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sábado, 2 de dezembro de 2017

O descarrilamento do mercado de trabalho médico, por Ion de Andrade



"Esse é o Estado mínimo como ele é, aquele que, incrivelmente, no imaginário de muita gente, teria mais dinheiro para a educação e a saúde." - Ion de Andrade



O descarrilamento do mercado de trabalho médico
As medidas recentes de congelamento da criação de novos cursos ou de novas vagas para os cursos de medicina são na realidade uma manobra de pânico que decorre da constatação (aritmética) de que o mercado de trabalho médico vai desabar.
A lógica socialmente responsável da formação profissional seria a de formá-los em número suficiente para atender as necessidades médico-assistenciais à luz da expansão da rede assistencial do SUS com sustentabilidade fiscal e financeira.
Reconheçamos que o direcionamento dos royalties do pré-sal para a saúde (e educação) hoje revogados, assegurariam a base financeira para a expansão da rede fazendo com que a empregabilidade de médicos e de todos os profissionais de saúde estivesse garantida por décadas com a dignidade do atendimento às necessidades assistenciais crescentes, além das necessidades ainda não atendidas, uma fronteira também imensa.
A autorização de novas vagas para os cursos médicos respeitava essa lógica complexa que teria assegurado ao mesmo tempo grande quantitativo de profissionais no mercado, como ocorre nos países mais avançados, resposta às necessidades assistenciais, especialização garantida vaga por vaga nas Residências Médicas que estavam sendo organizadas (e foram congeladas) e empregabilidade certa.
Salientemos que o envelhecimento populacional multiplica por quatro as necessidades médico assistenciais, o que significa que o grande número de médicos formados por essa engrenagem se encontraria com uma demografia extremamente favorável e que não teria nenhuma dificuldade em absorver essa massa de recém-formados, pois a necessidade assistencial nessa faixa etária, que vive verdadeira explosão demográfica, será maior do que a capacidade formadora atual do Brasil em profissionais de saúde.
Ora, a maior parte dessa engrenagem estava praticamente pronta e operando, diria eu, quase em carga máxima, quando o governo ilegítimo tomou o poder e resolveu, com um punhado de emendas constitucionais aprovadas por um sem número de deputados de reputação duvidosa, engaiolar o SUS por vinte anos.
Em suma a máquina formadora, apesar desse congelamento por cinco anos, já é capaz de formar um enorme quantitativo de médicos, mas isso não será acompanhado, das políticas de empregabilidade, da rede assistencial, ou do financiamento do SUS com recursos do pré-sal.
Acrescente-se a isso o fato de que hoje, formados em escolas particulares, muitos médicos estarão chegando ao mercado de trabalho com um passivo médio girando em torno de R$500.000,00 dívida que deve começar a ser paga tão logo o profissional termine o curso.
Esse é o Estado mínimo como ele é, aquele que, incrivelmente, no imaginário de muita gente, teria mais dinheiro para a educação e a saúde.
Ora, não é preciso ser um gênio para entender o que significa o congelamento do SUS por vinte anos e do financiamento da saúde por sua fonte mais volumosa num contexto em que haverá dezenas de milhares de novos profissionais, muitos dos quais endividados chegando ao mercado.
Concretamente isso significa:
  1. Desemprego (quando as vagas em plantões e nos Mais Médicos estiverem preenchidas);
  2. Subemprego (ajudado pela gloriosa reforma trabalhista do PSDB);
  3. Concorrência entre médicos empregados e desempregados pelos postos de trabalho ocupados com viés de baixa das remunerações;
  4. Inadimplência de dívidas e incremento do endividamento dos jovens médicos, pois o sol não brilhará para todos;
  5. Desassistência à saúde em meio ao aumento das necessidades assistenciais devidas ao envelhecimento.
  6. Piora dos indicadores de saúde.
Ou seja, o cenário de anos dourados da saúde no Brasil com um SUS robusto e bem financiado está sendo propositadamente convertido num cenário dantesco e não serão cinco anos de congelamento de novos cursos e vagas que resolverão o problema. De fato o problema só poderá ser equacionado se o volume da formação estiver alinhado: (a) à demanda médico assistencial da população, (cujo atendimento é missão da profissão), (b) à expansão da rede e (c) às condições de financiamento.
Para os desinformados o governo Temer acabou de fazer uma renúncia fiscal em favor das petroleiras que explorarão o pré-sal da ordem de um trilhão de reais, o suficiente, só nesse leilão, para resolver o estrangulamento fiscal do Brasil, correspondendo numa tacada só (e não é corrupção) a 20 vezes a tudo o que se apurou na Lava Jato como desvios da Petrobrás...
Que não se diga, portanto, que esse Estado mínimo é a resposta à falência do Estado social decorrente dos governos do PT. Não. O que aí está é uma falência programada e proposital do Estado brasileiro para favorecer o grande capital, principalmente estrangeiro, com dinheiro público de impostos não cobrados. É obra do PMDB, do PSDB e do DEM.
Estamos no Titanic e já vimos o iceberg. A hora é de uma profunda autocrítica pois o Estado mínimo apregoado pelos golpistas, aquele que ia ter dinheiro para a saúde, era um embuste. É hora de perceber que o único tipo de Estado que interessa à Saúde, aos  profissionais e aos usuários, é o Estado social com responsabilidade fiscal.
O quadro do desastre nacional se completará com a Reforma da Previdência que retirará dinheiro dos idosos, que gastam a sua renda em primeiro lugar com medicamentos. Vamos esperar que a indústria farmacêutica não aja norteada pela burrice e a apoie.
O que está no forno é a substituição de um projeto de país próspero, de uma democracia social robusta e do bem estar social por um projeto de país desacreditado, com médicos desempregados e subempregados, com uma rede de saúde anêmica e miserável e com idosos pedindo esmolas para comprar remédios.
De fato, se não houver um plebiscito que revogue todas essas medidas que arruínam o Brasil haverá choro e ranger de dentes.

