Do
HuffPost Brasil
"A última pesquisa do instituto antes da votação do impeachment foi realizada em 9 de abril e apontava que 60% da população apoiava o impeachment de
Dilma Rousseff, enquanto 58% era favorável ao impeachment de Temer. Além disso, a sondagem indicou que 60% dos entrevistados desejavam a renúncia de Temer após o impeachment de Dilma, e 79% defendiam novas eleições após a saída de ambos".
Lembrando a ausência de pesquisas nos últimos meses - já após a chegada de Temer ao poder -, Greenwald sugere que a divulgação da nova pesquisa tem relação com a votação do afastamento definitivo de Dilma Rousseff, que deve acontecer no Senado logo após o final dos
Jogos Olímpicos.
"A iminência da votação do impeachment torna esse resultado (50% dos brasileiros desejam que Temer conclua o mandato de Dilma) extremamente significativo. Igualmente importante foi a afirmação da Folha de que apenas 4% disseram não querer nenhum dos dois presidentes, e somente 3% desejam a realização de novas eleições".
O Intercept compara a vontade de permanência de Temer com outras pesquisas: Temer tinha aprovação de 14% e 5% de intenções de votos para a presidência em 2018. O site lembra ainda outra pesquisa recente que mostrava que apenas um terço dos eleitores sabia o nome do presidente em exercício.
Por outro lado, a pesquisa mais recente do Datafolha registra uma queda vertiginosa no número de brasileiros que queriam uma nova eleição com o afastamento de Dilma - de 60% para 3%. Enquanto isso, a permanência de Temer saiu de 8% para 50%.
Com isso, conclui, o Intercept:
"Considerando todos esses dados, fica extremamente difícil compreender como a manchete principal da Folha – 50% dos entrevistados querem que Temer continue como presidente até o fim do mandato de Dilma – possa corresponder à realidade. Ela contradiz todos os dados conhecidos. A Folha é o maior jornal do país e o Datafolha é uma empresa de pesquisa de credibilidade considerável. Ambos foram categóricos em sua manchete e gráfico principal a respeito do resultado da pesquisa. Curiosamente, a Folha não publicou no artigo as perguntas realizadas, nem os dados de suporte, impossibilitando a verificação dos fatos que sustentam as afirmações do jornal".
Segundo Greenwald e Bau, a subida repentina de Temer seria explicada pela pergunta feita aos entrevistados para a pesquisa e a ausência de uma opção sobre a realização de novas eleições.
"Apenas 3% dos entrevistados disseram que desejavam a realização de novas eleições, e apenas 4% disseram que não queriam nem Temer nem Dilma como presidentes, porque nenhuma dessas opções de resposta encontrava-se disponível na pesquisa".

Pergunta feita na pesquisa divulgada no dia 9 de abril:
"Caso a presidente Dilma e o vice-presidente Michel Temer sejam cassados ou renunciem aos seus cargos seriam convocadas novas eleições presidenciais. Você é a favor ou contra a realização de eleição para presidente da República? "
Alex Cuadros, jornalista americano que morou muito tempo no Brasil, apontou as mesmas inconsistências na pesquisa Datafolha (clique no tweet para ampliar as imagens).
Outro lado
O HuffPost Brasil entrou em contato com a
seção de Ombudsman da Folha de S. Paulo, que não quis comentar os pontos levantados pelo The Intercept.
O diretor de pesquisas do Datafolha, Alessandro Janoni, limitou-se a responder por e-mail que a Folha produziria matéria sobre o tema.
Ele explicou que as respostas espontâneas foram levadas em consideração pelos pesquisadores para "detectar opções relevantes que não tenham sido mencionadas na questão estimulada".
O editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, explicou que a redação do jornal julga o que é mais relevante como notícia na hora em que a pesquisa Datafolha é publicada.
"O resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não nos pareceu especialmente noticioso, por praticamente repetir a tendência de pesquisa anterior e pela mudança no atual cenário político, em que essa possibilidade não é mais levada em conta", afirmou Dávila.