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quarta-feira, 11 de março de 2026

segunda-feira, 2 de março de 2026

Tenente Coronel Daniel Davis: Erro dos EUA – A Guerra foge do controle

 

Do Canal de Glenn Diesen em Português

O Tenente-Coronel Daniel Davis é veterano de combate em quatro missões, vencedor do Prêmio Ridenhour de Defesa da Verdade e apresentador do canal Daniel Davis Deep Dive no YouTube. Após o segundo dia da guerra, o Tenente-Coronel Davis discute por que a guerra contra o Irã não está saindo como planejado e por que o Irã possui muitas vantagens.





domingo, 1 de março de 2026

Do Portal do José: DIREITA MIDIOTIZADA FESTEJA TRUMP! FATOS OBSCUROS VEM À TONA! BOLSONARISTAS: PAPAGAIOS COM BANDEIRA ALIENÍGENA

 

Do Portal do José:

01/03/26 - PAPAGAIOS ALÉM DA INSANIDADE, OS BOLSONARO FESTEJAM O EXTERMÍNIO DE MAIS UM LÍDER DE UMA NAÇÃO... GRUPOS PODEROSOS QUE FINANCIARAM TRUMP ESTÃO RINDO À TOA... Mais uma vez assistimos uma farsa absurda para justificar ataques à um país para destruição em busca de saques de suas riquezas! No Brasil os escândalos se seguem !



quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Bolívia, Palestina e Irã: sionismo e imperialismo são duas palavras com o mesmo conteúdo, por Paulo Cannabrava Filho




  Na prática, os templos denominados neopentecostais espalhadas pelo mundo nasceram nos Estados Unidos e atuam como braços desse sionismo de novo tipo, que se confunde com o nazismo naquilo de mais trágico da saga hitlerista: supremacismo racial e genocídio em massa dos desiguais.


A palavra sionismo perdeu o sentido original que qualificava o movimento de judeus em direção a Sion, ou Monte Sião. O local seria a terra de seus ancestrais, território em Jerusalém, onde floresceu a Palestina e que também é berço de outros povos e civilizações.
Israel surgiu no pós-Segunda Guerra pelas mãos dos países vencedores, que redesenharam a geopolítica em todo o Oriente do Mediterrâneo e na Ásia Central. Se consolidou como uma cabeça de praia (ponta avançada) do capitalismo global e se tornou potência bélica e nuclear.
A partir da gestão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (2009-atual), Israel passou a ser um Estado teocrático sionista e se tornou uma ameaça permanente à paz no mundo. O país se nega a cumprir a resolução da ONU, que prevê a criação de dois Estados — o israelense e o palestino — e segue ocupando áreas palestinas, promovendo um genocídio contra essa população.
Com a evolução do capitalismo global e a consolidação da hegemonia estadunidense, o sionismo passou a atuar como uma inteligência do novo imperialismo em expansão. A grande nação norte-americana parece guiada pelos sionistas.


“Yankees, go home!” é o grito de guerra da hora – Tasnim News
Por exemplo, o mais poderoso lobby no Congresso dos EUA é o sionista e que se confunde com o poderoso lobby da indústria armamentista. Wall Street, a meca do capital financeiro, é controlada por judeus, sionistas, claro. Lá estão os maiores e poderosos banqueiros planetários, como Lehman Brothers, Rothschild, Mellon, etc…

Influência religiosa

Mesmo a religião nos Estados Unidos, que histórica e hegemonicamente era protestante e anglicana, cedeu lugar ao neopentecostalismo. A antiga ética sofreu uma reviravolta sob a égide da teologia da prosperidade, que nada mais é do que a adoração ao deus dinheiro e está, portanto, intimamente vinculada ao sionismo.
Os fatos comprovam que muito além da coincidência bíblica (os neopentecostais veem Jerusalém como a Terra Santa e os sionistas como Terra Prometida), há confluência de ideologia, negócios bilionários e ocupação de espaço em favor da hegemonia do capital financeiro e dos interesses dos Estados Unidos. Deixa de ser coincidência ao fator religioso quando o objetivo é político e de poder.
Na prática, os templos denominados neopentecostais espalhadas pelo mundo nasceram nos Estados Unidos e atuam como braços desse sionismo de novo tipo, que se confunde com o nazismo naquilo de mais trágico da saga hitlerista: supremacismo racial e genocídio em massa dos desiguais.