domingo, 11 de maio de 2014

O fenômeno da Experiência de Quase Morte, EQM. Características e Implicações



Detalhe do quadro "A Ascenção dos Abençoados", do pintor renascentista Hyeronimus Bosch, em que se apresenta a famosa visão do "túnel" relatada por grande parte das pessoas que passaram pela Experiência de Quase Morte (EQM)

Apresentamos aqui o vídeo produzido pela ASSEPE, Associação de Estudos e Pesquisa Espíritas da Paraíba, sobre o fenômeno da Experiência de Quase Morte. Abaixo do vídeo a transcrição de parte do texto introdutório, de Carlos Antonio Fragoso Guimarães, e uma discussão das características e implicações da EQM.



“Na natureza, nada se cria, nada se acaba. Tudo se transforma”. Estas conhecidas palavras do químico francês Antoine de Lavoisier nos aponta que, no mundo natural, todas as coisas estão em permanente estado de desenvolvimento, modificação, recomposição e este processo mantém e garante a vida. 

 Toda a vida se expressa na Terra através de relações, interação e troca cíclica de elementos com seu meio, garantindo a renovação constante do fluxo de matéria e energia que formam os organismos vivos.



De fato, todos os elementos básicos que constituem os corpos vivos e que são formados por elementos atômicos que, unidos, constituem as moléculas que formaram os tecidos e órgãos do nosso corpo, são praticamente indestrutíveis. Eles são usados para constituir a base orgânica da vida e, depois, são devolvidos à natureza para que possam novamente ser reutilizados em novas manifestações vitais.

Também a energia obedece à lei de conservação e transformação. A energia do universo, em termos de quantidade, permanece sempre constante, mas se expressa sempre transformada. Uma energia potencial quando utilizada se transforma em energia mecânica, por exemplo, e em calor.

Diante desta perpetuidade dos elementos básicos do mundo físico, que, quando relacionados no fenômeno da vida, se apresentam como um ciclo de manifestação, poderíamos nos perguntar se o mesmo princípio também não valeria para a essência psíquica do ser humano, caracterizado pela sua consciência, senso de identidade, memória e afetividade.

A Crise da Morte

Em nossa cultura e no atual modo que temos de ver a vida, a morte é um momento de extrema crise.

Tendemos a interpretar a morte como o fim total da vida, a cessação definitiva de nossa identidade, de nossa consciência.

 No entanto será este realmente o fim de tudo?


 A EQM


Há algumas décadas, em especial nos últimos quarenta anos, diversos pesquisadores, entre médicos, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais, vem coletando relatos de pessoas que, ao enfrentarem a crise da morte nas mais diversas situações, conseguiram retornar à vida com ajuda médica e, para surpresa das testemunhas, relatam ter observado as tentativas de ressuscitamento de um ponto de vista bem diferente de onde estava o seu corpo, e como se comportaram as pessoas ao redor, o que elas disseram e fizeram.

