terça-feira, 31 de março de 2020

Negacionismo da estupidez fascista-Bolsonarista: até quando permitiremos que isso continue?, por Marcelo Aith



Discurso irresponsável do Presidente está no mesmo sentido do discurso proferido pelo Prefeito de Milão Giuseppe Sala, que no fim de fevereiro convocou os milaneses a saírem às ruas em meio a pandemia e hoje chora os inúmeros mortos.

Luiz Henrique Mandetta e Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Negacionismo Bolsonarista: até quando permitiremos que isso continue?

por Marcelo Aith

O filme “Negação” conta a história real do julgamento de Deborah Lipstadt, professora, historiadora e especialista, após publicar um livro que se opunha o discurso dos chamados negadores do holocausto, capitaneado pelo escritor simpatizante do nazismo David Irving. Lipstadt foi acusada de difamação pelo mais controverso historiador e assumidamente negador daquele do grande genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
O pano de fundo desse filme está a liberdade constitucional de se expressar, mesmo que isso represente a negação do óbvio. Irving e seus seguidores negavam, peremptoriamente, a existência do massacre de mais de 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazista. Com efeito, esse filme põe em discussão o limite da liberdade de expressão! Podemos amparados nesta liberdade negarmos os fatos notórios?
Essa discussão pode ser transportada para o momento em que vivemos no Brasil, na medida em que a Autoridade máxima do país, reiteradas vezes, utiliza-se dos inúmeros meios de comunicação, institucionais ou não, para negar a relevância da crise sanitária mundial, desdenhando do óbvio, como se fosse um avestruz na iminência do abate. O Presidente Bolsonaro vem dizendo em grande escala que a população brasileira deve voltar as atividades normais, permanecendo em isolamento apenas e tão somente o grupo de risco, que seriam os maiores de 60 anos e os com determinadas comorbidades. Este discurso irresponsável do Presidente está no mesmo sentido do discurso proferido pelo Prefeito de Milão Giuseppe Sala, que no fim de fevereiro convocou os milaneses a saírem às ruas em meio a pandemia. Naquela oportunidade, tal como ocorre no Brasil hoje, a Itália, em especial a região de Milão, contava com baixo índice de contágio e morte, hoje, passados apenas um mês da irresponsável fala do Alcaide, o país conta com mais de 5000 mortos e um colapso sem precedentes no sistema de saúde, com falta de mecanismos que possam salvar as vidas.
Por outro lado, os grandes líderes mundiais, como Donald Trump, Boris Johonson, Ângela Merkel, Emmanuel Macron, Vladimir Putin, dentre outros, conclamam que a população respeite o isolamento voluntário horizontal e só saiam de casa por questões emergenciais. Alguns líderes desses referidos tomaram tal decisão após sofrerem na carne o fruto do seu descaso com a pandemia. Não podemos olvidar que a maior nação do mundo, a mais preparada, é hoje o epicentro da crise sanitária e não sabe como irá enfrentá-la
A Espanha, no mesmo caminho da Itália e Estados Unidos, relutou ao determinar o isolamento horizontal e o fez, tal como o nosso “Messias Bolsonaro” pensando na economia em detrimento da vida humana, hoje conta seus milhares de mortos, que minuto a minuto aumentam em escala exponencial.
Contudo, em que pese as evidências catastróficas decorrentes do descaso no combate prévio ao coronavírus, o Presidente Bolsonaro, em seu discurso negacionismo, continua a tratar a crise sanitária como uma gripezinha, a qual não pode pará-lo, mesmo porque ele é o “Messias”. Todavia, seu comportamento misantropo pode levar o sistema de saúde brasileiro ao colapso, tal como está a ocorrer no Estado de Nova York nos Estados Unidos da América, resultando no extermínio de centena de milhares de pessoas.
Esta atitude vil do Presidente “Messias” configura como crime de “lesa pátria”, descrito na Lei de Segurança Nacional (Lei 7170/83), uma vez que levará a morte de muitos brasileiros, as quais poderiam ser reduzidas, como na Alemanha e Coreia do Sul, com a adoção prévia do isolamento horizontal que Sua Excelência reluta em aceitar como a medida mais adequada a ser tomada nesse momento.
Esse comportamento desrespeitoso e irresponsável do Presidente restou sedimentado no domingo (29), quando Sua Excelência saiu as ruas de Brasília com o nítido propósito de dizer a nação que ele não respeita orientação alguma de médicos infectologistas e sanitaristas, deixando, subliminarmente, a mensagem que todos devem voltar ao convívio humano. Entretanto, esqueceu-se que tal conduta, além de ser irresponsável, digna das fanfarronices de sua época de Deputado Federal, expôs a comitiva que o acompanhava, que são servidores públicos, pais de família, que tem idosos em seu círculo de amizade, que podem se contaminar e propagar a doença para seus entes. Está mais que na hora de Bolsonaro deixar o palanque e começar a governar o Brasil.
De outra parte, cabe as autoridades institucionais e a Ordem dos Advogados do Brasil, que depois de anos de marasmo e leniência conveniente, tem se manifestado nos limites da sua posição constitucional, impedirem que o Presidente “Messias”, utilizando-se de mecanismos de comunicação públicos, continue a prestar um desserviço à nação, colocando em risco parte da população que ainda acredita em eu discurso populista. O Poder Judiciário instado a se manifestar não pode se furtar a por um freio nas sandices perpetradas por esse Senhor e seus seguidos, que utilizando-se de uma “guerra santa cibernética” está prestes a colocar o sistema de saúde do país em colapso.
Ora, os grandes infectologistas e autoridades sanitárias do Brasil e do mundo estariam errados e “Messias” estaria certo? Acordem brasileiros porque a irresponsabilidade de um governante pode tirar a vida do seus pais, avós e filhos. Bolsonaro esqueça a política e pense na vida dos milhões de brasileiros antes de sair falando bobagens em rede nacional. Como está no seu slogan: “mais Brasil e menos Brasília”! Faça isso ser verdade Senhor Presidente.
Marcelo Aith é especialista em Direito Criminal e Direito Público e professor de Direito Penal na Escola Paulista de Direito.

