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sábado, 26 de março de 2022

Veja aqui o Documentário "A Grande Farsa - como Moro enganou o Brasil e ficou rico", de Joaquim de Carvalho

     Da TV 247:

    Neste documentário, financiado pelo público da TV 247, o repórter investigativo Joaquim de Carvalho relata o modus operandi do ex-juiz suspeito Sergio Moro antes, durante e depois da Operação Lava Jato e como ele enriqueceu com a perseguição de pessoas - muitas inocentes - e até proteção de criminosos. O filme também traz parte da trajetória do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.



A TV 247 lanoua às 20h30 deste sábado, 26 de março, o documentário “A grande farsa - Como Moro enganou o Brasil e ficou rico”, fruto da investigação e produção do jornalista Joaquim de Carvalho, autor também de Bolsonaro e Adélio: uma fakeada no coração do Brasil, que chegou a 1,6 milhão de visualizações no Youtube.

A nova produção conta a trajetória de Sergio Moro, de professor a juiz de primeira instância e depois ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e seu modus operandi em todas essas fases: o uso de personalidades conhecidas para ganhar notoriedade na imprensa. E principalmente: como ele enriqueceu com essa estratégia, culminando na sua consultoria à empresa Alvarez & Marsal, já visto como uma espécie de recompensa pela atuação na Operação Lava Jato.

“É um desafio muito grande mostrar os sinais exteriores de riqueza de Sergio Moro. É uma pauta absolutamente necessária, porque, pela atuação dele na Lava Jato, o Brasil empobreceu. Vamos mostrar também como ele adquiriu esse poder. Como um juiz de primeira instância do Paraná promoveu uma guerra contra o País”, diz Joaquim de Carvalho logo no início do filme.

Investigação e chantagem de pessoas inocentes, além de proteção de pessoas culpadas - mas estratégicas para seus objetivos - tendo à sua mão um esquema que inclui operadores de diferentes instituições e empresários. É isso que o filme mostra, com detalhes, numa linha do tempo que chega à destruição da reputação do ex-presidente Lula até tirá-lo das eleições e levá-lo à prisão. Agora, o que desmorona é a reputação de Moro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Xadrez do fim dos grupos nacionais (e tantas vezes golpista) de mídia, por Luis Nassif

 

  As formas de controle sobre a opinião pública eram de mão única, os melhores veículos através da seleção dos temas de cobertura e das análises de acordo com o alinhamento político ou comercial do grupo; os piores, através  da exploração de notícias falsas e de assassinato de reputação.


Do Jornal GGN:


Xadrez do fim dos grupos nacionais de mídia, por Luis Nassif

Seria relevante que o Conselho Nacional de Justiça, a Procuradoria Geral da República, as Escolas de Magistratura e do Ministério Público montassem discussões sobre o tema, mas de forma aberta, juntando não apenas associações dos grupos de mídia, mas representantes de mídia alternativa e especialistas em direito à informação.



Durante o século 20, os grupos de mídia foram os mais relevantes atores no mercado de opinião, mais influentes que os partidos políticos, que as igrejas, que os sindicatos. Já eram influentes no começo do século, com o avanço do telégrafo. Ampliaram o poder com o advento das rádios e, especialmente, das redes de rádios. E, finalmente, com a televisão, o veículo que dominou amplamente a opinião pública na segunda metade do século 20.

As formas de controle sobre a opinião pública eram de mão única, os melhores veículos através da seleção dos temas de cobertura e das análises de acordo com o alinhamento político ou comercial do grupo; os piores, através  da exploração de notícias falsas e de assassinato de reputação.

As maneiras de envolvimento da opinião pública se davam especialmente através da dramaturgia das notícias, buscando na ficção modelos de narrativas aplicadas às notícias, construindo heróis ou vilões como formas de manipulação política e de envolvimento emocional do leitor.

Em cada mudança de padrão tecnológico, houve um terremoto entre os grupos de mídia. A nova tecnologia seria vitoriosa e nem todos os grupos conseguiriam pular para o novo barco.

