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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Opinião do Luis Nassif: permanência do Temer e seus comparsas é humilhação para o país. Golpistas querem impedir o Diretas Já!



Elite precisa decidir logo pela saída de peemedebista, se quiser evitar a união dos brasileiros por Diretas Já 

GGN.- Nos próximos dias vai esquentar mais ainda o clima político. Todas as carta estão na mesa: de um lado, nesse domingo, o presidente Michel Temer fez uma troca de ministros nas direções da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério da Justiça. O Torquato Jardim, que estava na direção do primeiro órgão, foi para o Ministério da Justiça, e o Osmar Sarraglio, que estava na Justiça, foi para a CGU. Evidentemente que essa manobra é para enquadrar a Lava Jato.
Por outro lado, os procuradores e policiais federais da Lava Jato, avançaram nos últimos dias em áreas absolutamente sensíveis ao presidente Michel Temer. Foram até a casa do Coronel da Polícia Militar aposentado, Lima Filho, amigo de Temer, levantaram várias informações, apreenderam documentos, computadores. Chegaram até o senador Aécio Neves e levantaram nas casas dele, no Rio e em Brasília, materiais. E temos ainda o Aécio com aquela genialidade de quem se considera inimputável. 
Aécio 
Você tinha no mesmo material, contra Aécio, documentos do Norbert Muller, doleiro do Rio de quem, anos atrás, o Ministério Público e a Polícia Federal levantou uma conta do senador em Liechtenstein, através de uma offshore das Ilhas Virgens e isso aí foi abafado pelo Ministério Público Federal, na Procuradoria Geral da República, pelo então procurador Roberto Gurgel, depois pelo Rodrigo Janot, até recentemente. Nas provas divulgadas pela PGR, teve grampo com o Aécio, documentações, um conjunto de fatores aí que vai levar até Temer e, possivelmente, até Gilmar Mentes, ministro do Supremo Tribunal Federal. 
Gilmar Mendes 
Gilmar foi apanhado em uma gravação. Ontem a Folha de São Paulo levantou que a sua família fornece gado para a JBS. Até aí, tudo bem, graças ao BNDES, o frigorífico ganhou um poder de monopólio em diversas regiões do país levando os produtores a ficarem à mercê dele. O que tem que se explicar é a quantidade de patrocínios que a JBS dava para os eventos do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do ministro Gilmar Mendes.
Então temos todos esses fatores para explodir proximamente. É evidente, ainda mais com a retaguarda da Rede Globo, que a Lava Jato vai começar a soltar mais informações sobre o Temer. 
Padilha, el benefactor 
O que saiu até agora, em qualquer país sério seria o fim do presidente da República. Estamos falando de um presidente que levou para dentro do Palácio do Planalto seus quatro operadores privados, aqueles que atuavam diretamente com ele, independentemente dos parceiros políticos, que estavam dentro também, como Eliseu Padilha, Moreira Franco. 
A permanência do Temer é uma humilhação para o país. Os jornais, como grupo Bandeirantes, Folha de S.Paulo, Estadão, dependendo dessas campanhas de publicidade, gerenciadas pelo Eliseu Padilha, que se transformou em uma espécie de el benefactor, o benfeitor da mídia. 
Folha e Estadão
Mas isso é extremamente grave. A Folha, por exemplo, que se consagrou a partir dos anos 1990 em defesa das diretas, assume a defesa das indiretas agora e, mesmo assim, é o jornal que tem sido um pouco mais equilibrado, porque o restante é tudo ordem unida. No Estadão, um dos grandes analistas que permanece não tem espaço mais. Hoje você critica um ato de governo ali, depois você elogia. Dentro de uma mesma política de governo você faz a seleção do que é positivo e do que é negativo. Então temos agora a imprensa pagando o preço mais alto da sua história, porque está bancando perante os seus telespectadores, ouvintes e leitores o governo mais impopular e mais corrupto da história. 
Então vamos ver as consequências disso, com as manifestações das Diretas Já desse domingo, um evento significativo no Rio de Janeiro. 
Desqualificação das Diretas por Celso de Mello
É interessante pessoas como o Ministro Celso de Mello, ou como jornalistas, sem nenhuma formação jurídica, ou mesmo política, tentando desqualificar as Diretas, afirmando que não é o momento. Não é momento para quem? Era o momento de tirar o voto popular, quando a Dilma saiu, mesmo com todos os erros dela? Ela tinha sido eleita dentro de uma proposta de projeto de país, que ela negou no primeiro momento que assumiu o segundo mandato. Mas, com o impeachment, entrou Temer com um grupo de parlamentares que, comprovadamente, fazem parte de uma bancada corrupta, financiada por Eduardo Cunha e Temer, e que impôs um conjunto de reformas que é contra a maioria absoluta da população! Então como achar que isso é legítimo? 
Fora Temer unindo o país 
Vamos ter nos próximos dias um jogo pesado, e muito animado, mas a única coisa que tem unanimidade, que não dá para aguentar nem a porrete é a permanência do Temer. Não gosto de apelar para a adjetivação forte, mas neste caso é uma quadrilha que se apossou do poder. A primeira demonstração de reação de anticorpo brasileiro foi quando o Janot, finalmente, através da JBS, chegou em Temer e sua equipe. 
O que está segurando peemedebista até agora é a falta de consenso sobre o momento seguinte. Então que acelerem aí porque, em pouco tempo, vocês vão ver aí MST e MBL juntos contra o Temer e contra essa quadrilha que se apossou do país. 
Foto: Brasil de Fato - Protesto Fora Temer no Rio
Foto: Brasil de Fato
Protesto Fora Temer no Rio

