Após a aprovação da resolução, os democratas da Câmara estão articulando rapidamente um pedido de impeachment do presidente por conta dos incidentes no Capitólio, incitados por ele.
Jornal GGN – A Câmara dos Representantes dos Estados votou, na noite desta terça, 12, e aprovou uma resolução pedindo que o presidente Donald Trump seja removido do cargo por meio da 25ª Emenda, como consequência do violento cerco ao Capitólio dos Estados Unidos na semana passada.
Antes disso, o vice-presidente Mike Pence havia rejeitado o pedido para invocar a 25ª Emenda em uma carta à Presidente da Câmara, Nancy Pelosi.
A resolução votada à noite, apresentada pelo democrata Jamie Raskin, de Maryland, pediu a Pence “para usar imediatamente seus poderes sob a seção 4 da 25ª Emenda para convocar e mobilizar os principais oficiais dos departamentos executivos no Gabinete para declarar o que é óbvio para uma nação horrorizada: que o presidente é incapaz de cumprir com sucesso os deveres de seu cargo”.
A resolução equivale a uma repreensão simbólica ao presidente após os ataques ao Capitólio por partidários de Trump que questionaram os resultados das eleições de 2020.
Após a aprovação da resolução, os democratas da Câmara estão articulando rapidamente um pedido de impeachment do presidente por conta dos incidentes no Capitólio, incitados por ele.
Os democratas planejam votar nesta quarta, dia 13, a abertura do impeachment de Trump, uma semana após a invasão do Capitólio.
Com informações da CNN Internacional.
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Jornal GGN – A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos deu início à votação da abertura do processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. Estão em análise a aprovação ou não das duas acusações apresentadas pela Comissão de Justiça – abuso de poder e obstrução do Congresso.
Segundo informações do jornal O Globo, as acusações contra o atual presidente norte-americano estão ligadas às denúncias de que Trump teria pressionado o governo da Ucrânia para investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, que pode ser seu rival nas próximas eleições presidenciais. Em conversas com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Trump falou sobre a investigação contra Biden, com foco nos negócios do filho dele, Hunter, no setor de energia do país.
A discussão deve levar em torno de seis horas, com tempo dividido entre republicanos e democratas. Caso o processo seja aberto com o voto da maioria simples dos deputados, esta será a terceira vez que um presidente dos Estados Unidos será julgado no Senado.
Trump acredita que sofrerá uma derrota na Câmara, uma vez que os democratas possuem maioria desde as eleições legislativas de 2018 – mas a decisão de votar a favor da manutenção do processo pode ter um custo político nas próximas eleições, uma vez que 31 das 41 novas cadeiras conquistadas pelos democratas eram em distritos onde Trump venceu e ainda detém apoio.
O presidente também conta com a maioria no Senado (53 dos 100 senadores são republicanos) para seguir no poder, e acredita que o processo vai ajudar a mobilizar sua base de eleitores na eleição presidencial.
Assim como no Brasil, impeachment precisa tramitar também no Senado, onde partido de Trump tem a maioria, mas o processo irá enfraquecê-lo, avalia cientista político
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Isac Nóbrega/PR
Jornal GGN – A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, anunciou nesta terça-feira (24) o início formal do processo de impeachment contra o presidente daquele país Donald Trump.
Assim como no Brasil, o Congresso norte-americano é dividido entre a Câmara dos Deputados e o Senado. O processo foi aprovado na primeira casa, onde os democratas, partido de oposição ao governo Trump (republicano), têm maioria. Na Câmara Alta, ou seja, no Senado, os republicanos são a maioria e podem impedir a saída de Trump.
Há anos, membros do partido democrata tentam articular a abertura do processo de impeachment contra o mandatário dos Estados Unidos. O debate central para conseguir isso era a possível interferência russa na campanha republicana de 2016, que elegeu Donald Trump.
O cientista político Alberto Carlos Almeida explica, entretanto, que parte dos deputados democratas que ocupavam alguma cadeira nos distritos eleitorais pressionavam a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, para não anunciar o impeachment porque, nas pesquisas de opinião pública, a maioria da população não aprovava o processo.
A proposta voltou a ganhar força nas últimas semanas, após a imprensa vazar conversas entre Trump e o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky. O norte-americano teria pressionado o líder do país do leste europeu para investigar negócios relacionados ao ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho na Ucrânia.
Biden é pré-candidato democrata à Casa Branca em 2020 e Trump pretende concorrer à reeleição no ano que vem.
