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domingo, 18 de julho de 2021

El País sobre descobertas da CPI da Covid Pandemia: Coleção de coronéis e reverendo protagonizaram negociação de vacina que não existia com Ministério da Saúde

 

Representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho diz na CPI da Pandemia que foi procurado insistentemente pela pasta para negociar imunizantes e desvela uma rede de mediadores em um negócio bilionário de fármacos que ninguém tinha para entregar

El País:

Reportagem de Beatriz Jucá, Marina Rossi e Carla Jiménez

Cristiano Carvalho, representante da Davati Medical Supply no Brasil, durante depoimento à CPI da Pandemia.ADRIANO MACHADO / REUTERS

Vários coronéis, um reverendo e uma entidade com forte presença militar acusada são citados na teia de negociação de vacinas contra a covid-19 supostamente superfaturadas e que sequer existiam. Este é o roteiro inusitado que desponta do depoimento do representante da empresa americana Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, à CPI da Pandemia nesta quinta-feira (15). Ele contou aos senadores que não procurou o Ministério da Saúde para negociar imunizantes, mas foi inusualmente procurado pelo órgão, quando passou a dar atenção ao assunto. Revelou ainda que grande parte da cadeia de comando da pasta ―incluindo vários militares de dois grupos distintos― participou das conversas que visavam a aquisição de 400 milhões de doses da AstraZeneca e que depois foram levadas ao centro de denúncias de corrupção. O depoimento do Carvalho empurra ainda mais os holofotes para a participação de militares nas negociações de vacinas com suspeitas de irregularidades.

Carvalho desvelou no seu depoimento uma rede de mediadores em um negócio bilionário de venda de imunizantes que ninguém tinha para entregar. A AstraZeneca sustenta não ter intermediários no país e, nesta semana, a Davati admitiu que não tinha doses à mão, conforme disse o dono e presidente da empresa, Herman Cardenas, à Folha de S. Paulo. Segundo ele, o que havia era uma promessa de alocação das vacinas feita pela companhia de um médico americano junto à AstraZeneca. Cardenas, porém, não deu nomes alegando sigilo contratual.

No depoimento, Carvalho disse não ter participado do jantar em um shopping de Brasília no qual supostamente o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, teria pedido propina de um dólar por dose ao policial militar e vendedor da Davati, Luiz Paulo Dominguetti. Mas confirmou ter sido avisado sobre um pedido de “comissionamento extra” ―ou seja, propina― pelo grupo do ex-servidor e militar reformado, coronel Marcelo Blanco, que assessorava Roberto Dias no Ministério da Saúde. O ex-diretor do departamento de Logística nega as acusações. Aos senadores, Carvalho disse que não foi informado sobre valores e que não foram feitos pedidos de propina diretamente a ele. Afirmou ainda que Blanco, ex-servidor da Saúde, que abriu uma empresa de insumos hospitalares e que teria lhe dito que agora estava negociando vacinas com a pasta, parecia atuar ainda como auxiliar de Roberto Dias mesmo já tendo sido exonerado.

Novos militares e entidade na negociação

Carvalho adicionou novos personagens na trama e deu força à tese da existência de dois grupos em disputa dentro do Ministério da Saúde que atuavam na negociação de vacinas: um ligado ao coronel Marcelo Blanco e a Roberto Dias, e outro ligado ao coronel Élcio Franco, na época secretário-executivo do Ministério da Saúde, cargo abaixo apenas do de ministro. Ambos os grupos teriam uma forte presença de militares. O representante da Davati contou que foi pela primeira vez ao ministério em 12 de março deste ano, levado pelo coronel Helcio Bruno Almeida, presidente do Instituto Força Brasil (IFB). A entidade, segundo ele, era o braço utilizado pela ONG Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), do reverendo Amilton Gomes, para chegar ao alto escalão da Saúde. A Senah teria tido o aval do Governo para negociar as 400 milhões de doses com a Davati e Carvalho apontou que caberia a ela também dar a segurança jurídica ao processo de venda dos imunizantes, já que a empresa americana Davati sequer tem CNPJ no Brasil.

Carvalho ainda diz que foi o Instituto Força Brasil que fez a ponte entre o representante da Davati e o coronel Elcio Franco, então número 2 do Ministério da Saúde. O IFB se apresenta como um instituto sem fins lucrativos, que trabalha dentro dos valores conservadores e cristãos, tanto pela bandeira pró-armas como pela defesa da vida e da família. O vice-presidente da instituição é o empresário Otávio Fakhoury. Mas, segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a instituição patrocina um conjunto de contas em redes sociais investigadas no inquérito das fake news. Uma delas seria a página Crítica Nacional, que de acordo com Randolfe, propagou notícias falsas sobre o uso de máscaras e a vacinação, especialmente contra a Pfizer.