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Bob Fernandes: Eduardo Cunha, seu momento Supremo, e a história...



"Há um ano e meio Eduardo Cunha pilotou na Câmara uma Contra Reforma Política. Piorou o que já era péssimo.
Fez porque contou com apoio, ou silêncio cúmplice. Não apenas das ruas. Apoio mesmo daqueles que sabiam quem e o que Cunha era e representa.
Silêncio por falta de informação, ingenuidade, omissão. E pelo desejo dos que queriam enterrar governo e PT a qualquer custo."




Negociações para delações. Emílio, pai de Marcelo, diz que Itaquerão foi presente da Odebrecht para Lula.
O Cavalo de Tróia ou, como se diz, "um presente de grego"... O Corinthians deve, e terá que pagar, mais de R$ 1 bilhão pelo Itaquerão.
Nas prévias para delação a Odebrechet já citou também Temer, Serra, Mantega e Palocci, Romero Jucá, Moreira Franco e Geddel, entre outros mais e menos votados.
Se quiserem, outra delação parece inevitável: a de Eduardo Cunha. Embora muitos sejam contrários e alguns, de maneira reveladora e risível, esperneiem.
Cunha é inteligente, embora temerário. Homem que calcula, desde o surgimento das suas contas suíças sabia que seria preso se perdesse o mandato.
Calculista, planejador, sempre pensando no futuro, Cunha tinha múltiplas armas. Inclusive tecnológicas. Também por isso o pânico desatado por sua prisão.
Se chegar à delação, Cunha entregará calculando. Poupará não apenas os fiéis. Também quem possa ajudá-lo no momento ou num Poder futuro.
Se alguém o procurou prometendo, por exemplo, votos no Supremo, Cunha terá como revelar tal história.
Pouco importará se o vendedor de supostos votos Supremos falava por si mesmo ou por quem anunciava falar: bastará o estrago, a habitual condenação prévia nas manchetes.
Há um ano e meio Eduardo Cunha pilotou na Câmara uma Contra Reforma Política. Piorou o que já era péssimo.
Fez porque contou com apoio, ou silêncio cúmplice. Não apenas das ruas. Apoio mesmo daqueles que sabiam quem e o que Cunha era e representa.
Silêncio por falta de informação, ingenuidade, omissão. E pelo desejo dos que queriam enterrar governo e PT a qualquer custo.
Pouco importou e importa que fatos e delações já implicassem, impliquem na corrupção também a oposição e aliados.
Como pouco importava se o futuro seria construído com também atolados em propinodutos variados.
Por isso Cunha mandou e desmandou com escassas oposição e fiscalização. E mandou com os "Movimentos" a favor e sem panelas contra si.
Eleito presidente da Câmara, homem que calcula e planeja, Eduardo cunhou uma senha. Logo no primeiro dia prometeu:
-Aborto... e regulação econômica da Mídia só por cima do meu cadáver.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Temer inicia caça as bruxas contra magistrados que se opuseram abertamente contra o impeachment (ou melhor, Golpimchement)




