Durante a CPI dos atos antidemocráticos do DF nesta quinta-feira (28), a bolsonarista presa Ana Priscila Azevedo, apontada como uma das organizadoras do atos, afirmou que generais visitavam acampamentos 'passando esperança' que o resultado da eleição presidencial poderia ser mudado. Ana Priscila chegou a comparar a atuação de generais com o VAR do futebol, afirmando que eles detinham a informação se a eleição seria validada ou não.
Script se repete: para tirar governo das cordas, cria-se o enredo de que Forças Armadas “não aceitarão” voto eletrônico. Risco real ou tentativa do Planalto de fugir das pautas que importam? E mais: Brasília atrasa chegada de Sputnik V ao Nordeste
Publicado 23/07/2021 às 08:22 - Atualizado 23/07/2021 às 09:00
Por Leila Salim e Maíra Mathias | Imagem: Fernand Léger, Soldados jogando Cartas
CRONOLOGIA DO GOLPISMO
Brasília, 7 de julho. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto assina junto com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica uma nota em tom de ameaça dirigida a um senador da República: “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano”.
Brasília, 8 de julho. O que sabíamos: diante da repercussão negativa da nota, Braga Netto e Paulo Sérgio (Exército) telefonam para Rodrigo Pacheco (DEM-MG) que, depois, divulga que ambos defenderam “ponderação” e “apreço ao Senado”. É o suficiente para que o presidente da Casa considere o assunto encerrado. No mesmo dia, o comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, concede uma entrevista ao Globo que vai estampar a manchete do jornal no dia seguinte. Sustenta que “a nota foi dura como nós achamos que devia ser”, pois seria um “alerta às instituições”. Perguntado sobre o caráter golpista do caso, diz a célebre frase: “Homem armado não ameaça“.
O que não sabíamos daquele mesmo 8 de julho, mas foi revelado pelo Estadão ontem, piora em vários graus o que já era visivelmente ruim. Em uma reunião com alguém descrito como um “importante interlocutor político” e “dirigente partidário”, Braga Netto teria passado o seguinte recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PL-AL): “O general pediu para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso e auditável. Ao dar o aviso, o ministro estava acompanhado de chefes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica”, descreve o jornal, que ouviu fontes da política e do Judiciário nas últimas duas semanas.
Ainda de acordo com essa apuração, depois de receber o recado, Lira dividiu com um “seleto grupo” que a situação era “gravíssima” e o momento preocupante. E, diante do que considerou uma ameaça de golpe, procurou Jair Bolsonaro. Em uma “longa conversa”, disse ao presidente – que naquele mesmo dia, no começo da tarde, tinha declarado “ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições” – que não embarcaria na aventura golpista.
O pano de fundo do recado de Braga Netto e da ameaça de Bolsonaro era a discussão do voto impresso, que acontece em uma comissão especial da Câmara. A princípio, o governo tinha maioria para passar a proposta de emenda à Constituição que prevê a mudança – e se tornou central na estratégia bolsonarista de descrédito das instituições democráticas. Mas três ministros do Supremo – Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso – haviam conseguido virar o jogo no fim de junho, depois de se reunirem com 11 dirigentes partidários.
Depois da conversa com Bolsonaro, Lira fez postagens nas redes sociais em defesa da democracia. E, segundo a reportagem, foi a partir daí que ele ressuscitou a pauta do semipresidencialismo.
Em reação à reportagem, choveram notas de repúdio de congressistas, políticos locais, entidades de juristas… Foram muitas, mas a essa altura do campeonato, são uma resposta mais tímida do que o problema exige. Lira não negou o conteúdo da matéria, se limitando a afirmar que haverá eleições em 2022.
Já Braga Netto chegou a classificar as informações como “invenção”, disse que “não se comunica com os presidentes dos Poderes, por meio de interlocutores”. Em nota oficial, afirmou que a reportagem, vejam só, é que “gera instabilidade entre os Poderes da República” por veicular “desinformação”. Tudo no script já que ninguém imaginava que ele confirmasse a revelação.
Mas a nota acabou escalando a crise porque Braga Netto colocou mais lenha na fogueira do golpismo: “Acredito que todo cidadão deseja a maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo em todas as instâncias”, afirmou. “A discussão sobre o voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítima, defendida pelo governo federal, e está sendo analisada pelo Parlamento brasileiro, a quem compete decidir sobre o tema.”
De acordo com a Folha, o apoio do voto impresso feito publicamente pelo ministro da Defesa fez crescer em alas do Judiciário e do Congresso a avaliação de que é necessário afastar militares de decisões políticas. Na visão de ministros do Supremo “e mesmo de alguns de seus subordinados na cúpula militar”, Braga Netto teria abraçado o papel de “provocador-chefe da República”.
