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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Operação Carbono Oculto: A expansão do esquema financeiro do PCC, envolvendo políticos de direita e empresários da Faria Lima, de São Paulo para o Piauí

 O aprofundamento da apuração revelou uma conexão direta entre empresários locais e o grupo de operadores financeiros de São Paulo que já estavam na mira da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto pela Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

Do ICL:

Carbono Oculto: A expansão do esquema financeiro do PCC de São Paulo para o Piauí

Pima Energia foi aberta em um endereço em São Paulo, apenas seis dias antes de comprar a rede de postos HD


Por  Flávio VM Costa e Alice Maciel

Material apreendido pela Polícia Civil do Piauí durante a Operação Carbono Oculto 86 levanta  suspeita de que a distribuidora paulista Aster Petróleo, acusada de integrar o esquema de lavagem de dinheiro do PCC, controlava a rede de postos de combustíveis piauiense HD. Durante as buscas realizadas em endereços da companhia em Teresina (PI), na semana passada, os agentes também encontraram um papel com a descrição de uma fórmula de adulteração de gasolina semelhante à utilizada em São Paulo. O ICL Notícias teve acesso ao teor do documento.

Os autos do inquérito policial obtidos pela reportagem revelam ainda que além da Aster Petróleo, outras cinco empresas ligadas à dupla acusada de comandar o braço financeiro do PCC – Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” – passaram a atuar no Piauí desde 2023. Ambos estão foragidos da Justiça. Entramos em contato com a defesa dos dois, mas não obtivemos retorno.

A investigação teve início após a venda suspeita da rede de postos HD, que chamou atenção da Polícia Civil piauiense devido a “inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e a criação de empresas com endereço na Avenida Paulista (SP), sem lastro econômico compatível com o volume de negócios”.

Agentes também encontraram um papel com a descrição de uma fórmula de adulteração de gasolina semelhante à utilizada em São Paulo

O aprofundamento da apuração revelou uma conexão direta entre empresários locais e o grupo de operadores financeiros de São Paulo que já estavam na mira da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto pela Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

A Polícia Civil do Piauí identificou modus operandi parecido ao descrito na operação paulista: aquisição de postos por empresas de fachada, substituição de bandeira comercial sem alterações operacionais reais, criação de fundos e holdings para mascarar os beneficiários finais, movimentação financeira atípica via fintechs e contas interligadas, adulteração de combustíveis e emissão de notas fiscais sobrepostas.

Por ser um desdobramento da operação Carbono Oculto, a investigação piauiense foi batizada com mesmo nome, mas com acréscimo do número 86, referente ao DDD do estado. A Justiça autorizou o compartilhamento de provas entre as duas operações.

“O presente procedimento investigativo com o esquema de atuação do Primeiro Comando da Capital no mercado de combustíveis, exposto pela Operação Carbono Oculto, conclui-se pela existência de fundados indícios de que a rede de postos em questão vem sendo instrumentalizada para a execução regional da mesma dinâmica criminosa”, lê-se na decisão judicial que autorizou os mandados de busca e apreensão no Piauí, Maranhão e Tocantins.

Conforme revelou o ICL Notícias, a Operação Carbono Oculto 86 atingiu o ex-assessor, aliado político e compadre do senador Ciro Nogueira (PP/PI), Victor Linhares, que recebeu R$ 230 mil de um dos donos da rede de Postos HD. Mostramos ainda que a incorporadora do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, recebeu R$ 63,9 mil de uma empresa investigada e que a firma do irmão de Ciro Nogueira dividiu endereço com um dos postos suspeitos de integrar o esquema de lavagem de dinheiro.

Victor Linhares é homem de confiança do senador Ciro Nogueira

O ICL Notícias também publicou, em setembro, uma entrevista exclusiva com o ex-piloto da companhia Táxi Aéreo Piracicaba, Mauro Matosinhos, em que ele afirmou ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira.

