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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Fora do domínio imperial do dólar? Brasil e China construindo o futuro do Sul Global, por Elias Jabbour

 


Brasil e China com esse acordo monetário deram um grande passo no sentido de reorganização dos interesses do Sul Global neste novo momento histórico



Fora do dólar? Brasil e China construindo o futuro do Sul Global

por Elias Jabbour

Antes de tratar do assunto principal deste artigo, acho necessária uma grande digressão histórica para situar o nosso leitor do alcance dos acontecimentos que estão a ocorrer no mundo hoje. Vamos lá.

Nguyen Von Giap, comandante dos exércitos guerrilheiros que derrotaram o imperialismo no Vietnã, foi perguntado sobre a razão da vitória sobre o “mais poderoso exército do mundo”. Sua resposta foi objetiva: a “inteligência” dos generais dos USA. Na verdade, a falta de inteligência desses generais. Essa mesma falta de inteligência já havia levado o imperialismo a uma derrota na Guerra da Coreia (1950-1953). Muitos na década de 1990 imaginavam que a vitória dos USA na Guerra Fria contra a União Soviética havia demonstrado que a história sempre esteve ao lado dos Estados Unidos. Foram raras as exceções que diziam o contrário e já apontavam os limites do poder e as fragilidades da sociedade norteamericana. Entre eles, um dos membros da alta liderança chinesa, Wang Huning, que escreveu em 1991 um interessante livro chamado “America against America”.

Novamente a inteligência dos generais dos USA vão confirmando sua fama histórica. No campo interno e externo a exportação da financeirização como novo padrão acumulação global está demonstrando seus limites e levando o próprio capitalismo ao colapso e transformando os USA em uma exportadora de seitas de extrema-direita. Uma série de decisões políticas equivocadas tomada nos últimos 20 anos deixam clara essa “inteligência”. Uma série de intervenções militares massivas e altamente custosas colocou os USA em um beco sem saída que vai das guerras no Iraque e Afeganistão até apoio a milícias islâmicas, e também participação direta, que destruíram um dos países mais estáveis da África (Líbia), a tentativa de derrubada de Bachar Al-Assad na Síria e a expansão da OTAN até as fronteiras da Rússia. Foram várias as frentes de batalha, incluindo golpes (Honduras, Paraguai e Brasil) e tentativas de golpe (Venezuela, Bolívia) onde as digitais do imperialismo eram claras. A crise de 2008 e o surgimento de blocos alternativos mundo afora, como o BRICS, fizeram os USA dobrarem a aposta na tentativa de impor uma ditadura fascista em âmbito global.

Já falando no Brasil, nosso país foi um grande laboratório de testes das chamadas guerras de quinta geração: Guerra de narrativas, financiamento de organizações criminosas, financiamento de organizações para-militares, ONGs com interesses duvidosos e cooptação de setores do serviço público, principalmente do poder judiciário. A intenção era clara: destruir um capitalismo que estava emergindo com força desde a vitória dos governos populares de Lula da Silva e Dilma Roussef e para isso uma grande operação foi esboçada no Departamento de Estado com vistas à destruição de nossa indústria e a prisão de Lula e, enfraquecer os BRICS e retirar Dilma Roussef da chefia do Estado brasileiro. Desde o golpe de 2016 o Brasil passou por um processo de autodestruição que Lula da Silva tenta impedir.

Em nível internacional, desde Obama, outro movimento estava em andamento que consiste na transformação plena do dólar em arma de destruição em massa. Todos sabemos sobre os bloqueios financeiros que sofrem Cuba, Coreia Popular, Irã, Venezuela e outros inimigos do imperialismo. Atualmente cerca de um terço dos países do mundo sofre algum tipo de sanção comercial ou financeira pelos Estados Unidos. Mas existe limites para tudo na vida, inclusive para um poder que se julgava invencível. O imperialismo chegou seu limite ao forçar a Rússia a entrar em um conflito na Ucrânia para em seguida tentar “expulsar a Rússia do mundo”, incluindo sanções financeiras e congelamento de ativos em dólares. Ninguém tenta expulsar um país do tamanho da Rússia e com seus imensos recursos naturais e industriais impunemente. São momentos como este na história que um dia vale mais do que décadas de luta.

Tudo isso ocorria enquanto a China já tinha se tornado o maior parceiro comercial de 140 países e a Iniciativa Cinturão e Rota já era responsável por cerca de 3000 projetos de infraestruturas em todos os cantos do mundo. É irresistível a analogia histórica: foi justamente com a utilização do dólar para financiar obras na Europa na década de 1920 que os Estados Unidos iniciaram o projeto de transformação do dólar em moeda de referência internacional. Ora, o congelamento de ativos financeiros russos denominados em dólar demonstrou o inegável: os Estados Unidos nunca foi um país confiável e suas preocupações não passam por democracia e direitos humanos. A manutenção de seu poder total no mundo demanda a completa desestabilização da ordem internacional e o conflito na Ucrânia é mais uma expressão desse processo de “desordem mundial” patrocinada pelo imperialismo.

E o Brasil? Há cinco anos o então ex-presidente Lula da Silva foi condenado e preso pela operação Lava Jato em um processo posteriormente denunciado como a maior farsa da história da justiça brasileira. A esquerda brasileira passava por um processo de brutal destruição de sua imagem pela grande imprensa e a extrema-direita comandada por Jair Bolsonaro passava a ser força hegemônica no cenário político nacional. Junto com Bolsonaro veio a completa submissão do Brasil ao governo de Donald Trump, uma política econômica ultraliberal e um rastro de fascismo que quase destruiu a sociedade brasileira. Anticomunista e abertamente contra a China, Jair Bolsonaro foi a página mais triste da história brasileira. E continua com muita força política mesmo após sua derrota nas eleições gerais de 2022.

