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quarta-feira, 31 de março de 2021

GGN: 57 anos do (pesadelo do) golpe de 64

 

Estima-se que mais de 20 mil brasileiros, incluindo indígenas e camponeses, tenham sido exterminados. Entre os 434 mortos/desaparecidos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade, 42 eram negros e 45 mulheres.

  A ditadura é a árvore podre da nossa história, seus frutos estão contaminados dos venenos das graves violações dos direitos humanos. Esses entulhos, como a PM, a impunidade da tortura, a LSN, precisam ser extraídos da vida do Estado Democrático de Direito.

57 anos do golpe de 64

GGN. - Na madrugada de 31 de março para o dia 1° de abril as tropas do Gal. Olímpio Mourão marcharam de Minas para RJ, em plena insurgência à Constituição e ao comandante-em-chefe das Forças Armadas, o presidente da República, João Goulart, para operar no campo militar o golpe em curso.

No dia 2 de abril, também pela noite/madrugada o Senador Aldo Moura, presidente do Congresso, declara vaga a presidência, quando o presidente Jango se encontrava em território nacional, no RGS, e leva o presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, ao Planalto, com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal, Álvaro Ribeiro da Costa, e lhe dá posse como presidente da República. Consolidado o lado institucional do golpe, e com a mídia, especialmente o Globo, atuando decisivamente, o golpe foi dado como fato consumado, e gerou 21 anos de infortúnio aos brasileiros e ao país. Fora um longo período de trevas.

As elites militares, civis e religiosas, respaldadas e incentivadas pelos EUA, manipulando parcelas da classe média conservadora, usurparam pela força das armas o poder do governo Goulart, que fora legitimamente eleito pelo povo, e o Brasil sofreu o maior atentado à história de sua florente democracia, o golpe de estado de 1º de abril de 1964.

Crime continuado por 21 anos seguido de mais 5 de transição a uma nova estação democrática, a qual, como as anteriores, traz em seu ventre entulhos da ditadura que sucedeu.

 A política de mentiras, de fraudes e de censura impediu que a sociedade conhecesse as verdades dos subterrâneos da ditadura: sequestros, aprisionamentos, torturas, estupros, cabeças cortadas, mortes, corpos incinerados, desaparecimentos, extermínios, daqueles que ousaram resistir, por direito universal e dever moral, à tirania.

“Na luta contra as forças das sombras houve os que tombaram, os que conheceram o degredo e os que não aceitaram a humilhação dos poderosos, vencendo com dignidade a perseguição e a calúnia. Os melhores filhos da nação souberam resistir, na peleja de todos os dias, ocupando os reduzidos espaços da ação política, até que o povo inteiro, afastando o medo e recuperando o ânimo, irrompeu na força avassaladora das ruas”(Tancredo Neves).

Em 28 de março de 1968, há 53 aos, a repressão da ditadura assassinou o jovem estudante secundarista, Edison Luiz, que virou símbolo da barbárie que a juventude foi vítima, por ousar lutar e resistir.

A ditadura inaugurada com o golpe de 64 colocou meio milhão de brasileiros sob suspeição, mais de 150 mil investigados, 20 mil torturados, entre eles 95 crianças/adolescentes, além dessas, 19 crianças foram sequestradas e adotadas ilegalmente por militares; 7.670 membros das Forças Armadas e bombeiros foram presos, muitos torturados e expulsos de suas corporações.

Cassaram 4.862 mandatos de parlamentares, 245 estudantes expulsos das Universidades pelo Decreto 477; Congresso Nacional foi fechado três vezes.

Estima-se que mais de 20 mil brasileiros, incluindo indígenas e camponeses, tenham sido exterminados. Entre os 434 mortos/desaparecidos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade, 42 eram negros e 45 mulheres.

Ocorreram 536 intervenções em sindicatos; foram colocadas na ilegalidade as entidades estudantis, UNE, UBES, AMES e demais.

Violaram correspondências de toda ordem, sigilos bancários e grampos telefônicos, pregaram o ódio e a delação até entre familiares.

Não é mera semelhança entre o passado – golpe de 64 – e o golpe de 2016.  Os atores foram os mesmos. Em 64 o STF teve o papel de operar como coadjuvante, no golpe de 2016 foi protagonista (STF e tudo mais), com o MP, que fora o braço acusador da ditadura militar, continuou no mesmo papel; e as últimas revelações registram que as elites militares, remanescentes da ditadura militar, também foram protagonistas nas sombras da conspiração.

