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sexta-feira, 21 de junho de 2019

A manipulação de Carmén Lúcia, por Jeferson Miola




Do DCM:

Sérgio Moro e Cármen Lúcia. Foto: Reprodução/Jeferson Miola
Publicado originalmente no blog do autor
POR JEFERSON MIOLA
Um dos primeiros atos – senão o primeiro ato – de Cármen Lúcia ao assumir a presidência da 2ª Turma do STF, na próxima 3ª feira, 25/6, será manipular a ordem de votação dos processos para adiar a decisão sobre a suspeição de Sérgio Moro na farsa judicial que condenou Lula.
Reportagem do Valor Econômico de 21/6 noticiou que “Agora, sob o comando de Cármen, o processo continua previsto para análise na 3ª feira, mas passou do 3º item da pauta para o último, numa lista de 12 ações”.
O jornal admite que “A inclusão de novas matérias por parte da ministra tem sido apontada como uma maneira de adiar a análise, já que pode não haver tempo na 3ª feira para analisar o HC de Lula”.
É reiterado o comportamento lesivo de Cármen Lúcia ao direito do Lula de acesso à justiça. Ela manipula as pautas do STF para impedir a análise colegiada das petições da defesa do ex-presidente.
Quando presidiu o Supremo, de set/2016 a set/2018, a ministra foi peça fundamental da engrenagem do regime de exceção e da conspiração liderada por Moro e Dallagnol que tinha como meta primordial atingir Lula.
Para assegurar a fiel consecução do itinerário planejado do golpe, o que exigia a prisão política do Lula e seu impedimento eleitoral, em diversas oportunidades Cármen Lúcia manipulou a pauta do STF para não permitir que o plenário declarasse inconstitucional a prisão antes de sentença condenatória transitada em julgado.
Na 3ª vez em que decidiu – de modo imperial e antirregimental – retirar da pauta do plenário do STF o julgamento do habeas corpus [junho de 2018], seu colega Marco Aurélio Mello, escandalizado com a postura inquisitorial dela, denunciou: “Estou aqui há 28 anos e nunca vi manipulação da pauta como esta” [aqui].
Com a manipulação que levará a efeito na 2ª Turma do STF, Cármen Lúcia perpetrará nova e inaceitável violência ao direito humano fundamental ao habeas corpus, instituto jurídico que no sistema judicial moderno e civilizado equivale ao socorro médico, de urgência urgentíssima, que deve ser assegurado a toda pessoa gravemente enferma.
A supressão desse direito humano fundamental do Lula é agravada pelo fato de se tratar de uma pessoa de 73 anos de idade que está encarcerada em prisão política e, portanto, ilegal.
Não chega a surpreender que Cármen Lúcia proceda dessa forma, mesmo diante das aterradoras provas que vieram à tona acerca da participação do Moro na conspiração com fins políticos para viabilizar o governo de extrema-direita que ele se empenhou materialmente em eleger e ao qual ele [ainda] serve como ministro.
Cármen Lúcia atua no STF como Moro agia na perseguição a Lula na Lava Jato. Assim como Moro, Cármen Lúcia não é uma juíza isenta, imparcial e independente, mas uma inquisidora que se permite, inclusive, estabelecer estratégias jurídicas para prejudicar o réu que terá de julgar.
Apesar da revelação das provas escabrosas que assombraram o mundo e que comprovam documentalmente a atuação criminosa do Moro e de agentes públicos que agiram como organização criminosa, como nomeou seu colega Gilmar Mendes, seria ingênuo esperar mudança de postura da Cármen Lúcia.
Afinal, um tigre não pode se “destigrar” – a oligarquia sempre arromba a Constituição, se necessário para manter seus interesses de classe.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Do El País e Folha de São Paulo: Empresários pensando em suas próprias vantagens contra povo financiaram disparos em massa pró-Bolsonaro no Whatsapp, fomentando a fraude eleitoral



Do El País:

A prática é considerada ilegal pelo Tribunal Superior Eleitoral (crime, portanto). Empresa espanhola foi contratada por brasileiros, afirma 'Folha de S.Paulo'

Bolsonaro no palácio do Planalto no dia 17 de junho.