O que ninguém imaginava é que não somente Lula da Silva sairia da cadeia. Ele liderou uma frente ampla antifascista que derrotou Bolsonaro nas últimas eleições. No front externo, sinalizou com a volta de uma política exterior em prol da multipolaridade e de um Brasil mais próximo da China e do Sul Global. Mais uma reviravolta típica na história de nosso país.

O maior país da América Latina voltou a ser governado por forças progressistas, mas o preço da destruição de nosso país tem sido muito caro. O país se desindustrializou rapidamente com seu capital industrial destruído, cerca de 100 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar, institucionalizou-se o trabalho precário e o ódio passou a fazer parte de nossa sociedade. Por mais que Lula sinalize para uma participação mais ativa do Brasil no mundo, a realidade de nosso país não é a mesma a época em que chegamos ao posto de sexta maior economia do mundo. A ascensão chinesa acendeu o alerta generalizado no chamado “ocidente”. O Brasil tem sofrido muita pressão em todos os fóruns internacionais no sentido de tomar uma posição, por exemplo, em relação ao conflito na Ucrânia. Mais: as autoridades norte-americanas já assumem publicamente que os investimentos chineses na América Latina devem ser tratados como um problema de segurança nacional. É neste mundo em transição que nosso país é chamado à sua reconstrução.

Enquanto o Brasil passava por uma grande prova existencial a China inaugurava o paradigma “Laos/Camboja” em detrimento do paradigma norte-americano “Iraque/Afeganistão”. A China levou ferrovias e outros tipos de infraestruturas aos dois países citados enquanto os Estados Unidos destruíram om bombas o Iraque e o Afeganistão. O socialismo voltava a pautar as relações internacionais em oposição ao imperialismo. Não como nos tempos da União Soviética onde se apostou em financiamento direto de insurgentes pelo mundo e sim pela via da construção de um ponto de gravitação conforme Marx imaginava para o “socialismo” que surgiria primeiro na Inglaterra, França e Alemanha e a periferia do sistema se tornaria socialista por gravitação econômica. A China socialista é esse ponto hoje e com a conflito na Ucrânia e a desmoralização do imperialismo no Oriente Médio novas paradigmas em matéria de relações internacionais são inaugurados pela China. O lema da “construção de uma comunidade de futuro compartilhado” é um fato objetivo, não apenas palavras vazias.

Voltando ao dólar e a desdolarização. O conflito na Ucrânia acelerou o processo de unificação do território econômico e financeiro da Rússia e da China. Este processo terá impactos ao mundo semelhantes ao momento histórico em que os Estados Unidos, no último quarto do século XIX unificou seu território econômico e formou uma imensa economia continental. São grandes marcos do novo tempo que vivemos: Rússia e China unidas pelo yuan e imensos projetos de infraestruturas, acrescidas pela utilização pela Índia do yuan para comprar petróleo da Rússia e a Arábia Saudita abrir mão do dólar para fazer negócios com a China. A completa desmoralização do imperialismo no Oriente Médio se completa com o acordo histórico, mediado pela China, entre Irã e Arábia Saudita e a possibilidade de fim da guerra, patrocinada pelo imperialismo, no Iêmen.

Mas a construção deste processo histórico só será completa com a total inclusão da América Latina, e seu principal país – o Brasil, como parte fundamental deste mundo em transformação. Um grande e ousado passo foi dado com o acordo assinado recentemente entre os dois países prevendo a utilização de suas próprias moedas em negociações comerciais, dispensando o dólar. As vozes do imperialismo não tardaram a aparecer. O congressista de extrema-direita Marco Rubio foi direto ao ponto: “o acordo real-yuan impedirá sanções unilaterais do Ocidente”. O congressista deixa muito clara uma ordem a ser superada onde o os Estados Unidos, e o dólar em particular, se tornou uma ameaça real ao progresso humano, sinônimo de retrocesso civilizacional.

Lênin elaborou sobre as possibilidades reais do socialismo a partir dos chamados “elos débeis da corrente imperialista”. Durante muito tempo este elo débil esteve presente na Ásia onde as relações entre centro e periferia haviam se tornado explosivas. As revoluções chinesa, coreana e vietnamita deram razão ao revolucionário russo. Atualmente a América Latina é o elo débil da corrente imperialista. Talvez o último refúgio de poder do imperialismo no mundo. Sem antes, os Estados Unidos irão manter acesos os distúrbios no Estreito de Taiwan, a tentativa de destruir a Rússia e o socialismo na China e o patrocínio de grupos neonazistas mundo afora.

Brasil e China com esse acordo monetário deram um grande passo no sentido de reorganização dos interesses do Sul Global neste novo momento histórico que vivemos. Aos revolucionários, a obrigação com a visão de processo histórico. A consolidação do socialismo em âmbito mundial depende sobremaneira da multiplicação destes acordos. Um centro de gravidade socialista (China) ensejando imensos fluxos financeiros, monetários, de investimentos e de comércio é fundamental para a causa da libertação nacional dos povos na periferia do sistema. Já existe uma globalização alternativa comandada pela China em andamento (Iniciativa Cinturão e Rota). Os países periféricos devem tirar mais consequências deste projeto e o próprio Brasil deve ter uma adesão negociada de forma que nossa entrada na Iniciativa sirva aos propósitos estratégicos de meu país.

