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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Mídia e Poder: Bozo, Marreco e Porcina resolveram partir para o deboche. Por Ricardo Kotscho



 "Depois de fingir que era um homem sério no “Roda Viva” da semana passada, o ex-juiz apareceu nesta segunda-feira no lugar certo: o Programa “Pânico”, da Jovem Pan, montado com um elenco de ex-jornalistas que só fazem piadas a favor do governo e batem em quem é contra."

Do DCM:



Bozo, Marreco e Porcina resolveram partir para o deboche. Por Ricardo Kotscho

 





Moro no Pânico

Publicado no Balaio do Korscho:
Não sei como ainda tem gente levando esse governo a sério.
Depois de uma semana fora do ar, catando conchinhas na praia da imaginação, volto e reencontro os mesmos personagens ocupando o picadeiro, tirando um sarro da nossa cara.
Se não fossem tão trágicos, seriam apenas uns gaiatos que se divertem ao distrair a platéia bestificada com novelinhas sem graça no “Gran Circo Brasil”.
Ressuscitaram até a “Viúva Porcina”, a que foi sem nunca ter sido, convocada para o lugar daquele nazista de hospício, enquanto Bozo e Marreco fingem uma luta de marmelada.
Eles agora resolveram partir para o deboche com os jornalistas, já que não encontram nenhuma reação pela frente.
Depois de fingir que era um homem sério no “Roda Viva” da semana passada, o ex-juiz apareceu nesta segunda-feira no lugar certo: o Programa “Pânico”, da Jovem Pan, montado com um elenco de ex-jornalistas que só fazem piadas a favor do governo e batem em quem é contra.
Lá pelas tantas, um deles imitou a voz do ministro, aqueles grunhidos sem nexo, e tentou ser engraçado:
“Espero que você não me dê voz de prisão, ministro”.
Entrando na onda, o ex-temível Marreco abriu um sorriso largo:
“Agora tem a Lei do Abuso de Autoridade, não pode mais prender jornalista, né?”
Porcina aprendeu rápido e já avisou que, se passar no “teste de noivado”, vai querer morar em casas separadas para combater o “marxismo cultural”.
Besta ela não é. Não quer ficar em Brasília, onde a concorrência de figuras limítrofes é muito grande.
Como nas novelas mexicanas do SBT do amigo Silvio, Bozo teve um ataque de ciúme por Witzel ter chamado o vice Mourão de “presidente”, durante sua vilegiatura pela Índia.
E tudo é tratado pelos colunistas da grande imprensa como se esse enredo tragicômico mostrasse uma obra shakespeariana encenada no parlamento britânico.
Promovida a Damares da Cultura, mesmo sem ter ainda assinado contrato, o sorriso de aeromoça de Porcina ocupa as primeiras páginas dos jornais empilhados na minha mesa que ainda não tive vontade de ler.
Para falar bem a verdade, também não tenho nenhum prazer em escrever sobre toda essa cambada da “nova política” que só pensa em 2022, mas fazer o quê?
É o que temos para hoje, um dia como outro qualquer num país da América do Sul invadido por um exército de ocupação, em que todos batem cabeça e dão tiros no pé, sem precisar de oposição.
Nem acredito que passei uma bela semana longe das notícias de Brasília, sem sair do Brasil.
A apenas 200 quilômetros de São Paulo, encontrei uma cidade onde todos os serviços públicos funcionam, as ruas são limpas, os jardins bem cuidados e os pedestres respeitados.
Não se vê uma bituca de cigarro ou latinhas de cerveja jogadas nas praias da cidade de São Sebastião. Para o bem ou para o mal, o exemplo sempre vem de cima.
Quando o poder público cumpre seu papel, a população respeita.
Nas pequenas cidades, há esperanças.
Vida que segue.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Glenn Greenwald explica ética e papel óbvio do jornalismo a 6 "jornalistas" no Roda Viva. Reprotagem de Patrícia Faermann



