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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

A mídia empresarial neoliberal não fala mais sozinha. Existe agora a força de um jornalismo idependente... Artigo de Renato Rovai

 

Jornalismo independente tem mais força e garante com isso mais democracia e justiça ao ambiente comunicacional, diz Rovai, ao comentar caso Andreza Matais

Andreza Matais e o despacho que determina a abertura da investigação sobre denúncias de abuso

Andreza Matais e o despacho que determina a abertura da investigação sobre denúncias de abuso (Foto: Reprodução)

O MPT-DF confirmou após consulta dos advogados da Fórum que recebeu 3 denúncias sobre o Estadão que envolvem desde horas extras até o assédio moral em produção de matérias como a da suposta "Dama do Tráfico", no qual o jornal vinculou o ministro da Justica Flávio Dino e seus assessores ao crime organizado.

Fórum recebeu essa denúncia com prints no sábado pela manhã, ouviu três pessoas que trabalham ou trabalharam recentemente no Estadão e também a editora de política Andreza Matais antes de produzir a matéria.

Mesmo com todo o cuidado tomado, fomos acusados de produzir jornalismo difamatório por ser um "site simpático ao governo". Somos simpáticos, de fato. Simpáticos à verdadeira liberdade de imprensa que submete, inclusive, produção jornalística de caráter difamatório e duvidoso, como a série de matérias da dama do tráfico, ao teste da verdade.

Não é a primeira vez nesses 22 anos de existência que ao serem desmascarados veículos com Globo, Estadão, Folha e suas associações que fazem coro a tudo que os donos da imprensa tradicional defendem nos acusam de forma indevida.

Até na categoria há quem faça distinção entre o trabalho na mídia independente e nos produtos da imprensa neoliberal. Um desses jornalistas me procurou às 22h30 do domingo de forma incisiva pedindo provas de que a denúncia existia. Somos simpáticos. E por isso não vamos tripudiar e sambar na avenida dizendo: estão todas aí na investigação que foi aberta. E que vai garantir ao jornalistas de O Estadão que possam revelar como muitas pautas foram produzidas nos últimos tempos e a custa de quanto assédio moral.

Fórum fez jornalismo neste caso pra fazer justiça a um cidadão que tinha se transformado nas redes (a partir das acusações que vieram em dossiê para o Estadão) em amigo do tráfico, em chefe de quadrilha. Foi nisso que Andreza Matias e seu jornal tentaram transformar Flávio Dino, que sequer tinha aparecido em foto com a suposta "dama do trafico".

Esses veículos também precisam se desculpar com Dino.

Nós da Fórum temos a dizer o seguinte: no novo ecossistema midiático a mídia neoliberal não fala mais sozinha. O jornalismo independente do Brasil tem cada dia mais força e garante com isso mais democracia e justiça ao ambiente comunicacional. Justiça que foi feita neste episódio. Se o pedido de desculpas não vier, como somos simpáticos, vamos entender que é só por vergonha. Uma vergonha que não cabe nos editoriais quadrados destes veículos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Impeachments de Trump e Netanyahu podem desmontar governo Bolsonaro. Análise de Renato Rovai



Informações que o blogueiro recebeu de uma importante liderança política brasileira que esteve recentemente nos states é de que no establishment já discute sem cerimônia o impeachment para este ano. Trump teria perdido base social.




Não foi só a baixa participação popular na posse de Bolsonaro – que o GSI estimou em 115 mil pessoas e alguns veículos deram como número real (pausa para rir) – que teve pouco destaque na mídia em geral. Mas, principalmente, a baixíssima participação de delegações internacionais e de chefes de Estado no ato de transmissão do cargo.

Alguns comentaristas políticos atribuíram isso em razão do dia 1º de janeiro ser um feriado (pausa pra rir 2). Desde 2003 tem sido assim. Com Lula foram 120 delegações presentes. Com Dilma em 2011, 130. Com Bolsonaro 47.

Os mais importantes líderes a participarem do ato foram Benjamim Netanyahu e Evo Morales. Trump mandou um twitter. Que foi tratado como um gol de placa num Maracanã lotado.

Esse é um dado que deveria mostrar como começa internacionalmente isolado o governo Bolsonaro. Algo que tende a se aprofundar se a política do tal Ernesto Araújo, do Itamaraty, for à cabo.