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Vozes do Silêncio: Aquiles, do MPB4, e os anos de chumbo da ditadura militar fascista brasileira



Vozes do Silêncio: Aquiles, do MPB4, e os anos de chumbo

O papel do MPB4 naqueles tempos de horror, hipocrisia e fascismo da sórdida ditadura dos militares
Do Jornal GGN:

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Vozes do Silêncio: Sérgio Ricardo, a voz da resistência à maldita ditadura militar que gerou tipos como Ustra e Bolsonaro



Entrevista em vídeo com os filhos Adriana, Marina e João
Jornal GGN:

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A importância de estamos juntos, mesmo à distância. Por Mayara Silva de Souza, para o site Justificando



Nessa semana de tantas incertezas e distâncias necessárias a Coluna Discursos Não Pacificados recebe um texto acolhedor da Advogada e Ativista pela infância e adolescência, Mayara Silva de Souza.

Do Justificando:

A importância de estamos juntos, mesmo à distância

A importância de estamos juntos, mesmo à distância

Por Mayara Silva de Souza

O cenário é assustador e a sensação de medo paira por todas as partes do mundo, literalmente. Em menos de uma semana vimos creches, escolas, universidades, museus, postos de atendimento, academias, escritórios e prédios inteiros se fecharem. Segundo a Unesco, metade dos estudantes do mundo estão sem aula por conta da COVID-19 . 

Neste momento o convite para pensar e agir pelo outro é indispensável, caso contrário podemos colocar milhares de vidas em risco, especialmente em relação às pessoas que fazem parte do grupo de risco como  idosos, diabéticos, hipertensos e quem tem insuficiência cardíaca, renal ou doença respiratória crônica, por estarem mais expostos às complicações decorrentes da COVID-19.