Como há 57 anos, o golpe foi planejado e não obedeceu apenas aos anseios fascistas da direita conservadora e reacionária, mas também aos interesses geopolíticos dos EUA, que não se conformaram com os BRICS, Mercosul, e a consequente reorganização internacional do poder, sobretudo, com o Brasil do pré-sal.

A partir do golpe de 2016 foi gestado um Estado policial, de viés totalitário nazifascista, no qual a Constituição é mudada sem a participação do povo e os direitos da cidadania são sequestrados e restringidos.

A travessia de uma ditadura para uma democracia passa necessariamente pela justiça de transição, sem a qual a democracia não floresce sólida e plena.

A ditadura é a árvore podre da nossa história, seus frutos estão contaminados dos venenos das graves violações dos direitos humanos. Esses entulhos, como a PM, a impunidade da tortura, a LSN, precisam ser extraídos da vida do Estado Democrático de Direito.

A recomendação de número 20 da CNV é a da desmilitarização da polícia, e propomos a transformação em guarda de proteção à cidadania.

Quanto à LSN, parida algumas vezes durante a ditadura militar, Decreto-lei 314, de 13/03/1967, Decreto-lei 898, de 29/09/1969, Lei 6620, de 17/12/1978, Lei 7170, de 14/12/1983, sempre esteve em uso contra os opositores do regime ditatorial ou de viés autoritário, acalenta o signo das prisões, julgamentos e condenação, com sentenças até de morte por fuzilamento e de prisão perpétua. Sua origem é espúria, seu uso é vergonhoso, é um desrespeito a nós, combatentes e sobreviventes, que formos suas vítimas. É um descaso à recomendação de número 18 da Comissão Nacional da Verdade – CNV, (um órgão de Estado), que indica a revogação da Lei de Segurança Nacional.

O governo está usando para atingir a seus opositores, a maioria já atingida é do MST. O STF a usa com mais contenção. E no debate há os querem fora de uso, por antagonizar com a Constituição cidadã, há outros, alguns juristas, que só querem derrubar alguns artigos.

Fomos sempre lutadores contra qualquer entulho da ditadura, que deve ir para o lixo da história, uma nova LSN deve ser para defender o Estado democrático de direito, por isso mesmo, deve nascer da democracia, dos representantes do povo, ouvindo a sociedade civil. 

Existe um PL na Câmara, de autoria do deputado Paulo Teixeira, que pode ganhar celeridade, enquanto o STF torna a LSN de 1983 inconstitucional, o projeto do deputado pode se tornar lei.

O direito à verdade histórica e a constituição da memória social é essencial à construção da identidade da nação. É fundamental ao povo para que, tendo consciência dos caminhos percorridos, faça opções democráticas dos caminhos a percorrer.

Por memória, verdade e justiça.

Lembrar para não repetir.

Pela preservação dos direitos democráticos da cidadania brasileira.

Ditadura nunca mais! Democracia sempre mais.

 * os números citados acima das barbáries da ditadura podem variar conforme novas pesquisas.

Assinam:

1- Francisco Celso Calmon, coordenador do Fórum Direito à Memória e à Verdade do ES, integrante da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

2- Junia C. S. de Mattos Zaidan, professora da UFES e sindicalista (Adufes)

3- Ana Carolina Galvão, professora da Ufes e sindicalista (Adufes)

4-Tadeu Guerzet, presidente do Sindipúblicos/ES

5-Carlos Antonio Uliana, ex dirigente sindical bancário e assessor do sindicato dos ferroviários do ES / MG.

6-Iran Milanez Caetano. Sindicalista e servidor público

7-Wellington Pereira Coordenação do SINTUFES

8-Edegar Antonio Formentini

9-Adolfo Miranda Oleare, professor do Ifes

10-Thalismar Matias Gonçalves, professor do Ifes e sindicalista

11-Clemilde Cortes Pereira, presidente da CUT-ES

12-Sara Hoppe Schröder – AnffaSindical/ ES

13-Moisés Queiróz Monteiro- Sinasefe Santa Teresa ES

14-Javier Lifschitz , Professor da Unirio e coordenador do Núcleo de Memória Política

15-Claudio Vereza – ex-deputado estadual – ES.