Empresas brasileiras pagaram uma agência de marketing com sede na Espanha para fazer disparos de mensagens de Whatsapp a favor de Jair Bolsonaro, segundo uma reportagem da Folha de S.Paulodivulgada nesta terça-feira. Áudios obtidos pelo jornal com uma fonte mantida em sigilo mostram Luis Novoa, diretor da espanhola Enviawhatsapps, afirmar que “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” do Brasil financiaram a compra de um software produzido por ele para disparar mensagens em massa durante a campanha. Segundo a reportagem, não existem indícios de que Bolsonaro soubesse das ação, que podem configurar  crime eleitoral. Pela manhã, o presidente comentou o conteúdo da reportagem em um evento em Brasília. “Teve milhões de mensagens a favor da minha campanha e talvez alguns milhões contra também."
As informações publicadas pelo jornal nesta terça trazem novos elementos para uma suspeita trazida pelo jornal em agosto do ano passado, e que levaram a abertura de uma investigação no Tribunal Superior Eleitoral. Na ocasião, a Folharevelou que empresas brasileiras fecharam contratos de até 12 milhões de reaispara financiar disparos em massa no WhatsApp, a principal rede usada na campanha pelos bolsonaristas. Os destinatários eram usuários da base de dados da própria campanha de Bolsonaro ou de banco de dados vendidos por terceiros (esta segunda modalidade é proibida por lei). Um dos empresários suspeitos de compor o esquema, segundo o jornal, é Luciano Hang, dono da rede Havan. Existem indícios de que apoiadores do PT usaram o mesmo expediente no WhatsApp.
Novoa, dono da Enviawhatsapps, afirmou ao jornal que não tinha conhecimento da utilização irregular de seu aplicativo até que o Whatsapp suspendeu algumas das linhas de sua empresa. “Estávamos tendo muitíssimos cortes, fomos olhar os IPs [endereço de Internet], era tudo do Brasil, olhamos as campanhas, eram campanhas brasileiras”, disse o empresário no áudio. De acordo com o jornal, brasileiros compraram cerca de 40 licenças de software da agência espanhola, que, em conjunto,permitiam até 20.000 disparos de mensagens de campanha por hora nas últimas eleições. O jornal ainda aponta que a licença para um mês, segundo o site da Enviawhatsapps, custa 89 euros (386 reais), a anual custa 350 euros (1.518 reais), e o WhatsApp Business API, voltado especificamente a empresas, sai por 500 euros ao ano (2.169).
A mesma empresa espanhola foi responsável por campanhas de disparos em massa de WhatsApp na Espanha, diz a Folha. As contas dos partido de esquerda Podemos e PSOE acabaram suspensas pelo aplicativo, por violação das regras de uso, já que o WhatsApp não permite disparos em massa. O mesmo aconteceu no Brasil durante as presidenciais do ano passado.
A campanha de 2018 foi marcada pela disseminação de conteúdo falso nas redes sociais e em grupos de Whatsapp. O candidato derrotado Fernando Haddad (PT) acusou a equipe de Bolsonaro de estar por trás e de não coibir essas práticas. Em algumas mensagens o petista teve seu nome associado à pedofilia e a uma mamadeira com formato de pênis que, segundo o texto, teria sido enviada para creches durante a gestão de Haddad na prefeitura de São Paulo. Por sua vez, simpatizantes do PT espalharam notícias falsas afirmando que o programa Bolsa Família iria acabar caso o candidato do PSL fosse eleito. Inquéritos abertos para apurar irregularidades ainda não tiveram grandes avanços no TSE.
A relação de empresários com mensagens pró-Bolsonaro também já haviam sido apontadas pelo EL PAÍS Brasil em agosto de 2018. Hang, o dono da Havan que meses depois cometeria irregularidades financiando disparos em massa no Whatsapp, pagou para impulsionar mensagens favoráveis ao militar da reserva no Facebook. A prática é ilegal, uma vez que apenas representantes oficiais das campanhas podem contratar impulsionamento de conteúdo eleitoral nas redes. De acordo com o TSE isso seria “terceirização da propaganda”, algo vedado pela nova legislação eleitoral. Após a reportagem, o Tribunal ordenou que Hang removesse o conteúdo de suas páginas, depois que o vídeo postado pelo empresário já tinha alcançado mais de um milhão de pessoas.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Algumas considerações sobre o dossiê do The Intercept sobre a Lava Jato, por Luís Nassif




 "A denúncia de Moro, dias antes da publicação do Intercept, inclusive levantando argumentos de “segurança nacional”, pareceu muito mais uma jogada desesperada para ligar o caso a hackers e impedir sua publicação. Evidentemente que o autor de um vazamento ilegal da conversa de uma presidente da República não teria como invocar argumentos contra o vazamento atual. Por isso a lógica da “segurança nacional” não colou."




