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quarta-feira, 11 de março de 2020

Sobre médicos, monstros, hipócritas, gigantes e anões, por Lucia Helena Issa



Os mesmos bolsonaristas e olavistas hipócritas que hoje pedem a morte de Suzy Oliveira, que cometeu, sim, um crime grave e  está pagando por ele, não está passeando em Roma, são os mesmos que celebraram o goleiro Bruno como herói  e correram para fazer fotos com o sujeito quando ele foi libertado, poucos anos depois de matar a mãe de seu filho, tortura-la por dias e destruir seu corpo, impedindo sua mãe e seu filho de  enterrarem o corpo de um ser humano que amavam.

Sobre médicos, monstros, gigantes e anões

por Lucia Helena Issa, no GGN

Eu havia prometido a mim mesma que não escreveria sobre o episódio DRAUZIO VARELLA – SUZY, mas o ódio e hipocrisia dos falsos cristãos me obrigam a fazê-lo.
Os bolsonaristas e olavistas que hoje vociferam contra o humanista Dráuzio Varella não fazem a menor ideia do que é o juramento de Hipócrates, através do qual todo médico dá a sua palavra de honra de que irá cuidar da vida humana sem perguntar a um paciente que crimes ele cometeu.
Meu avô, o dr César Sigaud, fundou um grande hospital e foi um dos maiores e mais queridos médicos do estado de São Paulo e hoje há muitas ruas que levam o seu nome. Meu avô dizia que quando era chamado a salvar uma vida, jamais perguntava a que classe social ou religião aquele ser humano pertencia e nem se havia cometido um crime.
Sua missão como médico era salvar vidas.
Os mesmos bolsonaristas e olavistas hipócritas que hoje pedem a morte de Suzy Oliveira, que cometeu, sim, um crime grave e  está pagando por ele, não está passeando em Roma, são os mesmos que celebraram o goleiro Bruno como herói  e correram para fazer fotos com o sujeito quando ele foi libertado, poucos anos depois de matar a mãe de seu filho, tortura-la por dias e destruir seu corpo, impedindo sua mãe e seu filho de  enterrarem o corpo de um ser humano que amavam.
Os mesmos bolsonaristas e olavistas  que hoje fazem o linchamento moral do Dr Dráuzio idolatram Ustra, idolatram o ditador paraguaio Stroessner, um homem que, comprovadamente, sequestrou e estuprou centenas de meninas virgens da zona rural do Paraguai porque sentia um prazer diabólico ao estuprar meninas virgens de 12 anos e contar isso aos seus vassalos.
Os mesmos olavistas e falsos cristãos e o próprio charlatão Olavo de Carvalho, que demoniza o trabalho do  Dr Dráuzio pela saúde no Brasil há anos, parecem nunca ter lido a bíblia e não saber que Cristo em uma de suas mensagens, disse: “estive preso e não me visitastes …”
Os mesmos olavistas e falsos cristãos, que hoje lincham moralmente o Dr Drauzio, idolatraram o assassino Guilherme de Pádua quando ele foi solto e se transformou em um “pastor”.
Os mesmos olavistas linchadores não sabem que Jesus nos ensina a ter compaixão pelos que mais erraram e não pelos mais poderosos.
Os mesmos olavistas não leram o livro Estação Carandiru e não sabem que o médico tem feito um trabalho humanitário nas prisões há mais de 30 anos, sem perguntar que crimes os detentos cometeram.
Há alguns anos, eu fiz, em uma prisão feminina da minha região, uma palestra sobre ética e tolerância religiosa.
Foi uma das palestras mais emocionantes que já fiz.
É claro que elas haviam cometido crimes e muitas foram  levadas ao mundo do crime por seus homens, mas ao final da palestra, fizeram um círculo de amor para me abraçar e, chorando, me agradeceram por visitá-las e querer dar a elas algumas palavras de amor e de esperança.
Jamais perguntei que crime elas haviam cometido. Apenas ouvi e abracei longamente as que fizeram um círculo à minha volta.
Parem de promover o ódio a um gigante brasileiro.
Dr Dráuzio, ao contrário dos olavistas que hoje o lincham moralmente, apenas agiu com humanidade e “com-paixão”, ou “sentiu com”, sentiu em si a dor do outro que estava diante dele.
“Ah, mas por que ele não abraçou a mãe do garoto assassinado?”
Se ele estivesse diante da mãe do garoto morto naquela mesma cela, ele a teria abraçado e sentido imensa compaixão da mesma forma.
Por favor, parem de idolatrar torturadores, monstros poderosos e criminosos como Ustra e Stroessner, e de odiar criminosos e detentos, quando eles são pobres, trans ou negros. Parem.
Parem de demonizar um gigante como Dráuzio Varella enquanto idolatram anões como Ustra.
Lucia Helena Issa é jornalista, escritora e embaixadora da paz por uma organização internacional. Foi colaboradora da Folha de S.Paulo em Roma. Autora do livro “Quando amanhece na Sicília”. Pós-graduada em Linguagem, Simbologia e Semiótica pela Universidade de Roma. Atualmente, vive entre o Rio de Janeiro e o Oriente Médio e está terminando um livro sobre mulheres palestinas que lutam pela paz.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Bob Fernandes: No horizonte de Lula, prisão. Tuitada expõe Exército. E emudecidos amarelos protestam sem querer ver o que Temer e comparsas fazem.


