Os dois tentaram um golpe (mais um) que foi prontamente rechaçado por Alexandre de Moraes
Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Marcelo Camargo/Agência Brasil | Clauber Cleber Caetano/PR)
247 – O jornal Estado de S. Paulo condenou, em editorial, a tentativa de golpe patrocinada por Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, que foi prontamente rechaçada pelo ministro Alexandre de Moraes, que não apenas multou o PL em R$ 22 milhões, como também bloqueou os recursos do fundo eleitoral do partido.
"Eis a irresponsabilidade do PL. Um devaneio golpista de Jair Bolsonaro é suficiente para que a legenda peça à Justiça Eleitoral a anulação dos votos de 279,3 mil urnas eletrônicas, urnas estas que funcionaram perfeitamente nas eleições de 2018 e no primeiro turno de 2022", escreve o editorialista.
"É desolador que o presidente da República – eleito precisamente pelo voto depositado nas urnas que agora contesta – e o maior partido do Congresso manifestem tamanho descompromisso com o regime democrático e com o interesse público. Revelam-se assim não apenas tacanhos, incapazes de reconhecer uma derrota eleitoral, mas inaptos a funções públicas num regime democrático. Não cabe no Estado Democrático de Direito tal molecagem, tal desprezo pelo eleitor, tal indiferença com a lei", prossegue.
"Em sua inépcia, a ação do PL reitera uma vez mais a lisura das urnas eletrônicas. Não há rigorosamente nada a contestar. O que falta a alguns é a honradez de aceitar a vitória do adversário – mas isso não é um problema técnico, e sim de caráter", finaliza.
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, o PSDB e o PSOL reagiram ao pedido do PL (Partido Liberal) que busca invalidar votos do 2º turno da eleição presidencial em urnas fabricadas até 2020. O partido do presidente Jair Bolsonaro encaminhou uma Representação Eleitoral para Verificação Extraordinária ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), derrotado nas eleições por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Josias de Souza comenta
O ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cobrou que o PL apresente dados que englobem o resultado do primeiro turno em até 24 horas. Mais cedo, o partido do presidente Jair Bolsonaro apresentou a invalidação de votos nas eleições, mas somente na disputa presidencial, que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O PL elegeu 99 deputados federais e oito senadores no primeiro turno
O relatório do PL que pede a anulação do segundo turno das eleições presidenciais foi uma demanda e articulação de Jair Bolsonaro. Mas o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, não entregou o crédito completo para a estratégia do mandatário.
De acordo com as jornalistas Carla Araújo e Juliana Dal Piva, do Uol, horas antes da apresentação do documento que tenta que desmantelar todo o processo eleitoral que elegeu Lula e derrotou Bolsonaro, o autor do estudo foi recebido por Bolsonaro na residência oficial.
Nesse processo, Valdemar apenas “cedeu à pressão do presidente”, sem estar convencido de que a estratégia funcionaria. Ainda, antes da coletiva de imprensa na noite desta terça (22), no qual o presidente do PL leu as conclusões do relatório, o político se encontrou com alguns membros do Judiciário para se velar da repercussão que o documento iria trazer.
Um desses encontros, anunciaram as jornalistas, foi com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na segunda-feira (21).
Sem contrariar o chefe do Executivo, Valdemar tentou justificar o documento, mas teria explicitado que sabia que a estratégia não teria resultados.
Ministros do STF consideram que Augusto Nardes cometeu falta grave
Augusto Nardes (Foto: Aquiles Lins)
247 - Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) considera que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes deveria pedir afastamento de seu cargo após gravar um áudio com declarações de teor golpista. A avaliação é que ele cometeu falta grave, informa a jornalista Bela Megale no Globo.
Integrantes do STF disseram isso diretamete a Nardes. No áudio divulgado na noite de domingo (20), o ministro do TCU diz ter “muitas informações” sobre um “movimento forte nas casernas” e que o país deve estar preparado para viver nas próximas horas, dias ou semanas um “confronto decisivo”.
Um ministro do Supremo relatou a pessoas próximas que chegou a ter uma conversa dura com Nardes, na qual disse que ele deveria se licenciar e não podia levar para dentro do TCU um discurso golpista.
