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segunda-feira, 1 de abril de 2019

GGN: Grupo paramilitar de direita tinha plano de matar Jango em 1964

Grupo paramilitar de direita tinha plano de matar Jango em 1964

O autodenominado “Novos Inconfidentes” planejava o ataque dia 21 de abril, data de Tiradentes, quando Jango realizaria em Belo Horizonte o Comício das Reformas

Reprodução
Jornal GGN – A professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Heloísa Starling descobriu a existência de um grupo paramilitar de direita nos anos 1960, em Minas, que montou um plano para matar o então presidente João Goulart (Jango). A ação não foi a cabo porque o golpe militar aconteceu antes.
Segundo matéria da Folha de S.Paulo, a pesquisadora explica que a proposta era atacar Jango no dia 21 de abril, quando faria seu Comício de Reformas em Belo Horizonte. A data para o evento foi escolhida propositalmente pelo presidente por se tratar do dia de Tiradentes, herói da Inconfidência.
A série de discursos para defender as reformas de base do seu governo, entre elas a reforma agrária, era uma proposta de Jango para aumentar o apoio da população, fazendo frente à resistência de setores conservadores do Congresso e da sociedade. O primeiro Comício aconteceu na Central do Brasil, Rio de Janeiro, e reuniu 150 mil pessoas.
O grupo paramilitar que planejava o ataque contra Jango era chamado de “Novos Inconfidentes”. Eles eram um braço do centro ideológico do Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), do poder empresarial mineiro.
Os paramilitares trabalhavam com três planos para assassinar Goulart. No primeiro, um avião faria voo rasante por cima do palco e largaria dinamites sobre o presidente. No segundo plano, integrantes do grupo jogariam bombinhas para dispersar o público, em seguida, outros armados abririam caminho usando metralhadoras até chegar no palco e concluiriam com disparando sobre o presidente.
O terceiro plano era usar atiradores posicionados em cima de ônibus e caminhões que seriam estacionados ao redor da praça onde aconteceria o comício. Um dos atiradores seria o coronel José Oswaldo Campos do Amaral, campeão mineiro de tiro.
Quem relatou toda a estratégia à Starling foi o general José Lopes Bragança, que coordenaria toda a ação. Mas o golpe precipitado pelo general Olympio Mourão, em 31 de março de 1964, tornou desnecessário o plano.
A história foi contada pela pesquisadora no livro “Os Senhores das Gerais – Os Novos Inconfidentes e o Golpe de 1964” (Ed. Vozes, 1986).
“A ideia dessa conspiração era recuar para Minas Gerais, se [o governo] reagisse, e declarar o estado em estado de rebelião. Os Estados Unidos reconheceriam isso e daqui eles organizariam a resistência até o governo cair. A operação Brother Sam ia desembarcar armas [vindas dos EUA] no Espírito Santo, e a polícia militar mineira montaria um corredor para que elas pudessem chegar”, conta Starling.

domingo, 25 de outubro de 2015

Jânio de Freitas: A democracia arrombada pelo pior Congresso Nacional da História



   "Há dez meses o país está ingovernável. À parte ser promissor ou não o plano econômico do governo, o Legislativo não permite sua aplicação. E não porque tenha uma alternativa preferida, o que seria admissível. São propósitos torpes que movem sua ação corrosiva, entre o golpismo sem pejo de aliar-se à imoralidade e os interesses grupais, de ordem material, dos chantagistas. Até o obrigatório exame dos vetos presidenciais é relegado, como evidência a mais dos propósitos ilegais que dominam o Congresso. A Câmara em particular, infestada, além do mais, por uma praga que associa a criminalidade material à criminalidade institucional do golpe." Jânio de Freitas



A democracia arrombada


Crise, crise mesmo —não os quaisquer embaraços que os jornalistas brasileiros logo chamam de crises— desde o fim da ditadura tivemos apenas a que encerrou o governo Collor. Direta ao objetivo, exposta como se nua, escandalosa e inutilmente previsível, começou e se encerrou em cinco meses e dias. Estava reafirmado, provava-se vivo e são, o mau caráter histórico do Brasil.