Segundo informações de jornais norte-americanos, em troca da investigação sobre negócios de Biden na Ucrânia, Trump teria prometido a Zelensky uma ajuda de 250 milhões de dólares para o setor militar do país, congelados pelo governo norte-americano até então.
A Câmara americana votou primeiro uma resolução para condenar Trump por ter usado de suas atribuições como presidente dos Estados Unidos para obter ganhos eleitorais. Em seguida, os parlamentares votaram pela criação do comitê especial que irá analisar o impeachment.
“O presidente viola a Constituição dos Estados Unidos, especialmente quando diz que pode fazer o que quer”, disse Nancy Pelosi durante o discurso de abertura do processo para investigar a denúncia de abuso de poder do governo Trump.
Em sua defesa, Trump declarou que irá disponibilizar a transcrição completa de conversas que teve com Zelensky por telefone.
“Estou neste momento nas Nações Unidas representando nosso país e autorizei a divulgação da transcrição completa e sem alterações da minha conversa por telefone com o presidente da Ucrânia, vocês vão ver que foi uma conversa apropriada e amigável”, escreveu nesta terça-feira em sua conta no Twitter.
“Se os democratas forem rápidos e muito focados no caso da Ucrânia, podem sim conseguir apoio da opinião pública e aprovar o impeachment [na Câmara dos Deputados]”, avalia Carlos Almeida.
“Isso é [resultado das ações de] um presidente conflituoso, que decidiu romper inúmeras regras do jogo e um dos aliados mais importantes de Bolsonaro”, salienta o cientista político.
“Pode ser que Trump não seja afastado, mas fique totalmente enfraquecido se sofrer um impeachment na Câmara baixa dos Estados Unidos”, conclui.
– O presidente do Comitê Judicial da Câmara, Jerrold Nadler.JOSHUA ROBERTSREUTERS
Os democratas abriram uma investigação contra Donald Trump através do comitê judicial da Câmara dos Representantes, presidido por Jerrold Nadler, que tem como finalidade provar o suposto abuso de poder do presidente. Nadler solicitou documentos a um total de 81 agências, indivíduos e outras entidades ligadas ao mandatário norte-americano, entre elas a Casa Branca, o FBI e a Fundação Trump, para demonstrar a suposta obstrução à Justiça e a corrupção do republicano. Estão na investigação os dois filhos do mandatário republicano (Donald e Eric) e seu genro, Jared Kushner.
Em um comunicado publicado na segunda-feira, Nadler afirma que era imperativo “começar a construir um caso ao povo norte-americano sobre o abuso de poder” de Trump. Na opinião do legislador nova-iorquino, “está bem claro que o presidente obstruiu a Justiça”. “Trump se referiu 1.100 vezes à investigação como caça às bruxas, tentou proteger [Michael] Flynn de ser investigado pelo FBI e demitiu [James] Comey para evitar a trama russa”, enumera Nadler ao mesmo tempo em que acusa o mandatário de “intimidar testemunhas em público”. Nos requerimentos à Casa Branca é solicitada documentação relacionada à investigação em andamento sobre a possível confabulação de Trump com a Rússia para propiciar sua vitória eleitoral contra a democrata Hillary Clinton e acontecimentos posteriores à abertura das investigações dos anteriormente citados Michael Flynn (ex-assessor de Segurança Nacional), James Comey (ex-diretor do FBI) e do promotor geral Jeff Sessions.
Perguntado por um jornalista do pool da Casa Branca se estava disposto a colaborar com a investigação do comitê judicial da Câmara, Trump declarou que ele colabora “o tempo todo com todo mundo”. “O bom é que não há conspiração, é tudo uma fraude”, disse o mandatário para, na sequência, recomendar à imprensa que fosse almoçar.
O congressista reconhece que sua investigação pode ser coincidente em alguns pontos com a realizada pelo promotor especial Robert Mueller, que também averigua se o mandatário obstruiu a Justiça, ainda que nesse caso se trata de uma questão criminal na qual trabalha o Departamento de Justiça, e o que Nadler abriu é uma investigação do Congresso que tem padrões muito diferentes. Nos documentos apresentados na segunda-feira por Nadler em nenhum momento aparece a palavra impeachment, mas sua sombra está presente nas fileiras democratas.
Na semana passada, Nadler declarou em uma entrevista ao The New York Timesque, apesar de ele acreditar que Trump cometeu crimes durante seu mandato e que desrespeitou normas básicas da Constituição, não se lançaria em um processo de destituição do presidente a menos que contasse no Congresso com uma esmagadora maioria bipartidária. “Por enquanto, esse não é o caso”, afirmou.
