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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O Caso Agatha é mais um exemplo mais ou menos midiaticamente estimumado/acobertado da sanha dos Capitalistas comedores de criancinhas, por Fábio de Oliveira Ribeiro



    No Rio, a PM é obrigada a matar crianças inocentes nos bairros pobres para proporcionar segurança às crianças brancas dos bairros nobres. Desigualdades econômicas/sociais/raciais/geográficas estão se tornando absolutas e abissais.


Por 
 Fábio de Oliveira Ribeiro no Jornal GGN


Capitalistas comedores de criancinhas, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Há algum tempo, aqui mesmo no GGN, disse que nós estamos sendo obrigados a viver num regime de interpretação permanente. Isso permite ao poder público interpretar o direito à vida como um entrave ao dever do Estado de matar seus inimigos (qualquer que seja ele) o que obriga o Judiciário a tratar o homicídio como um crime que merece ser perdoado ou eventualmente premiado (se for cometido por um policial).
Uma menina inocente de 8 anos foi assassinada pela polícia. Isso deveria ser suficiente para causar indignação pública e reformas institucionais. Mas não foi exatamente isso o que ocorreu, pois uma parcela significativa da população politicamente ativa aderiu à “pedagogia do assassinato” que se tornou a única política de segurança pública no Rio de Janeiro. Pior… a aprovação popular das execuções policiais tem sido interpretada pelos membros do Sistema de Justiça como uma autorização que foi dada a eles para não aplicar mais os princípios constitucionais que limitam e reprimem o excesso de violência estatal.
Eu tenho 55 anos e cresci num mundo em que os adultos assustavam as crianças dizendo que os comunistas eram comedores de criancinhas. Nos dias de hoje os comunistas se posicionam contra o assassinato de criancinhas que são praticados por policiais comandados por governadores que se dizem campeões do capitalismo neoliberal evangélico.
No texto acima mencionado, eu também disse que “Aqueles que chegaram ao poder não desejam uma reconfiguração da sociedade. Eles querem interditar o debate para garantir sua permanência no poder.” Por isso, o jornal “O Globo” se recusou a noticiar a morte da criança para não obrigar seu governador a lidar com as consequências. Quando é impossível interpretar a notícia a favor dos aliados do jornal (ou contra os adversários do dono dele) o público deve ser impedido de interpretá-la?
Censurada pela Ditadura Militar, a imprensa encontrava meios de contornar a censura. Liberada pela democracia, a imprensa resolveu conspirar contra ela e agora não pode mais deixar de praticar a autocensura.
No mundo em que eu cresci o medo dos comunistas era uma ferramenta política utilizada de maneira cirúrgica. Mas nenhuma criancinha que eu conheci foi realmente devorada por comunistas. Ironicamente, na fase atual são os inimigos mortais do comunismo que tentam salvar o país fazendo os cemitérios devorar criancinhas inocentes.
Um regime político que nasceu da mentira repetida à exaustão não pode se apoiar na verdade. O moralismo seletivo conseguiu não apenas desumanizar os jornalistas. Ele desumanizou até mesmo os filhos dos jornalistas, que estão sendo obrigados a viver num mundo em que as “outras” crianças podem ser mortas e aterrorizadas pela política. Essa separação entre duas populações confinadas num mesmo território não vai pacificar a sociedade. Ela apenas resultará numa tragédia ainda maior.
A Constituição Federal garante a igualdade de todos perante a mesma Lei, sem qualquer distinção. No Rio de Janeiro a PM é obrigada a matar crianças inocentes nos bairros pobres para proporcionar segurança às crianças brancas dos bairros nobres. Desigualdades econômicas/sociais/raciais/geográficas estão se tornando absolutas e abissais.
Como vimos no texto mencionado no início, Slavoj Žižek afirmou que “…a política ocorre apenas quando a possibilidade de reconfiguração torna-se manifesta.” (Mitologia, Loucura e Riso – A subjetividade no idealismo alemão, Markus Gabriel e Slavoj Žižek, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2012, p. 136). Se ele estiver certo, devemos admitir a hipótese de que a inexistência de possibilidade de reconfiguração da política leva necessariamente a ruptura.
As condições de possibilidade da população carioca acreditar na convivência pacífica sob a autoridade da Lei está sendo destruída pelas autoridades estatais. Portanto, uma reação violenta não será apenas previsível, ela será necessária. Caso contrário, a morte de Aghata Vitória Sales Felix terá sido em vão. Muitas outras crianças pobres e inocentes serão assassinadas.

domingo, 22 de setembro de 2019

Ágatha, a garota inocente, inteligente, estudiosa, obediente e de futuro assassinada por Witzel. Por Luis Nassif



Não é possível aceitar essa passividade em relação a um governador com instintos assassinos, colocando em risco crianças, cidadãos inocentes, ou mesmo executando criminosos