POSTED BY LEANDRO FORTES ON MONDAY, JUNE 10, 2019

  1. É bastante provável que a denúncia de Sérgio Moro, de invasão recente de seu celular por hackers, tenha sido uma armação dele próprio.
Há cerca de duas semanas, o repórter Marcelo Auler já tinha ouvido boatos sobre um mega vazamento dos celulares dos membros da Lava Jato. Os boatos falavam de pânico nas hostes da operaçao. A denúncia de Moro, dias antes da publicação do Intercept, inclusive levantando argumentos de “segurança nacional”, pareceu muito mais uma jogada desesperada para ligar o caso a hackers e impedir sua publicação. Evidentemente que o autor de um vazamento ilegal da conversa de uma presidente da República não teria como invocar argumentos contra o vazamento atual. Por isso a lógica da “segurança nacional” não colou.
  1. Instâncias superiores
O material expõe apenas o conteúdo das conversas em grupo.  Chama atenção, no entanto, um diálogo informal entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, sugerindo que o dossiê traz também conversas entre duas pessoas.
Então há possibilidade de se chegar a instâncias superiores que participavam do jogo – dos desembargadores do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), o Ministro Felix Fischer, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e algum Ministro do Supremo Tribunal Federal, em articulações individuais.
Aí se chegaria às armações para impedir o habeas corpus que tiraria Lula da cadeia, as jogadas processuais do TRF4, garantindo a unanimidade nos julgamentos, e até os acertos entre o ainda juiz Sérgio Moro e o grupo de Bolsonaro.
  1. As delações premiadas

Outro capítulo cabeludo foram os acertos em torno do milionário mercado das delações premiadas. Uma bomba seria a reconstituição das conversas sobre as tratativas dos procuradores de buscar acordo com Tacla Duran, intermediadas pelo primeiro amigo de Sérgio Moro, Carlos Zucolotto. Ou as conversas envolvendo o advogado Marlus Arns, de estreitas relações com Rosângela Moro, que herdou as ações de Beatriz Cattapreta.
  1. As jogadas políticas
Há uma série de episódio óbvios: a manobra para impedir que Lula fosse solto por um HC; o vazamento do vídeo de Antonio Palocci na véspera das eleições; os acertos entre Moro e Bolsonaro para assumir o Ministério. E há a capa da Veja, publicada na véspera das eleições de 2014, que quase inverte o resultado.
  1. O contra-ataque
Nos próximos dias, a estratégia dos aliados de Sérgio Moro – incluindo Globo e Estadao – será insistir na apuração do autor dos vazamentos. É quase certo que tentem incluir as investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) nas suspeitas.
É por aí que tentarão construir a contra-narrativa, para reduzir os impactos das revelações do The Intercept.
De qualquer modo, sobram duas dúvidas. A primeira, sobre como o sistema de Jutiça irá tratar de um caso exposto tão amplamente, de manipulação de investigações. A segunda, se Moro ainda é considerado servível pelo sistema.
Provavelmente, o que restará dele serão as lembranças de um personagem provinciano, alçado ao topo do mundo, mas que jamais passou de um mero instrumento de manipulação política, que se usa, se joga fora.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

1º de abril: relembre nove fake news de Bolsonaro com seus zumbis e financiado pelo caixa 2 de empresários que marcaram o cenário político do Brasil


  "As eleições presidenciais de 2018 foram marcadas pelas chamadas fake news, a disseminação de notícias falsas, que causaram muita confusão nos eleitores e influenciaram o resultado do pleito. Ainda em outubro, a Folha de S.Paulo denunciou a existência de um esquema milionário e ilegal de financiamento de fake news por empresas apoiadoras da campanha de Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência pelo PSL."