16 .Sindicato  dos  Bancários do ES -INTERSINDICAL – Central da classe trabalhadora

17-Paulo de Tarso Carneiro, ex-dirigente bancário, ex-preso politico

18-Silvio de Albuquerque Mota, juiz do Trabalho, membro da AJD

19-Laurenice Noleto Alves – Nonô, viúva do ex-preso político jornalista

Wilmar Alves e diretora do Sindicato dos Jornalistas de Goiás

20. Guilherme Mello Garcez, afilhado ex-prisioneiro político.

21-Jane de Alencar, ex-presa política e anistiada

22-Paulo de Tarso Riccordi, jornalista e professor, Porto Alegre-RS.

23-Pedro Estevam da Rocha Pomar, jornalista, membro do Comitê Paulista por Memória, Verdade e Justiça

24-Sandra Mayrink Veiga – Jornalista, Coordenação da Oposição Metalúrgica do Sul Fluminense, Fórum de Lutas do Sul Fluminense

25- Isaque Fonseca – escritor, ex-dirigente sindical, membro da coordenação da Oposição Metalúrgica do Sul Fluminense.

26- Antonio Claudino de Jesus, médico, artista, produtos cultural e consultor ambiental, cineclubista Secretário Adjunto Latino-americano da Federação Internacional de Cineclubes .

27- Moacir Lopes

28- Leonardo Matiazzi Correa Professor do IFES

29- José Marques Porto, sociólogo militante socioambiental

30- Maxwell Miranda de Almeida

31-Elizabeth Nader – jornalista e professora universitária

32- Veronica América de Jesus

33-Elizabeth Zimmermann-Diretora Executiva da Seção SP do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União

34-Julio Cesar Santos Cardoso – Engenheiro, professor e portuário-estivador, criado nas CEBs e na Teologia da libertação – Vila Velha – ES

35-Wanderlea Almenara Merlo Emmerick Oliveira, advogada, Vitória, ES

36-Jorge Nascimento – Professor UFES

37-Elizabeth Azevedo – professora

38-Julio Ambrozini Estivador

39-Carol Lazarte- mãe, médica cardiologista.

40-Regina Helena Machado

41-Carlos Beltrão do Valle

42-Luis Cesar Carvalho da Silva

43-Leonardo Matiazzi Correa Professor do IFES

44-Leonardo Matiazzi Correa Professor do IFES

45-Isabel Peres, pedagoga e bancária aposentada.

46-Ivonete Maria da Silva, professora do Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo e do Fórum de Mulheres do ES.

47-Júlio Américo Pinto Neto, jornalista, psicólogo e ativista dos direitos humanos.

48-Israel Bayer

49-Sinésio Soares, Coordenação Geral do SINDSERM Teresina

50-Antonio Francisco Lopes Dias, Professor, Coordenador de Comunicação da ADCESP/ANDES, membro da Executiva Estadual do Piauí da CSP Conlutas

51-Jussara dos Santos Larangeira – Historiadora

52-Ecilene Saraiva, militante do Ruptura Socialista

53-Nazira A. Tavares

54-Hielbert Santos Ferreira – Advogado.

55-Francisca -Professora

56-Patrícia Merlo, historiadora/UFES, Anpuh-ES

57-Joana pereira, Professora

58-Ariel Cherxes Batista – professor de História/ANPUH-ES

59-Isadora Campelo

60-Edimilson Ferreira De Araújo

61-Maria de Jesus Machado de Medeiros, professora da rede municipal de Teresina (SEMEC).

62-Daniele B N Damasceno SINDSERM TERESINA

63-Francisca Maria dos Santos e Silva

64-Elizabeth Rodrigues Gouveia-Professora

65-Sindserm Parnaíba

66-Leandro Lopes

67-Guilherme Reis Coda Dias – Consulta Popular

68-José Rigonaldo Pereira de Oliveira

69-Josean de Castro Vieira

70-Rubens Manoel Câmara Gomes

71-Eliete Digueira dos Anjos Pereira

72-André Luiz Moreira

73-Amarildo Mendes Lemos, historiador/ IFES, Anpuh-ES

74-Gisvaldo Oliveira da Silva, professor de História da UESPI

75-Vilma Carneiro Salustiano

76-Úrsula Inês

77-Jesus Bastos

78-Eliene Coelho Silva, professora da rede estadual de mt

79-Nair Aparecida Ribeiro autônoma

80-Emerson Sbardelotti – Teólogo

81-Teresa Cristina Rodrigues Ribeiro professora da rede municipal e estadual no município de Canoas-RS

82-Cláudio Roberto Cantori – Comerciante

83-Jaime Luccas de Moraes, jornalista e microempresário,

84-Ivaldo Gomes – Professor Estadual na Paraíba.