Muita coisa foi naturalizada no Brasil, nesse extraordinário retrocesso por que passa. Aceitam-se presidente sem compostura, Ministro da Educação abilolado, Ministro das Relações Exteriores negacionista, filhos desequilibrados.
Mas naturalizar genocídio, não dá!
A impotência do STF (Supremo Tribunal Federal), da PGR (Procuradoria Geral da República), do Ministério Público Federal e do Estadual no Rio de Janeiro, da Defensoria Pública é humilhante para eles próprios e para a própria democracia.
Pessoal, daqui a pouco essa onda bárbara vai refluir e, assim como as marés vazantes, vão expor os dejetos jogados na praia, os plásticos poluidores da inação do Supremo, o silêncio sepulcral dos Ministros cariocas, até daquele que só pratica o bem, a bondade e a verdade, a desmoralização final da Justiça do Rio.
Não é possível aceitar essa passividade em relação a um governador com instintos assassinos, colocando em risco crianças, cidadãos inocentes, ou mesmo executando criminosos.
A insensibilidade social é tão grande, que o mais grave crime perpetrado no Rio – o genocídio comandado pelo Estado – merece cobertura apenas da imprensa popular, para não estragar o café da manhã da zona Sul. Aliás, ainda bem que há jornalismo no Extra.
Leiam, por favor, a reportagem do  Extra, sobre mais uma morte de criança.
A menina Ágatha Félix, de 8 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada deste sábado. Ela foi atingida nas costas por um tiro de fuzil, na noite desta sexta-feira, na Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Ela estava dentro de uma Kombi no momento em que foi baleada. A criança foi levada para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, também na Zona Norte.
O avô materno da criança, identificado como Ailton Félix, pediu explicações sobre o disparo:
— Quem tem que dar informações é quem deu o tiro nela. Matou uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê o policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. Não é a família do governador ou do prefeito ou dos policiais que estão chorando, é a minha. Amanhã eles vão pedir desculpas, mas isso não vai trazer minha neta de volta. — exclamou o avô em tom de revolta.
A mãe de Ágatha, identificada apenas como Vanessa, teve que sair do hospital de cadeiras de rodas. Ela passou mal ao saber da notícia e teve que ser amparada por familiares e amigos.
Não é possível tamanha falta de empatia, tamanha desumanidade das autoridades. Por algum instante, projetem em um familiar, em algum filho, ou irmão, ou em vocês mesmo, o significado de ter uma criança de 8 anos sendo baleada em uma guerra alimentada por um genocida.
Não se trata de discussão acadêmica sobre a inutilidade de promover guerras contra o crime em territórios habitados por civis. Trata-se de impedir a continuidade das mortes.
Que as palavras desconsoladas do avô sejam a maldição de Witzel. Que o acompanhem em todos os seus atos, até que a civilização se imponha e ela seja preso, julgado e condenado. E, na cela em que dividir com outros criminosos, se coloque em um quadro as palavras desconsoladas do avô, lembrando que era uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro.

GGN: A prisão de Witzel é o único caminho para acabar com o necropopulismo, por Luis Nassif


Não basta questionar erros da política de segurança pública, como se fosse uma mera discussão de conceitos. Os assassinatos são de responsabilidade objetiva de governantes que estimulam a violência policial



GGN.-  A Polícia Militar é uma organização militarizada e, portanto, submetida à disciplina e obediência à hierarquia. E o chefe maior, em última instância é o governador do Estado. Foi o que me explicou, certa vez, uma major da PM de São Paulo que defendera uma tese de mestrado sobre a violência policial.
Era governo Alckmin e a violência da PM já impressionava. Cada declaração do governador, enaltecendo a violência contra o crime, deixava de cabelo em pé os oficiais da PM mais responsáveis, pois sabiam que as palavras bateriam direto na linha de frente.
No baixo clero da corporação, PM respeitado é o que matou em serviço. Com estímulo adicional do chefe dos chefes, a situação foge do controle.
Quando assumiram o governo, três irresponsáveis – o governador do Rio Wilson Witzel, o de São Paulo, João Dória Jr e o Ministro da Justiça Sérgio Moro – assumiram o necropopulismo, o populismo em torno do discurso da morte, defendendo o excludente de ilicitude, eximindo policiais de responsabilidade por mortes no trabalho. Como consequência óbvia, explodiram os assassinatos cometidos por policiais. As palavras inspiram e dão confiança para seguir matando, por contar com a impunidade.
Em Pernambuco, houve ênfase na apuração de crimes de sangue. Despencaram os indicadores de mortes por policiais.
Simples assim.
No Rio de Janeiro, a cadeia do sangue tem três partes.
Parte 1 – um governador sociopata que autorizou a guerra interna. Não apenas defendeu o excludente de ilicitude, como passou a comemorar as mortes por policiais.
Parte 2 – uma PM inerte.
Em São Paulo, pelo menos, a PM tentou controlar a explosão de violência através do trabalho da ouvidoria e da corregedoria. No Rio, com uma PM infiltrada pelas milícias, ocorreu o contrário. Apesar das dezenas de testemunhas aprontando um PM como responsável pelo assassinato de uma menina de 8 anos, a nota oficial da Polícia Militar alegou que não havia nenhuma evidência da participação de PMs no assassinato da menina.
Parte 3 – uma justiça militar corporativa
Ao jogar para a justiça militar a punição de crimes de militares, mesmo contra civis, o governo Temer ajudou a sancionar a selvageria.
Não dá como tergiversar no tema, sem abrir mão de qualquer resquício de civilização no país. Ou se passa a responsabilizar diretamente governantes que incitam à violência, e exigir a punição exemplar dos militares que cometem os crimes, ou os massacres continuarão.
Não basta questionar erros da política de segurança pública, como se fosse uma mera discussão de conceitos. Os assassinatos são de responsabilidade objetiva de governantes que estimulam a violência policial.
Witzel tem que ser responsabilizado criminalmente, como o foram os comandantes de campos de concentração, das tropas nazistas, os generais de Mussolini, os capangas de Baby Doc, os verdugos do stalinismo.Só a punição do verdadeiro assassino acabara com o necropopulismo de políticos sociopatas como Witzel.

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