Aos manifestantes pela prisão falta explicar: onde estavam quando Temer torrava bilhões para se salvar na Câmara? Onde estavam quando dos 52 milhões nas malas do Geddel? . Onde protestos contra a corrupção quando dos irmãos Friboi? Ou na corrida de 500 mil do Rocha Loures e ameaça de morte? . Onde estão enquanto vendem pedaços do Brasil a troco de troco? Onde, enquanto enterravam roubos da merenda e metrô em São Paulo? Ou escondiam o Paulo Preto? . Onde estavam em dois anos de 120 mil homicídios? Calados, escolhendo contra qual corrupção bradar ? O que é mais urgente do que vidas humanas? . A volta dos emudecidos às ruas. Em milhares de WhatsApps dos que convocavam veio, escrita e escancarada, a confissão: "Ou Você vai, ou Ele volta".


Do canal do Jornal da Gazeta:



O Supremo Tribunal negou o habeas corpus pela defesa do ex-presidente Lula. Que terá que cumprir a pena de prisão. Véspera desse julgamento. Vendido como se relativo apenas à prisão imediata ou não de Lula. . Em tempo de pegar telejornal e manchetes o comandante do Exército, Villas Boas, serviu tuíte: . -(...) compartilho anseio de repúdio à impunidade (...) . O general Villas Boas é conterrâneo e amigo do general Etchegoyen; o Chefe dos Sistemas de Inteligência da Presidência e do Brasil. . Etchegoyen foi nomeado por e serve a Temer. Temer acusado de corrupção pela terceira vez desde que presidente. . Que repúdio os generais Villas Boas e Etchegoyen compartilharam publicamente a esse respeito? . Para o julgamento sobre Habeas Corpus, reduzido ao "do Lula", espetáculo-pressão de sempre. Nas manchetes magnificação: "Cem cidades pedem a prisão de Lula". . Gilmar Mendes é insuspeito de ser petista. Há pouco, no plenário, atribuiu ao PT as "raízes da intolerância". Mas, citando inclusive o "nazismo", opinou: . -Numa vi Mídia tão opressiva (...) até chantagista. Se for se curvar a isso melhor (o Supremo) deixar de existir. . Véspera. Para atiçar a excitação, helicópteros voltaram a sobrevoar a Paulista. . O Príncipe Imperial Dom Bertrand de Orleans e Bragança anunciou sua honrosa presença. Cobrando a "restauração da monarquia". Só faltou a lona. . Aos manifestantes falta explicar: onde estavam quando Temer torrava bilhões para se salvar na Câmara? Onde estavam quando dos 52 milhões nas malas do Geddel? . Onde protestos contra a corrupção quando dos irmãos Friboi? Ou na corrida de 500 mil do Rocha Loures e ameaça de morte? . Onde estão enquanto vendem pedaços do Brasil a troco de troco? Onde, enquanto enterravam roubos da merenda e metrô em São Paulo? Ou escondiam o Paulo Preto? . Onde estavam em dois anos de 120 mil homicídios? Calados, escolhendo contra qual corrupção bradar ? O que é mais urgente do que vidas humanas? . A volta dos emudecidos às ruas. Em milhares de WhatsApps dos que convocavam veio, escrita e escancarada, a confissão: "Ou Você vai, ou Ele volta".

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Bob Fernandes: A Suíça, mais uma vez, entrega o PSDB. Lula luta para não ser preso, enquanto FHC escuta clássicos de camarote...






