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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Gabinete de Jair Bolsonaro gerou dinheiro para “rachadinha” de Queiroz, como o caso Natháia Queiroz comprova


Nathalia, filha de Queiroz, transferiu R$ 150 mil para ele enquanto esteve lotada no gabinete de Jair Bolsonaro em Brasília

Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução/redes sociais
Jornal GGN – O esquema de rachadinha organizado pelo ex-assessor Fabrício Queiroz acaba de chegar diretamente ao gabinete de Jair Bolsonaro. É que enquanto ele era deputado federal, a filha de Queiroz, Nathália Viana, fez parte de seu quadro de funcionários. E entre 2017 e 2018, ela repassou parte de seu salário – no total, R$ 150 mil – para a conta bancária de Queiroz. A informação foi revelada pela Folha desta quarta (12).
Segundo o jornal, a quebra de sigilo fiscal e bancário de Nathália mostra que a devolução de R$ 150 mil representa 77% do salário que ela recebeu durante o tempo em que trabalhou para Jair Bolsonaro.
“Nathalia atuava como personal trainer no mesmo período em que trabalhava para Bolsonaro, de dezembro de 2016 a outubro de 2018”, lembrou a Folha.
Antes disso, entre 2006 e 2017, Nathalia estava no gabinete de deputado estadual de Flávio Bolsonaro, e transferiu 82% de seu salário para Queiroz.
A Promotoria do Rio afirma que os repasses de Nathalia representam 30% dos 2 milhões de reais de origem identificada que foram movimentados entre 2007 e 2018, no esquema da rachadinha de Queiroz, que é considerado operador financeira de Flávio pelo Ministério Público.
Queiroz pagava pessoalmente despesas pessoais de Flávio – como plano de saúde e escola das filhas do hoje senador. Além disso, Queiroz também fez depósitos em cheque para Michelle Bolsonaro.
“A defesa de Queiroz afirmou, em nota, que os repasses seguiam a lógica de ‘centralização das despesas familiares na figura do pai’. Também procurada pela reportagem, a Presidência da República afirmou que não comentaria o caso”, afirmou a Folha.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Enquanto Moro vazava delação sem base contra PT, Bolsonaros ligados a milícias e rachadinhas eram poupados na eleição



Muito antes de Bolsonaro se eleger presidente, MPF, MP-RJ e a Polícia Federal já sabiam dos crimes de Queiroz, mas seguraram informações até passar a eleição

Foto: Agência Brasil
Jornal GGN – Enquanto Sergio Moro vazava, sem nenhum pudor, delação premiada de Antonio Palocci contra o PT (requentada e inútil ao processo a que foi anexado) em plena corrida presidencial, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro adotaram um procedimento distinto. Apesar de terem em mãos um relatório do Coaf que mais tarde cairia como uma bomba sobre a cabeça dos Bolsonaro, eles decidiram adiar a deflagração de uma fase da Lava Jato para não interferir na cena política.
A operação adiada, no caso, foi a Furna da Onça, que sequer investigava Flávio Bolsonaro.
A Furna da Onça é um desdobramento da operação Cadeia Velha, outra fase da Lava Jato do Rio. O relatório do Coaf que citava Fabrício Queiroz e outros assessores de Flávio por conta de movimentações financeiras suspeitas só foi anexado aos autos da Furna da Onça para corroborar delações premiadas contra assessores e deputados envolvidos no esquema de pagamento de propina do governo Sergio Cabral.
No final de abril, em troca de e-mails com a reportagem do GGN, o procurador Carlos Alberto Gomes de Aguiar, coordenador da Lava Jato no Rio, confirmou que o relatório fora produzido por iniciativa própria do Coaf, e entregue, em 3 de janeiro de 2018, ao MPF, ao Ministério Público estadual, à Polícia Federal e também à Receita Federal.
Naquele momento, como o MPF não havia identificado nenhum elo entre Flávio Bolsonaro e o esquema Cabral, o filho do presidente não foi investigado na Furna da Onça. “Cabe registrar que sem algum indício de conexão entre esses fatos (esquema de rachadinha e esquema Cabral), ou sem que haja desvio de verba pública federal, MPF não poderia atuar [contra Flávio] por falta de atribuição legal”, explicou Aguiar.
Restou ao MP estadual aproveitar o relatório do Coaf para instaurar um procedimento de investigação sobre as rachadinhas no gabinete de Flávio.
O GGN mostrou em primeira mão que a investigação do caso Queiroz evoluiu a ponto de, bem antes do pleito de 2018, o MP estadual possuir vários relatórios do Coaf, além daquele primeiro que foi produzido espontaneamente e compartilhado com MPF e Polícia Federal.
Os promotores do Rio já sabiam, antes de Bolsonaro virar presidente, que Queiroz havia movimentado mais que 1,2 milhão de reais de forma suspeita. E conheciam também do elo entre o gabinete de Flávio e o miliciano Adriano Nóbrega, suspeito de participar da execução de Marielle Franco. Leia mais aqui.
No último domingo (17), a Folha de S. Paulo entrevistou Paulo Marinho. O empresário ligado aos Bolsonaro revelou que, no meio da eleição presidencial, um delegado da PF, “simpatizante” de Jair Bolsonaro, procurou Flávio para informar sobre a deflagração da Furna da Onça.
O delegado – cuja identidade será investigada – disse que a PF seguraria a fase ostensiva da Furna da Onça para não interferir na eleição. O vazamento de informação sigilosa foi o que levou Flávio a exonerar Queiroz e outros assessores do seu gabinete.
Relator da Furna da Onça no TRF2, o desembargador Abel Gomes admitiu em nota, após a “delação” de Marinho, que as autoridades decidiram não deflagrar a Furna da Onça na eleição para não passar a falsa percepção de que a investigação tinha motivações políticas.
No final de abril, o GGN procurou o MP do Rio para se pronunciar sobre o fato de ter segurado informações sobre Queiroz até passar a eleição presidencial. Por meio da assessoria, os promotores alegaram sigiloso processual para não comentar o assunto.
Recomendado:

