, Moro liberou parte da delação de Antonio Palocci com acusações (hoje sabidamente falsas) contra o Partido dos Trabalhadores, que tinha na época Fernando Haddad como o mais forte oponente de Bolsonaro.

O candidato da família Moro venceu, ele foi para o Ministério da Justiça e, mais tarde, deixaria o governo por perder na disputa por poder na Polícia Federal — foi esta a razão da saída dele do governo que ajudou a eleger, só esta.

Portanto, quando vemos o Brasil no fundo do poço com Bolsonaro, é preciso lembrar que quem colocou o País nessa situação foi Moro (e seus aliados da Lava Jato).

Moro quebrou o Brasil e sua herança maldita é Bolsonaro, e o ex-juiz deve ser responsabilizado por ela. Que a campanha eleitoral ilumine este fato trágico.

Reinaldo Azevedo: Bolsonaro e o neofascismo verde-amarelo

 


Do Canal da BandNews FM:

o programa da quarta-feira (03 de novembro), Reinaldo Azevedo comenta a viagem do presidente Jair Bolsonaro à Europa. Ele analisa os seus encontros com líderes de extrema-direita da Itália.



Assista: O mapa da esquerda nos Estados Unidos, com Glenn Greenwald

 

O premiado jornalista Glenn Greenwald, ex-Intercept Brasil, apresenta sua visão sobre a esquerda norte-americana


Salve, comunidade GGN!

Aqui estreia o “AGENDA MUNDO”, novo programa quinzenal de entrevistas da TVGGN em parceria com o professor Ruben Rosenthal, do Blogue Chacoalhando.

A ideia do programa é apresentar análises inéditas sobre temas internacionais trazidas por especialistas da academia ou jornalistas. O diferencial é abordar enfoques que a mídia brasileira prefere ignorar.

No programa de estreia, o jornalista Glenn Greenwald, ex-Intercept Brasil, apresenta sua visão sobre a esquerda norte-americana. Em oposição aos que defendem as causas populares, estão os progressistas que são performáticos nas redes sociais, mas que favorecem os interesses das grandes corporações.

Glenn Greenwald também comenta sobre a polêmica gerada por suas recentes declarações contra o Facebook e YouTube poderem exercer censura (sem autorização da Justiça) sobre o conteúdo veiculado nestas mídias. A entrevista foi gravada no final de outubro, mas durante a estreia, você poderá interagir com o Ruben em tempo real.

IMPORTANTE: Por causa do feriado de 2 de novembro, o “Agenda Mundo” será transmitido em horário excepcional, às 20h. A partir dos próximos episódios, estará disponível no canal às terças, sempre às 21h15, quinzenalmente.

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Agressão bolsonarista, desconstrução do Estado, PEC dos Precatórios e Fim do Bolsa Família. Diálogo em vídeo entre Jamil Chade e Luis Nassif com participação de Marcelo Auler e Gleisi Hoffmann

 

Luis Nassif e Marcelo Auler conversam com o jornalista Jamil Chade e a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT

O jornalista Jamil Chade. Foto; Reprodução/YouTube

O jornalista Jamil Chade e a Gleisi Hoffmann, deputada e presidente nacional do PT, conversam com Luis Nassif e Marcelo Auler na TV GGN 20 horas nesta quarta-feira (03/11). Veja mais no vídeo a seguir

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Ex-legista vira réu por ser conviente e ocultar torturas cometidas no regime da ditadura militar

 

José Manella Netto é acusado de falsidade ideológica e ocultação de cadáver ao omitir causa mortis de Carlos Roberto Zanirato

Foto: Reprodução

Jornal GGN – O ex-médico legista José Manella Netto se tornou réu por falsidade ideológica e ocultação de cadáver pela Justiça Federal, ao omitir a causa mortis do militante político Carlos Roberto Zanirato.

Junto do legista Orlando Brandão, Manella Netto assinou laudo afirmando que Zanirato cometeu suicídio ao saltar na frente de um ônibus na Avenida Celso Garcia, em São Paulo, em 1969 quando, na verdade, ele foi submetido a sessões de tortura.

