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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Fernando Brito: No Fantástico, todos os fakes do presidente... E ainda dizem que outro é que é o "pai da mentira"...


Por Fernando Brito:

Reportagem do Fantástico, longa e detalhada, mostra que os perfis derrubados pelo Facebook na rede bolsonarista eram, explicitamente, ligados ao próprio Jair Bolsonaro.
Isso é o mais importante: a conexão direta entre o presidente e o que ele chamou de sua “rede de informação”, como ele próprio referiu-se, na tal reunião ministerial de 22 de abril, como sua fonte maior de informações.
E, também, fontes de desinformação localizadas dentro do Palácio do Planalto e de gabinetes de deputados bolsonaristas.
É daí que devem partir as investigações sobre o esquema criminoso de manipulação de notícias e disseminação do ódio político.
E partir para esclarecer quem forma o que, ontem também, na Globonews, foi chamado pelo youtuber Felipe Neto de “pirâmide”.
Neto, a mais recente vítima da rede de difamação, sustenta que já não existe mais um único “gabinete do ódio” mas uma grupo de “cabeças” que comanda, irradiando-se, uma infinidade de grupos de whattsapp que amplifica o alcance das mensagens.
Reproduzo, a seguir, tanto a matéria do Fantástico quanto parte da entrevista de Felipe Neto, esta com um pequeno problema de áudio que não impede a compreensão do que ele diz.
Cada vez estamos mais próximos de um “fakegate”.
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Rosana Pinheiro-Machado escreve sobre o poder das mentiras que sustenta Bolsonaro e estimula o fascismo através das Redes Sociais em artigo para o The Intercept



Na batalha das redes, a extrema direita ganha por W.O.

A grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. Mas a esquerda ainda não entendeu.

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Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil


ENQUANTO VOCÊ LÊ esta coluna, parte da rede bolsonarista de WhatsApp recebe aproximadamente 5 mil mensagens nos quase 2 mil grupos de apoio ao ex-capitão.
“A extrema direita ganha por W.O.”, quando há vitória de um time sem adversário. Assim Pedro*, expert em tecnologia e política, define a atual disputa ideológica entre direita e esquerda nas redes sociais. Ele segue sua explicação: “é como se fosse uma guerra aberta, na qual a direita vem com drone e bombardeio, e a esquerda joga um fogo de artifício para o alto para tentar demonstrar reação, sem exatamente entender que está numa guerra”.
Pedro se vale de muitas figuras de linguagem para explicar e dar sentido ao horror da caixa de pandora que tem em mãos. O último monitoramento realizado por sua equipe analisou 2.513 grupos de WhatsApp bolsonaristas, 93.886 usuários e mais de 5 milhões de mensagens conspiracionistas sobre o coronavírus compartilhadas desde fevereiro.
Eu acessei o software, sem preparo psicológico prévio, e fiquei enojada e atônita por alguns dias. Para pesquisadores que trabalham com big datae extrema direita, é normal lidar com uma quantidade imensa de dados desse tipo. Mas não é o meu caso. A sensação de ver a máquina do ódio funcionando a todo a vapor, segundo a segundo, me fez entender um pouco o que Pedro queria dizer com uma guerra sem adversário.
Pedro tem um vasto e respeitado currículo profissional na área de política e tecnologia, mas prefere manter sua identidade protegida para seguir nos bastidores sua luta contra a desinformação. Abrindo a caixa de pandora diariamente, ao mesmo tempo em que tenta dialogar com as principais lideranças do campo da esquerda no Brasil, o pesquisador tem uma visão bastante árida da fragilidade tecnológica do campo progressista. Para ele, as esquerdas têm uma dupla defasagem na disputa política-tecnológica.
Primeiro, uma parte da esquerda ainda não entendeu – e talvez não esteja disposta a entender – que a grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. Segundo, esse estado de inanição apenas reflete algo de fundo, que é uma falta de projeto e orientação para o futuro.
É claro que existem movimentos, mídias, ativistas, influenciadores digitais e parlamentares que se preocupam com o tema e têm grande impacto nas redes. Não se trata de ignorar o trabalho daqueles que, há alguns anos, estão tentando mudar esse quadro. O ponto é meramente reconhecer que esses esforços não chegam perto de compor estrategicamente um ecossistema de atores que se movem, mais ou menos de forma coordenada, num processo de disputa política propriamente dito.
Pedro relata situações em que desenvolveu projetos digitais para partidos e lideranças de esquerda. Sua frustração é, campanha após campanha, ver que o trabalho é muitas vezes interrompido após as eleições: “Não dá para parar. Esse é um projeto contínuo”.
Acreditar que basta ganhar a eleição de 2022 para mudar o quadro catastrófico em que nos metemos faz parte do autoengano generalizado e sintomático que acomete a esquerda tradicional há quase uma década.
Surgem manifestações coxinhas, a gente dá risada. Bolsonaro se coloca como candidato, a gente diz que ele não terá tempo de televisão e que o sistema político irá se regenerar em torno da polarização PT versus PSDB. Bolsonaro cresce nas pesquisas, é porque Lula está preso – sim, evidentemente, mas podemos pensar que não foi só isso? Bolsonaro ganha as eleições é porque levou a facada  – sim, esse foi um elemento desestabilizador, mas podemos pensar que não foi só isso?
Não se trata de ignorar os muitos golpes que a esquerda e o PT, em particular, sofreram. Mas é preciso também entender que a extrema direita vem se articulando nas mídias desde a virada do milênio. E essa articulação tem sido feito com propósito, tentativa de coordenação de diferentes vertentes e sistematicamente espalhando paranoia e pânico moral contra inimigos forjados.
Quando não entendemos que a vitória de Bolsonaro faz parte de um projeto muito maior, só nos resta esperar as pesquisas de aprovação do governo a cada semana e ficar agarrados naquelas que indicam alguma queda da base dos 30% do que seria o núcleo-duro bolsonarista. Resta-nos torcer para que o governo se autodestrua. Basta eleger alguns parlamentares e tentar não perder em 2022. Resta-nos acreditar que tudo o que aconteceu no Brasil foi fruto das fake news bolsonaristas produzidas no “gabinete do ódio”. Acreditamos que, ao prender seus agentes estratégicos, o núcleo-duro bolsonarista seria desestruturado.
Essa é uma visão limitada de como se articula a rede bolsonarista política e tecnologicamente. Pedro dá o exemplo da prisão de Sara Winter, que não tinha nenhuma menção no ecossistema de extrema direita. Após sua detenção, houve uma explosão de seu nome na rede, em uma onda de viralização de linguagem religiosa que pedia por orações por ela em mais de 1.031 grupos cheios de emojis de amém e linguagem de guerra espiritual.
A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo.
“Infelizmente, a rede de distribuição de informação do ecossistema é muito maior do que a operação da Polícia Federal foi capaz de identificar”, diz um relatório realizado pela equipe de Pedro, demonstrando que, para além dos grupos militantes declarados, essa rede atua também por clusters presentes em grupos de venda, pornografia e caminhoneiros.
