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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Filme da Lava Jato é exemplo de propaganda e manipulação sutil, diz o crítico Pablo Villaça


Segundo Villaça, "qualquer um que tenha o mínimo de honestidade e conheça o básico de linguagem cinematográfica percebe os elementos de propaganda no filme. É um filme político-partidário."



Jornal GGN - Polícia Federal -A Lei É Para Todos é "um filme muito bom para ser usado como exemplo de como fazer propaganda e manipular o espectador de maneira muito sutil." É o que avalia o crítico de cinema Pablo Villaça, em uma análise divulgada em seu canal no Youtube, na quarta (30), após a pré-estreia da obra em Curitiba.
 
Segundo Villaça, "qualquer um que tenha o mínimo de honestidade e conheça o básico de linguagem cinematográfica percebe os elementos de propaganda no filme. É um filme político-partidário."
 
O crítico afirma que o filme pontua positivamente quando expõe, de maneira didática, como a apreensão de um caminhão com palmito deu origem a uma operação do porte da Lava Jato. Porém, da caracterização dos personagens às tentativas de imprimir momentos de ação ao filme, há inúmeros erros e escolhas que tornam o produto final tendencioso. Uma ode aos policiais federais, "obviamente anti-PT", que finge imparcialidade. 
 
"Não tem problema que se faça no Brasil um filme de propaganda. O que incomoda é que haja a negação de que é uma propaganda e que ela seja caricatural, porque aí ela passa a ser ridícula", disse Villaça.
 
Para Villaça, um dos piores momentos do filme diz respeito à discussão das "provas" encontradas contra Lula no caso triplex. "Se até então vinha sendo didático, o filme começa a deixar que elementos de evidências que não são evidências sejam apresentados com a mesma força que elementos bem mais sólidos apresentados antes", disse. "O espectador tá do lado desses caras o filme inteiro. Quando eles dizem algo com contundência, o espectador médio tende a ouvir aquilo e absorver como se verdade fosse, sem questionar." 
 
O grampo em Dilma e Lula não é tratado como um vazamento por Moro que gerou um dos episódios mais polêmicos na operação. Ao contrário disso, arranca risadas do público pela empolgação que gerou na força-tarefa. "(...) um personagem diz: 'Tá aí prova, tá aí o que a gente precisava, um complô para atrapalhar a Lava Jato'. Ele faz uma série de ilações que você que acabou de ouvir o áudio, mesmo sem conhecê-lo (na vida real), não vê nada disso. Mas como são protagonistas, você tende a não questionar aquilo."
 
Segundo Villaça, outra técnica de propaganda utilizada é que os personagens são caricaturas, todos "preto e branco, sem tons de cinza." Ou você é herói, ou você é vilão. Não tem meio termo. Isso cria no expectador a ideia de que ele precisa ficar do lado dos policiais e o impede de criar qualquer empatia com quem está no lado dos réus.
 
Sergio Moro, portanto, é apresentado como um "homem de família" - aparece mais conversando com filho e esposa em sua casa do que trabalhando no escritório.
 
Lula, por outro lado, é uma "caricatura" do mal. "As decisões de Ary Fontoura [intérprete do ex-presidente] como ator são obvias. Ele enxerga o personagem como um vilão e assim o vive. Todas as inflexões do Ary Fontoura e suas expressões passam para a plateia uma ideia de vilania."
 
Assista ao vídeo abaixo:
 

sábado, 17 de junho de 2017

Obsolescência programada, mal do capitalismo para todos


Para o sistema, quanto mais consumo desnecessário, melhor. Mas sem os consumidores, a lógica não funciona. Por isso, a publicidade apressa-se a manipular os egos…

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Muitas empresas encurtam o tempo de vida de seus produtos, com consequências para o bolso e o meio ambiente. Mas a chamada obsolescência programada não é responsabilidade apenas dos fabricantes. Alguma vez a sua cafeteira ou impressora já pifou logo que o período de garantia acabou? Já tentou trocar a bateria constantemente descarregada do seu smartphone? E quem sabe já ouviu que trocar uma peça do seu computador sairia mais caro do que comprar um novo?
Se a resposta para qualquer uma das perguntas anteriores for “sim”, você conhece bem a chamada obsolescência programada. Para os fabricantes, faz sentido criar um produto com um tempo de vida limitado. Isso significa que o processo produtivo é mais barato e que, no futuro, o consumidor vai precisar adquirir novos produtos e pagar por serviços que a empresa oferece como substitutos para os antigos.
Tal prática tem consequências devastadoras. Os consumidores são constantemente forçados a jogar fora aparelhos e peças que deixaram de funcionar e comprar novos. E a mentalidade do descarte significa mais lixo eletrônico de países industrializados se acumulando em aterros de países em desenvolvimento. O mesmo problema acontece na indústria da moda através da hiperprodução e hiperconsumo de artigos de vestuário do fast fashion. A obsolescência programa é o resultado direto da economia linear que só gera resíduos.