O termo EQM (NDE, em inglês) foi cunhado pelo médico americano Raymond Moody Jr., em meados dos anos 70, para englobar estes relatos. Em 1975 ele publica seu livro “Vida depois da Vida” relatando as experiências de uma parcela de pacientes que foram ressuscitados após terem tido morte clínica. No entanto, relatos parecidos eram conhecidos desde há muitos anos (citar um caso). Elizabeth Kübler-Ross (1926-2004) pesquisou relatos deste tipo em pessoas que viveram em campos de concentração na Polônia.

O resultado do interesse despertado pelos estudos de Moddy e Rosso foi mais diretamente exposto na fundação da International Association for Near-Death Studies (Associação Internacional de Estudos do Quase-Morte), em 1978. 

A associação faz um levantamento global de relatos de EQM, tanto de pacientes quanto da equipe médica e multidisciplinar associada aos pacientes ou pessoas que passam pela experiencia, utilizando sempre a "near-death experience scale" ("escala de experiência de quase morte"), um método criado pelo psiquiatra, professor universitário e parapsicólogo Bruce Greyson para determinar as EQMs legítimas. Estas apresentam um conjunto de características, que se desenrolam em estágios, e que, se não todos os estágios, são encontradas quase sempre nos relatos das pessoas que vivenciaram o fenômeno. 

Estágios da EQM:

a)      Todos os relatos de EQM possuem elementos de semelhança (possuem alguns pontos em comum). A imensa maioria consegue dos que vivenciaram a morte clínica e tiveram a experiências conseguem ver seu próprio corpo bem como os médicos, paramédicos ou, em caso de acidentes ou mortes súbitas, os amigos tentando reanima-lo, de um ponto de vista privilegiado, quase sempre acima destes. Muitos se srupreendem com esta visão. Vários chegam mesmo a estranhar o fato de que tentem reanimar um corpo doente quando se sentem plenamente vivos, com um corpo idêntico, porém mais saudável, que aquele embaixo, neste momento.

b)      Relatam ter deixado de sentir dores e, por vezes, sentem uma grande calma e uma sensação de maior conscientização de si e do ambiente, não se sentindo realmente "mortos". Em grande parte destes relatos, pode haver a sensação de uma presença espiritual amiga a apoiar o paciente, mas que nem sempre é visível, embora possam ouvi-la ou entende-la. Parentes ou amigos já falecidos também são normalmente vistos na ocasião, como pessoas normais,  interagindo com o paciente, mas que não ésão percebidos pelas pessoas que tentam reanima-lo.

c)       Ocorre a visão – e por vezes,também a atração – de um túnel - provavelmente a contrapartida polar do canal de nascimento. A pintura de Hyeronimus Bosch sobre o tema é vista acima, no início desta home page.

d)      Pode ocorrer no correr da travessia deste túnel, ou logo depois de passá-lo, um flashback panorâmico e estranhamente rápido, mas integral, de toda a experiência vivida pelo paciente desde o nascimento (por vezes, desde a vida intrauterina) até o momento da morte.

e)       Muitos relatam que a experiência do túnel é encerrada com a visão de alguma espécie de barreira simbólica, indicando um ponto de não retorno. Esta barreira pode ser expressa por um portão, uma porta, uma ponte, um muro ou qualquer outra coisa que indica entrada ou limite de um outra realidade. Nesta ocasião é comum a visão de mais parentes e amigos já falecidos que amorosamente os recebem e que avisam que o cruzamento deste limiar representa a morte definitiva do corpo. Neste ponto, algumas pessoas são aconselhadas a voltar e, em outros relatos, lhes são perguntados se querem continuar no processo e ir além ou retornar ao corpo para cuidar de parentes, de assuntos pendentes ou para ajudar pessoas.

f)       Há a visão de “seres de luz” que, geralmente, são interpretados, de acordo com a origem religiosa ou a cultura onde a pessoa foi formada, como sendo Jesus, Buda, um anjo, etc. Estes seres também perguntam se a pessoa quer ficar ou retornar ao corpo e à vida física. Eles podem aconselhar o retorno, explicando algum motivo para voltar.

