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segunda-feira, 11 de março de 2019

8M: “A Internacional Feminista incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Isa Penna


8M: “A Internacional Feminista incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Isa Penna

Do Justificando:

8M: “A Internacional Feminista incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Isa Penna


Conheça a Internacional Feminista, a construção de uma articulação internacional feminista formada por Angela Davis, Nancy Fraser, Amelinha Teles, Isa Penna e mais de três mil feministas
No dia 8 de março, as flores, os chocolates e os parabéns distribuídos nas ruas, via de regra, não reverberam o significado do Dia Internacional de Luta das Mulheres, que é mais verossímil do que apenas Dia das Mulheres. O 8M vem para lembrar o lugar imposto às mulheres e a luta diária destas para sobreviver a essa estrutura patriarcal, capitalista, racista e misógina.
Mais do que conceitos, as estatísticas descortinam o motivo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em fevereiro de 2019, nos últimos 12 meses, 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento, 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio, 42% dos casos de violência contra a mulher ocorreram no ambiente doméstico. Muitas vezes por medo ou por conhecer a negligência do Estado, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor. Mais do que dados, os relatos dão gênero, cor e classe para os corpos que são diariamente violentados num processo de naturalização do lugar do corpo da mulher.
Na busca por uma construção de uma articulação internacional feminista, Angela Davis, Cinzia Arruzza e Nancy Fraser lançaram um chamado: aInternacional Feminista. O manifesto do movimento já foi assinado por mais de 3.400 mulheres de destaque no meio artístico, intelectual e político, como Sueli Carneiro (Geledés Instituto da Mulher Negra, Brasil), Amelinha Teles (União de Mulheres de São Paulo, Brasil), Angela Davis (Founder of Critical Resistance, Estados Unidos), Antonia Pellegrino (escritora e ativista, Brasil), Marta Dillon (Ni Una Menos, Argentina), Sonia Guajajara (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Esther Solano (professora da Unifesp, Brasil) e Letícia Sabatella (atriz, Brasil).
Isa Penna, deputada estadual em São Paulo pelo PSOL e parte da Internacional Feminista, explica que a ideia é partir dos países onde o movimento feminista já está mais estruturado para pensar a necessidade de uma articulação transnacional diante do avanço da extrema-direita. “Estamos pensando em reuniões das principais referências do movimento internacional para chegar ao ponto de conseguir fazer eventos grandes em algum lugar do mundo para de fato ter sustentação”, afirma a deputada.
Segundo o manifesto da Internacional Feminista, o feminismo está transformando e ressignificando o significado da solidariedade internacional. “Nos últimos meses o movimento feminista argentino usou o evocativo nome de “Internacional Feminista” para se referir à prática da solidariedade internacional reinventada pela nova onda feminista, e em alguns países, como a Itália, o movimento está discutindo a necessidades de encontros transnacionais para melhor coordenar e compartilhar visões, análises e experiências práticas”, apresenta o documento.
A Internacional Feminista defende que o feminismo que vem da nova geração feminista, a linha de frente contra o fortalecimento das forças de extrema-direita, é moldado “pelo sul não só no sentido geográfico, mas também no sentido político”, que é a “periferia do mundo” e, por isso, é anticapitalista, antirracista e anticolonial. “Há coerência nesse feminismo moldado por esses três eixos porque o processo histórico dá coerência a esse tres eixos. O capitalismo precisou do colonialismo para se estruturar e este, por sua vez, da escravização. Logo, o antirracismo, o anticapitalismo e o anticolonialismo são eixos de luta intrínsecos uns aos outros. O patriarcalismo vem antes, mas foi reforçado e violentou de formas diferentes dos países colonizados”, afirma Penna.
Para ela, a extrema-direita depende de um programa econômico para se consolidar e vem acompanhada “de um casamento nefasto com aquilo que há de mais conservador e machista”. No Brasil, isso pode ser observado nas alianças entre políticos desse espectro ideológico com setores conservadores das igrejas evangélicas. Nas eleições presidenciais de 2018, Jair Bolsonaro teve apoio e votos de lideranças evangélicas conhecidas por suas faces conservadoras, como Edir Macedo e José Wellington Bezerra da Costa.
No entanto, a história mostra quem são os sujeitos políticos a fazer a resistência. “Na minha opinião, a última década vem mostrando que é e vem sendo o feminismo, são as lutas da negritude, são as lutas da comunidade LGBTI capazes de fazer resistência e de agregar as lutas por direitos sociais. As lutas não só de resistência, mas de uma agenda política de direitos concretos”, comenta.
“É preciso construir essa ponte entre as feministas e é a serviço disso que estamos construindo essa internacional feminista, não é uma internacional feminista autossuficiente, é uma internacional feminista cujo programa incorpora as lutas dos explorados e dos marginalizados mundo afora”, diz Penna.
Para assinar o manifesto feminista da Internacional Feminista, clique aqui.