O senador foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre as possíveis conexões entre ele, seu ex-assessor e empresas investigadas na Operação Carbono Oculto 86. Linhares não retornou às tentativas de contato do ICL Notícias e não conseguimos contato com Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira.

Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Leme, o Beto Louco

Ordens de SP e notas fiscais suspeitas

Uma conversa de Whatsapp retirada de um celular apreendido pela Polícia Civil do Piauí mostra um funcionário da Aster Petróleo dando ordens para Moisés Eduardo Soares Pereira, da rede de postos piauiense HD.

“Gu, tem um inspetor de qualidade da CIA Ipiranga no HD 10, querendo fazer análise do produto. Nossas compras foram em outras Cias. Autoriza fazer análise?” perguntou Pereira a um contato da Aster Petróleo.  “Não deixa”, respondeu o interlocutor. “Diz que não está autorizado”, acrescentou.

A Aster comercializa combustíveis fabricados pela Copape Produtos de Petróleo. O grupo Copape/Aster, ligado a Beto Louco e Primo, foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo. A Polícia Civil do Piauí identificou que a rede de postos HD emitiu notas fiscais para a Copape, evidenciando movimentações comerciais entre as empresas.

Além disso, foram emitidas 504 notas fiscais pela Duvale Distribuidora, também vinculada ao grupo de Beto Louco e Primo, conforme revelado pela investigação da Carbono Oculto. De acordo com relatório da Polícia Civil do Piauí, a maior parte dessas operações refere-se à comercialização de combustíveis, concentrando-se no período de dezembro de 2023 a maio de 2024.

“Verificou-se que parte das notas fiscais emitidas pela Duvale não apresenta rastreabilidade logística, em razão da ausência de documentos fiscais de transporte ou da inexistência de registro de passagem das mercadorias no Piauí”, informa o documento.

Investigadores ouvidos pela reportagem afirmam que as notas fiscais foram emitidas com fraudes para ludibriar a fiscalização. Insumos de combustível seriam registrados tendo como destino o Piauí, que tem uma alíquota de imposto menor, mas seriam enviados para São Paulo.

 

Carbono
Haran Santiago foi alvo da polícia quando estava no aeroporto de Guarulhos

Fundo de investimentos também conecta SP ao Piauí

A transferência de propriedade da rede piauiense de postos de combustíveis HD, que pertenciam aos empresários Haran Sampaio e Danilo Souza, para um fundo de investimento suspeito, é outra prova da ligação da expansão do esquema de São Paulo para o Piauí. Em dezembro de 2023, o grupo foi vendido para a Pima Energia Participações Ltda.

O que chama atenção, segundo relatório da Polícia Civil do Piauí, é que a Pima Energia foi aberta em um endereço em São Paulo, apenas seis dias antes de comprar a rede de postos HD, “levantando a suspeita de que foi criada especificamente para formalizar a referida transação comercial”.

Os investigadores suspeitam que foi uma venda de fachada, uma vez que houve uma “substituição de bandeira (de HD para Pima e Diamante) sem alteração operacional real”.

Em depoimento prestado à Polícia Civil, Sampaio e Souza negaram envolvimento no esquema de adulteração de combustíveis.

O único sócio da Pima Energia à época da venda era o Jersey Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que por sua vez é administrado por uma empresa também suspeita de lavar dinheiro e, igualmente, alvo da operação Carbono Oculto: a gestora de fundos Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros.

Hub de soluções financeiras, a Altinvest é liderada pelo empresário Rogério Garcia Peres e administra 10 fundos citados pelos promotores na Carbono Oculto. O MP-SP afirma que Peres é um dos responsáveis pelas “dinâmicas fraudulentas envolvendo fundos e a BK Instituição de Pagamento”. A Altinvest e Peres negam envolvimento com o crime organizado.