A leitura sobre a gravidade das declarações de Nardes é compartilhada entre os membros do próprio TCU. Ele já havia pressionado colegas da corte de contas a não se manifestarem com declarações sobre a lisura das urnas e de apoio ao Tribunal Superior Eleitoral.
Enquanto escrevo este texto, constato que já se passaram 20 dias das eleições presidenciais vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva e até agora, o presidente Jair Messias Bolsonaro permanece recluso, calado, recusando-se a admitir a derrota.
Muita gente, a grande imprensa, inclusive, acredita que ele apenas se recupera do baque e de uma erisipela na perna.
Enquanto isso, milhares de bolsonaristas acampam nas cercanias de vários quartéis do exército, negando-se a acreditar na lisura das urnas eletrônicas e implorando aos militares uma intervenção.
Nossos honrosos generais abrem uma exceção em sua rígida disciplina para acolher os golpistas como gente de bem que apenas está se expressando livre e pacificamente.
Lógico que se fossem membros do MST esse direito à liberdade de expressão seria reprimido violentamente, até porque, em se tratando de Área de Segurança Nacional, os quartéis, em condições ideais de temperatura e pressão, não toleram a simples presença de qualquer pessoa por mais de alguns minutos próxima a seus portões.
Alguém, nas redes sociais, perguntou se já era possível organizar um grupo e ir para a frente de quartéis pedir uma revolução comunista.
Brincadeiras à parte, os comandantes militares estão seguindo a orientação do ex-candidato a vide presidente de Bolsonaro, o general Braga Netto.
Braga Netto, como foi revelado pelo site Metrópoles, mantém a residência em Brasília, utilizada como comitê eleitoral até 30 de outubro, para promover reuniões com políticos do PL, partido do presidente. É nesse QG que está sendo tramado um golpe.
O general, o articulador da resistência contra o resultado das eleições, em rápida conversa com alguns golpistas à frente do Palácio do Planalto, pediu para continuarem com fé e aguardarem só mais um pouco. Mais, não poderia adiantar.
Um áudio vazado do ministro do TCU, Augusto Nardes, relator da análise das contas presidenciais que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff demonstra que há realmente uma urdidura em curso. Na gravação, Nardes fala claramente em um “movimento nas casernas” e diz que é “questão de horas, dias, no máximo, uma semana, duas, talvez menos, para que um desenlace bastante forte na nação ocorra”.
Na outra ponta, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio das contas de 43 empresários que estão bancando os acampamentos com enormes barracas, cozinha, banheiros químicos, alimentação e ajuda custo aos manifestantes. Esperava-se que, com essa medida, os golpistas acabassem voltando para suas casas, mas, até agora, não é o que está acontecendo.
Apesar das ordens expressas às polícias militares e à Polícia Rodoviária Federal para acabarem de vez com os bloqueios nas estradas, estes ainda permanecem, numa espécie de queda de braço entre as instituições de segurança e o judiciário.
O que transparece é que a tensão vem sendo mantida de maneira latente, aguardando algum tipo de ordem por parte dos comandos das Forças Armadas.
Parece que há nos bastidores militares conflitos a serem resolvidos antes de uma possível ruptura institucional, pois nem todos os generais estão convencidos do sucesso de uma empreitada do porte de um golpe num país muito maior do que era em 1964.
A máquina a ser posta em movimento para se implantar uma ditadura no Brasil é gigantesca e envolve estratégias extremamente complexas e organização demasiadamente trabalhosa para que generais se motivem a trabalhar por elas. Eles, com certeza hoje preferem curtir seus uísques 12 anos, vinhos caros e churrasco de picanha, além dos comprimidos de Viagra.
Além disso, os Estados Unidos, antigos fomentadores e mantenedores do golpe de 64, hoje são totalmente contrários à uma ditadura no Brasil.
É preciso levar em conta também o incrível sucesso de Lula na COP27 que fez o mundo respirar aliviado com sua eleição e que colocou o país de volta ao concerto das nações.
Mas, uma coisa é afirmar que não haverá golpe porque não há as condições mínimas para isso. Outra é ignorar a tentativa.