Brasil e China podem reescrever juntos a história da América Latina e do Sul Global. No caso do Brasil ainda imensos desafios políticos internos deverão ser enfrentados e superados. Nosso país não tem muito tempo a perder diante de seus dramas internos e de uma oposição de extrema-direita pronta para utilizar de todas as formas possíveis para a destruição das esquerdas enquanto alternativa de poder no Brasil. O Brasil e o mundo vivem momentos muito interessantes. Tenho certeza da vitória da humanidade.

Elias Jabbour, Professor Associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Vencedor do Special Book Award of China 2022

segunda-feira, 4 de julho de 2022

EUA-OTAN e a mensagem "Ou você está conosco ou é uma “ameaça sistêmica” ". Artigo de Pepe Escobar

 

Afinal, estamos todos profundamente atolados no espectro do metaverso, onde as coisas são o oposto do que parecem ser

www.brasil247.com - Líderes do G7 reunidos na Alemanha

Líderes do G7 reunidos na Alemanha (Foto: Andrew Parsons/No 10 Downing Street/Fotos Públicas)

Pepe Escobar, para o The Saker

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

Veloz, mas não furioso, o Sul Global pisa no acelerador. O principal resultado da cúpula BRICS+ realizada em Pequim, bem diferente do G7 dos Alpes bávaros, é que tanto o Irã, do Oeste Asiático, quanto a Argentina, da América do Sul, candidataram-se oficialmente a ingressarem no BRICS.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano ressaltou que o BRICS traz "um mecanismo muito criativo de amplos aspectos". Teerã, um parceiro muito próximo a Pequim e Moscou - já havia realizado "uma série de  consultas" sobre essa candidatura: os iranianos estão confiantes de que ela irá "acrescentar valor" ao BRICS expandido.

E dizem que a China, a Rússia e o Irã estão tão isolados. Bem, afinal, estamos todos profundamente atolados no espectro do metaverso, onde as coisas são o oposto do que parecem ser.

O fato de Moscou teimar em não seguir o Plano A de Washington, que é começar uma guerra pan-europeia, vem abalando profundamente os nervos atlanticistas. De modo que, logo em seguida à cúpula do G7, realizada, de forma muito significativa, em um sanatório nazista, entra em cena a OTAN, paramentada para a guerra da cabeça aos pés. 

Portanto, sejam bem-vindos a um show de atrocidades, consistindo na total demonização da Rússia definida como a suprema "ameaça direta"; a promoção do Leste Europeu à condição de "forte"; uma torrente de lágrimas  derramadas sobre a parceria estratégica Rússia-China; e, como bônus extra, a China sendo tachada  de "ameaça sistêmica". 

É isso aí: para o combo OTAN/G7, os líderes do mundo multipolar emergente, bem como as grandes partes do Sul Global que desejam ingressar nesse mundo, são uma "ameaça sistêmica".

A Turkiye, sob o Sultão da Ginga – Sul Global em espírito, artista da corda bamba na prática – conseguiu literalmente tudo o que queria em troca de magnanimamente  concordar com que a Suécia e a Finlândia abrissem caminho para serem absorvidas pela OTAN.

Façam suas apostas quanto ao tipo de mutretas as marinhas da OTAN irão aprontar no Báltico contra a Frota Báltica Russa, a serem seguidas por diversos cartões de visita distribuídos pelo Sr. Khinzal, pelo Sr. Zircon, pelo Sr. Onyx e pelo Sr. Kalibr, capazes, é claro de aniquilar  qualquer movimentação da OTAN, incluindo seus "centros de decisão".

Veio como uma espécie de alívio cômico perverso o lançamento pelo Roscosmos de um conjunto de divertidíssimas imagens de satélite apontando com precisão as coordenadas desses "centros de decisão".

Os "líderes" da OTAN e o G7 parecem estar gostando de encenar um vagabundíssimo jogo de tipo 'tira incompetente'/'tira palhaço'. A cúpula da OTAN disse ao comediante cheirador Elensky (lembrem-se, a letra Z agora é proibida) que a operação policial russa de forças combinadas - ou a guerra -  tem que ser "resolvida" militarmente. A OTAN, portanto, continuará a ajudar Kiev a lutar até o último ucraniano bucha-de-canhão. 

Em paralelo, no G7, o Primeiro-ministro alemão Scholz foi solicitado a especificar que "garantias de segurança" seriam fornecidas ao que restar da Ucrânia após a guerra. A resposta do sorridente primeiro-ministro: "Sim... eu poderia (especificar). E saiu de fininho. 

O iliberal liberalismo ocidental

Mais de quatro meses após o início da Operação Z, a zumbificada opinião pública ocidental esqueceu por completo - ou ignora de propósito - que Moscou passou os últimos meses de 2021 exigindo uma discussão séria sobre as garantias de segurança com força de lei oferecidas por Washington, com ênfase no fim da expansão da OTAN rumo a Leste e em um retorno ao status quo de 1997.

A diplomacia falhou, uma vez que Washington respondeu com uma não-resposta. O Presidente Putin deixou claro que o que viria a seguir seria uma reposta "tecnomilitar" (que acabou sendo a Operação Z)  enquanto os americanos avisavam que isso poderia desencadear sanções maciças.

Contrariamente aos desejos irrealistas do Dividir para Governar, o que ocorreu após 24 de fevereiro só fez solidificar a sinergia da parceria Rússia-China – e seu círculo expandido, em especial no contexto dos BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). Como observou Sergey Karaganov, chefe do Conselho Russo de Política Externa e Defesa, ao início deste ano, "a China é nosso amortecedor estratégico (...) Sabemos que em qualquer situação difícil, podemos contar com ela para apoio militar, político e econômico". 