A reação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, à revelação do Estadão lembrou muito a postura de Rodrigo Pacheco diante da nota de Braga Netto e dos comandantes das Forças Armadas e da entrevista do comandante da Aeronáutica – com a diferença de que o caso, agora, é muitíssimo mais grave.
“Conversei com o ministro da Defesa e com o presidente da Câmara e ambos desmentiram, enfaticamente, qualquer episódio de ameaça às eleições. Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia”, escreveu Barroso no Twitter.
Repetir que as instituições estão funcionando não vai fazê-las funcionar. Ao contrário. Já o presidente do Supremo, Luiz Fux, optou pelo silêncio – o que também é altamente problemático.
O vice-presidente do TSE, Edson Fachin, foi o único a colocar pingos nos is, constatando que o sistema eleitoral do país “encontra-se desafiado pela retórica falaciosa, perversa, do populismo autoritário” e que não é de se espantar que um “líder populista” deseje “criar suas próprias regras para disputar as eleições”.
Pelo que se pesca de veículos como Valor, Folha e Estadão, há no Supremo a avaliação de que as ameaças dos militares não são factíveis porque, ao contrário de 1964, “não têm apoio das instituições para promover intervenção no Estado democrático” e, portanto, o golpe não passaria de um blefe. Aparece até a tese de que, no limite, tudo visa evitar a investigação de militares pela CPI da Covid.
NÃO VAI PARAR
Só que já foi repetido milhares de vezes que, mesmo que não resulte em levante dos quarteis e tanques nas ruas, o golpismo de Jair Bolsonaro e dos militares mina a democracia brasileira e tem consequências graves. Normaliza o inaceitável. Além disso, não vai parar.
Basta analisar o que disse Jair Bolsonaro ontem. Questionado sobre o caso, ele se negou a comentar e indicou: “Na nota dele [Braga Netto] está feita a resposta, ok?” Como se a nota não fosse escandalosa e, por si só, merecesse explicação.
Aí o TSE responde, rebate as mentiras de Bolsonaro, explica pela milésima vez como funciona a apuração. E terá de fazê-lo de novo e de novo – mas fica claro que, sozinho, não pode com a campanha de destruição conduzida pelo presidente e seus aliados.
Se é verdade que a peça oferecida pela reportagem do Estadão torna o quebra-cabeças da crise muito mais claro, também aparece em alguns lugares a interpretação de que a ida do senador Ciro Nogueira (PL-PI) para a Casa Civil deveria ser lida à luz das tentativas do Centrão de moderar o governo Bolsonaro, escanteando militares, etc. O que, lembremos, se dizia sobre os próprios militares no começo do governo.
Mas tanto o Centrão, quanto os militares estão consorciados com o bolsonarismo, gozam das vantagens do poder – e, no caso do Centrão, se aproveitam da fragilidade do governo usando os 130 pedidos de impeachment como moeda de troca para abocanhar mais nacos do Executivo.
A transubstanciação das três forças é totalmente funcional aos propósitos que perseguem e, ontem, Bolsonaro resumiu assim o momento político: “Eu sou do Centrão”.
Novo capítulo nas investigações sobre a origem do novo coronavírus. A China rejeitou, ontem, o plano da Organização Mundial da Saúde (OMS) para realização de uma segunda rodada de investigações no país, que incluiriam novas inspeções em laboratórios e instituições de pesquisa na cidade de Wuhan. Na semana passada, Tedros Adhanom, diretor geral da OMS, sugeriu que seria cedo demais para descartar a hipótese de que o vírus houvesse originalmente escapado de laboratório e pediu que Pequim compartilhasse com os cientistas da entidade os dados brutos sobre os primeiros casos da doença.
O vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde, Zeng Yixin, disse em coletiva de imprensa que a proposta da OMS era uma surpresa, já que a equipe internacional de investigação liderada pela entidade apontou, em fevereiro, que o vazamento seria algo “extremamente improvável”. Na época, como contamos aqui, Peter Ben Embarek, líder da missão, disse que, apesar de acidentes desse tipo ocorrerem, não havia no laboratório de Wuhan pesquisas sobre vírus com as características do SARS-CoV-2 quando as infecções começaram, e que por isso a hipótese não deveria continuar sendo estudada.
A primeira missão à China terminou com mais perguntas do que respostas. Após a visita, outras três linhas de investigação sobre o início da contaminação em humanos foram mantidas: transmissão direta a partir de um animal (provavelmente um morcego); a contaminação indireta através de um animal intermediário; e a infecção de humanos a partir do contato com o vírus em superfícies congeladas.