Foi a Suíça que comunicou às autoridades brasileiras a existência de R$ 113 milhões movimentados por Paulo Vieira de Souza...
...Vulgo "Paulo Preto", diretor da DERSA por 5 anos. Nomeado por Alckmin em 2005.
A Folha informa: a Suíça mandou, não o Brasil foi buscar. E informações sobre R$ 113 milhões submergiram por meses num processo secundário em São Paulo.
Quando deveriam estar em inquérito no Supremo que investiga Serra e Aloysio Nunes. Ambos ligados a Paulo Preto, que serviu ao governo Serra e, na campanha 2010, ameaçou:
-Não se abandona companheiro ferido na beira da estrada…
Recado claríssimo, jamais investigado pra valer. Em 2012, CPI Cachoeira/ Delta, Paulo Preto escancarou, na revista Piauí:
-Por que a CPI proibiu a abertura das contas do eixo Rio-São Paulo? Porque se abrir as contas do eixo-Rio-São Paulo o Brasil cai.
De novo, silêncio cúmplice.
Oito anos depois da ameaça, seis depois da frase-síntese, Paulo Preto pode delatar. Não a tempo de julgamentos finais tirarem legalmente da eleição os citados.
E depois? Bem, ministros do Supremo se aposentam, se vão, novos são nomeados... Outra maioria se produz.
Recordemos. A emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso teve votos comprados. Sem CPI, sem investigação pra valer.
Como na venda da Telefonia por R$ 22 bilhões. Com acertos gravados e expostos publicamente... ACM era o homem-forte do governo. Renan Calheiros, o ministro da Justiça de FHC.
Na Lava Jato, Cérvero tentou delatar: "...a Brasken é um escândalo do governo Fernando Henrique...". A autoridade que ouvia a delação interrompeu e fez Cerveró mudar de assunto:
-...bem, passados dois anos...
Como Lula, Fernando Henrique tem um Instituto. O de Lula, investigado por tudo e todos. O de FHC nasceu num jantar dentro do Palácio da Alvorada, ele ainda presidente.
Relato de Gerson Camarotti, na Época: Odebrecht, OAS, bancos, os de sempre, doaram R$ 7 milhões. Já haviam doado R$ 1,5 milhão para compra da sede.
Cerveró na Lava Jato? Instituto FHC...? Alega-se o de sempre, quando tucanos: já prescreveu...
Mas não prescreveu, não prescreve, não deveria prescrever para o jornalismo. Doadores, os de sempre, estão todos aí.
Agora a Polícia Federal indiciou, scaneia Jaques Wagner, hipótese B do PT.
Lula luta para não ser preso.
E Fernando Henrique assiste concertos clássicos. De camarote. Villa-Lobos, na última quinta-feira,22, na sala... São Paulo.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Da idade do Kim, na idade da treva, por Fernando Brito



"A onda moralista simplesmente nos afogou num copo d’água que começou com o “padrão Fifa” e passou a um “padrão Moro”.
"Não obstante, enquanto a pilantragem continua correndo solta – ou o dinheiro de Geddel era antigo? – seu combate vai servindo de cobertura para a liquidação de todos os setores promissores da economia brasileira."
blackpolicia
Segue o artigo de Fernando Brito, no Tijolaço
Viramos num país de black blocs.
O fato de serem blocs de direita (e os originais não são?) e vários deles serem engomadinhos e “institucionais” não reduz o estrago que provocam, nas coisas e nas mentes, afastando as pessoas da política e das discussões sobre o essencial neste país.
Parece que a única divisão que existe é a entre velhacos e histéricos.
Como nos tempos de criança, tudo virou uma disputa entre “bandidos e mocinhos”, num enredo primário próprio de mentes infantis e, quando vem a idade, estúpidas.
Nossos “men in black” abduziram o debate político e o reduziram a uma missão de extermínio.
O acaso revelou a sordidez do acordo de Joesley, mas em quantos outros a sordidez ficou guardada nos encontros com bandidos em tenebrosas transações penais. Joesley escondeu provas? Mas o que dizer de só agora, meses depois de sua premiação por delatar, tenha sido fornecido o acesso ao computador pessoal de Marcelo Odebrecht?
Não podemos dizer nada, porque  se estabeleceu  não apenas o monopólio da verdade nas mãos dos órgãos persecutórios (polícia e Ministério Público) como a eles se deu, pelos acordos de delação, o poder de moldar esta verdade.
A onda moralista simplesmente nos afogou num copo d’água que começou com o “padrão Fifa” e passou a um “padrão Moro”.
Não obstante, enquanto a pilantragem continua correndo solta – ou o dinheiro de Geddel era antigo? – seu combate vai servindo de cobertura para a liquidação de todos os setores promissores da economia brasileira.
De cara, a Petrobras e o pré-sal, em seguida a construção pesada, um dos únicos campos industriais onde tínhamos presença mundial e, agora (alguém tem dúvidas?) o mercado de carnes processadas.
Os moralistas destroem a economia e a velhacaria cuida de  liquidar os direitos sociais. Em poucos dias, entra em vigor a reforma trabalhista e haverá nova ofensiva pela contrarreforma previdenciária.
Dos guris que foram para a rua em 2013, sobrou-nos o Kim Kataguiri.
Realmente, não eram apenas 20 centavos.

