Do Canal de Cesar Calejon:
Do Canal Mundo em Resumo:
O NORDESTE do Brasil está no centro de uma disputa que pode mudar o futuro do país – e do mundo. Portos, ferrovias e bilhões em investimentos transformaram a região em peça-chave do comércio global. De um lado, a China, que avança com força em energia renovável, logística e infraestrutura. Do outro, os Estados Unidos, preocupados em perder influência no Atlântico Sul. A Ferrovia Transnordestina, os portos de Pecém e Suape e os projetos bilionários em energia limpa são apenas a ponta do iceberg. Estamos diante de uma verdadeira guerra silenciosa pelo controle do futuro brasileiro. Mas a grande questão é: o Brasil saberá aproveitar essa oportunidade histórica ou vai se transformar apenas em um campo de batalha entre superpotências? Assista até o fim e entenda por que o Nordeste pode ser o trunfo que vai reposicionar o Brasil no mapa geopolítico mundial.
A rejeição ao governo de Donald Trump entre os brasileiros chegou a 61% em julho, quando ele anunciou um tarifaço de 50% contra o Brasil. A conclusão é da pesquisa Pulso Brasil/Ipespe encerrada na terça-feira (23).
ICL:
A rejeição ao governo de Donald Trump entre os brasileiros chegou a 61% em julho, quando ele anunciou um tarifaço de 50% contra o Brasil. A conclusão é da pesquisa Pulso Brasil/Ipespe encerrada na terça-feira (23). Em maio, a rejeição era de 55%. A aprovação caiu de 39% para 33%.
A pesquisa ouviu 2.500 entrevistados entre os 19 e 22 de julho em todo o país.

O instituto também elaborou um ranking sobre o comportamento de lideranças brasileiras na crise com Trump: 60% responderam que desaprovam as reações de Jair Bolsonaro, contra 32% que dizem aprová-las. O filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é desaprovado por 59% e aprovado por 27%.
O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que se manifestou publicamente a favor das medidas de Trump, foi desaprovado por 46% e aprovado por 32%.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se manifestou a favor das medidas de Trump (Foto: Rede social)
A atuação do governo Lula diante da crise do tarifaço é aprovada pela maioria dos entrevistados. A pesquisa mostra que 50% dos pesquisados aprovam a postura do Executivo e 46% desaprovam.

De acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados afirmam que a proximidade com Trump prejudicará candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. As respostas do governo Lula diante das ameaças de Trump foram aprovadas por 50% dos brasileiros e desaprovadas por 46%.
A maioria dos entrevistados (57%) disse que discorda da revogação dos vistos de entrada de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos Estados Unidos. Outros 37% disseram concordar.
Sobre taxação das big techs, 55% responderam que concordam, enquanto 40% que disseram discordar. O presidente Lula afirmou que a medida está em estudo como represália aos EUA. O presidente é desaprovado por 45%, percentual menor do que o de aprovação, de 50%.
José Luís Fiori aponta que EUA e G7 estão enfraquecidos, mas não devem aceitar perder o poder que exercem há mais de 500 anos
Do Jornal GGN:
Se existe uma certeza em relação ao futuro do cenário global é o de que ele é incerto, tendo em vista o caos, a desordem e o descontrole que o regem. Esta conclusão é do professor José Luís Fiori, Professor emérito dos Programas de Pós-graduação em Economia Política Internacional (IE/UFRJ), e em Bioética e Ética Aplicada (PPGBIOS/UFRJ), da UFRJ.
Tamanho caos é causado, por exemplo, pelo desaparecimento de atores do sistema mundial, que exerciam algum tipo de arbitragem capaz de negociar os crescentes conflitos no mundo, a exemplo de instituições e acordos firmados após o término da 2ª Guerra Mundial e Guerra Fria.
“Espatifaram, estão esvaziadas, não são legítimas, por definição. E a principal potência responsável, em grande medida, ou pela criação ou pela tutela dessas instituições, é hoje a principal contestadora dessas instituições. Não pode haver desordem maior”, aponta Fiori.