Essa ideia foi detalhadamente traçada para todo o Sul Global no  marco histórico que foi a Declaração Conjunta sobre a Cooperação no Início de uma Nova Era, de 4 de fevereiro  – que incluiu a aceleração da integração da Iniciativa Cinturão e Rota e da União Econômica Eurasiana, concomitante à harmonização da inteligência militar no âmbito da OCX (Incluindo o Irã, o novo membro pleno), as principais pedras angulares do multipolarismo.

Compare-se isso aos sonhos molhados do Conselho de Relações Exteriores ou outros delírios de "estrategistas" de poltrona do "maior think tank nacional na área de segurança", cuja experiência militar limita-se a negociar uma lata de cerveja.

Isso nos torna saudosos daqueles tempos de análises sérias, quando o falecido e grande Andre Gunder Frank publicou "um artigo sobre o tigre de papel" (a paper on the paper tiger), examinando o poderio americano na encruzilhada do dólar de papel e do Pentágono.

Os britânicos, com seus melhores padrões educacionais de tradição imperial, ao menos pareciam ter um certo grau de compreensão de que Xi Jinping "abraçou uma variante do nacionalismo integral não muito diferente das que surgiram na Europa do entre-guerras, enquanto Putin empregava com grande habilidade métodos leninistas para ressuscitar como potência global uma Rússia enfraquecida".

Mas a noção de que "ideais e projetos originários do Ocidente iliberal continuam a plasmar a política global" é pura bobagem, uma vez que Xi se inspira em Mao tanto quanto Putin se inspira em diversos teóricos eurasianistas. O importante é que no processo de o Ocidente mergulhar em um abismo geopolítico, "o liberalismo ocidental se tornou, ele próprio, iliberal".

E pior que isso: ele se tornou totalitário. 

Mantendo refém o Sul Global 

O G7 vem oferecendo à maior parte do Sul Global um coquetel tóxico de inflação maciça, aumento de preços e dívida dolarizada fora de controle.

Fabio Vighi mostrou de forma brilhante que "o propósito da emergência ucraniana é manter ligada a máquina de imprimir dinheiro e culpar Putin pelo estado desastroso da economia mundial". O objetivo da guerra é exatamente o oposto daquele que nos fazem acreditar. Não se trata de defender a Ucrânia, mas de prolongar o conflito e alimentar a inflação na tentativa de desativar o risco cataclísmico no mercado da dívida, que se alastraria rapidamente por todo o setor financeiro".

E se puder piorar ainda mais, vai piorar. Nos Alpes bávaros, o G7 comprometeu-se a encontrar "maneiras de limitar o preço do petróleo e do gás russos": se isso não funcionar com os "métodos de mercado", então "meios serão impostos pela força". 

Uma "indulgência" do G7 – o neo-medievalismo em ação – só seria possível se um potencial comprador de energia russa concordar em firmar um acordo quanto ao preço com representantes do G7.

O que isso significa na prática é que o G7 provavelmente irá criar um novo órgão para "regular" o preço do petróleo e do gás, subordinado aos caprichos de Washington: para todos os fins práticos, uma forte guinada no sistema pós-1945. 

O planeta inteiro, em especial o Sul Global, seria feito refém.

Enquanto isso, na vida real, a Gazprom está indo de vento em popa, ganhando tanto dinheiro com as exportações de gás para a União Europeia quanto ganhou em 2021, embora enviando volumes muito menores. 

A única coisa que este analista alemão acerta é que, caso a Gazprom fosse obrigada a cortar o fornecimento de forma definitiva, haveria  "a implosão de um modelo econômico que depende excessivamente das exportações industriais e, portanto, da importação de combustíveis fósseis baratos. A indústria responde por 36% do consumo alemão de gás".

Pensem, por exemplo, na BASF sendo obrigada a parar a produção da maior indústria química do mundo em Ludwigshafen. Ou no CEO da Shell afirmando que é absolutamente impossível substituir o gás russo fornecido à UE pelos gasodutos com o GNL (americano).

A implosão que temos pela frente é exatamente o que os círculos neocon/neoliberalcon de Washington pretendem – retirar da arena comercial mundial um poderoso concorrente (ocidental). O que é realmente assombroso é que a Equipe Scholz não se dá conta do que está acontecendo.

Praticamente ninguém se lembra do que aconteceu no ano passado, quando o G7 fingiu estar tentando ajudar o Sul Global. A iniciativa foi batizada de BuildBackBeterWorld (B3W). "Projetos promissores" foram apontados no Senegal, em Gana, e houve "visitas" ao Equador, Panamá e Colômbia. O governo do Boneco de Teste de Colisão ofereceu "todo o espectro" de instrumentos financeiros americanos: participação acionária, garantias de empréstimos, seguros políticos, dotações, assessoria técnica em clima, tecnologia digital e igualdade de gêneros. 

O Sul Global não se deixou impressionar. A maior parte dele já havia se juntado à Iniciativa Cinturão e Rota. O B3W colapsou com um gemido.

Agora a União Europeia vem promovendo um novo projeto de "infraestrutura" para o Sul Global, batizado de Global Gateway (Portal Global), oficialmente apresentado pela Führer da Comissão Européia (CE), Ursula von der Leyen e – surpresa! – ligada ao fracassado B3W. Essa é a "resposta" ocidental à ICR, demonizada como sendo – o que mais? – "uma cilada da dívida". 

A Global Gateway, em tese, desembolsaria 300 bilhões de euros em cinco anos; a CE entraria com apenas 18 bilhões do orçamento da UE (ou seja, com dinheiro dos contribuintes europeus), com a intenção de conseguir 135 bilhões de euros em investimentos privados. Nenhum eurocrata foi capaz de explicar a diferença entre os 300 bilhões anunciados e  os esperançosos 135 bilhões.

