Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Flávio e Trump: A autópsia de uma humilhação
Flávio Bolsonaro precisava de uma foto ao lado de Donald Trump para tentar virar a página na crise com seu envolvimento no escândalo do Banco Master. Conseguiu. Mas a imagem é o espelho de uma humilhação.
O chefe, sentado. Aquele que suplica um favor, ao seu lado, quase pedindo desculpas por estar presente. Sequer no mesmo nível ou de mãos dadas.
O encontro não estava na agenda oficial da Casa Branca e nunca foi colocado, mesmo depois de realizado. Um contraste com outros líderes que foram recebidos com tapete vermelho.
Flávio entrou no Salão Oval, entregou documentos sobre um apelo para que o PCC seja considerado como um grupo terroristas e fez uma foto.
Trump arranhou um sorriso. Tenso, Flávio nem isso conseguiu.
Uma segunda foto ainda contou com Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, os articuladores de medidas contra o Brasil.
E o encontro terminou, em poucos minutos.

Nas redes sociais, o presidente americano alertou sobre as condições meteorológicas, deu seu apoio a candidatos para as eleições legislativas e distribuiu memes. Mas não fez referências aos brasileiros que foram ao seu gabinete.
No Palácio do Planalto, a viagem era vista como uma “boia de salvação” para a candidatura de Flávio. Inclusive para alertar aos demais rivais de direita que ele não irá desistir de sua campanha eleitoral.
Como no restante da América Latina que optou por sucumbir ao trumpismo para chegar ou se manter no poder, o bolsonarismo já tem sua foto ao lado daquele que, de fato, dará as cartas se a extrema direita voltar ao poder no Brasil.
A imagem é a autópsia de uma humilhação de um movimento político que joga contra a soberania do país.
Flávio prometeu uma entrevista coletiva após o encontro. Mas já avisou: não responderia sobre nada além da visita aos EUA. A tal da liberdade de expressão que tanto é promovida pelo bolsonarismo parece ter se perdido pelos corredores da Casa Branca. Assim como a dignidade do candidato.

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