Zanirato tinha 19 anos quando entrou no Exército, em janeiro de 1969. Ele integrou o 4º Regimento de Infantaria em Osasco, que deixou o quartel para formar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) ao lado do capitão Carlos Lamarca para combater a ditadura.

De acordo com o Ministério Público Federal, Zanirato foi torturado durante seis dias até ser levado ao local onde foi empurrado na frente de um ônibus. Nenhum tipo de registro da ocorrência chegou a ser feito.

O jovem foi enterrado como indigente no Cemitério da Vila Formosa, e seus restos mortais não foram identificados até hoje.

Como explica reportagem do jornal O Globo, Zanirato foi o primeiro militante sob custódia do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP) a desaparecer.

Segundo denúncia feita pelo procurador da República Andrey Borges Mendonça, e aceita pela 5ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, o laudo assinado pelos legistas ocultava diversas lesões causadas por agressões anteriores, cometidas por agentes da ditadura militar.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

El País: Frederic Chopin e Nelson Freire, uma questão de elegância. Artigo de Vlademir Safatle

  

Elegância sempre foi vista como a proporção de quem pode fazer muito com pouco, assim como a leveza e facilidade dos movimentos. O toque único de Nelson Freire tinha exatamente essas qualidades





Nelson Freire posa junto a un piano. 
MAT HENNEK


Em 1839, Chopin escreveu três curtas peças que apareceriam no ano seguinte em um método de piano com o nome de “Método dos métodos”, de Moschelles e Fétis. São peças que não duram mais do que duas páginas de partitura e passaram a posteridade como sendo os “Três estudos póstumos”. Costuma-se dizer que elas não teriam as dificuldades técnicas e exigências de virtuose de alguns dos estudos presentes nos dois livros anteriores, catalogados como opus 10 e opus 25. No entanto, a primeira dessas peças tem uma característica singular que produz uma dificuldade real para sua interpretação. Há muitas interpretações feitas, entre outros, pelos pianistas mais paradigmáticos que conhecemos (AlfredCortot, Arthur Rubinstein, Claudio Arrau, Samson François, Sviatoslav Richter), assim como várias interpretações de pianistas contemporâneos. Mas nem todas são igualmente bem sucedidas em dar forma musical aquilo que faz desse estudo um evento tão singular. E dentre essas, há uma interpretação que realiza a ideia musical do Estudo como nenhuma outra.


Antes de Chopin, os Estudos para piano eram exercícios para o desenvolvimento da habilidade técnica do pianista. Todo estudante ainda hoje se depara com tal literatura que estava disponível na época de Chopin: Czerny, Cramer, Clementi. Esses são apenas alguns dos nomes que vem à mente quando se trata de pensar na disciplina que um pianista deve internalizar para saber como se expressar musicalmente. O termo “disciplina” não está aqui por acaso, pois se trata de criar disposições corporais para dar forma a um legato, a uma intensidade fortíssima, como abrir e fechar os braços para encontrar o peso adequado de um arpeggio, como usar a força distinta de cada dedo para criar a coloratura expressiva da interpretação. Podemos não saber se uma indicação de pianíssimo em uma partitura indica ternura, solidão, tristeza ou quietude contemplativa, mas sabemos quais gestos corporais são necessários para o pianíssimo aparecer. Sei como meu corpo deve estar, de que parte do corpo deve vir o peso do toque. Neste sentido, a técnica pianística impõe claramente a construção de um corpo expressivo a partir da internalização de um sistema complexo de tempos, de gestos e de movimentos. O que não deixa de ter sua ironia: a sensibilidade musical é fruto de uma disciplina corporal, os sentimentos musicais estão enraizados nos gestos corporais.

Nesse sentido, não será uma das menores genialidades de Chopin ter transformado exercícios de desenvolvimento da técnica em música para concerto. Foi apenas com ele que os Estudos para piano se tornaram um gênero musical. Depois de Chopin, vieram vários outros (Liszt, Debussy, Scriabin) e até hoje forma-Estudo aparece a compositores como um gênero vivo, haja vista os Estudos de contemporâneos como Ligeti, Dusapin ou Glass.