Mas há um outro elemento que pode fazer deste 2019 um ano ainda mais complicado para Bolsonaro. Avança a passos largos nos EUA a possibilidade de um processo de impeachment de Trump. Ele perde força entre seus aliados republicanos no Senado. E já não tem maioria na Câmara, onde os democratas têm mais deputados.

Informações que o blogueiro recebeu de uma importante liderança política brasileira que esteve recentemente nos states é de que no establishment já discute sem cerimônia o impeachment para este ano. Trump teria perdido base social.

Muitos dos republicanos eleitos obtiveram mandato com discurso crítico a ele. E antigos aliados do capital já o teriam abandonado com medo das consequências de suas decisões estabanadas, como a de parar o governo por conta do muro na fronteira com o México.

O outro grande aliado de Bolsonaro, Benjamim Netanyahu, também está na berlinda. Pode ser condenado em processo judicial por corrupção nos próximos dias e, pela lei de Israel, teria de renunciar ao cargo. Mas está se negando a isso e como escapatória tentando antecipar a eleição presidencial para abril.

Um presidente em vias de ser condenado judicialmente por corrupção foi o grande astro da festa de Bolsonaro.

Evidente que a depender do que vier a acontecer nos EUA e em Israel, Bolsonaro pode ficar falando sozinho no mundo.

As quedas desses governantes ainda são hipóteses um tanto remotas. Mas já precisam estar no radar. E se avançarem podem significar uma enorme mudança nos destinos do mundo. E do Brasil.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Evento com Moro, Bolsonaro, Doria e Huck organizado por Veja é patrocinado por empresa que deve 5 bilhões de ICMS. Artigo de Renato Rovai



O evento Amarelas Ao Vivo é patrocinado pela Refinaria Manguinhos, maior devedora do ICMS do Rio, acusada de calote pelo seu credor
Colaborou Ivan Longo
A revista Veja realizará, em novembro, um evento pago que reunirá Sérgio Moro, Luciano Huck, Henrique Meirelles, João Doria e outros nomes, que serão entrevistados por jornalistas da publicação da editora Abril. Além destes, participarão do “Amarelas Ao Vivo” Geraldo Alckmin, Marina Silva, Jô Soares, Luís Roberto Barroso e Jair Bolsonaro.
A patrocinadora master do evento é a Refinaria Manguinhos, maior devedora do ICMS do Rio de Janeiro. Até maio, a Manguinhos devia cerca de R$ 5 bilhões aos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Em São Paulo, existem R$ 1,6 bilhão inscritos na dívida ativa da empresa e no Rio de Janeiro a dívida superava R$ 2,4 bilhões. A empresa contesta essas dívidas na Justiça.
De acordo com informações divulgadas pela própria Veja, que está organizando o evento, a Tambores Araras, credora da Manguinhos, está cobrando na Justiça a dívida da empresa e, no início de outubro, teria questionado investimentos que a Manguinhos vem fazendo, como no patrocínio ao lutador de MMA, José Aldo, ou no merchadising em novela da Globo.
“Ora Excelência, a empresa em recuperação talvez não precisa de beneficio, pois, gasta urna fortuna para patrocinar um lutar de UFC de nome José Aldo Júnior, e, pagando horário nobre para rede de televisão em transição das lutas de seu patrocinado”, teria escrito, à Justiça, a credora.
Procurada pela reportagem, a Manguinhos não se manifestou ainda sobre as declarações da empresa credora e nem sobre a motivação em patrocinar eventos como este da Veja.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Renato Rovai, em vídeo, sobre Palocci, Globo, Janot, Moro e a complexidade explicada a muitos que, manipulados pela Globo, não tem capacidade cognitiva pra compreender, seguida de um artigo de Luis Nassif sobre o mesmo tema


"Vamos montar uma narrativa onde podem se encaixar essas peças e explicar a notável ansiedade com que Janot vem se comportando nos últimos dias." - Luis Nassif