O IFB, por sua vez, diz que tem civis e militares em seus quadros e que atua de forma transparente e em defesa à vida, inclusive com ações de Saúde. Também nega ter parceria com a Davati. De acordo com Igor Vasconcelos, diretor jurídico do Instituto Força Brasil, eles foram procurados pelo reverendo Amilton para ver os caminhos que ajudassem a chegar ao Ministério da Saúde com a proposta da vacinas da Davati. “Tudo que for a respeito da defesa da vida a gente tenta ajudar”, disse Vasconcelos à reportagem. Segundo ele, o presidente do IFB, o coronel Hélcio Bruno, jamais havia tido contato com o coronel Élcio Franco antes. “Fizemos a reunião, que foi rápida. Esperamos bastante para sermos atendidos. Existe ata da reunião, inclusive”, diz ele, lembrando que o IFB não debate preços.

O foco do grupo, contudo, era a possibilidade “de que o mercado brasileiro fosse atendido por uma expressiva quantidade de vacinas, em curto prazo, e que este número seria suficiente para alcançar, inclusive o setor privado (objeto da audiência), aliviando a forte demanda do produto”, disse a empresa em nota distribuída à imprensa. “Tratamos assuntos relacionados à vacinação com a secretaria-executiva, principalmente no sentido de aperfeiçoar a legislação que facilitava a vacinação por empresas privadas, com vistas a acelerar a imunização da classe trabalhadora e liberá-las à produção”, segue a nota, assinada pelo coronel Helcio Bruno. Embora o IFB se diga apolítico, em seus vídeos há várias referências positivas ao presidente Jair Bolsonaro e críticas a movimentos ligados à esquerda.

Coleção de coronéis

Na reunião de 12 de março no Ministério da Saúde, Carvalho disse que estiveram reunidos o reverendo Amilton Gomes, o policial militar Luiz Paulo Domingetti, o ex-secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, e os coronéis Boechat, Marcelo Pires e Helcio Bruno. Ele conta que se surpreendeu ao perceber que o coronel Elcio Franco não tinha conhecimento de que as negociações das vacinas já estavam em curso com Roberto Dias antes daquele encontro, mas negou que tenha sido feito qualquer pedido de propina naquele momento. “Dentro dessas tratativas e conversas dentro do Ministério da Saúde, não houve nada que desabonasse nenhum desses coronéis servidores públicos que estavam na reunião”, declarou. Em outro momento da sessão, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) ironizou o surgimento de tantos nomes de militares na CPI: “Boechat, coronel Guerra, coronel Blanco, Élcio Franco, agora Helcio Bruno… há uma associação de vários coronéis em torno dessa operação tabajara”.

Cristiano Carvalho fez questão de minimizar seu papel dentro da Davati. Disse que não é um CEO como afirmou Dominghetti em seu depoimento à CPI e que não tem vínculo contratual com a empresa. Segundo ele, o que há é uma carta de representação no país que o colocaria na condição de um vendedor. Também afirmou nunca ter ofertado quantidades ou preços de vacinas ao Ministério da Saúde e defendeu que sua atuação visava a aproximação da americana Davati com o ministério. Caberia à empresa americana tratar com a pasta. O presidente da Davati nos Estados Unidos, Herman Cardenas, disse em entrevista à Folha de S. Paulo que a intenção da empresa nunca foi vender vacina, mas de facilitar o negócio. Ao Estadão, Cardenas havia dito que Domingueti não é representante ou funcionário da companhia e que teria sido incluído nas negociações “a pedido” em comunicações com o Governo brasileiro.

Carvalho diz que não procurou o ministério para negociar vacinas

No depoimento aos senadores, Carvalho afirma que foi Dominguetti que levou a ele a demanda por vacinas contra a covid-19 do Ministério da Saúde. Ele diz que sequer acreditava que a negociação prosperaria até começar a receber uma série de ligações e mensagens de altos cargos da pasta, quando passou a dar atenção ao assunto. Carvalho diz que Dominguetti se apresentou a ele em fevereiro deste ano, quando afirmou que já tinha uma parceria com a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), presidida pelo reverendo Amilton Gomes de Paula. Ambos procuravam um fornecedor no exterior para atender a demanda. “Ele [Dominguetti] se empenhou muito na venda das vacinas, fez um trabalho grande com o Senah”, afirma Carvalho, que diz ter sido apresentado a ele por um representante de vendas autônomo da Davati chamado Rafael Alves,.