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Gigantes do setor

Stefan Schridde administra o site murks-nein-danke.de (defeituoso, não, obrigado), no qual consumidores frustrados descrevem suas experiências com produtos que são feitos para estragar depois de um certo tempo. A maioria das reclamações no site é relacionada a empresas dos setores de eletrônicos, informática e telecomunicações. Nomes de peso como Samsung, Philips, Apple, HP, Sony e Canon estão entre os mais mencionados.
Segundo Schridde, a maioria da obsolescência é provocada por peças pequenas e baratas para as quais as empresas frequentemente usam “plástico em vez de metal” para reduzir os custos.
“Empresas nem sempre usam produtos que são particularmente duráveis”, afirma Dominik Enste, economista do Instituto de Pesquisa Econômica de Colônia. Tais práticas não apenas contradizem o conceito de sustentabilidade, diz ele, mas também mostram que essas companhias não levam sua responsabilidade social a sério.
Schridde afirma que a longevidade não parece importar para o desenvolvimento de produtos. Em vez disso, fabricantes investem “somente o dinheiro necessário para que o produto sobreviva por três anos”. Depois disso, o período de garantia expira, e um aparelho de nova geração é lançado, diz.

Problema global

Os tempos de vida cada vez mais curtos, especialmente de aparelhos eletrônicos, não apenas pesam sobre o bolso do consumidor. Eles também aumentam a demanda por matérias-primas.
Peças eletrônicas precisam de metais como ouro, prata, cobre e metais de terras raras, que são bastante caros. A produção usa grandes quantidades de energia e frequentemente tem um forte impacto sobre o meio ambiente por envolver materiais tóxicos. Ao final, os aparelhos obsoletos são muitas vezes exportados de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, onde se acumulam em aterros.
Para recuperar os metais preciosos do lixo eletrônico, os aparelhos costumam ser queimados. Isso produz grandes quantidades de fumaça altamente tóxica – um grande perigo para os trabalhadores que lidam com o lixo.

Consumidor no final da cadeia

No entanto, Enste afirma que empresas não são as únicas culpadas pelo aumento do lixo eletrônico. No final, “sempre está o consumidor”, diz o economista. E muitas pessoas aparentemente “sempre querem ter a coisa mais nova, querem se manter em dia com as tendências”.
Tanto Schridde quanto Enste afirmam que muitos consumidores são atraídos por produtos baratos. A demanda por eles aumenta a pressão sobre fabricantes e seus fornecedores, diz Enste. Isso resulta em empresas cortando custos durante o processo produtivo – usando uma peça de plástico tosca e barata em vez de uma de metal, mais cara e que dura mais.
Um princípio básico de negócios afirma que demanda elevada estimula a produção, que a produção elevada estimula o crescimento econômico e que o forte crescimento econômico, por sua vez, resulta em mais prosperidade. No entanto, precisa haver mais reciclagem e um melhor uso de recursos.
Para Enste, a sustentabilidade precisa desempenhar um papel maior na hora de escolher um produto. Isso requer informar sobre as condições de produção, o consumo de energia e a reciclagem de materiais. Munido dessas informações, o consumidor pode tomar uma decisão adequada, avaliando “se prefere comprar dois produtos em cinco anos ou apenas um que dure cinco anos”.
O Século do Eu (The Century of the Self – BBC) é um fabuloso documentário de Adam Curtis em 4 episódios que aborda a forma como as teorias de Sigmund Freud, sua filha Anna Freud, e seu sobrinho Edward Bernays, foram usadas por governos e empresas multinacionais para controlar e manipular as massas através da publicidade e obsolescência programada. Veja todos os episódios neste link.
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Redação

O Outras Mídias é uma seleção de textos publicados nas mídias livres, que Outras Palavras republica. Suas sugestões podem ser enviada para caue@outraspalavras.net

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Jean Volpato: A quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?

"Os nazistas montaram uma poderosa máquina de propaganda. A tática nazista incluía o patrulhamento ideológico, a calúnia e a difamação, aplicando a frase atribuída ao chefe da propaganda nazista: "Uma mentira muitas vezes repetida vira verdade". Assim o governo de Hitler conseguiu convencer os alemães de que os judeus eram sujos, perversos, corruptos e traidores, responsáveis pela crise econômica que jogou os alemães na pobreza. Tudo isso fundamentou a criação de leis que justificaram a perseguição, prisão, escravização, confisco de bens e o homicídio de milhões de judeus, dentro e fora dos campos de concentração. 
Fenômeno idêntico pode ser observado no Brasil de hoje."