Havia uma perda de rumo, uma travessia complicada na qual os grupos de mídia se valiam de todas as suas armas, influências políticas, assassinatos de reputação, criação de inimigos públicos para se colocar na nova etapa.

Na última etapa tecnológica, com o avanço da Internet, essa tática foi` explorada pelos infames Murdoch ‘s, os australianos que se tornaram modelos para um processo de degradação mundial da mídia. E, no Brasil, por um movimento liderado por Roberto Civita e a revista Veja.

Atualmente, há dois fenômenos em curso que tornarão inevitável a globalização das mídias: as redes sociais e os grupos globais de mídia.

É nesse contexto que deve ser analisado o futuro da mídia no Brasil e o velocino de ouro: a disputa sobre o controle da opinião pública nacional.

Preliminar 2 – o início da Internet

Para entender melhor a próxima guerra, é preciso uma pequena revisitada nos primórdios da Internet.

A Internet permitiu não apenas a confluência de mídia, mas a confluência de conteúdos. No início da Internet, tentou-se o modelo dos portais, os chamados provedores de conteúdo, cujo pioneiro foi a AOL (American On Line), com a pretensão de ser a porta de entrada na Internet. Criava-se um sítio com um browser exclusivo que dava acesso ao conteúdo abrigado no portal.

O sucesso inicial da AOL foi tão rápido que lhe permitiu, inicialmente, adquirir a Time Warner, um gigante decorrente da fusão dos grupos Time-Life e Warner Bros, que já incluía o canal CNN.  Rapidamente se percebeu que o modelo não funcionava. Depois de um período, o modelo AOL fez água e sua participação acabou se diluindo na fusão.

A superação rápida do modelo portal se deveu à disseminação da padronização tecnológica na Internet e de padrões de interação entre sites. Os modelos fechados, tipo AOL, não podiam competir  com o universo aberto da Internet.

Consolidou-se um modelo de negócio, impulsionado inicialmente pela expansão mundial do cabo, baseado na assinatura e na publicidade. A fusão era necessária para garantir os investimentos necessários para a expansão global.

Peça 1 – os novos grupos globais

Os modelos de grupos de mídia globais  surgem das sucessivas fusões entre empresas de entretenimento, empresas jornalísticas e de tecnologia.

A fusão mais bem sucedida juntou um gigante das telecomunicações, a ATT, um do entretenimento, a Warner, e uma de jornalismo e TV a cabo, a Turner. Grupos tradicionais, como a Disney, se reinventaram e criaram canais de esporte, por exemplo. E definiram um novo modelo de negócios, baseado na assinatura, nos acordos com empresas de telefonia e de cabo, e publicidade segmentada e se alavancando inicialmente através do cabo e das parcerias com empresas de telefonia nacionais.

Foi a primeira brecha nas cidadelas ferreamente defendias das mídias nacionais. Financiando-se através da publicidade, as mídias nacionais tornaram-se campeãs das bandeiras internacionalistas, de abertura da economia – menos para seu próprio setor.

De fato, na expansão do capitalismo americano no pós-guerra, os grupos de mídia não conseguiram acompanhar outros setores devido à influência política das mídias nacionais, que se defendiam através de legislações impedindo a entrada de grupos estrangeiros; e do controle do espectro de concessões de rádios e TVs.

Com a Internet e a TV a cabo, o muro foi derrubado e houve uma convergência entre os diversos tipos de mídia, juntando grupos de entretenimento, empresas de tecnologia e empresas jornalísticas.

A explosão de novas mídias pulverizou a audiência, levando a uma disputa em torno de eventos de entretenimento, como jogos de futebol e de lutas. É por aí que deve ser analisada uma das mais espúrias alianças políticas, especialmente na América Latina.

Grupos hegemônicos de mídia garantiam a blindagem política dos cartolas perante os políticos; e celebravam acordos ilegais pela exclusividade na transmissão de eventos esportivos. Com as operações contra a FIFA, conduzidas pelo FBI, esse modelo implodiu. Com a decadência do futebol nacional, as grandes atrações deslocaram-se para os campeonatos europeus e paramos eventos de luta.