É inegável que pessoas com este perfil estão por todos os lugares na nossa sociedade, algumas dentro de seus lares com medo de irem ao supermercado, outras vivendo a vida ‘normalmente’ sem consciência dos riscos, e outras tantas nas ruas, em instituições públicas e privadas, incluindo casas de acolhida e presídios, expostas a situações completamente opostas às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além do já conhecido grupo de risco, é impossível não se preocupar nos impactos na vida de crianças e adolescentes que estejam em suas casas ou em acolhimento institucional, e nos grupos de pessoas em situação de rua – muitas delas ainda crianças , nas famílias sem acesso à água encanada ou saneamento básico, das pessoas nos presídios e nas unidades socioeducativas do país. Relevante ainda pontuar que esses grupos compostos majoritariamente por pessoas negras e pobres.

Neste momento, muitas perguntas precisam ser feitas e pensadas de maneira coletiva, no nosso individual: se a dificuldade, e por tanto a responsabilidade, é de todos como cuidar daqueles que estão em condições de extrema vulnerabilidade? Se lavar as mãos e ter condições sanitárias básicas passou a ser ato de cidadania, como garantir a cidadania de grupos socialmente vulneráveis? Se todas medidas são para proteger vidas, quem protege as vidas das pessoas em privação de liberdade? Em tempo de coronavírus como garantir os direitos de crianças e adolescentes com absoluta prioridade sabendo que neste cenário outros grupos também são prioritários?  

Leia também:

O direito é o baluarte dos vulneráveis na pandemiaO direito é o baluarte dos vulneráveis na pandemia

Essas perguntas sem respostas é um aceno para refletirmos as condições de vulnerabilidade de milhares de adolescentes em atendimento socioeducativo nas dezenas unidades espalhadas pelo país, entre quais gestantes, lactantes, mães, pessoas com deficiências, e por acusações de infracionais sem grave ameaça ou violência.

A Constituição Federal além de determinar, em seu Artigo 227, que os direitos de crianças e adolescentes são prioridade absoluta, ela os compartilha entre famílias, sociedade e Estado. Com estado de calamidade pública aprovado no Brasil, desde o início da semana estados vêm adotando medidas para combater a proliferação do coronavírus dentro das unidades socioeducativas. O Conselho Nacional de Justiça também recomendou aos Tribunais de Justiça medidas fundamentais.

Neste momento, é importante lembrar que além da saúde coletiva, a saúde psíquica de milhares de adolescentes também está em risco. São adolescentes, em sua maioria negros, pobres e periféricos, expostos em um sistema que já foi à organismos internacionais por violações de direitos humanos, incluindo falta de condições de higiene e medidas de sanitárias básicas.

O mundo inteiro está estado de atenção, de acordo com o diretor geral da OMS, devemos nos preparar como fossemos ser infectados . Estamos em um momento que cuidar do outro é cuidar de si, por isso a importância de estar atento às medidas e recomendações, mas principalmente às práticas do sistema socioeducativo, o período é de portas fechadas, mas de corações e olhos abertos.


Mayara Silva de Souza é Advogada e Ativista pela infância e adolescência.

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Marco Aurélio, do STF, encaminha à PGR do Procurador aliado do Bozo pedido de afastamento de Bolsonaro


A peça encaminhada à PGR é uma notícia-crime protocolada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que acusa Bolsonaro dos crimes de omissão e difusão do coronavírus

Panelaços e gritos de 'Fora, Bolsonaro' ecoam em Manaus e em todo ...

Do Portal da Revista Fórum

30 DE MARÇO DE 2020, 22H24

Marco Aurélio, do STF, encaminha pedido de afastamento de Bolsonaro

A peça encaminhada à PGR é uma notícia-crime protocolada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que acusa Bolsonaro dos crimes de omissão e difusão do coronavírus