Segundo relatório da Polícia Civil do Piauí, após a conclusão da venda dos postos de combustível da rede HD, Moisés Eduardo Soares Pereira passou a figurar como único sócio da Pima Energia Participações Ltda. Ele é um ex-funcionário de Haran Sampaio e Danilo de Souza. Investigadores suspeitam que ele é um laranja de seus patrões.

Após a compra pela Pima Energia, os postos de gasolina da rede “Postos HD” passaram a ser chamados de Red Diamante. De acordo com a investigação da Operação Carbono Oculto 86, há evidências de uso de empresas de fachadas vinculadas às marcas “Postos HD”, “Postos Pima” e “Postos Diamante”, “que tem suspeita de ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”.

“As evidências apontam para possível sobreposição de registros ou compartilhamento de estrutura física entre diferentes pessoas jurídicas, indicando manobra para ocultar operações financeiras e dificultar a rastreabilidade de recursos, prática típica de lavagem de capitais”, destacam os investigadores.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Em desespero, bolsonarismo ameaça a Polícia Federal

 

Do Blog da Cidadania, citando jornais e revistas:

Situação de Bolsonaro se agrava, ele surta e incita seus fanáticos a cometerem NOVOS crimes de ameaças à PF após a corporação indiciá-lo



terça-feira, 6 de junho de 2023

Ala da PF ligada a Moro e ao TRF-4 produziu “falso positivo” em laudo tendencioso que afastou juiz Appio, aponta novo parecer

 

Para perito contratado pela defesa de Appio, laudo da PF deveria ter sido classificado como inconclusivo



Jornal GGN. - Está possivelmente equivocado o laudo da Polícia Federal que orientou a Corregedoria do TRF-4 na ação que afastou cautelarmente o juiz Eduardo Appio da 13ª Vara Federal da Lava Jato. É o que indica o parecer assinado pelo especialista em fonética forense Pablo Arantes, que chamou atenção para a alta probabilidade da PF ter produzido um “falso positivo” no laudo.

O novo parecer, acessado pela reportagem do GGN e encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda (5), comparou a voz real de Appio com a voz que foi registrada no vídeo gravado pelo filho do desembargador Marcelo Malucelli. Segundo Arantes, as vozes são similares em dois aspectos: (1) ambas as vozes são masculinas e (2) os indivíduos têm sotaque sulista.

Essas semelhanças, contudo, são insuficientes para que se afirme cabalmente que a voz na ligação feita ao filho do desembargador Malucelli tem probabilidade +3 (numa escala de -4 até +4) de ser a voz de Appio, ao contrário do que apontou o laudo da PF.

“(…) o teor do que é apresentado no Laudo não justifica a atribuição do nível +3 (…) meu melhor juízo é que os resultados relatados no Laudo são mais compatíveis com a atribuição do nível 0, que equivale à descrição verbal ‘o resultado nem corrobora nem contradiz a hipótese’, apontou Arantes.

Pablo Arantes será entrevistado pelo jornalista Luis Nassif no programa TV GGN 20 Horas, ao vivo, nesta segunda. Clique aqui para salvar o link.

Falso positivo

O pesquisador sublinhou que “se tomarmos a população combinada dos três estados da região sul, os falantes das amostras padrão e questionada são dois falantes em um universo de aproximadamente 15 milhões de pessoas. Levando em conta que as duas vozes fazem uso de um registro melódico relativamente mais baixo do que a média da população, esse número pode ser reduzido para aproximadamente 5 milhões, (…) o que, do ponto de vista da possibilidade de um falso positivo na identificação, é inaceitavelmente alto.”

Seguindo a linha da defesa, que não vê no laudo da Polícia Federal uma “prova cabal”, ainda apontou que a metologia usada pela PF não o próprio criador da escala usada no laudo da Polícia Federal admite “margem à subjetividade, em particular quando se pesa e combina os resultados da análise de diversos parâmetros”.