Um dos grandes exemplos apontados pelo professor é o G7, composto pelo Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, e cuja participação se justifica porque seriam as sete maiores economias do mundo. “O G7 é uma caricatura grotesca do que eles foram.”Na análise de Fiori, ainda que tais países tivessem grande influência por muito tempo, hoje se mostraram uma organização pouco influente.
Tal percepção ficou clara quando, na semana passada, tais países se reuniram, porém sem grandes debates. Pelo contrário, o que mais havia era embates.
“Em primeiro lugar, eles não são mais as sete principais potências econômicas do mundo. Pelo menos, três outras não estão aí incluídas, entre as dez maiores. Segundo, eles não são, tampouco, as sete maiores economias mais industrializadas do mundo. Terceiro, eles não têm mais acordos sobre a condução da guerra na Ucrânia. Eles não têm acordos sobre a Rússia”, continuou o professor.
“Além disso, o que é quase cômico, o líder, o chefe dos sete que chegou de Boné na reunião com a anunciada ideia de anexar um dos sócios. É a primeira reunião do G7 depois da posse do Trump depois de ele ter anunciado que quer o Canadá e quer a Groenlândia”, emendou Fiori.
O presidente dos EUA foi responsável ainda pela recente guerra tarifária imposta justamente a parceiros que, diante de respostas à altura, obrigaram-no a recuar. “Donald Trump e os Estados Unidos não têm hoje mais o poder que Trump imaginou que teria.”
Segundo Fiori, Trump e sua equipe erraram no cálculo da eficácia da guerra comercial, não conseguiram intermediar o fim da Guerra na Ucrânia, como prometido em campanha pelo presidente ou conseguiram manipular o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. “Aos cinco meses de governo, você ter cinco milhões de pessoas na rua protestando contra você é um sucesso que poucos presidentes conseguem.”
Em contrapartida à desordem interna dos EUA e desarticulação do G7, a China e os países asiáticos se reuniram este mês, durante o segundo Fórum China-Ásia Central, realizado no Cazaquistão. “Não há nenhum conflito. Estão discutindo cooperação, desenvolvimento, não tem ideia de guerra nenhuma.”
Enquanto o G7 não representa mais o poder econômico e político que apresentava décadas atrás, os BRICs formaram um bloco econômico promissor, uma vez que reúnem cinco dos 10 países mais ricos do mundo, somam 45% da população mundial, tem 43% do PIB mundial, 60% das reservas de gás e 50% das reservas mundiais de petróleo, além de deter o controle de terras raras e da produção de alimentos.
“Mas o que que é e, sobretudo, como funciona ou como funcionará uma ordem multipolar? Em princípio, ela soa melhor, ela parece mais democrática do que uma ordem unipolar, com certeza. Mas você não tem nenhuma ideia do que seja ou que possa vir a ser, essa ordem multipolar”, ressalta Fiori.
O que se sabe até o momento é o papel do hegemon, que apesar de passar a impressão de centralidade e estabilidade, é o grande desestabilizador do sistema global ao promover conflitos.
“O Ocidente, o G7, a OTAN, a União Europeia não vão abrir mão do poder que eles conquistaram nesses últimos 500 anos conversando. Não vão”, aposta o professor. “Eles estão vendo isso como uma perda de um poder que eles tiveram e que exerceram de forma implacável em todo o mundo nos últimos 500 anos, usando o seu direito de matar e invadir onde bem entendessem”, conclui o docente emérito.
A análise de Fiori foi compartilhada com os alunos do Ciclo de Estudos Estratégicos – Geopolítica do Século XXI, promovido pela Cátedra Celso Furtado, no auditório da FESPSP, na última terça-feira (17).