O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta segunda-feira (30) um pedido de afastamento de Jair Bolsonaro à procuradoria-geral da República.
Marco Aurélio é o relator da notícia-crime protocolada na semana passada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), que acusa Bolsonaro dos crimes de omissão e difusão do coronavírus.
‌‌‌O documento lista uma série de episódios em que o presidente minimizou o surto da Covid-19 – detalhando uma série de adjetivações usadas pelo ex-capitão – e aponta que ele “incentivou ostensivamente o descumprimento das medidas de isolamento recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e pelo próprio poder executivo”.
Caso a PGR aceite a notícia-crime, Câmara será consultada para autorizar ou não o seguimento da Ação Penal e, em caso positivo, Bolsonaro será afastado por 180 dias. Em caso de crime transitado em julgado, o presidente perde o mandato.
Também nesta segunda-feira (30), partidos de oposição protocolaram outra queixa-crime contra Bolsonaro pelo “passeio” que o presidente deu no Distrito Federal, no último domingo (29). Na ação, são apontados diversos crimes que Bolsonaro pode ter cometido ao sair às ruas mesmo estando sob suspeita de ter contraído coronavírus.

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segunda-feira, 30 de março de 2020

Thiago dos Reis: Bolsonaro parte pra cima de Sergio Moro e amplia seu isolamento político



Do Canal Plantão Brasil, de Thiago dos Reis:



"Completamente isolado politicamente, Bozo agora partiu para o ataque contra o marreco de Maringá, o ex-juiz Sergio Moro."

As apostas insanas/genocidas de Bolsonaro, por Vilma Aguiar



Bolsonaro, cuja racionalidade sempre foi colocada um pouco em dúvida, parece apostar todas as suas fichas numa loucura coletiva sem precedentes. 
Foto Orlando Brito

As apostas insanas de Bolsonaro

por Vilma Aguiar, no Jornal GGN

Vivemos a semana da infâmia. A semana em que o governo Bolsonaro ultrapassou com folga sua própria marca de ignomínia. Foi um rosário de abjeções: a medida provisória que permitia corte de salário por 4 meses, o pronunciamento exortando as pessoas a abandonarem a quarentena, a campanha “o Brasil não pode parar”, os sucessivos desafios a governadores e prefeitos e, finalmente, o rolê em Brasília e na Ceilândia. De domingo a domingo, ele se esforça para prover nosso confinamento de um show de horrores.
Bolsonaro, cuja racionalidade sempre foi colocada um pouco em dúvida, parece apostar todas as suas fichas numa loucura coletiva sem precedentes. 
Eleito presidente meio no susto, a despeito de si mesmo e contra as previsões, soube manter uma base de apoio de cerca de 1/3 do eleitorado desde o início de seu governo, apesar de todas as trapalhadas, toda a ineficiência,  todas as medidas que contrariam o interesse popular. Copiando literalmente as táticas de Trump de mentir descaradamente, semear a confusão e principalmente fomentar o ódio e a polaridade, estava caminhando triunfalmente para consolidar sua liderança e chegar a 2022 como o favorito para a reeleição. Flertava diligentemente com o autoritarismo como forma de intimidação de seus adversários e mobilização de seus apoiadores mais fanáticos. Um método polêmico e perigoso mas eficiente.
Daí veio um vírus que não estava no programa e ele, em vez de aproveitar a ocasião e se portar como o presidente que liderou o país na guerra, como está fazendo seu mentor, o que lhe custaria pouco, prefere ser o presidente da imprudência, o presidente que desafia a ciência, o presidente que se isola de todas as instituições e todos os atores políticos. O presidente que aproveita uma calamidade pública para dar um golpe. Exponencia a sordidez.
E é impressionante como ele acredita na sua aposta. Pois não se trata apenas de retórica, não se trata apenas de bravatas a seu estilo. O pronunciamento, o vídeo e seu rolê deste domingo são um contínuo de ações coordenadas que mostram o quão ampla e profunda é sua aposta. Porque ele poderia ter sinalizado que a quarentena é danosa para a economia e depois ter recuado. Sempre poderia dizer mais à frente quando a derrocada chegar, porque ela chegará, que estava preocupado com os empregos. Mas não. Ele insiste, ele incita, ele quer realmente as pessoas na rua. 
Quais são então suas apostas? De um lado, é a de que os cadáveres não vão se acumular nas calçadas mesmo que a população descumpra todas as medidas sanitárias recomendadas pela OMS e pela experiência de outros países, o que em si já é uma loucura. De outro lado, se isso acontecer, a aposta de que não será responsabilizado, apostando contra uma paixão humana fundamental, que é procurar um culpado para as desgraças, ainda mais se este anda com um crachá no pescoço, como é o caso. Ele aposta que as pessoas que atenderem o seu chamado porque precisam fugir da fome vão relevar todos os mortos que vão cruzar seu caminho. Ele aposta que o discurso liberal da economia em primeiro lugar está tão entranhado em nosso inconsciente coletivo que as pessoas, uma parte significativa delas, vai tolerar, em nome disso, os familiares mortos, os amigos mortos, os conhecidos mortos.
Finalmente, ele aposta em esticar a corda ao máximo. Ele aposta na ruptura institucional. Que no meio da desgraceira toda que está nos espreitando na esquina ele sairá mais fortalecido, que haverá o apoio necessário para um golpe. Esta é a única lógica possível para suas ações ensandecidas. Porque, desde que a epidemia começou, ele não apenas está queimando as pontes, o que já vinha fazendo há tempos. Ele agora está queimando os portos e os navios. Ele se joga no meio do oceano com a ideia de que o Titanic dos desvairados está lá para salvá-lo, a si e à sua aventura. 
Espero sinceramente que ele afunde e apodreça no fundo do mar. 
Vilma Aguiar é socióloga. Escreve sobre política e feminismo. Nestes tempos de confinamento, está escrevendo O livro da quarentena https://www.instagram.com/aguiar_vilma/?hl=pt-br 