“Portanto, sem um protocolo explícito, motivado e rigoroso que guie a relação entre os achados presentes no corpo evidenciário reunido pelo exame pericial e atribuição de um nível numérico na escala, essa relação corre o risco de ser estabelecida de maneira relativamente livre e subjetiva”, pontuou Arantes.

Defesa alega que Appio não é autor do trote


Em entrevista à CNN Brasil, Pedro Serrano, um dos advogados de Appio, afirmou que o juiz federal não é autor da ligação feita a João Eduardo Malucelli, que também é genro e sócio do canal Rosângela e Sergio Moro.

E mesmo que Appio fosse autor da ligação, não há que se falar, na visão de Serrano, em ameaça a filho de desembargador, pois Appio não usou do cargo para ameaçar quem quer que seja.

Por conta de ligação em que supostamente tenta confirmar a filiação e intimidade entre os Moro e os Malucelli, Appio foi afastado do cargo pela Corregedoria do TRF-4, sem direito à defesa prévia.

domingo, 4 de abril de 2021

Kássio Nunes, André Mendonça e Anderson, a nova face do estado de exceção da extrema-direita. Por Luis Nassif

 


Por Luis Nassif

O Ministro Kássio é a prova inconteste dos males que as decisões monocráticas dos Ministros do Supremo trouxeram para a casa. Em nome de boas causas, Ministros ganharam o poder de mandar prender. Em nome da esperteza, Ministros pediram vistas eternas de julgamentos em que seriam derrotados. A Lava Jato consolidou o jogo da loteria das instâncias

Agora, chega-se o ponto mais alto da desmoralização do Supremo, não por coincidência através de um advogado indicado por Bolsonaro. E, a julgar por seu nível novos recordes de desmoralização deverão ser batidos.

Primeiro, Kassio vai contra o entendimento do Supremo, que cabe a prefeitos e governadores decidirem sobre e manda liberar cultos, no momentos mais grave da pandemia. Não se pense em apoio espiritual após fiéis. O país aprendeu a se comunicar virtualmente. O grande problema é que os templos ainda não naturalizaram o dízimo online. A decisão do Ministro Kássio teve inspirações pouco evangélicas, de dar ao pastor o que é do pastor. Pior, baseou-se em ação que tramitava desde 2020, de uma tal Associação dos Juristas Evangélicos.

É claramente uma decisão que afronta todas as recomendações médicas e aumenta os índices de mortalidade do Covid-19. 

Houve uma reação do prefeito de Belo Horizonte, protegendo seus cidadãos. Ai, Kassio aciona o Pazuello da Advocacia Geral da União (AGU), André Mendonça, e o gendarme do Ministério da Justiça, delegado Anderson Torres, e ameaçam Kalil com a Polícia Federal.

Confirma-se, assim, o cenário de que Bolsonaro passaria a exercitar o estado de exceção por dentro. Os três são candidatos certos à Justiça de Transição que se seguirá a esse pesadelo. Que a decisão de Kássio lhe custe uma condenação com execração pública.

Mas, enquanto isto, as três bestas do apocalipse ajudarão no trabalho genocida de seu patrono, enquanto as instituições dormem e os idiotas da objetividade garantem que elas estão funcionando.

Alem de tudo, Kassio é uma zebra provinciana. Resolveu intimidar o mais voluntarioso dos políticos brasileiros, o prefeito de BH. Kalil bancará a aposta, e Kassio não poderá voltar atrás.


domingo, 17 de maio de 2020

Thiago dos Reis, do Canal Plantão Brasil, sobre as mais nova Bomba da corrupção bolsonarista: a denuncia de Paulo Marinho sobre a PF e Bolsonaro....


Paulo Marinho, suplente de Flávio, diz que a PF vazou informações da operação Furna da Onça para o clã bolsonarista antes da eleição.