E, aí, desaparecem os grandes diferenciais de audiência dos grupos nacionais e aparecem os ganhos de escala dos grupos globais, adquirindo direitos de transmissão dos grandes eventos internacionais para suas afiliadas em todos os países

O crescimento dos novos meios se deu em cima da TV aberta e da mídia escrita, justamente o eixo central do modelo de negócios dos grupos de mídia tradicionais.

Peça 2 – as big tecs

O segundo caminho foi das big tecs. A questão não era mais produzir conteúdo, mas desenvolver modelos de organização – e direcionamento – do conteúdo global da Internet.

No modelo tradicional, os jornais se comportam como condutores dos povos, selecionando informações e opiniões de acordo com seus objetivos comerciais e políticos e oferecendo, como produto, a possibilidade de ele, jornal, influenciar seu público com as mensagens de interesse do patrocinador.

No novo modelo, as empresas oferecendo o universo de informações de seus usuários para clientes dispostos a pagar para influenciar o mercado de opinião. Desde o fabricante de bens de consumo, identificando clientes potenciais através de algoritmos fuçando mensagens e e-mails do público, até grupos políticos tentando influenciar eleições presidenciais.

Peça 3 – os grupos nacionais

É nesse novo modelo, espremido entre dois gigantes, que os grupos nacionais de mídia tentarão se equilibrar.

Na Europa, a influência dos grupos de mídia tradicionais têm levado governos nacionais a estabelecer limites para a ação das big tecs. Afinal, veículos como BBC, Financial Times, The Guardian, Le Mondé, são tratados como instituições nacionais, ao contrário dos grupos brasileiros, que gastaram todo seu estoque de credibilidade nas guerras políticas das últimas décadas.

O último trunfo das mídias hegemônicas latino-americanas foram as associações criminosas com a FIFA e as confederações nacionais de futebol.

Com a ascensão de Bolsonaro e a pandemia, acentuou-se sua fragilidade financeira e perderam a guerra.  A maior derrota aconteceu com o fim do monopólio dos campeonatos nacionais e sul-americanos pela TV Globo. E, mais recentemente, com a decisão do Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE) de proibir o bônus de veiculação –  devolução de parte das receitas publicitárias para as agências de publicidade -, o maior instrumento de cartelização comercial do grupo.

Talvez o maior exemplo do desespero atual da mídia, aliás, seja o jornal O Globo. Nos últimos meses, lobbies de jogos entraram pesadamente na Internet brasileira, colocando publicidade em veículos de todos os tamanho. Até o Jornal GGN foi procurado, e recusou, apesar do cerco financeiro a que está exposto.

Em um gesto de desespero, impensável em outras épocas, O Globo não apenas aceitou o patrocínio, no banner principal, como deu, como contrapartida,  um artigo de Nelson Motta, com uma defesa candente da abertura de cassinos, brandindo argumentos falaciosamente primários.

Na hora em que o governo está desesperado por dinheiro para bancar seu programa de renda mínima, sem aumentar impostos, surgiu na Câmara, pela milésima vez, o projeto de liberação do jogo, que poderia render R$ 50 bilhões por ano em impostos para a União, estados e municípios quebrados pela pandemia. O lobby já trocou “jogos de azar” por “jogos de fortuna”. Nunca o momento foi tão oportuno. Desta vez vai.

O artigo foi celebrado em veículos oficiais dos jogos de azar. Imprudências desse tipo não aconteciam com a mídia brasileira desde a IstoÉ a última fase da Editora Abril, com Roberto Civita.

Ao mesmo tempo, multiplicaram-se eventos com patrocínio da Refit (a Refinaria de Manguinhos, envolta em mil problemas) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), uma espécie de CBF do comércio.

Foi o exemplo mais notável de um setor que jogou a toalha, porque partindo de um grupo que dominou completamente o mercado publicitário brasileiro por décadas. Hoje em dia, há em curso movimentos das associações de jornais e emissoras de televisão visando ampliar a possibilidade de aumento da participação estrangeira.