"A informação, mesmo aquela obtida de maneira ilegal, o jornalista não só tem o direito, mas a obrigação de publicar, porque isso não é um crime, e ninguém acredita que é um crime", teve que explicar Glenn Greenwald



Jornal GGN A entrevista de Glenn Greenwald no Roda Viva, nesta segunda-feira (02), impactou as redes sociais não somente pelas respostas envolvendo diretamente os vazamentos das mensagens da Lava Jato, como pelas lições que o advogado e jornalista norte-americano teve que dar sobre ética, obrigações e garantias da profissão para a bancada de seis entrevistadores de jornais tradicionais.
Como no formato original, o programa da TV Cultura teve mais de uma hora de duração, desta vez com a participação do fundador do The Intercept Brasil, o jornalista que ficou reconhecido internacionalmente pelas denúncias sobre o programa de espionagem da NSA repassadas por Edward Snowden, e atualmente o que recebeu as mensagens da chamada VazaJato, entre investigadores e o ex-juiz Sergio Moro, que revelam como eles atuaram para incriminar e condenar os investigados.
Após Greenwald usar boa parte do primeiro e segundo blocos do programa para explicar à plateia de jornalistas que o rodeavam as garantias inclusive da Constituição brasileira ao jornalista, como proteção à fonte, e que os fins para se chegar ou prender investigados não podem justificar os meios, cometendo os próprios investigadores também ilegalidades, a repórter Lilian Tahan, do portal Metrópoles, fez a pergunta nos últimos minutos que resumiu a tentativa dos demais entrevistadores durante todo o programa de tentar incriminar o jornalista.
As intervenções de diversos entrevistadores foram na mesma linha para o questionar se ele iria paralisar as reportagens caso a polícia descobrisse que o hacker que obteve as mensagens e as repassou recebeu dinheiro para isso, cometendo crime. O jornalista norte-americano disse que não, uma vez que ele não cometeu crime por estar fazendo seu papel de jornalista.
Tahan então perguntou: “não seira mais fácil demitir repórteres e contratar meia dúzia de hackers?”. “Desculpa?”, perguntou o convidado, visivelmente perplexo. De maneira óbvia, Greenwald explicou à entrevistadora que “jornalistas não têm o direito de quebrar a lei” e que caso o façam devem ser responsabilizados, mas que ele não cometeu nenhum crime em atuar como jornalista.
O segundo e terceiro blocos tiveram como foco o mesmo tom de questionamento, principalmente enfatizando se as consequências das reportagens do The Intercept e jornais parceiros com a VazaJato poderiam anular as condenações de centenas de presos dos processos. “Você defende a anulação sumaria de todos os processos e condenações da Lava Jato?”, perguntou, em determinado momento, o editor do Globo, Gabriel Mascarenhas.
O editor do The Intercept afirmou que não é juiz e não integra o Supremo Tribunal Federal para responder a essa pergunta. Em seguida, outros questionamentos insistiam na mesma linha, como por exemplo, o da âncora Daniela Lima, que perguntou como ele se sentiria, se teria “peso na consciência” caso o ex-deputado Eduardo Cunha ou Geddes Vieira Lima fosse solto graças às reportagens.
Até que Glenn teve que responder, novamente de maneira lógica, que pessoas que cometeram crime devem ser responsabilizadas efetivamente, mas seguindo o devido processo legal, o que não permite que investigadores ou juízes cometam outras ilegalidades para isso. Em outras palavras, que os fins não justificam os meios. “A informação, mesmo aquela obtida de maneira ilegal, o jornalista não só tem o direito, mas a obrigação de publicar, porque isso não é um crime”, respondeu, e completou em tom de alerta contra a censura ou estado democrático à bancada de entrevistadores: “e ninguém acredita que é um crime”.
“O jornalismo mais importante, mais influente, mais premiado muitas vezes vem de fonte que cometeu crimes para obter essa informação, e isso não é o papel dos jornalistas”, enfatizou.
Foram poucos os momentos em que os jornalistas ali presentes perguntaram a Greenwald se ele tinha mais informações importantes a revelar sobre as mensagens. As duas vezes em que esse tema foi levantado pelos entrevistados, era para saber se ministros da Suprema Corte seriam arrolados em reportagens futuras. O jornalista respondeu que não havia documentos de peso envolvendo ministro do STF e que as mensagens pessoais destas figuras não seriam divulgadas, por critérios de ética da profissão.
Os entrevistadores, contudo, não quiseram saber se havia mais mensagens sobre ilegalidades cometidas pelo coordenador da força-tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol, e pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sergio Moro. Tampouco houve interesse sobre o impacto e desdobramentos de um dos maiores furos de reportagem da história recente do país.
Assista ao programa completo, abaixo:

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quinta-feira, 25 de julho de 2019

(Sórdida) Globo pratica jornalismo psicográfico para sacrificar Glenn Greenwald, por Luis Nassif



Antes que a Polícia Federal começasse a periciar os celulares e computadores, antes que soltasse qualquer informação, antes mesmo que Moro desse o disparo, afirmando que os hackers eram os fornecedores do The Intercept, o Globo se antecipou e atropelou o script.

Do GGN:




A estratégia de Sérgio Moro

Antes mesmo de se anunciar a Operação Spoofing, todo mundo já conhecia o roteiro.
  1. A Polícia Federal identificaria algum hacker, preferencialmente os que invadiram os celulares de autoridades nas últimas semanas.
  2. Sérgio Moro imediata, e antecipadamente, atribuiria aos hackers o dossiê divulgado pelo The Intercept.
  3. Recorrendo ao método Lava Jato, o passo seguinte seria conseguir algum indício de que os hackers venderam a informação para o The Intercept. Não haveria necessidade de provas nem de indícios, bastariam declarações vazadas seletivamente para a mídia para formar convicções. Daí a importância da reedição de pactos com a mídia.
  4. No coroamento da operação busca e apreensão na casa de Glenn Greenwald e posterior deportação dele.

O papel da Globo

O papel de parceiro preferencial foi conferido às Organizações Globo.
Mas havia uma dificuldade. Uma semana antes, uma jornalista da Globo foi vítima de um ataque desproprositado do presidente Jair Bolsonaro e das redes sociais, acendendo a luz amarela da liberdade de imprensa em risco. Como entrar em uma operação que, em última instância, pretende criminalizar um trabalho de um jornalista de reputação internacional?
Nos primeiros ataques da Globo foi demonstrado – inclusive aqui – que ela investia contra um dos pilares da liberdade de imprensa.
A estratégia definida, e comunicada aos jornalistas, foi de reforçar a ideia de que o dossiê teve origem criminosa, nos perigosos hackers de Araraquara, mas resguardando o direito da imprensa à divulgação e ao sigilo de fonte.
Tudo resolvido. Ou não?

