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domingo, 12 de novembro de 2017
O linguista, filósofo e ativista social Noam Chomsky analisa, em um curto vídeo, a visão mesquinha das elites sobre trabalhadores e os mais pobres
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Leandro Karnal sobre Zygmunt Bauman e o conceito de Mundo Liquido
Palestra realizada em 05/08/2015 no IV Encontro Institucional da Magistratura Trabalhista da 5ª Região
ESCOLA JUDICIAL
TRT 5ª Região - Bahia Fonte: Território do Conhecimento
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Jô Soares comenta a pichação-ameaça de imbecis fascistas-golpistas em frente ao seu prédio, seguida da análise de Luis Fernando Veríssimo sobre o ódio doentio da direita
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Jô Soares, em seu último programa com as "Meninas do Jô", comentou e discutiu as pichações de coxinhas-golpistas antidemocráticos de direita, com os dizeres "Morra, Jô Soares", em frente ao seu prédio, o que assustou inúmeras pessoas, inclusive crianças que frequentam duas escolas próximas.
Tal ato de Terrorismo, manifestação de ódio e covardia são bem dignas dos seguidores de Olavo de Carvalho, Arnaldo Jabor, Kim Kataguri, Marcello Reis, Diogo Mainardi, Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo, retoma uma prática comum de covardes nazistas dos tempos da ditadura, e tudo isso porque o apresentador corajosamente vem defendendo a democracia e a presidenta Dilma da onda fascistóide, fundamentalista e golpista, fomentada pela Casa Grande e sua mídia amestrada, contra o resultado legítimo das Urnas, enfrentando os interesses golpistas da própria emissora que o contratou, a poderosa e Golpista Rede Globo, como demonstrou a entrevista feita com a presidente e que levou a emissora a suspender seu programa semana passada, pondo no lugar os jogos da copa Sub-20 (que ela nunca transmitiu antes), e já buscando uma alternativa ao programa do Jô para breve.
Veja o vídeo, abaixo (extraido do Contexto Livre), onde o apresentador comenta o fato fascista e suas imlicações. Após isto, leia o artigo-crônica de Luis Fernando Veríssimo, publicado no Estado de São Paulo, sobre o ódio vingativo, fascista e truculento da direita golpista:
Ódio
A deterioração do debate político no Brasil é consequência direta de um antipetismo justificável, dado aos desmandos do próprio PT no governo, e de um ódio ao PT que ultrapassa a razão. O antipetismo decorre em partes iguais da frustração sincera com as promessas irrealizadas do PT e do oportunismo político de quem ataca o adversário enfraquecido. Já o ódio ao PT existiria mesmo que o PT tivesse sido um grande sucesso e o Brasil fosse hoje, depois de 12 anos de pseudossocialismo no poder, uma Suécia tropical. O antipetismo é consequência, o ódio ao PT é inato. O antipetismo começou com o PT, o ódio ao PT nasceu antes do PT. Está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for sua sigla.
É inútil tentar debater com o ódio exemplificado pela reação à entrevista do Jô e argumentar que, em alguns aspectos, o PT justificou-se no poder. Distribuiu renda, tirou gente da miséria e diminuiu um pouco a desigualdade social - feito que, pelo menos pra mim, entra como crédito na contabilidade moral de qualquer governo. O argumento seria inútil porque são justamente estas conquistas que revoltam o conservadorismo raivoso, para o qual “justiça social” virou uma senha do inimigo.
Tudo isto é lamentável, mas irrelevante, já que o próprio Lula parece ter desesperado do PT. Se é verdade que o PT morreu, uma tarefa para investigadores do futuro será descobrir se foi suicídio ou assassinato. Ele se embrenhou nas suas próprias contradições e nunca mais foi visto ou pensou que poderia ser a primeira alternativa bem-sucedida ao domínio dos donos do poder e acordou um dia com um tiro na testa?
De qualquer maneira, será uma história triste.
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terça-feira, 14 de abril de 2015
Bob Fernandes e a Hipocrisia conservadora que, qual vírus, força-se a adoentar o Brasil
Segue vídeo (e sua transcrição textual) com excelente e irônica análise de Bob Fernandes sobre o conservadorismo retrógrado e hipócrita da direita e suas tentativas patéticas de elitismo e golpismo:
Bob Fernandes / Com ou sem CLT, bolsa, cota, ditadura? ... E Fernanda e Nathalia podem se beijar?