No entanto, há de se lembrar como uma das condições para Chopin fazer de meros exercícios um verdadeiro gênero musical foi entender que corpo é construído, na verdade por ímpeto, por impulso, por desequilíbrio, por multiplicação. Suas peças têm, em muitos casos, a capacidade de confrontar o corpo com seus limites, em alguns casos, fazê-lo procurar a exaustão, em outros recuperar o peso diferenciado dos dedos para que os toques extraíssem camadas de sonoridade até então indiferenciadas. Isso a ponto de um pianista e teórico, Charles Rosen, ver-se obrigado a dizer: “nos Estudos de Chopin, o momento de maior tensão emocional é geralmente aquele que a mão é alongada da maneira mais dolorosa, de maneira que a sensação muscular se transforme – mesmo sem o som – em uma mimesis da paixão”.


Mas havíamos começado falando de um estudo específico, esse que abriria a sequência dos últimos três estudos compostos por Chopin. E havíamos falado de uma interpretação específica.


Esse estudo deve ser especificado porque sua ideia de base é um problema que não poderia deixar de nos interrogar de diversas formas. Ele poderia ser descrito da seguinte maneira : “como fazer o mesmo corpo habitar, simultaneamente, dois tempos diferentes”, como deixá-lo ser atravessado pela simultaneidade de dois tempos. Scott Fitzgerald escreveu um dia: “o teste de uma inteligência superior é a capacidade de manter duas ideias opostas na mente ao mesmo tempo e ainda conservar a capacidade de funcionar”. Para conseguir tocar bem esse Estudo é necessário manter duas ideias opostas na mente e continuar funcionando.


Notemos, por exemplo, como essa peça de Chopin é construída a partir de uma dupla estrutura simultânea. Os quatro primeiros compassos apresentam uma divisão do tempo 2/2 em duas tercinas de semínima a serem tocadas pela mão direita. Os quatro compassos seguintes levam a mão esquerda a se acostumar à divisão do mesmo tempo em oito colcheias. Do nono compasso em diante, toda a peça será a sobreposição entre o tempo de seis semínimas da mão direita e o tempo de oito colcheias da mão esquerda.


Ou seja, a mão esquerda “conta” o tempo em dois grupos de três, a mão direita “conta” em dois grupos de quatro, como se houvesse duas formas de cortar o mesmo espaço que se desdobram simultaneamente. Tanto é assim que, com uma única exceção, a peça toda é composta com notas do mesmo valor, como se fosse o caso de produzir uma continuidade temporal em forma de fluxo. Com isto, a peça consegue criar uma espécie de equilíbrio sob o fundo de desequilíbrio. Como se a função determinante do Estudo fosse levar o intérprete a viver em dissociação, sem com isto perder a capacidade de produzir a impressão de se estar no interior de uma duração. Uma duração sob o fundo de dissociação, na qual é impossível contar, pois há duas contas sendo feitas simultaneamente.


Esse problema musical, vinculado ao uso da poliritmia, foi interpretado de várias formas. Há interpretes que darão um andamento acelerado à peça reforçando a melodia da mão direita, como se tentassem apagar a dissociação. Há aqueles, como Alfred Cortot, que acharão por bem destacar as dinâmicas internas das frases melódicas, sublinhando suas entonações através de rubatos e todo um sistema de pequenos atrasos e acelerações. Claudio Arrau chegará a fortalecer a expressão acelerando e desacelerando o tempo. Outros, como Samson François, irão privilegiar um toque homogêneo. Haverá ainda os que fortalecerão em demasia os crescendo e os contrastes, colocando muitas vezes na mão esquerda no nível da mão direita.


Mas há duas que são absolutamente geniais, por razões distintas. A primeira é de Arthur Rubinstein pela sua capacidade de, ao mesmo tempo, preservar a regularidade e ouvir as intonações, de não crescer nos ostinatos, mas a fim de, paradoxalmente, trabalhar a intensidade, criando assim uma repetição que parece lutar contra seu próprio desfalecimento.