Pedro sempre bate na tecla que a incompreensão de como funciona o ecossistema traz resultados negativos para a esquerda enquanto um campo de oposição. “Muitas pessoas pensam que basta acabar com o gabinete do ódio como se a rede bolsonarista fosse meramente uma estrutura de poder e financiamento vertical. A grande incompreensão é não entender que essa rede atua com suas próprias mídias e é muito mais autônoma, horizontal, autofinanciada do que se imagina”.
O gabinete do ódio – que precisa, sim, ser desestruturado –  é, portanto, consequência (e não apenas a causa) de um alinhamento de forças de articulistas e influenciadores outrora pulverizados. Acabar com esse ponto de organização não necessariamente mina os 18 mil outros domínios de divulgação política mapeados por Pedro.
É evidente que esse ângulo de olhar a realidade traz uma profunda angústia e uma sensação de impotência. A primeira coisa que nos perguntamos é como sair dessa. É possível que os ratos voltem para os esgotos depois de as comportas terem sido abertas? É possível regenerar um sistema putrefato que funciona livremente?
Em primeiro lugar, penso que é importante não perder de vista que nem tudo é vitória por W.O. do lado de lá. O professor especialista Fábio Malini, pioneiro no estudo de big data e política das redes no Brasil, comentou comigo recentemente que não podemos esquecer que o poder bolsonarista, atualmente, advém de uma máquina de propaganda governista, o que, a meu ver, enfraquece a espontaneidade e autenticidade do ecossistema.
Malini também destaca o fato que ideias progressistas estão ganhando espaço nas redes e no mercado editorial, citando Felipe Neto e Djamila Ribeiro, por exemplo, e que mais atenção pública tem sido dada ao trabalho de parlamentares de esquerda. O professor também mostra que as hashtags #antifa #antirracismo e #auxilioemergencial são exemplos de disputas narrativas que o campo progressista venceu nas redes.
Ambos os pesquisadores concordam que o anticientificismo de Bolsonaro é um ponto fraco. Quando a gente fala de esperança nas redes, ela vem da renovada atuação de cientistas pautando debates nacionais, os quais não apenas defendem o conhecimento técnico, mas também a democracia.
Buscando uma luz no fim do túnel, questionei Pedro se havia um ponto de abalo nesse ecossistema. Ele me disse que as mensagens de pessoas infectadas por coronavírus são um ponto importante de desestabilização. Começaram a circular mensagens de pessoas chorando, relatando sofrimento e morte, dizendo que não era uma “gripezinha”. Malini entende que isso afeta a classe médica e também os demais grupos apoiadores, produzindo um efeito negativo que não é instantâneo, mas tem “influência de longo prazo”.
Nada disso, contudo, impacta imediatamente a caixa de pandora bolsonarista, especialmente via WhatsApp. É por isso que, no curto e no médio prazo, é tão importante investigar e regular as mídias. Não se trata de uma salvação, mas um passo importante para impor limites no avanço da extrema direita, que até agora andou sem freios.
Quando conversei com o historiador Federico Finchelstein para minha última coluna, perguntei como e quando acabam regimes fascistas baseados em mentiras. Ele me respondeu que, olhando para o passado, o esgotamento se dá da maneira mais trágica: quando as pessoas começam a morrer. Essa é uma resposta que faz todo o sentido e encontra eco na própria política de morte bolsonarista, que agora atinge seus próprios apoiadores.
A experiência da extrema direita aponta para a formação de uma rede em que as pessoas se sentem incluídas no processo político.
Mas, em termos de ação política, essa não é uma resposta aceitável para o campo de oposição, que não pode esperar – e não tem esperado – que as pessoas morram.
A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo. A luta comunicacional contra a extrema direita é inglória e assimétrica porque os fascistas atuam por mentiras que tocam no âmago no medo – e o medo é um sentimento que mobiliza os indivíduos visceralmente. Mas é possível entrar nessa batalha de forma honesta mudando o modus operandi.
Por pelo menos quatro décadas, os gurus da extrema direita estudaram as táticas políticas da esquerda. Agora, está na hora de a esquerda fazer o movimento contrário, não para copiar os métodos sujos, mas para entender seu funcionamento.
A experiência da extrema direita aponta para a formação de uma rede em que as pessoas se sentem incluídas no processo político, se sentem atores ativos e não passivos no ecossistema bolsonarista. Isso já estava claro nas minhas pesquisas e de Lúcia Scalco com jovens no Morro da Cruz, realizadas em Porto Alegre em 2017. Os simpatizantes repassavam mensagens e criavam conteúdos voluntariamente no YouTube para espalhar em outras redes.
Há muito pouco disso no campo da esquerda tradicional, que usa o WhatsApp ainda de forma vertical, cadastrando números de telefone para passar informação de políticos e partidos unilateralmente. Também se disseminou a promoção de intermináveis lives, bastante explicativas do mundo e muito pouco participativas – e não raramente com a caixa de comentários do Instagram fechada. Por uma hora, o político x fala com o líder do movimento y – e há quem acredite que isso é disputa de redes. Esse é um modelo que está fadado ao fracasso.
A esquerda precisa já se ocupar das redes de forma mais propositiva, horizontal e articulada para formar um ecossistema inclusivo, que não fique permanentemente caçando a carteirinha de seus membros.
O campo tradicional da esquerda precisa se abrir, fomentar alianças amplas, ampliar as linhas de debate, formar novas lideranças e oferecer esperança, utopia e projeto no lugar do medo.