Que todos se manifestem. Inclusive os que, infiltrados nas manifestações, pregam golpe e ditadura militar. Melhor o fascismo exposto do que oculto.
Quando uma agenda conservadora, avançada ou atrasada é votada às pressas no Congresso, é tempo de cada cidadão se manifestar.
Carteira assinada, carteira assinada & terceirizados... ou libera geral e quem conseguir que se vire?
Educação com professores de carreira... ou com professores terceirizados?
Com médicos ou sem médicos, sejam cubanos ou brasileiros?
Onze milhões de famílias têm bolsa- família. Com bolsa-família... ou que se virem?
Com redução penal ou sem? Com Luz pra Todos...ou sem luz porque o custo é alto?
Com PROUNI ou sem PROUNI?
Com cotas ou sem cotas?
Privatiza tudo ou não? E com que qualidade e preço nos serviços?
Policia Militar para defender o Estado e patrimônio, como desde sempre... ou para servir aos cidadãos?
Polícia pra valer... ou policia de dois mil e poucos reais?
Polícia com lei e respeito... ou com esculacho e bala se o mano é Brown?
Todo morto pela polícia terá nome, rosto e investigação?...Ou isso só vale se o morto tiver endereço e sobrenome nobres?
Escândalo, cobrança e justiça pros milionários que subornaram o CARF para pagar menos à Receita Federal... ou escândalo só existe quando o ladrão não é do Clube?
Presunção de inocência vale pra todo mundo? Ou só quando é do mundo de quem organiza manchetes e o barulho?
Silêncio cúmplice para todos... ou só para poucos?
Valerá a PEC das domésticas... ou aquela empregada que "é-como-se-fosse-da-família" estará no testamento?
Manifestações sempre, e todas. Mas com quentinha... ou sem quentinha? E com ou sem Revoltado que reabilita Cesare Lombroso?
Manifestação cobrando também empresários, sonegadores, banqueiros e bacanas... ou não?
Manifestação ao lado de quem defende ditadura, tortura e estupro... ou bem longe desses tipos?...
E com ou sem achacadores?
Aos 85 anos de vida, as atrizes Fernanda Montenegro e Nathália Timberg podem se beijar? ... Ou têm que pedir permissão à audiência, a pastores e bispos?
sábado, 7 de março de 2015
Bob Fernandes: "Imaginem se o Helicóptero da cocaíne fosse de Genoíno"
Segue vídeo e sua transcrição textual do comentário de Bob Fernandes, de dezembro de 2013, que se tornou uma crônica atualíssima da hipocrisia golpista midiática do Brasil:
Vem aí um novo capítulo da novela político-policial do Brasil. Quem seria o dono do Hotel Saint Peter, onde José Dirceu quer trabalhar?
E José Genoino segue nas manchetes. Ele renunciou ao mandato, e não teria como não estar nas manchetes. O problema é quanto ao que não chega, ou não permanece nas manchetes.
O ministério público requisitou a suspensão de 10 contratos para reforma de trens em São Paulo. O tal escândalo dos trens e metrô.
O promotor Marcelo Milani diz que um pacote de reforma de trens em São Paulo custou mais do que a compra de trens novos.
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Segundo Milani, em 4 dos contratos não houve competição. Só foi apresentada uma proposta por lote. Valor destes 4 contratos? R$ 1 bilhão e 600 milhões.
Cada trem reformado, só o trem, custou 80% do preço de um trem novo, informa o promotor.
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O metrô alega que a reforma de cada trem custou 60%, e não 80% de um novo trem. Vamos ver o fôlego deste escândalo.
Há 8 anos, José Adalberto Vieira da Silva foi preso no aeroporto de Congonhas. Ele era assessor do então deputado no Ceará, José Guimarães. Que é irmão de Genoino.
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Adalberto foi preso com US$ 100 mil na cueca, isso em meio às investigações do "mensalão. Hilário, chocante e monumental escândalo, aquele dos "dólares na cueca".
Adalberto assessorava Guimarães, lá no Ceará. Mas, mesmo sem prova alguma, na repercussão quem pagou a conta foi Genoino.
