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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Secundaristas são perseguidos e espancados por PMs em SP


Ao contrário do anúncio oficial, governo Alckmin não retrocede reorganização escolar e utiliza PMs para intimidar estudantes 
Lilian Milena


Jornal GGN – A resposta que o governador Geraldo Alckmin tem dado às manifestações e ocupações de secundaristas contra o fechamento de escolas no estado e, mais recentemente, contra a PEC da Maldade (241/2016) é preocupante e revela, mais uma vez, a fragilidade da democracia no país. 
Por outro lado, aponta para a capacidade de mobilização e força desses jovens, algo inesperado para os cabeças de planilha, lotados na administração pública e distantes dos reais anseios da população que é a democracia participativa. Alckmin comprovou estar distante dessa nova política, não apenas ao propor seu programa de reorganização escolar, sem antes dialogar diretamente com estudantes, professores e mães e pais de alunos, mas pela forma como vem utilizando agentes da Segurança Pública do Estado para perseguir, coagir e até espancar estudantes. 
Não parecia que a gestão Alckmin chegaria a esse ponto, ao revogar, em dezembro de 2015, o decreto que propunha a reorganização escolar. Mas a atitude do governador foi um engodo. O fechamento de escolas e salas de aula está em andamento, como você verá nos números apresentados ao final desta matéria e, pior ainda, jovens ligados diretamente às manifestações estão sendo perseguidos e sofrendo abusos físicos. 
O volume de casos é tão expressivo que levou o Comitê de Mães e Pais em Luta, criado para defender os filhos secundaristas, a preparar um dossiê com relatos dos casos de violência que foi entregue ao Ministério Público de São Paulo e também à Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Estudantes fazem campanha para denunciar a PM de Alckmin à Comissão Interamericana de Direitos Humanos

Jornal GGNUm projeto de crowdfunding pretende arrecadar fundos para que os alunos secundaristas de São Paulo denunciem a violência policial durante a ocupação das escolas na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Eles pretendem denunciar ameaças, intimidações, prisões arbritárias, uso de armas letais para intimidação, omissão de socorro a estudantes atingidos pelo gás lacrimogênio, entre outras violações ocorridas durantes os protestos contra a reorganização escolar no estado de São Paulo.
Para realizar a denúncia, o Comitê de Mães e Pais em Luta, junto com a ONG 19, enviou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos um extenso dossiê com provas da violência dos agentes policiais e das manobras do governo com o pedido de uma audiência, que foi acatado e será realizad no dia 7 de abril na sede da Comissão, em Washington, nos Estados Unidos.
A meta da campanha é arrecadar R$ 20.800 até o dia 28 deste mês, para custear passagens aéreas, hospedagens e outros custos da viagem., e até o momento, já foram arrecadados R$ 19.660. Para ajudar, visite o link e leia mais sobre a campanha abaixo:
Do Catarse
por Isabela Baptista
O projeto
Os secundaristas irão até a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para denunciar a violência policial e a criminalização dos estudantes durante as ocupações das escolas e protestos contra a reorganização escolar em São Paulo.
- ameaças e intimidação verbal e física da polícia dentro das escolas;
- agressões físicas e psicológicas, que deixaram sequelas à crianças e adolescentes;
- prisões arbitrárias e abuso de poder contra secundaristas que se manifestavam;
- encaminhamento de adolescentes à delegacia sem respeitar o ECA;
- perseguição na rua e em mediações da escola e na casa dos estudantes;
- uso de armas letais para intimidar nas escolas e nos protestos;
- uso de bombas de gás, balas de borracha, spray de pimenta e cassetete de forma violenta e sem necessidade;
- omissão de socorro a estudantes atingidos pelo gás lacrimogêneo;
- relatos de abusos sexuais e morais pelos agentes policiais em protestos;
- vigilância e constrangimento por meio de câmeras da polícia nas escolas e protestos;
- impedimento de registro dos abusos policiais e quebra de celulares.
Essas foram algumas das situações violentas e degradantes pelas quais estudantes, pais, professores e apoiadores em geral passaram durante as ocupações das escolas estaduais e nos protestos que seguiram. O movimento começou com a decisão do Governo do Estado de São Paulo implementar a reorganização escolar, que prevê o fechamento de escolas e a precarização ainda maior do ensino público. Essa mobilização aconteceu com o objetivo de barrar o autoritário projeto. Relatos e registros em foto e vídeo denunciam como foi a repressão do Estado e as diversas violações aos direitos humanos aos movimentos dos estudantes.