domingo, 5 de junho de 2016

A farra dos aumentos dados por Temer aos comparsas: 58 Bilhões dariam para duas Copas do Mundo e três anos de Bolsa Família... Mas o dinheiro vai para a Justiça e o alto escalão pró-golpista



Do El País

 "Câmara aprova reajustes salariais com impacto de 58 bilhões de reais no Orçamento. Deputados também estenderam para até 2023 o prazo para o Governo possa manipular recursos do Tesouro por meio da DRU"



Servidores da AGU comemoram aprovação de reajuste na Câmara.
Servidores da AGU comemoram aprovação de reajuste na Câmara. AG. CÂMARA LUIS MACEDO
AFONSO BENITES  e ANDRÉ DE OLIVEIRA - Para o El País
Câmara dos Deputados aprovou entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira 14 pautas-bomba que terão um impacto de 58 bilhões de reais no orçamento em três anos, além de um projeto de lei que autoriza o Governo Federal a manipular parte das receitas até o ano de 2023. O pacote de reajustes salariais assim como a extensão do prazo para a Desvinculação das Receitas da União, a DRU, eram projetos negociados pela gestão Dilma Rousseff (PT) e foram encampados pela equipe do presidente interino Michel Temer (PMDB).





Os reajustes servirão para funcionários de várias carreiras públicas, como do Executivo, da Justiça Federal, do Ministério Público da União, do Tribunal de Contas da União, da Câmara e do Senado Federal. O principal impacto será o reajuste concedido aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os vencimentos deles passam de 33.763 reais para 39.293 reais. Como esse valor passará a ser o teto do funcionalismo público, várias outras carreiras terão seus salários aumentados porque os valores são vinculados ao dos ministros do STF. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento estimavam que esse reajuste em cascata representaria um aumento de 6,9 bilhões de reais ao orçamento até o ano de 2019.
O pacote de aumentos para o funcionalismo público quase não enfrentou restrições entre os parlamentares, mesmo o país vivendo seu segundo ano seguido de recessão e com uma previsão de rombo nas contas de 170 bilhões de reais. A principal briga acabou sendo para assumir a “paternidade” das propostas. Representante da oposição, o líder da minoria, José Guimarães (PT-CE), dizia que era necessário aprovar as medidas que já haviam sido negociadas pelo Governo Rousseff. Enquanto que membros governistas, como o líder de Temer na Câmara, André Moura (PSC-SE), afirmavam que os gastos já estavam previstos no orçamento de 2016 e era apenas uma questão de sacramentá-los no plenário da Câmara.
Das 14 propostas, apenas uma não precisará ser votada pelo Senado, que é o reajuste salarial dos servidores desta Casa. As demais ainda terão de ser analisadas pelos senadores antes de se tornarem leis. Ainda falta uma medida de reajuste a ser analisada, a que prevê aumentos salariais para os membros da Defensoria Pública da União (DPU).

Desvinculação de receitas

A aprovação da DRU, em primeira votação, precisará ser chancelada novamente pelos deputados. Seu objetivo é liberar recursos, que estariam comprometidos com despesas específicas, para fazer com que o governo cumpra a meta de resultado primário (diferença entre receitas e despesas do Governo). Para este ano, está previsto um resultado negativo, com um déficit de 170 bilhões de reais, pelo descontrole das contas públicas que houve ao longo do Governo Dilma. É essa dificuldade de fechar as contas que tem pressionado o Governo a estender a DRU.
Conforme o texto, aprovado por 334 votos a 90, a União poderá realocar livremente 30% das receitas obtidas com taxas, contribuições sociais e de intervenção sobre o domínio econômico (CIDE), que atualmente são destinadas, por determinação legal, a órgãos, fundos e despesas específicos. Na prática, a margem de manobra é de até 120 bilhões de reais.
O projeto também permite que Estados e Municípios façam essa desvinculação. Até agora, apenas o governo federal tinha essa liberdade de movimentação de seus recursos. A DRU foi criada há 22 anos, durante a gestão Itamar Franco. Desde então, sempre teve seu prazo estendido por períodos de até cinco anos. Essa será a primeira vez que a ampliação chegará aos oito anos (2015-2023).

