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domingo, 1 de junho de 2025

Nikolas Ferreira não se manifesta após primo ser preso com mais de 30 kg de maconha em MG

 

Do UOL:

Glaycon Raniere, primo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), foi preso por suspeita de tráfico de drogas em Uberlândia (MG), ele transportava 30,2 kg de maconha e 3,82 g de cocaína. Mais de 24 horas depois, o deputado ainda não se manifestou sobre o assunto.



segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Do G1, em 2012: Rosane Collor revela que ex-presidente Fernando Collor (atual apoiador de Bolsonaro) fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda

 


Do G1, da Globo:

Edição do dia 15/07/2012

15/07/2012 00h00 - Atualizado em 11/12/2012 10h37


Rosane Collor revela que ex-presidente fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda


Fernando Collor e Rosane ficaram casados por 22 anos. Há sete anos se separaram. Agora brigam na Justiça em um processo litigioso.



Vinte anos depois do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, a ex-mulher dele decide abrir o jogo sobre esse período conturbado da história do Brasil. Rosane Collor diz que o ex-marido mentiu sobre as relações dele com Paulo Cesar Farias, o PC Farias, figura que comandava um esquema de corrupção dentro do governo. Rosane conta mais: confirma que para se defender de inimigos políticos, o então presidente Collor participava de sessões de magia negra nos porões da Casa da Dinda, a residência oficial do casal em Brasília. A reportagem é de Renata Ceribelli.

Fantástico: Você tem saudade do poder?
Rosane: O poder é efêmero, o poder um dia acaba.

Em 1990, quando Fernando e Rosane Collor de Mello se tornaram o presidente e a primeira-dama mais jovens do Brasil, ele com 40 anos e ela com 26, ninguém poderia imaginar essa cena: a Rosane, que chamava atenção pelas roupas caras e extravagantes, passando sempre a imagem de mulher poderosa, hoje se senta com a Bíblia entre as mãos em cultos evangélicos para pedir ajuda e dar testemunhos como esse:

Rosane: E olha que eu tive muitos momentos em que eu disse: ‘Jesus, me leva, aqui nessa terra eu não quero ficar mais’.

Fernando Collor e Rosane ficaram casados por 22 anos. Há sete anos se separaram. Agora brigam na Justiça em um processo litigioso.

Nesta entrevista, Rosane fala pela primeira vez sobre o que viu e viveu na presidência do ex-marido, hoje senador. São revelações inéditas, que confirmam boa parte do que Pedro Collor, irmão já falecido do ex-presidente, disse há 20 anos, detonando o processo de impeachment, o afastamento de Fernando Collor do poder.

A versão de Rosane estará também num livro que ela escreve com o jornalista Fábio Fabretti.

"Eu me considero um arquivo vivo. E eu digo em todas as entrevistas, e inclusive já disse na Justiça, que se algo acontecer na minha vida, o responsável maior será Fernando Collor de Mello”, diz a ex-primeira-dama.

Rosane conta que chegou a ser ameaçada ao decidir ir à casa de uma pastora chamada Maria Cecília, da Igreja Resgatando Vidas para Deus. Cecília era amiga do casal Collor, e antes de se converter à Igreja, se dedicava ao que Rosane chama de magia negra. Nesse encontro, a pastora distribuiu uma gravação em que revelava trabalhos de magia feitos por encomenda do ex-presidente na Casa da Dinda, a mansão da família Collor em Brasília. Revelações que Rosane confirmará nessa entrevista.

Rosane: Eu recebi um telefonema dizendo que eu não fosse a esse evento porque, se eu fosse, eu iria, mas eu não voltaria. E eu repreendi, disse que não tinha medo.
Fantástico: E você acha que foi ele? Ou foi ele que te ameaçou?
Rosane: Foi ele que ameaçou.
Fantástico: Ele te ligou e pessoalmente te disse isso?
Rosane: Um telefonema anônimo. Eu não sei se era ele que estava no telefone. Eu sei que eram pessoas que falavam dizendo que ele tinha mandado ligar, dizendo que eu não fosse para aquele culto, porque se eu fosse eu não voltaria.

Para entender as acusações de Rosane Collor de Mello contra o ex-marido, é preciso relembrar um dos momentos mais dramáticos da história do país.

O ano é 1989. O Brasil está eufórico por votar para presidente da República depois de 29 anos sem eleições diretas.

Fernando Collor se lança candidato como o defensor dos humildes, o caçador de marajás, como eram conhecidos os funcionários públicos que recebiam supersalários.

“Vamos fazer do nosso voto a nossa arma, para retirar do Palácio do Planalto os maiores marajás desse país”, disse em discurso na época.

A estratégia funcionou. Collor venceu com 35 milhões de votos. Lula ficou em segundo, com 31 milhões.