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A mamata está só começando. Reflexões sobre o bolsonarismo feitas por Almir Felitte e publicadas no Justificando


 "“Acabou a mamata”. Se você usa a internet habitualmente, são grandes as chances de já ter esbarrado nessa frase por aí. Entoada pelos seguidores do Presidente eleito como argumento pra quase tudo (pra algumas coisas, arminha com as mãos já basta), ela virou um mantra simbólico da apropriação do discurso “antissistema” por Bolsonaro durante sua campanha."


Do Justificando:



Quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A mamata está só começando

Imagem: montagem com a foto original de Alexander JE Bradley. 
Por Almir Felitte

“Acabou a mamata”. Se você usa a internet habitualmente, são grandes as chances de já ter esbarrado nessa frase por aí. Entoada pelos seguidores do Presidente eleito como argumento pra quase tudo (pra algumas coisas, arminha com as mãos já basta), ela virou um mantra simbólico da apropriação do discurso “antissistema” por Bolsonaro durante sua campanha.
Porém, quando se é apenas um “poste” de grupos de interesse poderosos como ruralistas, fundamentalistas, rentistas, militares e o capital estrangeiro, uma vez no poder, fica difícil manter esse discurso antissistemático de combater “tudo isso que tá aí, tá ok?”. Mas o que ninguém esperava, nem mesmo a oposição mais ferrenha, é que esse discurso cairia de forma tão rápida e baixa.
Ao que parece, a tal da “mamata” está só começando. E tem pra todos os “amigos do rei”…
De todos os grupos de interesse donos do “poste” Jair, porém, nenhum está se agarrando mais nas “tetas” dessa mamata do que o clã militar. Só entre os 22 Ministros, 6 homens de farda já garantiram seus carguinhos. Mas não para por aí. Aliás, é a partir daqui que começa a ficar pior.
O caso mais recente de “mamata” aos colegas de caserna se deu na Petrobras. Bolsonaro resolveu nomear seu amigo, Capitão Carlos Victor Nagem, para uma gerência na Petrobras. Mas o Capitão Nagem já galgava posições “políticas” há muito tempo. Sem sucesso pelo PSC nas eleições de 2002 e 2016 (nessa, com apoio de Bolsonaro), Nagem finalmente atingiu seu sonho político quando o “amigo particular” Jair virou Presidente do país.
Mas esse nem chega a ser o caso mais descarado de “mamata” no Governo. Seu vice conseguiu fazer pior. A ascensão meteórica do filho do General Mourão no Banco do Brasil é realmente um exemplo de sucesso. O “filho prodígio” acaba de ser nomeado assessor do novo Presidente do BB nomeado por Bolsonaro, Rubem Novaes. Num caso de absoluta coincidência com a chegada de seu pai ao poder, Antônio Mourão verá seu salário triplicar por “puro mérito”. E “morreu esse assunto”, já disse o General.
E vem mais cargo pra homem de farda por aí. Se bem que, nesse caso, a coisa tá mais pra censura do que pra “mamata”. Ou seria um pouco dos dois? É que o Coronel da reserva Sebastião Vitalino da Silva é cotado para assumir a coordenação de materiais didáticos da SEB e do MEC. Antes mesmo de nomeado, aliás, ele já foi visto cumprindo expediente por lá. Mesmo sem qualquer experiência em educação básica, o Coronel pode ficar responsável pela seleção dos livros didáticos a serem distribuídos nas escolas. Uma “mamata” com ares sombrios.
Mas todas essas nomeações não são novidades em se tratando de um Governo de Jair. É que a família Bolsonaro possui uma certa tradição em transformar a máquina pública em uma máquina de agrados, favores e transações suspeitas. Entre a Wal do Açaí e toda a trama envolvendo a família Queiroz, a atuação política da família Bolsonaro é recheada de funcionários fantasmas, transferências de dinheiro em quantias inexplicáveis e distribuição de cargos de uma maneira, vamos dizer, nada republicana.
Sobre isso, não custa perguntar. Quando Queiroz sofrerá condução coercitiva para depor? Esse instituto foi abolido no Brasil?
Porém, é preciso dizer que nem só de cargos vive a “mamata”. A lista de possíveis privilégios conquistados através do aparelhamento da máquina pública é extensa demais pra Bolsonaro ficar só nas nomeações suspeitas.