g)      Relutância a retornar ao corpo em boa parte dos casos. Muitas vezes, o retorno é feito com certa contrariedade por parte do sobrevivente (veja, no video, o caso de Sam Reynolds)

h)      A personalidade da pessoa nunca mais é a mesma ao retornar. Perde-se geralmente o medo de morrer na maior parte dos casos e na grande maioria ocorre uma completa reformulação da percepção e concepção da vida, das prioridades e dos valores, quase sempre tornando-se mais calmos, espiritualizados e centrados (incluindo ateus).

i)        Apenas em uma parcela ínfima se tem notícias de uma EQM ruim (geralmente ocorrentes em casos de tentativas de suicídios, ou após a prática de crimes, etc.). Dos 150 relatos confirmados pelo Dr. Moody em seus dois livros clássicos, apenas 3 descrevem experiências negativas. A proporção permanece praticamente a mesma nas pesquisas de outros cientistas.

j)        As experiências religiosas, crenças ou cultura não afetam a probabilidade ou profundidade de uma EQM, apenas a forma de interpretá-las após o evento. Existe mesmo uma estatística que mostra que ateus tiveram mais EQMs que pessoas religiosas.




Apesar do impacto existencial e espiritual destas experiências nas pessoas que as vivenciaram e em muitas que as pesquisaram (Moody, Ross, Lommel, Fenwick, etc) a interpretação de que a consciência não se reduz ao cérebro e que, portanto, pode sobreviver à crise da morte não é aceita (ao menos abertamente) pela maioria dos cientistas. As explicações mecanicistas para as EQMS são geralmente as que seguem: 

A visão do túnel seria fruto da anóxia cerebral. O “falso” abandono do corpo é encontrado em pessoas que passam por situações de estresse e de interferência sináptica por conta de medicamentos ou por problemas neurológicos e de orientação. A sensação de paz é resultado da liberação de endorfinas. 

Mas existem casos onde tais explicações não fazem sentido ou nada explicam. Houve ao menos um caso bem documentado em que todo o sangue do paciente foi drenado, estando o corpo em hipotermia e, ainda assim, a paciente relatou as práticas efetuadas pelo cirurgião vários minutos após o inicio da cirurgia, citando atos e até o que foi dito durante o procedimento.

Para entender o debate entre os pesquisadores pró e contra a explicação de que a EQM demonstraria a sobrevivência após a morte, vejamos o que sobre o assunto é descrito na Wikepedia:

 Pesquisadores explicitamente atrelados ao paradigma mecanicista, como a psicóloga britânica Susan Blackmore e o anestesiologista Lakhmir Chawla, acreditam, por uma questão de preferência e ideologia, na teoria de que as EQMs são alucinações complexas causadas pela falta de oxigênio no cérebro durante a etapa final do processo de morte. No entanto, muitos outros pesquisadores, como o neurologista Peter Fenwick, o cardiologista Pim van Lommel e os psiquiatras Raymond Moody e Bruce Greyson, discordam destas teorias reducionistas, defendendo as experiências como evidências de que a consciência do ser humano existe independentemente do cérebro, argumentando principalmente que muitas pessoas demonstram percepções extrassensoriais com precisão em seus relatos de EQM24 (como por exemplo o famoso caso de EQM da cantora Pam Reynolds) e que não há sinais de funções mentais prejudicadas nas situações clínicas em que as EQMs ocorrem. Como pode uma alucinação provocada por anóxia permitir a percepção de informações posteriormente confirmadas?


