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segunda-feira, 14 de março de 2016

Jornal alemão Die Zeit afirma que a política brasileira é melhor que a da série House of Cards e aponta a oposição a Dilma Rousseff como hipócrita


  Para o autor, a única coisa que falta nessa história da política brasileira é uma moral. "Claro que se pode afirmar categoricamente – como fazem alguns manifestantes por esses dias – que todos os políticos suspeitos de corrupção deveriam ser varridos para fora. Mas aí não sobraria quase ninguém em Brasília. A única possível exceção seria justamente Dilma Rousseff."





Jornal GGNEm reportagem publicada nesta semana, o jornal alemão Die Zeit diz que a atual crise política brasileira é melhor que a série House of Cards, produzida pelo serviço de streaming Netflix e que trata da política nos Estados Unidos. Segundo o correspondente Thomas Fischermann, os acontecimentos dos últimos meses são "cheios de aventuras" e são fora do normal até mesmo para os padrões brasileiros.
A reportagem fala que a oposição tenta, desde as eleições de 2014, derrubar a presidente Dilma e incriminá-la no escândalo da Petrobras. "Nem mesmo as determinadas equipes de promotores nem a imprensa investigativa (frequentemente ligada à oposição, pois financiada por oligarcas) conseguiu comprovar algo de concreto", afirma Fischermann. Ele comenta também as ações da Justiça contra o ex-presidente Lula e até lembra da polêmica do "Mark e Hegel" no pedido de prisão formulada por promotores do Ministério Público de São Paulo. Leia mais abaixo:
Da Deutsche Welle
Por que alguém se interessa pela série americana se existem as notícias da política brasileira, questiona o semanário "Die Zeit". "Nessa história cheia de aventuras só falta mesmo uma moral", afirma.
Reportagem publicada esta semana pelo jornal alemão Die Zeit compara a atual crise política brasileira com as intrigas da série americana House of Cards, onde o inescrupuloso político Frank Underwood faz de tudo para acumular e manter poder, chegando até a presidência dos EUA.
"Por estes dias, é difícil entender por que ainda há pessoas que se interessam por House of Cards. Elas não acompanham as notícias da política brasileira?", pergunta o correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Thomas Fischermann.
"Há um promotor que quer meter na cadeia um ex-presidente, cuja metade de sua equipe já está atrás das grades. Um presidente parlamentar que teria colocado milhões em propinas em contas na Suíça, mas que, mesmo assim, continua no cargo e, com acusações de corrupção, quer afastar outros políticos do poder. E há protestos nas ruas, nos quais pessoas pedem o retorno da ditadura militar. Elas dizem: num sistema político falido como esse, qual a diferença?", diz a reportagem.
Em seguida, Fischermann lembra que, recentemente, a revista americana Americas Quarterlycomparou a crise política brasileira com a popular série do serviço de streaming Netflix – e concluiu que a política brasileira é bem mais interessante. Desde então, mais coisas aconteceram, escreve o jornalista. Segundo ele, os acontecimentos "cheios de aventuras" dos últimos dias são fora do normal até mesmo para os padrões brasileiros.
A reportagem afirma que a oposição tenta, desde a eleição de outubro de 2014, derrubar Dilma e tentou incriminá-la no escândalo da Petrobras. "Só que, para decepção deles, Dilma não tinha nada que ver com isso", escreve o correspondente.
"Nem mesmo as determinadas equipes de promotores nem a imprensa investigativa (frequentemente ligada à oposição, pois financiada por oligarcas) conseguiu comprovar algo de concreto. E isso não se deu por falta de afinco", afirma.
Em seguida é relatado o andamento do processo de impeachment, o "bloqueio total do parlamento pela oposição" e as recentes ações da Justiça contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reportagem lembra até a polêmica nas redes sociais por causa da equivocada referência a "Marx e Hegel" no pedido de prisão preventiva de Lula.
Para o autor, a única coisa que falta nessa história da política brasileira é uma moral. "Claro que se pode afirmar categoricamente – como fazem alguns manifestantes por esses dias – que todos os políticos suspeitos de corrupção deveriam ser varridos para fora. Mas aí não sobraria quase ninguém em Brasília. A única possível exceção seria justamente Dilma Rousseff."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Temer a estúpida carta de um Conspirador?


"Temer é um “profissional”, que se preparou a vida toda pra ter o poder total. Só pensa nisso, só respira poder. Agora, Temer e Serra jogam juntos e percebem a chance de subir no cavalo do golpe – sem conseguir um voto popular. Usando o atabalhoado e vingativo Eduardo Cunha…" 

Quem é o verdadeiro Underwood?
Quem é o verdadeiro Underwood?