A criminalização do Intercept

Vejamos o que diz um especialista (paranaense) que escreve artigo hoje na coluna de Opinião da Folha (aqui):
“Se as autoridades policiais conseguirem indícios de prova de que os jornalistas estavam mancomunados com a sua fonte (possível hacker), a garantia do sigilo da fonte é inaplicável e tais profissionais de imprensa devem também ser investigados. 
E a razão é simples: nenhuma garantia constitucional deve ser utilizada como escudo para cometimento de atos ilícitos. É um pressuposto básico de direito constitucional que é esquecido nos debates ideológicos radicais de hoje em dia. Logo, se os referidos jornalistas usarem a garantia do sigilo da fonte para cometer crimes, a Constituição não vai protegê-los”.
Ora, nem precisa desenhar para entender que a intenção de Moro consiste em criar ligações entre os hackers e o The Intercept para criminalizar a cobertura. Focas entenderiam perfeitamente essa estratégia. Mais ainda jornalistas com décadas de exercício da profissão. Ou não?
Imediatamente após a divulgação da prisão dos hackers, foram apresentados os indícios da suposta superorganização criminosa.
  • Um celular com mais de mil telefones.
  • Dinheiro encontrado com eles.
Na coletiva para informar sobre o assunto, dois delegados federais se comportaram com admirável profissionalismo. Relataram objetivamente o que haviam levantado até então. Constatou-se que o hacker era especializado em golpes em cartões de crédito, o que explicaria os mais de mil números de celulares e o dinheiro vivo na casa.
Dentre os números armazenados, havia um com o nome de Paulo Guedes, podendo indicar que se tratava do hacker que tentou invadir o celular do Ministro.
Mais não disseram, por nada mais ter a dizer enquanto não terminasse a perícia.
Mesmo antes da perícia, Moro garantiu que se tratava dos fornecedores do Intercept – antecipando de maneira pouco hábil sua estratégia.
Além disso, a Operação prendeu quatro pessoas. Pelas reações iniciais, três nada têm a ver com os golpes do quarto. Mas quatro pessoas é o número mínimo para enquadrar o grupo na caracterização de organização criminosa.
Está nítida a estratégia de Moro. Ou não.

O jornalismo psicográfico

Onde a Globo se entregou? No excesso de obediência de alguns jornalistas, que não prestaram atenção na cronologia dos fatos e passaram a praticar o jornalismo psicográfico.
Antes que a Polícia Federal começasse a periciar os celulares e computadores, antes que soltasse qualquer informação, antes mesmo que Moro desse o disparo, afirmando que os hackers eram os fornecedores do The Intercept, o Globo se antecipou e atropelou o script.

“A operação da Polícia Federal que prendeu nesta terça-feira quatro suspeitos de trabalhar no hack que originou o vazamento dos diálogos entre Dallagnol e outros personagens do Petrolão não se chama Spoofing à toa”.

Seria oportuno que os jornalistas que entraram nessa narrativa se explicassem com os colegas a razão de participarem de uma trama que visa sacrificar o jornalismo e um jornalista corajoso.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

The Intercept está protegido e tem apenas uma arma, a mais poderosa: o jornalismo real e sério, por Mário Messagi Jr



Grupos corruptos do sistema judiciário e mídia golpista tradicional do país tentarão ir para cima de Glenn Greenwald, mas todos têm poucas chances de vencer portal; entenda o por quê

O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil Imagem: Brendan Smialowski/ AFP