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Política Pública não deve servir ao Mercado, por Andre Motta Araujo


Não se poderia esperar outro padrão da equipe neoliberal de Chicago, está no seu DNA, TUDO PELO MERCADO NADA PARA A SOCIEDADE

Política Pública não deve servir ao Mercado

por Andre Motta Araujo, no GGN

Há uma perigosa ilusão no ambiente de mega crise econômica do Coronavírus. A de que essa equipe econômica de Chicago poderá operar o conjunto de providências de garantia de renda de subsistência para os antigos pobres e os novos pobres da economia informal paralisada pela quarentena. Essa equipe tem nível de fanatismo ideológico inédito no comando da economia brasileira desde 1945.
Quando se dizia que Roberto Campos era um ortodoxo ninguém imaginava que apareceria um Paulo Guedes comandando QUATRO ministérios não só da área econômica, mas também da social, o do Trabalho e Emprego, além de indiretamente comandar a PETROBRAS e o INSS. Nunca um grupo mediano e sem vivência política antes no Brasil teve tanto poder.
As necessidades de contrabalanço social da mega crise econômica que já está instalada exigem outro tipo de comandantes, mentes arejadas, ecléticas, mesmo que conservadoras, mas especialmente cérebros de primeira ordem com sensibilidade social e capacidade de empatia com o sofrimento alheio, algo que nem passa pela cabeça de quem passa férias em Miami no mesmo momento em que dois milhões de idosos, desempregados, gestantes se amontoam em filas do INSS, além de inexplicáveis filas do Bolsa Família, não causam nenhum sentido de urgência em neoliberais da Florida.
O primeiro ato no início do governo Bolsonaro de que esse viés anti pobre se instalou foi no chamado “combate à fraude” no INSS quando, em poucas semanas, se cancelaram 269 mil benefícios, algo estranho porque o INSS não costuma ser pródigo na concessão de benefícios. Como poderiam ser encontrados tantos benefícios fraudados em tão pouco tempo?  Uma presunção é de que cancelaram benefícios por irregularidades formais, gente doente que não pode ir ao posto fazer prova de vida, por exemplo.
Cancelar um benefício de gente carente significa, muitas vezes, uma sentença de morte, para cancelar seria preciso MAIS CUIDADO, ir à casa do beneficiado, na dúvida não se deve cancelar, é uma questão de visão de mundo e de atitude de solidariedade com os miseráveis, especialmente quando os benefícios no INSS raramente são expressivos, a esmagadora maioria fica na faixa do salário mínimo.
Cancelar por presunção de fraude atingindo tanta gente é uma temeridade. Foi esse o aperitivo da passagem do INSS para o comando do Ministério da Economia, colocando uma entidade cujo finalidade é social para o comando de fanáticos da ideologia de mercado.
Se vislumbra um tsunami social e econômico no Brasil da quarentena e para lidar com essa hecatombe é preciso um espirito solidário, compreensivo, aberto, generoso, competente e eclético, com visão macro, do naipe e sem sugerir nomes, de um Armínio Fraga e uma Monica de Bolle, conservadores flexíveis e não  ortodoxos com ideias fixas e demodés, cozinheiros de um prato só e ruim.
