terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Reinaldo: Faltou Campos Neto explicar por que os juros no Brasil são os mais altos do planeta

 


Da BandNews FM:

Reinaldo: Pós-entrevista de Campos Neto, pergunto por que temos os juros mais altos altos da Terra



O bolsonarista Roberto Campos Neto mantém boicote ao crescimento nacional e sinaliza que não vai mudar taxa de juros que enriquecem bancos privados

 

Presidente do Banco Central insiste em uma política lesiva à economia popular e ao desenvolvimento do país

www.brasil247.com - Roberto Campos Neto

Roberto Campos Neto (Foto: Nadja Kouchi/TV Cultura)

247Em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, nesta segunda-feira (13), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que não vai alterar a meta de inflação para o próximo biênio, o que sinaliza a manutenção da taxa de juros altíssima, em 13,75% ao ano – uma taxa real de 8% acima da inflação.

“Existem, obviamente, aprimoramentos a se fazer. Estamos estudando desde 2017 com um grupo de diretores, que inclusive nem estão mais participando da Casa, como poderíamos aprimorar o sistema de metas. Não há uma proposta. Existem mais de uma. Mas, em nenhum momento, entendemos que o movimento de aprimoramento do sistema de metas seja um movimento que vise ganhar flexibilidade ou atuar de uma forma diferente". 

Ele negou que, em conversa com o presidente Lula, tenha se mostrado favorável a flexibilizar o sistema de metas

"Se mudar a meta, vai ter o efeito contrário. O mercado vai pedir um prêmio de risco maior ainda. O que vai acontecer é o efeito contrário. Em vez de ganhar flexibilidade, vai acabar perdendo flexibilidade. Não existe ganho de credibilidade aumentando a meta", opinou.

O presidente do BC fez ainda pressão sobre o governo por arrocho fiscal. Ele declarou que a melhor forma de viabilizar a queda dos juros é o governo deixar claro para os agentes econômicos sobre a política fiscal e novos mecanismos para equilibrar as contas públicas e reduzir o endividamento público no longo prazo.



Juros altos do BC (os mais altos do mundo e sem razão de ser para o povo brasileiro) poderão custar R$ 203 bilhões a mais para o Tesouro em relação a 2022

 

Será mais um recorde vergonhoso do Banco Central controlado por Campos Neto em interesse dos bancos privados e da especulação financeira

www.brasil247.com -
(Foto: Jota Camelo)

Texto de Jeferson Miola          

              

relatório fiscal do Banco Inter de 30/1/2023 projeta que a despesa do Tesouro Nacional para o pagamento dos juros da dívida poderá atingir R$ 790 bilhões em 2023.

Será mais um recorde vergonhoso do Banco Central. E custará R$ 203 bilhões a mais que o recorde histórico anterior, alcançado no ano passado, quando o Tesouro gastou R$ 586,4 bilhões devido ao aumento do custo da dívida.

O aumento das despesas do Tesouro para o pagamento dos juros da dívida saltou enormemente a partir do início de 2021, quando o Banco Central elevou a taxa básica de juros até alcançar os atuais 13,75%s ao ano, conforme mostram as partes em azul da tabela:


grafico

A alta absurda de juros faz do Brasil o paraíso mundial do rentismo, com ganhos reais de 8% ao ano, já descontada a inflação.

Com esta política de juros estratosféricos, em 2021 e 2022 o Banco Central gerou uma despesa adicional de R$ 410 bilhões para o Tesouro Nacional em relação ao patamar de juros de 2020.

De acordo com o economista André Lara Resende, nos dois anos o país consumiu 1,75% a mais do PIB em relação a 2020 para pagar os juros da dívida, e 3,65% a mais em 2022.

Com o desembolso projetado para 2023 pelo Banco Inter, de R$ 790 bilhões com os custos da dívida, o Banco Central obriga o Tesouro a gastar R$ R$ 477 bilhões a mais que o patamar de gastos de 2020 – algo próximo a 6% do PIB. Isso significa que a espiral de juros altos acumulará R$ 887 bilhões de gastos adicionais em três anos [R$ 410 bi em 2021 e 2022 + R$ 477 bi em 2023].

A política de juros altos do Banco Central é ineficiente e tremendamente prejudicial ao país. Esta taxa pornográfica de ganho real de 8% ao ano, que beneficia um punhado de rentistas em prejuízo de dezenas de milhões de brasileiros, impede o crescimento econômico e joga o país na recessão.