terça-feira, 16 de junho de 2020

STF fecha o cerco e Polícia Federal faz busca e apreensão contra 21 bolsonaristas



Alvos são intimamente ligados a Jair Bolsonaro, incluindo o blogueiro Allan dos Santos e o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). Ao todo, são 21 mandados em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Maranhão

Allan dos Santos
Allan dos Santos (Foto: Alessandro Dantas)

247 - A Polícia Federal foi às ruas no início da manhã desta terça-feira (16) para cumprir mandados de busca e apreensão. As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A reportagem é do portal G1. 
A ação é um desdobramento do inquérito que apura a organização e financiamento de atos antidemocráticos.
Ao todo, são 21 mandados, e os alvos estão em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Santa Catarina.
Um dos objetivos do inquérito é descobrir quem financia os grupos e atos antidemocráticos.
O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), aliado do presidente Jair Bolsonaro, disse no Twitter que foi um dos alvos da operação desta terça. Ele disse que a Polícia Federal estava em seu apartamento e que isso ocorre porque ele está "incomodando algumas esferas do velho poder".
Outro alvo é Allan Santos, dono do canal Terça Livre na internet, também apoiador de Bolsonaro. Ele afirmou que os policiais apreenderam seu celular e equipamentos de gravação.
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Blogueiro bolsonarista monarquista ultra-direitista do Terça Livre aparece abalado após nova operação da PF


Alvo do “inquérito das fake news”, Allan foi visitado novamente pela PF nesta terça (16), agora no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos.

Blogueiro do Terça Livre aparece abalado após nova operação da PF

"Aqui levam meu computador, me impedindo de trabalhar, ninguém fala nada. É isso."
Jornal GGN – O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos apareceu abalado em vídeo gravado para próprio canal no Youtube, o Terça Livre, depois de passar pela segunda operação de busca e apreensão da Polícia Federal. Alvo do “inquérito das fake news”, Allan foi visitado novamente pela PF nesta terça (16), agora no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos.
No vídeo abaixo, outro membro do canal que está gravando pergunta se Allan tem alguma declaração para fazer. Abalado com a apreensão do computador recém doado, que ele usava para trabalhar, Allan silenciou. Em seguida, foi até o portão da casa que funciona como sede do Terça Livre para falar com a imprensa.
“Esse é outro inquérito. De novo, meus advogados vão tentar ter acesso aos autos. E a gente vai falar no nosso canal, Terça Livre, novas informações. Daqui a pouco a gente começa. É isso.”
Allan disse que “no dia da [primeira] busca e apreensão [no inquérito das fake news] doaram computador para a gente. Agora levaram de novo.” Ele reclamou que não há solidariedade por parte da grande mídia em relação ao blog bolsonarista. “Aqui levam meu computador, me impedindo de trabalhar, ninguém fala nada. É isso.”
Na primeira vez em que sofreu busca e apreensão, a reação de Allan foi mais enérgica. Ele falou à imprensa que era perseguido por “crime de opinião”, que sua liberdade de expressão estava sob risco e que isso deveria preocupar todos os jornalistas.
Ele também disse que a Suprema Corte cometia atos inconstitucionais. Dessa vez, não houve críticas ao STF.