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Tem gente que não exerce o livre arbítrio. Analisa os outros pelo que carrega dentro de si mesmo, pelo que é.Quem é assim não aceita que liberdade de escolha e liberdade na crítica possam conviver numa só pessoa.
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Maior cronista do Brasil, Luis Fernando Veríssimo declarou voto no PT por mais de uma vez. E, aos 77 anos, Veríssimo segue dizendo o que pensa. Outro dia ele escreveu:
-Proponho o fim da hipocrisia no julgamento de casos de corrupção no país. Oficialize-se, já, dois sistemas de pesos e medidas diferentes. Um que só vale para o PT... e outro para os outros, principalmente o PSDB.
Como previsível, aplausos de um lado da arquibancada. O outro lado da arquibancada vaiou. Ou fez que não leu. A proposta de Veríssimo provoca reflexão. E a imaginação.
Imagine, cara amiga, caro amigo, que Genoino não está condenado à prisão. E que ele não é deputado, e sim senador.
Imagine que Genoino e um dos seus filhos, que é deputado, têm um helicóptero. E que nesse helicóptero o piloto é preso, pela Polícia Federal, com 450 quilos de cocaína.
Imagine a dimensão, o tamanho da repercussão. Já imaginou?
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014
O mecanicismo e o hedonismo: o egoísmo humano e a expressão de sua sapiência demente
Nós somos, essencialmente, uma mistura de sábios e dementes. Sábios o suficiente para brincar com a ciência, e dementes o suficiente para fazermos dela uma arma (muitissimos frequentemente). Houvesse ainda uma valorização da filosofia, do humanismo, da solidariedade contrabalançando o mecanicismo produtivista-consumista e haveria ainda esperança de fazermos da nossa tecnologia instrumento à favor da vida e do bem-estar. Como a humanidade, após a Segunda Guerra, preferiu seguir o caminho da atomização individualista, calcada nos valores do mecanicismo-materialismo e do capitalismo, que o incentiva, o que vemos é o oposto, o resultado da razão usado de modo irracional, exatamente por não haver mais o contrapeso do qualitativo, dos valores, da partilha, da fraternidade, da espiritualidade e da utopia.
O vídeo abaixo reflete, em imagens, esta encruzilhada perigosa construída pelo próprio homem. Chama-se "A Humanidade e a Tecnologia".
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
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domingo, 11 de maio de 2014
Bob Fernandes à propósito da banana de Daniel Alves, a hipocrisia da elite fascista e a conversa zoológica que se seguiu
Segue o comentário do jornalista Bob Fernandes sobre a hipocrisa racista das elites brasileiras. Abaixo do vídeo, a transcrição textual de seu comentário:
Apropósito da banana do Daniel Alves e da conversa zoológica que se seguiu.
A propósito dos que se esquecem, ou fazem de conta não saber que o Brasil suportou a escravidão por 380 anos. Quatro quintos da sua história.
A propósito dos imigrantes haitianos, que são negros e pobres. E de imigrantes quando são brancos, como são os da leva mais recente.
Entre 2010 e março deste ano foram registrados 11 mil 916 haitianos. Isso no Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros (SINCRE), da Polícia Federal.
Outros 12 mil haitianos têm visto de entrada ou já chegaram, mas ainda não estão regularizados.
A diáspora do Haiti espalhou 4 milhões dos seus habitantes pelo mundo. Uns 25 mil estão no Brasil.
Enquanto estavam lá no Acre, ou de lá vinham sem ruído, algumas manchetes. E silêncio.
Com o desembarque em massa São Paulo, a troca de acusações entre altas autoridades, e ares de escândalo.
O mesmo não se viu em recente onda de migração para o Brasil. Como se sabe, o mundo quebrou em 2008. Em especial, Europa e Estados Unidos.
Somente entre 2010 e 2013, o Brasil deu visto de trabalho para 9 mil imigrantes de origem europeia ou norte-americana. Além de asiáticos, a maioria do Japão e da China.
Nove mil, sem contar outros. Como aposentados com, ao menos, R$ 4 mil reais ao mês. Ou qualquer um que tivesse R$ 150 mil e informasse a intenção de investir em trabalho autônomo.