Do DCM:




Bolsonaro e sua cartilha do kit gay: fake news


Publicado originalmente no Brasil de Fato
POR CRIS RODRIGUES
As eleições presidenciais de 2018 foram marcadas pelas chamadas fake news, a disseminação de notícias falsas, que causaram muita confusão nos eleitores e influenciaram o resultado do pleito. Ainda em outubro, a Folha de S.Paulo denunciou a existência de um esquema milionário e ilegal de financiamento de fake news por empresas apoiadoras da campanha de Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência pelo PSL.
No Dia da Mentira, para lembrar da importância de se checar sempre a fonte da informação para não compartilhar notícias falsas, separamos algumas das fake news que mais repercutiram em 2018.
  1. Kit gay e livro exibido por Bolsonaro no Jornal Nacional
Uma das fake news mais disseminadas em 2018 já circulava pelas redes sociais quando foi reforçada por Jair Bolsonaro. O então candidato a presidente pelo PSL mostrou o livro “Aparelho Sexual e Cia” em entrevista ao Jornal Nacional, em 28 de agosto de 2018, afirmando que ele faria parte de um “kit gay” distribuído a escolas durante os governos petistas.
O livro nunca foi distribuído nas escolas e o kit gay não existia, mas o estrago foi feito.
  1. Mamadeira de piroca
Um vídeo mostrando uma mamadeira com bico em formato de pênis foi publicado em páginas e grupos das redes sociais. Junto com ele, estava a informação de que o objeto teria sido distribuído nas escolas e creches de São Paulo por determinação do ex-prefeito Fernando Haddad, então candidato a presidente da República. A mamadeira mostrada no filme é, na verdade, um brinquedo erótico vendido em sex shops.
  1. Jean Wyllys: ministro de Haddad
Uma das fake news com maior número de compartilhamentos era uma montagem de uma matéria do G1 afirmando que Haddad teria convidado Jean Wyllys para ser seu ministro da Educação. A matéria não existia e o convite não tinha sido feito.
  1. Frase de Haddad sobre decisão do Estado sobre crianças
Uma frase atribuída a Haddad afirmando que ao completar cinco anos a criança passa a ser propriedade do Estado e que cabe a ele a decisão sobre se ela será menino ou menina foi amplamente compartilhada durante o processo eleitoral. A frase era falsa.
  1. Agressão de Ciro Gomes a Patrícia Pillar
A atriz Patrícia Pillar teve que gravar um vídeo para desmentir a afirmação falsa que circulava nas redes sociais, em uma montagem com sua foto, de que o então candidato a presidente e seu ex-marido, Ciro Gomes, a agredia.

  1. Marielle Franco ligada a facção criminosa
Nem a memória da vereadora assassinada Marielle Franco foi respeitada em 2018. A informação de que ela teria vínculo com uma facção criminosa e seria casada com um narcotraficante circulou como forma de deslegitimar sua luta e enfraquecer as reivindicações pela busca aos seus assassinos. O deputado federal Alberto Fraga reproduziu a fake news em sua conta no Twitter e em seguida apagou o tweet.
  1. Manuela D’Ávila com a camiseta “Jesus é Travesti”
Na onda das imagens adulteradas, a então candidata a vice-presidenta Manuela D’Ávila foi uma das maiores vítimas. Ganhou força nas redes sociais uma foto em que ela usava uma camiseta com a frase “Jesus é travesti”. A imagem original era com a frase “Rebele-se”. Também circulou uma foto adulterada em que ela aparecia com olheiras e tatuagens falsas. Manuela desmentiu as duas.
  1. Aposentadoria de Bolsonaro por insanidade
A lei determina que, ao assumir um cargo eletivo, o militar seja transferido para a reserva, o que aconteceu com Bolsonaro em 1988, quando foi eleito vereador. Mas em 2018 circulou nas redes uma versão diferente: ele teria se aposentado do Exército por insanidade mental aos 33 anos. O Exército desmentiu a fake news.
  1. Obras de Fátima Bernardes na casa do homem que esfaqueou Bolsonaro
Circulou no Facebook a informação de que o programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo, teria reformado a casa de Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro durante a campanha à Presidência da República. A reforma não aconteceu e não foi exibida no programa, como dizia a fake news. A apresentadora publicou um vídeo em suas redes sociais desmentindo a notícia.

  1. Senhora agredida por ser eleitora de Bolsonaro
Circulou uma foto de uma senhora com o rosto inchado como se estivesse cheio de hematomas e a informação de que ela teria sido agredida por ser eleitora de Bolsonaro. A imagem, na verdade, era da atriz Beatriz Segall após ter sofrido um acidente alguns anos antes. A atriz morreu em setembro de 2018.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Interesses dos ricos, Steve Bannon, neofascismo e a implosão inevitável do governo, por Paulo Ghiraldelli