Peça 4 – a reestruturação dos grupos nacionais

Esse será o próximo movimento e, aí, sobressairá uma figura que começa a ampliar cada vez mais sua influência sobre o mercado de mídia: os grupos financeiros.

Nos últimos anos, grupos financeiros passaram a atuar na linha de frente da mídia, com a aquisição da Abril-Exame-Veja, e de uma série de sites temáticos, pelo BTG Pactual, o site financeiro da XP.

Nenhum grupo global que se preze arriscará a montar parcerias minoritárias com grupos nacionais, em função do alto grau de endividamento, da ausência de modelos de controle administrativo, da gestão familiar e da maneira pouco sofisticada de colocar a mídia a serviço de outros interesses comerciais.

A intermediação se dará através dos grupos financeiros, seguindo o modelo CNN: um bilionário de fora da mídia entrando como sócio. Dentro desse modelo,  bancos tipo BTG irão atrás de grupos internacionais, montarão modelos societários com sócios brasileiros e seus representantes. E se terá não uma mídia nacional internacionalizada, mas a mídia global definitivamente hegemônica no país.

Peça 6 – os riscos para a democracia

A crise política global já demonstrou, à farta, os riscos para a democracia da concentração no mercado de opinião.

Consumados os movimentos acima, o mercado de opinião brasileiro ficará assim:

1.        Grupos financeiros assumindo o comando da mídia nacional, ou organizando modelos de aquisição para grupos globais. Os grupos de mídia nacionais ajudarão a desarmar cada vez mais a opinião pública em relação ao desmonte do Estado e aos negócios da privatização. Com a fragilidade das instituições nacionais, o estrago será inevitável

2.        Grupos internacionais de melhor nível, mas também fechados em torno das bandeiras da desregulação e da desmontagem das redes de proteção social.

A única alternativa são sites independentes, à esquerda e à direita. Mas justamente esses sites estão sob um duplo tiroteio.

Um deles, a perseguição promovida pela Justiça, especialmente a de São Paulo e do Rio de Janeiro. E o lawfare promovido pelos grupos ligados a Jair Bolsonaro e a João Dória Jr., entre outros grupos truculentos.

Outra, são os movimentos das redes sociais. Recentemente, uma mudança nos algoritmos do Google derrubou pela metade a audiência – e o faturamento – de sites jornalísticos de diversas tendências.

O que seria? Cautela em relação à polarização política? Acordos nebulosos com grupos nacionais?

Obviamente, em ambos os casos há atentados explícitos ao direito de informação. Essa será a grande discussão política dos próximos meses.

Seria relevante que o Conselho Nacional de Justiça, a Procuradoria Geral da República, as Escolas de Magistratura e do Ministério Público montassem discussões sobre o tema, mas de forma aberta, juntando não apenas associações dos grupos de mídia, mas representantes de mídia alternativa e especialistas em direito à informação.

E que o Congresso passasse a analisar seriamente a proibição do controle de grupos de mídia por grupos financeiros.

Essa foi uma das recomendações principais na primeira reunião do grupo de discussão Amigos e Amigas de Luis Nassif, integrado por figuras ilustres do mundo jurídico, jornalístico e acadêmico.,

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

O calvário da antes toda poderosa Globo, agora vítima dos próprios excessos de arrogância e poder, por Luis Nassif

 

Dia desses vou desenterrar uma coluna que escrevi para a Folha, no final dos anos 90, mostrando como o superpoder transformaria a Globo em um paquiderme acomodado, perdendo toda a vitalidade criativa que marcou a era Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Jornal GGN:

As Organizações Globo continuam em uma corrida insana, na qual os cortes de despesas não têm sido suficiente para compensar a queda de receitas.

São muitas as razões.

Em seu período de quase monopólio da mídia, montou uma operação bastante onerosa, própria de estruturas monopolistas. Mantinha casts permanentes de artistas, embora só utilizasse parte deles em cada temporada. A idéia era simples. Aparecer na telinha da Globo conferia prestígio, transformava a pessoa em personalidade pública, graças à extraordinária audiência que detinha no período áureo. Ela  não queria que concorrentes se beneficiassem do investimento feito em artistas e jornalistas. E tinha bala na agulha para mantê-los a todos como reserva de mercado.