O novo presidente assumiu em 15 de março de 1990. Pouco tempo depois da posse, começaram a circular as primeiras denúncias de corrupção envolvendo o nome do tesoureiro da campanha, Paulo César Farias. PC, como ficou conhecido, era acusado de pedir dinheiro a empresários em troca de privilégios no governo.

“Toda e qualquer denúncia tem que ser exemplarmente apurada”, declarou Collor, em 1991.

Em maio de 1992, estoura a bomba: em entrevista à revista Veja, o próprio irmão do presidente, Pedro Collor, afirma que PC Farias era testa-de-ferro de Fernando Collor. O presidente, segundo as declarações do irmão, sabia das atividades criminosas de seu ex-tesoureiro.

 RITUAIS DE MAGIA NEGRA

Dez meses depois, Pedro vai além. Em entrevista ao Jornal do Brasil, diz que Collor e Rosane faziam o que ele, Pedro, chamou de rituais de magia negra. E na própria Casa da Dinda, que era a mansão da família Collor, em Brasília.

Hoje, Rosane conta detalhes sobre esses rituais. E relata como foi o encontro com Maria Cecília, no dia em que teria sido ameaçada por telefone.

Rosane: Já tem bastante tempo que ela aceitou Jesus, ela hoje é pastora, e ela estava fazendo lançamento de um novo CD, onde ela contava todas as experiências.
Fantástico: Inclusive os rituais de magia negra que aconteciam.
Rosane: Inclusive os rituais de magia negra que eles faziam, mas não com a minha participação, porque algumas coisas eu participei, mas a grande maioria eu não aceitava participar.

Nesse CD a que Rosane se refere, Maria Cecília relata duas fases desse trabalho com Fernando Collor. Uma para ele chegar à Presidência: “Foi um trabalho muito sério. Foi um trabalho muito imundo, podre, nojento, para que se colocasse ali, na Presidência da República, aquele homem para administrar o Brasil”.

Outra, com ele já presidente, nos porões da Casa da Dinda. Nesse trecho, Maria Cecília fala dela mesma como se falasse de outra pessoa: “E ela teve que ir para Brasília, improvisar na Casa da Dinda, lá nos porões da Casa da Dinda, um lugar que fosse para o atendimento do marido e da esposa que estavam na Presidência da República. E ela deu continuidade àquele trabalho por um longo tempo”.

Depois, Cecília confirmaria numa entrevista à revista Época a realização desses rituais.
Fantástico: Nesse livro, você vai contar justamente sobre esses rituais que ele não gostaria que fossem contados.
Rosane: Com certeza.
Fantástico: Que rituais são esses?
Rosane: Trabalhos em cemitérios, trabalhos muito fortes.
Fantástico: E com animais, o que acontecia?
Rosane: Com animais era matança mesmo. Mata galinhas, mata boi, vaca. São animais que são sacrificados.

Uma imagem mostra a proximidade de Maria Cecília com Fernando Collor: em 1991, ela sobe a rampa ao lado do presidente, e trocando sorrisos. A cor branca do terno teria sido uma orientação de Cecília.

Também por orientação dela, segundo Rosane, Collor fazia rituais com a intenção de se proteger de inimigos políticos. Tentando fazer com que fossem atingidos pelo mal que desejassem contra ele.

Rosane: O Fernando fez ritual de ficar isolado, na Casa da Dinda ele ficou. Tem um porão e ele ficou durante três dias isolado mesmo, como se fosse se consagrando.
Fantástico: Com animal morto?
Rosane: Mas não no mesmo local. Dormindo numa esteira, ficando ali vestido com roupa branca.
Fantástico: E ele fazia isso pedindo o quê?
Rosane: Porque ele acreditava que pessoas que desejavam mal pra ele, fazendo isso, o mal que as pessoas mandavam pra ele voltava.

Fantástico: Durante quanto tempo vocês fizeram esse tipo de ritual?
Rosane: Quando eu conheci o Fernando ele já frequentava esses ambientes. Enquanto a gente esteve casado, ele praticava.

Rosane afirma acreditar que esses rituais deram origem ao que ela chama de "Maldição do Collor", e que ela e Maria Cecília só escaparam por terem aceitado Jesus.

Rosane: Eu e a Cecília somos duas pessoas que estamos vivas. Eu não acredito em coincidência, eu acredito em ‘jesuscidência’. E somos duas pessoas que estamos vivas por ter aceitado Jesus.
Fantástico: O que você chama de "Maldição do Collor"?
Rosane: De as pessoas que tentaram prejudicá-lo. Vários exemplos morreram de morte estranha. Eu acredito na maldição, de aquilo que quando você deseja o mal para alguém, isso pode acontecer.