Mas as coisas mudaram quando Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, conduziu a volta do país à OMS, depois de Donald Trump ter retirado o país da entidade. O novo presidente retomou a hipótese de acidente biológico como origem da pandemia. Como destacou O Globo, no cenário de acirramento da disputa Washington/Pequim, cientistas estadunidenses e o governo Biden passaram a questionar o fato de a China não ter entregue os dados brutos dos primeiros pacientes de covid-19 em Wuhan.
Após Biden afirmar que a inteligência dos EUA trabalhava em um relatório sobre o tema, Austrália e Reino Unido, entre outros países, se somaram às pressões e a OMS propôs a segunda etapa da investigação – incluindo as novas visitas a laboratórios e centros de pesquisa. No início de julho, Tedros Adhanom disse esperar mais cooperação de Pequim, principalmente no acesso a dados brutos. Ele lembrou que esse foi um dos principais problemas enfrentados pela missão internacional do início deste ano.
A negativa chinesa foi enfática. Além de reafirmar que a entrega integral dos dados dos primeiros pacientes feriria a privacidade dessas pessoas, Pequim anunciou que não participará das buscas pela origem do vírus caso a hipótese de vazamento continue a ser considerada. Os cientistas chineses defendem que os esforços globais precisam priorizar os estudos sobre morcegos.
Horas depois, a Casa Branca disse que a decisão é “irresponsável” e “perigosa”. Jean Psaki, secretária de imprensa dos EUA, condenou o anúncio da China e disse que o país “não está cumprindo com suas obrigações”.
SPUTNIK DESCARTADA
O Ministério da Saúde decidiu rescindir o contrato para a compra de vacina russa Sputnik-V. Segundo o Valor, o governo irá argumentar que a Anvisa não aprovou o uso do imunizante para desistir do contrato intermediado pela União Química, que previa a importação de 10 milhões de doses. A autorização da Anvisa é uma das condições previstas no acerto com a empresa.
A deliberação da agência, no entanto, é mais mediada e pode gerar outras interpretações. Em junho, a Anvisa decidiu pela autorização condicional e com restrições da importação do imunizante, considerando a falta de dados consistentes sobre a segurança da Sputnik-V. A autorização é para um volume reduzido, correspondente a 1% da população brasileira. Além disso, a aplicação da vacina estaria condicionada a avaliação de cada lote pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).
Na última quarta, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já havia sinalizado a possível desistência. Ponderando a “conveniência e oportunidade” de importação da Sputnik e da Covaxin, ele considerou que a importação dos imunizantes traria “pouco benefício” à campanha de imunização.
Os governadores do Nordeste reagiram. O consórcio formado pelos estados da região tem um contrato para a compra de 37 milhões de doses da Sputnik. Na terça, eles haviam anunciado o desembarque de 1,1 milhão de doses da Sputnik no Brasil no próximo dia 28. No dia seguinte, após a fala de Queiroga, o governador do Piauí, Wellington Dias, disse que o esforço dos estados estava encontrando um conjunto de obstáculos. “Ora é a Anvisa, ora é uma posição do Ministério da Saúde como aconteceu agora”, disse. Rui Costa, governador da Bahia, declarou em sua conta no Twitter que as dificuldades para importação do imunizante russo são “um negócio incompreensível, de causar indignação”.
CERCO SOBRE DIAS
Novas revelações complicam ainda mais a situação de Roberto Dias, o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde investigado pela CPI da Covid. Reportagem d’O Globo mostrou ontem que, com seu aval, a pasta pagou R$ 39 milhões na compra de reagentes para testes de covid-19, mesmo depois de a Controladoria-Geral da União (CGU) apontar irregularidades no contrato.
A empresa americana Thermo Fisher, vencedora da licitação, apresentou uma proposta em que faltavam alguns dos materiais pedidos – e por isso apresentou um preço mais baixo para o contrato. A empresa foi habilitada mesmo com a oferta incompleta.
Levantando ainda mais suspeitas, aparece o fato de que outras empresas concorrentes foram descartadas exatamente por não atenderem em suas ofertas a convocação de todos os itens pedidos pelo ministério.
O contrato foi firmado no fim de agosto do ano passado, mesmo após as sinalizações contrárias da CGU, prevendo a compra de 10 milhões de kits para exames de detecção do novo coronavírus por R$ 133 milhões. Em dezembro, foi formalmente anulado diante das suspeitas de irregularidades, mas uma primeira parte das entregas já havia ocorrido em setembro. Em abril deste ano, a Secretaria de Vigilância em Saúde reconheceu a dívida com a empresa. Dias determinou o desembolso de R$ 39,8 milhões.