Do Canal Plantão Brasil:



Randolfe Rodrigues defende que Paulo Marinho seja ouvido no inquérito do STF e pede cassação de Flávio Bolsonaro



O senador Randolfe Rodrigues classificou as revelações do empresário Paulo Marinho como "gravíssimas" e disse que vai acionar o Supremo Tribunal Federal para que o empresário seja ouvido no inquérito que apura a interferência de Bolsonaro na PF



(Foto: Geraldo Magela/Agencia Senado)

247 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede) afirmou que as revelações do empresário Paulo Marinho mostram a interferência de Jair Bolsonaro e de sua família na Polícia Federal, já ocorria antes mesmo do início de seu governo. 


"As revelações feitas por Paulo Marinho são gravíssimas!", afirmou o senado, informando que vai pedir a cassação de Flávio Bolsonaro.
"Em decorrência disso estaremos, na segunda-feira, protocolando no Conselho de Ética do Senado, um pedido de investigação, e caso comprovados os fatos, entraremos com pedido de cassação do Senador Flávio Bolsonaro", disse.
"Além disso, iremos peticionar ao inquérito que tramita no STF sobre a interferência de Bolsonaro em investigações em curso na Polícia Federal, para que no âmbito desse inquérito presidido pelo ministro Celso de Mello, o Sr. Paulo Marinho seja ouvido", acrescentou.

E em decorrência disso estaremos, na segunda-feira, protocolando no Conselho de Ética do Senado, um pedido de investigação, e caso comprovados os fatos, entraremos c/ pedido de cassação do Senador Flávio Bolsonaro.

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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Xadrez de como o novo delegado-geral da PF, Alexandre Ramagem, já atuava em favor dos Bolsonaro, por Luis Nassif




Ramagem continuou atuando sem ser incomodado. Provavelmente porque se descobriu que Ramagem não estava operando a favor do PT, mas de seu amigo Eduardo Bolsonaro.

Do Jornal GGN:

Com base nas conversas do Telegram da Lava Jato, The Intercept identificou conversas entre os procuradores, suspeitando de que o delegado da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, “era corrupto e ligado ao PT”.
Pelo material divulgado, não se sabe os desdobramentos dessa suspeita. Ramagem continuou atuando sem ser incomodado. Provavelmente porque se descobriu que Ramagem não estava operando a favor do PT, mas de seu amigo Eduardo Bolsonaro.
Vamos aos fatos e às suspeitas.

Peça 1 – a Operação Furna da Onça

A Operação Furna da Onça, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, visou esquemas de corrupção envolvendo políticos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e os governos Sérgio Cabral e Pezão, a partir das denúncias de dois doleiros.
Para subsidiar a operação, a pedido do MPF o COAF produziu um relatório sobre movimentações financeiras de deputados e servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O relatório levantou a movimentação de um número razoável de pessoas. O MPF se incumbiu das investigações que envolviam Jorge Picciani. As movimentações atípicas em gabinetes de deputados, que não tivessem envolvimento direto, seriam encaminhadas para o MPE-RJ.
Ainda em janeiro de 2018, o COAF encaminhou o relatório ao MPE-RJ, para análise preliminar de outros casos que não estivessem diretamente ligados a Picciani. Era um cartapácio de 400 páginas, uma pedra bruta que precisou ser lapidada.
Na véspera das eleições, o então juiz Sérgio Moro – que já tnha certado sua nomeração para Ministro da Justiça de Bolsonaro – divulgava o vídeo de Antônio Palocci, com a intenção nítida de influencias as votações. Na outra ponta, o nome de Fabrício Queiroz, o faz-tudo dos Bolsonaro, estava no relatório do COAF, podendo implicar Flávio Bolsonaro. Mas passou despercebido até as eleições.
O que aconteceu nesse período?

Peça 2 – a cronologia dos fatos.