Ou, ainda, quem alegasse o motivo de reunir-se à família; isso num pais, o Brasil, com milhões de famílias vindas do exterior
Entre 2010 e 2012 o numero de vistos para trabalho aumentou em 70%.
A Europa tinha 10% de desemprego, em média.
A Espanha, com 26% de desemprego, 55% entre os jovens. Itália, Portugal, Grécia e anglo-saxões, entre outros, viviam o auge da crise.
O Brasil assistiu aquela onda de imigração, essa última, com naturalidade. Até com certo orgulho.
É bom não esquecer a diáspora brasileira que se seguiu às crises econômicas dos anos 80 e 90.
O IBGE calculou em 500 mil os brasileiros no exterior. O Itamaraty chegou a informar 2,5 milhões, com diminuição de 30% nessa cifra desde 2008.
É bom não esquecer a História, nessa hipócrita e zoológica salada, que mistura bananas e… bananas.
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terça-feira, 8 de abril de 2014
As forças reacionárias golpistas em 2014 se concentram no Partido da imprensa Golpista, o PiG
Charge de Bessinha sobre a escancarada tendenciosidade golpista da mídia atualmente. Uma imagem que diz tudo.
Abaixo, comentário de Bob Fernandes sobre dois pontos que se ligam: o Fracasso da "Marcha" dos coxinhas golpistas e o caso da Refinaria de Pasadena e seu uso político-golpista-midiático (a transcrição do comentário de Bob Fernandes encontra-se abaixo do vídeo:
Os da "Marcha" têm saudades da ditadura. Na ditadura, notícias sobre corrupção e escândalos eram censuradas. Tratemos do presente. Da Petrobras e mais.
A compra de refinaria no Texas ressurge como escândalo. Leigos, experts e espertos, escolhem seus lados na batalha. Que é, também, política e midiática.
De repente, na mídia tradicional e nas redes sociais, quase todos são profundos conhecedores do negócio. Contra ou a favor. Incluindo as cláusulas Put Option e Marlin.
Visto hoje, e com olhos leigos, parece restar pouca dúvida de ter sido péssimo negócio. As dúvidas reverberadas na mídia concentram-se no erro, incompetência, ou má fé.
Negócio de bilhão é para profissionais. Dois deles, que faziam parte do Conselho da Petrobras, deram opiniões. E expuseram a sinuca de bico. Política e empresarial.
Fábio Barbosa, que fazia parte do Conselho, defende a operação. Disse ele, sobre a compra da refinaria:
-Estava alinhada com o plano estratégico para a empresa, e o valor estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou um grande banco americano.
Detalhe: Barbosa é presidente da Abril, da revista Veja. Veja, que opina: "Dilma fez (quase) tudo certo no caso Pasadena". Erro seria, entende a revista, o "aparelhamento da Petrobras".
Outro empresário, ainda hoje com assento no Conselho da Petrobras, é Jorge Gerdau Johannpeter. Que sobre a decisão para compra da refinaria em Pasadena afirma:
-Se baseou em avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio.
Sinucas e silêncios. Do governo e da Petrobras. Investigue-se. Se houve má fé, é punir. Mas a norma é o uso de denúncia como arma de campanha. Depois, o acerto e o esquecimento.
Acerto, esquecimento, e vítimas pelo caminho. Tomemos como exemplo o caso Alstom, de meio bilhão. Arrasta-se a investigação. Dezenas de nomes nas manchetes.
Nome até de quem já está morto, como Mario Covas. Parece importar pouco não haver, ou não se conhecer, prova alguma que permita citá-lo numa manchete policial.
A presunção de inocência deveria valer para todos. Não vale para mais ninguém. E parece não importar, também, o que aconteceu no Brasil nos últimos 16 anos.
Desde 1999 foram cassados cerca de 700 políticos. De governadores a vereadores. Mas segue a regra geral: acusar, como arma de campanha, e só depois investigar.
E quem for inocente? Que se dane. Isso no país onde cidadãos têm US$ 520 bilhões em paraísos fiscais. E devem R$ 1 trilhão e 300 milhões em impostos.
"Ah, se fosse na ditadura!", dirão as "testemunhas" da Marcha. Ditadura, em qualquer canto, é sinônimo de tortura, morte, e silêncio.