Eram tempos de tanta abundância, que não havia preocupação em identificar sinergia entre os diversos produtos. Jornalistas da Globonews poderiam ser contratados pela CBN, por exemplo, mas como se ambas fossem empresas independentes. Além da alta remuneração, a Globo oferecia ainda o ganho adicional, da abertura para o mercado de palestras, graças à visibilidade proporcionada por sua audiência.

Nesse período, manteve-se absoluta nas novelas e no noticiário. Concorrentes tiveram que cavar espaço em programas populares de auditório ou em uma segunda linha de jornalismo. Concorrentes como Bandeirantes, SBT e Rede TV tiveram que vender espaços para igrejas para conseguir se equilibrar.

Nesse período, a Record foi a mais bem sucedida. Em parte, pelos recursos da Igreja Universal, e pela complementaridade dos negócios. Mas há um ponto interessante na montagem do jornalismo. Em pouco tempo, o R7 se tornou um dos maiores portais de notícias. E o jornalismo conseguiu emplacar programas de domingo para enfrentar o Fantástico e telejornais diários, seguindo o padrão Globo de jornalismo. A montagem dessa estratégia foi de Douglas Tavolaro, que saiu da Record para se tornar sócio da CNN Brasil.

Agora, a análise do modelo CNN, ainda que incipiente, permite identificar melhor as fragilidades do modelo Globo.

No caso da CNN Brasil, há uma intensa integração entre os veículos, uma enorme sinergia que fortalece o conjunto. Por exemplo, entre a rádio CNN (montada em parceria com uma rede nacional), e o jornalismo televisivo. Junto com o jornalismo, a montagem de empresa de eventos, para seminários especializados. Há uma “modernidade”, de disponibilizar repórteres para comerciais, que não cheira bem. Mas é uma exceção. E há o uso intensivo de todas as formas de produtos digitais, endereços nas principais redes, podcasts etc.

A rapidez com que montou seu modelo de negócio mostra uma das grandes vantagens das empresas americanas, a capacidade de montar modelos de negócio eficazes.

Por exemplo, cada passo é tratado com intensa auto-promoção. Celebra por semanas e semanas a contratação de um jornalista conhecido. No final de cada bloco, os apresentadores repetem o slogan de “maior do mundo”. E cada editoria montada é tratada como se fosse uma enorme subsidiária.

Por exemplo, a CNN montou uma editoria de finanças. Deu-lhe o nome pomposo de CNN Business e entregou-a nas mãos competentes de Fernando Nakagawa. Não sei qual a estrutura que tem por trás. Mas o marketing transformou-a em quase um produto independente. Enquanto isto, a Globo controla o principal veículo econômico-financeiro do país, o jornal Valor Econômico, com aproveitamento mínimo no conjunto de veículos do grupo.

Um outro ponto do modelo CNN – aí no plano editorial – é o equilíbrio entre jovens jornalistas e jornalistas seniores. Há uma tecnologia muito bem assimilada de jornalismo.  Todos eles têm um foco permanente na busca de furos e na construção coletiva do fato do momento. Surge determinado tema. Praticamente toda a estrutura de repórteres se mobiliza em torno do tema, contextualizando, trazendo cada peça do quebra cabeças. Repórteres trazem informações. Apresentadores ou acrescentam comentários ou entrevistam os repórteres, procurando arrancar o máximo possível de explicações.

Nem imagino qual seja o trabalho de bastidores, por trás das câmeras, de direção da TV, editores, repórteres apuradores, jornalismo de dados etc. Mas impressiona a sincronização entre os apresentadores, conduzindo os temas, a entrada dos repórteres, as chamadas para novas reportagens, as perguntas feitas pelos apresentadores, que parecem combinadas com o que os repórteres estão trazendo de notícias. Há uma enorme fluidez, passando a sensação de que não existe sequer teleprompter para conduzir as falas.