Xadrez que explica as trapalhadas de Janot, por Luís Nassif


Em que narrativa caberiam os seguintes fatos?
Lance 1 - O Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot pedindo a prisão das principais testemunhas do processo contra Michel Temer e do ex-procurador Marcelo Miller.
Lance 2 - Depois, se encontrando clandestinamente em um boteco com o advogado da JBS, Pierpaulo Botino, um dia depois de ter pedido a prisão de seus clientes. Obviamente para tratar de temas que não poderia tratar em uma reunião oficial.
Lance 3 - Um Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, trabalhando no final de semana.
Lance 4 - Fachin criando um tipo de pena diferente para a JBS: a suspensão dos benefícios e a prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Sur. Ou se anula o benefício e se prende o colaborador; ou se mantém o benefício e não prende o colaborador. Fachin inovou suspendendo o benefício e prendendo os delatores.
Lance 5 - Apesar de jogar em dobradinha com Janot, Fachin rejeita o pedido de prisão contra Miller, feito por Janot.
Vamos montar uma narrativa onde podem se encaixar essas peças e explicar a notável ansiedade com que Janot vem se comportando nos últimos dias.

Peça 1 – as falhas no acordo com a JBS

Na operação JBS celebrou-se a iniciativa de Janot, de tentar livrar o país do jugo de uma quadrilha colocada no poder por uma ação combinada decisiva do Ministério Público Federal e da Globo.
A operação criou duas vulnerabilidades.
Fato - Do lado de Temer, a exploração da presença de Miller nos preparativos. Havendo indícios de que ajudou a montar as operações controladas, o processo poderá ser anulado.
Fato - Por outro lado, os benefícios concedidos a Joesley Batista e seus comandados foram considerados excessivos pela opinião pública. E Janot passou a ser constantemente questionado sobre o acordo.

Peça 2 – a Teoria do Caos na operação

Fato - Nesse quadro, ocorreu o ponto fora da curva, o fator imprevisto, quando a Polícia Federal localizou arquivos de conversas não entregues pela JBS às autoridades. A confirmação da notícia significaria a anulação de toda a operação, devido ao fato da JBS ter sonegado informações. O instituto da delação exige que o delator entregue tudo o que saiba e que tenha. Houve uma corrida, então, dos advogados da JBS para se antecipar à PF e entregar as gravações ao STF.
Hipótese – Na pressa em entregar os arquivos, os advogados não cuidaram de saber do que tratavam.
Quando souberam, instaurou-se o pânico na PGR. As conversas mencionavam o ex-procurador Marcelo Miller. Embora inconclusivas, davam margem a que se investigasse qual seu nível de participação nas operações controladas. Em entrevista à Globonews, Janot havia sido enfático: “Se o Ministério Público provoca qualquer ato de colaboração ele estará anulando toda a colaboração”.
O resultado foi a sequência de cabeçadas de Janot, desde a convocação da coletiva, o falso alarme em relação às menções ao Supremo, o estado de nervos  na reunião com o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Enfim, um PGR  à beira de um ataque de nervos.

Peça 3 – as consequências legais

Para encaixar as peças acima da nossa narrativa, é importante, antes, entender as consequências possíveis para a delação da JBS.
Revisão da delação – mantém as condições gerais do acordo, mas com aumento das penas e da exigência de provas.
Rescisão da delação – mantém as provas contra os delatores, mas extingue os benefícios.
Anulação da delação – poderá ser parcial ou total.

Peça 4 – o jogo de pôquer

Em tornos dessas alternativas joga-se o novo pôquer, de acordo com o seguinte jogo de interesses:
PGR -  Interessa a revisão da delação. Não extingue os benefícios, mas sujeita os delatores a um tempo de cadeia maior, que poderá ser mais curto ou mais longo dependendo das novas negociações, permitindo dar satisfações à opinião pública, sem perder as provas apresentadas.
JBS – Interessa, obviamente, manter os termos atuais do acordo. Não conseguindo, a segunda alternativa seria a revisão da delação. Não havendo acordo, aí interessaria a anulação total da delação, porque com a rescisão as provas apresentadas poderiam ser levantadas contra eles próprios.
Temer e cia – Interessa a anulação total da delação. É a maneira de Temer, Padilha, Loures, Aécio e companhia saírem sem nenhuma marca do processo.