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Do Canal de Julien Jubert:
A guerra econômica entre China e México, Canadá versus EUA envolve tarifas, incentivos industriais e disputas comerciais. Washington pressiona parceiros do T-MEC para reduzir laços com Pequim, enquanto China investe no México para driblar barreiras. Canadá enfrenta tensões com os EUA por subsídios e políticas industriais divergentes, afetando cadeias produtivas. E um grande foco, tarifas… Neste vídeo veremos a mídia internacional falando da guerra tarifária entre EUA X CHINA, Canadá, México. Tarifas do TRUMP

Nos EUA não se ouviu uma voz sequer militar. Aliás, a única manifestação foi quando Trump tentou criar um evento em frente a uma Igreja, com a presença inadvertida de um chefe das Forças Armadas. Imediatamente ele se pronunciou contra a manobra. No Brasil, o chefe do Estado Maior se vangloriou com Bolsonaro do apoio que lhe deu.
Cada vez que se levanta a hipótese de Donald Trump melar as eleições americanas, vozes se levantam em todos os cantos para asseverar a importância das instituições.
Durante todo o século 20, o valor das instituições foi um dos pontos centrais do modo americano de se vender ao mundo. Em nome das instituições, Al Gore não rebateu a tentativa bem sucedida de George Bush Jr de ganhar as eleições nos tribunais.
Uma pequena comparação entre os EUA e o Brasil.
1.. Trump se insurgiu contra os resultados. As grandes redes de TV interromperam as transmissões, denunciando a mentira. Próceres republicanos criticaram o presidente. No Brasil, Aécio Neves denunciou os resultados das eleições de 2014. Mereceu ampla cobertura e nenhuma voz do sistema rebatendo.
2. Nos tribunais americanos, as tentativas de Trump tem sido derrubadas. No Brasil, houve direcionamento da análise das contas de Dilma e do PT para um Ministro anti-PT e, durante um mês, tentativa de escandalizar qualquer irregularidade contábil da campanha – até o enquadramento incorreto de máquinas de picar papel em bens duráveis (deveria ser semi-duráveis uo vice-versa). Cada informação, por mais irrelevante, merecia ampla cobertura escandalizada da mídia.
3. Mesmo com o ativismo e o conservadorismo da Suprema Corte, não há sinais de que endosse qualquer tentativa de golpe judicial contra as eleições. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal endossou o golpe do impeachment até o limite da infâmia, de tentar impedir entrevistas de Lula.
4. Com exceção do trumpismo, mídia, políticos, instituições combatem os movimentos de rua e a violência difusa. No Brasil, a mídia conclamou a população a ir para as ruas acelerar o impeachment.
5. Nos EUA não se ouviu uma voz sequer militar. Aliás, a única manifestação foi quando Trump tentou criar um evento em frente a uma Igreja, com a presença inadvertida de um chefe das Forças Armadas. Imediatamente ele se pronunciou contra a manobra. No Brasil, o chefe do Estado Maior se vangloriou com Bolsonaro do apoio que lhe deu.
Nos prints das conversas com Crivella, é possível ver que Rafael se compara ao presidente norte-americano. Como um sobrenome, ao lado de seu nome, no WhatsApp, vê-se o nome Trump: Trump Rafael Alves.
Certo empresário, Rafael Alves, é chamado, agora, de “poderoso chefão”. Ele foi um grande investidor, na candidatura de Crivella, eleito prefeito, no Rio de Janeiro. Como retribuição pelo apoio eleitoral, Rafael Alves teria passado a exercer uma ingerência direta sobre a prefeitura. Em troca, o empresário conquistou o direito a cargos no governo e poder de decisão, na administração pública. Nos prints das conversas com Crivella, é possível ver que Rafael se compara ao presidente norte-americano. Como um sobrenome, ao lado de seu nome, no WhatsApp, vê-se o nome Trump: Trump Rafael Alves.
Todo bolsonarista é americanófilo. Traduzindo: todo adulador de Bolsonaro é adulador dos EUA. A influência dos EUA sobre o Brasil é tão evidente que sua obviedade encarna o próprio americanismo: é uma mediação imediata, uma doutrina com cara de pura prática. E, assim, ninguém nota a fonte mais explícita dos nossos americanalhados.
E Rafael Alves parece ser a peça que faltava para que o modus operandi em que vivemos fosse exposto, completamente. Todo governo, em qualquer país capitalista, do Líbano ao Brasil, tem, ao menos, um “poderoso chefão”. O maior deles chama-se, hoje, Donald Trump. Por enquanto, este “poderoso chefão” apenas muda de nome, mas, sempre, tem sede nos EUA.