Paralelamente, a CE vem dobrando as apostas em sua fracassada agenda de Energia Verde – culpando, é claro, o gás e o petróleo. Frans Timmermans, chefão do clima na União Europeia,  pronunciou uma verdadeira pérola:  "Se o green deal tivesse ocorrido cinco anos antes, estaríamos menos dependentes dos combustíveis fósseis e do gás natural.

Bem, na vida real a União Europeia mantém-se firme no rumo de se tornar uma terra arrasada e totalmente desindustrializada até 2030. Energia Verde ineficiente, seja solar ou eólica, é incapaz de oferecer uma fonte energética estável e segura.  

O tipo certo de ginga 

É duro escolher quem é o personagem mais canastrão do jogo  "tira bom/tira ruim" da NATO/G7. Ou o mais previsível. Foi isso que publiquei sobre a cúpula da OTAN. Não agora, mas em 2014, oito anos atrás. A mesma demonização, repetida indefinidamente.

E, aqui também, se pode piorar é bem provável que piore. Pensem no que restou da Ucrânia – principalmente a Galícia do Leste – sendo anexada ao sonho molhado da Polônia: a nova versão do Intermarium, indo do Báltico ao Mar Negro, agora apelidada de "Iniciativa dos Três Mares" (com o acréscimo do Adriático) e compreendendo 12 estados-nação.

O que isso implica no longo prazo é o colapso interno da UE. A oportunista Varsóvia apenas lucra financeiramente com a generosidade do sistema de Bruxelas ao mesmo tempo em que acalenta seus próprios planos hegemônicos. A maior parte dos "Três Mares" vai acabar abandonando a União Europeia. Adivinhem quem irá garantir sua "defesa": Washington, por meio da OTAN. Alguma outra novidade? O conceito do novo  Intermarium data do tempo do falecido Zbig "Grande Tabuleiro"” Brzezinski.

Então, a Polônia sonha em se tornar a líder do Intermarium, seguida pelos "Três Anões Bálticos", por uma Escandinávia ampliada mais a Bulgária e a Romênia. Seu objetivo parece vir diretamente da Comedy Central: reduzir a Rússia ao status de estado-pária – e então toda a pantomima de sempre: mudança de regime, a derrubada de Putin e a balcanização da Federação Russa.

A Grã-Bretanha, aquela ilha irrelevante, ainda investida em ensinar aos novatos americanos como ser um Império, irá adorar. Alemanha-França-Itália bem menos. Perdidos na selva, os euroanalistas sonham com um Quad Europeu (com a Espanha), replicando o esquema Indo-Pacífico, mas no final das contas tudo vai depender de para que lado vai a Alemanha.

E então há aquele imprevisível bastião do Sul Global liderado pelo Sultão da Ginga: a recentemente renomeada Turkiye. Um neo-otomanismo brando parece estar a todo o vapor, ainda expandindo seus tentáculos dos Bálcãs e da Líbia à Síria e a Ásia Central. Evocando a era de ouro da Sublime Porta, Istambul é o único mediador sério entre Moscou e Kiev. E está cuidadosamente cuidando dos mínimos detalhes do processo de integração eurasiana atualmente em curso.

Os americanos estavam prestes a tentar mudança de regime contra o Sultão. Agora eles se veem forçados a ouvi-lo. E aí vai uma lição geopolítica séria para todo o Sul Global: uma "ameaça sistêmica" não quer dizer nada se você tem o tipo certo de ginga.  

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Lula não isenta Putin de culpa, ao contrário de Bolsonaro, diz Jamil Chade

 

Em entrevista exclusiva, o jornalista Jamil Chade repercute declarações do ex-presidente brasileiro em entrevista à revista Time

Foto; Reprodução/YouTube


GGN. - entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à revista norte-americana Time foi tema de análise e repercussão pela mídia brasileira, em especial os comentários relacionados à guerra entre Rússia e Ucrânia.

Ao contrário do que uma parte importante da mídia ocidental tem feito, Lula não isentou o presidente russo Vladimir Putin de culpa. Pelo contrário – afirmou que, assim como Putin, outras partes estão estimulando o confronto.

Em entrevista exclusiva à TV GGN 20 horas desta quarta-feira (04/05), o jornalista Jamil Chade lembra que a Rússia não só rasgou a Carta das Nações Unidas como invadiu um país soberano e independente e cometeu crimes de guerra.

Por outro lado, Chade ressalta que o confronto com a Ucrânia faz com que a Europa esteja em sua maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial. “Já são quase seis milhões de refugiados, você tem 10 milhões de pessoas dentro da Ucrânia passando necessidade (…)”.

E o custo para manutenção de tais refugiados deve chegar a 30 bilhões de euros, apenas neste ano. “Agora, a gente tem duas opções: ou a gente pensa em poder, em estratégia, etc – minimizar ou, pelo menos, fragilizar o outro lado, no caso a Rússia, ou a gente pensa nas vítimas”, diz Chade. “Essa é a questão”.

De acordo com Jamil Chade, a paz não interessa apenas por conta do impacto na economia, mas também por conta das vítimas e das vidas que estão sendo transformadas por conta do confronto. “Então, a busca da paz é necessária para proteger as vítimas. Por que forma? Que forma a gente pode chegar lá”, diz Chade.

Segundo Chade, uma das formas que estão sendo consideradas envolve a mediação das negociações. “Agora, para você mediar alguma coisa, você precisa recriar a confiança, você precisa dar lugar na mesa para todos os lados. E o que está acontecendo nesse momento: justamente o contrário”, afirma Jamil Chade.