físico Sir Roger Penrose e o anestesiologista Stuart Hameroff, baseados na teoria desenvolvida e denominada por eles como orchestrated objective reduction, defendem que em EQM a "alma quântica", ou seja, a consciência como um campo quântico, deixa o sistema nervoso e re-entra no cosmos. De acordo com Hameroff, "é possível que a informação quântica que constitui a consciência possa mudar para planos mais profundos e continue a existir puramente na geometria do espaço-tempo, fora do cérebro, distribuída não-localmente", como uma "alma quântica" à parte do corpo.
Um dos primeiros estudos clínicos sobre experiências de quase morte em pacientes em estado de parada cardíaca foi feito pelo cardiologista holandês Pim van Lommel e sua equipe médica, tendo sido publicado em 2001 pela revista científica Lancet . De acordo com o cardiologista, dos 344 pacientes estudados que foram reanimados com sucesso depois de sofrerem parada cardíaca, 62 (18%) tiveram EQMs e lembraram com detalhes as condições que passaram quando estavam clinicamente mortos. Na conclusão de Lommel, nossa consciência existe independentemente do cérebro; este sendo um veículo físico de expressão da consciência mas não o produtor da mesma.
Entre os relatos intrigantes descritos por Moody em sua obra, encontra-se esse no livro A Luz do Além (1988): "Em Long Island, uma mulher de setenta anos cega desde os dezoito, foi capaz de descrever, com detalhes vívidos, o que aconteceu, enquanto os médicos tentavam ressuscitá-la de um ataque do coração. Ela conseguiu dar uma boa descrição dos instrumentos que foram utilizados, e até mesmo de suas cores. E o mais surpreendente para mim é que a maioria daqueles instrumentos sequer fora concebida na época em que ela ainda podia ver, havia cerca de cinquenta anos. Além de tudo isso, ela ainda disse ao médico que ele usava um jaleco azul quando começou a ressuscitá-la".
Mesmo diante de relatos que para muitos são surpreendentes, a visão materialista reducionista de que alterações funcionais e químicas no cérebro são as responsáveis pelas experiências de quase morte, ao menos até o momento é a dominante em virtude da vigência de um paradigma mecanicista, cuja visão subjacente é eminentemente materialista que, orientando o pensamento, impede uma percepção dos indícios que deem suporte a uma visão dualista mais ampla como científica; e em segundo devido a considerações levantadas quanto se busca definir de forma rigorosa o que é "consciência".







terça-feira, 15 de outubro de 2013

Classe médica promete ofensiva contra Dilma

Fonte: Brasil 247





Rompidas com o governo, por terem seus interesses corporativos contrariados nos vetos ao Ato Médico e com a implementação do programa Mais Médicos, entidades médicas prometem campanha contra a reeleição da presidente em 2014, como resposta às novas medidas para a área da Saúde e principalmente pela criação do programa Mais Médicos; o discurso é feito às claras; segundo o presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, os médicos marcarão posição antigoverno aos pacientes; "Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma"; no cálculo do presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, a classe consegue decidir 40 milhões de votos; ministro da Saúde, Alexandre Padilha "lamenta a truculência e a arrogância de grupos isolados"

15 de Outubro de 2013 às 09:49

247 – Revoltados com as novas medidas anunciadas pelo governo federal na área da Saúde, os médicos prometem uma ofensiva contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff na eleição de 2014. Rompidas com o governo, as entidades de classe estão insatisfeitas principalmente com a aprovação, na Câmara dos Deputados, da medida provisória que cria o programa Mais Médicos. O texto retira dos Conselhos Regionais de Medicina, ainda, o papel de conceder o registro profissional para os médicos que trabalham no Brasil.

Essas associações também defenderam os protestos ocorridos em diversos locais do País contra a contratação de médicos estrangeiros para trabalhar em regiões longínquas, onde há falta de profissionais. Agora, a ofensiva será focada na influência que os médicos têm sobre os pacientes, especialmente em locais menos favorecidos. A intenção é, num discurso indireto, fazer com que a população que frequenta os hospitais ou postos de saúde desses médicos não votem na presidente Dilma Rousseff no ano que vem.

O discurso é feito às claras. "Um número muito grande de médicos que nunca se envolveu em eleições está determinado a se envolver, mas influenciando, não se candidatando. É muito comum os pacientes perguntarem para a gente, em período eleitoral, em quem vamos votar, principalmente nas regiões menos favorecidas. Há um movimento grande da classe médica para participar da política dessa forma. Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma", diz o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Floriano Cardoso, segundo reportagem do jornal O Globo.

No cálculo do presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, se mobilizada, a classe médica consegue decidir 40 milhões de votos em 2014, com base no fato de que cada profissional influencia cerca de cem pessoas – pacientes e seus familiares. Em sua avaliação, hoje, 90% dos médicos são oposição ao governo. "A classe médica sente que está sendo tratada de forma errada pelo governo, com reivindicações desconsideradas", diz. Em São Paulo, onde o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, será candidato ao governo, haverá campanha massiva diretamente contra ele.