62 anos depois da morte de Getúlio Vargas, a quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?
A Alemanha dos anos 1930, impulsionada pela grande crise de 29, foi marcada por uma grave desestabilização econômica, caracterizada pelo desemprego e pela hiperinflação. Nesse contexto de crise foi que o discurso do partido nazista encontrou ampla aceitação na sociedade alemã. Assim Hitler chegou ao poder. Um ditado antigo, no qual não recordo o nome do autor,  afirmava que "loucos são aqueles que nós colocamos nos hospícios em tempos de paz, mas colocamos no poder em tempos de crise".
Os nazistas montaram uma poderosa máquina de propaganda. A tática nazista incluía o patrulhamento ideológico, a calúnia e a difamação, aplicando a frase atribuída ao chefe da propaganda nazista: "Uma mentira muitas vezes repetida vira verdade". Assim o governo de Hitler conseguiu convencer os alemães de que os judeus eram sujos, perversos, corruptos e traidores, responsáveis pela crise econômica que jogou os alemães na pobreza. Tudo isso fundamentou a criação de leis que justificaram a perseguição, prisão, escravização, confisco de bens e o homicídio de milhões de judeus, dentro e fora dos campos de concentração.
Fenômeno idêntico pode ser observado no Brasil de hoje. A velha imprensa empresarial, em especial a Rede Globo de televisão, utilizando as mesmas técnicas de intimidação, patrulhamento ideológico liberal, calúnia e difamação, escolheram o maior partido de representatividade dos trabalhadores para excluir sua legitimidade no Brasil. 
O PT e suas principais lideranças têm sido alvos de escancarados e assombrosos ataques e perseguição. Você já deve ter se perguntado algum dia o porquê a canoa de Lula vira manchete de uma hora no Jornal Nacional e as 18 delações do Senador Aécio Neves na Lava-Jato não. Ou por que os pedalinhos dos netos de Lula têm garantidos 24 horas na programação da Rede Globo, mas os R$ 23 milhões delatados que o Senador e atual Ministro de Temer, José Serra, havia recebido de propina já esteja no esquecimento popular.
O PSDB e boa parte dos políticos brasileiros, assim como a grande mídia, estão em defesa do status quo da elite brasileira. Não é à toa que estamos vivendo um período muito parecido com aquele que colocou Adolf Hitler no poder na Alemanha da década de 30. Se aproveitam da crise econômica para colocar medo na população e deslegitimar o maior partido de representação aos trabalhadores em nosso país.
O ódio ao PT publicitado na sociedade, tem garantido uma cortina de fumaça que os legitimem a fazer a grande operação de retirada dos direitos trabalhistas. A venda colocada nos olhos dos brasileiros com a forte campanha midiática contra o PT vai garantir que o atual Governo Golpista de Michel Temer mexa nos principais direitos dos trabalhadores. 
Hoje completamos 62 anos da morte de Getúlio Vargas, pai da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Getúlio se suicidou depois de uma forte campanha de difamação, ódio e calúnia. Mais uma vez o mote da corrupção impulsionada por monopólios de comunicação, como o Diário Associados, de Assis Chateaubriand e Carlos Lacerda, serviram para golpear um governo com vertente trabalhista.  No dia de sua morte a população saiu às ruas, indignada. A Tribuna da Imprensa de Lacerda foi empastelada. A redação de O Globo foi atacada, carros do jornal foram destruídos.
Mais de seis décadas depois de sua morte, a história volta a se repetir.  Mais uma vez um governo com viés trabalhista sofre um golpe. Com amplo apoio das organizações Globo, o Brasil vive, sob o comando do presidente golpista interino Michel Temer, o maior desmonte dos direitos trabalhistas da história.
Na pauta a jornada de trabalho (oito horas diárias e 44 semanais), jornada de seis horas para trabalho ininterrupto, banco de horas, redução de salário, férias, 13º salário, adicional noturno e de insalubridade, salário mínimo, licença-maternidade, auxílio-creche, descanso semanal remunerado e FGTS. 
Outro projeto em pauta, o PLP 257, resultará no congelamento dos salários, revisão dos benefícios e gratificações, demissão de servidores públicos, suspensão de concursos públicos, aumento da alíquota ou privatização da Previdência Social, limitação dos programas sociais.
O governo Temer também se esforça para aprovar a PEC 241/2016, que congela os investimentos públicos para os próximos 20 anos. Na educação, essa PEC significa que nenhum centavo novo vai chegar para creches, escolas, universidades públicas e para melhorar o salário dos professores e praticamente inviabiliza as metas do Plano Nacional de Educação. 
A proposta de privatização do SUS ganha cada dia mais força. O Ministro da Saúde do governo Temer já deu diversas declarações de que pretende extinguir a gratuidade da saúde para todos no Brasil. Foi publicado no Diário Oficial da União proposta que cria grupo de trabalho para analisar a implementação de planos de saúde pagos pela população brasileira, favorecendo as chamadas "indústrias da morte, ou das doenças". 
A medida de Temer potencializa a lógica do mercado, colocando os serviços públicos não como direitos, mas como mercadorias. Com a campanha nazista de ataque ao maior partido brasileiro de representação dos trabalhadores, o plano Temer de desmonte dos serviços públicos e ataques aos trabalhadores ganha uma confortável margem de implementação. Não fica difícil concluir a pergunta desse título. A quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?
Jean Volpato - Jornalista, especialista em Gestão Estratégica em Políticas Públicas

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