A outra interpretação genial nos foi deixada por Nelson Freire, pela sua definição em ato do que significa elegância. Ela recusou todas as saídas pela intensificação dos meios sem efetivamente se privar de nenhum. Há rubatos, mas eles são contidos, há o desenho claro das frases e entonações, mas eles também são contidos. Há a segurança de apresentar a frases em sua clareza, mesmo sabendo que a mão esquerda não está servindo de acompanhamento, pois está a insistir em outro tempo. Recusando todas as outras saídas, ela parece simplesmente encontrar a interpretação “a mais natural”.


Elegância sempre foi vista como a proporção de quem pode fazer muito com pouco, assim como a leveza e facilidade dos movimentos. O toque único de Nelson Freire tinha exatamente essas qualidades. Pois isso, ele parecia se afirmar sem precisar fazer esforço para ser notado. Ele lembra um país que em certo momento acreditou na força de não ter que mostrar força para fazer ouvir uma singularidade. Essa era uma pequena homenagem não apenas a um pianista, mas a alguém que representava toda uma maneira de fazer música.


segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Bolsonaro recebe, pelo mundo, o tratamento dado a ditadores e párias, diz Jamil Chade

 

Mas mesmo com o passar de dois anos e meio, o analfabetismo deste governo evidencia-se em Roma: um homem sem aliados, sem amigos, que menosprezou líderes, que ofendeu parceiros comerciais e jogou o país na sarjeta da diplomacia.

Reprodução vídeo

Jornal GGN – O jornalista Jamil Chade, em sua coluna do Uol, diz que Jair Bolsonaro está isolado do mundo com um ‘status equivalente a de um líder de uma republiqueta decadente e sanguinária’. O jornalista tem denunciado todos os dias a ficção em torno do ‘mito’, construída pelo bolsonarismo nas redes sociais. O que as redes sociais alardeavam era o oposto que o presidente vivia pelo mundo via zoom.

Com a volta das reuniões presenciais, o G20 trouxe os líderes a um mesmo local, mas para Bolsonaro isso significou um tratamento diferenciado, aquele dado aos líderes constrangedores, sejam ditadores ou personagens criticados por violações aos direitos humanos.

Chade acompanhou a primeira viagem internacional de Bolsonaro, em 2019, quando foi a Davos, para o encontro anual, logo após a posse. Mas o mundo já antevia a fraude de seu governo. O Itamaraty conseguiu palanque para Bolsonaro, que poderia falar por 40 minutos para dar seu recado e fazer seu retrato para o grande capital.

E Bolsonaro conseguiu o feito de falar por míseros seis minutos que mais parecia um discurso da Embratur. O jornalista conseguiu entrar em ala reservada ao presidente e seus assessores para um café da manhã. O recém-empossado presidente de uma das maiores economias do mundo comentava, infantilmente, o fato de ter se sentado ao lado de reis e empresários no jantar da noite anterior.

Bolsonaro não havia entendido que ali estava o presidente do Brasil, terra cobiçada. Viu-se como indivíduo. Logo após o comentário infantil do presidente, Eduardo Bolsonaro perguntou aos assessores: ‘a palavra bilionário se escreve com ou sem (a letra) H?’.

Mas mesmo com o passar de dois anos e meio, o analfabetismo deste governo evidencia-se em Roma: um homem sem aliados, sem amigos, que menosprezou líderes, que ofendeu parceiros comerciais e jogou o país na sarjeta da diplomacia.

Mais do que palavras, imagens corroboraram para evidenciar o fato: o primeiro-ministro italiano Mario Draghi não cumprimentou Bolsonaro pois que este não se vacinou. Chade vê evidenciado aí a toxidade do presidente.

Angela Merkel, Macron, Boris Johnson, Antonio Guterres, Morrison, Trudeau, Modi e outros chefes ali reunidos buscavam rumos para a pandemia e o clima. E, entre eles, não faltavam ironias com o Brasil.