Fantástico: Quantas pessoas morreram de maneira estranha?
Rosane: Eu não sei quantas pessoas foram.
Fantástico: Quais foram as que você atribui à maldição? A mulher do PC Farias?
Rosane: É que era uma pessoa que não tinha muito carinho pelo Fernando. Ela não gostava do Fernando. Agora jamais vou afirmar que o Fernando fez algum trabalho para que ela fosse morta.

Pedro Collor morreria em 1994, vítima de um câncer no cérebro. Dois anos antes, as denúncias feitas por ele na revista Veja provocaram a criação de uma CPI, e Collor tentou uma cartada: ele pediu o apoio popular.

“Que saiam no próximo domingo de casa com alguma peça de roupa com uma das cores da nossa bandeira! Que exponham nas janelas! Que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira. Porque assim, no próximo domingo, nós estaremos mostrando onde está a verdadeira maioria”, pediu Collor, em 14 de agosto de 1992.

Dois dias depois da conclamação, em vez de usar verde e amarelo, milhares de jovens que ficariam conhecidos como caras-pintadas vão para as ruas vestindo preto. E pedem o afastamento do presidente.

RELAÇÃO DE FERNANDO COLLOR COM PC FARIA

Em junho, Collor tinha feito um pronunciamento em rede nacional negando que mantivesse contato com PC Farias. “Há cerca de dois anos não encontro o senhor Paulo César Farias, nem falo com ele. Mente quem afirma o contrário”, disse em 20 de junho de 1992.

Hoje, Rosane, pela primeira vez, desmente o ex-marido. E diz que, por isso, Collor tem medo do livro que ela está escrevendo:

Fantástico: Quem você acha que está temendo hoje pelo lançamento do seu livro?
Rosane: Eu prefiro acreditar que tem pessoas que estão receosas.
Fantástico: Quem?
Rosane: O próprio Fernando, né? Porque eu acredito que eu vou contar coisas que ele não gostaria de ser contada.
Fantástico: Por exemplo?
Rosane: Vou dar um exemplo forte. O PC continuava, ele tomava café da manhã na Casa da Dinda. E ele disse que não, e acontecia. Uma vez por semana, ele tomava café na Casa da Dinda com Fernando, presidente da República. Agora, depois que começaram a sair as notícias ruins, aí ele nunca mais foi tomar café na nossa casa. Até porque o PC era tesoureiro do Fernando na época da campanha. Ele é quem fez toda a arrecadação, isso todo mundo sabe.
Fantástico: E depois da campanha, depois de eleito, qual era a relação de Fernando Collor de Mello com PC Farias?
Rosane: De amizade, eles eram amigos.
Fantástico: Mas no governo?
Rosane: Eu acredito que ele tinha influência. Eu acredito não, eu tenho certeza absoluta que o PC teve influência no governo. Tanto que ele tinha irmão que foi ser da Saúde.
Fantástico: Mas o Fernando Collor de Mello negou essa informação na época, dizendo que ele não tinha contato com o PC Farias. Por que ele negou?
Rosane: Não sei por que ele negou.
Fantástico: Você perguntou para ele?
Rosane: Perguntei, ele falou que preferia que fosse assim.
Fantástico: Quem tinha mais influência sobre Fernando Collor de Mello. Rosane Collor ou PC Farias?
Rosane: Nossa, eu acredito que o PC Farias.

Rosane lembra que em 1993, quando foi decretada a prisão de PC Farias, a mulher dele, Elma, saiu em defesa do marido: “O Paulo César não agiu sozinho, ele teve alguém que mandou. O chefe maior foi quem mandou ele fazer isso.”, disse na época.

Fantástico: E o chefe era o Fernando Collor?
Rosane: Eu acredito que, quando ela falou nessa entrevista, eu acredito que ela tenha falado do Fernando.

Rosane revela que, quando foi presidente da Legião Brasileira de Assistência (LBA), teve problemas com PC Farias.

Rosane: Uma certa manhã, nós estávamos tomando café da manhã na Casa da Dinda, eu era presidente da LBA de fato, e no café da manhã, eu fui conversar com o Fernando e o PC estava lá, e eu disse que eu não gostaria que o PC viesse interferir na LBA.
Fantástico: Que tipo de interferência ele queria fazer?
Rosane: Colocando muitas pessoas para trabalhar em cargos importantes.
Fantástico: Pessoas dele?
Rosane: Pessoas ligadas a ele. Eu disse que eu não ia permitir.
Fantástico: Isso coincidiu com a primeira crise do casal, no final de 1991?
Rosane: Exatamente. Foi aí a grande crise que nós tivemos no casamento.

Fernando Collor não se preocupou em esconder que durante o período de crise no casamento andava sem a aliança.

Rosane revela como o presidente e a primeira-dama mais jovens da história eram assediados nos salões da política.

