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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bolsonaro muito louco desce a ladeira sem freios. Por Helena Chagas


"O que todo mundo quer saber hoje é onde irá parar esse carro desgovernado, que ameaça atropelar todos nós."

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PUBLICADO NO PORTAL OS DIVERGENTES
O presidente Jair Bolsonaro está sob pressão, no modo caminhão-sem-freios-descendo-a-ladeira, e obviamente isso é um perigo. Adepto da lógica do confronto, ele puxou para briga os milhares de jovens que foram às ruas na quarta-feira ao chama-los de idiotas e imbecis. Hoje, em Dallas, foi mais longe ainda na defesa do filho, senador Flávio Bolsonaro, que teve o sigilo quebrado sob acusação de lavagem de dinheiro na investigação do Caso Queiroz.
”Estão fazendo um esculacho em cima (do senador). Fizeram aquilo para me prejudicar. Querem me atingir”, disse o presidente da República aos jornalistas numa entrevista em que esbravejou contra a imprensa, o Congresso, os manifestantes…
Se Bolsonaro não tomar urgentemente uma maracujina e baixar o tom, vai criar mais problemas para si mesmo. No caso dos 95 pedidos de quebra de sigilo, ele poderia até obter algum apoio em relação à amplitude da medida. Poucas vezes se viu devassa tão grande, e claramente há um objetivo do Ministério Público de cercar a família Bolsonaro, ex-assessores e agregados. Mas se, como diz Bolsonaro, é tudo “esculacho” político contra ele e o filho, não haveria razões para temer.
O andar das investigações aponta que não é bem assim, e há na imprensa informações sobre elementos reforçando a acusação de lavagem de dinheiro na compra e venda de 19 apartamentos no Rio. No Senado, o clima começa a ficar constrangedor para Flavio, e já se fala em comissão de ética. Por isso mesmo, o pai presidente, se tivesse cabeça fria, poderia se preservar um pouco, em vez de sair em sua defesa incondicional, abraçando o filho como fez hoje.
No Congresso, caiu mal agora pela manhã o desdém do presidente em relação à governabilidade. Na entrevista, ele questionou as “ pressões” que viria sofrendo pela tal governabilidade e disse que não vai ceder.
O descontrole do presidente preocupa gregos e troianos, governistas e oposicionistas, porque ainda não se completaram nem cinco meses de governo e virá muita coisa pela frente para testar os nervos de Bolsonaro – no Caso Queiroz e nas ruas.
O que todo mundo quer saber hoje é onde irá parar esse carro desgovernado, que ameaça atropelar todos nós.

Há três hipóteses para a morte de Marielle: uma implica diretamente Jair Bolsonaro, por Luis Nassif




Um mês antes da morte de Marielle, os matadores Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz pesquisaram vários nomes no Google, dentre eles todos de parlamentares que votaram contra a intervenção militar


Do GGN:
Há três hipóteses sobre a morte de Marielle. A de maior impacto tem sido mantida sob sigilo, e aponta diretamente para o presidente da República Jair Bolsonaro.
Hipótese 1 – levantada pela Polícia Civil.
Marielle teria sido executada pela milícia, devido a interesses imobiliários em áreas de atuação da vereadora.
Hipótese 2 – levantada preferencialmente pelo PSOL.
Marielle teria sido executada pela milícia a mando de políticos do MDB, que atuavam nos territórios ocupados pelos milicianos.
Hipótese 3 – a morte de Marielle foi uma reedição dos atentados do Riocentro.
Como se recorda, quando os porões da ditadura se sentiram alijados do processo político, com a derrota de Silvio Frota, seguiu-se uma série de atentados, visando reverter o processo democrático que se aproximava. No caso de Marielle, a intenção foi reagir contra a intervenção militar no Rio de Janeiro.

As evidências em favor da Hipótese 3

Evidência 1 – Um mês antes da morte de Marielle, os matadores Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz pesquisaram vários nomes no Google, dentre eles todos de parlamentares que votaram contra a intervenção. Ou seja, a intenção explicita de Lessa era jogar a morte de Marielle na conta da intervenção. Marielle era relatora da comissão instalada na Câmara dos Vereadores justamente para fiscalizar a intervenção militar. Nas primeiras investigações, procuradores aventaram a possibilidade da morte ter sido um recado para os militares.
Evidência 2 – da direita, a voz mais enfática contra a intervenção era a de Jair Bolsonaro, que reclamava que os militares não tinham sido ouvidos. Bolsonaro defendia uma intercvençao militar pura. Aquela intervenção militar, decretada por Michel Temer, parecia a ele uma jogada de gabinete.
“É uma intervenção decidida dentro de um gabinete, sem discussão com as Forças Armadas. Nosso lado não está satisfeito. Estamos aqui para servir à pátria, não para servir esse bando de vagabundos.”
Evidência 3 – O principal suspeito da morte de Marielle, Ronnie Lessa, é vizinho de Jair Bolsonaro no condomínio. Apanhado de surpresa pela notícia, Bolsonaro afirmou a jornalistas não se lembrar do vizinho.
O DCM mapeou as casas através do Google.

As apurações

As evidências contra Jair Bolsonaro são muito fortes para serem ignoradas:
1. Ele participava dos grupos que articularam atentados no período do Riocentro. Continuou mantendo ligações estreitas com esse grupo.
2. Tinha interesse claro de que a intervenção militar no Rio não fosse adiante, seja por prejudicar o trabalho das milícias, seja por colocar os militares sob decisão dos “vagabundos”. Tinha interesse público de botar fogo no circo.
3. A família tem uma tradição explícita de relações com as milícias.
4. O principal suspeito da morte de Marielle é um membro do Sindicato do Crime, comerciante de armas e vizinho de condomínio.
Mas é possível que a Polícia Civil fluminense se aferre a outra versão.
As investigações sobre Ronnie Lessa flagraram conversas com o delegado Allan Turnowski, chefe das delegacias da capital carioca. Eleito, o governador Wilson Witzel levou Allan de volta à cúpula da polícia civil.
No almoço com Flávio Bolsonaro, Élcio Vieira de Queiroz, o suspeito de dirigir o carro que conduziu os assassinos de Marielle.