Padilha lamenta arrogância

Em resposta sobre as ações do que considera ser "grupos isolados" da classe médica, o ministro da Saúde escreveu um email pelo qual lamenta a "truculência e a arrogância" dos profissionais "que se posicionam contra o programa". O petista lamenta ainda a "atitude do presidente de uma entidade médica de fazer esse movimento após o debate do Mais Médicos, que foi pedido por prefeitos de todos os partidos, inclusive do PSDB". Padilha finaliza escrevendo: "Sou médico, tenho orgulho da minha profissão, mas estou ministro da Saúde e tenho de agir com foco nas necessidades da população brasileira".

Em entrevista ao jornal Brasil Econômico nesta segunda-feira 14, Alexandre Padilha declarou que torce para que o programa não seja usado como tema eleitoral. "Foi um esforço de todos os prefeitos, de todos os partidos. Ele só se transforma em um tema eleitoral se a oposição cometer o erro de atacar esse programa. Será um erro duplo porque vai atacar um programa que é uma necessidade para o país e que foi solicitado por prefeitos também da oposição", afirma.

Aprovação

A ofensiva por parte dos médicos, no entanto, é contra uma população que aprova a iniciativa do governo de contratar mais profissionais, brasileiros e de outros países. De acordo com uma pesquisa Datafolha divulgada em 12 de agosto, 54% dos entrevistados são favoráveis ao Mais Médicos. A mesma pesquisa, realizada em junho, havia registrado índice de aprovação de 47%. Ao mesmo tempo, a rejeição ao programa diminuiu, de 48% em junho para 40% em agosto. A maioria das pessoas que aprova a contratação de mais médicos em regiões onde há falta de profissionais é do Nordeste, um dos locais onde há mais déficit.

sábado, 24 de agosto de 2013

Motivos do medo da máfia de branco brasileira aos médicos cubanos


Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Corporativismo.... Nome dado quando um determinado setor, área ou categoria une-se, entre seus pares, para estabelecer e determinar regras, ações e políticas favoráveis a seus membros e representantes, buscando criar e proteger um determinado setor de exploração econômica ou política, ou ambos.

Pois bem, em nosso país uma das mais poderosas (política, econômica e socialmente) categorias é a médica. 

Embora, em grande parte, seus membros tenham se formado em universidades públicas (ainda as melhores), muitos deles apenas perpetuam uma espécie de linhagem familiar, por muitos serem oriundos de famílias de médicos, a maior parte pertencendo à classe média, possuem uma ótica bastante elitista. Parcela considerável deles recusam-se a trabalhar no interior do país (embora haja exceções notáveis) e a grande maioria adota ainda uma atitude mecanicista no trato com pacientes, e elitista no trato com demais categorias da saúde (vide o corporativismo agressivo na defesa da exclusividade de diagnósticos e encaminhamentos no caso do Ato Médico).

A expressão corporativa, quase exclusivista e mafiosa da categoria, contudo, se fez ver nos últimos dias no embate (apoiado pelos setores mais cinicamente conservadores e reacionários da sociedade) violento da classe de jaleco contra o programa do governo federal para atriair (e atraiu) médicos estrangeiros para suprir o rombo não preenchido pelos nacionais que se julgam superior aos demais mortas (mesmo ganho mais que professores e outras categorias que aceitariam de bom grado pagamento semelhantes aos a eles dados).


Aproveitando-se e estimulados pelos fascistas de direita, o foco da crítica dos médicos brasileiros igualmente de direita é atacar a vinda de seus colegas cubanos. Ora, vejamos alguns dados internacionais sobre a competência destes profissionais de Cuba, segundo o blog Falando Verdades, citando fontes:

A Medicina cubana é tão "ruim" que é a unica da América Latina que está entre as 10 melhores do mundo segundo indice da ONU IDH M, e tem indicadores muito melhores que os do Brasil.

http://www.who.int/countries/cub/en/  Dados de Cuba pela Organização Mundial da Saúde.