Desde 1823, com a chamada Doutrina Monroe, os EUA exigem o mesmo que Rafael Alves: as contrapartidas, por seu apoio. No caso dos EUA, o apoio consiste na proteção militar, em defesa do hemisfério americano. Diante de tamanho gesto, países como o Brasil assume o compromisso de internalizar a política estadunidense, em especial na Guerra Fria, além de destinar sua produção industrial, exclusivamente, para fora do país e, desta forma, assimilar sua condição de dependente.
Assim, vê-se que, desde sua origem, o capital especula também sobre ações políticas. É esta relação, entre mercado e política, a fonte do que alguns especialistas chamam de “corrupção”. Os empresários elegem e, assim, governam. A troca e a relação de troca são a regra, em tratativas que não comportam rigor ético. Se o empresário se frustrar, ele troca, tratando a regra como exceção. Assim, também, a política é criminalizada e o empresário aumenta, ainda mais, seu poder de decisão sobre o voto, antes e depois das eleições. De tal maneira que o poder degenerador do capitalismo é motor para sua própria regenereção.
É, justamente, esta dinâmica, que refletiu o acordo entre EUA e Brasil, em torno do seu processo de redemocratização. Só era possível trocar a ditadura por uma democracia, se ela fosse restrita ao voto. Restrição demarcada no pacto entre Capital – o empresariado – e o Trabalho ou no que alguns preferem chamar de Contrato Social.
Alguns criticaram o pronunciamento de Lula, da semana que passou, por ele não ter falado de um jeito que o povo entendesse. O que parece não terem entendido é que Lula não falava, diretamente, com o povo. Infelizmente, Lula falava com alguns desses “poderosos chefões”.
Mas Lula, auto-proclamado o maior conciliador de classes do mundo, frustrou os EUA (irmãos Koch, XP investimentos, BTG-Pactual, Google e demais famílias). Parece que, agora, conciliar interesses não é mais interesse dos norte-americanos. A fórmula lulista parece ter esbarrado em um limite.
Alguns dizem, porém, que não há alternativa, a não ser repetir a equação. Talvez, seja este um método perverso de que somos vítimas: o de transformar restrição em sonho. Assim, o pragmatismo, que marca o americanismo, pode ter mediado, ao longo da história brasileira, a própria esquerda. Se Huntington cunhou o termo “democracia viável”, é preciso pensarmos, em que medida, este modelo imposto pelos EUA não moldou, também, a esquerda brasileira e, junto com isto, semeou a fragmentação neste campo. Dividida entre voluntaristas e reformistas, a esquerda se autofagocita, entre: 1) de um lado, a crença absoluta na vontade política e 2) de outro, uma resignação com face de lucidez radical. Esta divisão é a que paira sobre candidaturas que parecem nos trazer de volta o novo, mas, que, de novo, podem devastar, ainda mais, a política, refém de um “poderoso chefão”.
Este é o desafio da repetição. Somos formados, repetindo práticas, repetindo gestos, repetindo falas. Mas há repetições que são, de fato, a reprodução do mesmo, ainda que aparentem, muitas vezes, algo novo. E há repetições que são insistências libertadoras. Quando Bolsonaro nos dá a estranha sensação de estarmos revivendo o passado, ele não deixa de estar sendo verdadeiro. Isto porque seguimos na mesma luta. O inimigo de Bolsonaro são os comunistas. E, de fato, o são. De Bolsonaro e dos EUA. São eles a real ameaça. No entanto, o medo, que nossos algozes sentem, tornou-se medida de valor de nossa própria maturidade.
Na vergonhosa reunião com ministros – bem lembrada por Celso de Mello – Bolsonaro disse que temia ser preso, temia ter de fugir do país. Quem sabe está aí a dica do presidente para que, desta vez, façamos algo de novo, repetindo, de forma diferente? Deste modo, quem sabe, não precisaremos reviver o terror para, só assim, entendermos que o fascismo é a face mais radical do liberalismo.