Tem mais: em entrevista exclusiva ao Globo, a CEO da VTC Log, Andreia Lima, admitiu ter cobrado de Dias um aditivo de R$ 18 milhões em favor da empresa. A VTC Log entrou na mira da CPI sob suspeita de irregularidades nos contratos com a pasta. Como comentamos por aqui, a quebra de sigilo telefônico do ex-diretor de logística mostrou repetidos contatos com a VTC.
A CEO negou, no entanto, que tenha pago propina para manter seus contratos com o governo. Segundo ela, as cobranças eram parte de um acordo entre o ministério e a VTC referente ao pagamento de serviços anteriores. A VTC alegava que deveria receber R$ 57 milhões, quanto a pasta dizia dever cerca de R$ 1 milhão. A solução para a curiosa discrepância teria sido o número mágico de R$ 18 milhões, proposto pela empresa e aceito por Dias.
FALANDO NISSO…
Bolsonaro, até agora, não largou a mão de Ricardo Barros (PP-PR), líder de seu governo na Câmara dos Deputados. Em entrevista à Rádio banda B, do Paraná, disse ontem que as acusações do deputado Luís Miranda na CPI carecem de “materialidade” e que, por isso, manterá Barros na função. Como se sabe, Miranda disse à CPI que, ao alertar Bolsonaro sobre irregularidades nas negociações para compra da Covaxin, teria escutado do presidente que elas seriam “rolo do Barros”.
Já o deputado Luís Miranda segue na mira da Polícia Federal. Ontem, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido da corporação para abertura de inquérito sobre denunciação caluniosa do parlamentar a Bolsonaro.
"A informação de que, quando interventor do Rio de Janeiro o general Braga Netto tentou adquirir coletes de segurança de uma empresa de Miami – sem licitação – pode se constituir na mais relevante informação sobre o grupo militar que se apossou do poder através de Jair Bolsonaro." - Luis Nassif
A informação de que, quando interventor do Rio de Janeiro o general Braga Netto tentou adquirir coletes de segurança de uma empresa de Miami – sem licitação – pode se constituir na mais relevante informação sobre o grupo militar que se apossou do poder através de Jair Bolsonaro.
Reforça a tese de que a eleição de Bolsonaro foi uma operação articulada dentro das Forças Armadas por militares diretamente envolvidos com os negócios da ultra-direita mundial antes mesmo de Bolsonaro surgir como presidenciável.
Vamos por partes.
Primeiro, algumas reportagens pioneiras do GGN sobre os grupos de ultradireita mundiais e Bolsonaro
Segundo ela, Braga Netto fechou R$ 140 milhões em contratos sem licitação. Uma das compras foram 14 mil pistolas Glock para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. O principal divulgador da Glock passou a ser Eduardo Bolsonaro. A compra antecedeu sua campanha, mostrando que as teias estavam sendo tecidas por Braga Netto mesmo antes da ascensão de Bolsonaro.
Primeiro, Braga Neto armou a compra de coletes com dispensa de licitação no valor de R$ 40 milhões.
Aparentemente, a jogada foi suspensa após análise da Secretaria de Controle Interno da Presidência da República.
Mas os personagens envolvidos guardam preocupante semelhança com aqueles envolvidos na tentativa de venda das vacinas Covaxin.
Vamos comparar os principais personagens e modus operandi de ambas as operações.
Peça 3 – os personagens da licitação dos coletes
Primeiro, mais dados sobre a tal CTU, que pretendia vender coletes a Braga Netto..
Não é uma fabricante. É uma empresa de segurança em dificuldades financeiras, que até no nome mostrava seus propósitos políticos. A sigla significa Academia Federal da Unidade de Combate ao Terrorismo.
A empresa em questão é presidida por Antonio Emmanuel Intríago Valera, o Tony Intriago, um venezuelano conhecido como Tony Intríago e, agora, investigada pela participação no assassinato do presidente do Haiti.
A CTU é especializada em contratar mercenários para operações políticas Segundo a Agência Pública, ela
“foi citada nas revelações do WikiLeaks em 2015 sobre a Hacking Team, uma empresa italiana conhecida por desenvolver ferramentas de vigilância e espionagem cujos programas foram acusados de roubar senhas de jornalistas e espionar ativistas de direitos humanos em países como os Emirados Árabes Unidos e Marrocos. O vazamento do WikiLeaks mostrou que a CTU buscou a Hacking Team para tentar vender projetos conjuntos de vigilância para o governo do México, revelando interesse, inclusive, na implantação remota de softwares espiões em computadores”.
A imprensa americana menciona que Intriago esteve envolvido com a tentativa de invasão da Venezuela em 2020.