A manutenção desta política equivocada pelo Banco Central justifica as desconfianças em torno do presidente bolsonarista da instituição: ou Roberto Campos Neto está executando um plano de terrorismo econômico e sabotagem do governo Lula, ou ele está aprofundando o processo de saqueio e pilhagem do país. Ou, então, ele está fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

Farra do cartão corporativo: Mourão gastou R$ 3,8 milhões com viagens e alimentação

 

O ex-vice-presidente da República, que bancou com viagens e produtos gourmet, alegou que o cartão não ficava em sua posse.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN:

Senador pelo Rio Grande do Sul, Hamilton Mourão gastou R$ 3,8 milhões no cartão corporativo durante os últimos quatro anos em que foi vice-presidente. Apenas no último ano, as despesas de alimentação, viagens e hospedagem somaram R$ 1,5 milhão.

Em várias situações, Mourão negou o uso do cartão corporativo. Mas os dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam o contrário. No Mercadinho La Palma, foram gastos R$ 311.498,83. Já no Pão de Açúcar, a conta soma R$ 282.421,49. A Super Adega recebeu R$ 264.391,34 do cartão do ex-presidente e o Big Box, R$ 241.197,16.

A agora senador também pagou despesas expressivas com hospedagem (no Atlântica Hotéis foram R$ 204.080,15) e empresas aéreas (outros R$ 102.071,53).

Mais gastos

As faturas do ex-presidente não tinham despesas exorbitantes. Mourão gastou R$ 205 com açaí, R$ 551 com sorvetes, R$ 9,3 mil em uma doceria e até R$ 518 em conserto de bicicletas em Brasília.

Ao Estadão, o parlamentar negou o uso do cartão para fins pessoais, pois o meio de pagamento “não ficava com ele” e era usado para as despesas do Palácio do Jaburu e viagens.

LEIA MAIS

Roberto Campos Neto, uma mente subalterna aos vampiros da Faria Lima no comando do BC, por Luis Nassif

 

Qualquer crítica ao BC é interpretada como uma ameaça à democracia. Existe algo mais anti-democrático do que isso? Não se dá a palavra a um economista sequer que ouse criticar o banco controlado por banqueiros privados.

Jornal GGN:



Podia-se criticar à vontade Roberto Campos, avô. Mas não se podia negar, no Campos ministro, a coragem de assumir suas posições, a capacidade de iniciativa, as soluções criativas, visando resolver problemas concretos.

Do avô, Roberto Campos Neto herdou apenas o nome. É um burocrata, um executivo que se daria bem no segundo escalão de uma grande empresa, jamais em um cargo de chefia. Nem se fala sobre sua timidez. É possível ser um grande executivo sendo tímido. Até se poderia dar um desconto na sua falta de ideias.

Mas as informações dos últimos dias mostram, que é fundamentalmente um subalterno, uma pessoa que cumpre missões, com pouco senso de dignidade e de responsabilidade pública.

Agora, à medida que vão caindo as fichas, que aparece Campos Neto em pic-nics com Ministros de Bolsonaro, em grupos de WhatsApp, mostrando uma intimidade indecorosa, em relação ao alto cargo de presidente de um Banco Central independente, vai caindo a ficha em relação a seus atos.

O primeiro deles quase passou despercebido. Foi quando o Banco Central forneceu ao governo Bolsonaro estudos estatísticos supostamente provando que a imunidade de rebanho seria melhor para a economia do que a vacinação. O então Ministro Paulo Guedes chegou a mencionar o trabalho, mas, depois, ele foi recolhido, ao perceberem o vexame que significava.

Agora, o furo do Metrópoles mostra que, no grupo de WhatsApp dos Ministros de Bolsonaro, Campos Neto apresentou projeções, mostrando que Bolsonaro poderia vencer as eleições graças à abstenção. Provavelmente foram esses estudos que embasaram a iniciativa criminosa de colocar a Polícia Rodoviária Federal para bloquear ônibus com eleitores no Nordeste.

Nem se fale do primarismo ingênuo e vergonhoso de votar nos dois turnos das eleições com a camisa verde-amarelo, símbolo do bolsonarismo. Só uma pessoa extremamente ingênua e sem discernimento para incorrer nesse desgaste.

À medida que vazam suas primeiras conversas com o governo Lula, Campos Neto revela-se uma pessoa pouco confiável, dizendo uma coisa em particular, outra nas notas do Banco Central.