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quarta-feira, 27 de maio de 2020

STF qualifica gabinete do ódio bolsonarista como "associação criminosa"


A qualificação foi feita em decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes que desencadeou as operações da Polícia Federal da manhã desta quarta-feira contra o gabinete do ódio, responsável pela disseminação de fake news nas redes sociais

Alexandre de Moares e fachada do STF
Alexandre de Moares e fachada do STF (Foto: STF)

247 - Em decisão que desencadeou as operações da Polícia Federal da manhã desta quarta-feira (27), o ministro do STF Alexandre de Moraes classificou o gabinete do ódio como possível associação criminosa. A decisão foi obtida por Caio Junqueira, da CNN.
O "gabinete do ódio" é apontado como responsável pela criação e disseminação de fake news nas redes sociais.
Moraes considerou depoimentos dos deputados federais Alexandre Frota e Joice Hasselmann para chegar a tal conclusão. "As provas colhidas e os laudos periciais apresentados nestes autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como 3 Documentos assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C590-092D-642E-AD62 e senha F3F1-04CE-2194-E5D3 INQ 4781 / DF 'Gabinete do Ódio', dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática".
"Some-se a esses fatos os depoimentos prestados pelos Deputados Federais Alexandre Frota e Joice Hasselmann em 17/12/2019, que narraram a existência de um grupo organizado conhecido por Gabinete do Ódio, dedicado a disseminação de notícias falsas e ataques a diversas pessoas e autoridades, dentre elas o Supremo Tribunal Federal. Todos esses investigados teriam ligação direta ou indiretamente com o aludido Gabinete do Ódio", completa o ministro em decisão.
O ministro ainda cita cinco empresários como financiadores do esquema de fake news. "Toda essa estrutura, aparentemente, está sendo financiada por um grupo de empresários que, conforme os indícios constantes dos autos, atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização. Os indícios apontam para EDGARD GOMES CORONA , LUCIANO HANG, OTAVIO OSCAR FAKHOURY, REYNALDO BIANCHI JUNIOR e WINSTON RODRIGUES 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C590-092D-642E-AD62 e senha F3F1-04CE-2194-E5D3 INQ 4781 / DF LIMA , cujos endereços e qualificações também foram devidamente confirmados pela autoridade policial, tipificáveis, em tese e a um primeiro exame, nos arts. 138, 139, 140 e 288 do Código Penal, bem como nos arts. 18, 22, 23 e 26 da Lei 7.170/1983, todos na forma do art. 29, caput, do Código Penal".
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Sara Winter, olavista e militante bolsonarista explícita, ameaça Alexandre Moraes ao estilo fascista e diz que bolsonaristas vão "descobrir os lugares que o sr. frequenta"


Militante que integra grupo de milícias bolsonaristas, Sara Winter chamou o ministro do STF, Alexandre Moraes, de “filho da puta”, disse que irá cobri-lo de “porrada” e ameaçou: "Vamos descobrir os lugares que o senhor frequenta"

Sara Winter e Alexandre Moraes
Sara Winter e Alexandre Moraes (Foto: Reprodução | STF)

247 - A militante bolsonarista Sara Winter, que integra uma milícia que ameaçava atacar o Supremo Tribunal Federal, usou suas redes sociais nesta quarta-feira (27) para fazer fortes ameaças ao ministro do STF, Alexandre Moraes. 
Ela, que foi alvo nesta manhã de um mandado de busca e apreensão expedido por Moraes, referente às investigações da rede de fake news criada pelo exército bolsonarista, atacou o ministro com diversos palavrões e ainda prometeu que ela e seu grupo irão persegui-lo. 
“Pena que ele mora em São Paulo, eu queria trocar soco com esse filho da puta”, disse ela. 
“A gente vai descobrir os locais que você frequenta, quem são suas empregadas domésticas, a gente vai descobrir tudo da sua vida, até o senhor pedir pra sair”, ameaçou a bolsonarista. 
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A PF, por ordem do STF, está na casa de Allan dos Santos, líder do gabinete do ódio e íntimíssimo de Eduardo e Carlos Bolsonaro