Bolsonaro sabe que, após a posse de Lula, ou até antes, muita sujeira virá à tona quando for revelado o que acontecia nos ministérios e no gabinete do ódio. É preciso lembrar que a corrupção descoberta no Ministério da Educação só veio à público porque o próprio ministro Mílton Ribeiro acabou, num ato falho, revelando que os recursos eram destinados a pastores para que eles fizessem a distribuição nas cidades, a mando do presidente. Mas deve haver muito mais. Apostaria que o grande antro da corrupção é, além da Educação e Saúde (tentativa de compra de vacinas superfaturadas, como revelou a CPI da Covid-19) o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que era comandado pela senadora eleita Damares Alves.
Pois bem, o capitão deverá sofrer inúmeros processos e acabará por ser preso. Não só ele, mas todos seus asseclas.
É por isso que há uma intensa movimentação para melar o resultado das urnas.
É preciso, neste momento, que Alexandre de Moraes não puxe para si toda a responsabilidade na luta pela manutenção da democracia, mas que divida com todos os demais ministros do Supremo Tribunal Federal, para que eles se organizem como uma verdadeira muralha contra a ruptura institucional.
Além disso, o elemento povo é fundamental neste momento.
Mais de 60 milhões de brasileiros se decidiram por Lula e precisam agora estar atentos e à postos para defender o resultado legítimo das urnas.
Bolsonaro não está morto, mas somos muito mais que os milhares de golpistas que estão na frente dos quartéis.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor
As declarações de Augusto Nardes, Ministro do Tribunal de Contas da União, estimulando o golpismo, fazem parte de uma estratégia óbvia. Trata-se de acelerar as manifestações anti-posse até o limite da explosão de alguma violência, em um dos muitos pontos de concentração.
Uma tragédia radicalizaria ainda mais as ocupações, fornecendo o álibi para uma operação de Garantia da Lei e da Ordem, a maneira de legalizar o golpe. E sem a necessidade da liderança de Jair Bolsonaro que, aparentemente, entrou em estado de pânico com a possibilidade de incorrer em novo crime e ser responsabilizado por ele.
Daí as declarações dúbias do general Braga, explícitas de Augusto Nardes estimulando a continuidade das manifestações nos quartéis, enquanto manifestantes são alimentados cada vez mais com discursos de ódio.
Faz parte do mesmo jogo os cortes no orçamento da Polícia Rodoviária Federal, fornecendo um álibi para a não-ação.
STF vem usando contra o bolsonarismo método concebido há mais de 80 anos pelo filóso alemão Karl Loewenstein para barrar a acensão do nazismo
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A concessionária que administra a BR-163 entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, foi atacada ontem à noite em meio às novas paralisações em atos golpistas nas rodovias federais. Cerca de 10 homens encapuzados atiraram contra a base, atingindo uma viatura e a própria unidade. Eles ainda atearam fogo em uma ambulância e em um caminhão-guincho. Ninguém se feriu. No momento do ataque, havia bloqueios na região (veja os pontos abaixo). A PRF (Polícia Rodoviária Federal) vê relação entre o ataque e as paralisações. O caso está sendo investigado.
As cancelas de pedágio foram quebradas. Os funcionários fugiram do local. Evacuada, a praça de pedágio da cidade de Sorriso está sem cobrança. Vídeo obtido pelo UOL feito por um funcionário mostra as chamas do incêndio e a depredação na base. "Quebraram tudo (?). Gasolina aqui em tudo. Fogo..., está quase explodindo. Vai explodir. Bora vazar", diz, ao falar com um colega.
O Corpo de Bombeiros de Lucas do Rio Verde foi acionado e combateu o incêndio. A Polícia Militar também esteve no local e encontrou cartuchos das armas de fogo usadas no ataque.
"Estavam tudo armado". Em outro vídeo, um funcionário grava um relato sobre a ação, feito por um colega que não aparece nas imagens. "Eram mais de dez. Estavam tudo armado. Eu pensando que era foguete. Os caras mandando eu sair: 'sai, sai, corre, corre'. Entraram atirando."