Mais que isso, a manutenção de reuniões fechadas com o mercado, a maneira como o presidente do BTG Pactual, André Esteves, se referiu a ele em uma live interna, tudo isso mostra uma pessoa sem dimensão pessoal e pública.

No entanto, é ele o condutor da política monetária, um burocrata incapaz de um pensamento inovador, incapaz de um gesto sequer para reduzir spreads bancários, para impedir a cartelização na formação de taxas, para segurar a volatilidade do câmbio.

A tragédia brasileira não reside apenas nisso, mas em uma mídia incapaz de uma discussão aprofundada sequer sobre os rumos das taxas de juros, ou sobre a necessidade de aprimoramento do sistema de metas inflacionárias.

Ontem, na Globonews, era possível assistir um comentarista absolutamente jejuno em temas econômicos, disparar dardos nos infiéis que ousassem duvidar do Banco Central. Parecia Moisés destruindo o bezerro de ouro.

Criou-se mais um paradoxo nessa fantástica democracia brasileira. A independência do Banco Central é vendida como um dos pilares das sociedades democráticas. Mesmo sem ter recebido um voto sequer, o BC passa a definir, de moto próprio, a sua política econômica. E qualquer crítica ao BC é interpretada como uma ameaça à democracia. Existe algo mais anti-democrático do que isso? Não se dá a palavra a um economista sequer que ouse criticar o banco.

O subdesenvolvimento é trabalho de gerações.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

UOL - Cartão corporativo: gasto de Mourão cresceu quase 4 vezes entre 2019 e 2022

 

Do UOL:

O ex-vice-presidente da República general Hamilton Mourão (Republicanos) gastou R$ 1,6 milhão com o cartão corporativo no ano passado. Em 2019, ano do primeiro mandato dele como vice, o militar gastou R$ 427,2 mil. Os dados foram obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) pela Fiquem Sabendo, agência de dados especializada no acesso a informações públicas. Mônica Bergamo e Tales Faria comentam



Mourão e Bolsonaro nadando na MAMATA do cartão corporativo do dinheiro público

 

Do Canal Desmascarando:



domingo, 12 de fevereiro de 2023

Economistas divulgam manifesto por taxa de juros decentes para país ‘reencontrar caminhos da estabilidade política’, criticando a política de Roberto Campos Neto de altas taxas à favor dos bancos priiados

 

“A história mostra que o desemprego e a depressão econômica são substrato para a emergência do fascismo (bolsonarismo)”, diz o documento


www.brasil247.com - Entrada do Banco Central em Brasília. 22/03/2022

Entrada do Banco Central em Brasília. 22/03/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Rede Brasil Atual - Os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Monica de Bolle, Luciano Coutinho, Nelson Marconi, Leda Paulani, Antonio Corrêa de Lacerda, Clélio Campolina, Paulo Nogueira Batista Jr. e Lena Lavinas são alguns dos nomes que participam de um movimento no qual defendem, por meio de um manifesto divulgado neste sábado (11), a “razoabilidade” da taxa básica de juros, a Selic. Publicado como abaixo-assinado na plataforma Change.org, o texto tinha cerca de mil assinaturas até o início da tarde.

“A eleição de outubro renovou as esperanças de que o Brasil possa reencontrar os caminhos para a estabilidade política e um lugar respeitável no mundo. O Brasil precisa de paz e de perspectivas. O mundo precisa da estabilidade do Brasil”, diz o documento. Os signatários afirmam que “a superação dos desafios brasileiros só pode ser alcançada com uma nova política econômica, promotora de crescimento e prosperidade compartilhada”.

O que eles chamam de razoabilidade da taxa de juros é, de acordo com os economistas, “condição indispensável para a normalidade econômica”. Sem essa condição, na opinião deles, os investimentos necessários ao país não prevalecerão ante as aplicações financeiras. Do mesmo modo, “as remunerações do trabalho e da produção” perderão para a especulação, asseguram.

Lula x Campos Neto

Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado duramente o Banco Central, agora independente, conduzido por Roberto Campos Neto. Na segunda-feira (6),  em discurso na cerimônia de posse de Aloizio Mercadante como presidente do BNDES, ele afirmou que “não tem nenhuma justificativa para que a taxa de juros esteja em 13,75%”. Segundo Lula, “é uma vergonha”.

