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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Rosana Pinheiro-Machado escreve sobre o poder das mentiras que sustenta Bolsonaro e estimula o fascismo através das Redes Sociais em artigo para o The Intercept



Na batalha das redes, a extrema direita ganha por W.O.

A grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. Mas a esquerda ainda não entendeu.

rosana-site
Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil


ENQUANTO VOCÊ LÊ esta coluna, parte da rede bolsonarista de WhatsApp recebe aproximadamente 5 mil mensagens nos quase 2 mil grupos de apoio ao ex-capitão.
“A extrema direita ganha por W.O.”, quando há vitória de um time sem adversário. Assim Pedro*, expert em tecnologia e política, define a atual disputa ideológica entre direita e esquerda nas redes sociais. Ele segue sua explicação: “é como se fosse uma guerra aberta, na qual a direita vem com drone e bombardeio, e a esquerda joga um fogo de artifício para o alto para tentar demonstrar reação, sem exatamente entender que está numa guerra”.
Pedro se vale de muitas figuras de linguagem para explicar e dar sentido ao horror da caixa de pandora que tem em mãos. O último monitoramento realizado por sua equipe analisou 2.513 grupos de WhatsApp bolsonaristas, 93.886 usuários e mais de 5 milhões de mensagens conspiracionistas sobre o coronavírus compartilhadas desde fevereiro.
Eu acessei o software, sem preparo psicológico prévio, e fiquei enojada e atônita por alguns dias. Para pesquisadores que trabalham com big datae extrema direita, é normal lidar com uma quantidade imensa de dados desse tipo. Mas não é o meu caso. A sensação de ver a máquina do ódio funcionando a todo a vapor, segundo a segundo, me fez entender um pouco o que Pedro queria dizer com uma guerra sem adversário.
Pedro tem um vasto e respeitado currículo profissional na área de política e tecnologia, mas prefere manter sua identidade protegida para seguir nos bastidores sua luta contra a desinformação. Abrindo a caixa de pandora diariamente, ao mesmo tempo em que tenta dialogar com as principais lideranças do campo da esquerda no Brasil, o pesquisador tem uma visão bastante árida da fragilidade tecnológica do campo progressista. Para ele, as esquerdas têm uma dupla defasagem na disputa política-tecnológica.
Primeiro, uma parte da esquerda ainda não entendeu – e talvez não esteja disposta a entender – que a grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. Segundo, esse estado de inanição apenas reflete algo de fundo, que é uma falta de projeto e orientação para o futuro.
É claro que existem movimentos, mídias, ativistas, influenciadores digitais e parlamentares que se preocupam com o tema e têm grande impacto nas redes. Não se trata de ignorar o trabalho daqueles que, há alguns anos, estão tentando mudar esse quadro. O ponto é meramente reconhecer que esses esforços não chegam perto de compor estrategicamente um ecossistema de atores que se movem, mais ou menos de forma coordenada, num processo de disputa política propriamente dito.
Pedro relata situações em que desenvolveu projetos digitais para partidos e lideranças de esquerda. Sua frustração é, campanha após campanha, ver que o trabalho é muitas vezes interrompido após as eleições: “Não dá para parar. Esse é um projeto contínuo”.
Acreditar que basta ganhar a eleição de 2022 para mudar o quadro catastrófico em que nos metemos faz parte do autoengano generalizado e sintomático que acomete a esquerda tradicional há quase uma década.
Surgem manifestações coxinhas, a gente dá risada. Bolsonaro se coloca como candidato, a gente diz que ele não terá tempo de televisão e que o sistema político irá se regenerar em torno da polarização PT versus PSDB. Bolsonaro cresce nas pesquisas, é porque Lula está preso – sim, evidentemente, mas podemos pensar que não foi só isso? Bolsonaro ganha as eleições é porque levou a facada  – sim, esse foi um elemento desestabilizador, mas podemos pensar que não foi só isso?
Não se trata de ignorar os muitos golpes que a esquerda e o PT, em particular, sofreram. Mas é preciso também entender que a extrema direita vem se articulando nas mídias desde a virada do milênio. E essa articulação tem sido feito com propósito, tentativa de coordenação de diferentes vertentes e sistematicamente espalhando paranoia e pânico moral contra inimigos forjados.
Quando não entendemos que a vitória de Bolsonaro faz parte de um projeto muito maior, só nos resta esperar as pesquisas de aprovação do governo a cada semana e ficar agarrados naquelas que indicam alguma queda da base dos 30% do que seria o núcleo-duro bolsonarista. Resta-nos torcer para que o governo se autodestrua. Basta eleger alguns parlamentares e tentar não perder em 2022. Resta-nos acreditar que tudo o que aconteceu no Brasil foi fruto das fake news bolsonaristas produzidas no “gabinete do ódio”. Acreditamos que, ao prender seus agentes estratégicos, o núcleo-duro bolsonarista seria desestruturado.
Essa é uma visão limitada de como se articula a rede bolsonarista política e tecnologicamente. Pedro dá o exemplo da prisão de Sara Winter, que não tinha nenhuma menção no ecossistema de extrema direita. Após sua detenção, houve uma explosão de seu nome na rede, em uma onda de viralização de linguagem religiosa que pedia por orações por ela em mais de 1.031 grupos cheios de emojis de amém e linguagem de guerra espiritual.
A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo.
“Infelizmente, a rede de distribuição de informação do ecossistema é muito maior do que a operação da Polícia Federal foi capaz de identificar”, diz um relatório realizado pela equipe de Pedro, demonstrando que, para além dos grupos militantes declarados, essa rede atua também por clusters presentes em grupos de venda, pornografia e caminhoneiros.