Abaixo, comentário de Bob Fernandes sobre dois pontos que se ligam: o Fracasso da "Marcha" dos coxinhas golpistas e o caso da Refinaria de Pasadena e seu uso político-golpista-midiático (a transcrição do comentário de Bob Fernandes encontra-se abaixo do vídeo:
Fracasso retumbante a "Marcha com a Família". O conjunto das "marchas" no país todo não juntou mil "testemunhas". Para o mofo, nada melhor DO que a luz do dia.
Os da "Marcha" têm saudades da ditadura. Na ditadura, notícias sobre corrupção e escândalos eram censuradas. Tratemos do presente. Da Petrobras e mais.
A compra de refinaria no Texas ressurge como escândalo. Leigos, experts e espertos, escolhem seus lados na batalha. Que é, também, política e midiática.
De repente, na mídia tradicional e nas redes sociais, quase todos são profundos conhecedores do negócio. Contra ou a favor. Incluindo as cláusulas Put Option e Marlin.
Visto hoje, e com olhos leigos, parece restar pouca dúvida de ter sido péssimo negócio. As dúvidas reverberadas na mídia concentram-se no erro, incompetência, ou má fé.
Negócio de bilhão é para profissionais. Dois deles, que faziam parte do Conselho da Petrobras, deram opiniões. E expuseram a sinuca de bico. Política e empresarial.
Fábio Barbosa, que fazia parte do Conselho, defende a operação. Disse ele, sobre a compra da refinaria:
-Estava alinhada com o plano estratégico para a empresa, e o valor estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou um grande banco americano.
Detalhe: Barbosa é presidente da Abril, da revista Veja. Veja, que opina: "Dilma fez (quase) tudo certo no caso Pasadena". Erro seria, entende a revista, o "aparelhamento da Petrobras".
Outro empresário, ainda hoje com assento no Conselho da Petrobras, é Jorge Gerdau Johannpeter. Que sobre a decisão para compra da refinaria em Pasadena afirma:
-Se baseou em avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio.
Sinucas e silêncios. Do governo e da Petrobras. Investigue-se. Se houve má fé, é punir. Mas a norma é o uso de denúncia como arma de campanha. Depois, o acerto e o esquecimento.
Acerto, esquecimento, e vítimas pelo caminho. Tomemos como exemplo o caso Alstom, de meio bilhão. Arrasta-se a investigação. Dezenas de nomes nas manchetes.
Nome até de quem já está morto, como Mario Covas. Parece importar pouco não haver, ou não se conhecer, prova alguma que permita citá-lo numa manchete policial.
A presunção de inocência deveria valer para todos. Não vale para mais ninguém. E parece não importar, também, o que aconteceu no Brasil nos últimos 16 anos.
Desde 1999 foram cassados cerca de 700 políticos. De governadores a vereadores. Mas segue a regra geral: acusar, como arma de campanha, e só depois investigar.
E quem for inocente? Que se dane. Isso no país onde cidadãos têm US$ 520 bilhões em paraísos fiscais. E devem R$ 1 trilhão e 300 milhões em impostos.
"Ah, se fosse na ditadura!", dirão as "testemunhas" da Marcha. Ditadura, em qualquer canto, é sinônimo de tortura, morte, e silêncio.
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Noam Chomsky, em video, demonstra como o capitalismo e a grande mídia empresarial deturpam a democracia
Para assistir o papel da propaganda como inimiga da democracia no documentário A Fabricação do Consenso, com Noam Chomsky, alguém do qual um falso filósofo como Olavo de Carvalho jamais chegará sequer perto de se igualar:
domingo, 9 de março de 2014
Bob Fernandes sobre como a ONU põe a nu o maniqueísmo chifrim do debate político midiático no Brasil
Publicado em 23/12/2013
No meio do ano foi revelado pelo ex-agente Snowden: agências dos Estados Unidos monitoravam a correspondência e telefonemas da presidência do Brasil e de empresas como a Petrobras.
Não apenas do Brasil. A NSA & Cia espionam governos do mundo todo, inclusive a ONU. A presidente Dilma reagiu com dureza. Terminou por cancelar uma visita de Estado a Obama.
Pouco depois, a primeira ministra da Alemanha reagiria. Também Angela Merkel e seu governo eram espionados. As duas chefes de Estado reagiram em conjunto.
