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domingo, 4 de dezembro de 2016
domingo, 7 de junho de 2015
Crescimento das Bancadas Evangélica, do Boi e da Bala... Redução da Maioridade Penal.... Professores Espancados... Financiamento Privado de Campanha... Solicaçõtes da implantação da Pena de Morte em "Marchas Pela Paz".... Escândalos selecionados... O Brasil vive uma estúpida "onda de modernismo reacionário", afirma o sociólogo Michael Löwy
"Há um modernismo reacionário, que sempre é favorável ao sistema capitalista, por mais que critique esse ou aquele aspecto da vida política, como a corrupção e a má administração". - Michael Löwy
País vive onda de modernismo reacionário, diz sociólogo Micahel Löwy
ELEONORA DE LUCENA Folha de São Paulo
O país vive uma onda conservadora. "Há um modernismo reacionário, que sempre é favorável ao sistema capitalista, por mais que critique esse ou aquele aspecto da vida política, como a corrupção e a má administração".
É o que avalia Michael Löwy, sociólogo paulista radicado em Paris. Junto com o norte-americano Robert Sayre, ele está lançando no Brasil "Revolta e Melancolia".
Para Löwy, o elemento mais preocupante da extrema direita conservadora no país, sem paralelo com a que existe na Europa, é o apelo aos militares. "O saudosismo da ditadura militar é o aspecto mais sinistro da recente agitação de rua conservadora no Brasil", diz.
As semelhanças com o movimento de direita europeu surgem, segundo ele, na ideologia repressiva, no culto à violência policial –como na "bancada da bala" nos parlamentos– e na intolerância com as minorias sexuais.
Do outro lado do espectro político, Löwy relaciona a crise do PT com a "perda de seu horizonte radical". Afirma que o partido perdeu contato com suas bases populares, aderiu ao receituário neoliberal (explicitamente adotado pelo PSDB) e fez desaparecer de seu programa a tese socialista.
Alinhado com a esquerda, ele advoga que outras organizações, como o PSOL ou o PSTU não conseguiram ocupar o espaço que havia sido do PT, ainda que possam vir a fazê-lo no futuro.
"Quem vai decidir se haverá uma saída para a esquerda serão os movimentos sociais: os sem-terra, os sem-teto, os sindicalistas, os ecologistas, os indígenas, as mulheres, os afrobrasileiros", opina.
"Revolta e Melancolia" percorre música, literatura, artes plásticas, filosofia. Rousseau, Goethe, Stravinski, Rosa Luxemburgo, Tolstói, Marx, Balzac compõem a trama da análise.
Para os autores, o romantismo não é só um movimento artístico do século 19: está nas jornadas de Maio de 68, na luta ambiental, nas artes no Brasil dos anos 1960, na resistência armada à ditadura militar, em protestos contemporâneos na Europa, nos EUA e na América Latina.
A ênfase está no que os sociólogos definem como romantismo revolucionário –"o que não deseja uma volta ao passado, mas uma volta pelo passado, em direção à utopia futura", diz Löwy.
Publicado em francês originalmente em 1992, o livro interpreta manifestações de oposição ao avanço capitalista. "Naturalmente o romantismo se transformou. Suas formas são diferentes das do século 19 e das de 30 anos atrás. Mas a análise continua válida. O romantismo é uma crítica à civilização burguesa, que continuará a existir enquanto persistir a burguesia", afirma o brasileiro.
REVOLTA E MELANCOLIA
autores Michael Löwy e Robert Sayre
tradução Nair Fonseca
editora Boitempo
quanto R$ 57 (288 páginas)
O país vive uma onda conservadora. "Há um modernismo reacionário, que sempre é favorável ao sistema capitalista, por mais que critique esse ou aquele aspecto da vida política, como a corrupção e a má administração".
É o que avalia Michael Löwy, sociólogo paulista radicado em Paris. Junto com o norte-americano Robert Sayre, ele está lançando no Brasil "Revolta e Melancolia".
Para Löwy, o elemento mais preocupante da extrema direita conservadora no país, sem paralelo com a que existe na Europa, é o apelo aos militares. "O saudosismo da ditadura militar é o aspecto mais sinistro da recente agitação de rua conservadora no Brasil", diz.
| Claudio Belli - 13.out.2014/Folhapress | ||
| O sociólogo Michael Löwy |
Do outro lado do espectro político, Löwy relaciona a crise do PT com a "perda de seu horizonte radical". Afirma que o partido perdeu contato com suas bases populares, aderiu ao receituário neoliberal (explicitamente adotado pelo PSDB) e fez desaparecer de seu programa a tese socialista.
Alinhado com a esquerda, ele advoga que outras organizações, como o PSOL ou o PSTU não conseguiram ocupar o espaço que havia sido do PT, ainda que possam vir a fazê-lo no futuro.