Pedro sempre bate na tecla que a incompreensão de como funciona o ecossistema traz resultados negativos para a esquerda enquanto um campo de oposição. “Muitas pessoas pensam que basta acabar com o gabinete do ódio como se a rede bolsonarista fosse meramente uma estrutura de poder e financiamento vertical. A grande incompreensão é não entender que essa rede atua com suas próprias mídias e é muito mais autônoma, horizontal, autofinanciada do que se imagina”.
O gabinete do ódio – que precisa, sim, ser desestruturado –  é, portanto, consequência (e não apenas a causa) de um alinhamento de forças de articulistas e influenciadores outrora pulverizados. Acabar com esse ponto de organização não necessariamente mina os 18 mil outros domínios de divulgação política mapeados por Pedro.
É evidente que esse ângulo de olhar a realidade traz uma profunda angústia e uma sensação de impotência. A primeira coisa que nos perguntamos é como sair dessa. É possível que os ratos voltem para os esgotos depois de as comportas terem sido abertas? É possível regenerar um sistema putrefato que funciona livremente?
Em primeiro lugar, penso que é importante não perder de vista que nem tudo é vitória por W.O. do lado de lá. O professor especialista Fábio Malini, pioneiro no estudo de big data e política das redes no Brasil, comentou comigo recentemente que não podemos esquecer que o poder bolsonarista, atualmente, advém de uma máquina de propaganda governista, o que, a meu ver, enfraquece a espontaneidade e autenticidade do ecossistema.
Malini também destaca o fato que ideias progressistas estão ganhando espaço nas redes e no mercado editorial, citando Felipe Neto e Djamila Ribeiro, por exemplo, e que mais atenção pública tem sido dada ao trabalho de parlamentares de esquerda. O professor também mostra que as hashtags #antifa #antirracismo e #auxilioemergencial são exemplos de disputas narrativas que o campo progressista venceu nas redes.
Ambos os pesquisadores concordam que o anticientificismo de Bolsonaro é um ponto fraco. Quando a gente fala de esperança nas redes, ela vem da renovada atuação de cientistas pautando debates nacionais, os quais não apenas defendem o conhecimento técnico, mas também a democracia.
Buscando uma luz no fim do túnel, questionei Pedro se havia um ponto de abalo nesse ecossistema. Ele me disse que as mensagens de pessoas infectadas por coronavírus são um ponto importante de desestabilização. Começaram a circular mensagens de pessoas chorando, relatando sofrimento e morte, dizendo que não era uma “gripezinha”. Malini entende que isso afeta a classe médica e também os demais grupos apoiadores, produzindo um efeito negativo que não é instantâneo, mas tem “influência de longo prazo”.
Nada disso, contudo, impacta imediatamente a caixa de pandora bolsonarista, especialmente via WhatsApp. É por isso que, no curto e no médio prazo, é tão importante investigar e regular as mídias. Não se trata de uma salvação, mas um passo importante para impor limites no avanço da extrema direita, que até agora andou sem freios.
Quando conversei com o historiador Federico Finchelstein para minha última coluna, perguntei como e quando acabam regimes fascistas baseados em mentiras. Ele me respondeu que, olhando para o passado, o esgotamento se dá da maneira mais trágica: quando as pessoas começam a morrer. Essa é uma resposta que faz todo o sentido e encontra eco na própria política de morte bolsonarista, que agora atinge seus próprios apoiadores.
A experiência da extrema direita aponta para a formação de uma rede em que as pessoas se sentem incluídas no processo político.
Mas, em termos de ação política, essa não é uma resposta aceitável para o campo de oposição, que não pode esperar – e não tem esperado – que as pessoas morram.
A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo. A luta comunicacional contra a extrema direita é inglória e assimétrica porque os fascistas atuam por mentiras que tocam no âmago no medo – e o medo é um sentimento que mobiliza os indivíduos visceralmente. Mas é possível entrar nessa batalha de forma honesta mudando o modus operandi.
Por pelo menos quatro décadas, os gurus da extrema direita estudaram as táticas políticas da esquerda. Agora, está na hora de a esquerda fazer o movimento contrário, não para copiar os métodos sujos, mas para entender seu funcionamento.
A experiência da extrema direita aponta para a formação de uma rede em que as pessoas se sentem incluídas no processo político, se sentem atores ativos e não passivos no ecossistema bolsonarista. Isso já estava claro nas minhas pesquisas e de Lúcia Scalco com jovens no Morro da Cruz, realizadas em Porto Alegre em 2017. Os simpatizantes repassavam mensagens e criavam conteúdos voluntariamente no YouTube para espalhar em outras redes.
Há muito pouco disso no campo da esquerda tradicional, que usa o WhatsApp ainda de forma vertical, cadastrando números de telefone para passar informação de políticos e partidos unilateralmente. Também se disseminou a promoção de intermináveis lives, bastante explicativas do mundo e muito pouco participativas – e não raramente com a caixa de comentários do Instagram fechada. Por uma hora, o político x fala com o líder do movimento y – e há quem acredite que isso é disputa de redes. Esse é um modelo que está fadado ao fracasso.
A esquerda precisa já se ocupar das redes de forma mais propositiva, horizontal e articulada para formar um ecossistema inclusivo, que não fique permanentemente caçando a carteirinha de seus membros.
O campo tradicional da esquerda precisa se abrir, fomentar alianças amplas, ampliar as linhas de debate, formar novas lideranças e oferecer esperança, utopia e projeto no lugar do medo.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Em vídeo, entenda como as táticas (e a tragédia dos resultados) da midiática Operações Mãos Limpas, na Itália, foi copiado por Moro e Dallagnol na farsa da Lava Vajto em vídeo esclarecedor