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domingo, 30 de setembro de 2018

Do El País: As Mulheres lideraram a mobilização contra Bolsonaro sem o incentivo da grande mídia

Do El País

AO VIVO

AO VIVO | Mulheres lideram mobilização contra Bolsonaro

Protestos foram organizados para este sábado em diferentes cidades do Brasil e do mundo


movimento #elenão
Ato contra Bolsonaro no Largo da Batata, em São Paulo 

As mulheres se tornaram um empecilho ao crescimento das intenções de voto do candidato à presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. Além de uma mobilização massiva nas redes sociais, com milhões de seguidoras reproduzindo a hashtag #EleNão, atos públicos tomam as ruas de diversas cidades do Brasil – e de outras pelo mundo – neste sábado (29).
Líder nas pesquisas de intenção de voto desde o início da campanha, Bolsonaro se envolveu em discussões públicas com mulheres e fez declarações que tem dividido opiniões e alimentado movimento contrários e em apoio ao candidato por parte do eleitorado feminino.
O evento montado no Facebook para a manifestação que acontecerá em São Paulo tem 83 mil pessoas confirmadas. As criadoras da página afirmam que o ato foi organizado por mulheres que se conheceram no grupo 'Mulheres Unidas Contra Bolsonaro'. Segundo elas, a ideia surgiu de forma espontânea e "está sendo construída por ativistas, militantes políticas que apoiam candidatos e candidatas e que assumem suas posturas políticas com respeito".

Acompanhe a cobertura em tempo real:












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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Do El País: Um milhão de mulheres contra Bolsonaro: a rejeição toma forma nas redes



Grupo no Facebook consegue 10.000 novos pedidos de participação por minuto de eleitoras indignadas. Elas querem, agora, levar a insatisfação para as ruas (apesar das ameaças dos covardes fascistas contra elas).


Do El País:

Mulheres contra Bolsonaro
Manifestação pelo direito das mulheres em dezembro de 2016.  AGÊNCIA BRASIL

A rejeição do eleitorado feminino ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), refletida em todas as pesquisas e que no último Datafolha, do dia 10 de setembro, chegou a 49%, se materializou nas últimas duas semanas como um grupo massivo de debate político no Facebook. O "Mulheres unidas contra Bolsonaro" já conta mobilizou mais de um milhão e meio de usuárias da rede social e, a cada minuto, recebe 10.000 novos pedidos de participação. Para os usuários que não são membros do grupo, o número visível de participantes é menor —860 mil na última atualização desta reportagem—, porque reflete apenas o número de perfis que realmente estão ativos nos debates do mesmo (os demais estão esperando autorização para participar ou ainda não responderam o convite feito pelas demais), conforme explicou a EL PAÍS um porta-voz do Facebook.
"Destinado à união das mulheres de todo o Brasil contra o avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e seus eleitores", de acordo com a descrição do Facebook, o grupo nasceu com a intenção de agregar os discursos de eleitoras indignadas com os posicionamentos do presidenciável em relação aos direitos das mulheres, explica Ludimilla Teixeira, publicitária baiana de 36 anos, uma das criadoras. "Percebia nas minhas próprias redes muitas amigas comentando e criticando essas posturas, então decidimos unir todas essas mulheres e criar um fato político para mostrar que grande parte da população não é favorável a essa candidatura", conta.