Sionismo fora de Israel

Maurício Macri assumiu o poder na Argentina em 2015 para executar um projeto neoliberal a serviço do capital financeiro transnacional. A primeira atitude ao chegar ao governo foi privilegiar as relações com Israel. Visitas recíprocas e amplos acordos de cooperação na área de defesa, principalmente, foram realizados.
Paralelamente, houve, da parte argentina, um alinhamento da política externa aos interesses dos Estados Unidos, o que fez com que o país passasse a condenar governos progressistas, como os de Bolívia e Venezuela.
Na sequência, a Argentina descobre petróleo no sul da Patagônia; os Estados Unidos instalam uma base militar na província de Neuquén; Israel passa a patrulhar a fronteira hídrica entre Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai com barcos fortemente armados, soldados e assessores sionistas.
Interessante que, coincidentemente, a Argentina tem a maior colônia judaica na América do Sul e também é sede de uma poderosa máfia judia. Na prática, com o governo macrista, os interesses do país passaram a ser o mesmo do Estado Sionista.
Lá, os neopentecostais ainda são incipientes — embora a Igreja Universal do Reino de Deus tenha ganhado espaço, não conseguiram romper a energia que move o politizado povo peronista, que voltou com força ao poder em 2019. Igualmente a Igreja de Roma ainda tem muita força entre as massas populares e instituições do Estado.
Na Bolívia, são os mesmos adoradores do deus dinheiro que deram o golpe contra o governo plurinacional de Evo Morales. Foram precisamente as denominações neopentecostais saídas do Brasil que conspiraram com os agentes ianques para derrubar um governo constitucionalmente legítimo.
No lugar dos símbolos nacionais, a Bíblia. “Nunca mais a Pachamama entrará no Palácio Queimado onde volta a reinar a Bíblia”. Essa frase, dita pela autoproclamada presidenta Jeanine Áñez esclarece tudo.
O neopentecostalismo sionista no comando rompe com a soberania do povo para ser submisso aos interesses dos Estados Unidos.

Tudo se conecta.

Quando Evo Morales iniciou sua carreira política, a Bolívia estava minada, sojeros (plantadores de soja) e boiadeiros brasileiros em Santa Cruz a fomentar o movimento separatista, e os pastores, traficantes e agentes estrangeiros fazendo o trabalho de base.
Tudo o que ocorre é graças a deus! Nada graças à vontade dos homens e menos ainda resultado de políticas públicas feitas por governos preocupados com o povo e com a independência e soberania da nação. Com a mesma técnica utilizada no Brasil tomaram o poder na Bolívia.
Tal como no Brasil, por falta de Inteligência de um lado, e por deslumbramento de outro, o campo ficou descoberto, descuidado, para ser minado pelo inimigo. O anti-petismo e o anti-Evo, têm as mesmas causas.

Batalha perdida?

Bolívia e Brasil se perderam, se desviaram da rota com a qual iniciaram a caminhada. Se é assim, basta retomar o caminho, começar tudo de novo. Começar conhecendo a história, sabendo quem é o inimigo principal e identificando com quem se pode e com quem não se pode marchar.
Desde os anos 1950 os Estados Unidos têm realizando Congressos Anticomunistas, e introduzido, por meio de agentes estadunidenses, o anticomunismo nos cultos evangélicos com a finalidade de ocupar o poder. As novas denominações, neopentecostais, não escondem que querem o poder total.
Andaram bem nesse caminho no Brasil. No início do século 21 já possuíam adesão de 30% da população e as maiores bancadas nas duas casas legislativas. Hoje, a adesão já é de 40% e ocupam também o Poder Executivo. Chegaram lá com a ocupação do poder através da farsa eleitoral de 2018.
Veja que antes mesmo de ser eleito, o candidato do minúsculo partido PSL, já mantinha estreita ligação com o Estado de Israel através do neopentecostalismo. Não esquecer que o candidato se fez fotografar sendo batizado por um pastor neopentecostal nas águas do Rio Jordão. E ele é católico.
O premier Bibi Netanyahu esteve em sua solenidade de posse e a primeira visita ao exterior do ocupante do Planalto foi ao Estado de Israel.
Essa ideologia também  parece ter penetrado fundo nas Forças Armadas. Afinal, como entender o fato de eles terem realizado a operação de inteligência para a captura do poder em 2018? Os militares ocupam o poder real, com cinco generais, um brigadeiro e um almirante no Palácio e mais de 100 oficiais em diversos postos chaves de primeiro e segundo escalão. No total, são mais de mil militares ocupando diversos postos de governo.
Pela ideologia, os militares abandonaram a soberania nacional e o povo de onde foram paridos para uma total e vergonhosa submissão ao governo dos Estados Unidos. Não há como ignorar que a teologia da prosperidade, que anima os pastores neopentecostais é uma perfeita arma ideológica à serviço da expansão da hegemonia estadunidense.
O Brasil está absolutamente submisso.
Veja, nem o Iraque, que foi feito terra arrasada e está há 18 anos sob ocupação de tropas dos Estados Unidos, que lá mantém um governo títere, está submisso como o Brasil. A rebeldia se espalha por bairros, universidades e os guerrilheiros lutam para expulsar o invasor.
Foi contra essa guerrilha de libertação que os Estados Unidos perpetraram o ato terrorista que causou a morte de Abu Mahdi al-Muhandis, comandante das guerrilhas do Kata’ib Hezbollah, e de Qasem Soleimani, general do Estado Maior do Irã. Um ato de guerra em um país ocupado? É o poderoso tripudiando sobre o mais fraco.
Pelo mundo ecoa o grito de muitos milhões de iranianos e árabes feridos na sua dignidade, na sua soberania, indignados, sofrendo a impotência dos débeis diante do inimigo poderoso.
Que esse grito seja ouvido e mova as pessoas de bom senso em todo o mundo a exigir paz para a humanidade. Paz que só se conseguirá com parar a expansão do imperialismo ianque e sionista.
Não há outro caminho para a paz que o de convencer a comunidade internacional a se mobilizar pela retirada das tropas ianques no exterior. “Yankees, go home!”. É o grito de guerra da hora.