Uma série de movimentações sugeriam que Bolsonaro já tinha acesso a informações privilegiadas da operação Furna da Onça e dos preparativos do MPE-RJ. Tanto que sua primeira atitude, depois de eleito, foi trabalhar para abafar o caso, antes que viesse a público.
Confira a cronologia:
28.10.2018 – Segundo turno das eleições.
06.11.2018 – Queiroz e sua filha Natalia foram exoneradas dos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro.
12.11.2018 – o desembargador Abel Ferreira, do TRF2, divulga a representação do MPF sobre a Operação.
Alguns trechos do relatório, comprovando que já havia vazamentos para os suspeitos:
Esse contexto aponta com verossimilhança a existência de pessoa de prontidão para repassar informações aos investigados, valendo destacar que parte dos fatos descritos pelo MPF envolve exatamente a ingerência que os agentes políticos teriam na indicação e ocupação de cargos dentro das mais variadas estruturas estatais, que encontrou, para vários deles, corroboração nas medidas de busca e apreensão.
06.12.2018 – E, aqui, o divisor de águas, que muda o curso das investigações: Relatório do COAF mencionando Queiroz é vazado para o Estadão.  E aparecem pela primeira vez nomes ligados a Bolsonaro.
11.12.2018 – Depois do vazamento o MPF encaminhou ao MPE-RJ o seu inquérito.
Porque, então, Queiroz ficou de fora da Operação Furna da Onça?
Na foto dos detidos, faltou um nome: Flávio Bolsonaro

Peça 3 – o relatório do COAF

As manobras ocultando Flávio Bolsonaro – e desmontadas pelo vazamento do relatório do COAF – começaram a ficar mais nítidas a partir de 21.02.2019, quando o grupo Auditores-Fiscais Pela Democracia (AfpD) divulgou a Nota Técnica no 02.
Um dos filtros essenciais para a seleção de suspeitos é o volume de dinheiro movimentado em cada operação, explicavam eles. No caso da Operação Furna da Onça, foram levantadas as movimentações financeiras dos suspeitos no período 2014 a 2017.
Seis dias após o vazamento do relatório, Bolsonaro se manifestou sobre o tema, comprovando que o agente detonador das investigações contra Queiroz fora mesmo o vazamento. Segundo O Globo, declarou, em transmissão pelo Facebook:
“O Queiroz não estava sendo investigado, foi um vazamento que houve ali, não sou contra vazamento, tem que vazar tudo mesmo, nem devia ter nada reservado, botar tudo para fora e chegar a uma conclusão. Dói no coração da gente? Dói, porque o que nós temos de mais firme é o combate à corrupção e aconteça o que acontecer, enquanto eu for o presidente, nós vamos combater a corrupção usando todas as armas do governo, inclusive o próprio Coaf”.
Uma semana após a publicação do vazamento, o MPE-RJ pediu um relatório ampliado ao COAF pedindo o detalhamento das operações de Queiroz. Os alvos passaram a ser, então, Flávio Bolsonaro, Queiroz, Nathalia Queiroz, Evelyn Queiroz (ambas filhas do ex-assessor), Márcia de Oliveira Aguiar (mulher de Queiroz) e outros investigados.
Em janeiro de 2019, O Globo divulgou outro relatório dos COAF, sobre as movimentações de Queiroz de 2014 e 2015. O valor foi de R$ 5,8 milhões, totalizando R$ 7 milhões nos quatro anos.
Ali as fumaças se transformaram em suspeita. O valor das operações é um critério técnico para a seleção de pessoas a serem investigadas.  No relatório do COAF, no entanto, levantaram-se as movimentações de todos os investigados no período 2014-2017. Apenas a de Queiroz ficou restrita a 2016. Com isso, o valor movimentado caiu para R$ 1,2 milhão, irrisório perto dos R$ 40 milhões movimentados pelo gabinete de Jorge Picciani, deixando Queiroz na 20ª posição dos que mais movimentaram recursos.
Possivelmente foi essa redução que permitiu a Queiroz – e Flávio Bolsonaro – passarem incólumes pelo crivo da Lava Jato do Rio de Janeiro – que, ao contrário de Curitiba, tem um trabalho mais consequente, apesar do vergonhoso envolvimento do juiz Marcelo Bretas com o bolsonarismo.
Foi a primeira fumaça estranha, captada por quem conhecia a maneira de elaboração dos relatórios do COAF. Por que os levantamentos sobre as movimentações de Queiroz foram picotados?
Como analisam os auditores:
* O período de investigação dos alvos da operação Furna da Onça, centrada nos funcionários dos gabinetes dos deputados estaduais do RJ, era de quatro anos. Queiroz foi excluído do rol dos alvos da operação, provavelmente porque o valor movimentado no ano 2016, único ano que fizeram constar no relatório COAF, ficou abaixo da linha de corte da operação;
* se o mesmo critério dos alvos da operação Furna da Onça (período investigado de quatro anos) tivesse sido aplicado aos funcionários do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, certamente este deputado também estaria entre os alvos da operação, uma vez que o valor de R$ 7 milhões figura entre os maiores em relação ao que foi movimentado pelos funcionários da Assembleia Legislativa do RJ;
* a inclusão das movimentações suspeitas de Queiroz dos anos de 2014 e 2015 nos autos da operação Furna da Onça e a inclusão de Flávio Bolsonaro como alvo da referida operação, se tivesse ocorrido como está a sugerir a matemática dos números, e ainda a possibilidade real dessa informação vazar antes das eleições de outubro de 2018, teria tido um impacto negativo nada desprezível, tanto para Flávio (senador) quanto para Jair Bolsonaro, uma vez que o então deputado federal Jair abrigava em seu gabinete a filha de Queiroz, Natália, que repassava quase integralmente o valor do salário para seu pai, conforme relatório COAF.
Concluía a nota da AfpD:
“No caso Queiroz, há razoáveis indícios de que pode ter havido sim intervenção humana, pois o relatório foi fatiado. É preciso transparência, para que a sociedade tenha a garantia de que informações sigilosas sob guarda dos órgãos de controle não sejam usadas para perseguir adversários nem para blindar os amigos do governo de plantão”.