Peça 5 – as cartas na mesa

Entendidos esses pontos, vamos tentar entender as cartas que cada um tem nas mãos.
Janot tem pressa.
Os Lance 1 (prisão) e Lance 2 (encontro com o advogado) explicam a estratégia de dar satisfações à opinião pública, um susto na JBS, mostrando a que os executivos estão sujeitos, para então começar a negociar.
Nas gravações, Joesley entendia corretamente que o jogo-de-cena de Janot consistia em mantê-los acuados – com declarações à imprensa -, mas, ao mesmo tempo, livres. Era uma estratégia de negociação: aperta sem abraçar, para conseguir a melhor delação.
Agora se repete a estratégia com um grau acima. E aí nos remetemos para os Lance 3 e Lance 4, com Fachin suspendendo o benefício, sem cancelar, e mandando-os para uma temporada breve de cinco dias em cana. E trabalhando no final de semana porque o fim da gestão Janot na PGR está próximo.
Hipótese –pode ter havido combinação no pedido de prisão de Miller, formulado por Janot, não ser atendido por Fachin.
Por outro lado, não se pode cortar as negociações com a JBS. Se cortar as negociações, em última instância Joesley irá jogar tudo na anulação da delação, para que as provas apresentadas não sejam usadas contra ele. O caminho seria vazamento de mais indícios de participação do MPF na preparação da operação controlada contra Temer e Aécio.
Por isso mesmo, o desafio consistirá em preparar uma nova delação que seja palatável para a opinião pública mas, ao mesmo tempo, satisfaça os delatores.

Peça 6 – as saídas possíveis


Aqui se entra no terreno exclusivo da probabilidade.
Dependendo da encrenca que apareça por conta dos últimos episódios, há um trunfo na manga de Fachin – contra o qual Gilmar Mendes jogará toda sua energia, dentro do STF ou aconselhando Michel Temer.
A última jogada seria uma anulação parcial da delação, abrindo mão das gravações e das operações controladas, mas preservando as demais provas apresentadas. Se não fechar por aí, não haverá como pegar nem Temer nem o Ministro Gilmar Mendes.
Nos próximos dias, o jogo deverá ficar mais claro.
PS – Na foto que flagrou Janot e Bottini no sujinho em Brasilia, ficou uma dúvida no ar: quem estava sentado na cadeira vazia?

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Renato Rovai: Moro é mais nocivo do que Bolsonaro



E Moro vem aos poucos fazendo escola.

Hoje, a juíza Luciana Raquel Tolentino de Moura deu sentença favorável ao humorista Danilo Gentilli, que gravou vídeo rasgando e enfiando na cueca notificação recebida da Câmara dos Deputados. A juíza escreveu que: “Acredito que coisa bem pior, diria até mesmo mais vulgar, já foi dita — e transmitida ao vivo —, das tribunas do Congresso Nacional, chegando-se inclusive a tristes cenas de agressões pessoais (verbais e físicas), como aquela do cuspe por ocasião da votação do impeachment da presidente Dilma, dentre tantas outras cenas lamentáveis”.

Ou seja, ela defendeu Bolsonaro da atitude de Jean Wyllys. Mas não lembrou que Bolsonaro votou a favor do impeachment homenageando o Coronel Ustra, que torturou centenas de pessoas na época da ditadura, entre essas a ex-presidenta Dilma Rousseff.

A visão de mundo dessa juíza e de Moro é que produzem um Bolsonaro. E não ao contrário.

Do Contexto Livre:


A cada pesquisa presidencial aumenta o número de pessoas preocupadas com uma possível vitória de Bolsonaro em 2018. Não à toa, afinal ele é o único candidato que tem crescido de forma consistente.

O susto guarda relação com o que as pessoas acham que se tornaria o país na mão de um maluco de extrema direita do tipo Bolsonaro. E o que ele poderia fazer com a nossa já combalida democracia.

É razoável que quem preza a democracia não queira entregar o governo a alguém que entre outras coisas não tem respeito algum por direitos humanos básicos. E que entre outras coisas faz um discurso de estímulo à violência.

Mas Bolsonaro não é nosso maior problema, creiam.

Porque mesmo que ele viesse a ser eleito se as outras instituições brasileiras estivessem funcionando dentro dos limites da lei, sua ação seria restringida a esses princípios.

Mas o momento é o pior de todos neste quesito. E o principal motivo disso tem nome e sobrenome, Sérgio Moro.

A forma como o juiz de Curitiba conduziu e conduz as ações da Lava Jato construiu um novo padrão legal e institucional no Brasil, o do vale tudo. E hoje, mais uma vez, Moro agiu desta forma ao mandar bloquear os bens do ex-presidente Lula, como se houvesse alguma ameaça de ele fugir do país. Ou como se tivesse lidando com um perigoso mafioso que já tivesse expatriando seus recursos.

