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sábado, 30 de abril de 2022

Relatório internacional alerta para uma versão fascista ainda “mais extrema” do caso Capitólio no Brasil

 

Assim como Trump, Bolsonaro tem procurado justificativas para contestar resultado eleitoral mesmo antes da votação


GGN. - As preocupações com o respeito às normas democráticas e outros pontos tem avançado conforme as eleições presidenciais se aproximam no Brasil, e tanto a derrota como uma eventual reeleição de Jair Bolsonaro não só afeta o país como outros países da América do Sul.

Tais preocupações constam de relatório elaborado pelo Washington Brazil Office, uma instituição independente que conta a participação de entidades como Greenpeace, APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Geledés, Instituto Marielle Franco, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Instituto Vladimir Herzog, entre outras.

A entidade alerta que Bolsonaro tem procurado qualquer tipo de justificativa para contestar os resultados da disputa eleitoral de outubro, mesmo antes de a votação ocorrer.

“Ele (Bolsonaro) continua fazendo isso porque Luiz Inácio Lula da Silva recuperou seus direitos políticos e está liderando as pesquisas na corrida eleitoral”, diz o documento, ressaltando que o atual presidente pode não aceitar os resultados da votação, assim como seu aliado Donald Trump fez nos Estados Unidos em 2020.

“Bolsonaro está criando condições para um ambiente eleitoral muito instável e, se ele perder, o mundo deve ter em mente o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA e deve estar preparado para testemunhar uma versão provavelmente mais extrema no Brasil”, alerta o dossiê, pedindo o fortalecimento das articulações que venham a garantir a liberdade de expressão como valor indispensável para o exercício da democracia.

O documento destaca ainda os ataques feitos “consistentemente” pelo governo Bolsonaro à democracia, liberdade de expressão e os direitos humanos, além do avanço da agenda pró-desmatamento e dos ataques às comunidades indígenas e quilombolas.

“Desde que assumiu o cargo, em 2019, o presidente Bolsonaro colocou em prática políticas que revelam os antidireitos, tendências antiambientais e autoritárias que ele manifestou publicamente desde a época em que foi um congressista”, diz o dossiê.

Enquanto isso, as taxas de desemprego atingiram máximas históricas no último ano, e a fome voltou a fazer parte da realidade de milhões de brasileiros, com o país de novo a figurar no Mapa Mundial da Fome sete anos após sua remoção. O dossiê destaca ainda que, se reeleito, “a má gestão econômica de Bolsonaro continuará prejudicando milhões de vidas no Brasil”.

Confira abaixo a íntegra do relatório divulgado pelo Washington Brazil Office.

sábado, 31 de julho de 2021

Jair Messias do Mal deixa claro: dias piores virão. Artigo de Eric Nepomuceno

 

"Não resta outra certeza: com a tresloucada besta-fera sem freios nem amarras, dias piores virão. E serão cada vez piores. Não é só a democracia que está em risco: é tudo", escreve o jornalista Eric Nepomuceno


Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Não adianta tentarem segurar a besta-fera: Jair Messias renova e reforça a certeza de que desconhece qualquer limite, que não tem sequer vestígio de equilíbrio e de bom senso.

Se na ditadura que ele tanto admirou e admira um dos lemas ufanistas era “ninguém segura este país”, nos dias de hoje o lema esclarecedor é “ninguém segura este desequilibrado”.

O tal Centrão, alugado por ele, bem que sugeriu modos minimamente aceitáveis. Em vão. E enquanto isso, o Brasil se faz mais e mais pária no cenário externo, e mais e mais destroçado no cenário interno.

Dez organizações de defesa do meio-ambiente, inclusive a mais influentes, publicam no “Le Monde” um chamado para que sejam suspensas importações francesas de produtos oriundos da região amazônica e do Pantanal devastadas por incêndios criminosos incentivados pelo governo brasileiro. Movimentos similares ocorrem na Áustria, na Holanda e em regiões da Bélgica.  

O governo de Jair Messias ignora olimpicamente essa e, aliás, todas as iniciativas e denúncias semelhantes.

Quase 15% da mão de obra brasileira está desempregada, e outro tanto mantêm, a duras penas, trabalhos precários. Ao menos 44% da população, o que significa cerca de 92 milhões de brasileiros, não chega a consumir o mínimo de alimentos diários recomendados por cientistas e especialistas. E pelo menos outros oito milhões passam diretamente fome.  

As imagens de famílias formando longas filas nas portas de açougues em Cuiabá à espera de receber tocos de osso de vaca é exemplar. Em outras cidades brasileiras, há os que conseguem algo mais: comprar pés de galinha e frango. É o que de mais próximo a carne conseguem ter.  

Dois presidentes de países lusófonos, Portugal e Cabo Verde, comparecem à reabertura do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. E cadê o presidente do país anfitrião?  

Desfilando sua irresponsabilidade criminosa num passeio de moto, claro que sem máscara e sem nenhum cuidado preventivo por mais mínimo que fosse. São mais de 555 mil vítimas da pandemia, do atraso nas vacinas, do esvaziamento do sistema público de saúde, das manipulações e da corrupção levada a cabo por militares incrustados no ministério da Saúde.  

E daí? Tanto choramingar não leva a nada, só complica a vida.

Um incêndio criminoso, cujos responsáveis são Abraham Weintraub, hoje refugiado em Washington para escapar da Justiça brasileira, e Mário Frias, secretário Especial de Cultura, destrói parte do acervo da Cinemateca Brasileira. E o presidente não é capaz de um gesto, uma palavra, nada, só o silêncio que não esconde que, para ele, foi apenas um foguinho a queimar papéis velhos.

Depois de disparar saraivadas de mentiras e cretinices na noite de quinta-feira, Jair Messias aproveita o sábado para repetir ameaças e, claro, expelir mais e mais mentiras e estupidezes de grandiosidade solar.

Não dá para dizer que Jair Messias perdeu a noção do absurdo e do ridículo porque ninguém perde o que nunca teve.

Não há nada que seja capaz de deter essa avalanche de absurdos e de crimes concretos, descritos nos códigos penais e, em alguns casos, na própria Constituição. Ninguém se atreve.

Portanto, não resta outra certeza: com a tresloucada besta-fera sem freios nem amarras, dias piores virão. E serão cada vez piores.  

Não é só a democracia que está em risco: é tudo.