Na intenção de denunciar a prática sistemática de violações a esses direitos e cobrar por responsabilização do Estado brasileiro, o Comitê de Mães e Pais em Luta, em conjunto com a ONG internacional Artigo 19 enviou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos - órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos com a finalidade de proteger os direitos humanos no continente - um extenso dossiê contendo provas da violência dos agentes policiais e das manobras do governo com o pedido de uma audiência temática.
O pedido de audiência foi acatado. Será realizada no dia 7 de abril na sede da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em Washington, Estados Unidos e contará com a presença de 3 secundaristas integrantes do Comando das Escolas em Luta e uma advogada – que acompanhou desde o início a luta dos estudantes e contribuiu para a denúncia na CIDH.
Esta campanha visa arrecadar fundos para a viabilização da ida (passagens aéreas, alimentação e hospedagem) desse grupo que irá testemunhar aos membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos as atrocidades contra os direitos democráticos que vem sendo cometidas de forma reiterada contra movimentos sociais seja em São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, e outros estados onde os estudantes estão se organizando por educação pública de qualidade. Além de uma remuneração simbólica de uma equipe que vai produzir um material audiovisual que será apresentado como parte de acusação da audiência.
O Estado brasileiro, que estará presente na audiência, será constrangido internacionalmente para que respeite os compromissos de direitos humanos, tomando medidas concretas para garantir o direito à educação, direito à liberdade de expressão e combate à violência policial.
Montamos um dossiê para levar até a audiência. Abaixo, alguns links importantes
pm reprimindo dentro da escola https://www.youtube.com/watch?v=tCMRR-VSTro
pm batendo com cassetete em estudantes em protesto https://www.youtube.com/watch?v=fzC67npsQfg
Para garantir a nossa presença na audiência, precisamos do seu apoio!
O tempo é curto. Contribua! 
Para garantir a nossa presença na audiência, precisamos do seu apoio!
A audiência ao vivo será no dia a partir das 10:15 diretamente do sitehttp://www.oas.org/es/cidh/multimedia/sesiones/def...

Para colaborar com a campanha, visite o Catarse aqui

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Quem bate em professor e estudante merece ser presidente?

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Se havia um projeto presidencial 'Alckmin 2018', ele acabou na tarde da quinta-feira, dia 03 de dezembro de 2015, quando um policial militar de São Paulo agrediu, com o punho cerrado, um estudante secundarista, como se pretendesse levar a nocaute o jovem que protestava pelo direito de ter uma educação pública de qualidade; se o paranaense Beto Richa era o governador tucano que batia em professores, Alckmin conseguiu ir além: é o governador que bate em alunos; não por acaso, a Folha de S. Paulo desta sexta-feira indica que sua aprovação despencou vinte pontos e é mais baixa da história; nem o recuo na 'reorganização educacional', nem um improvável pedido de desculpas poderão transformar Alckmin num candidato viável

Do SP 247 Até recentemente, aliados do governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, diziam que a candidatura presidencial pelo PSDB em 2018 cairia naturalmente no seu colo, quase que por gravidade. Bastaria ficar quieto e deixar que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um mau perdedor que ameaça a democracia brasileira, prosseguisse com suas trapalhadas, no seu ímpeto golpista.
Por isso mesmo, Alckmin manteve um diálogo construtivo com a presidente Dilma Rousseff e jamais comprou abertamente a tese do impeachment. Aos poucos, ele vinha amarrando alianças dentro do PSDB, como com o governador Marconi Perillo, de Goiás, e com outros partidos, como o PSB.
No entanto, o projeto Alckmin dependia também de que ele não cometesse erros. Especialmente, que não cometesse erros tão grotescos como a guerra inútil e já perdida que ele próprio criou com estudantes secundaristas, ao decidir fechar 93 escolas em seu projeto de 'reorganização educacional'.
Numa resistência histórica, os alunos ocuparam mais de 100 escolas e, como Alckmin não se dispôs a dialogar, os protestos migraram para as ruas. A imagem que simboliza a luta estudantil foi captada por Newton Menezes, da Agência Futura Press, e, nela, um policial militar, com os punhos cerrados, agride com um soco no rosto um estudante, como se pretendesse levá-lo a nocaute num ringue de boxe.
A imagem, publicada na capa do jornal Estado de S. Paulo, estará inscrita para sempre na biografia de Alckmin. Se o paranaense Beto Richa era o governador tucano que batia em professores, Alckmin conseguiu ir além. É o governador tucano que bate em alunos. Ou seja, que violenta o futuro.
Não por acaso, esta sexta-feira traz também uma pesquisa Datafolha que revela um quadro desolador para o governador. Sua aprovação caiu vinte pontos e é a mais baixa da história. Se um ano atrás 48% o consideravam ótimo ou bom, hoje são apenas 28%. Menos do que os 30% que consideram sua administração ruim ou péssima.
Alcklmin ainda não repreendeu a Polícia Militar, não pediu desculpas aos estudantes, nem reviu sua reorganização escolar. Mas mesmo que o fizesse, nada seria capaz de ressuscitar seu projeto presidencial de 2018.