   "Como a imensa maioria das pessoas hoje pensa que falar em ameaça comunista é um anacronismo, visto que, depois da queda do muro de Berlim e da abertura econômica da China (que se tornou um paraíso capitalista), a alta finança parece não encontrar mais nenhuma fronteira, aproveito, então, esse gancho nas minhas conversas para sublinhar que, realmente, o que assistimos hoje é a uma guerra que foi profetizada há mais de um século por um grande pensador francês, Charles Maurras, que disse em L’Avenir de l’intelligence” (1905) que no futuro os intelectuais prostituiriam suas inteligências para a plutocracia e haveria uma verdadeira guerra entre dois sistemas capitalistas: um capitalismo conservador, enraizado nas tradições nacionais, e um capitalismo revolucionário que combateria encarniçadamente as tradições nacionais para alcançar a sua meta: abolir todos os obstáculos contra o império do dinheiro." Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Importantíssimo vídeo-análise seguida do texto do Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa. 

Do Canal de Paulo Ghiraldelli:

Charles Maurras e Jair Bolsonaro

Postado em 30-08-2018
Tenho-me me empenhado, com toda franqueza, em ajudar os católicos a tomar consciência da importância e da gravidade das próximas eleições. E estou satisfeito observando que muitos católicos começam a perceber que a coisa mais importante em jogo no pleito de outubro não é tanto a escolha de um presidente que seja um doutor em economia ou finanças públicas quanto a escolha de um homem que tenha um compromisso real com a defesa dos valores fundamentais da nação: a defesa da vida, a salvaguarda da instituição natural da família (alicerçada na união entre um homem e uma mulher), o respeito à tradição religiosa povo da Terra de Santa Cruz, bem como a segurança do direito de propriedade e de livre iniciativa econômica.
Como a imensa maioria das pessoas hoje pensa que falar em ameaça comunista é um anacronismo, visto que, depois da queda do muro de Berlim e da abertura econômica da China (que se tornou um paraíso capitalista), a alta finança parece não encontrar mais nenhuma fronteira, aproveito, então, esse gancho nas minhas conversas para sublinhar que, realmente, o que assistimos hoje é a uma guerra que foi profetizada há mais de um século por um grande pensador francês, Charles Maurras, que disse em L’Avenir de l’intelligence” (1905) que no futuro os intelectuais prostituiriam suas inteligências para a plutocracia e haveria uma verdadeira guerra entre dois sistemas capitalistas: um capitalismo conservador, enraizado nas tradições nacionais, e um capitalismo revolucionário que combateria encarniçadamente as tradições nacionais para alcançar a sua meta: abolir todos os obstáculos contra o império do dinheiro.
Procuro, então, em minhas conversas mostrar a realidade brasileira à luz da análise profética de Charles Maurras. Tenho dito aos meus amigos, e a todos que me pedem minha opinião, que nosso perigo não é apenas a eleição de um socialista estúpido que algemaria qualquer brasileiro empreendedor e condenaria toda a nossa sociedade a mais negra miséria, mas sobretudo a eleição de um  dos candidatos que se dizem liberais em economia e descomprometidos com a defesa dos valores morais da nação brasileira. E importa nomeá-los: Sr. Alckmin e Sr. Amoedo.
Importa, também, provar o que digo: A Sra. Elena Landau, até há pouco tempo, conceituada economista do PSDB, declarou sua preocupação com uma possível eleição do Sr. Jair Messias Bolsonaro. Por que essa preocupação senão porque a ilustre senhora, que se diz liberal em economia e costumes, cumpre perfeitamente o que disse Charles Maurras há mais de cem anos: os intelectuais se prostituiriam para a plutocracia que execra a tradição, a família e a religião porque quer levar a humanidade ao culto pagão do Bezerro de Ouro?