Segundo o jornalista, o Ocidente tem chantageado países africanos e nações de menor porte para que votem pelo isolamento total da Rússia. E as chantagens envolvem inclusive dinheiro.

“Ok, sim, a Rússia violou tudo isso – agora, para resolver o conflito, resolve isolar a Rússia? Não”, afirma o colunista internacional. “Não houve nenhum caso, nenhum caso em que o isolamento total de um país levou aquele país a falar ‘opa, tá bom, desculpa’. Não funciona”.

Diante disso, a ONU sinaliza o diálogo, e inclusive o secretário-geral da ONU chegou a viajar para Moscou e Kiev para tentar o diálogo. “Foi humilhado, tudo aquilo ali aconteceu. Sim, mas ele tentou”.

O Papa Francisco é outra autoridade que tem tentado buscar o diálogo. Contudo, como lembra Jamil Chade, “o diálogo não é criminoso desde que você reconheça que um lado está cometendo, sim, também, crimes”.

Lula (e Itamaraty) defendem mudanças diplomáticas

O correspondente internacional lembra que, sem entender que um dos lados está cometendo crimes, não adianta ler a entrevista do ex-presidente Lula na Time e falar que ele defende Putin. “Agora, o que ele está dizendo é que o atual modelo, ele só vai aprofundar a crise. E o atual modelo não vai trazer a paz”.

E, para a surpresa de alguns, Jamil Chade afirma que o posicionamento de Lula não é muito diferente do que o atual Itamaraty tem tentado fazer.

“O Itamaraty profundo, a diplomacia profunda brasileira que sabe que só o diálogo gera a paz, tentou e tenta fazer esse gesto”, diz Chade. “O problema é que nós temos os militares, a ala radical do bolsonarismo e, acima de tudo, nós temos o próprio presidente que quer se reeleger”.

E diante de seu interesse em se reeleger, Bolsonaro está disposto a tudo – “inclusive dizer que não precisa criticar o Putin”, ressalta Jamil Chade.

“Qual a diferença entre Bolsonaro e Lula nessa entrevista: Bolsonaro também adota uma postura de “equidistância”. Muito bem, só que o que ele faz é se recusar a condenar o que o Putin fez”, diz Chade.

 “Em nenhum momento ele (Bolsonaro) fez isso. O presidente Lula, nessa entrevista, faz isso – eu gostaria de ver o presidente Bolsonaro falando que o que o Putin fez estava errado, assim como o Lula fez. Não fez”, diz Chade. “E não vai fazer”.

A entrevista completa com o jornalista Jamil Chade pode ser vista na TV GGN 20 horas desta quarta-feira. Clique abaixo e confira!

quinta-feira, 10 de março de 2022

Discussão das falhas da mídia na guerra entre Rússia e Ucrânia

 

Falta de sofisticação na análise e o papel dos EUA são alguns dos temas abordados por Luis Nassif, Marcelo Auler e Reginaldo Nasser

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Publicado em 

As falhas da atuação da mídia na guerra entre Rússia e Ucrânia tem deixado à mostra uma série de brechas na forma como o tema tem sido explorado, muito por conta de ser um assunto complexo e com uma série de conjunturas que não tem sido discutidas de maneira aprofundada.

O assunto foi um dos temas explorados pelos jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler ao lado de Reginaldo Nasser, professor de relações internacionais da PUC, na TV GGN 20 horas desta quarta-feira (assista o vídeo no final deste artigo).

Na visão de Nassif, a cobertura jornalística tem seguido o mesmo padrão da Lava Jato. “Os colegas são incapazes de criticar a Rússia e, ao mesmo tempo, criticar o presidente da Ucrânia”.

“Temos colocado informações, artigos, o próprio Glenn Greenwald veio aqui mostrando que o que ocorreu de 2014 foi um golpe da ultradireita na Ucrânia, amparado por bilionários ligados ao desmonte da Rússia, um sujeito que era o dono da emissora de televisão que alavancou o presidente da Ucrânia”, diz Nassif.

E o direcionamento dos debates em torno da pauta norte-americana tem sido tão evidente que o filho do presidente Joe Biden recebeu um salário de US$ 50 mil de uma empresa estatal ucraniana – e o assunto foi a razão da saída de Greenwald do Intercept, uma vez que “eles achavam que a guerra era contra o Trump (…)”

Segundo Nassif, o que se tem atualmente é uma incapacidade crônica de analisar os temas por mais de um ângulo. “Você tem uma linha pró-EUA, você tem uma linha clara, você tem a subordinação às agências de notícias, mas você tem uma mediocridade jornalística fantástica (…)”.

Nazistas ucranianos, brasileiros e israelenses

Nassif lembra ainda o caso de nazistas brasileiros que, há alguns anos, foram fazer um curso na Ucrânia. “Assim que entrou esse presidente, o Zelensky, ele incorporou nas Forças Armadas esse exército da ultradireita. Ou seja: um pessoal terrorista, um cara que foi eleito em cima de fake news no mesmo esquema do Bolsonaro aqui”.

E a cobertura majoritária da imprensa não se atenta a esse tipo de assunto, com raras exceções. “Na Globonews nem se fala, é simplesmente ‘o cara é um heroi, toda acusação de nazismo lá é um absurdo porque o cara é judeu’. Gente, se você ouvir algum jornalista falando ‘é um absurdo se acusar de neonazista porque o cara é judeu’, esquece esse jornalista. Ele não tem futuro”, afirma Nassif.

Nassif ressalta que o nazismo é uma ideologia contra minorias e que, entre os anos 20 e 40, as minorias eram os judeus, mas que isso não é uma exclusividade. 