Assim os impérios cometem suicídio, por Chris Hedges



Ao assassinar Soleimani e ameaçar Teerã, Trump e seu entorno gozam dias de ilusória potência. Logo enxergarão que, em busca de bode expiatório para 20 anos de guerras desastrosas, afundaram Washington num atoleiro muito mais profundo
Por Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins
O assassinato, pelos Estados Unidos, do general Qassem Soleimani, chefe da força de elite Quds do Irã, deflagrará ataques retaliatórios múltiplos contra alvos norte-americanos por parte dos xiitas, que são a maioria no Iraque. Ativará insurgentes e grupos paramilitares apoiados pelo Irã no Líbano, Síria e outras partes do Oriente Médio. O caos de violência, Estados falidos e guerra, resultados de duas décadas de insanidades e erros dos EUA na região, vai converter-se numa conflagração ainda mais vasta e perigosa. As consequências são dramáticas. Além de os norte-americanos se verem sob cerco no Iraque, e talvez expulsos – resta apenas uma força de 3,2 mil soldados no Iraque, todos os cidadãos foram aconselhados a deixar o país “imediatamente” e os serviços consulares, fechados – a situação pode descambar para uma guerra direta contra o Irã. O Império Americano, parece, não morrerá com um lamento, mas com uma explosão.
A execução de Soleimani, morto por mísseis de um drone Reaper MQ-9, também tirou a vida de Abu Mahdi al-Muhandis, o vice-comandante dos grupos apoiados pelo Irã no Iraque – conhecidos como Forças de Mobilização Popular –, além de outros líderes de milícias xiitas iraquianas. O ataque pode inflar temporariamente a sorte dos dois arquitetos do assassinato, Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Mas é um ato de suicídio imperial pelos EUA. Não há chance de desfecho positivo. Abre-se a possibilidade de um cenário de tipo Armageddon, desejado pelos ramos lunáticos da direita cristã.
Atingido por guerra, o Irã usaria seus mísseis antinavio fornecidos pelos chineses, suas minas e sua artilharia costeira para fechar o Estreito de Ormuz, corredor de 20% do suprimento de petróleo do mundo. Os preços do combustível poderiam dobrar, talvez triplicar, devastando a economia global. Os ataques retaliatórios do Irã contra Israel e contra as instalações militares dos EUA no Iraque deixariam centenas, talvez milhares, de mortos. Os xiitas na região, da Arábia Saudita ao Paquistão, veriam um ataque ao Irã como uma guerra religiosa contra o xiismo. Os 2 milhões de xiitas na Arábia Saudita, concentrados na Província do Leste, rica em petróleo; a maioria xiita no Iraque e as comunidades xiitas no Bahrain, Paquistão e Turquia, iriam voltar-se em fúria contra os aliados vacilantes dos EUA. Haveria um aumento de ataques terroristas, inclusive em solo norte-americano, com vasta sabotagem da produção de petróleo no Golfo Pérsico. No sul do Líbano, o Hezbollah renovaria ataques contra o norte de Israel. A guerra deflagraria um longo e crescente conflito regional que, ao seu fim, liquidaria o Império Americano e deixaria montanhas de corpos e ruínas fumegantes. Só um milagre poderá retirar os EUA desta autoimolação ao estilo do Dr. Strangelove.
O Irã, que prometeu “áspera retaliação”, já patina sob as sanções econômicas brutais impostas pelo governo Trump ao se retirar unilateralmente, em 2018, do acordo sobre as armas nucleares do Irã. Ampliam-se, ao mesmo tempo, as tensões no Iraque, entre os EUA e a maioria xiita. Em 27 de dezembro, foguetes Katyusha foram disparados contra uma base militar em Kirkuk, onde as forças dos EUA estavam estacionadas. Um civil norte-americano que trabalhava para empresas mercenárias foi morto; e diversos militares, feridos. Os EUA responderam em 29/12, bombardeando bases do grupo Kataib Hezbollah, apoiado pelo Irã. Dois dias mais tarde, milícias apoiadas pelo Irã atacaram a embaixada norte-americana em Bagdá, vandalizando e destruindo partes do edifício e provocando seu fechamento. Mas este ataque logo parecerá brincadeira de crianças.
Após a invasão e ocupação norte-americana em 2003, o Iraque foi destruído enquanto país unificado. Sua infraestrutura, antes moderna, está em ruínas. O abastecimento de energia e água é, quando muito, errático. Há alto desemprego e descontentamento com a corrupção governamental generalizada, que levou a protestos sangrentos. Milícias beligerantes e facções étnicas entricheiraram-se em enclaves antagônicos e conflagrados.
Ao mesmo tempo, a guerra do Afeganistão está perdida para os EUA, como mostraram em detalhe os Afghanistan Papers, publicados pelo Washington Post. A Líbia é um Estado falido. O Iêmen, após cinco anos de bombardeios sauditas ininterruptos e de um bloqueio, padece um dos piores desastres humanitários do planeta. Os rebeldes “moderados” que os EUA financiaram e armaram na Síria, ao custo de 500 milhões de dólares, instigaram um cenário sem lei de terror, para serem batidos e expulsos do país. O custo monetário deste delírio, a estupidez maior na história norte-americana, é algo entre 5 e 7 trilhões de dólares.