Digo também a todos meus amigos que hoje assistimos à organização de um poder político mundial anticristão, de modo que é absolutamente necessário que tenhamos um presidente da República a altura e  tenha a coragem de opor-se a essa conjuração anticristã mundial, a qual não se contenta mais com a laicidade do estado, mas quer que o estado seja abertamente ateu e a religiosidade seja confinada ao ambiente doméstico e mal tolerada.
Esforço-me, igualmente, por fazer compreender a todos que qualquer discurso democrático, qualquer apologia da democracia, não passa de um sofisma.
Com efeito, quem crê no indivíduo soberano, no indivíduo rei, quem crê no cidadão consciente e responsável pelos destinos da nação em uma sociedade completamente inorgânica, onde todas as instituições intermediárias foram dissolvidas ou açambarcadas pelo “Estado Democrático de Direito” ou é um idiota incurável ou age de má fé visando a interesses mesquinhos inconfessáveis.
Aqui também é necessário apresentar prova do que digo: a maior prova de que o Estado Democrático de Direito é um regime totalitário que estrangulou a instituição da família em todo o Ocidente ex-cristão é o que se viu há poucos meses no Reino Unido, com o assassínio do menino Alfie  Evans contra a vontade de seus pais.
No “Estado Democrático de Direito” não há sociedade organizada a partir da instituição da família, a partir dos grupos naturais; há apenas indivíduos aliciados pelas organizações criminosas, os partidos políticos, muitos dos quais comandados pelo narcotráfico ou pelas seitas que vivem da exploração da ignorância religiosa da população.
Em meio a este quadro apocalíptico da política nacional e internacional surge para nós brasileiros uma esperança, a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República, a despeito de todos os senões que ele e seu candidato a vice-presidente possam ter.
O fato é que Bolsonaro assumiu um compromisso com os brasileiros de fazer respeitar os chamados princípios inegociáveis. Com ele na Presidência da República teremos a garantia de que o direito da família cristã educar os seus filhos segundo a Lei de Deus será respeitado. O “Estado Democrático de Direito”, ou melhor a democracia totalitária não invadirá arbitrariamente o santuário da família, como diz Leão XIII na Rerum Novarum, para, em nome dos princípios revolucionários da ONU, impor à nossas crianças a sórdida ideologia do gênero nem a masculinização das nossas mocinhas nem a efeminização dos nossos rapazes.
Com Bolsonaro na Presidência da República teremos a oportunidade de fazer também uma ampla reforma da universidade brasileira, acabando de vez com esse antro de corrupção ideológica que tem sido a universidade em nosso país, para criar verdadeiros institutos de investigação científica e de promoção da verdadeira educação intelectual do povo brasileiro.
Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, nos alcance uma grande graça no dia 7 de outubro próximo quando a honraremos sob o título de Rainha da Vitória!
Anápolis, 30 de agosto de 2018.
Festa de Santa Rosa de Lima, Patrona secundária da América.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Plano de Steve Bannon (que, través de Fake News e outras manipulações conseguiu eleger fantoches do Grande Capital e extrema direita como Trump e Bolsonaro) para "unificar a direita" europeia soa como interferência ilegal nas eleições, diz The Guardian



  "Steve Bannon, o empresário que ajudou a eleger Donald Trump e deu conselhos sobre campanha em mídias digitais aos filhos de Jair Bolsonaro, pretende eleger mais políticos de extrema direita na Europa e unificar lideranças e partidos no que ele tem chamado de "Movimento"."




Do Jornal GGN e do The Guardian (com vídeo):






Jornal GGN - Steve Bannon, o empresário que ajudou a eleger Donald Trump e deu conselhos sobre campanha em mídias digitais aos filhos de Jair Bolsonaro, pretende eleger mais políticos de extrema direita na Europa e unificar lideranças e partidos no que ele tem chamado de "Movimento". É o que mostra o documentário produzido pela equipe de reportagem do jornal The Guardian, divulgado nesta quarta (21) no Youtube.
O Guardian afirma que "populistas de direita estão em ascensão em toda a Europa" e com a proximidade das eleições parlamentares européias, as articulações de Bannon em alguns dos países se intensificaram nos últimos meses, exatamente após ele deixar a Casa Branca e abandonar o site Breitbart News.
O problema é que, na maioria dos Países em que Bannon pretende entrar, existem leis que proibem qualquer tipo de intervenção (seja doação em dinheiro, serviço prestado ou cooperação técnica) de estrangeiros em favor de candidatos nas eleições. The Guardian diz que as ações de Bannon "desafiam" a legalidade. 
Bannon disse que não feriu a lei nos Estados Unidos quando ajudou na eleição de Trump e respeitaria, da mesma maneira, a legislação eleitoral de países europeus.
Hoje, o empresário é alvo de reportagens polêmicas que indicam que houve uso irregular de dados do Facebook, captados por sua empresa, a Cambridge Analytica, para promover Trump nas redes sociais. Além disso, Bannon tinha participação no site especializado em espalhar fake news contra os adversários políticos do hoje presidente dos EUA.
SOBRE O "MOVIMENTO"
O Movimento foi definido pelo Guardian no documentário como a operação de uma "máquina de campanha para impulsionar a extrema direita na Europa". A ideia de Bannon é "muito simples": "unificar os movimentos patrióticos de direita na Europa".
O diretor administrativo do Movimento é o político belga Mischael Modrikamen. Ele disse à reportagem que o Movimento fará oposição em nível internacional às "forças globalistas".
"Eu acredito que esta será a linha divisória da política ocidental pelos próximos, 10, 20, 30 anos. De um lado, a abordagem globalista no estilo Macron, Merkel, Obama, e da ONU. Do outro lado, os soberanos, Salvini, Orban, Trump e basicamente o nosso Movimento."
Uma agenda em comum entre os líderes de extrema direita que aparecem no documentário como objetos de desejo de Bannon é a de frear a imigração islâmica para a Europa.
Mas há políticos falando em preservar a "identidade europeia" e valorizar os "valores cristãos, brancos e ocidentais". Quando a reportagem faz questões sobre neofacismo, neonazismo, racismo, perseguição de ordem religiosa, estes políticos demonstram desconforto, contrariedade ou abandonam a entrevista.
Guardian dá a entender que, atualmente, Salvini, líder da Liga de extrema-direita da Itália, é o principal ativo do Movimento de Bannon.
Salvini chegou ao poder com uma aliança de direita com a líder do partido Irmãos da Itália, Giorgia Meloni. Bannon foi gravado dizendo que o Irmãos da Itália "costumava ser um partido fascista e agora é neo (fascista)". Na frente de Meloni, Bannon negou que tenha associado o partido ao neofascismo.
Bannon estaria oferecendo aos partidos de direita e extrema direita ajuda com "pesquisas, análises de dados, mídias sociais, criação de "salas de guerra" para campanha eleitorais, mas isso, segundo o Guardian, "é ilegal na maioria dos países da Europa" sondados pelo empresário. De 9 países onde há ativos de interesse de Bannon, sete têm leis restritivas sobre a participação de estrangeiros na eleição e há discussão nesse sentido na Itália, onde o Movimento tem tido mais visibilidade com Salvini e Meloni.
O jornal também coloca em dúvida as intenções de Bannon, um americano, em interferir nas eleições europeis. Como isso pode ser diferente da Rússia ou da China interferindo nos Estados Unidos?
Bannon respondeu: "Eu estou fazendo isso como um populista, não como alguém associado à Casa Branca." Foi lembrado, na sequência, de que até pouco tempo atrás ele tinha um cargo junto a Trump.
POPULISMO ESTRATÉGICO
Na abertura do documentário, o editor associado do The Guardian Paul Lewis diz a Bannon que entende seu discurso como típico de um populista e avalia que o empresário adotou essa postura por "estratégia". "Você é eficaz em usar esse tipo discurso porque você entende que ele tem um poder."
"E qual o poder nisso?", responde Bannon.
"Eu acho que o poder disso vem do fato de que chegamos a um ponto na história em que a frustração das pessoas nas elites são justificadas."
Ao final, Lewis confronta Bannon. O repórter questiona se o empresário está tentando surfar no crescimento de uma "maré, não um tsunami, de direita que existe na Europa", passando a impressão de que essa onda foi criada com sua ajuda - como no caso de Trump. 
A reportagem destaca que Bannon tem tido dificuldade para costurar alianças na Europa e, em paralelo, intensificou suas aparições na imprensa e em agendas públicas, passando a impressão de que está buscando holofotes.
Recentemente, ele deu uma entrevista para a BBC, admitindo que deu conselhos à campanha de Bolsonaro. Questionado se iria convidar o presidente eleito no Brasil para fazer parte do Movimento, Bannon respondeu que Bolsonaro estará muito ocupado, nos próximos anos, governando. Mas que ofereceria ajuda quando necessário.
Leia reportagem no The Guardian.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Luis Nassif explica porque a "grande" imprensa perdeu para as fakenews




A mídia ganhou nos últimos anos um poder de manipulação que consequentemente matou sua capacidade de mediação



Jornal GGNO País tem assistido a uma disputa de narrativas que é uma das coisas mais nonsense de sua história. Veja o episódio da saída dos médicos cubanos.
Bolsonaro queria mudar pagamento ao governo cubano e impôr a revalidação do diploma, um conjunto de exigências que acabaria com o programa Mais Médicos.
 
Hoje, com Cuba anunciando sua retirada da parceria, Bolsonaro diz a seus seguidores que libertou os médicos da escravidão e os devolveu a seus familiares. Mas como deputado, Bolsonaro tentou proibir, por exemplo, a vinda dessas mesmas famílias ao Brasil.
 
É um caso que mostra que estamos lidando com um mentiroso clássico, que foi eleito presidente da República.
 