Temer, o capitão do golpe, partiu pro tudo ou nada: a carta de um conspirador


por Rodrigo Vianna - Portal Fórum
O ritmo da política se acelera. Nos últimos cinco dias, era evidente que Michel Temer conspirava. Pra não falar dos últimos cinco meses…
Em meio ao pedido de impeachment contra Dilma, feito por um aliado dele (Eduardo Cunha), Temer correu para o berço do golpe: São Paulo.
Encontrou-se com Alckmin, e conspirou com Serra – que hoje deu entrevista à “Folha” dizendo que tudo ficará mais fácil se o PSDB for para um governo Temer e se o mesmo prometer que, em 2018, não tentará a presidência de novo (deixando caminho livre para os tucanos).
Já era visível que Temer era o capitão do golpe – como disse Ciro Gomes. Mas, no PT e no governo, alguns ainda se iludiam: “não podemos ter o Temer contra nós, precisamos trazê-lo pro nosso lado”. Ah, quanta credulidade.
"A carta está bonita, mas faltou uma frase em latim, bem aqui"
“A carta está bonita, mas faltou uma frase em latim, bem aqui”
Temer é um “profissional”, que se preparou a vida toda pra ter o poder total. Só pensa nisso, só respira poder. Agora, Temer e Serra jogam juntos e percebem a chance de subir no cavalo do golpe – sem conseguir um voto popular.
O vice Michel Temer enviou hoje para a presidenta Dilma uma “carta pessoal”. Cheia de mágoas. Carta de pré-rompimento. Uma espécie de “carta-testamento” do golpe (clique aqui para ler a carta na íntegra.)
Na verdade, um sinal claro que ele envia ao PSDB de um lado (“sigam na aventura”) e ao PMDB de outro (“chutem o Picciani que apóia a Dilma, e façam o impeachment”).
A carta de Temer é o pulo do gato de um vice “constitucionalista”, que se transformou em golpista barato. É a ante-sala do golpe.
Nos últimos dias, começava a vingar a imagem de Temer como um oportunista e conspirador. A carta, escrita por ele, e provavelmente vazada por seus assessores para a imprensa, é agora usada para que Temer faça biquinho: “escrevi carta privada, e ela vaza; Planalto feio e malvado”.
Mas o vice tem outros motivos para dar o pulo do gato agora. Em menos de 3 meses, a Lava-Jato pode abrir espaço para novas delações de empreiteiros que “confessariam” ter doado dinheiro à chapa Dilma/Temer pra garantir no futuro contratos com estatais. É o que se diz nos bastidores da operação.
Essas delações abririam espaço para a contestação da chapa Dilma/Temer (e não só de Dilma) no TSE. É esse o caminho que interessa a Aécio e Marina: cassação no TSE de Dilma/Temer, seguida de novas eleições. Se isso ocorrer, Temer deixará de ser “alternativa de poder”, e precisará se defender em parceria com Dilma. Ou se safa junto com a Dilma, ou cai junto com ela.
Portanto, a hora de Temer é agora. Ou Temer age agora e dá o golpe contra Dilma, ou perde o bonde.
Muita gente via em Eduardo Cunha a personificação de Underwood (o ambicioso da série “House of Cards”, capaz de qualquer coisa pra chegar ao poder).
Mas o Underwood  tupiniquim talvez seja outro. O Underwood parece ser aquele a quem uma vez ACM chamou de “porteiro de hotel em filme de terror”.
O filme de terror começou. Mas o papel de Temer não é mais de porteiro. Ele quer o estrelato. Com os votos de Dilma, virou vice. Traindo a presidenta, pode ficar com a cadeira para a qual não foi eleito.
As próximas horas serão decisivas para se saber se Temer deu o bote na hora certa, e se conseguirá derrubar o líder do PMDB Picciani, e assim abrir caminho para aprovar o impeachment.
Muita gente no PT se apavorou com a carta do vice. Mas a hora não é de medo.
Do outro lado, há dois “profissionais”: um, atabalhoado e afoito, é o Cunha; o outro, discreto e muito mais perigoso, é o Temer.
Temer e Cunha são hoje um único corpo.
O golpe de Cunha é hoje o golpe de Temer e do PSDB.
Como disse hoje uma amiga bem-humorada: o Brasil está prestes a virar a “House of Temer”.