Viatura com perfurações. É possível ouvir a respiração ainda ofegante de quem registra o relato. Em seguida, o autor do vídeo mostra uma viatura com perfurações de tiro no vidro dianteiro. "Eles vão atacar a próxima base. Eles foram no sentido Mutum. Vão atacar a base lá, pô."
"Isso já passou de ser um problema única e exclusivamente da Polícia Rodoviária Federal. Isso já está entrando em uma guerra civil e atitudes dos órgãos superiores precisam ser tomadas com urgência", disse Felipe Dias Mesquita, delegado da PRF, em áudio obtido pela reportagem.
Ele informou ainda ter acionado aeronaves para monitorar os deslocamentos dos manifestantes. Segundo ele, teria ocorrido ontem uma reunião envolvendo outras autoridades, como o Tribunal de Justiça e o MPF (Ministério Público Federal), para planejar um plano de ação.
Governo de MT contra "atos de vandalismo"
Em nota, o Governo de Mato Grosso informou que as forças de segurança foram acionadas para atuar "contra atos de vandalismo" na BR-163. De acordo com o governo, a tropa de choque da Polícia Militar irá atuar com a PRF no desbloqueio das estradas e os serviços de inteligência atuaram juntos para "identificar e prender os responsáveis por atos criminosos".
A nota foi finalizada apontando que "a atitude desse grupo de vândalos, com cerca de 10 integrantes armados, é reprovável e todo efetivo será empregado para identificar e capturar os responsáveis por esse ato criminoso" e que o governo "reforça seu respeito ao livre direito de manifestação, desde que seja exercido com respeito às leis e ao sagrado direito de ir e vir de todos".
Ataque ocorreu em região de suspeitos de financiar atos
A região é a mesma que concentra os empresários do agronegócio suspeitos de financiar os atos. Das 43 contas bloqueadas por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), 24 são de Sorriso (MT).
Entre eles, está Atilio Elias Rovaris, empresário do agronegócio e piloto amador de rally responsável por uma doação de R$ 500 mil para a campanha de Bolsonaro. Ele foi procurado, mas não quis se manifestar.
Somados, os suspeitos de financiar os atos golpistas foram responsáveis também pelo pagamento de R$ 1,3 milhão destinados à disputa eleitoral.
O último balanço feito pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), divulgado às 16h20 de hoje, registrava 9 bloqueios em estradas federais na Bahia e em Mato Grosso.
De acordo com a corporação, havia também 12 ocorrências de interdições, quando o trânsito nas rodovias fica parcialmente interditado. A entidade informou ter desfeito 1.236 paralisações.
De acordo com o último balanço, divulgado às 17h05 (horário local) de hoje, foram registrados 7 pontos de bloqueios ou interdições no estado. No boletim anterior, das 14h05, eram 8 pontos de bloqueios ou interdições.
Veja as cidades que possuem bloqueios:
Luiz Eduardo Magalhães (BA);
Sapezal (MT);
Pontes e Lacerda (MT);
Sorriso (MT);
Matupá (MT);
Campos Novo dos Parecis (MT);
Campos de Júlio (MT);
Água Boa (MT);
Sinop (MT)
Veja quais pontos estão bloqueados ou interditados em Rondônia:
BR-364, km 1070 - Distrito de Nova Califórnia;
BR-364, km 1040 - Distrito de Extrema;
BR-364, km 938 - Distrito de Vista Alegre do Abunã;
BR-364, km 797 - Distrito de Jaci Paraná (Próximo a ponte);
BR-435, km 120 - Cerejeiras; BR-425, km 96 - Nova Mamoré;
BR-435, km 84 - Colorado do Oeste
Os bloqueios ocorrem desde o dia 30 de outubro, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Os manifestantes contestam o resultado das urnas e pedem intervenção militar.
MPF cogita omissão de PRF em atos golpistas. Na última segunda-feira (14), o MPF (Ministério Público Federal) do Rio de Janeiro pediu o afastamento por 90 dias de Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
No pedido, a entidade argumenta que ele fez uso indevido do cargo ao pedir votos irregularmente para Bolsonaro durante a campanha presidencial.