Mas então, qual o porquê da guerra contra o Irã. Por que abandonar um acordo nuclear que Teerã não violou? Por que demonizar um governo que é o inimigo mortal do Talibã e de outros grupos jihadistas, inclusive a Al-Qaeda e o Estado Islâmico? Por que sabotar a aliança de facto com o Irã, no Iraque e Afeganistão. Por que desestabilizar ainda mais uma região já perigosamente volátil?
Os generais e políticos que lançaram e mantiveram estas guerras não estão dispostos a ser responsabilizados pelos pesadelos que criaram. Eles precisam de um bode expiatório. É o Irã. As centenas de milhares de mortos e aleijados, incluindo ao menos 200 mil civis, e os milhões expulsos de suas casas para campos de refugiados, não podem ser o resultado das políticas desorientadas e falidas dos EUA. A proliferação de grupos e milícias jihadistas radicais, muitos dos quais foram inicialmente treinados por Washington, assim como os incessantes ataques terroristas em todo o mundo, precisam ser culpa de outros. Os generais, a CIA, os mercenários e os fabricantes de armas que enriqueceram com estes conflitos; os políticos como George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, além dos “especialistas” e intelectuais-celebridades que atuam como líderes de torcida em favor da guerra sem fim, convenceram a si mesmos e querem convencer o mundo de que o Irã é responsável pela catástrofe.
O caos e instabilidade que os EUA desencadearam no Oriente Médio, especialmente no Iraque e Afeganistão, deixaram o Irã como país dominante na região. Washington empoderou seu nêmesis. Não tem outra ideia sobre como reverter seu erro exceto atacar o Irã.
Trump e Netanyahu, assim como o príncipe coroado saudita Mohammed bin Salman, estão envolvidos em escândalo. Acreditam que uma nova guerra irá desviar a atenção de suas crises externas e domésticas. Mas falta-lhes tanto uma estratégia racional para a guerra contra o Irã como faltou para as guerras no Afeganistão, Iraque, Líbia, Yêmen e Síria. Os aliados europeus, alienados por Trump quando este abandonou o acordo nuclear com o Irã, não cooperarão, se Washington for à guerra contra Teerã. O Pentágono não possui as centenas de milhares de soldados que seriam necessários para atacar e ocupar o Irã. E é hilária a visão do governo Trump, segundo a qual o grupo de resistência iraniano Mujahedeen-e-Khalq (MEK) – marginal e desacreditado, que lutou com Saddam Hussein na guerra contra seu próprio país e é visto pela maioria dos iranianos como composto de traidores – é uma contra-força viável ao regime iraniano.
O Direito internacional, assim como os direitos de 80 milhões de seres humanos no Irã, é tão ignorado como os direitos dos povos do Afeganistão, Iraque, Líbia, Iêmen e Síria. Os iranianos, seja qual for seu sentimento sobre seu regime despótico, não veriam os EUA como aliados ou libertadores. Eles não querem ser ocupados. Eles resistiriam.
Uma guerra contra o Irã seria vista em toda a região como uma guerra contra o xiismo. Mas são cálculos que os ideólogos, que sabem pouco sobre o instrumento da guerra, e ainda menos sobre as culturas ou povos que tentam dominar, não podem dar-se conta. Um ataque ao Irã não teria mais sucesso que os ataques israelenses ao Líbano em 2006, que foram incapazes de quebrar o Hezbollah e uniram a maior parte dos libaneses em apoio àquele grupo militante. Os bombardeios de Israel não pacificaram 4 milhões de libaneses. O que ocorrerá se os EUA começarem a atingir um país de 80 milhões de pessoas, cujo território é três vezes maior que o da França?
Os Estados Unidos, como Israel, tornaram-se um Estado-pária que ameaça, viola e se afasta do direito internacional. Lançam guerras “preventivas”, que sob o direito internacional são definidas como “crimes de agressão”, baseados em evidências fabricadas. Os norte-americanos, como cidadãos, precisam tornar seu governo responsável por tais crimes. Se não o fizerem, serão cúmplices na construção de uma nova ordem mundial que teria terríveis consequências. Seria um mundo sem direitos, acordos e leis. Seria um mundo em que qualquer nação, de um Estado-vilão nuclearizado a uma potência imperial, poderia invocar suas leis domésticas para anular suas obrigações com os demais. Tal nova ordem desfaria cinco décadas de cooperação internacional – em grade parte estabelecida com apoio dos EUA – e nos mergulharia num pesadelo hobbesiano. A diplomacia, a cooperação ampla, os tratados e a lei, todos estes mecanismos criados para civilizar a comunidade global, seriam substituídos pela selvageria.