Mas, aos quatro anos, a Constituição resistiu e respondeu aos safanões, não muitos nem tão graves. Não se deu o mesmo com a crise em que fiz minha estreia como jornalista profissional. Aos oito anos em 1954, a primeira Constituição democrática do Brasil, em quase 450 anos de história, não pôde sequer esperar que um golpe militar e um revólver matassem Getúlio. As tantas transgressões que sofreu desde a posse do Getúlio eleito já eram o esfacelamento da Constituição democrática, com o desregramento político, legal, ético e jornalístico da disputa de poder que ensandecia o país.

O Brasil deixara de ser democracia bem antes do golpe que o revólver de Getúlio deixou inconcluído como ação, não como objetivo. Reduzido o regime de constituição democrática a mera farsa, em poucos meses seguiram-se o impedimento do vice de Getúlio, a derrubada do terceiro na linha de sucessão, que era o presidente da Câmara, e a entrega da presidência ao quarto até a posse do novo presidente eleito. Estes foram golpes militares do lado até então perdedor, antecipando-se aos golpes que o lacerdismo e seus subsidiários prepararam, com os militares de sempre, para impedir a posse do eleito Juscelino.

Em termos políticos, a vigência da Constituição democrática foi restaurada por Juscelino. Lacerda, seus seguidores e aliados fizeram mais para derrubá-lo, e por longos cinco anos, do que haviam feito contra Getúlio. Dois levantes de militares ultralacerdistas (o primeiro delatado ao governo pelo próprio Lacerda, temeroso de represália). Mas os desmandos administrativos, ainda que acompanhados de grandes realizações, corromperam a vigência plena da Constituição.

A Constituição que Jânio Quadros encontra é desacreditada, e por isso frágil. Seus princípios são democráticos, mas, dada a sua fraqueza, o regime não é de democracia de fato. Um incentivo a aventuras inconstitucionais, portanto.

Primeiro, a que se frustrou na indiferença ante a renúncia presidencial. Depois, o levante militar contra a posse do vice. Não foi a Constituição democrática que impediu a guerra civil entre seus violadores e seus defensores. Foi um acordo que nem por ser sensato deixava ele próprio de segui-la.

O Brasil do período em que se deu o governo Jango está por ser contado. As liberdades vicejaram, o que deu certos ares de regime constitucional democrático. Mas os desregramentos de todos os lados e o golpismo tanto negaram a constitucionalidade como a democracia. As eleições para o Congresso estavam viciadas por dinheiro norte-americano e brasileiro, grande parte do Congresso seguia ordens de um tal Ibad, que era uma agência da CIA, a agitação governista e oposicionista criava um ambiente caótico e imprevisível mesmo no dia a dia. As liberdades não bastavam para configurar uma democracia, propriamente, por insuficiência generalizada do pressuposto democrático.

Passados os 21 anos de serviço ostensivo dos militares brasileiros aos interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos, a Constituição de 1988 apenas embasou e aprimorou a democratização instituída com a volta do poder aos seus destinatários por definição e direito –os civis, em tese, os agentes de civilização. De lá até há pouco, o que houve no governo Collor foi como um mal-estar. Não afetou as instituições e sua prioridade democrática.

Não se pode dizer o mesmo do Brasil atual. Há dez meses o país está ingovernável. À parte ser promissor ou não o plano econômico do governo, o Legislativo não permite sua aplicação. E não porque tenha uma alternativa preferida, o que seria admissível. São propósitos torpes que movem sua ação corrosiva, entre o golpismo sem pejo de aliar-se à imoralidade e os interesses grupais, de ordem material, dos chantagistas. Até o obrigatório exame dos vetos presidenciais é relegado, como evidência a mais dos propósitos ilegais que dominam o Congresso. A Câmara em particular, infestada, além do mais, por uma praga que associa a criminalidade material à criminalidade institucional do golpe.