Em setembro, em seu discurso na ONU, Dilma registrou o protesto e anunciou reação. No início de Novembro, Brasil e Alemanha apresentaram na ONU uma resolução sobre a proteção da privacidade na Era Digital.
O projeto foi aprovado por consenso de 193 países. Horas depois de um juiz federal dos Estados Unidos decidir: escuta telefônica e espionagem eletrônica indiscriminada são inconstitucionais.
O que se viu no Brasil quando das denúncias? Manchetes no início e, depois, o habitual. Muitos dizendo que a reação do Brasil tinha um único objetivo: criar cortina de fumaça diante das condenações do mensalão.
Pensadores de plantão, os de sempre, foram a público e às manchetes. Para dizer que a reação era um erro estratégico brutal. Seria um erro "brigar" com os EUA por tão pouco.
Não era "briga". E não era tão pouco. Era, é seu direito, o meu, de todos nós, de não ser espionado. No rastro do maniqueísmo mais chinfrim, argumentação também chinfrim.
"Todos já estamos expostos nas redes sociais"... Foi o que disseram os que preferem, sempre, se render antes. É fato: cada vez mais se expandem canais para a megaexposição.
Mas só se expõe quem aceita se expor. Seja por ignorar ou por inocência. E isso é totalmente diferente de ter seu telefone ou computador eternamente grampeados.
Caro amigo, cara amiga. Na ONU, países do mundo inteiro disseram: "Todos temos o direito à privacidade". Essa é uma resolução importantíssima para o desenho do que será o futuro. E não apenas do Brasil.
Sem ilusões, porém, de que uma decisão como essa impedirá espionagem no atacadão da era Digital. Não, essa decisão apenas impõe um marco moral, base para ações e reações legais.
Voltando ao maniqueísmo nos debates de há meses, vale recordar Nelson Rodrigues. Dizia ele: "O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem".
Do mesmo Nelson Rodrigues, outra frase definidora e definitiva: tem brasileiro que sofre do complexo de vira-lata. Se coloca, sempre, como um ser inferior diante do resto do mundo.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Bob Fernandes em Video: O Mensalão e a Farsa de escândalos da direita nunca julgados
Há quem diga ser uma farsa o julgamento do chamado "mensalão". Não, não é uma farsa. É fruto de fatos. Ou era mesada, o tal "mensalão", ou era caixa dois. Mas não há como dizer que há uma farsa. E quem fez, que pague o que fez. A farsa existe, mas não está nestes fatos.
Farsa é: 14 anos depois, admitir a compra de votos para aprovar a reeleição em 98 -Fernando Henrique-, mas dizer que não sabe quem comprou. Isso enquanto aponta o dedo e o verbo para as compras agora em julgamento. A compra de votos existiu em 97. Mas não deu em CPI, não deu em nada.
Farsa é: fazer de conta que em 98 não existiram as fitas e os fatos da privatização da Telebras. É fazer de conta que a cúpula do governo não foi gravada em tramóias escandalosas num negócio de R$ 22 bilhões. Aquilo derrubou um pedaço do governo tucano. Mas não deu em CPI. Ninguém foi preso. Não deu em nada.
Farsa é: esquecer que nos anos PC Farias se falava em corrupção na casa do bilhão. Isso no governo Collor; eleito com decisivo apoio da mídia. À época, a polícia federal indiciou 400 empresas e 110 grandes empresários. A justiça e a mídia esqueceram o inquérito de 100 mil páginas, com os corruptos e os corruptores. Tudo prescreveu. Fora o PC Farias, ninguém pagou. Isso foi uma farsa.
Farsa foi, é o silêncio estrondoso diante do livro "A Privataria Tucana". Livro que, em 115 páginas de documentos de uma CPI e investigação em paraísos fiscais, expõe bastidores da privatização da telefonia. Farsa é buscar desqualificar o autor e fazer de conta que os documentos não existem ou "são velhos". Como se novas fossem as denúncias agora repisadas nas manchetes na busca de condenações a qualquer custo.
Farsa é continuar se investigando os investigadores e se esquecer dos fatos que levaram à operação Satiagraha. Operação desmontada a partir da farsa de uma fita que não existiu. Fita fantasma que numa ponta tinha Demóstenes Torres e a turma do Cachoeira. E que, na outra ponta da conversa que ninguém ouviu, teve o ministro Gilmar Mendes.