Peça 4 – as coincidências com o esquema Covaxin
Vamos às principais semelhanças entre as duas tramas:
Compra de emergência
Tanto nos contratos da intervenção do Rio de Janeiro quanto nos da Saúde, tentou-se fugir das licitações alegando emergência. Nos dois casos, Braga Netto foi personagem central, como comandante da intervenção militar no Rio, e como Ministro-Chefe da Casa Civil e coordenador do grupo de combate ao coronavirus. Nos dois casos, os órgãos de controle – ainda não desmontados por Bolsonaro – impediram a consumação das compras.
Donos de empresa de segurança e academia de tiro
Segundo o Miami Herald, além de vender equipamentos, a CTU é uma academia de tiro e uma agenciadora de mercenários para ações políticas. Teria participado de uma tentativa fracassada de golpe na Venezuela em 2020. Seu proprietário, Tony Intriago, é venezuelano.
Segundo a Newsweek, a CTU era uma empresa de segurança em dificuldades, ”que supostamente tinha um histórico de evitar dívidas e declarar falência”. Ou seja, o padrão Precisa (a empresa que intermediava vacinas) já estava presente nas compras de Braga Netto.
No caso da Covaxin, um dos personagens principais é Carlos Alberto Tabanez, proprietário de um clube de tiro e de uma empresa de terceirização, a G.S.I., que nos últimos anos conquistou R$ 20 milhões em contratos com o setor público, especialmente com o Hospital das Forças Armadas.
Desde 2019 apontamos que os Clubes de Tiro são o principal braço armado do bolsonarismo, a partir das ligações de Eduardo Bolsonaro com o clube de tiro de Florianópolis.
Eles são peças centrais da ideologia das armas.
O fator Haiti
Outro ponto em comum é o fator Haiti, comprovando que o núcleo original é o da força de paz do Haiti.
Em Brasília, Tabanez deu aulas de explosivos à tropa, quando se preparavam para ir ao Haiti. Já Tony Intriago tem relação umbilical com Haiti, a ponto de participar do assassinato do presidente.
Pastores de empresas benemerentes
No caso da Covaxin, um dos principais personagens é o reverendo Amilton Gomes, atuando através de uma falsa ONG, uma empresa de nome Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), que faz marketing da benemerência mas está aberta para negócios. É apresentada como ligada a uma tal Embaixada Mundial Humanitária pela Paz, além de se dizer parceira da ONU nas metas do milênio. Também se apresenta como especialista terapêutico, em psicologia e psicanálise.
No caso do atentado que matou o presidente do Haiti, o principal personagem é o reverendo Christian Shanon. do Tabernáculo Evangélico Tabarre, um haitiano de 62 anos que mora na Flórida há mais de duas décadas e que tem também uma empresa (disfarçada de ONG) de nome Operação Roma-Haiti,. Ele se apresenta como médico, embora não tenha nenhum registro médico em Miami.
Segundo o Miami Herald , Shanon pediu falência em Tampa em 2013 e teve mais de uma dúzia de empresas registradas no estado, a maioria das quais agora estão inativas
Mas juntou recursos para alugar um jatinho e levar as duas dezenas de mercenários para o Haiti.
Em ambos os casos, os pastores mantêm relações com militares e praticam o discurso da anti-corrupção.
Peça 5 – um movimento maior do que o bolsonarismo
Não há coincidências, mas um modus operandi que liga esquemas da ultra-direita armada com pastores neopentecostais, em cima das mesmas bandeiras: interferência política para salvar a humanidade das esquerdas, ligações com Israel, montagem de ONGs para exercitar o marketing da benemerência.
No site da Senah, menciona-se que a tal Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários integra uma rede mundial que atua em 18 países.
O maior engano que poderia ocorrer, a esta altura do campeonato, é a extraordinária miopia de alguns analistas políticos, de supor que o Centrão está ocupando o espaço dos militares. Alguns artigos manifestam até solidariedade, como se os militares de Bolsonaro fossem cadetes ingênuos, sendo engolidos por raposas
Para com isso! Trata-se de um governo militar, composto por militares ambiciosos, das mesmas turmas do então tenente Jair Bolsonaro, que vão defender a ferro e fogo o espaço político conquistado. Bolsonaro é um agente do grupo militar.
As ligações de Braga Netto com empresas especializadas em atentados políticos, o eixo Haiti, a enorme quantidade de militares envolvidos em irregularidades, os abusos de contratos sem licitação beneficiando os neo-empresários, militares da reserva que estão conseguindo contratos polpudos com o setor público, tudo isso leva a crer que o Twitter do general Villas Boas não foi o início da tentativa militar de empalmar o poder, mas o tiro de largada.
O remanejamento do general Ramos da Casa Civil não foi medida isolada de Bolsonaro. Sua entrevista ao Estado, dizendo-se atropelado por um trem, visou esconder o óbvio: a entrega de anéis ao Centrão foi uma decisão conjunto dos militares no governo, visando salvar o mandato de Bolsonaro.