O reverendo Amilton tem sido apontado como intermediário na negociação de vacinas com prefeituras e também como responsável por levar Dominguetti ao alto escalão da pasta. Cristiano Carvalho disse que a Davati entrou em negociação ao menos com o Governo de Minas Gerais (além do Ministério da Saúde) e que teria sido por meio do reverendo Amilton que muitas prefeituras começaram a procurar a empresa americana em busca de vacinas. Carvalho afirmou ainda que Lauricio Monteiro Cruz, ex-diretor de imunização do Ministério da Saúde, teria enviado uma carta pedindo que a Senah, do reverendo Amilton, fosse a intermediadora das negociações da vacina. Cruz foi exonerado da Saúde no último dia 8 de julho.

Municiado de um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para resguardar seu direito de não se autoincriminar, Carvalho respondeu à maioria das perguntas feitas pelos senadores. O representante da Davati protagonizou a última sessão da CPI antes do recesso parlamentar, que vai até 3 de agosto. Na volta aos trabalho, o reverendo Amilton deve prestar o depoimento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

OMS condena Bolsonaro e seus cúmplices: governo não pode deixar povo com mãos atadas nas costas


“A proliferação do coronavírus no Brasil não cai, a cloroquina não funciona e a doença continua ativamente se espalhando pelo país”, denunciou mais uma vez a Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo informou o jornalista Jamil Chade

Jair Bolsonaro e Michael Ryan

Jair Bolsonaro e Michael Ryan (Foto: Reuters)


247 - O jornalista Jamil Chade, em coluna publicada nesta segunda-feira (10) no portal UOL, revela um alerta emitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação ao estágio da pandemia do novo coronavírus no Brasil e o descaso do governo.
“A proliferação do coronavírus no Brasil não cai, a cloroquina não funciona e a doença continua ativamente se espalhando pelo país. O alerta foi emitido pela OMS, no momento em que o Brasil supera a marca de 100 mil mortos. A agência também deixa claro que o governo brasileiro terá de continuar a dar apoio financeiro à sociedade”.
Segundo o jornalista, “o recado foi uma resposta direta ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro que, nos últimos dias, voltou a fazer uma campanha em prol da hidroxicloroquina, questionou o distanciamento social e criticou vacinas que possam vir da China. Além disso, ele deixou claro que o governo não teria como manter a ajuda financeira à sociedade”. 
Jamil Chade relatou em sua coluna que Mike Ryan, diretor de operações da OMS, cobrou ainda: "O governo deve continuar a dar apoio à sociedade. É difícil agir como comunidade se não recebe apoio. Ela precisa de recursos e conhecimento. Sociedades não podem agir com as mãos atadas nas costas". 

El País: 100.000 vidas roubadas pela covid-19, um retrato da pandemia no Brasil à prova de negacionistas bolsonaristas


Do El País:

Mapa e ondas de mortes pelo coronavírus no país exaltam desigualdades históricas. Indígenas, negros e pessoas com baixa escolaridade estão entre os mais vulneráveis


Familiares se despedem de uma vítima da covid-19, em São Paulo.
Familiares se despedem de uma vítima da covid-19, em São Paulo.AMANDA PEROBELLI / REUTERS