O jornalista Marco Weissheimer, do Portal Sul21, apresenta 10 argumentos que credenciam os médicos cubanos a trabalharem em comunidades pobres brasileiras que sofrem com a falta de acesso a saúde

Por Marco Weissheimer, do Sul21

Escola Latino-Americana de Medicina, em Cuba, assumiu a premissa da responsabilidade social, diz Organização Mundial da Saúde (Foto: Reprodução / Sul21)

Um dos principais argumentos da reação irada de entidades médicas brasileiras contra a vinda de médicos cubanos para o país consiste em questionar a qualidade e a competência dos profissionais cubanos. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, chegou a dizer que “os cubanos poderão causar um genocídio” no Brasil. Os primeiros 400 médicos cubanos chegam ao Brasil neste fim de semana, em um convênio com a Organização Panamericana de Saúde (Opas). Uma das maneiras de aferir essa qualidade é levar em conta a realidade da saúde e da medicina em Cuba. Eis aqui dez indicadores e informações sobre a saúde cubana para a população brasileira avaliar (os dados são do governo cubano e da Organização Mundial da Saúde):

(1) Em Cuba, há 25 faculdades de medicina (todas públicas), e uma Escola Latino-Americana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil . (Estudaram em Cuba e lá se formaram, entre outros, dois filhos de Paulo de Argollo Mendes, presidente há 15 anos do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e critico ferrenho do programa Mais Médicos).

(2) Em 2012, Cuba formou 11 mil novos médicos. Deste total, 5.315 são cubanos e 5.694 vêm de 59 países principalmente da América Latina, África e Ásia. Desde a Revolução Cubana em 1959, foram formados cerca de 109 mil médicos no país. O país tem 161 hospitais e 452 clínicas para pouco mais de 11, 2 milhões de habitantes.

(3) A duração do curso de medicina em Cuba, como no Brasil, é seis anos em período integral. Depois, há um período de especialização que varia entre três e quatro anos. Pelas regras do sistema educacional cubano, só entram no curso de medicina os alunos que obtêm as notas mais altas ao longo do ensino secundário e em um concurso seletivo especial.

(4) Estudantes de medicina cubanos passam o sexto ano do curso em um período de internato, conhecendo as principais áreas de um hospital geral. A sua formação geral é voltada para a área da saúde da família, com conhecimento em pediatria, pequenas cirurgias, ginecologia e obstetrícia.

(5) Em Cuba há hoje 6,4 médicos para mil habitantes. No Brasil, esse índice é de 1,8 médico para mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes. Em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos para cada mil habitantes.

(6) A taxa de mortalidade em Cuba é de 4,6 para mil crianças nascidas, e a expectativa de vida é de 77,9 anos (dados de janeiro de 2013). No Brasil, a taxa de mortalidade é de 15,6% para mil bebês nascidos (IBGE/2010).

(7) Em 1998, depois que o furacão Mitch atingiu a América Central e o Caribe, Fidel Castro decidiu criar a Escola Latino-Americana de Medicina de Havana (Elam) com o objetivo  de formar em Cuba médicos para trabalhar em países chamados subdesenvolvidos. A Organização Mundial da Saúde definiu assim o trabalho da Elam: “A Escola Latino-Americana de Medicina acolhe jovens entusiasmados dos países em desenvolvimento, que retornam para casa como médicos formados. É uma questão de promover a equidade sanitária. A Elam assumiu a premissa da “responsabilidade social”.

(8) Em 20 anos, médicos cubanos atenderam a mais de 25 mil afetados pela explosão em Chernobyl, incluindo muitas crianças órfãs. Desde o início do programa, em 1990, foram atendidos mais de 25.400 pacientes, a maioria deles crianças. 70% dos menores que receberam tratamento na localidade cubana de Tarará perderam seus pais e chegaram a Cuba com enfermidades oncológicas e hematológicas provocadas pela exposição à radiação (ver vídeo abaixo).

(9) Segundo a New England Journal of Medicine, uma das importantes revistas médicas do mundo, o sistema de saúde cubano parece irreal. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito. Apesar de dispor de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o dos EUA não conseguiu resolver ainda.

(10) Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano em expectativa de vida e educação durante a última década.

Certamente o sistema de saúde cubano não é o paraíso na Terra e seus profissionais não são os melhores do mundo. No entanto, os indicadores e informações acima citados parecem credenciá-los para desenvolver um importante trabalho de medicina comunitária e medicina da família em comunidades pobres brasileiras que têm grande dificuldade de acesso a serviços de saúde. Os profissionais cubanos têm especialização e tradição de trabalhar justamente nesta área e não representam nenhuma concorrência para profissionais brasileiros nesta área. Virá daí um genocídio???
 
http://revistaforum.com.br/blog/2013/08/dez-informacoes-sobre-a-saude-e-a-medicina-em-cuba/