As concessões ao Centrão foram planejadas pelos próprios militares sabedores de que as revelações da CPI do Covid, especialmente a comunicação entre o então Ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto, e a Saúde, desnudarão de vez a grande armação das vacinas.
Do mesmo modo, a indicação dos novos comandantes das Forças Armadas não foi um gesto de autonomia em relação a Bolsonaro. Foi uma escolha pessoal do Ministro da Defesa, Braga Netto. E uma escolha a dedo, a julgar pelas manifestações dos comandantes da FAB e da Marinha em endosso ao factoide criado para justificar a Nota Oficial contra o presidente da CPI Omar Aziz.
Nas próximas semanas, haverá a explicitação da parte mais complexa da infiltração militar: os grandes negócios realizados no âmbito do orçamento militar que estão sendo levantados pelo Tribunal de Contas da União.
Para manter o poder, a julgar pelas manifestações dos Ministros militares, não haverá limites. As manifestações públicas de militares são reflexo mínimo das manifestações que ocorrem nos grupos de WhatsApp e na calada da noite política.
Se nada for feito agora, os próximos 17 meses serão terríveis.
Exclusivo no programa de hoje: A prova definitiva de que os militares montaram todas as parcerias com a ultradireita mundial bem antes do Bolsonaro assumir o poder.
Outra pauta desta sexta é a premiação em Cannes de Jasmin Tenucci, diretora do curta brasileiro "Céu de Agosto", que planeja fazer filmes sobre a igreja evangélica e as tensões do Brasil.
No programa "O É da Coisa" desta quinta-feira (22), o jornalista Reinaldo Azevedo comenta o recado golpista enviado pelo ministro Walter Braga Netto, da Defesa, ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Segundo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Braga Netto - com o apoio dos comandantes das Forças Armadas - teria condicionado as eleições de 2022 ao voto impresso. O âncora da BandNews FM comenta a reportagem e recorda o tratamento dos militares durante os governos petistas.
Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo afirma que o ministro Walter Braga Netto, da Defesa, mandou um recado ao presidente da Câmara e disse que, sem o voto impresso, não haveria eleições em 2022. A mensagem teria sido enviada através de um interlocutor. Reinaldo Azevedo comenta a nota do ministro Braga Netto.
O relator da CPI da Pandemia, o senador Renan Calheiros, se manifestou sobre reportagem do Estadão sobre uma ameaça golpista do ministro Walter Braga Netto, da Defesa. Calheiros afirmou que a democracia brasileira é "alvo de uma gravíssima ameaça". Reinaldo Azevedo comenta a nota do senador.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, disse que conversou com Arthur Lira e com Braga Netto e que os dois negaram uma ameaça às eleições de 2022. Reinaldo Azevedo comenta a fala de Barroso e a manifestação do vice-presidente Hamilton Mourão.
Nas redes sociais, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, se manifestou sobre a publicação da reportagem do Estadão sobre a ameaça golpista do ministro da Defesa. Reinaldo Azevedo comenta a nota de Lira e lembra que o parlamentar não negou a ameaça de Braga Netto.
Kennedy Alencar, colunista de política do UOL, analisou as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a suposta reunião do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para negociar compra da CoronaVac com empresa intermediária e com preço acima ao oferecido pelo Instituto Butantan.
O aparelhamento da máquina pública é feito com militares da ativa e da reserva provenientes de grupos conservadores, como o Instituto Força Brasil. É o caso do coronel Élcio Franco, Secretário Executivo do Ministério da Saúde na gestão Eduardo Pazuello, e principal implicado no escândalo das vacinas.
As declarações do general do Exército Antônio Hamilton Martins Mourão, mencionando possibilidade de uma intervenção militar, definiram uma nova etapa, um novo normal em cima do anterior.
Depois das intervenções das Forças Armadas em várias capitais do Nordeste, em Vitória e no Rio de Janeiro, devido à perda de controle dos respectivos governos sobre a segurança interna, se poderia considerar a afirmação apenas uma constatação óbvia.
Disse o general: “Então no presente momento, o que que nós vislumbramos, os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, né?, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas”.
Partindo de um oficial da ativa, ganha outro significado. E os desdobramentos do episódio mostram o novo cenário.
Houve grita da mídia, por uma resposta do governo ao militar. O Ministro da Defesa Raul Jungman chegou a anunciar que cobraria providências. Ontem à noite, no programa de Pedro Bial, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Villas Boas, declarou em alto e bom som que não haveria punição, que o general falou em ambiente fechado, provocado pelas perguntas etc.