Noam Chomsky: De Trump espera-se qualquer catástrofe


Pensador estadunidense revela: assassinato de general iraniano deixou até o Pentágono pasmo. Irresponsabilidade de presidente pode gerar conflito global. Ao Irã, duas saídas: ceder às provocações de violência ou assumir liderança regional e enfraquecer EUA
Noam Chomsky entrevistado por Roberto Manríquez, em El Mostrador (Chile) | Tradução: Rôney Rodrigues
O intelectual norte-americano considera que o assassinato – ordenado pelo presidente dos Estado Unidos – ao chefe militar e uma das autoridades mais poderosas do Irã, uma potência nuclear do Oriente Médio, “foi uma decisão que Trump tomou por capricho, o que surpreendeu inclusive os altos oficiais e analistas de informação no Pentágono. Provavelmente, é de se supor que ele fez isso para mostrar seu poder, brincar de destruir cai bem entre seus adoradores, ou com aquilo que seus seguidores supõem que esteja certo”.
Quando tinha nove anos, Noam Chomsky se colocou diante do “valentão da sala” para defender um companheiro que era importunado por ter sobrepeso. O menino abusador avançou sobre o pequeno Noam para espancá-lo, mas Chomsky decidiu fugir, abandonando seu companheiro. “A vergonha por esse acontecimento na infância sempre me acompanhou, desde então sei de que lado devo estar”, disse há alguns anos, recordando essa anedota. Noam Chomsky, que acaba de cumprir 91 anos, é uma referência intelectual mundial e um ativo defensor dos Direitos Humanos.
O gênio da linguística compartilhou suas reflexões sobre o assassinato – ordenado por Donald Trump – do poderoso general iraniano Qasem Soleimani, na capital do Iraque, Bagdá, o que gerou ainda mais incertezas no Oriente e no Ocidente. Além disso, o pensador explica o fracasso da Conferência do Clima (COP25), realizada pela ONU em dezembro do ano passado em Madri, em um momento em que o aquecimento global gera grandes estragos na Austrália com os incêndios florestais.
Trump comemorou abertamente o assassinato do general iraniano Soleimani. Em sua opinião, o que explica esse ataque?
Segundo as últimas informações, foi uma decisão que Trump tomou por capricho, o que surpreendeu inclusive os altos oficiais e analistas de informação no Pentágono. Provavelmente, é de se supor que ele fez isso para mostrar seu poder, brincar de destruir cai bem entre seus adoradores, ou com aquilo que seus seguidores supõem que esteja certo
É inevitável relacionar esse ataque com o julgamento político enfrentado por Trump, lembrando o bombardeio que Bill Clinton ordenou no Iraque em 1998, uma espécie de cortina de fumaça…
Talvez, mas duvido que isso tenha sido decisivo. E tampouco me convenceu a histórica de Clinton em seu tempo.
As autoridades iranianas sustentaram, nos últimos dias, que não respeitarão o acordo sobre material nuclear que Irã assinou com as principais potencias mundiais em 2015.
Nunca houve uma chance de renegociação diante dos termos de Trump, que é uma arma na mão. Se os líderes iranianos são sábios, se absterão desse tipo de ação provocativa que Trump e Pompeo esperam, desesperadamente, para poder usar sua carta mais forte: a violência. Uma direção sábia por parte do Irã seria deixar que a liderança dos Estados Unidos continue se enfraquecendo.
A comunidade internacional está passiva?
Passividade não é a palavra correta. Poucos estão dispostos a enfrentar um touro furioso. Mas é também certo que não se deve permitir que a capital mundial do terror [Washington] atue impunemente.
Diante dessa situação, como acredita que se comportará o eleitorado estadunidense nas eleições de novembro – e que mais podemos esperar de Trump?
De Trump podemos esperar a mesma dedicação alegre diante de uma catástrofe indescritível e, sempre e quando possa, tentará conservar seu poder e perseguirá seu projeto de colocar mais dólares em bolsos já cheios, inclusive os seus. Da forma como é orientado, não lhe resta se não concluir que não existiu tal criminalidade na história humana. Nem mesmo com Hitler, literalmente. Do Partido Republicano, é exatamente o mesmo. Em relação ao eleitorado, isso é uma questão de ação, não de especulação.

Fracasso da Conferência Mundial do Clima

Diante desse cenário bélico, o retumbante fracasso da COP 25 foi pouco difundido, apenas se falou quando as nuvem do fogo australiano cobriu o planeta.
O tratamento dos meios de comunicação e da opinião intelectual em geral sobre a urgência da ameaça do aquecimento global é um crime de dimensões históricas. Ignorar o fracasso da COP 25 é só outro exemplo. Durante anos, estive advertendo, da forma mais forte que posso, sobre as duas grandes ameaças colocadas pela guerra nuclear e pela catástrofe ambiental, que devem ser destacadas nas manchetes dos jornais, principalmente nos Estados Unidos, onde a administração Trump e o Partido Republicano, geralmente, não apenas se recusam a enfrentar a crise, mas também a conduzem de forma triunfal, liderando o caminho para o desastre.
Por que o silêncio? Por que os principais bancos investem em combustíveis fósseis, sabendo que estão contribuindo para a destruição da vida humana organizada no planeta e não em um futuro a longo prazo? Podemos entender a lógica que há por trás dessas ações, mas não há palavras para descrever os inacreditáveis crimes que eles significam.
No geral, Europa mostra certo alarme pelo fracasso destas conferências sobre a emergência climática, mas dessa vez optou pelo silêncio. Por quê?
Talvez porque tem um sentimento de culpa.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Assassinatos por interesses políticos como marcos de História, por Andre Motta Araujo



CUSTO político de um assassinato é muito maior que o seu benefício, pouco se ganha e muito se perde, é a lição da História.