Tem ciência aí, metodologia das boas. Mas, confesso, não tenho a menor ideia sobre como montaram esse máquina.

Há também, uma boa agilidade na definição das duplas que comandam os diversos horários de programas. Há uma espontaneidade cativante nos jovens apresentadores dos programas matutinos. Depois, gradativamente, uma certa solenidade necessária visando um público mais maduro dos programas da tarde e vespertinos. À noite, a parte analítica pesada, conduzida pelas mãos experientes de William Waack.

Juntar uma redação de jornalistas e dar o devido equilíbrio, entre os mais jovens e os veteranos, a mistura racial e de gênero, não é coisa que se aprende na escola.

Por exemplo, na fase inicial, havia uma preponderância de jovens jornalistas, e algumas âncoras de jornalismo mais experiente, mas apenas nos jornais noturnos. Com o tempo, foram contratados apresentadores seniores para a programação da tarde, para dar equilíbrio ao grupo e refrear um pouco a ansiedade dos mais jovens por uma carreira rápida.

Provavelmente para mostrar que tem feeling jornalístico mais apurado que a concorrência, Tavolaro trouxe dois sólidos jornalistas, desprezados ou mal aproveitados pela Globo, Carla Vilhena e Márcio Gomes. Foi como se dissesse: olha aqui, eu vi o que vocês não viram.

Enquanto isto, a Globonews tenta se repaginar, em cima da competição com a CNN, mas com enorme dificuldade em se reinventar, e enfrentando o esvaziamento da TV aberta, em crise em todo o mundo.

Por aqui, além da nova tendência contrária às TVs abertas, a Globo perdeu a exclusividade do futebol, da Fórmula 1, a preponderância massacrante do jornalismo. Mantém em sua espinha vertebral o modelo das novelas, cada vez mais mexicanizadas, mas vê a TV aberta se esvaindo a cada dia.

Agora, joga todas as fichas no Globoplay. O produto tem o que mostrar. Há um trabalho excepcional feito nos últimos anos no Multishow e GNT, com produtoras nacionais de diversos calibres. Há espaço para parcerias com grandes grupos globais, que disputam mercado com a Netflix. Com o Globoplay, a emissora conseguiu segmentar o público de TV do público de computadores e celulares, exigindo assinatura para assistir os programas da emissora. Mas, pela frente, tem competidores extraordinariamente maiores. E abriu mão, por questões familiares, do executivo que montou a impecável produção dos canais da Globosat.

Sofre, também, uma perseguição implacável de Bolsonaro, com o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) proibindo os Bônus de Veiculação exclusivamente para ela; a Receita investindo em cima da pejotização dos salários. Justo ela, que sempre conseguiu o que quis de governos tucanos e petistas. E que montava guerras políticas mundiais contra as mínimas medidas que pudessem afetá-la, como a incrível campanha contra a classificação indicativa, ou os petardos contra a Secom, quando se dispôs a desviar migalhas de publicidade oficial para veículos do interior ou independentes, como se fosse propriedade privada exclusiva dos grupos de mídia e, especialmente, dela, Globo..

Além das perseguições bolsonarianas, a Globo tem uma espada de Dâmocles permanente, nos inquéritos que o Ministério Público Federal mantêm engavetados, dos escândalos da compra de direitos da Copa Brasil. Aí se entende a adesão quase obsessiva da Globo à Lava Jato e de se colocar como uma voz tonitruante de combate à corrupção dos outros. Só que, agora, não tem fantasmas bolivarianos, cubanos, para se fortalecer. Sem o álibi bolivariano, terá que enfrentar a ferro frio os verdadeiros adversários – Google, Facebook, Apple, Netflix.

Há apostas consistentes no mercado que, dentro de algum tempo, a Globo começará a fazer campanha pela abertura do mercado ao capital estrangeiro. Vai ser irônico, principalmente partindo de uma empresa que sempre condenou qualquer defesa de mercado… para os outros.

Dia desses vou desenterrar uma coluna que escrevi para a Folha, no final dos anos 90, mostrando como o superpoder transformaria a Globo em um paquiderme acomodado, perdendo toda a vitalidade criativa que marcou a era Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Agora, está sendo devorada pelo monstro que ela própria ajudou a parir quando, na véspera do cataclisma, se vangloriava de seu poder de derrubar presidentes e reescrever o Brasil.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Após ter gestado e chocado o ovo da serpente, a Globo colhe sua semeadura.... GGN: CADE acerta tiro no coração comercial da Globo. Vìdeo e reportagem de Luis Nassif

 

Segue o vídeo da TV GGN e o texto sobre a possível perseguição de Bolsonaro à Globo, ambos de Luis Nassif

Confira as análises de Luis Nassif no boletim desta quarta-feira, 2 de dezembro


É possível que a decisão do CADE contra a Globo seja perseguição política, por Luis Nassif

No que interessa ao tema de hoje, depois do episódio a Globo tratou de legalizar a prática. Não sei especificamente de que maneira foi tratada essa “legalização”. De qualquer forma, fontes com acesso ao documento do CADE dizem que ele simplesmente ignorou esses movimentos.

Há sinais de que a decisão do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) contra a Globo seja perseguição política da parte do governo Bolsonaro.

O assunto está sendo tratado com parcimônia pela mídia – para não expor a Globo. Mas quem leu o parecer do CADE identificou parcialidade.

O caso se refere ao Bônus de Veiculação, uma das maiores práticas de abuso de poder econômico na economia brasileira. Por ele, a Globo devolvia para as agências de publicidade parte das verbas recebidas, a título de premiação. Com esse estímulo, em vez de mídia técnica distribuída, as agências optavam por concentrar a publicidade na Globo.

Criaram-se distorções de todas as espécies. Os BVs se tornaram a remuneração maior de muitas agências. Com isso, elas passaram a negociar descontos com os clientes e a depender cada vez mais dos BVs, concentrando ainda mais a publicidade na Globo.

Até aí, tudo certo. O CADE entra no tema, embora com décadas de atraso.

Onde se configuram, então, os abusos.

O primeiro deles foi não incluir outros grupos na prática. Há anos, o Google se tornou o maior captador de publicidade do mercado brasileiro, emulando a prática do BV. Mas não entra no inquérito do CADE.

Além disso, durante o caso Visanet, a Globo correu para legalizar a prática.

Mostrando a enorme manipulação do episódio pela Procuradoria Geral da República, inicialmente a denúncia do “mensalão” tinha como centro o suposto desvio de R$ 75 milhões da Visanet – uma empresa não estatal, com participação acionária do Banco do Brasil. Os recursos eram utilizados na promoção do cartão Visa.

Foi esse episódio que permitiu ao PGR atingir integrantes do governo com a acusação genérica de formação de quadrilha. O abuso de interpretação foi o primeiro sinal que a PGR tinha se politizado. Mas o PT minimizou os sinais.

Era uma informação falsa. Havia relatórios de escritórios privados, e um da Polícia Federal, mostrando que os recursos foram devidamente utilizados – especialmente nos grandes grupos de comunicação, como Globo e Abril, e em eventos. A PGR, então, tentou focar a corrupção nos Bônus de Veiculação, pagos às agências. Segundo a denúncia, teria sido a maneira de transferir recursos às agências de Marcos Valério. Ocorre que, admitindo esse suposto “crime”, o “mensalão” atingiria diretamente seus principais aliados.

Deixou-se de lado, então, essa tentativa de criminalizar o BV e voltou-se à tese original, do falso desvio dos R$ 75 milhões. Havia um relatório do respeitado escritório Pinheiro Neto comprovando o uso correto das verbas publicitárias. E também um laudo da Polícia Federal no mesmo sentido. O relator do STF, Joaquim Barbosa, em decisão absurda, manteve o laudo da PF sob sigilo absoluto. E os advogados do PT inexplicavelmente deixaram de consultar o relatório Pinheiro Neto.

Até hoje, essa falha da defesa é um dos episódios mais obscuros do “mensalão”. Na época, conversei com executivos do BB. De uma maneira geral, os funcionários detestavam Pizolatto – o diretor colocado pelo PT. Mas garantiam que não havia nenhuma possibilidade de desvio de verbas. Para lançar as verbas como despesa, a Visanet teria que comprovar seu uso correto. Para isso foi contratado o Pinheiro Neto, que comprovou a correta utilização das verbas.

No que interessa ao tema de hoje, depois do episódio a Globo tratou de legalizar a prática. Não sei especificamente de que maneira foi tratada essa “legalização”. De qualquer forma, fontes com acesso ao documento do CADE dizem que ele simplesmente ignorou esses movimentos.

Em suma, uma ilegalidade para corrigir um abuso de poder econômico que era para ter sido resolvido há muitas e muitas décadas.


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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Vídeo do Portal do José: A ALIANÇA GLOBO BOLSONARO e NEGOCIATA PARAGUAIA


Do Canal do Portal do José:



Globo e Bolsonaro possuem uma aliança estratégica para os interesses das grandes corporações. Enquanto o Presidente distrai o povo, os interesses nacionais são entregues ao financismo e corporações estrangeiras.Emquento isso, no Paraguai, negociata envolvendo Paraguai e Gov Bolsonaro podem derrubar presidente daquele país. https://economia.uol.com.br/noticias/... IMPEACHMENT NO PARAGUAI https://www.youtube.com/watch?v=pXpPp... LIVROS DE JOHN PERKINS https://www.estantevirtual.com.br/liv... #globo #bolsonaro #paraguai

sábado, 15 de junho de 2019

“Eu iria na jugular”, diz ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima (o mesmo participante da Lava Jato e do escândalo Banestado) sobre usar morte de Marisa contra Lula



Carlos Fernando dos Santos Lima era a favor de endossar a narrativa de que Lula atribuiu exclusivamente à esposa o interesse no apartamento no Guarujá, reformado pela OAS


Do Jornal GGN, citando novas revelações do The Intercept sobre o caso Morogate VazaJato:  


Jornal GGN – O ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sugeriu, em um grupo de Telegram entre membros da força-tarefa e a assessoria de comunicação do Ministério Público Federal em Curitiba, que a Lava Jato deveria usar a morte de Marisa Letícia em ataque público a Lula.
Segundo conversas reveladas pelo The Intercept Brasil na noite de sexta-feira, 14, a mando de Sergio Moro, a Lava Jato teve de elaborar uma manifestação à imprensa para rebater o “showzinho da defesa” de Lula, logo após o primeiro depoimento do ex-presidente no julgamento do caso triplex, em 2017.
Os procuradores e os assessores passaram algumas horas discutindo o que deveria ser rebatido ou se era melhor para o MPF ficar em silêncio – já que a cobertura da grande mídia pendia naturalmente a favor da Lava Jato e contra Lula.
Em uma das mensagens, Santos Lima sugeriu que o MPF deveria ir “direto na jugular” e usar a morte de Marisa no confronto com Lula, endossando a narrativa de que o petista atribuiu exclusivamente à esposa o interesse no apartamento no Guarujá, reformado pela OAS.
Santos Lima, ao contrário de alguns colegas do grupo, parecia ansioso para falar à grande mídia após o depoimento de Lula.
O então procurador – hoje tem um escritório de advocacia dedicado à compliance – até chegou a solicitar à assessoria algum jornalista da Globo para entrevistá-lo.
A assessoria explicou que era mais vantajoso para o MPF aguardar os desdobramentos e monitorar os jornais.
No final, Santos Lima acabou abordado por um jornalista no aeroporto e concedeu uma na qual usou a tática que havia sugerido no grupo.
Atingido pela Vaza Jato, o ex-procurador emitiu a nota abaixo, se negando a admitir o teor das conversas e afirmando que a liberdade de imprensa tem limites.
Ele adotou a mesma linha de defesa de Sergio Moro, para quem o dossiê é fruto de crime e deve ser periciado.

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