PRESENTES PARA A PRIMEIRA-DAMA

Fantástico: Vocês eram um casal jovem, bonito. Tinha muito assédio sobre vocês?
Rosane: Com certeza. Eu acredito que de ambas as partes.
Fantástico: Muita mulher dando em cima do Fernando Collor?
Rosane: Muitas mulheres.
Fantástico: Muito homens dando em cima de você também?
Rosane: Com certeza. Isso é natural. Até pelo fato de a primeira-dama ser jovem, até pelo fato do presidente ser jovem, ter 40 anos de idade.
Fantástico: Você, como primeira-dama, foi assediada?
Rosane: É normal. As pessoas olham, se encantam.
Fantástico: Foi cantada?
Rosane: Não sei se cantada, mas palavras mais gentis.
Fantástico: Presentes?
Rosane: É, ganhei. Presente de joias, e eu entregava pra ele. Para saber o que eu fazia.
Fantástico: Homens te mandando joias de presente?
Rosane: É, de presente. Dava presente. Dizia: 'era presente para a primeira-dama'. Normal.

Mais tarde, a própria Rosane foi afastada da presidência da LBA, sob acusações de desvio de verbas.

Rosane: Em relação a isso eu não faço mais nenhum comentário, porque o Supremo Tribunal Federal me deu ganho de causa por unanimidade.

PC Farias foi preso em 1993, e em 1996, quando estava em liberdade condicional, foi encontrado morto em Maceió. A polícia concluiu que PC foi morto pela namorada, que se suicidou em seguida, mas o crime nunca foi completamente desvendado.

Fantástico: Onde você e o Collor estavam quando o PC Farias morreu?
Rosane: Nós estávamos no Taiti.
Fantástico: Como que vocês receberam essa notícia?
Rosane: Ele ficou preocupado. Agradeceu por não estar lá, porque poderia passar na cabeça das pessoas que ele poderia estar envolvido.
Fantástico: Você achou?
Rosane: Não, em nenhum momento. Como acredito que ele não está envolvido na morte do PC.

IMPEACHMENT DE FERNANDO COLLOR

O momento decisivo da carreira política de Fernando Collor de Mello aconteceu no dia 24 de agosto de 1992. A CPI encarregada de investigar as denúncias contra o presidente concluiu: “Os documentos apresentados hoje pela Comissão Parlamentar de Inquérito apontam as ligações do presidente Collor e de sua família com o chamado esquema PC”, noticiou o Jornal Nacional em 24 de agosto de 1992.

Os documentos registram uma reforma de US$ 2,5 milhões na Casa da Dinda, a mansão da família Collor, em Brasília; a compra de um carro Fiat Elba; e despesas pessoais, tudo pago por cheques de fantasmas, ou seja, de pessoas fictícias, inventadas, o que caracteriza crime contra a probidade na administração, um crime de responsabilidade, cuja pena é a perda do cargo. A votação do relatório pelo plenário da Câmara aconteceu no dia 29 de setembro de 1992.

Fantástico: O momento do impeachment. O momento da votação. Onde você estava?
Rosane: Nossa, foi muito tenso. Eu ia ficar com ele, eu queria assistir lá na presidência, no Planalto. Mas ele falou que não queria. Que ele queria assistir sozinho. Em cada minuto, cada voto que era dado, ele ligava pra mim. Aí no momento que ele viu que não tinha mais jeito, que realmente o impeachment ia acontecer, ele realmente ficou desesperado.

Fantástico: Quando vocês se encontraram depois disso, o que ele te falou?
Rosane: Só nos abraçamos. Quando ele chegou em casa, nos abraçamos, eu tentei acalmá-lo, tranquilizá-lo e dizer: ‘Vai passar, eu estou aqui contigo, eu vou estar sempre do teu lado’.

Em entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto, no Fantástico, Fernando Collor admitiu que pensou no pior, no suicídio.

Rosane lembra que nesse momento ficou apavorada.

Rosane: Eu procurei tirar as armas que tinham dentro de casa, eu tirei. Até por precaução, porque num momento de desespero a pessoa pode fazer. Então eu tentei durante muito tempo. Eu comecei a ter problema de insônia, porque eu já não conseguia dormir. Eu ficava angustiada, achando que ele era capaz de fazer alguma coisa. Então qualquer movimento dele, nos primeiros dias, se ele levantasse da cama, eu estava com o sono tão leve, era uma coisa impressionante, era tão leve meu sono que ele levantava e eu já acordava. Podia ser o que fosse, eu acho que nem dormia.
Fantástico: Ele ia para o banheiro...
Rosane: Ele ia para o banheiro, eu já acordava e corria atrás dele. Ele dizia: "Calma, Quinha, eu estou no banheiro". Eu achava que, não sei, que ele pudesse cometer, porque foi tudo muito rápido, foi uma coisa muito rápida...
Fantástico: Cometer suicídio?
Rosane: Eu achei que ele pudesse cometer.

Aprovado na Câmara, o pedido de impeachment seguiu para o Senado já no dia seguinte, sendo também aprovado e dando início ao julgamento de Collor, que deveria estar concluído em até 180 dias. Até lá, Collor ficaria afastado da presidência temporariamente, sendo substituído pelo vice Itamar Franco, o que, seguindo os trâmites oficiais, só aconteceu em 2 de outubro de 1992. Foi o dia em que Collor desceu a rampa do Palácio do Planalto pela última vez.

Rosane: Então, naquele momento, quando ele assinou, ele estava muito triste, ele estava muito abatido, ele estava muito magro. Estava depressivo, já não conseguia se alimentar direito. E naquele momento, quando ele assinou e nós fomos descer a rampa e ele quis baixar a cabeça, eu segurei na mão dele, e disse: ‘Vamos, levanta a cabeça, vamos em frente que a gente vai conseguir’.

Em 29 de dezembro, o Senado se reúne sob o comando do então presidente do Supremo Tribunal Federal, Sidney Sanches, para julgar se Fernando Collor era mesmo culpado pelo crime de responsabilidade, apontado pela Câmara. Se condenado, Collor continuaria afastado, não voltaria à Presidência e ficaria inelegível por oito anos. Para escapar dessa punição e garantir seus direitos políticos, ele tenta uma manobra de última hora: renuncia à Presidência. Mas a tentativa não dá certo. Resultado: Fernando Collor é finalmente condenado.

Na esfera criminal, dois anos depois, Collor enfrentou no STF a acusação de corrupção passiva. Alegou que as despesas apontadas pela Câmara foram pagas com sobras do dinheiro da campanha de 1989 e com um suposto empréstimo feito no Uruguai. Collor alegou também desconhecer que suas contas eram pagas por meio de cheques de fantasmas. Para condená-lo por corrupção passiva, era necessário que a procuradoria provasse que Collor recebeu dinheiro em troca de favores e serviços prestados a corruptores. Mas, no entendimento do STF, a procuradoria não conseguiu nenhum documento que provasse isso de forma inequívoca. Por essa razão, por cinco votos a três, o Supremo absolveu Collor da acusação de corrupção passiva.

Hoje, Rosane faz uma avaliação sobre o passado.

Fantástico: Você estava preparada para tanto poder?
Rosane: Ah, não, de jeito nenhum, acho que a gente não estava preparado.
Fantástico: Você se deslumbrou?
Rosane: Eu acho que todo mundo se deslumbra. Eu acho que chega o momento que a gente vê. Eu chegava e estava ao lado da princesa Diana. Eu estava jantando com a princesa Diana.

Collor voltou à política em 2002 e perdeu a eleição para o governo de Alagoas. Em 2006, foi eleito senador pelo mesmo estado. A separação de Rosane e Fernando Collor tinha ocorrido um ano antes, em 2005.

Fantástico: Essa casa onde você vive é de quem?
Rosane: Essa casa, hoje ela está, ele colocou porque ele tem um débito comigo na pensão alimentícia.

Segundo Rosane, a dívida de Collor é de R$ 950 mil. Ela briga na Justiça para ter acesso a parte dos bens que o ex-marido acumulou na vida pública. Os dois eram casados em regime de separação de bens. Quando casou, Rosane tinha 19 anos.

Fantástico: Vocês se casaram em que regime?
Rosane: Antes, em separação de bens total. Eu não sabia, eu achava que tinha sido parcial. Eu achava que aquilo que ele tinha antes era dele. E aquilo que a gente construísse seria nosso. Mas infelizmente, pela minha imaturidade, eu assinei um documento que eu não sabia o que estava fazendo.

PENSÃO DE R$ 18 MIL

Fantástico: Você pode dizer de quanto é sua pensão hoje?
Rosane: É de R$ 18 mil. É a pensão que eu recebo.
Fantástico: E você acha pouco?
Rosane: Pela vida que ele tem, sim. Eu vejo amigas minhas que se separaram. Tenho um caso de uma amiga minha que se separou, o marido não é ex-presidente, não é senador da República, e tem uma pensão de quase R$ 40 mil.
Fantástico: E você, o que sente por ele?
Rosane: É aquilo que eu digo: o Fernando foi o grande amor da minha vida, mas também foi minha grande decepção.

Durante duas semanas, nós tentamos ouvir o senador Fernando Collor sobre as declarações da ex-mulher, Rosane. No último contato, o ex-presidente respondeu que não falaria "nem um minuto, nem meio minuto" sobre as revelações da ex-primeira-dama.

Procuramos também a pastora Maria Cecília, mas ela não quis receber a nossos repórteres. Disse apenas que considera os rituais na Casa da Dinda assunto encerrado.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Bob Fernandes: Guerra à caminho no hemisfério norte? Mandem o Jair. No Brasil, a falta de vergonha na cara

 

Do Canal do Analista Político Bob Fernandes:



CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Eliano Jorge Edição: Mikhael Theodoro Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este é um vídeo do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

TSE avalia que existem condições técnicas concretas para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão

 

Abuso de poder econômico e uso indevido das redes sociais se destacam entre as violações das leis cometidas pela campanha de Jair Bolsonaro nos quatro processos sobre a cassação da chapa que tramitam no TSE

Bolsonaro, TSE e Mourão

Bolsonaro, TSE e Mourão (Foto: ABr | Alan Santos/PR)

247O jornalista Lauro Jardim informa em sua coluna em O Globo que na avaliação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) há condições técnicas para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão. Os quatro processos que correm na Corte revelam que foram cometidas irregularidades durante a campanha eleitoral de 2018. 

Abuso de poder econômico e uso indevido das redes sociais se destacam entre as violações das leis cometidas pela campanha de Jair Bolsonaro. 

Atualmente, tramitam no TSE quatro ações eleitorais, conhecidas como Aije (Ações de Investigação Judicial Eleitoral), envolvendo a chapa Bolsonaro-Mourão. Elas apuram desde o uso fraudulento de nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e garantir disparos em massa aos eleitores à existência de uma “estrutura piramidal de comunicação” para disseminar desinformação.

As novas provas de irregularidades cometidas pela chapa encabeçada por Bolsonaro foram compartilhadas com o TSE a partir de uma decisão proferida em julho pelo ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF e da Corte eleitoral. Há indícios de que o material possa ter relação com as eleições passadas.  

Na avaliação do jornalista, entretanto, não existiriam as condições políticas para cassar a chapa.

Inscreva-se no canal de cortes da TV 247 e saiba mais:


quarta-feira, 11 de março de 2020

Sobre médicos, monstros, hipócritas, gigantes e anões, por Lucia Helena Issa



Os mesmos bolsonaristas e olavistas hipócritas que hoje pedem a morte de Suzy Oliveira, que cometeu, sim, um crime grave e  está pagando por ele, não está passeando em Roma, são os mesmos que celebraram o goleiro Bruno como herói  e correram para fazer fotos com o sujeito quando ele foi libertado, poucos anos depois de matar a mãe de seu filho, tortura-la por dias e destruir seu corpo, impedindo sua mãe e seu filho de  enterrarem o corpo de um ser humano que amavam.

Sobre médicos, monstros, gigantes e anões

por Lucia Helena Issa, no GGN

Eu havia prometido a mim mesma que não escreveria sobre o episódio DRAUZIO VARELLA – SUZY, mas o ódio e hipocrisia dos falsos cristãos me obrigam a fazê-lo.
Os bolsonaristas e olavistas que hoje vociferam contra o humanista Dráuzio Varella não fazem a menor ideia do que é o juramento de Hipócrates, através do qual todo médico dá a sua palavra de honra de que irá cuidar da vida humana sem perguntar a um paciente que crimes ele cometeu.
Meu avô, o dr César Sigaud, fundou um grande hospital e foi um dos maiores e mais queridos médicos do estado de São Paulo e hoje há muitas ruas que levam o seu nome. Meu avô dizia que quando era chamado a salvar uma vida, jamais perguntava a que classe social ou religião aquele ser humano pertencia e nem se havia cometido um crime.
Sua missão como médico era salvar vidas.
Os mesmos bolsonaristas e olavistas hipócritas que hoje pedem a morte de Suzy Oliveira, que cometeu, sim, um crime grave e  está pagando por ele, não está passeando em Roma, são os mesmos que celebraram o goleiro Bruno como herói  e correram para fazer fotos com o sujeito quando ele foi libertado, poucos anos depois de matar a mãe de seu filho, tortura-la por dias e destruir seu corpo, impedindo sua mãe e seu filho de  enterrarem o corpo de um ser humano que amavam.
Os mesmos bolsonaristas e olavistas  que hoje fazem o linchamento moral do Dr Dráuzio idolatram Ustra, idolatram o ditador paraguaio Stroessner, um homem que, comprovadamente, sequestrou e estuprou centenas de meninas virgens da zona rural do Paraguai porque sentia um prazer diabólico ao estuprar meninas virgens de 12 anos e contar isso aos seus vassalos.
Os mesmos olavistas e falsos cristãos e o próprio charlatão Olavo de Carvalho, que demoniza o trabalho do  Dr Dráuzio pela saúde no Brasil há anos, parecem nunca ter lido a bíblia e não saber que Cristo em uma de suas mensagens, disse: “estive preso e não me visitastes …”
Os mesmos olavistas e falsos cristãos, que hoje lincham moralmente o Dr Drauzio, idolatraram o assassino Guilherme de Pádua quando ele foi solto e se transformou em um “pastor”.
Os mesmos olavistas linchadores não sabem que Jesus nos ensina a ter compaixão pelos que mais erraram e não pelos mais poderosos.
Os mesmos olavistas não leram o livro Estação Carandiru e não sabem que o médico tem feito um trabalho humanitário nas prisões há mais de 30 anos, sem perguntar que crimes os detentos cometeram.
Há alguns anos, eu fiz, em uma prisão feminina da minha região, uma palestra sobre ética e tolerância religiosa.
Foi uma das palestras mais emocionantes que já fiz.
É claro que elas haviam cometido crimes e muitas foram  levadas ao mundo do crime por seus homens, mas ao final da palestra, fizeram um círculo de amor para me abraçar e, chorando, me agradeceram por visitá-las e querer dar a elas algumas palavras de amor e de esperança.
Jamais perguntei que crime elas haviam cometido. Apenas ouvi e abracei longamente as que fizeram um círculo à minha volta.
Parem de promover o ódio a um gigante brasileiro.
Dr Dráuzio, ao contrário dos olavistas que hoje o lincham moralmente, apenas agiu com humanidade e “com-paixão”, ou “sentiu com”, sentiu em si a dor do outro que estava diante dele.
“Ah, mas por que ele não abraçou a mãe do garoto assassinado?”
Se ele estivesse diante da mãe do garoto morto naquela mesma cela, ele a teria abraçado e sentido imensa compaixão da mesma forma.
Por favor, parem de idolatrar torturadores, monstros poderosos e criminosos como Ustra e Stroessner, e de odiar criminosos e detentos, quando eles são pobres, trans ou negros. Parem.
Parem de demonizar um gigante como Dráuzio Varella enquanto idolatram anões como Ustra.
Lucia Helena Issa é jornalista, escritora e embaixadora da paz por uma organização internacional. Foi colaboradora da Folha de S.Paulo em Roma. Autora do livro “Quando amanhece na Sicília”. Pós-graduada em Linguagem, Simbologia e Semiótica pela Universidade de Roma. Atualmente, vive entre o Rio de Janeiro e o Oriente Médio e está terminando um livro sobre mulheres palestinas que lutam pela paz.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

A hegemonia do patológico, por Alberto Luis Araújo Silva Filho, Cientista Político pela Universidade Federal do Piauí e pesquisador do Grupo de Estudos em Teoria Política Contemporânea (DOXA)




Enquanto a violência e a morte são celebradas, o beijo entre dois personagens de HQs choca, causa horror e desestabiliza as estruturas de normalidade vigentes. Os valores da fraternidade e da solidariedade se dissolvem em meio ao culto da violência, normalizado por decretos e portarias. Vivemos tempos de transformação em que dizer não a ciência está entrelaçado com o dizer não a existência.


Do site de Estudos e de Crítica Jurídica Justificando:



A hegemonia do patológico
Segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A hegemonia do patológico


Arte: Gabriel Pedroza / Justificando

Por Alberto Luis Araújo Silva Filho

Enquanto a morte é celebrada, o beijo entre dois personagens de HQs choca, causa horror e desestabiliza as estruturas de normalidade vigentes. Os valores da fraternidade e da solidariedade se dissolvem em meio ao culto da violência, normalizado por decretos e portarias. Vivemos tempos de transformação em que dizer não a ciência está entrelaçado com o dizer não a existência.


Olavo de Carvalho, um dos próceres do movimento revolucionário às avessas que dirige o Brasil, prega abertamente que “nós, os cidadãos de bem” temos dois grandes inimigos: a imprensa e as universidades. Aqueles que professam as teorias da conspiração, o suposto conhecimento sem provas nem fontes, na verdade são os detentores da verdade. Quem fala na iminente dominação comunista do país e no plano secreto para dominar a população mundial por meio da distribuição de vacinas deve ter precedência sobre aqueles que realizam estudos, pesquisas, discussões e debates. Todos estão equivocados, de Harvard a USP, do IPEA a NASA, do Sul ao Norte. O que conta são os arquivos secretos, aquilo que ninguém consegue ver e aos quais poucos iluminados tiveram acesso. É a invisibilidade e, portanto, a fé, da qual às vezes deriva a loucura, que deve pautar a ação política e os negócios da coletividade. Cria-se uma realidade paralela com o único intuito de manter as hierarquias intocáveis.

Aquilo que deveria ser bem vindo, como a preservação do meio ambiente, torna-se ameaçador, aterrorizante. Institucionaliza-se um discurso no qual o cuidado com a natureza esconde intenções perversas. A necessidade de valorizar a vida e a dignidade humanas, independente da raça e/ou da condição social, vira uma manobra das organizações internacionais para implantar uma ditadura do lumpemproletariado. Falar de respeito à liberdade das mulheres e dos LGBTs torna-se magicamente um projeto insano de modificação em massa do sexo das crianças. A justiça social se converte então em caricatura. Os direitos fundamentais em pastiche. O amor ao próximo (fundamentado na tradição cristã) em piada. E como se não fosse possível uma margem de negociação, valores do liberalismo politico viram oficialmente valores comunistas e mencioná-los abre as portas da transição politico econômica de uma economia de mercado diretamente para o modelo cubano de sociedade.
Nesse sentido, a generalidade dos discursos progressistas dá vazão a paranoia e a esquizofrenia de amplos segmentos sociais que creem que o porrete construirá uma sociedade mais estável, coesa e orgânica. Tal catarse é justificada, financiada e promovida, como se fosse um conjunto de opiniões democráticas a respeito das políticas públicas. Nas rádios, nos jornais e nas redes sociais, acumulam-se os apologistas do ódio travestidos de bom mocismo. Suas ideias, bem como seu ideário, são incorporados e somados a outros fatores conquistam espaço e constituem uma subjetividade coletiva que ao afirmar o status quo na verdade se vê como denunciante do estado de coisas. Pois o estado de coisas – que prometia um horizonte de democracia e direitos sociais – foram eles, os esquerdistas, que o fizeram e “nós”, os merecedores do espaço e da história nacionais, desejamos modificar. A ira opera a tal ponto que o que era pra ser plano de governo revela-se plano de vingança.

A sociedade brasileira não se encontra mais no terreno da política. Política pressupõe, como bem coloca a cientista política belga Chantal Mouffe[1], considerar o oponente como um adversário e não como inimigo. Nesse momento, o estado é de guerra fria. Um lado visivelmente extremado ataca outro, muito moderado e que não consegue se articular. Com base nos discursos oficiais da Presidência da República, é possível fazer um diagnóstico claro: o problema fundamental da nação não são as iniquidades, o legado escravista, nem mesmo a corrupção (como é comum afirmar). O problema da nação são aqueles que gritam as mazelas. Mas nem é preciso gritar. Muitas vezes só é necessário existir. Existir como índio, existir como negro, existir como trans. O simples ato biológico de respirar e ter seu coração pulsando vira uma forma de resistência involuntária. Da negação da ciência e dos fatos inevitavelmente passamos a negação da vida. É o movimento natural dos anti-heróis verde-amarelos. 

O assecla-mor, desejoso de tornar-se um Bonaparte tupiniquim, leva som e fúria ao mundo que se assusta com tamanha brutalidade nas suas palavras e gestos. A agressividade, típica de uma masculinidade que não sabe lidar com as mudanças, permeia a falsa mitologia daquele que legitima o derramamento de sangue e a produção do sofrimento psíquico dos que lidam com um país de incertezas. Do sonho neodesenvolvimentista fomos transportados para uma réplica da distopia de Norfolk, cidadezinha futurista cuja criação é do escritor britânico Richard Littler[2]. Nela os direitos humanos podem ser sorteados ou mesmo comprados. Também nela a morte é celebrada e incentivada pela propaganda oficial. Os maus tratos as crianças e aos animais estão nela liberados. Coexistem classes de cidadãos e classes de pessoas que são não-pessoas. O horror não mais assusta, as evidências não mais comovem, o mal há muito se banalizou. É do caos e da destruição de elementos antes tidos como sadios que se constitui a vida mesma, el nuestro cotidiano. Não estamos muito distantes da negação da utopia. Na verdade vivemos no interior dela, tentando dar a mesma ares de normalidade. Talvez a forma seja diferente. Mas ao que tudo indica, da alimentação à economia, o conservadorismo[3] deixou todas as esferas da vida intoxicadas.


Alberto Luis Araújo Silva Filho é mestrando em Sociologia pela Universidade de Brasília. Cientista Político pela Universidade Federal do Piauí e pesquisador do Grupo de Estudos em Teoria Política Contemporânea (DOXA), vinculado ao Grupo de Pesquisas sobre Instituições e Políticas Públicas (CNPq).
Notas:
[1] Ver MOUFFE, Chantal. Sobre o Político. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2015.
[2] Para conhecer mais sobre a obra ficcional relativa a Scarfolk ver:https://scarfolk.blogspot.com/
[3] Tenho preferido me referir ao atual governo como conservador/neoconservador ao invés de fascista. Com isso me aproximo de perspectivas que veem similaridades no discurso da atual administração federal com o do Partido Republicano dos EUA pós anos 80 que passou a conjugar liberalismo econômico radical, reacionarismo moral assentado em bases sociais evangélicas e um Estado forte na repressão policial e na defesa externa, pacote que se apresenta no Brasil de maneira inédita e em um contexto de democracia fragilizada, assustando os analistas de esquerda que logo o veem como um fenômeno próximo ao hitlerismo. Entretanto, o discurso violento e o clima de censura fazem com que uma possível ruptura institucional seja factível e com isso leve o bolsonarismo a descambar para uma ditadura fascista aberta.