Assassinatos políticos como marcos de História

por Andre Motta Araujo

Assassinatos políticos de líderes por potências inimigas são eventos raros na História. Há um protocolo milenar não explicito pelos quais os líderes se auto protegem para manter um mínimo de nível civilizatório. Nas guerras regionais e mundiais não se traçaram planos de assassinato de líderes adversários a não ser como exceção,  por exemplo  o assassinato do Comandante da Marinha Imperial do Japão, Almirante Yamamoto, em 18 de abril de 1943, ato executado pelos EUA em meio a controvérsia dentro do governo americano, havia no episódio fortes opiniões contrárias ao ato.
Há uma razão logica para se evitar esse tipo de ação. O CUSTO político de um assassinato é muito maior que o seu benefício, pouco se ganha e muito se perde, é a lição da História. O simbolismo da morte de um líder de grande expressão nacional gera uma reação que ao longo da História cobrará um alto preço ao País que executou o assassinato, deixa cicatrizes irremovíveis, cria um impacto desproporcional a qualquer benefício de curto prazo.
Entende-se aqui assassinato político o ato executado por um ESTADO CONTRA LÍDERES DE OUTRO ESTADO e não quando executado por indivíduos a título pessoal, ato que tem outro significado e dimensão sob o ponto de vista político e histórico, é completamente diferente sua raiz e lógica.
Sob o ponto de vista pragmático, um assassinato político de tocaia gera comoção e desdobramentos no Estado atingido e legitima sua reação e resposta.
Não confundir esse tipo de ato com execuções por turbas no meio ou ao fim de conflitos ou atos executados por adversários internos, caso de Saddam Hussein, Khadafi, Ceausescu, Mussolini, onde Estados adversários no conflito não sujaram suas mãos com o sangue dos executados.
A CAÓTICA E VULGAR DIPLOMACIA DE TRUMP
A Presidência Trump se caracteriza pela vulgaridade de anunciar e justificar ações por redes sociais, sem nenhuma liturgia de Estado, sua diplomacia é caótica porque não segue o ritual de um planejamento estratégico, algo inaugurado em 1949 por George Kennan, maior diplomata americano do Século XX, autor da “Doutrina de Contenção”, traçada em 1947 e que foi aplicada por 50 anos em relação à URSS,  fruto da inteligência e da paciência mas, acima de tudo, da integridade de uma geração de homens de Estado do nível de George Marshall, Dean Acheson, Clark Clifford, W.Averell Harriman, John MCCloy, personagens de estatura, cultura e caráter que contrastam com o rebotalho da administração Trump.
Além do Birô de Planejamento Estratégico do State Department, criado e chefiado no início por Kennan, há o Conselho Nacional de Segurança, órgão de cúpula de assessoramento do Presidente em questões de defesa e política externa, que funciona no Old Executive Building, ao lado da Casa Branca. Trump IGNORA esses órgãos, não tem estratégia alguma e nem política de longo prazo, age por impulso e naquilo que julga ser seu interesse pessoal, criou a crise com o Irã e não sabe como sair dela.
Dezenas de entrevistas no último fim de semana por onde passaram ex-Secretários de Defesa, como William Cohen, ex-Generais Comandantes de grandes comandos do Pentágono, da OTAN, como o General Wesley Clark, ex-chefes do National Security Council, ex-chefes de Planejamento Estratégico do State Department, como Richard Haas, que hoje é o Chairman do Council of Foreing Relations, o mais importante think thank de política externa dos EUA, esse desfile de personalidades com larga experiência e preparo em geopolítica, relações internacionais e defesa, TODOS condenaram não só o ato de assassinato em si, como o caos onde opera Trump, jogando com os interesses, o prestígio e o papel dos EUA no mundo, misturando seu interesse pessoal rasteiro com atos de magnitude estratégica cujo desdobramento Trump desconhece e tampouco tem interesse em saber, um homem nefasto, na feliz expressão de Winston Churchill sobre um personagem da época, do tipo de Trump (Sir Neville Henderson mas Churchill queria atingir Lord Halifax).
A CRISE COM O IRÃ
O Irã assinou em 2015 um Acordo de controle e contenção de sua política nuclear, sendo contrapartes a Agência Internacional de Energia Atômica, a Rússia, a China, a França, o Reino Unido e a Alemanha. TODOS estavam satisfeitos com o acordo e sua execução e fiscalização pelos inspetores da AIEA, o Irã estava CUMPRINDO escrupulosamente com o acordo, ai vem Trump e os EUA saem do Acordo sem maiores explicações a não ser “fake news”.
A razão óbvia era que o acordo bem-sucedido tinha sido obra do Presidente Obama e Trump por isso queria desqualificá-lo. TRUMP CRIOU DO NADA A CRISE.
Trump é o pai e a mãe da crise com o Irã, começou a aplicar sanções que reduziram à metade a produção de petróleo do Irã e reduziram seu PIB em 9%, gerando carências e problemas de todo tipo.  Criador da crise, Trump agora a escala com o assassinato do general, um operador vulgar, desagregador, jogando no conflito e no desequilíbrio para criar capital político em casa, mas aparentemente calculou mal sua jogada, abriu novas fendas e feridas em um tecido social e político já complicado, jogando com as vidas de soldados americanos e, ao fim, BENEFICIANDO A RÚSSIA, maior aliado hoje do Irã.
Como disse a Presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi, a política externa de Trump é um caos, mas todas as ações tem um ponto em comum, uma linha contínua, TODOS OS ATOS AO FIM DO DIA BENEFICIAM A RÚSSIA, País que parece ser o verdadeiro guia de Trump.
AMA