Ali, encerrou-se a fase de subordinação das Forças Armadas ao poder civil.
Obedeceu a uma lógica óbvia: como vai punir um companheiro de fardas, que expressou o sentimento do Alto Comando, se o próprio presidente da República é reconhecidamente corrupto e o Congresso Nacional está dominado por um grupo de parlamentares denunciados?
O atual Partido Militar surge das operações de paz no Haiti, temperadas pelo radicalismo ideológico dos Clubes Militares. Minimizou-se por muito tempo o alarido dos militares da reserva. Mas seu discurso foi penetrando cada vez mais nas famílias militares, especialmente na geração mais velha, influenciadas pelo jornalismo de guerra que imperou a partir de 2005.
Peça 2 – os dois grupos de militares no poder
Há algumas características da atual politização das Forças Armadas, que precisam ser melhor compreendidas para se montar cenários.
Há dois grupos distintos, que se autoprotegem.
Um deles são os militares ligados a Bolsonaro, reunidos em torno do general Augusto Heleno e que ganhou corpo com a missão ao Haiti. São militares que não se pejam de entrar na lama da política para preservar seu projeto de poder. Destacam-se o próprio Heleno, o general Luiz Eduardo Ramos – que entregou o controle do orçamento público ao Centrão -, e o Ministro da Defesa, general Walter Souza Braga Neto.
O aparelhamento da máquina pública é feito com militares da ativa e da reserva provenientes de grupos conservadores, como o Instituto Força Brasil. É o caso do coronel Élcio Franco, Secretário Executivo do Ministério da Saúde na gestão Eduardo Pazuello, e principal implicado no escândalo das vacinas.
O segundo grupo é o Partido Militar propriamente dito, incrustado na hierarquia das Forças Armadas e se aglutinando em torno do vice-presidente, General Hamilton Mourão, autor do discurso citado acima. Não estão subordinados a Bolsonaro, mas serão parceiros fiéis, enquanto Bolsonaro permanecer no poder. E, em caso de sua queda, se colocarão no jogo político, negociando com grupos em disputa.
Isso ficou claro em dois episódios:
1. A entrada dos novos comandantes militares, mostrando a afirmação de um poder autônomo.
Quando Bolsonaro demitiu o Ministro da Defesa Fernando Azevedo, e o comandante das Forças Armadas, general Fernando Pujol – um militar irrepreensivelmente profissional – houve uma reação da corporação para impedir que fossem atropeladas regras de promoção interna.
Na fase inicial do governo Bolsonaro, quando a euforia pela vitória poderia permitir o aparcelamento do Alto Comando por Bolsonaro, aliás, Pujol teve papel central para impedir a ascensão de militares bolsonaristas ao comando de tropas.
Na sua sucessão, o Partido Militar saiu vitorioso, passando a impressão de que poderia se constituir em barreira para os abusos de Bolsonaro.
2. A Nota Oficial visando impedir o avanço da CPI da Covid, quando esta bateu no núcleo militar da vacina.
A promoção do Alto Comando manteve intacto o Poder Militar. No momento seguinte, reforçou a aliança com Bolsonaro, não como subordinado, mas como parceiro. E, com isso, jogou a imagem das Forças Armadas no pandemônio bolsonarista.
É curioso, aliás, ler supostos especialistas em Forças Armadas tentando reduzir o significado da tal Nota. Afinal, aderiram ao bolsonarismo apenas o Comandante da Força Aérea e o da Marinha – ou seja, 2/3 do Alto Comando. E o comandante do Exército não resistiu às palavras de ordem do general Braga Neto, hoje em dia o principal agente da deterioração da imagem das Forças Armadas.
Além disso, a proteção corporativa parece atender apenas os termos do pacto Partido Militar-Bolsonaro.
Por exemplo, o General Eugênio Pacelli Vieira Mota foi exonerado depois de criticado por Bolsonaro por editar portaria que aumentava o controle de armas pelo Exército. Sua decisão visava proteger os interesses das Forças Armadas, como detentoras do monopólio da força, impedindo uma liberação de armas que beneficiaria outros grupos armados. Foi degolado.
Por outro lado, envolvidos até a pescoço com as irregularidades do Ministério da Saúde – por adesão ou omissão – tanto o general Eduardo Pazuello quanto o coronel Élcio Franco foram poupados, mas não para atender os desejos de Bolsonaro. Pelo contrário, a tática óbvia de Bolsonaro – no caso da denúncia dos irmãos Miranda – é jogar a conta para Pazuello e seu vice, Élcio Franco.