“É um momento crítico para nosso país”, diz o próprio Nadler nas cartas enviadas. “O presidente Trump e sua Administração enfrentam graves acusações de conduta inapropriada que atacam o coração de nossa ordem constitucional”, acrescenta. Todos os destinatários têm até 18 de março para entregar a documentação requerida e a comissão alertou de que pode solicitar ordens judiciais se alguns deles se negarem. Essa iniciativa pretende, também, garantir que seja possível investigar os possíveis crimes no caso da investigação de Mueller sobre o suposto envolvimento da influência da Rússia na campanha para as eleições presidenciais de 2016 não dê resultados e as investigações não sejam publicadas.
Entre os destinatários das cartas de Nadler estão os principais responsáveis pela campanha eleitoral que levou Trump à presidência em 2016: Corey Lewandowski, Paul Manafort, Steve Bannon e Jared Kushner. Além de Brad Parscale, o diretor de campanha à reeleição de Trump no ano que vem.
Nas cartas à Organização Trump, além de Donald Trump Jr. e o diretor financeiro, Allen Weisselberg, está outro dos filhos do presidente: Eric. Também está sua secretária durante anos, Rhona Graff. Na lista se destacam, além disso, organizações como a WikiLeaks, a Associação Nacional do Rifle (NRA) e a Cambridge Analytica.
O presidente do comitê judicial da Câmara, agora nas mãos dos democratas após estes tomarem o controle nas últimas eleições legislativas, acrescentou que “se aprendemos alguma coisa com o depoimento de Cohen [ex-advogado de Trump na cadeia por mentir ao Congresso] é que o presidente está diretamente envolvido em vários crimes, enquanto fazia campanha e já como ocupante da Casa Branca”.
Informações que o blogueiro recebeu de uma importante liderança política brasileira que esteve recentemente nos states é de que no establishment já discute sem cerimônia o impeachment para este ano. Trump teria perdido base social.
Não foi só a baixa participação popular na posse de Bolsonaro – que o GSI estimou em 115 mil pessoas e alguns veículos deram como número real (pausa para rir) – que teve pouco destaque na mídia em geral. Mas, principalmente, a baixíssima participação de delegações internacionais e de chefes de Estado no ato de transmissão do cargo.
Alguns comentaristas políticos atribuíram isso em razão do dia 1º de janeiro ser um feriado (pausa pra rir 2). Desde 2003 tem sido assim. Com Lula foram 120 delegações presentes. Com Dilma em 2011, 130. Com Bolsonaro 47.
Os mais importantes líderes a participarem do ato foram Benjamim Netanyahu e Evo Morales. Trump mandou um twitter. Que foi tratado como um gol de placa num Maracanã lotado.
Esse é um dado que deveria mostrar como começa internacionalmente isolado o governo Bolsonaro. Algo que tende a se aprofundar se a política do tal Ernesto Araújo, do Itamaraty, for à cabo.
Mas há um outro elemento que pode fazer deste 2019 um ano ainda mais complicado para Bolsonaro. Avança a passos largos nos EUA a possibilidade de um processo de impeachment de Trump. Ele perde força entre seus aliados republicanos no Senado. E já não tem maioria na Câmara, onde os democratas têm mais deputados.
Informações que o blogueiro recebeu de uma importante liderança política brasileira que esteve recentemente nos states é de que no establishment já discute sem cerimônia o impeachment para este ano. Trump teria perdido base social.
Muitos dos republicanos eleitos obtiveram mandato com discurso crítico a ele. E antigos aliados do capital já o teriam abandonado com medo das consequências de suas decisões estabanadas, como a de parar o governo por conta do muro na fronteira com o México.
O outro grande aliado de Bolsonaro, Benjamim Netanyahu, também está na berlinda. Pode ser condenado em processo judicial por corrupção nos próximos dias e, pela lei de Israel, teria de renunciar ao cargo. Mas está se negando a isso e como escapatória tentando antecipar a eleição presidencial para abril.
Um presidente em vias de ser condenado judicialmente por corrupção foi o grande astro da festa de Bolsonaro.
Evidente que a depender do que vier a acontecer nos EUA e em Israel, Bolsonaro pode ficar falando sozinho no mundo.
As quedas desses governantes ainda são hipóteses um tanto remotas. Mas já precisam estar no radar. E se avançarem podem significar uma enorme mudança nos destinos do mundo. E do Brasil.