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Trump tenta ocultar que o general iraniano Qasem Soleimani lutou ao lado dos EUA contra o Estado Islâmico. Por Kiko Nogueira

Do DCM:

O assassinato premeditado do general iraniano Qasem Soleimani vem acompanhado das mentiras e dos esquecimentos convenientes.



Qasem Soleimani

Trump e seu bando estão ocultando o papel do herói nacional do Irã na guerra contra o Estado Islâmico — ao lado dos americanos.
O perfil Syrian Girl, do Twitter, postou a foto abaixo de Soleimani saudando soldados dos EUA enquanto combatiam os terroristas.


Soleimani (ao centro) saúda soldados dos EUA (à dir.) na luta contra o Estado Islâmico

Os Estados Unidos, forças especiais e aliados locais combateram o EI na Síria e Iraque.
A milícia apoiada pelo Irã empurrou o grupo de volta para o Iraque. Freou seu avanço.
Soleimani liderou esses ataques, de acordo com relatos, desde a linha de frente.
O Irã via o Estado Islâmico como uma ameaça e também estava ciente da influência que ganhou na região ao ajudar a bater os radicais.
Soleimani estava entre as figuras mais importantes do Oriente Médio.
Sua execução pesará nos destinos da região — e do mundo — pelos próximos 10 anos.
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Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.



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  • terça-feira, 7 de janeiro de 2020

    Trump e o discurso hipócrita da salvação fundamentalista: a garantia para a ofensiva contra o Irã e o não impeachment, por Bruno Reikdal Lima





    A possibilidade de guerra atômica (ou qualquer outra catástrofe global) passa a ser interpretada como esperança para a o “novo reino”, uma nova vida, a “restauração do paraíso”.