Judiciário mais caro do ocidente

Além de ser fonte dos maiores gastos públicos, os aumentos dos funcionários da Justiça só reforçam a tese de que o país tem um dos Judiciários mais caros do mundo ocidental, proporcionalmente em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB). Um estudo elaborado pelo cientista político Luciano Da Ros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mostra que o país gasta 1,3% de seu PIB com a Justiça. É o que mais gasta entre os 11 países estudados por Da Ros. Na sequência, com 0,3% aparecem a Venezuela e a Alemanha. Os que menos gastam nesta proporção, 0,1% do PIB, são Inglaterra, Estados Unidos, Argentina e Espanha.
Em 2015, o reajuste dos servidores do Judiciário foi tido como uma das principais batalhas do Governo no Congresso, onde foi aprovado por ampla maioria. A proposta inicial, que previa reajuste de 53% a 78%, acabou vetada pela presidenta Dilma Rousseff. Na época, o Ministério do Planejamento projetava que os gastos aumentariam em 5,3 bilhões de reais em 2016 e 36,2 bilhões de reais em 2019. Para evitar que o veto fosse derrubado, Dilma negociou uma proposta alternativa com Lewandovski.
A atual PL 2648 teria respaldo na lei Orçamentária para o aumento de gastos este ano, segundo uma nota técnica da Câmara, uma vez que a remuneração dos servidores do Judiciário está, de fato, defasada. Quando Dilma estava no poder, o reajuste do Judiciário era tratado por alguns deputados como uma “cobrança de fatura”. Depois do STF não ter interferido no rito do processo do impeachment, agora estaria pressionando para ver o reajuste aprovado.
Mas, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União, uma das principais entidades envolvidas na questão, a sugestão da “cobrança de fatura” é absurda. “O PL é fruto de um acordo entre Executivo e Judiciário, firmado em agosto do ano passado. Ele só não foi votado em 2015 porque existia um movimento de junção de forças entre a oposição e setores extremistas que forçou a votação do PL sem orçamento para criar tensão com o Governo”, diz Roberto Ponciano, diretor da Fenajufe.

sábado, 4 de junho de 2016

Sérgio Moro, o "gênio" dos camisas negras, mandou fechar a Caixa Preta da Lei Rouanet pois, ao abri-la, não encontrou o que queria... lá encontrou o Instituto FHC, a Globo e o Itaú....



Bateu na Globo... não vem ao caso

Moro foge de Rouanet como fugiu dos Panamá Papers!

Rouanet_Original.jpg
Montagem baseada no original do Estadão
No Estadão:
Moro barra ofensiva da PF sobre os 100 maiores da Lei Rouanet

O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mandou anular nesta sexta-feira, 3, o pedido da Polícia Federal ao Ministério de Transparência e Gestão para levantar os 100 maiores receptadores/captadores de recursos via Lei Rouanet, divulgado pelo Estado nesta manhã.

(…)

A Lei Rouanet foi criada no governo Fernando Collor, em 1991. A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para as empresas e pessoas físicas. Na prática, a Lei Rouanet permite, por exemplo, que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.



sábado, 16 de abril de 2016

Ex-Promotor do Tribunal Penal Internacional lamenta a inversão de valores midiaticamente fomentada no Brasil: "Hoje ninguém fala mais de Cunha"




