Pesquisadora revela como veículos omitem e/ou distorcem resultados de políticas públicas para forçar cenário de crise no país visando influenciar os votos contra Lula e as esquerdas nas Eleições
Do Jornal GGN:
Como a mídia hegemônica manipula a opinião pública sobre a economia do governo Lula
As estratégias midiáticas de manipulação da percepção econômica durante o governo Lula foi tema do programa Desinformação & Política, apresentado pela jornalista, pesquisadora e especialista em análise de discurso, Eliara Santana, na noite de sexta (18). A analista criticou o papel da grande imprensa na construção de narrativas que ignoram indicadores positivos do governo atual em favor de discursos sobre crise e inflação. Essa manipulação tem refletido em pesquisas de opinião com vistas às eleições de 2026, colocando Lula, pela primeira vez, numa disputa apertada no segundo turno, sendo ultrapassado numericamente por Flávio Bolsonaro, faltando seis meses para o pleito.
Na análise de Eliara Santana, o papel da mídia na construção da percepção econômica atual é o de uma construção estratégica da realidade, que muitas vezes não corresponde aos indicadores estatísticos reais. Essa percepção não é algo dado, mas sim “costurada” pelos meios de comunicação para influenciar a opinião pública.
Os principais mecanismos utilizados pela mídia são:
- Atribuição de resultados à “sorte”: Quando os indicadores econômicos são positivos — como a queda sistemática do dólar, o aumento da renda ou o fato de o PIB brasileiro voltar à 10ª posição mundial — a mídia tende a atribuir esses avanços à sorte, e não às políticas públicas do governo Lula. Isso impede que a população estabeleça um “fio” de ligação entre as ações governamentais e a melhora em sua qualidade de vida.
- Criação de “repertórios de crise”: A mídia utiliza subtemas específicos para ilustrar uma ideia constante de crise econômica. Um exemplo citado é a “inflação de alimentos”, tema usado para marcar a percepção de que os preços estão fora de controle, mesmo quando a inflação geral está dentro ou abaixo da meta.
- Foco no negativo e omissão do positivo: O jornalismo destaca apenas aspectos negativos, como o endividamento das famílias, enquanto ignora ou minimiza medidas como a isenção de imposto de renda ou programas de refinanciamento de dívidas.
- Manipulação da percepção para fins políticos: O que orienta o voto é a percepção da melhora de vida, e não o indicador econômico em si. Ao construir uma narrativa onde “2 + 2 = 5” (analogia ao livro 1984), a mídia consegue fazer com que 43% da população sinta que a economia piorou, apesar de indicadores que mostram o contrário.
Historicamente, diz Eliara Santana, esse comportamento da mídia hegemônica remete ao período que antecedeu o impeachment de 2016. Naquela época, mesmo com desemprego em queda e aeroportos lotados, a mídia teria construído um “repertório de crise econômica” e corrupção para manipular a opinião pública e legitimar a retirada do governo do poder. Atualmente, o mesmo movimento de “passar pano” para o bolsonarismo e atacar a gestão econômica atual persiste como uma forma de manter os interesses das elites.
O programa Desinformação & Política é transmitido no canal TV GGN, no Youtube, toda sexta-feira, às 18h. Neste episódio, Eliara Santana também abordou os impactos políticos e sociais no Brasil dez anos após o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff, estabelecendo uma conexão direta entre a deposição da ex-presidente, classificada como um golpe, e a ascensão do bolsonarismo, resultando no que a autora define como um retrocesso civilizatório. Além disso, a fonte denuncia a precarização do trabalho jornalístico e o descaso com a infraestrutura das estradas mineiras após um acidente fatal envolvendo dois profissionais da Band.
Assista abaixo:


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