    Trump e a salvação fundamentalista: a garantia para a ofensiva contra o Irã

    por Bruno Reikdal Lima

    Assim como Reagan e Bush, Trump depende do fundamentalismo evangélico estadunidense para tornar internamente aceitável suas políticas, especialmente o ataque insano ao Irã e o potencial catastrófico de suas consequências. Lutando contra o “reino do mal” (Reagan) e o “eixo do mal” (Bush), em nome do “reino da liberdade” e da “democracia”, os ex-presidentes se firmaram nas narrativas milenaristas e apocalípticas que se tornaram hegemônicas entre evangélicos tradicionais e pentecostais nos EUA após a Segunda Guerra, para fazer valer políticas de austeridade e intervenções militares.
    Essas narrativas, em geral, assumem um tipo de leitura literal dos textos bíblicos, procurando aplicar os oráculos, os ditos de sabedoria e profecias a fatos e eventos históricos, de modo a encontrar os sinais que indiquem a chegada do “dia do Juízo” ou “o Juízo Final”, chamado por vezes de “Armagedon”. É uma leitura moderna, relativamente recente, que reduz a interpretação do Apocalipse, último livro do cânone, a um enigma a ser decifrado, e que preparará as comunidades de fiéis para a uma grande catástrofe, o evento definitivo que abriria as portas para a vinda de Jesus e o fim da História.
    Toda essa construção depende de uma série de pressupostos e critérios para a interpretação bíblica que precisam ser assumidos. É uma leitura moderna, com raízes no final do século XVIII e que se desenvolve especialmente no mundo algo-saxão, durante o século XIX. A noção de “verdade” para essa interpretação precisa ser científica, no sentido de histórica e factualmente verificável – mas sem a aplicação de método ou procedimento científico de verificação. Desse modo, se a Bíblia é verdadeira (modernamente falando), o que nela está escrito é uma descrição histórica de fatos, que podem ser verificados (ou que devem ser nesse “novo mundo”). Da mesma maneira, os textos proféticos ou oraculares dizem respeito a dias futuros também verificáveis e que necessariamente devem ocorrer, de acordo com a interpretação. O quebra-cabeças hermenêutico vai se montando e a aceitação da violência e dos desastres como inevitáveis ou ainda como bons por servirem como sinais de confirmação do “fim dos tempos”, pode ser concretizada.
    A fetichização dessa interpretação e o desejo por se juntar a Deus em seu reino no fim não apenas facilitam a deglutição de catástrofes, como por vezes incentivam a aceleração do relógio da história. A criação do Estado de Israel, por exemplo, foi compreendida a seu tempo como cumprimento de uma profecia das Escrituras – narrativa mantida por muitas comunidades até o dia de hoje. Nesse prisma, os inimigos do Estado de Israel se tornam inimigos das comunidades evangélicas, pois são grupos que se voltam contra a profecia e passam a cumprir o papel dos que desejam impedir o retorno do Cristo. Mais do que isso: a intensificação da guerra e das tensões entre o Estado de Israel e seus adversários alimenta uma interpretação profética de que esse conflito requererá uma batalha final e anos de paz. Interpretação relativamente útil para tornar possível constantemente se acender um fósforo próximo do barril de pólvora que é o Oriente Médio.
    É curioso como essa narrativa ganha vida no final dos anos 90 e início de 2000 com a série de livros best-seller nos EUA e na América Latina Deixados para trás, publicado em português pela United Press, que em 16 volumes desenvolve histórias de pessoas que viveriam os eventos proféticos do Armagedon. Na ficção doutrinária, temos as tensões e pacificações no Oriente como tema, uma liderança popular e carismática como sendo o anti-Cristo, a catástrofe como destino e a desconfiança da bondade nas relações políticas e internacionais como o posicionamento correto dos cristãos que terão uma segunda chance de salvação em um período de tribulações. Do mesmo modo, é curioso como nos anos 80 nos EUA se tornaram best-sellers livros de Hal Lindsey como There’s a new world coming e The late, great planeth Earth. Neste último, Lindsey escreve que:
    Quando a batalha do Armagedon chegue a seu temível fim e pareça que toda a existência terrena ficará destruída, nesse mesmo momento aparecerá o Senhor Jesus Cristo e evitará a aniquilação total. à medida que a história se apressa para esse momento, permita-me o leitor fazer algumas perguntas: sentes medo ou esperança de libertação? A resposta que você der para esta pergunta determinará sua condição espiritual.
    Mais interessante ainda porque considera que a batalha do Armagedon será uma guerra nuclear, aterrorizante, mas necessária de acordo com o modo como interpreta as Escrituras. Assim, o medo ou a esperança de que isso aconteça por parte do fiel é termômetro para sua capacidade de estar espiritualmente pronto, salvo, preparado para a volta de Jesus, ou não. Nem sua influência e em seu apelo para a batalha do Armagedon como a guerra nuclear (necessária, portanto) mudaram, como podemos ver em escritos mais recentes como Apocalipse Code, de 1997 Faith for the Earth’s Earth hour, de 2003 (um ano após escrever um livro sobre a Jihad islâmica de seu ponto de vista evangélico fundamentalista, The everlast hatred: roots of Jihad). Lindsey escreve os primeiros textos durante a Guerra Fria e tendo como adversário a União Soviética. Já os últimos, nos tempos de Bush e tendo em mente os conflitos no Oriente Médio e o fortalecimento do Islã.
    A possibilidade de guerra atômica (ou qualquer outra catástrofe global, como os efeitos das mudanças climáticas ou a Terceira Guerra Mundial) passa a ser interpretada como esperança para a o “novo reino”, uma nova vida, a “restauração do paraíso”. As consequências de uma guerra, a potencialização dos conflitos sociais, as turbulências econômicas e políticas, são todas manifestações e sinais de que o “dia do Juízo” ou o “fim dos tempos” está chegando. Dessa forma, se o ataque ao Irã não é vontade de Deus, permitindo uma guerra santa, as consequências que desse caso crítico podem deflagrar os sinais e momentos pelos quais as comunidades de fiéis devem ansiar. Trump não precisa ser um “homem de Deus” que realiza sua vontade para que a narrativa fundamentalista faça sentido, mas apenas alguém que historicamente cumpre os planos divinos para a salvação da humanidade e o retorno de Jesus, que necessariamente ocorrem após um grande momento de desastre e violência.
    Nesse sentido, diferentemente de um fundamentalismo dependente de uma personagem carismática que encarne e execute com perfeição os desígnios de Deus, o fundamentalismo evangélico do tipo estadunidense é capaz de suprimir a pessoa que toma as decisões e suas imperfeições pela realização divina e histórica dos planos sagrados, tornando a guerra santa não por ser justa, mas exatamente em seu oposto: por potencializar ou promover opressões que resultem no “fim de tudo” – o que realmente se espera, para que venha o verdadeiro Salvador. Trump passa a ser um peão que pode operar livre e irresponsavelmente, tendo as consequências de suas ações recebidas como efeitos negativos necessários, convertidos agora em bons atos, já que auxiliam na realização da profecia, da fé. Para suas ofensivas como presidente dos EUA, depende do funcionamento perfeito de sua religião popular.
     Referências citadas no texto
    LAHAYE, Tim. Deixados para trás. United Press, 2001.
    LINDSEY, Hal. The late, great planeth Earth. Zordevan Publish House, 1970.
    LINDSEY, Hal. There’s a new world coming. Harvest House, 1973.
    LINDSEY, Hal. Apocalipse Code. Western Front Ltda, 1997.
    LINDSEY, Hal. The everlast hatred: roots of Jihad. WND Books, 2002.
    LINDSEY, Hal. Faith for the Earth’s Earth hour. Oracle House Pub Inc, 2003.