Peça 4 – retomando a cronologia

Como lembrou a AfpD, os arranjos posteriores, aparentemente, visaram esconder as pistas dessa operação. E a rapidez com que Bolsonaro agiu, dias após sua eleição, mostra indícios de vazamentos das informações.
* Sérgio Moro é indicado para o Ministério da Justiça.
* Poucos dias após as eleições, Bolsonaro fecha com Moro a entrega do COAF ao Ministério da Justiça. Foi o seu primeiro anúncio. Não teria anunciado essa transferência, se não tivesse fechado um acordo com Moro.
* Moro leva para a presidência o auditor Roberto Leonel, que era quem vazava as informações sigilosas para a Lava Jato.
Até então, o COAF era um órgão acima de qualquer suspeita.
Nas análises dos diálogos do Telegram, anteriormente divulgados, foram identificadas as relações informais – e, portanto, ilegais – dos procuradores com o COAF . A criação das chamadas Salas de Situação – em que sentavam todas as pontas envolvidas em uma operação – foi um improviso ilegal. Nela, servidores do COAF trabalhavam ombro a ombro com os investigadores, abrindo sigilo fiscal e selecionado os alvos que a Lava Jato definia.
Membros da Lava Jato recorriam reiteradamente a Roberto Leonel, presidente do COAF, como, por exemplo, para obter informações fiscais de uma nora de Lula, do caseiro do sítio, de antigos donos e da esposa de Lula, Marisa Letícia.
Chegou-se ao requinte de se recorrer ao COAF para verificar se seguranças de Lula teriam adquirido fogão e geladeira em 2014, para definir alguma correlação com a história do triplex.
A Lava Jato já tinha arrombado todas as instituições estatais, como ficou demonstrado pela Vaza Jato, como por exemplo no intercâmbio de informações sigilosas da Receita Federal.
No COAF era o mesmo padrão: os relatórios eram produzidos de acordo com os objetivos predefinidos pela Lava Jato.  Havia, portanto, uma relação de confiança que ultrapassava os limites da formalidade, o que torna a Lava Jato cúmplice da manobra tirou Flávio Bolsonaro da Operação Furna da Onça.
Provavelmente a missão mais urgente e importante de Leonel, quando indicado para presidir o COAF, tenha sido a de manter em segredo o que aconteceu na manipulação dos relatórios em benefício de Queiroz.