por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho
Um amigo me envia artigo do jornal O Dia — aliás um que deveria ler com mais frequência, pois no Rio de Janeiro talvez seja o único que não se alinhe ao pensamento único imposto pela Globo e adjacências — com uma denúncia gravíssima: o governo Temer já iniciou uma perseguição ideológica contra magistrados e servidores públicos que se manifestaram abertamente contra o golpe, a favor da democracia e do respeito à constituição.
Quem alerta para o perigo de um caça as bruxas é o juiz Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, homem respeitado no meio jurídico. Não é nenhum 'ativista de esquerda' ou petista, como a grande imprensa costuma acusar os detratores de Michel Temer e sua trupe.
Nas palavras do próprio Darlan, a impressão é de que o governo interino quer um 'rebanho de ovelhas amestradas' e bem comportadas. Nada de manifestações "político-jurídicas" contra os abusos cometidos pelos golpistas, desrespeitando os preceitos da constituição brasileira.
Para macular a honra daqueles que se opuseram aos abusos cometidos contra a presidenta Dilma Rousseff já há servidores públicos respondendo por 'processos constrangedores', acusa Darlan. O objetivo é uma 'punição exemplar' nos mais subversivos, para que ninguém mais se arrisque a perder o cargo ou uma promoção apenas por se opor ao processo de impeachment.
Abaixo segue o artigo do juiz Siro Darlan, publicado ontem no jornal O Dia
***

Siro Darlan: Tempo de intolerância

A caça as bruxas já começou, e aqueles que pensam diferente que se acautelem
no O Dia
O planeta está andando na contramão. Os estudantes ocupam as escolas e a polícia os expulsam. Mais da metade da população é de mulheres, e nenhuma representação feminina no primeiro escalão do governo interino. O Brasil precisa de educação e cultura para seu desenvolvimento civilizatório, e o governo provisório, sob a tutela do Judiciário, tenta extinguir o Ministério da Cultura — no que teve de recuar.
A fogueira está novamente armada para queimar livros e pessoas. O recado da grande mídia e do poder financeiro, articuladores dessa nova ordem social, é de que a violência recrudescerá. Por outro lado, o povo, já experiente com governos de exceção, não está disposto a enfrentar outro regime de força e resistirá. A caça as bruxas já começou, e aqueles que pensam diferente que se acautelem.
Já há servidores públicos sendo processados por haverem se manifestado a favor da manutenção da democracia e do respeito à Constituição. A cultura para essa gente é um risco porque o povo pode entender que o seu papel não é o de bobo da corte, mas protagonista das mudanças. E isso é muito subversivo. Assim como o juiz que não reza conforme a cartilha pode ter sua toga maculada através de processos constrangedores e “punições exemplares”, o recado será dado para os demais.
Aqui nesse rebanho, só ovelhas amestradas! Aqueles que posam de toga, que é o símbolo da autoridade do juiz que somente pode trajar em atos oficiais, não estão fazendo uso político desse símbolo, porque todos fazem parte do rebanho.
Outras manifestações fora do ‘Índex’ são consideradas politico-partidárias, e o inquisidor instaura o ‘Auto de Fé’ e, pronto, o indiciado já está apto para vestir o ‘sambenito’, ficando conhecido por suas opiniões e decisões independentes como um herege. Contudo, o sistema segue na mesma direção, e, assim como tantos outros foram vencidos, e o céu voltou a brilhar, “Amanhã será um novo dia” e a arte e a Justiça triunfarão.
Siro Darlan é desembargador do TJ e membro da Associação Juízes para a Democracia