A ingovernabilidade e, sinal a considerar-se, o pronunciamento político contra a figura presidencial, pelo comandante do Exército da Região Sul, são claros: se ainda temos regime constitucional, já não estamos sob legítimo Estado de Direito. A democracia institucional desaparece. Como indicado no percurso histórico, sempre que assim ocorreu e não foi contido em tempo, o rombo alargou-se. E devorou-nos, com nossa teimosa e incipiente democracia. 

domingo, 16 de março de 2014

50 Anos do Golpe Militar que lançou o Brasil nas Trevas... O que faremos desta Memória?





   Tortura é crime hediondo contra a humanidade e não prescreve.... O erros, os desmandos e as arbitrariedades do passado devem ser conhecidas para que jamais sejam repetidas, no entanto, no Brasil, a força das mesmas elites que incentivaram o mal de 64 ajudam seus agentes a acobertarem os crimes cometidos durante a ditadura. Por quê, se os crimes dos militares da Argentina, do Uruguai e do Chile já foram passados à limpo e vários dos criminosos ou indo para a cadeia ou tendo seus nomes registrados na lista de criminosos?

  Há links para dois importantes filmes sobre este período negro da América Latina e do Brasil: o premiado Estado de Sítio, de Costa Gravas e os excelentes Jango, de Silvio Tendler, e O Dia que durou 21 anos, de Flávio Tavares, demonstrando que os golpes foram concebidos e patrocinados pelo governos dos Estados Unidos.

    Segue, adiante, texto de Miguel do Rosário, extraído do site Tijolaço:


50 anos do golpe: o que faremos sobre isso?


Em 2014, o Brasil viverá a mais dolorosa efeméride de sua história: 50 anos do golpe de Estado.
O que está sendo preparado pelo governo, pelos partidos, pelas organizações civis e pela mídia para que o passado não seja esquecido?

A coincidência com ano eleitoral, Copa do Mundo, e prováveis protestos de rua, nos dá a chance de forçarmos o Brasil a fazer o que até hoje nunca fez: politizar o debate sobre o golpe de 64. Por que ele aconteceu? Quem se beneficiou? Quem são os herdeiros do golpe?

Seria um belíssimo presente à democracia brasileira, por exemplo, se a Lei da Anistia fosse revista. Não para prender velhinhos, mas para darmos uma satisfação política a nós mesmos, enquanto povo.

Não se anistia tortura. Não se anistia golpe.

Sobretudo, é preciso lembrar à sociedade que o que vivemos não foi nenhuma “ditabranda”. Vivemos um período de ruptura democrática, truculento e sinistro, que abortou o sonho de milhões de brasileiros. O golpe serviu para ampliar a desigualdade de renda, achatar o salário dos trabalhadores, e esmagar as esperanças de setores organizados de construir um país mais justo.

Não há nada de brando no esmagamento do sonho de centenas de milhões de cidadãos e na violação da normalidade democrática, com a instalação de um regime militar de exceção que, paulatinamente, aniquilou todas as liberdades no país.

Não há nada de brando na ruptura brutal de toda uma série de estudos e pesquisas acadêmicas e científicas em curso no país, nas universidades, quase todas abandonadas por causa de uma repressão estúpida e paranóica.

O Brasil, especialmente a nossa juventude, precisa ser melhor informado sobre o que aconteceu. A ditadura trouxe corrupção, miséria e degradação institucional. A origem do sucateamento dos serviços públicos está na ditadura. O problema da corrupção política também tem raízes no período de exceção, porque era um tempo sem liberdade de imprensa, sem instituições de controle e com chefes políticos exercendo cargos administrativos importantes de maneira quase totalitária. Quem ousaria acusar o diretor de uma estatal de corrupção, sendo o mesmo um coronel ou general com poder de mandar prender o acusador por “subversão”?

Precisamos conhecer melhor a história da construção do golpe. Como ele foi gestado, como foi a campanha midiática que o preparou? As passeatas que antecederam o golpe também merecem ser objeto de mais estudo, até porque a mídia, a mesma mídia que apoiou o golpe, prossegue até hoje tentando organizar protestos “espontâneos” para derrubar forças populares.

 Segue, agora, texto de Elio Gaspari de seu site Arquivos da Ditadura:

Pouco antes de seu assassinato, Kennedy discutiu ação militar para tirar Jango da Presidência

Presidente dos Estados Unidos debateu situação do Brasil e do Vietnã na Casa Branca