O que dizer, por exemplo, da anulação da multa, em dezembro, que Bolsonaro levou do Ibama quando realizava pesca ilegal em 2012? A estória toda, aliás, é simbólica de como Bolsonaro pensa a coisa pública. Na ocasião da infração, Bolsonaro chegou a ligar para o então Ministro da Pesca, Luiz Sérgio, pra tentar se livrar da multa, mas não teve sucesso.
Aliás, essa estória da pesca fica tão pior que é preciso conta-la até o final. Ou melhor, desde o começo. É que, dois anos antes de ser pego no flagra, então deputado, Bolsonaro usou toda a máquina da Câmara para pedir esclarecimentos sobre a possibilidade de pesca na região de Angra. Não contente em usar um cargo público da mais alta importância para tirar dúvidas individuais e nada importantes, dois anos depois, mesmo com as informações de que a prática era ilegal, Bolsonaro foi pego realizando a pesca proibida em Angra. Seria cômico, não vestisse nossa faixa presidencial verde e amarela.
Um ato, porém, que não espanta nada diante de uma pessoa que, também enquanto deputado, recebia auxílio-moradia mesmo sendo dono de imóvel próprio. Aliás, mais uma “mamata” histórica para a já extensa lista de “mamatas” de Jair. Com a agravante de que, quando questionado por uma jornalista dos motivos para continuar recebendo o auxílio, ele respondeu que usava o dinheiro para “comer gente”.
Assim, de “mamata” em “mamata”, em poucos dias já ficou difícil para Bolsonaro sustentar o discurso de que essa era de privilégios havia acabado. Simbólico que, no dia 10, o Presidente tenha apagado do Twitter a seguinte frase que ele mesmo tinha acabado de escrever: “A era do indicado sem capacitação técnica acabou, mesmo que muitos não gostem. Estamos no caminho certo!”. De todos os recuos de Bolsonaro, sem dúvidas, esse foi o mais sincero.
Mas toda essa “mamata” de distribuição de cargos e aparelhamento do Estado é só a ponta de um iceberg enorme de privilégios que o Governo Bolsonaro representa.
Chega a ser revoltante observar, por exemplo, que, enquanto a mídia e a equipe de Paulo Guedes fazem um verdadeiro terrorismo com a população para nos empurrar goela abaixo uma Reforma da Previdência absurda, a cúpula militar do Governo dá declarações cínicas para deixar as Forças Armadas de fora das mudanças. Justo o setor mais recheado de privilégios dentro do Sistema Previdenciário.
Também revolta que, em meio a tantos privilégios, o novo Presidente da Caixa Econômica Federal, ao falar da política de crédito imobiliário do banco, declare que “quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Bradesco, no Itaú. Na Caixa Econômica Federal, vai pagar juros maior que Minha Casa Minha Vida, certamente, e vai ser juros que vai ser de mercado. Caixa vai respeitar acima de tudo mercado. Lei da oferta e da demanda”.
Assim como revolta ver que, às vésperas do impeachment de Dilma, o já rico Judiciário brasileiro recebeu um aumento enorme e, como se não bastasse, ganhou outra “boquinha” a mais em meio a uma eleição recheada de ilegalidades claras em 2018. Teria sido o preço pelo silêncio em um momento de ruptura democrática?
Bem, com tudo o que vem acontecendo no país nos últimos anos, principalmente desde o Golpe de 2016, e com um Governo eleito para atender os interesses do 1% mais rico da população, me parece que, ao contrário do que o grupo político de Bolsonaro costuma dizer, a tal da “mamata” está só começando.
Almir Felitte é graduado pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Em reportagem do Jornal da Gazeta, vê-se que a Câmara dos Deputados confirma ponto de Nathália Queiroz, filha de Fabrício motorista, ao mesmo tempo em que ela trabalhou como personal trainer fora da Câmara



Do Jornal da Gazeta, vídeo reportagem sobre o caso da filha de Queiroz:



A câmara dos deputados em Brasília registrou frequência normal do expediente de Nathália Queiroz, que na verdade trabalhava como personal trainer no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela rádio CBN, com base na lei de acesso à informação. Nathália é filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor de um dos filhos do presidente.

Foto