  "A Operação Lava Jato mudou o Brasil: personagens como Deltan Dallagnol e o Juiz agora ministro Sérgio Moro ganharam força e poder no país da corrupção - O que poucos sabem porém, é que vivemos apenas o simulacro italiano: A operação Mãos Limpas, o juiz Antonio di Pietro e a tangentopoli são fonte de inspiração pra mais um vídeo documentário da Normose! Seja bem vindo!"

Do Canal Normose:

O Segredo de SÉRGIO MORO: Desvendando a Operação Mãos Limpas e a

 Lava Jato! ESPECIAL FIM DE ANO







domingo, 3 de novembro de 2019

Comentário do Portal do José sobre a mafiosa Globo Golpista Estilionatária e feliz com Paulo Guedes e fomentadora da alienação coletiva para a destruição da qualidade de vida, perda de direitos, enriquecimento dos bancos e os Bolsonaros, FMI e AI-5



Do Canal Portal do José:



Texto do Professor José:

As vítimas de golpes de estelionato precisam ser crentes no golpista. Normalmente os tapeados acreditam até nos momentos finais que alcançarão alguma vantagem.
No plano político a coisa se manifesta do mesmo modo. A Rede Globo funciona como a ferramenta ideal para iludirem as pessoas de que existe uma realidade diversa daquela que as pessoas estão vislumbrando no dia a dia.
A ferramenta é eficaz e bem planejada. Nada é por acaso. Nem mesmo o receituário aplicado no Brasil é novo.
O Brasil segue adotando a cartilha do FMI que massacra países sem soberania nacional defendida por seus dirigentes.
Blsonaro é o grande condutor por ingenuidade ou corrupção do modelo adotado por Paulo Guedes e que quer entregar sem a menor resistência o patrimônio do povo brasileiro.
Cabe a nós, levarmos alguma informação para reflexão.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Cada hora de telejornal da Globo rende pouco mais de 10 minutos de “notícias reais”, por Wilson Ferreira