85-Lucas Rodrigues Prado – militante  ruptura socialista

86-Edson Camargo de Araújo- Professor – Vitoria – ES

87-Julio Francisco Caetano Ramos – Advogado/RS

88-Antonia Sousa

89-Telma Barbosa  de  Moura Assistente Social aposentada

90-Jurema Quintella 

91-Jane de Alencar

92-Marcos Amaral

93-Tiago Weschenfelder de oliveira   

94-Carla Luciana Silva – Historiadora, UNIOESTE

95-Renata Rubim, designer                                                                                                                                                 

96-Maurício Valente Souto de Castro, Sociólogo

97- Creusa Faria, servidora pública

98- Marcia Curi Vaz Galvão

99- Aparecida Barboza da Silva

100-Denise Carvalho Tatim – Psicóloga, Professora universitária.

101-Suzana Alvim – Psicóloga.

102-Carla Goes – designer

103-Júlia Lee Aguiar – jornalista e repórter do Jornal Metamorfose

104-Climeni Araujo Rodrigues,servidora pública

105-Francy Barbosa – Professora

106-Jussara Gralato

107- Manoel Nunes da Costa

108-Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes, Psicólogo

109-Nagela Valadao

110-Aldisio Gomes Filgueiras, escritor e jornalista, Membro da Academia Amazonense de Letras

111-Professor Josué Nicácio, da PMV, PMS, oposição: Educação pela Base e ex Processado Político por parte da diretoria do SINDIUPES!

112-Felipe Pante Leme de Campos – UNIFI

113-Rosa Meira Ferreira

114-Marliane Costa de Freitas medica

115-Daniel Lincoln Pb

116-Fernando Luiz Araújo da Costa

117-Antonio Joaquim Rodrigues Feitosa – Diretoria sindical da ADUPB, Prof. Aposentado do DM UFPB/CCEN

118-Joanicy Leandra Pereira ES

119-Domingos Pinto de França

120-Jose Luiz Saavedra Baeta/comite popular de santos memoria verdade e justiça

121-Gilsa Aparecida Pimenta Rodrigues, Enfermeira

122-Lara N. Gobira – Técnica Administrativa da Ufes

123-PC Gama

124-João Rodrigues

125-Edílson Alves Fiterman  servidor público federal aposentado

126-Eduardo Lacerda advogado, petroleiro e diretor Sindipetro ES

127-Selvino Heck, Movimento Fé e Política

128-Marcelo dos Santos Monteiro – Presidente Nacional do CETRAB, do PPLE e do Movimento Axé do PDT

129-Marie Regina Abreu de Melo, presidente do PCdoB Cotia

130Edson Amaro de Souza, professor

131–Eder Magno de Sa

132-Paulo Roberto Vieira contador

133- Wagner Gonçalves –  ex-Subprocurador Geral da República, ex-Corregedor Geral do Ministério Público; ex- Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República

134 – Luiz Carlos de Carvalho, Presidente do Comitê pela Memória, Verdade e Justiça de Juiz de Fora – MG

135 – Zé Dirceu (ex-combatente e prisioneiro da ditadura militar, Ministro do governo Lula,  ex-presidente do Partido dos Trabalhadores)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

GGN: Juíza substituta da Lava Jato, Gabriela Hardt é intimada a explicar não cumprimento de ordens

 

Hardt optou por abrir vista dos autos ao Ministério Público federal, para sua manifestação, em vez de determinar a imediata remessa ao Distrito Federal. Bonat adotou o mesmo procedimento.

GGN:

Em mais um caso de não cumprimento de determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) a juíza substituta da 13a Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, e o novo titular, Luiz Antonio Bonat, foram intimados pelo Ministro Gilmar Mendes “para que prestem informações, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre o alegado descumprimento da ordem proferida por esta Corte”.

 Edison Lobão e Mário Lobão solicitaram acesso à ação penal 5059500-45.2019.4.04.7000. Para tanto, elas iriam que ser remetidas para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Hardt optou por abrir vista dos autos ao Ministério Público Federal, para sua manifestação, em vez de determinar a imediata remessa ao Distrito Federal. Bonat adotou o mesmo procedimento.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Censura ditatorial bolsonarista. Com supremo, MPF, Transparência Internacional e tudo, por Armando Coelho Neto, advogado e delegado aposentado da PF

 

A censura voltou. Este GGN teve 11 matérias censuradas, e o Brasil não pode saber que uma carteira de crédito de R$ 3 bi foi vendida R$300 mi ao banco BTG, que é ou foi ligado ao ministro Guedes. Cadê o MPF fiscal da lei?