Por Mário Messagi Júnior, no GGN
Depois das primeiras matérias de domingo, 9 de junho, do The Intercept, sobre os subterrâneos da Lava Jato, as cenas dos próximos capítulos são bem previsíveis. Vamos considerar primeiro os seguintes fatores:
1) Confundir o The Intercept com um site que disputa narrativa, que tenta construir uma versão à esquerda do mundo é um erro tremendo (que, provavelmente, a direita vai cometer). Glenn Greenwald não é apenas o companheiro de David Miranda (deputado federal pelo PSOL). É um jornalista premiado que ganhou projeção com a série de matérias denunciando o mega esquema de vigilância da NSA (agência de segurança nacional dos EUA), com base em documentos do mais famoso whistleblower da história, Edward Snowden (Greenwald conta toda história no seu livro “Sem lugar para se esconder”). Tem conhecimento, compromisso e recursos para fazer jornalismo em alto nível. E já encarou o poderoso governo americano. Quem desconsiderar a força jornalística do Intercept erra feio.
2) O site tem posição, é evidente, mas vai defender sua posição fazendo jornalismo. Jornais podem ter posição política e isso não tem nada de errado. Errado é fazer como um parte considerável da imprensa nativa e pisotear o jornalismo para fazer valer sua visão de mundo ou seus interesses. O Intercept vai ganhar esta briga usando o jornalismo como arma, apenas jornalismo.
3) Num mundo tecnológico, o Intercept já anunciou que tomou todas as cautelas para proteger a fonte do vazamento (sigilo de fonte) e as informações. Os dados devem estar em servidores criptografados diferentes, em países diferentes. Uma vez vazados, é impossível torná-los, de novo, restritos.
4) Vários atores vão entrar na disputa de narrativa: as milícias digitais de Bolsonaro, sites posicionados à direita e à esquerda (Antagonista e Brasil247, por exemplo), Ministério Público, colunistas, blogueiros e Youtubers. Os grandões da mídia mídia comercial provavelmente vão se dividir: alguns entrarão na disputa de narrativa; outros vão fazer jornalismo.
Diante deste quadro, algumas questões:
1) É possível parar o Intercept? Não. Porque a internet é incontrolável. Os dados já estão protegidos e qualquer ação que, no limite, derrube o Intercept (digital, legal ou política) vai fazer os arquivos mudarem de mãos apenas. Ainda que a mídia nativa possa querer ignorar, o ecossistema jornalístico é muito variado e, hoje, está internacionalizado. Aposto que UOL, Poder360, El Pais, BBC e muitos outros querem botar as mãos nestes arquivos.
2) Se não vai parar, como o Intercept provavelmente vai agir? As primeiras matérias ontem foram apenas o aperitivo. O site jamais sairia com o material mais quente. Vai soltar aos poucos o conteúdo, por alguns motivos: a) o material é muito vasto e exige tratamento, trabalho. Muito deve estar analisado e organizado, mas provavelmente não tudo; b) soltar aos poucos é uma estratégia comercial também, que deve projetar o Intercept como o principal veículo de jornalismo independente no Brasil (para mim, já é, mas vai ficar mais evidente agora). O site vai crescer, vai começar a arrecadar mais e terá mais leitores; c) controlar a divulgação também serve para ir desmontando as versões que os implicados vão tentar potencializar. Em suma, o Intercept vai ditar o ritmo e a agenda pública nos próximos meses.
3) Como vão se comportar os outros atores jornalísticos? Estas são minhas apostas: SBT e Record vão ser linha de defesa da Lava Jato; Globo e Estadão vão oscilar; UOL vai cair moendo, repercutindo e tentando levar parte dos louros jornalísticos também. O divisor de águas será a narrativa sobre o vazamento. Se algum dos grandes embarcar na narrativa de que o vazamento foi criminoso (e acho que alguns vão embarcar) é sinal de que não têm nenhum compromisso mais com o jornalismo. O sigilo de fonte é um dos instrumentos mais poderosos do jornalismo investigativo no mundo, está na base de Watergate, por exemplo. É tão importante que está previsto em praticamente todos os códigos de ética jornalísticos do mundo e é lei em diversos países, incluindo o Brasil, onde é princípio constitucional. Defender isso é o básico em jornalismo. Alguns vão tentar minimizar, jogar o debate para outros pontos, mas atacar o vazamento em si ou endossar tentativas de que o Intercept revele a fonte é desprezar o jornalismo por completo.
4) Como irão agir Moro, Deltan e MPF-PR? O Telegram continua funcionando. Vão tentar jogar o sistema judiciário para cima do Intercept e tentar convencer a população de que o vazamento em si é mais importante que o conteúdo vazado. Vão tratar “hacker” como sinônimo de “bandido”. Podem conseguir algum sucesso na bolha bolsonarista e entre apoiadores da Lava Jato, mas não têm como antecipar o que vem pela frente. Vão ter que reagir movimento a movimento. Quando negarem algo, o Intercept vai mostrar a prova em contrário. E vão se indispor com a comunidade hacker.
5) Como o resto do sistema judiciário vai reagir? Mesmo sendo bem monolítico, o judiciário não é um bloco só. Alguns vão se alinhar a Moro e Cia, mas outros, inclusive alguns bem poderosos, vão querer o couro do ex-juiz e da galera de Curitiba.
6) E o sistema político? Bolsonaro precisa proteger Moro, porque ele está na base da sua eleição, toda armação o fez o principal beneficiário. Mas é imprevisível, instável, nada lógico. Mesmo assim, aposto que vai até as últimas consequências para defender a Lava Jato, mesmo querendo se livrar de Moro, que se tornará um peso para o seu governo. O PSL e alguns lavajatistas vão tentar atacar o Intercept. Primeiro, vão tentar qualificar o site como esquerdopata. Não vai repercutir além da bolha. Depois, podem até retomar a discussão sobre veículos estrangeiros no Brasil (apenas brasileiros natos ou naturalizados há 10 anos podem ser donos de meios de comunicação no Brasil), seja com projeto de lei, seja com ações na justiça. As ações políticas tendem a fracassar ou a produzir efeitos tarde demais. O PSL não consegue, sozinho, articular nada no Congresso, é de uma incompetência política abissal. Já no judiciário pode conseguir liminares rapidamente, o que vai expor ainda mais o caráter partidário e censório do Judiciário. Já o resto do Congresso deve estar pensando, neste momento, em como dar o troco, pesado, na Lava Jato.
Em suma, se nesta disputa o The Intercept conseguir jogar o canhão de luz que tem nos subterrâneos da Lava Jato, ainda estamos numa democracia. Se mesmo com tantas boas cartas nas mãos, for abatido em pleno vôo, é sinal de que cruzamos o cabo da boa esperança e já vivemos, efetivamente, num regime de exceção, num regime que não é mais o império da lei, que não é mais o estado de direito.
Um país onde o jornalismo está severamente manietado.
Mário Messagi Júnior