São Paulo E Bogotá - 08 AGO 2020 - 13:45 BRT

Com 100.000 vidas perdidas para a covid-19, o Brasil vê a pandemia do novo coronavírus desenhar no seu território um retrato doloroso. É cerca de uma morte a cada dois minutos durante quase cinco meses, se considerarmos o intervalo entre a confirmação do primeiro óbito ― em março ― e esta sexta-feira (7). Um resultado que não pode ser descolado de um cenário em que a polarização e o negacionismo de autoridades minaram políticas de controle da epidemia. O vírus chegou primeiro em grandes capitais, depois começou a avançar pelo interior, onde agora ganha corpo. Em um território tão grande e tão diverso como o brasileiro, ganhou velocidades distintas em cada região. Exaltou desigualdades históricas ― especialmente as de acesso ao sistema de saúde, levando ao colapso regiões menos estruturadas, como Manaus e Fortaleza. A incidência das mortes, considerando a densidade populacional, também é forte em Belém, Recife e Rio de Janeiro. Já tem mais de cinco meses que o vírus avança pelo país ― e não há nada de concreto que aponte quando as mortes causadas por ele vão cessar. Chegamos a 100.000 falecimentos, com um terço dessas vidas perdidas somente no último mês.
É importante colocar os números em perspectiva para não amenizar a gravidade da epidemia, quando levamos tantas semanas lendo e ouvindo que o Brasil registra, dia após dia, mais de 1.000 novos óbitos. Se todas as 100.000 mortes pela covid-19 do país se concentrassem nos seus municípios menos populosos, 68 cidades inteiras teriam desaparecido ao mesmo tempo. É como se metade do plano piloto de Brasília simplesmente deixasse de existir. Ou que, em cinco meses, falecesse toda a população dos nobres bairros de Pinheiros e Alto de Pinheiros, em São Paulo. Ou ainda todos os moradores de Leblon e Ipanema, no Rio de Janeiro. Esse é o tamanho da fatalidade no Brasil até este início de agosto.
Há quatro cidades brasileiras que têm o mesmo número de habitantes que os mortos da covid-19. A doença que foi minimizada pelo presidente Jair Bolsonaro como uma “gripezinha” mata tanto quanto o câncer e já supera as mortes por infarto, pneumonia, acidentes de trânsito e pelo próprio vírus da influenza se analisarmos o mesmo período de 2018, o dado mais recente de causas e mortes no DataSUS, o sistema de estatísticas de saúde do próprio Governo Federal. O número de brasileiros que morreram de covid-19 em cinco meses é duas vezes e meia maior que as mortes por acidentes de trânsito durante todo o ano passado. Segundo os dados mais atualizados da Seguradora Líder-DPVAT, foram 40.721 mortes no trânsito de 2019.
O perfil geral dos que morreram pela covid-19 no Brasil segue o padrão observado em outras partes do mundo. Mais da metade dos infectados que faleceram no país são homens e idosos, segundo os dados do Ministério da Saúde, que levam em conta apenas os casos hospitalizados. O peso da doença não é equitativo entre as faixas etárias, mas não se pode dizer que a covid-19 mata apenas pessoas mais velhas. Uma em cada nove pessoas que faleceram no país tinha menos de 45 anos de idade.
O acesso aos cuidados necessários quando há uma manifestação mais grave da covid-19 está permeado pela desigualdade. Os dados brasileiros não são completos o suficiente para responder a incidência de mortes por cor da pele e escolaridade, variáveis que no país estão fortemente relacionadas à desigualdade social. As fichas hospitalares até contêm esses campos, mas muitas deixam de ser preenchidas. Há, porém, um recorte possível de fazer, que mostra uma face dura: pessoas falecidas que se autodeclararam como brancas acessaram consideravelmente mais leitos de UTI ou ventilação mecânica ― foram quase oito em cada dez mortes. Entre os que se identificaram como pretas, pardas e amarelas, foram menos de sete em cada dez.
retrato da desigualdade é ainda mais duro para a população indígena. Historicamente submetidos a sistemas de saúde mais frágeis, apenas seis de cada 10 indígenas que morreram por covid-19 conseguiram ter acesso a essa estrutura importante para a sobrevivência na manifestação mais grave.
Essa desigualdade também é latente quando olhamos os dados por escolaridade, outra variável da desigualdade socioeconômica. A falta de UTIs e de ventilação mecânica é particularmente intensa entre as pessoas com menor nível de escolaridade, mostrando um efeito diferencial nesse segmento em relação a todos os outros. Três de cada dez pessoas sem escolaridade morreram de covid-19 sem conseguir ter acesso a um leito de terapia intensiva ou ventilação mecânica.
Desde o começo da crise, as autoridades brasileiras relacionam os óbitos por covid-19 com algumas comorbidades. Pacientes com cardiopatias, hipertensão e diabetes, por exemplo, têm mais chances de evoluir para uma manifestação grave da doença e até morrer. No Brasil, a incidência de comorbidades também está particularmente correlacionada com o nível educacional. Doenças cardíacas, por exemplo, são 20% mais frequentes entre pessoas falecidas com menos escolaridade.
Se os brasileiros submetidos à manifestação mais grave da covid-19 enfrentam a doença de forma desigual, o próprio vírus também avança pelas várias regiões do país de forma diferente. Muitos fatores podem influenciar isso, como por exemplo a data de início da transmissão comunitária, o nível de concentrações populacionais (que aceleram o contágio) e até as decisões dos gestores locais sobre o isolamento social. Embora a Organização Mundial da Saúde já tenha declarado que o coronavírus não tem uma característica sazonal, o Governo do Brasil acredita que o surgimento de grandes ondas de contágio nas regiões Norte e Nordeste no início da crise e a migração atual dos focos para as regiões ao Sul estão relacionadas com a chegada do inverno nesta área do país.
Seja como for, o Brasil enfrenta distintas ondas localizadas da epidemia, se observamos as mortes em uma linha do tempo. Há fortes focos concentrados no Norte e Nordeste entre abril e maio, com destaque para Belém, ManausFortaleza e Recife. E, desde junho, essas ondas migram para as regiões Sul e Centro-Oeste. Ainda é cedo para comparar a intensidade delas, já que a fase da epidemia também muda regionalmente. E não há elementos epidemiológicos que indiquem um controle efetivo. O número total de mortes registradas todos os dias no país até cresce de forma mais lenta que há alguns meses, mas segue uma incidência alta, com mais de 1.000 novas notificações diárias. Mais de cinco meses depois do início da crise, o Brasil ainda tem o mesmo desafio: superar a polarização política e agir para controlar a pandemia.
Informações sobre o coronavírus:
O mapa do coronavírus no Brasil e no mundo: assim crescem os casos dia a dia, país por país;
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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Eduardo Bolsonaro confirma submissão total do clã a Trump e elogia corte de repasse dos EUA à Organização Mundial de Saúde


