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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Clóvis de Barros Filho, Mário Sérgio Cortella e Leandro Karnal, os três intelectuais progressistas brasileiros que ganharam as redes sociais


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Clóvis de Barros Filho, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal: presentes em eventos internacionais, três intelectuais brasileiros mobilizam as redes sociais e conseguem convidar os jovens a refletirem sobre política, cotidiano e educação. Conheça mais sobre cada um deles.



Pedro Zambarda de Araujo, DCM
Antenados com as redes sociais e presentes em eventos nacionais e globais, três intelectuais mobilizam e conseguem convidar os jovens a refletirem sobre política, dia a dia e educação.
Eles têm livros nas listas dos mais vendidos e falam de temas variados, de marxismo a futebol e relacionamento amoroso.
Clóvis de Barros Filho é formado em Direito pela Universidade de São Paulo e em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com um mestrado em ciência política na Sorbonne e dois doutorados, um também em Direito na França e em ciências da comunicação no Brasil.
Pesquisou a Constituição de 1988 e o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que realça as importância da prática na vida comum e a construção de representações simbólicas. Ele ministra aulas na USP e na Casa do Saber. Foi coordenador de cursos de mestrados na ESPM por dois anos, entre 2006 e 2008.
Formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), o historiador Leandro Karnal fez doutorado na USP com o tema “formas de representação religiosa no Brasil e no México durante o século 16”. É professor na Unicamp e atualmente é um dos colunistas mais lidos no jornal O Estado de S.Paulo, num espaço que estreou em julho deste ano.
Mario Sergio Cortella é professor na PUCSP, com formação em filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira. Fez mestrado e doutorado pela mesma PUC em “filosofia como produção histórica” e epistemologia, a teoria do conhecimento. É um pensador brasileiro muito vinculado com a questão da educação no Brasil e estuda, desde a graduação, como o liberalismo, o marxismo e a doutrina religiosa se envolvem com a sociedade.
Os três são best-sellers nas livrarias, em obras conjuntas ou em trabalhos separados. “A vida que vale a pena ser vivida” é o livro mais vendido de Clóvis de Barros, com 200 mil exemplares, embora o campeão no mercado seja Mario Sergio Cortella com “Qual tua obra? – Inquietações propositivas sobre ética” na marca de circulação de 500 mil. Leandro Karnal aparece com a obra “Pecar e Perdoar: Deus e o homem na história”, com 20 mil cópias vendidas.
Nascido em Londrina, Cortella se define como um homem de esquerda, é fã do ex-presidente Lula e afirmou no Jornal da TV Cultura que Dilma Rousseff foi a presidente que mais combateu a corrupção.
No Facebook, tem quase 700 mil curtidas e lançou um trabalho recente com Gilberto Dimenstein, o diretor do portal Catraca Livre, sobre curadoria de conteúdo na internet.
O gaúcho Leandro Karnal se define mais como uma pessoa de centro, nem de esquerda e nem dedireita, apesar de criticar os reacionários nas redes sociais e os analfabetos funcionais. Ele escreveu no Facebook em setembro: “Eu dou aula há 34 anos, logo, problemas de interpretação de texto são antigos conhecidos. Hoje encerro o domingo espantado. Escrevi na minha coluna: ‘São os fatos e posições do presente que dizem se Che Guevara foi um herói (o ‘maior homem da história’ para Sartre) ou um canalha assassino (para outros)’. Já recebi mais de cem mensagens gritando e me insultando por eu ‘defender’ Che Guevara. Vários perguntam se eu não sei que ele matou pessoas. Sim, eu sei, provavelmente mais do que os que reclamam! Releio o que eu escrevi 10 vezes para ver se há algo assim. Não encontro. Será analfabetismo galopante, má fé, imbecilidade estrutural ou a palavra Che Guevara interrompe o fluxo neuronial?”.
No Estadão, seus leitores continuaram falando bobagens sobre o texto, mas, nas redes sociais com seus mais de 600 mil fãs, Karnal é querido dos progressistas justamente por ter uma postura ponderada.
Em sua participação mais recente no programa Roda Viva, posicionou-se contra a ideia de “Escola Sem Partido” da direita. Ele também chamou abertamente numa palestra os leitores da revista Veja de “fascistas”.
Clóvis de Barros dá entrevistas à Globo e aos grandes meios de comunicação, mas defende abertamente a leitura crítica de Karl Marx e uma visão crítica sobre os “pobres de direita”. O comunicador conversa com mais de 170 mil seguidores no Facebook.
Segundo a lista de livros mais vendidos da revista Veja em novembro, Karnal e Clóvis de Barros aparecem na quarta colocação entre os livros de não-ficção com “Felicidade ou Morte”. Na sétima posição do mesmo ranking, Karnal e Cortella assinam um livro com o conservador Luiz Felipe Pondé e o jornalista Gilberto Dimenstein chamado “Verdades e Mentiras: Ética e Democracia no Brasil”.
Pondé e Karnal participaram de um Roda Viva com YouTubers e influenciadores digitais. Karnal exemplificou, por exemplo, como é necessário ter alguma leitura antes de manifestar opiniões nainternet.
Karnal, Cortella e Clóvis de Barros fazem palestras que reúnem entre 500 e 3 mil pessoas. As reproduções dos vídeos das palestras na internet reúnem milhões de visualizações.
O sinal mais claro de que eles estão no caminho certo é que Olavo de Carvalho os chamou de “analfabetos funcionais”. Num país que onde energúmenos seguram cartazes onde se lê “Olavo tem razão”, ter este trio fazendo sucesso ao defender um pensamento consistente e progressista é uma luz no fim do túnel.
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domingo, 29 de maio de 2016

Palanque de FHC despenca em Nova York e a LASA, Latin-American Studies Association, em Nova York, faz um vídeo defendendo Dilma e a Democracia usurpada no Brasil




 “A LASA denuncia o atual processo de impeachment em curso no Brasil como antidemocrática e encoraja os seus membros a chamar a atenção do mundo para os precedentes perigosos que este processo estabelece para toda a região. Esta moção foi aprovada pelo comitê executivo da Associação de Estudos Latino Americanos e agora será votado por seus membros em um plebiscito.”

  Vejam o vídeo acima, reflitam, compartilhem!

Palanque de FHC despenca em Nova York 


Por Altamiro Borges


Um dos mentores intelectuais do “golpe dos corruptos” no Brasil, o vaidoso FHC talvez imaginasse que seria recebido como um gênio da política moderna no congresso anual da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA), que ocorre em Nova York. Mas seu palanque foi previamente detonado. Mais de 400 acadêmicos assinaram um abaixo-assinado contra o “príncipe golpista” e anunciaram um protesto no salão do evento. Com medo das vaias, o ex-presidente preferiu desistir da sua palestra. Ninguém acreditaria mesmo nas suas bravatas sobre o “processo legal de impeachment” ou nas suas explicações sobre as alianças com mafiosos para desestabilizar e derrubar a presidenta Dilma.

Sem maior alarde, o jornal O Globo registrou nesta sexta-feira (27): “Após protestos de intelectuais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação numa palestra neste sábado em Nova York sobre a democracia na América Latina. O evento foi organizado pela Associação de Estudos Latino-Americanos em homenagem aos 50 anos da entidade e FH dividiria um painel de debate com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos. Em carta enviada a LASA, a que O Globo teve acesso, FH explicou que desistiu da palestra para não dar discurso às ‘mentes radicais’. ‘Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu’”.

Já a Folha tucana lamentou o episódio: “Alvo de ameaças de protestos contra o seu apoio ao governo do presidente interino Michel Temer, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação num congresso acadêmico em Nova York (EUA). FHC participaria do principal evento do encontro, um debate na manhã de sábado que encerraria o 34º Congresso Internacional da Associação de Estudos Latino-Americanos, no aniversário de 50 anos da entidade”. O jornal da famiglia Frias, que sempre blindou o tucano, deu generoso espaço para a carta do ex-presidente, na qual o cínico arrivista tenta justificar o golpe, critica a “organização criminosa” do PT e ainda ataca, de forma arrogante e rancorosa, os intelectuais que protestaram contra a sua presença no evento.

A conversa fiada do golpista, porém, não intimidou os participantes do congresso. Neste sábado (28), vários participantes usaram camisetas pretas com as inscrições “Brasil, La Democracia de Luto" e "Não ao Golpe" - nesta última, o slogan aparece escrito também em inglês e espanhol. Um manifesto do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) também explicou as razões da revolta: "Respeitamos a decisão da Lasa de convidar a um dos maiores instigadores e incentivadores do golpe no Brasil, porém também convocamos a acompanhar a conferência enchendo o auditório de camisetas pretas em sinal de protesto". O documento contou com a assinatura de 162 membros da entidade e 337 pesquisadores não associados, que solicitaram o cancelamento da conferência de FHC.

O episódio mancha ainda mais a história já apodrecida do velhaco tucano. Ainda sobre o protesto em Nova York, vale conferir o artigo de Paulo Nogueira, no imperdível blog Diário do Centro do Mundo:

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A consagração internacional de FHC como golpista e fâmulo da plutocracia

FHC viveu o bastante - 85 anos até aqui - para ver sua consagração internacional como golpista. E em Nova York, a capital do mundo.

Clap, clap, clap. De pé. Para os responsáveis pelo reconhecimento.

FHC fora convidado para participar de um encontro de cientistas políticos para debater a tão ameaçada democracia na América Latina.

É um mistério o que passou pela cabeça dos organizadores ao chamar o decano do presente golpe no Brasil. É como chamar Alexandre Frota para debater educação. Mas foi brilhante a reação dos cientistas políticos que sabem perfeitamente o papel imundo que FHC representou na trama plutocrata que colocou Temer no Planalto.

Eles prontamente se insurgiram. Diante da insistência da organização em manter FHC, avisaram que respeitavam a decisão. Mas, diante dela, alertaram que iriam comparecer de preto ao seminário em protesto contra um convite tão acintosamente equivocado.

FHC fez o que sempre fez em situações complicadas. Primeiro, se acoelhou. Fugiu da reunião. Depois, produziu uma nota que é sua alma: cínica, hipócrita, mentirosa. Nela, evocou o passado. Disse que foi perseguido pelo golpe de 1964 e coisas do gênero. Acontece que ninguém está falando de 1964, e sim de 2016. Rechaçou que houve golpe com o argumento de que o STF monitorou o impeachment.

Ora, ora, ora. Depois de gravações de conversas que expuseram brutalmente a participação do STF na derrubada de Dilma, ele tem a ousadia de citar os eminentes magistrados? Entre estes se destaca, com seu golpismo explícito, Gilmar Mendes, que foi colocado no STF exatamente por FHC.

Apenas para registro, em 1964 o STF também abençoou o golpe.

Se passado valesse, Lacerda - o maior golpista da história da República - poderia, ao estilo de FHC, dizer que foi integrante do Partido Comunista na juventude para tentar ser absolvido pelo papel vergonhoso que desempenhou repetidamente contra a democracia e a favor dos ricos.

Seja o que for que FHC tenha feito num passado remoto, tudo já foi incinerado pelo que ele é, e não de hoje.

É, numa palavra, um fâmulo da plutocracia.

Lacerda desandou quando passou a falar, demagogicamente, em corrupção para atacar governos progressistas como o de Getúlio e o de Jango. Há quantos anos FHC faz exatamente o mesmo?

Em sua descomunal vaidade, FHC tem a pretensão de ser conhecido - e respeitado - como um homem de esquerda. Ele sabe que cientistas políticos de direita são universalmente desprezados.

Mas ele não é mais que isso: um reacionário, um direitista, um golpista da pior espécie.

Seu julgamento perante a história já foi feito em vida, e ele foi condenado com desonra.

O símbolo disso foram as camisas pretas em Nova York em repúdio a ele.