Isso aconteceu na quinta-feira, 30 de agosto. 24 horas depois, o grupo, exclusivamente feminino, já chegava a 600.000 participantes. O rápido crescimento já se desdobrou na convocatória de uma manifestação contra o candidato, em 29 de setembro, em São Paulo, que já conta com 40.000 confirmações de assistência. O objetivo, asseguram as administradoras do grupo, é realizar atos similares em outras cidades do país. Como reação, nesta quarta-feira, um outro grupo chamou a atenção no Facebook: "Mulheres unidas a Favor de Bolsonaro", com cerca de 38.000 participantes, mas que, curiosamente, foi criado e é administrado por um grupo de homens.
Na plataforma da rede social, as postagens do grupo contra Bolsonaro criticam não apenas as propostas do candidato, como a flexibilização do acesso a armas, mas principalmente suas declarações em relação à brecha salarial de gênero —o candidato acredita que a equiparação no sistema privado não é competência política do Estado e seu gabinete, conforme adiantou o Valor Econômico, paga menos às mulheres— e seus comentários violentos contra repórteres e colegas políticas. "Um país sério de verdade jamais permitiria que esse cidadão falasse as barbaridades que falou. Cadê o Ministério Público? Cadê os órgãos de defesa das mulheres?", questiona Teixeira em relação à frase "não te estupraria porque você não merece", dita à deputada Maria do Rosário.
O grupo se define como apartidário ("A única bandeira é ser anti-Bolsonaro", diz Teixeira), mas existem postagens fixas sobre os demais candidatos à presidência, nos quais as simpatizantes de cada um podem publicar informações sobre eles e suas propostas. "Acredito que muitas indecisas decidiram em quem votar com base nessas discussões online", comenta a publicitária.
Com um perfil de participantes que vai desde adolescentes até senhoras que, por lei, já não precisariam mais votar, o grupo é espaço de discussão de mulheres que enfrentam familiares e amigos na tentativa de combater o voto ao que consideram "um candidato nefasto". "Meu marido é um coronel militar que vai votar nele. Já não sei mais o que fazer, só penso em rasgar o título de eleitor dele ou esconder seus documentos para que ele não possa votar", conta uma professora de 62 anos, que prefere não se identificar.


Reprodução de imagem postada no grupo do Facebook.
Reprodução de imagem postada no grupo do Facebook.


As participantes definem o grupo como um "elo de ligação", um espaço de reunião onde elas pudessem debater política livremente, sem ser silenciadas. "Porque quando fazíamos postagens individuais, sempre havia mansplaining (explicação masculina), homens nos atacando com termos chulos, assédio. Há casos até de usuários que tiraram print de fotos das meninas e espalharam por aí, éramos atacadas pelos seguidores de Bolsonaro, que são bastante agressivos. Faltava esse espaço para debate", conta Teixeira.
Também são muitas as postagens de usuárias que desabafam sobre violência doméstica e relações abusivas e de mulheres trans que agradecem por terem encontrado um “espaço solidário”. "Sinto que o Brasil todo está lá. É muito maior do que só um grupo contra Bolsonaro", afirma a publicitária, que destaca que as participantes "não são contra a pessoa" do presidenciável. "Ele é um ser humano que merece respeito. Inclusive, lamentamos muito o ocorrido [referindo-se ao ataque à faca sofrido por Bolsonaro no dia 6 de setembro]. Não somos favoráveis a nenhum tipo de violência ou discurso de ódio, queremos vencê-lo nas urnas".
Foi justamente depois desse atentado que o candidato registrou um crescimento entre três e dois pontos percentuais na intenção de voto feminino, de acordo com as últimas pesquisas Datafolha e Ibope, respectivamente. "O esfaqueamento mobilizou parte dos eleitores indecisos, principalmente as mulheres, que se solidarizaram com o candidato", avalia a antropóloga e cientista social Rosana Pinheiro-Machado.
Por outro lado, a cientista política acredita que o ataque foi também a "faísca" para que mais mulheres se mobilizassem contra Bolsonaro. "A mensagem sobre o voto feminino como faixa de contenção contra ele já vinha circulando e esse atentado disparou o medo de que se gerasse mais simpatia pelo candidato e que levasse a uma vitória sua no primeiro turno".

Para além das eleições

Pinheiro-Machado considera que o movimento de "mulheres unidas contra Bolsonaro" pode ter o mesmo impacto no Brasil que a marcha das mulheres contra Trump nos Estados Unidos, mas matiza que, para isso, o milhão de participantes do grupo virtual tem que se traduzir nas ruas para que se possa gerar um fato político relevante. "Desde a primavera feminista, quem consegue se organizar hoje no Brasil são basicamente as mulheres", diz.
E as organizadoras e participantes da plataforma na rede social não pretendem parar. Elas contam que já consideram mudar o nome do grupo depois das eleições para se tornar, de fato, um movimento que promova rodas de conversa, debates e outras ações em prol dos direitos das mulheres. "Não são só as eleições, temos uma série de pautas pelas quais lutar, como contra o Estatuto do Nascituro [PL 5069/13, que dificultará o acesso ao aborto em casos de estupro], ou a favor da criação de uma lei para criminalizar o assédio", afirma Teixeira.

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