No dia seguinte, o presidente voltou a alfinetar o BC. “Ele deve explicações não a mim, mas ele deve explicações ao Congresso Nacional, que o indicou”, afirmou na terça-feira (7), em café da manhã com a imprensa “independente”, referindo-se a Campos Neto.

Na ata divulgada na terça-feira (7) sobre a manutenção da taxa Selic em 13,75%, o Comitê de Política Monetária (Copom) acenou com uma bandeira branca, ao dizer que a execução do pacote de medidas já anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode atenuar o risco fiscal.

“O Comitê manteve sua governança usual de incorporar as políticas já aprovadas em lei, mas reconhece que a execução de tal pacote (da Fazenda) atenuaria os estímulos fiscais sobre a demanda, reduzindo o risco de alta sobre a inflação”, afirmou a ata. O ministro da Fazenda imediatamente respondeu ao aceno. Ele disse na mesma manhã que a ata do Copom era mais “analítica” e “amigável”, “colocando pontos importantes sobre o trabalho do Ministério da Fazenda”.

Há um mês, Haddad anunciou as primeiras medidas econômicas do governo. Incluíam duas medidas provisórias e alguns decretos com o objetivo de que as despesas diminuam como proporção do PIB e as receitas aumentem. Na ocasião, Haddad previu que, havendo relação produtiva com a “autoridade monetária” (o Banco Central), o ano de 2023 poderia até terminar com déficit primário, hoje em 2,3%, para patamar inferior a 1%.

Contexto histórico e político

O manifesto assinado pelos economistas divulgado hoje defende que o Brasil precisa descartar a “política monetária inadequada” para combater a pobreza, reduzir as desigualdades e construir políticas sustentáveis em relação ao meio ambiente. Destaca que o momento histórico “é excepcional também pelo contexto político”.

“A história mostra que o desemprego e a depressão econômica são substrato para a emergência do fascismo, do militarismo, da xenofobia e do ataque a minorias, avançando sobre as instituições democráticas”, alerta o manifesto.

Banco Central "independente" controlado por bolsonaristas à favor dos banqueiros... Análise de Luis Nassif

 

Do Jornal GGN:


O especialista em sanguessugas e os sábios do BC: qual a diferença?

E aí, pergunto: onde está a brava corporação do Banco Central, o mesmo BC que foi capaz de segurar a peteca nos anos 90, quando o país sofria ataques especulativos sem dispor de um centavo de reservas cambiais?


O Dr. Bregonaldo especializou-se em sanguessugas para combater as febre. Tinha duas sanguessugas especiais, daquelas bitelonas. O paciente chegava com febre, a sanguessuga era colocada nas suas costas, deleitava-se com seu sangue e a febre baixava. E o paciente saía derrubado do consultório, mas sem febre.

Aí surgiu uma tal de penicilina, aplicada por um jovem doutor formado no Rio de Janeiro e com acesso a literatura estrangeira, que muito impressionava os habitantes da cidade.

Aí o dr. Bregonaldo percebeu que o tratamento de sanguessuga precisava do aporte de uma literatura médica. E colocou seu espírito científico a serviço da sanguessugaterapia.

Primeiro, dividiu os pacientes em três grupos: os gordos, os idosos e os magros. E passou a avaliar o comportamento das sanguessugas aplicadas em cada uma.

Constatou que as sanguessugas aplicadas em gordos tinham uma propensão a colesterol alto. O grupo das sanguessugas em idosos tinham mais dificuldade em chupar os sangues. Havia diferença de comportamento em pacientes magros.

Depois, passou a analisar os efeitos da alimentação dos pacientes nas sanguessugas. Pacientes que comiam muito abacaxi antes do tratamento, deixavam as sanguessugas com afta. Havia uma certa rejeição nas sanguessugas a paciente que comiam jacas. De forma geral, preferiam pacientes que haviam acabado de comer. Mas nem passavam perto de pacientes que misturavam leite com manga.

Ao final de 6 meses de pesquisas intensas, o dr. Bregonaldo se tornou o maior especialista da região em sanguessuga, não nos pacientes. Depois de firmar reputação, dr. Bregonaldo não se via em condições de aderir a outros tratamentos. Simplesmente perderia todo o investimento que fez no seu conhecimento em sanguessugaterapia.