Na eleição para a prefeitura de Sorriso (MT) de 2020, o patriarca do clã Rovaris fez uma aposta onde não havia a possibilidade de derrota. Ao financiar as candidaturas dos dois principais concorrentes, Valdocir Rovaris, um milionário empresário do agronegócio de 71 anos, garantiu a influência no poder público sem que precisasse depender do resultado das urnas. Hoje, quem está à frente dos negócios da família é um dos filhos dele, Atilio Rovaris, um piloto amador de rally responsável por doar R$ 500 mil para a campanha de Jair Bolsonaro (PL). Ele é um dos maiores financiadores do presidente na corrida eleitoral vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e esteve em maio deste ano em um encontro do setor com Bolsonaro em Brasília. A família teve as contas de uma de suas empresas, a Transportadora Rovaris, bloqueadas por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). O órgão rastreou 43 empresas e pessoas físicas suspeitas de bancar os atos golpistas após o segundo turno. Mais da metade dessas contas é de empresas de Sorriso (MT), município com 92 mil habitantes apontado como uma das potências do agronegócio no país. O "eleito" do agronegócio. A prática adotada pela família Rovaris não é a única usada para manter o poder político na cidade. Os clãs do agronegócio também têm apoiado alguns candidatos de sua preferência. Foi o caso do deputado estadual Xuxu Dal Molin (PSC), que teve as suas candidaturas financiadas por quatro clãs suspeitos de bancar os atos golpistas no país. Em 2018, ele se elegeu deputado estadual com o apoio de Moyses Bocchi, que doou R$ 20 mil para a sua campanha. O empresário é ligado à empresa Berrante de Ouro Transportes Ltda, que teve as suas contas bloqueadas pelo STF por apoiar os atos golpistas. Na eleição para a prefeitura de Sorriso, em 2020, Dal Molin recebeu R$ 30 mil de Valdocir Rovaris, que, por outro lado, repassou outros R$ 50 mil para a campanha do adversário dele, Ari Lafin (PSDB), que acabou eleito. Neste ano, Dal Molin tentou se reeleger deputado estadual, mas não conseguiu. Na campanha, recebeu R$ 50 mil de Sergio Bedin, que teve a sua conta pessoal bloqueada pelo STF por suspeita de financiar atos golpistas. O político local ainda arrecadou doações de Moyses Bocchi (R$ 5 mil), e de Ilo e Nelsi Pozzobon (que doaram R$ 440 cada) —todos integram a lista do Supremo. Outro candidato com apoio do clã. Dal Molin não é o único candidato apoiado pelos clãs. Em 2022, as famílias Rovaris, Bedin e Bocchi doaram, juntas, R$ 170 mil a um candidato que não se elegeu. É Acacio Ambrosini (Republicanos), um vereador de Sorriso que tentou vaga de deputado federal, mas não conseguiu. Tanto Ambrosini quanto Xuxu Dal Molin fizeram, em suas redes sociais, publicações de incentivo aos atos golpistas em frente aos quartéis no estado. Dal Molin postou no Facebook, no dia 5 de novembro, um vídeo que mostra um comboio de caminhões chegando Batalhão do Exército na capital Cuiabá. Apoio aos diretórios. As famílias também costumam doar para diretórios estaduais de determinadas legendas em MT. Em 2018, por exemplo, o antigo DEM (atual União Brasil) recebeu R$ 160 mil de membros das famílias Rovaris, Bedin e Bocchi. O que dizem os citados O administrador da Berrante de Ouro, empresa ligada à família Bocchi, afirmou que os advogados da empresa já estão recorrendo da decisão de Moraes e que demais manifestações serão feitas nos autos do processo. "Nossas manifestações são legais e não estamos impedindo o direito de ir e vir de ninguém", disse um representante da empresa. Procurada, a família Rovaris disse que só iria se manifestar sobre o caso após os seus advogados de defesa terem acesso aos dados da ação do STF. Os outros citados não foram localizados. Assim que houver novos posicionamentos, eles serão incluídos na reportagem. Dal Molin e Ambrosini, os principais candidatos apoiados pelos investigados, também foram procurados, mas não responderam até a publicação da reportagem. Se houver manifestações, elas serão incluídas no texto.