O isolamento não ficou evidenciado somente na antessala do G20. A agenda de Bolsonaro em Roma, por três dias, previa encontro protocolar com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, que deveria receber todos os líderes como anfitrião.

Além do protocolar com o italiano, Bolsonaro encontrou com dois outros personagens menores: o secretário-geral da OCDE e, por poucos minutos, uma conversa com Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. Nenhum chefe de estado teve agenda com Bolsonaro, esta é a triste realidade.

Com encontro marcado, o único líder europeu que Bolsonaro terá agenda será com Matteo Salvini, da extrema-direita italiana. E com um toque de ironia extra, Bolsonaro convidou o líder fascista para estar na homenagem que ele fará aos militares brasileiros que lutaram na Segunda Guerra contra o fascismo.

Leia a íntegra da coluna no Uol.

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Anguillara Veneta, na Itália, se levanta contra visita de Jair Bolsonaro

 

Com os protestos, a comitiva alterou o itinerário e, no lugar da Prefeitura, Bolsonaro foi parar a dois quilômetros de distância, onde a prefeita Alessandra Buoso, de extrema-direita, ofereceu um almoço.

Jornal GGN – Anguillara Veneta, vilarejo italiano, não está em festa com a visita do presidente Jair Bolsonaro. Ao contrário. Os moradores foram às ruas nesta segunda, dia 1, protestar contra a chegada do mandatário brasileiro. Bolsonaro receberá o título de cidadão honorário, o que não agradou em nada a população.

Pousando em Veneza, Bolsonaro foi em comboio até Anguillara, a 80 quilômetros de distância. Lá receberia a homenagem na sede da Prefeitura. E, apesar do mau tempo, havia na porta uma manifestação com cerca de 200 pessoas.

Com os protestos, a comitiva alterou o itinerário e, no lugar da Prefeitura, Bolsonaro foi parar a dois quilômetros de distância, onde a prefeita Alessandra Buoso, de extrema-direita, ofereceu um almoço. A prefeita justificou sua homenagem por Bolsonaro ter o bisavô nascido na localidade, sem ter a ver com nenhum aspecto político.

Só que a população não engoliu as desculpas da prefeita, pois que as posições de Bolsonaro são opostas aos valores firmados em sua Constituição. Como exemplo, o vereador Antonio Spada, da oposição, citou as frequentes declarações homofóbicas e misóginas de Bolsonaro, além do desastre de seu governo na Amazônia.

O padre Massimo Ramundo, que passou 20 anos no Brasil, sendo 12 na Amazônia, afirmou que Bolsonaro age de forma oposta a tudo que é professado pelo Papa diariamente. ‘O presidente não se ocupa da defesa das minorias, a partir dos indígenas da Amazônia. O Papa não se cansa de nos lembrar da importância do bem comum, enquanto Bolsonaro faz o que quer na Amazônia’, disse o padre.

O conselheiro regional Andrea Zanoni disse que é uma ‘vergonha’ homenagear Bolsonaro poucos dias depois de uma acusação de crimes contra a humanidade e mais delitos. ‘Sua gestão vil provocou mais de 600 mil mortes em todo o país’, disse ele.

A prefeitura de Anguillara Veneta foi alvo de pichação na semana passada. Locais picharam ‘Fora Bolsonaro’ na parede. Além disso, um grupo de ambientalistas jogou esterco em protesto contra a homenagem.

Bolsonaro fica na Itália até amanhã, dia 2, quando visitará um monumento em Pistola em memória dos soldados brasileiros caídos na Segunda Guerra Mundial.

Com informações da ANSA.

Do Meteoro Brasil: Isolamento e violência - o retrato de Bolsonaro no G20

 

Do Canal Meteoro Brasil:

Enquanto as vinte maiores economias do mundo realizam um dos mais importantes encontros da história do G20, discutindo a pandemia e mudanças climáticas, o Brasil fica do lado de fora, brigando com a imprensa