Peça 3 – os velhos vícios do poder militar
A nota, e os movimentos políticos do Partido Militar, expõe, também, velhos e novos vícios do pensamento militar:
1. Blindagem aos mal-feitos da tropa.
No passado, enlamearam-se na blindagem ao porão. Agora, o Alto Comando calou-se frente a todas as suspeitas envolvendo militares – do tráfico de cocaína em aviões da FAB às suspeitas com vacinas.
Ao assumir papel político, as Forças Armadas se expõem ao chamado escrutínio público. Mas, expostos à críticas, recorrem à retórica da força.
Após a Nota oficial, a entrevista a O Globo do boquirroto comandante da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Jr, com ameaças explícitas ao poder político, mostra a lógica castrense. O twitter fixado em seu Twitter é a nota oficial do Alto Comando e o hastag #JuntosSomosMaisFortes.
O perfil de Baptista Jr mostra o estilo do partido militar: interferência no poder civil, proselitismo político e incapacidade de se submeter à crítica pública. E menções frequentes ao poder das armas. No caso dele, além disso, um deslumbramento ridículo, valendo-se do seu posto para autopromoção nas redes sociais.
Peça 4 – os novos vícios do Partido Militar
1. Falta de um projeto nacional.
Se a truculência é marca antiga, a marca nova do Partido Militar é a ausência total de projetos de país. Em outros momentos da história, o pensamento militar foi essencial para a industrialização do país. Havia, então, a competição com a Argentina – apoiada pela Inglaterra – estimulando a produção interna voltada para a indústria bélica. Tudo isso sob a ótica da segurança nacional.
Após a Segunda Guerra, o pensamento militar cindiu-se em duas frentes. Uma frente, nacionalista, teve papel essencial na criação da Petrobras. A outra, pró-Estados Unidos, devido à enorme influência do general Wernon Walthers junto à Sorbonne – o grupo de militares liderado intelectualmente por Golbery do Couto e Silva – com uma visão liberal da economia.
Hoje em dia, são meramente repetidores de slogans superficiais de mercado, padrão Globonews. Refletem a enorme carência de projetos que marcou o pensamento ultraliberal nas últimas décadas.
2. O fim da noção da segurança nacional
O ponto central do pensamento industrialista das Forças Armadas era a segurança nacional, exigindo autonomia na produção de produtos estratégicos. Esse projeto acabou. Hoje em dia, o desmonte de empresas estratégicas – como a Petrobras e a Eletrobras – está sendo conduzido por militares, em busca óbvia de aliança com o mercado. Na pandemia, todo o esforço consistiu em aumentar a produção de cloroquina. A lógica de país tornou-se meramente uma lógica de poder, a serviços dos interesses pessoais da corporação.
3. Subordinação total aos Estados Unidos e combate à China.
Não se viu uma manifestação dos militares em relação à venda (frustrada) da Embraer para a Boeing, mesmo sabendo que afetaria a produção militar da empresas. O desestímulo à indústria bélica aumentou a dependência dos Estados Unidos. Não há o menor senso estratégico das Forças Armadas de se beneficiar da competição entre as duas potências. São Estados Unidos e não se fala mais nisso.
4. Conservadorismo nos costumes e antipetismo radical
É possível algum arejamento nas novas gerações, mas a atual geração no poder continua presa à fantasia da guerra fria – agora no formato EUA x China. Acreditam piamente que o PT é um partido comunista que pretende tomar o poder, enfraquecendo o caráter da Nação com políticas identitárias.
Além dos interesses corporativos, o único fator de agregação das Forças Armadas é o tema moral – assim como os fundamentalistas evangélicos que seguem Bolsonaro.
Peça 5 – militarismo e golpe
Há várias diferenças em relação a 1964, e um conjunto de fatores indicando o não apoio a um golpe de Bolsonaro.
Em 1964 havia amplo apoio da classe média ao golpe militar. Hoje em dia, não.
Apoiar um golpe de Bolsonaro significaria entregar a um desvairado uma centralização de poder que enfraqueceria automaticamente a parceria autônoma. E o Poder Militar pretende sobreviver à hecatombe bolsonarista.
Por outro lado, à medida em que avança essa promiscuidade com o poder civil, mais aumentará o tom das críticas a militares e as medidas de contenção dessa infiltração indevida.
Qual será a reação? Manifestações de força, obviamente, mas, depois da condenação unânime com que foi recebida a última nota oficial, a tática será outra. É possível que o ativismo militar ganhe outras facetas. Em vez da retórica das notas, uso da repressão pontual violenta com o aumento das operações de Garantia da Lei e Ordem e o uso de interpretações arbitrárias da Lei de Segurança Nacional.
Todos esses riscos levarão a parte mais responsável das forças políticas econômicas a tentativas de contenção do dique aberto por Michel Temer, quando colocou militares no centro do poder federal.
O resultado final é uma incógnita absoluta.
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