A urgência é óbvia, TODOS OS QUE PROPÕE QUARENTENA TEM RENDA GARANTIDA, quarentena para quem depende do ganho no dia para comprar o jantar é algo fácil recomendar mas é difícil de resolver na prática, é tarefa de gigantes que tenham vocação de políticas públicas.
A mídia e grande parte da classe política cai sobre o Presidente por causa da crise, mas poupam essa fraquíssima equipe econômica, fraca mesmo antes da crise, conforme comprovam seus parcos resultados e que tem como único instrumental as míticas e resolvedoras “reformas” e nada mais. Como confiar nos mesmos para uma crise infinitamente pior e mais grave do que a normalidade da qual os mesmos personagens não davam conta?
POLÍTICAS PÚBLICAS NÃO PODEM DEPENDER DO MERCADO
O presidente do BNDES, que chama a atenção pela juventude e imaturidade, no sentido de falta de bagagem para comandar o maior banco estatal de fomento do mundo, apresentou uma série de programas de refinanciamento de dívidas de empresas, permitindo prorrogação por até 6 meses de prestações de empréstimos do BNDES, mas ele realçou com ênfase que a prorrogação DEPENDE DO CRITÉRIO DO AGENTE REPASSADOR, isto é, do banco que operou o crédito com dinheiro do BNDES, ganhando uma comissão pelo repasse, o chamado Banco Agente. Quer dizer, um programa de POLÍTICA PÚBLICA para enfrentar uma crise social fica a CRITÉRIO DO MERCADO, uma completa aberração.
O Banco Agente pode NEGAR a prorrogação ou, pior ainda, pode conceder, mas em troca de outros negócios do devedor com o mesmo banco. Na prática, quem tomou crédito do BNDES com um Banco Agente tem outros negócios com esse mesmo banco, no mundo real os Bancos Agentes usam dessa condição para alavancar outros negócios com o cliente, por exemplo, apólices de sua seguradora, PIOR ainda, pode condicionar a prorrogação do crédito do BNDES ao pagamento prévio desse devedor de outras dívidas com o próprio banco, o que, na prática, significa que o banco se aproveita de uma política pública para limpar sua carteira de outros riscos, é o que costuma acontecer.
Na prática está se usando uma POLÍTICA PÚBLICA para benefício do mercado, sem que esse precise operar com seu capital, ele usa dinheiro público para sua vantagem.
Ao contrário dos programas para atender aos desempregados e informais sem renda, o número de devedores do BNDES não é grande, dá perfeitamente para o BNDES atender diretamente em regime de força-tarefa ou até por Internet ou na hipótese de cobertura territorial, pode atender via CAIXA ECONÔMICA ou BANCO DO BRASIL.
O absurdo é DELEGAR AO MERCADO a decisão de fazer ou não a prorrogação com DINHEIRO PÚBLICO, quer dizer o ESTADO DELEGA AO MERCADO A DECISÃO do uso do dinheiro público, o que obviamente beneficia os bancos agentes que irão tirar proveito da crise sem correr riscos e sem usar seu capital.
Não se poderia esperar outro padrão da equipe neoliberal de Chicago, está no seu DNA, TUDO PELO MERCADO NADA PARA A SOCIEDADE, o Estado deve ser mínimo, mas sempre que a ocasião se apresenta VAMOS TIRAR VANTAGEM DO ESTADO, como por exemplo fazer curso em Chicago com bolsa do Estado ou ganhar dinheiro com fundos de pensão estatais, aí o neoliberal troca de camisa por algum tempo até tirar o proveito do Estado, depois batalha pelo Estado Mínimo.

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