De lá para cá. você teve um movimento de ultradireita que tinha um primeiro-ministro de Israel que era de ultradireita, com os palestinos sendo as vítimas. Então, assim como você tem o brasileiro progressista e o brasileiro nazista, você tem israelense progressista e israelense nazista”, diz Nassif.

“O que acontece: a torcida aí é uma coisa indecente. É indecente porque não é jornalística. Não é jornalística. Quando você pega um caso complexo como esse da Ucrânia, você tem que analisar todos os fatores (…)”, ressalta Nassif. “Eu já escrevi outro dia: a Rússia mente em guerra, os Estados Unidos mentem, a Ucrânia mente, e mente o jornalista que endossa cegamente qualquer dessas posições”.

O foco norte-americano é derrubar a Rússia

O professor Reginaldo Nasser endossa as críticas em torno da mídia, afirmando que tanto o trabalho no Brasil como no exterior tem sido “muito rasteiro, medíocre”, mas que é possível pinçar pontos para traçar um cenário mais amplo.

“Eu li um artigo no NYT – a gente tem que se virar com o que tem. O artigo estava criticando o Putin, mas no meio dele tinham dois parágrafos, um primor para a gente”, diz Nasser.  “O que o cara falava: ele conversou com assessores do alto escalão do Biden, e esses assessores disseram o seguinte: quanto mais pressionar o Putin, pior vai ficar”.

Para Nasser, a guerra nuclear não foi cogitada nem durante o período da Guerra Fria, e não deve ser considerada neste momento.

“Acho o seguinte: tem uma frase do Raymond Aron que é célebre: ‘paz impossível, guerra improvável’. Veja que ele não falou guerra impossível, falou improvável. Pode acontecer? Pode, claro que pode. Mas não é provável, porque tem aquela coisa que é a sigla MAD (Mutual Assured Destruction), que é uma destruição mútua”, diz Nasser.

Na visão do professor de relações internacionais, Vladimir Putin ainda tem muito a gastar, e a arma nuclear é o último recurso. Porém, o que se deve ter em vista – e que é igualmente muito grave – é o foco dos Estados Unidos em derrubar Putin do poder.

“O que você faz quando derruba um presidente como o Putin em uma grande potência? Para ele cair tem que ter guerra civil. Guerra civil, se ele cair em uma guerra civil na Rússia é o caos no mundo”, diz Nasser. “Mas eles (EUA) querem o caos, aí é que está”.

A formação de um novo Taleban?

Nasser lembra que, em dezembro, teve uma reunião do Biden com o Putin. “O Putin entregou uma proposta que está documentada, ele entregou para os meios de comunicação. Tem coisas ali que se pode discutir e era muito razoável, que era a neutralidade e reconhecer as regiões separatistas”, diz Nasser.

Contudo, Biden sequer discutiu a proposta. Ele a desconsiderou. “Nessa mesma matéria, o jornalista escreveu que a comissão da OCDE que faz a verificação nas regiões separatistas de quem está rompendo a trégua dos acordos, identificaram 4 mil violações do governo da Ucrânia (…)”.

De acordo com Nasser, foram 700 inspetores nomeados pela OCDE, e o Putin explorou mal isso. “Tudo isso estava colocado. Essa ideia já estava em dezembro, lá nos EUA. Eles querem derrubar a Rússia, querem acabar com a Rússia (…) (Os EUA) São uns loucos, porque estão jogando armas na população, armas preciosas. Eu quero ver isso depois”, alerta Nasser.

Nasser cita ainda uma entrevista de Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA, onde ela afirma que a estratégia é distribuir armas à população da mesma forma como foi feito no Afeganistão.

“O que aconteceu no Afeganistão: morreram mais de 1 milhão de pessoas, e surgiu a Al Qaeda e o Taleban. É isso, e agora com essas armas lá, são armas muito poderosas que estão tendo sucesso (….) Está jorrando arma lá. Então, veja: a situação não está boa não. Está muito complicada a situação na região inteira e vai complicar mesmo com o cessar-fogo”, diz Nasser.

Veja mais sobre o papel da mídia na cobertura da guerra Rússia-Ucrânia e a análise completa do professor Reginaldo Nasser na íntegra da TV GGN 20 horas.

Clique abaixo e confira!

EUA ameaçam sanções a gás e petróleo russos, China e UE reagem e Brasil manda “Mamãe Falei” à Guerra

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes



CRÉDITOS Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Eliano Jorge Edição: Mikhael Theodoro Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este é um vídeo do canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e quintas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.

segunda-feira, 7 de março de 2022

A guerra na Ucrânia vista pela Rússia: Nassif entrevista historiador gritantemente censurado na GloboNews. Assista

 

Rodrigo Inhanez explica os antecedentes históricos que desembocaram na operação militar ordenada por Putin contra o governo Zelensky, da Ucrânia. O Contexto não significa justificação, mas ajuda a compreender os motivos de uma ação.

Jornal GGN:

Por que a Rússia quer derrubar o atual governo e controlar boa parte da Ucrânia? Luis Nassif entrevista o historiador Rodrigo Inhanez, que morou 11 anos na Rússia, para entender as raízes históricas do conflito. Na semana passada, Rodrigo foi convidado a explicar a crise do ponto de vista russo na GloboNews, mas foi cortado no ar e hostilizado pelo jornalista Jorge Pontual, que expressou visões contra Putin e errou ao transmitir algumas informações históricas.