Farsa é, anos depois de enterrada a Satiagraha, o silêncio em relação a US$ 550 milhões de dólares. Sim, por não terem origem comprovada, US$ 550 milhões continuam retidos pelo governo dos EUA e da Inglaterra. E o que se ouve, se lê ou se investiga? Nada. Tudo segue enterrado. Em silêncio.
O julgamento do chamado "mensalão" não é uma farsa. Farsa é isolá-lo desses outros fatos todos e torná-lo único. Farsa é politizá-lo ainda mais. Farsesco é magnificá-lo, chamá-lo de "maior julgamento da história do Brasil".
Farsa não porque esse não seja o maior julgamento. Farsa porque se esquecem de dizer que esse é o "maior" porque não existiram outros julgamentos. Por isso, esse é o "maior". Existiram, isso sempre, alianças ideológicas, empresariais, na luta pelo Poder. Farsa porque ao final prevaleceu, sempre, o estrondoso silêncio
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Bob Fernandes falando em video sobre o fascismo de Bolsonaro e o "medo" do Congresso
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) diz ter sido agredido pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) nesta segunda-feira (23). Isso na visita da Comissão da Verdade ao Batalhão do 1º Exército, no Rio de Janeiro. Ali funcionou o Doi-Codi na ditadura; na prática, era um centro de tortura.
-Ele me socou por baixo (em direção ao estômago), mas não atingiu em cheio – acusa o Senador Randolfe.
Bolsonaro ensaia um desmentido: "Houve troca de insultos e empurrões…eu empurrei ele por baixo", admite, antes de oferecer maiores detalhes:
-Se dou um soco nele, eu o desmonto. Boto ele no chão para dormir 3 dias. (…) Eu o teria nocauteado.
(Isso é um deputado federal!)
O PSOL vai representar contra Bolsonaro por quebra do decoro parlamentar. De outras vezes, em outras acusações contra o deputado, não deu em nada.
Bolsonaro defende a tortura. Por mais de uma vez ofendeu colegas, usou expressões racistas e homofóbicas. O Congresso parece ter, ou tem mesmo medo de Bolsonaro.
Bolsonaro surge na cena pública em outubro de 1987, numa reportagem. Então a revista Veja revelou que ele e outro militar planejavam explodir bombas em quartéis do Rio de Janeiro, e na adutora do Rio Gandú.
A ação se daria na luta por melhores salários para os militares – daí nasce a base de votos do agora deputado. Bolsonaro foi processado. Ele negou tudo, foi absolvido pelo Tribunal Militar, mas havia cometido um erro.
A revista publicou um croqui, desenhado pelo próprio Bolsonaro, com a bomba que seria colocada na adutora.
Bolsonaro, como Marco Feliciano, ronda o fascismo. Feliciano, por esperteza, por cálculo eleitoral, joga com o tema religião. Bolsonaro, por conta do seu DNA, atiça o ódio ideológico.
Outro dia falamos aqui sobre o clima de ódio que se espalha, se esparrama pelo debate político em certas áreas. Ódio que, tendo como escoadouro e indutor as redes sociais, sepulta a razão.
Não é a maioria, entre torcedores mais fanatizados de partidos, mas cada vez mais há um tom de recalque, de ressentimento, de rancor.
Renato Janine Ribeiro é professor-titular de Ética e Filosofia Política na USP. Em conversa com o jornalista José Roberto de Toledo, do jornal O Estado de S. Paulo, Renato Janine concluiu:
-Essa polarização aniquila o debate político. Ninguém mais muda de idéia. As pessoas estão blindadas nas suas convicções. A corrupção tem hegemonia no debate político. Um acusa o outro de desonesto e isso dinamita as pontes. O clima de ódio prevalece.
Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da da Getúlio Vargas, pesquisa democracia, participação social e governo. Para o professor, o moralismo afasta as pessoas e "acirra paixões selvagens". Sobre essa polarização disse ele em conversa também com o Estadão:
-É plebiscitária, contra ou a favor, sem ponderar.
Num ambiente como esse, gente como Bolsonaro avança. Trocando a razão, a inteligência, por ofensas e agressões.
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