A Polícia Federal está na casa do blogueiro Allan dos Santos e em outros endereços para cumprir ordens de busca e apreensão do inquérito que investigação a disseminação de fake news a favor de Jair Bolsonaro

Allan dos Santos

Allan dos Santos (Foto: Alessandro Dantas)
247 - A Polícia Federal está na casa do blogueiro Allan dos Santos, em brasília (DF), e em outros endereços para cumprir ordens de busca e apreensão do inquérito que investigação a disseminação de fake news a favor de Jair Bolsonaro. São 29 mandados de busca e apreensão no processo presidido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Vale ressaltar que a corporação já havia identificado o vereador Carlos Bolsonaro como um dos articuladores do esquema de fake news. 
A disseminação das fake news voltaram a ganhar destaque no noticiário nacional em 2018, com a eleição de Bolsonaro. Naquele ano, houve uma campanha ilegal contra o então presidenciável Fernando Haddad (PT) com base na divulgação de fake-news (notícias falsas) no WhatsApp para prejudicá-lo. 
Conforme denunciou uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo. A matéria apontou, ainda, que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. 
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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Reinaldo Azevedo: "presidente" fã da ditadura e que acusa 2 Poderes de conspiração ou vai cair ou vai dar golpe


"(...) ainda ontem à noite, depois de nomear o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, o presidente foi para a porta do Alvorada cometer crimes comum e de responsabilidade. Convocou os brasileiros às ruas, chamou de covardes os que ficam em isolamento social e incitou a população contra os governadores. "



Charge de Aroeira. Fonte: Brasil 247

Do Notícias UOL:


Reinaldo Azevedo

17/04/2020 08h37

Pronto! 

O presidente Jair Bolsonaro já está livre do ministro Luiz Henrique Mandetta. 

Agora ele quer demitir outras pessoas: Rodrigo Maia, presidente da Câmara; João Doria, governador de São Paulo, e alguns ministros do Supremo. Bem, vamos ver até quando a institucionalidade suporta isso.

O presidente diz dispor de dados de Inteligência segundo os quais essa articulação busca derrubá-lo. 

Dados de Inteligência? Foram repassados pela Abin, que é subordinada ao general Augusto Heleno, chefe do GSI? A ser assim, o ministro teria de ser convocado pelo Senado para revelar o golpe em andamento. Seria uma convocação virtual, claro!

Então ficamos assim: ainda ontem à noite, depois de nomear o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, o presidente foi para a porta do Alvorada cometer crimes comum e de responsabilidade. Convocou os brasileiros às ruas, chamou de covardes os que ficam em isolamento social e incitou a população contra os governadores. 

E tudo isso no dia em que demitiu o ministro da Saúde em meio à crise provocada pela pandemia. E não o demitiu por seus eventuais defeitos, mas em razão de suas qualidades.

E Bolsonaro acha que outros querem derrubá-lo. 

Notem bem: ele acusa de conspiração um governador, ministros do Supremo e o presidente da Câmara; não dispõe, por óbvio, de prova nenhuma, atribui tal informação a uma investigação conduzida por um órgão de Estado. E pronto! Que fique tudo por isso mesmo.

Como ele não pode demitir nenhum dos supostos envolvidos, já sabemos qual é a palavra de ordem a mobilizar a sua súcia nas redes sociais. A coisa tem aquele chulé moral indisfarçável do tal "Gabinete do Ódio", comandado por Carlos Bolsonaro.

E AUGUSTO ARAS? 