Na entrevista a Nassif, o historiador Rodrigo Inhanez explica os antecedentes históricos que desembocaram na operação militar ordenada por Putin contra o governo Zelensky, da Ucrânia. Também fala fala dos impactos internos e possíveis desdobramentos.

sábado, 5 de março de 2022

Portal do José: Das palhaçadas do MBL, a aberração do Mamãe Falei na Ucrânia foi o vergonhoso último exemplo da extrema machista direita brasileira.... OTAN, que pressionou o conflito, abandona a Ucrânia...

 

Não se comenta outra coisa, além do conflito na Eurásia, sobre a conduta de Mamãe Falei. Bolsonarista de primeira hora, não deve ser esquecido. Também não devemos esquecer de seu guru inspirador : Jair Bolsonaro.

Do Portal do José:


05/03/22 - Faltam 211 dias para as eleições no Brasil. Temos muita coisa a fazer pela frente para nos livrarmos do mal que se abateu sobre o nosso povo.

Não se comenta outra coisa, além do conflito na Eurásia, sobre a conduta de Mamãe Falei. Bolsonarista de primeira hora, não deve ser esquecido. Também não devemos esquecer de seu guru inspirador : Jair Bolsonaro.

Abordarei essas questões no nosso encontro de hoje.

Bolsonaro: Inspirador de Mamãe Falei M

https://www.youtube.com/watch?v=vzNva...





quinta-feira, 3 de março de 2022

Um roteiro para entender melhor a guerra Rússia-Ucrânia e os interesses do ocidente que, através da OTAN (braço dos EUA na Europa), a fomentaram. Texto de Luis Nassif

 Vamos montar uma boa bibliografia sobre a crise Rússia-Ucrânia.

Vou pedir a ajuda de vocês para montarmos uma boa bibliografia de artigos essenciais para entender o atual conflito Rússia-OTAN sem o maniqueísmo que cerca, de lado a lado, a atual cobertura. Publico algumas dicas no final e aguardo outras.

No artigo “A guerra da Ucrânia, a mídia e os heróis e vilões da Marvel” expus alguns ângulos do conflito.

São eles:

  1. A divisão geopolítica do mundo pós-Segunda Guerra.
  2. O isolamento da Rússia, após o fim da União Soviética. Há pensadores americanos conservadores, dos anos 70, alertando para o risco de se tentar isolar a URSS.
  3. A manutenção da OTAN – criada exclusivamente para defender a Europa das investidas da Rússia – mesmo após o fim da URSS.
  4. O golpe de 2014 na Ucrânia, a eleição de um humorista como presidente e a ascensão das forças neonazistas, que passaram a integrar as Forças Armadas ucranianas. E – pelamordeDeus – parem de invocar a condição do presidente da Ucrânia, de descendente de judeus, como argumento para rebater a acusação. O nazismo é uma ideologia que atua com o racismo como forma de definir o inimigo externo e aglutinar o ódio. Nos anos 20, o “inimigo” eram os judeus. No século 21, a ultra-direita mundial – incluindo Donald Trump, Jair Bolsonaro e Benzion Netanyahu, o ex-primeiro ministro da Israel – definiu como inimigos os árabes, os negros, os LBTGs etc. 
  5. A ascensão da China, acabando com o poder único dos Estados Unidos, desde o fim da União Soviética, e obrigando a uma nova divisão geopolítica do mundo.
  6. O quadro geopolítico atual, e as análises sobre as condições de Biden e Putin de manterem o moral nacional elevado, para enfrentar a batalha da opinião pública. Tudo isso foi levado em conta por Putin, em sua estratégia.
  7. Os preparativos da Rússia, que há anos se planeja para um enfrentamento econômico de grandes proporções.
  8. A partir de todos esses dados, analisar a decisão de Putin de invadir a Ucrânia, com críticas consistentes contra os arroubos do homem de Estado – não com o vizinho de condomínio.

Uma entrevista com o ex-Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

ENTENDA OS ATAQUES DA RÚSSIA À UCRÂNIA | Com Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores

Sobre as implicações econômicas, tema relevante para saber até onde os EUA irão.

Russia-Ukraine crisis could see gas supply ramifications for the world

Volkswagen idles two German plants as supplies from Ukraine run dry | Financial Times

Ukraine war disrupts global market for grains | Financial Times

Sobre as milícias de ultra-direita na Ucrania

Commentary: Ukraine’s neo-Nazi problem | Reuters

Azov fighters are Ukraine’s greatest weapon and may be its greatest threat | Ukraine | The Guardian

Examining the Threat of the Azov Movement in Ukraine – GeoHistory

For Ukraine’s far right, war with Russia can be an opportunity – Europe – Haaretz.com

Sobre a estratégia econômica com a China

China’s yuan ‘trading like a safe haven currency’ as Ukraine crisis roils markets | South China Morning Post

The Ukraine crisis is a major challenge for China – BBC News

Sobre geopolítica e a história da Rússia.

RÚSSIA, EM BUSCA DE SEU ESPAÇO NO NOVO CONTEXTO INTERNACIONAL

https://periodicos.ufsc.br/index.php/geosul/article/download/78224/44647/282898

https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/novosrumos/article/view/8520/5458

China and Russia’s Friendship in Ukraine Is Without Benefits

Sobre Putin e os direitos humanos

Rússia: Pior clima para os direitos humanos desde o fim da União Soviética | Human Rights Watch

Mais de 1,8 mil pessoas detidas na Rússia por protestarem contra a guerra | ONU News

Bachelet “muito preocupada” com decisão de tribunal russo sobre Testemunhas de Jeová | ONU News

https://news.un.org/pt/audio/2017/09/1213001

Rússia: Pior clima para os direitos humanos desde o fim da União Soviética | Human Rights Watch

A letter to the Western Left from Kyiv | openDemocracy