O deputado Eduardo Bolsonaro fez questão de explicitar mais uma vez que o governo do pai serve exclusivamente aos interesses da extrema-direita dos Estados Unidos – e não do Brasil nem dos brasileiros

Donaldo Trump e Eduardo Bolsonaro
Donaldo Trump e Eduardo Bolsonaro (Foto: Joyce N. Boghosian/White House)

247 - O deputado federal Eduardo Bolsonaro comemorou a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cortou os repasses à Organização Mundial da Saúde (OMS) em meio à pandemia do coronavírus. O parlamentar errou ao informar o valor doado pelo país norte-americano anualmente à organização. De acordo com Trump, os EUA pagam de 400 a 500 milhões de dólares à OMS todos os anos.
"Trump corta financiamento para a OMS de USD 40 milhões", escreveu o filho de Jair Bolsonaro no Twitter. 
O presidente americano acusa a OMS de ser "centrada na China". Segundo Trump, a instituição falhou em obter "informações oportunas" sobre o coronavírus.
O mandatário afirmou que "os contribuintes americanos pagam entre US$ 400 e US$ 500 milhões por ano à OMS. Por outro lado, a China paga o equivalente a US$ 40 milhões".
A China desembolsou US$ 28,7 milhões em 2020 e os EUA, US$ 56 milhões. 
Os americanos lideram o ranking dos países com os maiores números de casos da covid-19. São 615,4 mil ao todo. Em segundo lugar vem a Espanha, com 177,6 mil, seguida pela Itália (162,4 mil). Na quarta posição está a França, com 143,3 mil, seguida pela Alemanha (132,5 mil). Em quinto aparece o Reino Unido (98,4 mil), à frente da China (82,2 mil).
Os EUA têm 26,1 mil mortes, contra 3,3 mil dos chineses.
Em nível global são 2 milhões de casos, com 128,9 mil mortes.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Em época dos 1% mais ricos especulando em Bolsas, destruindo o meio-ambiente e financiando aberrações como Trump e Bolsonaro, o coronavirus poderá chocar a realidade e trazer uma nova civilização ou a volta à idade média, entrevista com Jamil Chade

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Há tempos, Jamil Chade se tornou um dos principais correspondentes internacionais brasileiros, atuando em Genebra. Passou a cobrir as principais organizações multilaterais, da Organização Mundial de Saúde à FIFA.
Ao mesmo tempo, tem sido um jornalista permanentemente preocupado em defender os valores civilizatórios.
Na entrevista, ele discute as dúvidas em relação ao futuro do mundo. A coronavirus trará solidariedade ou acirrará o individualismo?
Na OMS, há convicção de que a única maneira de enfrentar a peste será com uma resposta coordenada de todos os países. Ao mesmo tempo, o caráter essencialmente democrático da coronavirus – atacando pessoas de todos os extratos sociais – mostra que a saúde das classes mais abastadas depende da saúde da periferia do mundo. E essa constatação implicará em fortalecimento das políticas públicas.
Segundo Chade, depois de ocupar posição de destaque nos organismos mundiais de saúde, o Brasil se tornou uma caricatura. Não apenas em função de Bolsonaro, mas da arrogância despreparada do Itamarati.

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