Augusto Aras, procurador-geral da República, vai, mais uma vez, se calar. Afinal, não é?, é tão corriqueiro que um presidente da República faça acusações dessa natureza.

Pensem nos desdobramentos: se a cúpula do Congresso e do Judiciário estão unidos para derrubá-lo, o que ele deveria fazer? Dar um golpe preventivo?

GUERRA DO ICMS 

Em entrevista à CNN Brasil, soltou os cachorros contra Rodrigo Maia por causa da correta e prudente proposta de reposição do ICMS aprovada pela Câmara. Nada menos de 25 dos 27 governadores enviaram uma carta ao Senado endossando o texto. Já escrevi bastante a respeito. Algumas falas do valente, referindo-se a Maia:

"Parece que a intenção é me tirar do governo. Quero crer que esteja equivocado": "Se isso tudo for aprovado, e outras coisas virão pela forma como está se comportando, vão matar a galinha dos ovos de ouro, que é o Brasil"; 

"Isso que o senhor está fazendo não se faz com o nosso Brasil. Lamento, mas não se faz com o Brasil. Isso é falta de patriotismo, falta de um coração verde e amarelo, falta de humanismo com este país maravilhoso que se chama Brasil"; 

"Qual o objetivo do senhor Rodrigo Maia? Resolver o problema ou atacar o presidente da República? O sentimento que eu tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca"; "Não temos como pagar uma dívida monstruosa que está aí, não temos recurso. Qual a intenção? É esculhambar a economia para enfraquecer o governo para que eles possam voltar em 2022?"

ELES QUEM? 

A que "eles" se refere Jair Bolsonaro? Como se nota, a sua preocupação é eleitoral, a exemplo de sua atuação desastrosa no caso do coronavírus. Não fosse Maia, reitero, o governo estaria catatônico até agora. Foi o presidente da Câmara que deu viabilidade à PEC do Orçamento Paralelo, à PEC da Guerra, que dá condições operacionais a um governo que estava na lona, aturdido, perplexo, batendo cabeça.

Maia respondeu muitos tons abaixo da histeria de Bolsonaro, que parece ter decidido arrumar um inimigo novo para minimizar o desgaste com a demissão de Mandetta. Disse: 

"Independente de questões políticas, nunca deixei de dialogar com quadros técnicos de ninguém. Agora, também não podemos aceitar que apenas uma visão de Brasil sobre a crise prevaleça. O que prevalece é o diálogo. Não há nenhuma intenção da Câmara de prejudicar o governo, de enfrentar o governo. Queremos sentar na mesa com urgência com pautas preestabelecidas. O presidente não vai ter de mim ataques. Ele pode atacar. Ele joga pedra, e o Parlamento vai jogar flores para o governo federal." 

É a melhor resposta que que pode dar o presidente da Câmara enquanto estivermos todos ilhados.

BOLSONARO SE TRAI 

Bolsonaro e Paulo Guedes querem dar a mixaria de R$ 22 bilhões aos Estados a título de compensação do ICMS. Sabem que isso se parece mais com uma piada trágica do que com uma compensação. Tendo um cheque em branco para gastar, os valentes preveem que o socorro a empresas aéreas e de energia vai custar R$ 48 bilhões, mas pretendem compensar 27 Estados com menos da metade. Não pode ser sério.

Ao falar, no entanto, em eleições, Bolsonaro revela a natureza do jogo. Ele quer os Estados quebrados, de pires na mão, para se transformar na única referência em meio ao caos. É isso! Quer ser o rei do caos.

FIM DA LINHA 

Querem que eu diga o quê? Um presidente que acusa os outros dois Poderes de conspiração ou está perto de dar um autogolpe ou está caminhando para o abismo.

Se acredito na possibilidade de autogolpe? Responda você, leitor: se fosse da cúpula das Forças Armadas, aceitaria ser liderado por Bolsonaro numa quartelada? Bateria continência para Carlucho?