No restante, o telejornal da Globo passa o tempo falando de si mesmo – metalinguagem, autorreferencialidade fática e efeito Heisenberg.  Resultando num híbrido de jornalismo e propaganda recursiva. Infotenimento.


por Wilson Ferreira

Em 2003 o pesquisador Martin Howard no seu livro “We Know What You Want” descobriu que em cada hora de notícias da CNN, o noticiário transmitia pouco menos de cinco minutos de “notícias reais” (fatos espontâneos, históricos, externos à existência da mídia) – o restante é ocupado por metalinguagem e autorreferências. Sem falar no chamado “Efeito Heisenberg”: a mídia não consegue mais reportar o real – transmite apenas os efeitos que ela produz ao cobrir os eventos e, também, o esforço que as pessoas fazem para obter a atenção da mídia. O “Cinegnose” aplicou essa mesma metodologia na análise de quatro edições do telejornal local “Bom Dia São Paulo” da Globo. E chegou a resultados próximos: duas horas de telejornal resultam em 27 minutos de “notícias reais” – ou média de 13 minutos de notícias por hora. No restante, o telejornal passa o tempo falando de si mesmo – metalinguagem, autorreferencialidade fática e efeito Heisenberg.  Resultando num híbrido de jornalismo e propaganda. Infotenimento.
Sabemos que há muito tempo a TV deixou de ser uma janela aberta para o mundo – uma testemunha ocular da História de eventos espontâneos que são apenas observados e reportados. Não importa se de forma parcial ou imparcial. Mas, pelos menos, os fatos estão ali, históricos, espontâneos, regidos por uma lógica própria e indiferentes à existência das mídias.
Mas isso foi deixado para trás, para os velhos tempo do “Repórter Esso” dos tempos do rádio e da TV Tupi, que se auto-intitulava “testemunha ocular da História”.
Essa mudança radical da natureza da TV (ou dos fatos) não se deve apenas à mentira, omissão ou manipulação dos acontecimentos por interesses midiáticos políticos, ideológicos ou partidários. Mas também como um efeito intrínseco ao próprio crescimento das mídias, até se tornarem umhorizonte de eventosanálogo ao dos buracos negros da astrofísica: se não apareceu no horizonte midiático, logo jamais aconteceu.
 O jornalística e crítico social norte-americano Neal Gabler deu um nome para esse fenômeno: “Efeito Heisenberg” em uma alusão ao princípio da mecânica quântica de Werner Heisenberg (1901-1976): quando se tenta estudar uma partícula atômica, o ato de medir a posição necessariamente perturba o momentum da partícula – você não pode observar uma coisa sem influenciá-la – Leia GABLER, Neal. “Vida, O Filme – Como o entretenimento conquistou a realidade”, Companhia das Letras, 1999.
Neal Gabler

Negócio tautológico

Para Gabler, o crescimento do complexo midiático ao ponto de transformá-lo no próprio horizonte de eventos da sociedade produziu um gigantesco Efeito Heisenberg: a mídia não consegue mais reportar o real, mas apenas cobre a si mesma – o efeitos que ela produz ao cobrir os eventos e, também, o esforço que as pessoas fazem para obter a atenção da mídia.
O problema é que, por má-fé, continua a vender isso como “informação” ou “jornalismo”, escondendo a natureza tautológica em que se transformou o negócio.
Por exemplo, Martin Howard em seu livro “We Know What You Want” (Desinformation Book, 2005) levantou alguns dados de como o telejornalismo da CNN, por hora, produz em média pouco menos de cinco minutos de notícias “reais” (isto é, relativas a fatos “espontâneos”, “históricos”, externos à mídia), em confronto a acontecimentos cuja motivação é atrair a atenção das mídias (estórias de tabloides e notícias regionais) ou metalinguagem e auto-referência – conteúdo de talk show e escaladas. Sem falar nos infomerciais e intervalos publicitários.
O caso do telejornal local Bom Dia São Paulo da TV Globo (apresentador pelos jornalistas Rodrigo Bocardi e Glória Vanique) é certamente um objeto exemplar para essa análise sobre o destino “Heisenberg” da grande mídia.
Em postagem anterior este humilde blogueiro já havia analisado que os diversos “Bom Dia” (SP, Rio, Minas etc.) de uns tempos para cá assumiram uma função motivacional, como primeiro telejornal da manhã para aqueles que vão à procura de trabalho ou para seus empregos – o predomínio de matérias “inspiradoras”, “motivacionais” onde até na previsão do tempo o viés é o de dar “boas notícias” para dar um “up” no astral tão em baixa dos brasileiros – clique aqui.
Mas, particularmente, o Bom Dia SP é um caso exemplar – o Efeito Heisenberg está tão presente que o noticioso está chegando às raias do “infotenimento”: gênero híbrido de entretenimento com informação.