Pixabay

Censura. Com supremo, MPF, Transparência Internacional e tudo

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Ministério Público Federal (MPF) vergonha nacional. Este seria o título de nossa fala de hoje, sobre o monstro criado pela Constituição Federal de 1988. O espírito do tempo de então, exigia do Brasil pós-ditadura de 1964 proteger os cidadãos contra a tirania do Estado. Vide capítulo “Das funções essenciais à Justiça”.

O Ministério Público é autônomo, não pertence aos três Poderes, não pode ser extinto. Seus membros são vitalícios, têm independência funcional com liberdade para atuar dentro da lei. Podem defender os cidadãos contra o Estado e defender o Estado contra as ameaças por parte de indivíduos ou figuras públicas.

Ele é o fiscal da lei. E é aí que começa o problema, pois ninguém sabe quem vai fiscalizar ou mesmo punir o fiscal, quando ele se converte à tirania. Por exemplo, barnabés fedelhos de seus quadros, cometeram atos de improbidade no decorrer da Farsa Jato, em Curitiba.

Banalizou. Procuradores da República dramatizam, espetacularizaram e turbinam acusações. A forma mais comum é fazer cálculos de roubalheiras, divulgar cifras milionárias e, embora envolva várias pessoas, o valor fica associado a apenas uma pessoa. Lula que o diga.

O MPF tem sido pródigo em criminalizar doações eleitorais legais, em divulgar fraudes de bilhões e com isso criar no imaginário popular a figura de “Lula ladrão”, independentemente de eventual responsabilidade que ele possa vir a ter. Lula passa a ser investigado num esquema de “Xislhões”. O MPF disse, está dito.

Entre leviandades espetaculosas está o famoso Power Point contra Lula. A velha “aranha” do DEA (Drug Enforcement Administration – órgão do Departamento de Justiça Americano) ganhou na Farsa Jato versão digital. Pelo estilo americano, as “aranhas” são feitas para investigar. Não servem para acusar, não são provas.

A “aranha” é um esquema por meio do qual a polícia busca ligação entre pessoas. Não passa de um rascunho. Ao final tem que ser demonstrado (com provas) quem é quem num esquema criminoso. É mero rascunho acessório e a simples ligação de A com B não é crime, mas um caminho, um dado a cotejar. Não é prova.

Na Farsa Jato, a “aranha” deixou de ser rascunho ou diretriz para ser peça acusatória. A pretexto de didática, com o MP extrapolando sua função constitucional, dá um tom de sentença a uma hipótese. Destrói reputação, toma partido onde não deveria, virou partidário, influenciou no processo eleitoral, ajudou no caos.

Além da excrescência do PowerPoint, as recentes vitórias de Lula no Judiciário foram precedidas de espetaculosas e contorcionistas denúncias de Procuradores da República, prenhes de ilações hiperbólicas. Traduzindo: exageradas, com forçação de barra, pois crime é o que está definido em lei, não é o que um procurador diz ser.

Para não ser leviano, as linhas a seguir podem ser simples especulações. Mas, para o jornal O Globo, o procurador Januário Paludo disse que a Farsa Jato investigou e denunciou apenas um terço dos crimes de Lula. Então o MPF teria sido omisso em relação a dois terços dos supostos crimes de Lula? E o dever legal de atuar?

Paludo, bom lembrar, foi citado pelo doleiro Dario Messer como beneficiário de propinas, com o objetivo de afastar o risco de que os procuradores atrapalhassem negócios ilegais, segundo publicação do site UOL. Foi investigado? Se o MPF deixou de investigar crimes de Lula, por que não de Paludo? É verdade?

Nas revelações feitas pelo The Intercept, Paludo é aquele que teria insinuado que a Morte de Marisa Letícia seria “queima de arquivo”, e que sempre teve “pulga atrás da orelha” quanto ao aneurisma dela. Fato: leviandades que ilustram e norteiam o coronelismo de membros do Ministério Público. Seriam afirmações reais?