Foto: OcampoImage copyrightReuters
Image caption

"Para mim, no Brasil hoje é fascinante que o presidente da Câmara dos Deputados (do Brasil) esteja altamente envolvido em corrupção e ninguém fale disso", diz à BBC Brasil Luis Moreno Ocampo, ex-promotor do Tribunal Penal Internacional, em referência ao fato de as acusações contra Eduardo Cunha terem saído dos holofotes em meio ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O presidente da Câmara, que é réu da operação Lava Jato, nega as acusações de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
"Ele (Cunha) está lá, sem problemas. O que é isso? Para mim é importante que seja discutido como lidar com as questões que realmente importam para o Brasil. Não é sobre um partido contra o outro, mas sobre achar uma forma de reduzir a corrupção, pois essa é a forma de tornar o Brasil melhor", prosseguiu Ocampo.
"É importante encontrar opções políticas em todos os partidos que sejam limpas. O que precisamos nos nossos países (latinos) é a coalizão de diferentes partidos para fazer com que todos respeitem os limites."
Ocampo, advogado argentino que trabalhou como promotor do Tribunal Penal Internacional da ONU entre 2003 e 2012, é um renomado especialista em direitos humanos, governança e corrupção.
Em entrevista na Universidade de Basileia, após painel sobre corrupção no futebol, Ocampo falou sobre o cenário político brasileiro e elogiou o trabalho do Judiciário e a operação Lava Jato.
"O Judiciário no Brasil está conduzindo uma investigação muito difícil e fazendo-o com muita eficiência. O impacto disso vai depender de como a classe política administra o problema", avalia.

Dilma


Foto: AFPImage copyrightAFP
Image captionLuis Moreno Ocampo se surpreende com suspeitas de corrupção envolvendo presidente da Câmara

Durante o debate sobre futebol, Ocampo acusou Joseph Blatter - ex-presidente da Fifa e participante do evento - de ser conivente com a corrupção na federação futebolística e, portanto, igualmente culpado. Questionado se o papel de Dilma na Lava Jato seria semelhante, ele respondeu: "Se ela não fez nada antes, ela deveria estar fazendo agora".
"A saída de Dilma ir em frente é propor um novo caminho. Se ela não estava envolvida no que ocorreu sob o comando dela, a partir de agora não poderia ocorrer de novo. Ela deveria dar um jeito para assegurar que o seu próximo gabinete seja eficiente e honesto".
"Dilma, enquanto líder do país, tem uma grande responsabilidade. Ela precisa oferecer uma opção aos brasileiros de como ela vai conseguir gerir um governo onde a corrupção não seja universal".

'Estamos aprendendo'

A ideia de que na época das ditaduras latino-americanas havia menos corrupção é uma percepção descartada por Ocampo. "Não é verdade", disse em resposta à ideia de que um retorno a um governo militar, propiciaria uma moralização do país. "Corrupção é um abuso de poder".

Foto: Camara dos DeputadosImage copyrightCamara dos Deputados
Image captionOcampo diz que ditaduras na América Latina também eram corruptas

"Nas ditaduras você não sabe o que está acontecendo. A questão é que a América Latina aprendeu a estabelecer a democracia durante os anos 80. (…) O próximo desafio é controlar a corrupção. Estamos apenas aprendendo como fazer isso, mas a classe política deveria oferecer administradores capazes", afirmou o ex-promotor.
"Eu sempre falo a respeito da Argentina: o nosso governo (antes) nos matava, agora está apenas nos roubando. O problema no Brasil é que nunca investigou-se o passado. Nunca investigaram-se os abusos de direitos humanos, então as pessoas tem uma ideia mais romântica sobre a eficiência e a honestidade dos regimes militares".
Na ONU, Ocampo investigou crimes de guerra ocorridos em países como Uganda e República Democrática do Congo e na região sudanesa de Darfur, obtendo, inclusive, ordem de prisão contra o presidente sudanês Omar Al-Bashir. O ex-promotor é hoje diretor da ONG anticorrupção Transparência Internacional para América Latina.

Fifa

Em relação ao escândalo de corrupção da Fifa, Ocampo afirmou que "o silêncio não está adiantando" e condenou a postura da organização sediada na Suíça, atacando a inatividade de Blatter perante os colegas.
Durante o debate, Joseph Blatter negou envolvimento com corrupção e rebateu as críticas de Ocampo, reforçando que corrupção era problema das confederações nacionais e não da Fifa.
Falando sobre se Ricardo Teixeira e José Maria Marin, ambos ex-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol, teriam a culpa pelos escândalos relacionados à Copa do Mundo no Brasil, Blatter rebateu: "Eu não sou juiz, eu não posso julgar. Deixemos os tribunais julgar sobre isso. É um caso pendente e eu não devo me pronunciar sobre ele".

quarta-feira, 16 de março de 2016

Direita Santa e sem Mácula: Cartel De Trens - Promotoria já pediu dez vezes a prisão de executivos do cartel de trens em SP... Artigo do Estadão

Cartel De Trens

Promotoria já pediu dez vezes a prisão de executivos do cartel de trens em SP

POR MATEUS COUTINHO - estadão

Todos os alvos são ex-dirigentes de multinacionais acusados de fraude a licitações em governos do PSDB e estão foragidos no exterior; nove dos dez pedidos já foram rejeitados e um ainda aguarda análise da Justiça


Metrô na capital paulista. Foto: Rafael Arbex/ Estadão
Há dois anos o Grupo de Atuação Especial de Combate a Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público de São Paulo tenta, sem sucesso, localizar e prender 11 executivos investigados no esquema de fraude e cartel no setor metroferroviário durante os governos do PSDB no Estado de São Paulo. Ao todo, o Gedec já pediu dez vezes a prisão de vários dos executivos, sendo que nove pedidos foram rejeitados e o último, feito em fevereiro deste ano, ainda aguarda análise da Justiça.
Do grupo de 11 executivos, dez foram denunciados criminalmente em 2014 e um em 2015 e 2016, mas graças a uma série de recursos de outros réus as ações não saem da estaca zero. Ao todo, o Gedec – que investiga os crimes financeiros e fraudes à licitação – já apresentou oito denúncias contra executivos das empresas envolvidas. As investigações envolvendo suspeitas sobre os servidores públicos no esquema estão a cargo do Ministério Público Federal e de outras promotorias do MP estadual.
Todos os executivos que estão na mira do Gedec possuem nacionalidade estrangeira, estão fora do Brasil e, na maioria dos casos, sequer deram explicações à Justiça sobre as acusações de que teriam atuado em conluio com representantes de outras empresas para fraudar licitações bilionárias do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de 1999 a 2009. O argumento de todos os pedidos de prisão se baseia, em síntese, no fato de que o Gedec não localizou os executivos durante as investigações e de que eles colocariam em risco a “ordem econômica” ao ficarem em liberdade no exterior.
Os primeiros pedidos de prisão preventiva vieram em março de 2014, no primeiro bloco de cinco denúncias contra 30 executivos acusados de envolvimento com o cartel. Na ocasião, foram pedidas a prisões preventivas de nove executivos alemães (um pedido contra um grupo de cinco e, posteriormente, outro pedido contra um grupo de quatro alemães denunciados por outros crimes) ligados à gigante Siemens e do canadense Serge Van Temsche, que presidiu a multinacional francesa Bombardier de 2001 a 2006.
Atualmente, dos nove executivos que tiveram a prisão preventiva solicitada apenas dois ainda pertenceriam aos quadros da multinacional alemã. A empresa, contudo, não divulga o nome dos funcionários no Brasil nem na Alemanha. Mesmo com a colaboração das autoridades alemãs, parte dos executivos alvo dos pedidos de prisão não foram localizados no exterior, e o Ministério Público chegou a reiterar três vezes os pedidos de prisão, todos rejeitados.
No caso de Serge Van Temsche, o MP também reiterou duas vezes o pedido de prisão dele, todos rejeitados. A defesa do executivo não quis comentar o caso.
Em maio de 2013 a Siemens firmou acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Economica (CADE), orgão anti-truste do governo federal. A Siemens comprometeu-se a revelar os caminhos do cartel do setor metroferroviário que operou entre 1998 e 2009, nos governos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckimin, todos do PSDB.
Em maio de 2015 o Ministério Público paulista pediu a preventiva do ex-diretor da Alstom Cesar Ponce de Leon. Ele foi denunciado naquele ano junto com outros cinco executivos por fraudes a licitações de R$ 1,75 bilhão para reforma das Linhas 1 e 3 do Metrô de São Paulo e modernização de 98 trens entre 2008 e 2009, durante o governo Serra. Em fevereiro de 2016 ele foi denunciado novamente por suspeita de crimes em outra licitação e o Ministério Público pediu, pela segunda vez, sua prisão preventiva.
Na primeira denúncia, a Justiça de São Paulo rejeitou a preventiva após ser informada que Cesar Ponce de Leon estaria residindo na Espanha. A segunda denúncia e o segundo pedido de prisão aguardam decisão da 29ª Vara Criminal da capital paulista.
COM A PALAVRA, A SIEMENS:
“Em linha com seu compromisso com negócios limpos, a Siemens proativamente compartilhou com o CADE e demais autoridades públicas no Brasil as informações e os documentos obtidos durante suas auditorias internas, os quais deram origem a diversas investigações quanto às possíveis práticas irregulares incluindo a formação de um cartel no setor metroferroviário no Brasil.
O compromisso contínuo da Siemens com negócios limpos é exemplificado pela sua colaboração com as autoridades brasileiras, no contexto do acordo de leniência assinado com o CADE, Ministério Público Federal e do Estado de São Paulo, bem como pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) preliminar firmado com o Ministério Público do Estado de São Paulo, respectivamente em 2013 e 2014. A Siemens continuará apoiando as autoridades brasileiras em seus esforços. “