A irrealidade da metalinguagem

Vamos primeiro aos números, tentando acompanhar a metodologia proposta por Martin Howard fez com a análise hora a hora da CNN. O Cinegnose analisou as edições de 30/08 e de 02 a 04 desse mês de setembro.
Bom Dia SP preenche duas horas da grade matinal de programação de segunda a sexta. Destas, 11 minutos são ocupados por intervalos publicitários.
Os destaques da irrealidade cotidiana desse telejornal é o domínio da metalinguagem e a autorreferência – ou discursos de natureza eminentemente fática: uma média de seis a sete minutos por quarto de hora. Totalizando pouco mais de 55 minutos – 46%. Ou seja, quase metade da parte editorial do programa passa o tempo falando de si mesma.
Por metalinguagem consideramos enunciados em que temos a centralidade do jornalista e dos meios de enunciação (câmeras, helicóptero etc.) como os protagonistas da informação, sobrepondo-se à “realidade” que deveria ser reportada.
(a) Conversas travadas entre os apresentadores, nas quais se confundem a opinião com enunciados referenciais;
(b) Piadas, observações engraçadas e “piadas internas” entre apresentadores e a produção como os operadores de câmeras do estúdio, assistentes e diretores;
(c) A presença dos próprios apresentadores Rodrigo e Gloria ao lado de espectadores na vinheta “Bom Dia São Paulo Volta Já!” no final de cada bloco;
(d) Repórter que vira protagonista da informação como, por exemplo, a repórter que decide andar em uma espécie de scooter no interior de um show room de veículos alternativos no bairro dos Jardins; ou, então, o repórter que anda de bike por um ciclovia no qual os meios de transmissão (câmera no capacete do repórter e o séquito de câmeras e assistentes que acompanham o trajeto) viram uma espécie de “show de transmissão”.

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sábado, 15 de junho de 2019

Moro, a Globo (entre eles, tudo combina) e as táticas de manipulação para salvar a validade do golpe e dos interesses das elites, pelo professor José Fernandes





NESSE VÍDEO O PROF JOSÉ FERNANDES JUNIOR ANALISA A ESTRATÉGIA QUE COMEÇA A SER DELINEADA PELO MINISTRO MORO E A TV GLOBO RELACIONADA À PUBLICAÇÃO DAS GRAVAÇÕES NA LAVA JATO. QUE CONSEQUÊNCIAS TEREMOS? SIMPATIZANTES DE LULA ESTÃO COM ESPERANÇAS DE REVIRAVOLTA, MAS NÃO HÁ TANTO ESPAÇO AINDA PARA ESSAS CONCLUSÕES. O TEMPO DIRÁ. EDITORIAL DE O GLOBO 15/06/2019: https://oglobo.globo.com/opiniao/hack... #lavajato #moro #globo

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Mídia brasileira, representante dos interesses da Casa Grande, se deixa humilhar na era Bolsonaro. Por Denise de Assis






Estávamos em 2016. A dois anos, portanto, das eleições regulamentares, previstas em lei. Estimulado por uma articulação urdida no seio do PSDB – que já vislumbrava a sua total incapacidade de fazer o próximo presidente – e de um vice do PMDB, ressentido e ambicioso, (com certeza de olhos no fórum privilegiado do cargo) o Congresso atropelou a Constituição e aprovou um impeachment sem crime configurado, sem provas concretas para justificá-lo.

O país trocou os pés pelas mãos. Tal como em "Alice no país das Maravilhas" – (Lewis Carrol), encantou-se com o exotismo de um coelho que falava e usava relógio. Entrou em sua toca sem refletir que descer seria fácil. Difícil mesmo era encontrar a saída.

O que faltava na conta da presidenta Dilma, para levá-la ao impeachment, sobrava na do vice: fortes indícios das suas falcatruas. E o que importava isto, naquele momento, se havia o perigo do retorno de Lula? Tudo, menos a volta de Lula, pareciam concordar a elite, a classe média intolerante e até a corte suprema, que se omitiu em fazer valer a letra da lei em momentos cruciais. Nada disto contou. Havia um plano de reformas a ser levado adiante, de interesse do mundo empresarial. Porém, o papel decisivo foi o da mídia, orquestrando manifestações e levando para a rua o discurso do ódio ao governo legalmente eleito.

Eis que, Dilma deposta, vieram à tona os malfeitos do vice. Os índices de aprovação da presidenta - um dos argumentos para o seu impeachment -, ainda na casa dos dois dígitos, nunca foram alcançados pelo seu sucessor, que desde que pisou no palácio ouviu o coro de "fora Temer". O que fez a mídia? Não fez. Não apurou verdadeiramente, ignorou denúncias e manobras, movidas a farta distribuição de emendas para impedir que o presidente ilegítimo – nunca é demais lembrar – virasse réu.

Michel não foi incomodado. Entregou o que esperavam dele. O pré-sal, a reforma trabalhista, e quase fez o gol de placa, a tão sonhada reforma da Previdência. Por conta disto, foi deixado em paz, não foi devidamente investigado, não houve apuração, de fato, dos seus malfeitos. Saiu do Planalto pela rampa principal.

Na descida, deu posse ao candidato que se não foi o escolhido dos meios de Comunicação, foi o acolhido. Valia qualquer um, desde que o PT fosse escorraçado de Brasília. E a mídia lá, omissa. Não cobraram do candidato da ultradireita participações em debates, não respeitaram o tempo de TV estipulado para a campanha, na cobertura do atentado sofrido pelo candidato; não se debruçaram, de fato, sobre a vida pregressa do candidato e suas "ramificações"; não cobraram dele projetos, plataforma de governo, nada.

Eis que agora, no vazio que se evidencia o seu governo (?), com três meses no posto, esta mesma mídia se dá conta de que é barrada em coletivas, é acusada de persegui-lo e é tratada a pão e água. Perplexa, entra em um processo de esquizofrenia. Nos editoriais, cobra a ausência de ações efetivas, acusam-no de jogar o país num "deserto de ideias", e de não ter aptidão para o cargo. Na linha editorial, em suas coberturas, continua passando a mão sobre a sua cabeça, para não atrapalhar o desenrolar da reforma da Previdência, o samba de uma nota só em que se transformou o discurso dos meios tradicionais. Todo apoio ao mercado financeiro!

Nunca antes na história deste país os jornalões e os principais canais de TV foram banidos dos salões do poder. Assim mesmo, humilhados e escorraçados, seguem com o rabinho entre as pernas, dando uma no prego outra na ferradura, à espera da manchete dos sonhos: "Aprovada a reforma da Previdência". Enquanto isto, escrevem editoriais raivosos, mas não contribuem no trabalho de apuração para esclarecer as muitas perguntas que deveriam ajudar a responder.

Quem mandou matar Marielle? Onde está Queiroz? Para onde foram tantos depósitos feitos pelo chefe de gabinete do filho do presidente? E outras tantas, que gostaríamos de ver respondidas. Por onde anda Adriano, o miliciano? Por exemplo...

Denise AssisJornalista há 43 anos, vencedora dos prêmios Esso e Ayrton Senna de Jornalismo, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade, autora dos livros "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada", e membro do Jornalistas pela Democracia

domingo, 22 de abril de 2018

John Elis, documentarista britânico autor do conhecido "Muito Além do Cidadão Kane" produzirá novo documentário sobre o papel da Rede Globo no Golpe de 2016


“Estou chocado que tanto tempo depois, a TV Globo continue se comportando da mesma forma em relação a política brasileira”. - John Elis, produtor do documentário da BBC Muiti Além do Cidadão Kane, sobre o império de Roberto Marinho


Do Falando Verdades:



Cineasta estrangeiro produz novo documentário sobre papel da Globo no golpe


John Ellis, produtor do conhecido documentário Muito além do Cidadão Kane, está fazendo um Crowndfunding para produzir um novo documentário denunciando a atuação da Rede Globo na democracia brasileira; “Estou chocado que tanto tempo depois, a TV Globo continue se comportando da mesma forma em relação a política brasileira”
Por Gleisi Hoffmann, em seu facebook – John Ellis, produtor do conhecido documentário Muito além do Cidadão Kane, está fazendo um Crowndfunding para produzir um novo documentário denunciando a atuação da Rede Globo na democracia brasileira.
“Estou chocado que tanto tempo depois, a TV Globo continue se comportando da mesma forma em relação a política brasileira”.
Saiba mais no vídeo e ajude contribuindo no link:https://www.catarse.me/fabricadegolpes
Veja o vídeo: