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domingo, 29 de outubro de 2017

A admiração do matador de Goiânia por Bolsonaro é muito mais que um detalhe da tragédia. Por Kiko Nogueira


"Alvo de bullying, ele encontrou acolhimento não na família, mas no ódio ululante do submundo dos sites de extrema direita, onde Jair é rei."

Do DCM:


O adolescente que matou dois colegas em Goiânia: fã de Trump e Bolsonaro


Não é à toa o fascínio do estudante de Goiânia que matou dois colegas na sala de aula pelo candidato a presidente Jair Bolsonaro.
Alvo de bullying, ele encontrou acolhimento não na família, mas no ódio ululante do submundo dos sites de extrema direita, onde Jair é rei.
Sua psicopatia foi alimentada à base de fake news. Segundo trocas de mensagens às quais a Veja teve acesso, o rapaz tentava, por exemplo, convencer um interlocutor de que o Holocausto era uma fraude dando links de notícias falsas.
“Em um trabalho sobre ética, louvou o regime militar, desenhou suásticas em folhas de caderno e nos próprios braços”, diz a matéria.
Um amigo pediu para ele não discutir esses assuntos em sua casa. ”O quê? Eu discuti com sua mãe comunista? Eu nunca faria isso”, responde o outro.
Adorava Hitler. Na conversa online, “o adolescente também defende outros ditadores (Augusto Pinochet e Benito Mussolini, entre eles) e mostra-se admirador do presidente Donald Trump e do deputado Jair Bolsonaro, a quem chama de ‘futuro presidente’’’.
Ele não está sozinho no Brasil ou no resto do mundo. Muito pelo contrário.
Em janeiro, Alexandre Bissonnette, de 27, assassinou seis muçulmanos numa mesquita em Quebec, no Canadá.
Como o brasileiro, era introvertido, tímido, ridicularizado, branco e de classe média. Refugiava-se na web, onde podia encontrar e expressar ideias radicais.
Os seguidores de Jair Bolsonaro encontram no mito o modelo que almejam.
Inseguros, muitos deles doentes, “ameaçados” por mulheres, homossexuais e “esquerdopatas”, vêem aquele homem gritar que gays deveriam apanhar dos pais em casa, que vai liberar as armas para todo mundo, que os comunistas são o demônio, que segurança pública se resolve na porrada — e isso é música para seus ouvidos entupidos de testosterona.
Em fevereiro, o DCM contou de onde se originava a campanha difamatória contra a deputada Maria do Rosário e sua filha, quando fotos da garota vazaram.
Os caluniadores se reuniam no site 55chan, conhecido por ser um antro com toda sorte de conteúdo racista, homofóbico, militarista, misógino e pornográfico.
Bolsonaro é o messias dessa gente, citado com frequência sob a alcunha “Gibeiranaro”. “Tem que mandar pro Gibeiranaro e para os filhos dele [as imagens da menina]. Aposto como eles estão com o cu coçando”, escreve um sujeito.
Depois da violência em Charlottesville, na Virgínia do Sul, causada por neonazistas, alguns sites da chamada alt-right foram banidos do Google. O Daily Stormer e o Vanguard America, de supremacistas brancos, estavam entre os mais acessados.
Quando se manifestou sobre o incidente, Trump deixou claro que estava protegendo seus eleitores fascistas. “Há culpa dos dois lados”, declarou, acusando as vítimas.
Bolsonaro está em silêncio e assim permanecerá no caso da tragédia em Goiânia. Ele sabe que outros ovos estão sendo chocados.
Como gostam de repetir os bolsominions: é melhor JAIR se acostumando.

A troca de mensagens do jovem que matou os colegas em Goiânia, reproduzida pela Veja

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Marcondes Perillo, governador de Goiás, confirma a tática do PSDB para Educação já mostrada por Richa e Alckimin: usar a PM para agredir estudantes e professores


ESTUDANTES FAZEM SEGUNDO CADEIRAÇO EM GOIÂNIA
Na tarde desta segunda-feira (04), os estudantes secundaristas de Goiânia mostraram para o governo como será o ano de 2016. Importantes vias da cidade foram paradas com um cadeiraço, como a Avenida Perimetral Norte e o Eixo Anhanguera, por exemplo.
A repressão veio forte, na forma de policiais infiltrados. Um deles roubou uma cadeira e uma câmera dos estudantes. Armado, o policial apontou a arma e ameaçou atirar nos estudantes diversas vezes caso não intregassem os objetos que desejava levar. Já os policiais fardados agrediram alguns estudantes com socos e empurrões, tentando evitar que obstruíssem a passagem de uma pequena rua. A polícia também prendeu o carro de som que acompanhava a manifestação, sem nenhum motivo plausível, apenas com a "justificativa" de que o carro estava no protesto. Os policiais esperaram os estudantes se dispersarem para seguirem o carro de som até um local propício e evitar que ninguém pudesse ver a ação.

Apesar de tudo isso, os estudantes não abaixaram a cabeça e percorreram diversas ruas e avenidas da região noroeste de Goiânia, dialogando com a população e deixando claro que os estudantes estão firmes e não vão recuar.