Mal comparando, não vejo diferença com os doutos especialistas na teoria da inflação inercial. São capazes de decupar as planilhas do Banco Central, antecipar a alta dos juros meramente vendo os sinais das taxas de juros longos casadas com os juros do FED, discorrer sobre o Forward Guidance, analisar o impacto dos CDSs sobre a rentabilidade do títulos, avaliar o ritmo de alta ou de queda dos juros. Em suma, uma enciclopédia, e em cima do quê? Do uso da âncora cambial para combater a inflação, um instrumento que só não é mais tosco que o tabelamento de preços. Sua única especialidade é a realidade paralela da teoria das metas inflacionárias. Ela se torna um objetivo em si, pouco importa seus efeitos sobre o organismo econômico, sobre as contas públicas, sobre o ritmo da economia. Eles não se especializam nos pacientes, mas apenas no remédio.

E aí, pergunto: onde está a brava corporação do Banco Central, o mesmo BC que foi capaz de segurar a peteca nos anos 90, quando o país sofria ataques especulativos sem dispor de um centavo de reservas cambiais?

Como é possível aceitar passivamente a teoria das metas inflacionárias, sabendo de todas as contraindicações para o organismo econômicos? O poder público banca estudos de parte deles em grandes universidades, têm a melhor formação, financiada pelo Estado. E como retribuem? Atuando como os ratinhos de Pavlov, aceitando acriticamente a estrutura de juros, a volatilidade do câmbio, o jogo das expectativas inflacionárias, tudo nas mãos do mercado, de um cartel de grandes operadores, sem a menor preocupação em atuar no contrafluxo.

Na tabela abaixo, a taxa básica efetiva de mais de vinte países. O Brasil só perde para a Argentina, que enfrenta uma hiperinflação, e para a Rüssia, que está em guerra.

Será que precisaremos chamar o Dr. Bregonaldo para aplicar sua ciência e explicar essa loucura?

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Os extremistas do mercado financeiro. Artigo de Cristina Serra publicado na Folha


Quem está feliz com a taxa de juros a não ser aqueles que têm dinheiro sobrando para investir no tal mercado? Mas Lula mal abre a boca para criticar as altas taxas de jurose já é chamado de populista e gastador. O debate sobre juros não pode ser interditado.



Segue o artigo da jornalista Cristina Serra, publicado na Folha de São Paulo em 10 de fevereiro de 2023

Faz um mês que terroristas contrariados com o resultado da eleição tentaram um golpe de Estado. Não são os únicos a criar dificuldades para o novo governo. Os fundamentalistas do mercado também não se conformam com a vitória de Lula e promovem alarido em tom de ameaça e intimidação cada vez que o presidente questiona dogmas do extremismo liberal.

Quem está feliz com a taxa de juros a não ser aqueles que têm dinheiro sobrando para investir no tal mercado? Mas Lula mal abre a boca e já é chamado de populista e gastador. O debate sobre juros não pode ser interditado. Qual a dose certa do remédio? Quando ele vira veneno?

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Adriano Machado/Reuters

Juros na estratosfera conjugados com metas de inflação de 3,25% (2023) e 3% (2024) asfixiam o país. E, de asfixia, burocratas bolsonaristas entendem bastante. Taxa de 13,75% ao ano premia capital improdutivo, inviabiliza investimento, desenvolvimento e políticas sociais para a ampla maioria da população. Tudo o que Lula prometeu, quer e deve fazer. Para isso é que foi eleito.

Aí ele se depara com Roberto Campos Neto, o presidente do Banco Central "independente". Independente de quem? "Bob Neto" estava em grupo de WhatsApp de "ministros de Bolsonaro". É amigo do banqueiro André Esteves a ponto de aconselhar-se com o bilionário sobre...taxa de juros. Lembra do áudio vazado em 2021?

O mesmo André Esteves disse ter sido consultado por ministros do STF por ocasião do julgamento que confirmou a lei de autonomia do BC, em agosto de 2021. "Precisa chegar um de nós lá e explicar [colocar] o guizo no gato, não ter medo de falar, conversar, interagir [com os ministros]", gabou-se.

E vem o BC "independente" falar de "incerteza fiscal"? O mercado e o BC de "Bob Neto" não deram um pio sobre a farra fiscal de Bolsonaro. Incerteza, senhores, é tentativa de golpe. Incerteza é desemprego a 8% e a uberização do trabalho. É dormir na rua, é prato e barriga vazios. O resto é hipocrisia e bandidagem da grossa.

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