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Os maus tratos a jornalistas na posse de Bolsonaro provam o acerto de PT e Psol em não participar da farsa. Por Kiko Nogueira



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DCM.- Os maus tratos aos jornalistas na posse de Jair Bolsonaro em Brasília viraram notícia nesta terça, dia 1º.
Profissionais foram impedidos de transitar entre os prédios da Esplanada e da Praça dos Três Poderes, obrigados a chegar horas antes.
Em alguns pontos, como no Congresso, houve relatos de falta de acesso a água ou autorização para ir ao banheiro.
Quem levou lanche para matar a fome viu a comida ser confiscada sob o argumento de que ela poderia ser atirada contra o grande líder.
Na chegada ao Itamaraty, os repórteres foram conduzidos ao piso inferior e colocados na sala San Tiago Dantas, sem janelas.
“Nos demos conta de que ficamos presos em uma sala de imprensa sem vidro, onde não podemos fazer nada para registrar a chegada de convidados”, disse Fanny Marie Lotaire, da rede de tevê France 24.
Míriam Leitão, entre outros, apontou em sua coluna que “o que está acontecendo com os jornalistas é impensável e inaceitável.”
Blogueiros de estimação estão sendo tratados a pão de ló.
Três deles gravaram um vídeo debochando dos adversários na mídia.
Simone Kafruni, do Correio Braziliense, gravou um depoimento mostrando as condições precárias do trabalho (abaixo).
Um sujeito chamado Leandro Ruschel, olavo-bolsonarista raiz, dono de uma consultoria de investimentos que vive sendo repercutido pela família, resume bem o espírito da coisa.
“Há dois principais inimigos do país que podem impedir a criação de um novo Brasil: o STF e a extrema-imprensa”, escreveu.
Esse é o espírito do bolsonarismo, de flagrante desrespeito ao estado democrático de direito.
Meia hora perto do Twitter de Carlos, um dos garotos de JB, é garantia de vômito diante dos ataques a quem não se enquadra na visão autoritária, estúpida e desonesta dessa gente.
Esse é o modus operandi da turma.
É curioso pensar na gritaria dos articulistas quando PT e PSOL anunciaram que não participariam dessa farsa.
No Valor, Maria Cristina Fernandes acusava o PT de se ausentar de uma “missão constitucional”, sabe Deus o que isso significa.
Isso foi um aperitivo.
A normalização de Bolsonaro vai custar caro aos isentões e ao jornalismo obcecado com o petismo.
Infelizmente, não apenas para eles.
00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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