Peça 5 – a infiltração do bolsonarismo nas instituições

Dias antes do vazamento, em 30 de novembro de 2018, Flávio Bolsonaro se reuniu com Caio Carlos de Souza, promotor do MPE/RJ, para quem foi distribuída a investigação sobre a movimentação suspeita de Queiroz, depois do STF ter negado foro privilegiado a Flávio Bolsonaro.
No dia 4 de fevereiro de 2019, internautas descobriram tuites de Caio Carlos minimizando as denúncias contra Queiroz.
E retuítes dele em mensagens de Carlos Bolsonaro
Foi o que levou o promotor a se declarar suspeito e abrir mão de presidir a investigação.
Ali, apareciam os indícios do primeiro envolvimento de alguns promotores estaduais com os Bolsonaro. O segundo indício foi na operação abafa, da falsa perícia dos equipamentos de telefonia do condomínio, visando desqualificar as acusações do porteiro. Também ali, revelações sobre as tendências bolsonaristas da promotora chefe da operação obrigaram ao seu pedido de demissão. Mesmo assim, há um conjunto de promotores sérios, garantindo a integridade do MPE-RJ, conforme o depoimento isento do deputado Marcelo Freixo.
E aí se entra no papel do delegado federal Alexandre Ramagem, indicado como delegado geral da Polícia Federal.
Pelas notícias de jornais, havia duas frente
Pelos diálogos divulgados por The Intercept, a Lava Jato desconfiava da existência de um sabotador no Rio de Janeiro. E as suspeitas eram justamente contra o delegado Ramagem, visto como agente do PT. Ou seja, sabia-se de movimentações estranhas de Ramagem, mas se julgava, inicialmente, que fosse a favor do PT.
Agora, com o aparecimento do nome de Ramagem nos diálogos da Lava Jato, fica a suspeita de que ele agia, de fato, como sabotador, mas do lado dos Bolsonaro. E, por isso mesmo tenha sido deixado de lado pela Lava Jato Curitiba.
A Operação foi em novembro de 2018.  Ramagem já aparece ao lado de Carlos Bolsonaro no réveillon de 2018. Antes disso, foi coordenador de segurança da campanha de Bolsonaro, o que demonstra que, já em 2018, tinha bastante influência na Polícia Federal.
No dia 26 passado, a CNN divulgou vídeo de 14 de novembro de 2017, no qual Bolsonaro, ainda deputado federal, acompanha a Policia Federal levando para depor o deputado Jorge Picciani, no bojo da Operação Cadeia Velha, que precedeu a Operação Furna da Onça. O delegado era Ramagem. Picciani seria preso dias depois, abrindo caminho para a operação seguinte, que centraria fogo em outros deputados estaduais.
Nos meses seguintes, Bolsonaro trouxe para sua segurança pessoal na campanha, justamente Ramagem, o delegado que comandava as investigações sobre os malfeitos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Agora, Bolsonaro tem, finalmente, a possibilidade concreta de controlar a Polícia Federal e, com isso, poder direcionar seu poder de fogo para blindar amigos e perseguir adversários.
Entra-se, portanto, na fase final do embate entre ditadura vs bolsonarismo. Caberá ao STF definir de que lado está.
Para saber quem manipulou o relatório do COAF é simples. Qualquer pessoa, para acessar o relatório, tem que se identificar. Basta conferir o histórico.

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