domingo, 6 de março de 2016

A impunidade escandalosa de Aécio Neves, "o Intocável", e a Lista de Furnas

Do Diário do Centro do Mundo
Por Kiko Nogueira
O DCM apresenta o documentário sobre a Lista de Furnas que prometemos entregar em mais um projeto de crowdfunding.
Com direção do talentoso documentarista e produtor Max Alvim, ele é baseado nas matérias de Joaquim de Carvalho, um dos melhores repórteres do Brasil, colaborador dileto do Diário.
Está ali toda a gênese e as imbricações de um dos grandes escândalos do país — e um dos que mais sofreram tentativas de ser abafado.
O momento do lançamento é oportuno. No sábado, 27 de fevereiro, ficou-se sabendo que o ex-deputado federal Roberto Jefferson e mais seis pessoas foram indiciados pela Delegacia Fazendária (Delfaz) por crime de corrupção ativa e lavagem de dinheiro na estatal mineira.
O Ministério Público Estadual (MPE) levou dez anos para se mexer. Entre os envolvidos estão empresários, lobistas e políticos. Ficou faltando muita gente. Entre as ausências, a de Dimas Toledo, ex-presidente da empresa indicado por Aécio. Dimas não foi indiciado por ter mais de 70 anos e, portanto, contar com o benefício da prescrição.
O que o documentário do DCM traz:
- O que é, para que servia e quem produziu a relação de 156 políticos e os respectivos valores recebidos na campanha eleitoral de 2002 do caixa 2 de empresas que prestaram serviços para Furnas.
- Os principais nomes do esquema: gente como José Serra, então candidato a presidente, Geraldo Alckmin, candidato a governador de São Paulo, Aécio Neves, candidato a governador de Minas Gerais, e Sérgio Cabral, candidato a senador pelo Rio de Janeiro, além de candidatos a deputado, como, Alberto Goldman, Walter Feldman e Gilberto Kassab por São Paulo; Eduardo Paes, Francisco Dornelles e Eduardo Cunha pelo Rio de Janeiro; Dimas Fabiano, Danilo de Castro e Anderson Adauto por Minas Gerais.
- O protagonismo de Aécio: além de receber diretamente para sua campanha R$ 5,5 milhões (13,1 milhões em valores corrigidos pelo IGP-M), há outros dados que confirmam seu papel central no caso.
São antigas as relações de sua família com as empresas públicas na área de energia. O pai, Aécio Cunha, depois de integrar durante seis anos a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, se tornou conselheiro de Furnas, ao mesmo tempo em que era conselheiro da Cemig, a estatal de energia de Minas Gerais.
“Furnas sempre foi território de Minas no governo federal”, afirma José Pedro Rodrigues de Oliveira, ex-coordenador do Programa Luz para Todos.
O doleiro Alberto Youssef, em delação premiada, falou de Aécio. O lobista Fernando Moura detalhou que era “um terço (PT) São Paulo, um terço nacional, um terço Aécio”.
- A batalha para desacreditar a Lista de Furnas: quem divulgou que ela poderia ser falsa foi o PSDB de Minas Gerais, com base em pareces de peritos contratos e num laudo da Polícia Federal feitos em cima de uma das cópias divulgadas por Nilton Monteiro, o homem que confessou atuar como operador do caixa 2.
Uma matéria na Veja, plantada por Aécio, deu força para a ideia da falsidade. Quando essa tese prosperava, o lobista Nílton Monteiro entregou à Polícia Federal o documento original, que foi periciado. A conclusão foi a de que se tratava de um documento autêntico, assinado por Dimas Toledo e sem indício de montagem.
Esperamos, com esse documentário, ter conseguido jogar luzes sobre uma história que caminhava para o esquecimento. Agradecemos a todos os leitores que contribuíram para que ele pudesse ser realizado.