Conforme várias matérias jornalísticas, o procurador Deltan Dalagnol, além de haver tentado influenciar nas eleições do Senado, teria insinuado “negócios ilegais”, chamando ministros do STF de “panelinha”. Mas, quis obter lucros com eventos e palestras, explorando a popularidade adquirida, segundo o Intercept. Verdade?

Outras denúncias dão conta de que o site “O Antagonista” foi usado para interferir na escolha do presidente do Banco do Brasil no governo Bozo. Mais recentemente, até o nome da Transparência Internacional surgiu no pacote. A T.I. teria sido utilizada para minimizar prejuízos causados ao Brasil pela Farsa Jato.

É o MPF no golpe com Supremo e tudo, mais a T.I. dando força ao monstro leviano destruidor de reputações, omisso como fiscal da lei, na ruptura constitucional, corroendo a Democracia. Qual o papel do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a quem cabe apurar disciplinarmente os abusos dos seus membros?

Até o momento as respostas do CNMP têm sido vergonhosas. Os crassos abusos de procuradores na Farsa Jato passam batidos. Deltan Dallagnol conta apenas com uma advertência e foi beneficiado por 42 adiamentos no caso do PowerPoint. O caso foi prescrito. Justo ele que dizia que a prescrição favorece a impunidade. É mole?

O MPF destrói reputações, não aceita críticas, e ainda fatura em cima da liberdade de expressão. O valor da honra de Deltan acaba de ser decidido num antigo Tribunal de Pequenas Causas. Em nebuloso processo tentou calar um jornalista da BandNews. Ah! A TV Globo está proibida de falar dos crimes do filho do presidente.

A censura voltou. Este GGN teve 11 matérias censuradas, e o Brasil não pode saber que uma carteira de crédito de R$ 3 bi foi vendida R$300 mi ao banco BTG, que é ou foi ligado ao ministro Guedes. Cadê o MPF fiscal da lei?

Em carta aberta, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, diz que o MPF poderia fazer a diferença na precária democracia. Mas, está cheio de trogloditas arrogantes, megalomaníacos e prepotentes cegos sem autocrítica, que se escondem na formalidade que negam aos seus inimigos.

Mas, diz Aragão, ainda há tempo de porem a mão na consciência, “mostrarem remorso e arrependimento. Do contrário, a história não lhes perdoará, por mais que os órgãos de controle os queiram proteger”. Com a palavra o CNMP.

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

GGN: Toffoli indica que Fundação da Lava Jato é um crime




"Não se pode criar recursos para si próprio e nem se apropriar de algo que é da União. Isto tem até nome no Código Penal", disse o presidente do Supremo Tribunal Federal



Jornal GGN – Presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli emitiu mensagem bastante dura a respeito do caráter do acordo entre Petrobras e procuradores de Curitiba que levaria à criação de uma fundação privada para gerir R$ 2,5 bilhões.
Toffoli evitou dizer o que pensa com todas as letras, mas a indicação que fez foi bem clara: “Não se pode criar recursos para si próprio e nem se apropriar de algo que é da União. Isto tem até nome no Código Penal.”
A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba participou, de maneira obscura, de processo que a Petrobras sofreu nos Estados Unidos por conta da corrupção revelada nos 5 anos de operação. Para evitar ir à juízo em solo americano, a estatal brasileira assinou um acordo com o Departamento de Justiça que previa pagamento de multa bilionária. O DoJ, contudo, abriu mão de 80% do valor em benefício das “autoridades brasileiras”.
Escanteando o governo central ou outra instituição, os procuradores de Curitiba estabeleceram bilateralmente, junto à Petrobras, que os R$ 2,5 bilhões decorrentes da multa nos EUA seriam injetado em um fundo patrimonial. A fundação gestora desses recursos – metade para investidos em ações sociais e anticorrupção bem abstratas, e a outra fatia para ressarcimento de acionistas – seria constituída sob a influência da turma de Deltan Dallagnol.
É nesse contexto que Toffoli contesta a criação de recursos para si própria, e a apropriação de recursos que deveriam ser destinados à União. O STF suspendeu o acordo para análise, mas os procuradores insistem que têm ingerência sobre o futuro dos bilhões.
A fala do ministro ocorreu, segundo relatos do Conjur, durante um jantar promovido por juristas, em São Paulo, em defesa do STF – que vem sendo atacado por apoiadores da Lava Jato nas redes sociais. Gilmar Mendes também esteve presente no encontro.

A ONG DA LAVA JATO

Confira o que o GGN já publicou sobre a fundação da Lava Jato: