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domingo, 15 de novembro de 2020

Ultracapitalismo sem Bolsonaro — o plano de poder da Globo, por Maurício Abdalla

 

Alinhada à agenda neoliberal de Guedes, emissora não deseja o impeachment — aliás, até blinda o governo de ataques. Estratégia é criticar apenas a pessoa do presidente — e, assim, destruí-lo até o pleito de 2022, enquanto projeta Huck ou Moro

Por Maurício Abdalla | Imagem: Aroeira

É claro e visível que Rede Globo assumiu uma linha editorial de oposição a Jair Bolsonaro. Ilude-se, porém, quem pensa que se trata de uma oposição ao “Governo”, como foi com relação aos governos do PT.

O núcleo do governo real está nas mãos do Ministro da Economia Paulo Guedes. Todas suas medidas e propostas agradam as grandes empresas privadas (como a Globo), os banqueiros e outros setores do capital que, além de comporem a mesma classe social dos proprietários das Organizações Globo, são seus patrocinadores e sócios em diversos outros negócios em que o grupo Marinho também investe seu capital.

Por isso, todos os ataques da Globo são à pessoa do presidente (que, a propósito, ela ajudou a eleger) e à sua família, mas não desestabilizam o Governo a ponto de criar as condições para um impeachment. Sua intenção é destruir a imagem pessoal de Jair Bolsonaro, dificultando sua reeleição em 2022, a fim de emplacar um candidato que o substitua e seja mais de seu agrado, como Moro, Luciano Huck ou mesmo João Dória.

Se a Rede Globo, como potência comunicacional e econômica, quisesse realmente fazer oposição ao Governo e criar as condições para sua queda, usaria as armas que bem sabe usar e das quais lançou mão, sem nenhum limite, para criar o contexto que resultou no Golpe de 2016.

Por exemplo, os veículos de comunicação da Globo poderiam fazer matérias que transformassem as entregas dos diversos pedidos de impeachment de várias entidades a Rodrigo Maia em eventos merecedores de primeiras páginas em jornais e destaques nas rádios e telejornais. Poderiam transmitir esses eventos ao vivo, com tom de gravidade na fala dos narradores e comentaristas, induzindo a opinião pública a pressionar seus deputados e o Congresso para que os pedidos fossem colocados em pauta.

Também seria possível para ela relacionar os absurdos ditos e feitos pelo presidente à situação de instabilidade política e econômica do país, e não apenas atribuí-los a um delírio pessoal do chefe do Executivo. Adicionalmente, poderia concentrar sua cobertura política na responsabilidade do Congresso Nacional e do STF, que permitem a continuidade da barbárie que esse Governo representa, embora tenham o poder e a obrigação de agir como Poderes independentes que fiscalizam e limitam o Executivo dentro do ordenamento jurídico constituído.

A cobertura jornalística dos veículos das Organizações Globo poderia vincular os casos de corrupção e envolvimento com milícias da família e aliados do presidente aos partidos que sustentam o Governo no Congresso Nacional. Em nenhum momento foi explorado ou comentado, por exemplo, o fato de que o senador Chico Rodrigues, do episódio do dinheiro na cueca, além de ser vice-líder do Governo e amigo íntimo da família de Bolsonaro, era do DEM, mesmo partido do presidente da Câmara dos Deputados Federais Rodrigo Maia.

Além disso, seria fácil para a empresa articular com seu grupo social e econômico eventos de protesto e criar na opinião pública a ideia de insustentabilidade política do Governo, dando voz aos grupos de oposição – mesmo àqueles sem representatividade, como eram os “movimentos” criados do nada a partir de 2013 e que, depois, conseguiram até eleger parlamentares em vários níveis da Federação com quantidades expressivas de votos.

A indução da opinião pública (que a Globo sabe fazer com profissionalismo e competência inigualáveis) se refletiria nas redes sociais e o movimento pelo impeachment ganharia amplificação e vida própria. Todo esse clima chegaria aos deputados, que teriam vergonha ou preocupação com seu futuro político caso revelassem publicamente seu apoio ao Governo Bolsonaro.

As condições para um impeachment estariam criadas. Erradamente, diga-se de passagem, pois, no presidencialismo e pela Constituição brasileira, a destituição do chefe de governo não deve depender da vontade do parlamento – e nem sequer da população. A condição necessária e suficiente para isso deveria ser o cometimento de crime de responsabilidade, coisa que este Governo faz de sobra e que Dilma não fez, embora tenha perdido o cargo.

Mas, de qualquer forma, se as Organizações Globo estivessem mesmo preocupadas com a perpetuação da barbárie que Bolsonaro representa – e que seus jornalistas e comentaristas têm criticado insistentemente –, saberia como agir, pois já fez isso, sem nenhum escrúpulo, com os governos petistas. E o resultado foi a eleição da figura abjeta cuja imagem a empresa tenta, hoje, destruir.

Portanto, mesmo que libere seus jornalistas para denunciar as aberrações políticas da pessoa de Jair Bolsonaro e aparente estar do lado dos valores civilizatórios básicos que mantêm o tecido social – ainda que seja o da sociedade injusta, desigual e excludente que emerge do capitalismo –, a Rede Globo continua cúmplice da barbárie e do irracionalismo político. E mostra não se importar em tolerar esse Governo até que um próximo candidato que caia em suas graças possa se apresentar como alternativa viável para 2022.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O bem do Brasil e o impacto para os brasileiros que se danem: o que importa, para o Quarto Poder da mídia e suas famílias empresariais, patrocinadas pela Casa Grande, é liquidar com o PT




"O Poder no país está principalmente com a mídia, dominada por  meia dúzia de famílias. Ela pauta ações e discussões nos outros poderes. O objetivo, cansativamente perseguido nos dias atuais é fazer a esquerda voltar para seu cantinho, deixar de lado seus projetos. Dilma, Lula e o PT, como alvos, devem servir de exemplo." - Percival Maricato

O Brasil que se dane: importa é liquidar com o PT, por Percival Maricto







O Poder no país está principalmente com a mídia, dominada por meia dúzia de famílias. Ela pauta ações e discussões nos outros poderes.

O objetivo, cansativamente perseguido nos dias atuais é fazer a esquerda voltar para seu cantinho, deixar de lado seus projetos. Dilma, Lula e o PT, como alvos, devem servir de exemplo. Mesmo que tivessem cometido os atos de que são acusados, os ataques são desproporcionais. Nas primeiras páginas de jornais impressos ou manchetes nos de TV, não se cuida de mais nada. O recado serve também para quem se envolveu com o partido, achando que seria como fazer o que sempre foi feito com os demais.

Enquanto o juiz Moro, PGR e PF atacam por um lado, com ou sem razão, pouco importa para os fins deste artigo, os fisiológicos atacam por outro, Eduardo Cunha e cúmplices à frente, estes com nítida intenções abjetas, visivelmente liberados para fazer seu trabalho declaradamente irresponsável.

Nos últimos atos, além de colocar em pauta um projeto de lei que praticamente equipara remuneração de delegados da polícia federal e advogados da União ao de Ministros do STF, também apontou os responsáveis pelas CPI dos fundos de pensão e BNDES, desde a gestão Lula: todos ferrenhos opositores do governo, que seu partido ajudou a eleger e participa com a vice presidência e seis ministros.

Quanto a equiparação de salários, sem mensurar impactos econômicos, é mais um ato insano e rancoroso. Em nenhum momento Cunha e asseclas discutem a repercussão econômica, o problema de estarem deflagrando um processo que, pelo efeito dominó, pode afetar estados e municípios. Favorecendo os delegados talvez pensem em se livrar do Lava Jato. E se neste caso, se em vez de vetar como tantos outros projetos irresponsáveis, Dilma o sancionar, por também pensar a mesma coisa? Será que a mídia assumirá sua responsabilidade, pela conivência, omissão?

E quanto ao restante da pauta-bomba. É o país ou apenas Dilma e o PT que estão ameaçados?

Toda a conduta do grupo de Cunha, cujos atos e nomes a mídia evita denunciar, não é, como tentou explicar, por que o PT o teria colocado no Lava Jatos. Ele sabe que o PT não tem esse poder; e como bom fisiológico, sempre conviveu com esquerda ou direita, contanto que seus interesses pessoais fossem atendidos. Sua conduta visa agradar os sempre detentores do poder. Obviamente para ver se logra sobreviver.

Até agora a estratégia deu certo, graças ao fato do processo do Lava Jato permanecer em Curitiba. Teria que ser enviado ao STF, quiçá ser desmembrado, para que Cunha respondesse as acusações contra ele. O presidente da Câmara corre então com projetos e atos que podem levar ao impeachment da Presidente. E até o fim deste, parece que nada lhe acontecerá. Não alcançado o impeachment, sobram as CPIs, que tumultuarão o ambiente político até o final do mandato de Dilma. Se preciso outras serão encomendadas.

As repercussões são óbvias no plano econômico. Inviável a segurança jurídica e o desenvolvimento econômico. O ajuste fiscal terá que ser pago pelos de baixo, se é que será obtido nestes próximos anos. Pouco importa o país e os de baixo.

Cunha sabe que está nas cordas, tem que correr atrás de fatos novos , provocar prejuízos constantes ao PT, agradar sempre. Não pode parar, pois, atingido o objetivo, deixa de ter utilidade e então...será sua vez.