De um lado teríamos o pessoal do Bolsonaro dizendo que os cubanos foram libertados e, de outro, aqueles que dizem que a saída dos cubanos, com todos os reflexos sobre 600 municípios que ficarão sem médico, é culpa das declarações do presidente eleito.
 
Quem que faz a mediação da opinião pública? Deveria ser a mídia, os chamados jornais da grande mídia, aqueles que definem a opinião. Mas você não tem mais essa imprensa aqui.
 
Desde o impeachment Collor há um jornalismo de guerra que consiste em sempre dar as versões que interessavam, que dão manchete mesmo em cima de avaliações erradas e sensacionalistas. O importante é ter volume de leitura.
 
De 2005 para cá, quando Roberto Civita montou a cartelização da mídia e implementou defitivamente o jornalismo de guerra, qualquer história de mediação veio por água abaixo.
 
No jornalismo de guerra, o que importa é ganhar a narrativa considerando alguns interesses, como o do mercado.
 
Há inúmeros exemplos de narrativas erradas que ganham a opinião pública nos últimos anos. A história que Bolsonaro repete, de que há um número gigante de estatais e por isso tudo deve ser privatizado, é uma delas. Que a Petrobras foi quebrada pela corrupção, é outra narrativa manipulada. 
 
O que levou a uma redução de valor da Petrobras foi a queda do preço do barril de petróleo no ambiente internacional. Os ajustes contábeis decorrentes desse fato foram todos tratados pela imprensa meramente como valor da corrupção.
 
Há décadas, diariamente, a mídia viciou o organismo da opinião pública em toda sorte de manipulação. E soma-se a isso a arrogância que acompanhou a imprensa desde o impeachment do Collor, como se ela fosse o poder maior. Tudo isso matou a capacidade de mediação da mídia. 
 
Então, agora, quando chega um novo governo com um chanceler que fala os absurdos que fala, com os filhos do presidente e outros membros do núcleo duro moldando discursos com base numa visão religiosa fundamentalista, sem conhecimento técnico e científico sobre vários assuntos, prevalecem as mentiras deslavadas, como essa do Mais Médicos, porque a mídia já não consegue fazer a mediação.
 
A mídia ganhou nos últimos anos um poder de manipulação que consequentemente matou sua capacidade de mediação.
 
A queda na qualidade jornalística comprometeu a  informação, que é fundamental dentro de um ambiente democrático e de mercado. Através da informação é que se forma a opinião, e através da opinião você forma os pactos jurídicos, políticos, constitucionais, e dali derivam as leis.
 
O que aconteceu foi que o desmonte da credibilidade da informação se deu ainda no período de predomínio da mídia, e agora as redes sociais bagunçam mais ainda a guerra de narrativas. Não adianta mais a imprensa dizer que a culpa dos Mais Médicos é do Bolsonaro porque o pessoal vai acreditar no que ele diz nas redes.
 
O grande problema, acima de tudo, são os filtros, a falta de canais de controle. Trump tem seus canais de controle dentro do próprio governo. É o que está impedindo que as maluquices dele tenham consequencias maiores. Lá, por trás de tudo, você tem uma mídia de opinião que faz a cabeça dos técnicos que seguram os abusos. Fazem a cabeça gerando debate na imprensa a partir de várias opiniões técnicas. Isso não tem no Brasil. O que a mídia criou dentro das corporações públicas, nesse período, foi uma militância antipetista que se sobrepôs ao debate técnico e aos mecanismos de controle.
 
Não importa mais se a consequência é que vamos deixar milhões sem médicos. O que importa é que vamos tirar esses comunistas daqui. Vence o discurso que não se submeteu à mediação.
 
O padrão de mediação da mídia, em relação a qualquer governo, deveria ser o de elogiar o que tem de ser elogiado, e criticar o que tem de ser criticado, para que o leitor entenda o peso. Mas esse padrão não foi estabelecido.
 
Hoje temos um País em que todas as barbaridades, no plano das discussões das ideias, ganham força. Tudo vira guerra de narrativas.
 
Infelizmente a imprensa tenta agora de algum modo recuperar a credibilidade perdida, mas foram muitos anos de demonstração de poder, de usar a influência midiática para promover badernas e derrubar presidentes, e hoje o mercado de opinião está a mercê de qualquer cultivador de teorias de disco voador.
 
Assista o vídeo comentário de Luis Nassif, na íntegra, abaixo.