"Quem vai decidir se haverá uma saída para a esquerda serão os movimentos sociais: os sem-terra, os sem-teto, os sindicalistas, os ecologistas, os indígenas, as mulheres, os afrobrasileiros", opina.
romantismo
Para os autores, o romantismo não é só um movimento artístico do século 19: está nas jornadas de Maio de 68, na luta ambiental, nas artes no Brasil dos anos 1960, na resistência armada à ditadura militar, em protestos contemporâneos na Europa, nos EUA e na América Latina.
A ênfase está no que os sociólogos definem como romantismo revolucionário –"o que não deseja uma volta ao passado, mas uma volta pelo passado, em direção à utopia futura", diz Löwy.
Publicado em francês originalmente em 1992, o livro interpreta manifestações de oposição ao avanço capitalista. "Naturalmente o romantismo se transformou. Suas formas são diferentes das do século 19 e das de 30 anos atrás. Mas a análise continua válida. O romantismo é uma crítica à civilização burguesa, que continuará a existir enquanto persistir a burguesia", afirma o brasileiro.
REVOLTA E MELANCOLIA
autores Michael Löwy e Robert Sayre
tradução Nair Fonseca
editora Boitempo
quanto R$ 57 (288 páginas)
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
O bizarro e superficial pensamento "coxinha", ou o modismo da imbecilização, segundo Guilherme Boulos, da Folha
"Já nos ensinou Freud, sempre é bom desconfiar do juízo que as pessoas fazem sobre si próprias. Os coxinhas que têm infestado o debate político atual não são exatamente modelos de retidão e coerência."
Segue artigo de Guilherme Boulos, extraído da Folha:
O Pensamento Coxinha
Guilherme Boulos
O orgulho coxinha entrou na moda. Muitos andam por aí, nas ruas e nas redes, autoproclamando-se "coxinhas" sem nenhum pudor. Virou identidade positiva. O coxinha se considera trabalhador, estudioso, um cidadão de bem que cumpre seus deveres. É contra a corrupção e privilégios que firam a meritocracia.
Mas, já nos ensinou Freud, sempre é bom desconfiar do juízo que as pessoas fazem sobre si próprias. Os coxinhas que têm infestado o debate político atual não são exatamente modelos de retidão e coerência.
São adeptos do "dois pesos, duas medidas". Sua visão tacanha do mundo, que dificilmente resiste à crítica, com frequência descamba para o ódio e a intolerância. Substituem os argumentos por xingamentos.
O coxinha se indigna com os R$ 25 bilhões que o Estado paga anualmente ao Bolsa Família, mas acha normal os R$ 978 bilhões pagos por este mesmo Estado ao bolsa banqueiro.
Ele sai às ruas de branco pedindo redução da maioridade penal quando um cidadão de classe média é assassinado, mas mantém seu silêncio sorridente ao saber que, a cada dia, dois jovens pobres são mortos pela polícia de São Paulo.
Acha que a corrupção no Brasil começou com o PT e faz vistas grossas ao trensalão, ao escândalo do HSBC ou ao aeroporto do titio.
O coxinha, ao saber que as riquezas do 1% mais ricos ultrapassarão a dos 99% restantes no mundo em 2016, atribui isso ao trabalho e esforço desse 1%, mesmo estando sem dúvida alguma entre os 99%.
É contra privilégios desde que não sejam os dele. Queixa-se de que o aeroporto virou rodoviária e de que a classe média já não pode ter empregada doméstica.
O coxinha se mobiliza contra a corrupção, mas não lhe passa pela cabeça defender o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, fundamento de 11 entre 10 escândalos de corrupção no Brasil.
Para ele, o mundo se divide entre esforçados e vagabundos. Por isso é contra as cotas e programas sociais. Se os negros ganham 42% em média a menos que os brancos, deve ser porque trabalham menos. Se ainda há pobres é porque se escoram no Bolsa Família e não querem aprender a pescar.
O pensamento coxinha é primário. Não passa por elaboração crítica e não resiste a cinco minutos de questionamento. Numa típica formação reativa, transforma a insuficiência em insulto. Mostra que entre a inconsistência e a agressão há apenas um passo.
Alguns dizem que a onda coxinha revela o nascimento de uma nova direita no Brasil. Direita sim, nova nem tanto. São apenas os velhos ranços, preconceitos e indignações seletivas da porção mais conservadora da classe média que encontraram ocasião para sair de algum canto do armário.
Recomenda-se que guarde os fascismos para si. Quando se é racista, misógino e antipopular abertamente, tendo ainda auditórios para aplaudir, é mau sinal. O orgulho coxinha simboliza o emburrecimento do debate público no Brasil.
Guilherme Boulos
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