Se Lula roubou, como se pode ver hoje, esses recursos não estão nas suas contas e nem as propriedades em seu nome. Sendo assim, a ação de Moro só tem um valor, o marketing. Algo que não deveria ser utilizado sob hipótese alguma por um magistrado.

E Moro vem aos poucos fazendo escola.

Hoje, a juíza Luciana Raquel Tolentino de Moura deu sentença favorável ao humorista Danilo Gentilli, que gravou vídeo rasgando e enfiando na cueca notificação recebida da Câmara dos Deputados. A juíza escreveu que: “Acredito que coisa bem pior, diria até mesmo mais vulgar, já foi dita — e transmitida ao vivo —, das tribunas do Congresso Nacional, chegando-se inclusive a tristes cenas de agressões pessoais (verbais e físicas), como aquela do cuspe por ocasião da votação do impeachment da presidente Dilma, dentre tantas outras cenas lamentáveis”.

Ou seja, ela defendeu Bolsonaro da atitude de Jean Wyllys. Mas não lembrou que Bolsonaro votou a favor do impeachment homenageando o Coronel Ustra, que torturou centenas de pessoas na época da ditadura, entre essas a ex-presidenta Dilma Rousseff.

A visão de mundo dessa juíza e de Moro é que produzem um Bolsonaro. E não ao contrário.

É o judiciário, com um promotor, por exemplo, que inocentou praticamente todos os prováveis responsáveis pelo acidente da boate Kiss que vitimou 242 jovens, e que foi processar um dos pais que lhe questionaram publicamente sobre o fato. É gente como essa, que está decidindo a vida de uma série de pessoas nos tribunais, que produzem bolsonaros.

Ou seja, Bolsonaro é apenas o produto. Os maiores produtores de Bolsominions são aqueles que estão interpretando as leis. E oferecendo condenações para um lado. E inocência ao outro.

Quem está jogando a democracia do Brasil no lixo é boa parte do judiciário. Que hoje tem um herói: Sérgio Moro.

Renato Rovai

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Renato Rovai: É hora de ficar esperto, porque a Globo já decidiu: Rodrigo Maia presidente do Brasil


Antonio Cruz/ Agência Brasil




Michel Temer já é passado. A Globo quer ele fora do Planalto o quanto antes e está usando todos os recursos que tem para isso.
Desde quando o grampo de Joesley Batista veio à tona que afirmo, com base em apuração e não em especulação, que a reportagem não foi furo de um jornalista. No caso, do blogueiro Lauro Jardim. Mas uma operação que passou por cima, pela direção. E não foi articulada só pela JBS, mas também pelo MP, pela Globo e setores do sistema financeiro.
A Globo não estava brincando e aquele lance não era algo apenas para chantagear Temer. Mas uma cartada para derrubá-lo.
O blogueiro também apurou que Temer ficou completamente surpreso com o novo posicionamento do grupo e que teria tratado disso com alguns senadores e deputados. Não esperava isso da Globo.
Na ocasião, o entorno mais próximo do presidente ilegítimo chegou a especular que a ação contava com o conhecimento e consentimento do ministro Henrique Meirelles. E que a intenção por trás daquilo tudo era a de conduzir o governo para ele.
Mas agora começa a ficar claro, inclusive por conta de artigos e comentários de porta-vozes da emissora, como Merval Pereira, que a Globo não pretende movimentos muito arriscados. E que topa que o sucessor natural de Temer, Rodrigo Maia, assuma a presidência da República. Sem diretas já e sem nada que possa levar Lula à presidência.
O filho de César, diferente de Temer, está se comportando de forma discreta. Mas quem está acompanhando os bastidores de Brasília diz que o rapaz está entusiasmadíssimo com a possibilidade e que já estaria, inclusive, conversando sobre o pós Temer.
Por que a Globo decidiu rifar de uma hora pra outra e de forma tão avassaladora Michel Temer é a pergunta cuja resposta vale ouro. Nem Temer sabe o motivo, teria dito Moreira Franco outro dia para um amigo carioca.
O fato é que o filho de César já mandou preparar a faixa. E seu projeto de governo nada mais é do que acelerar nas reformas anti-populares de Temer.
Vai ter mais privatização, mais reformas neoliberais, mais repressão a movimentos e menos investimentos em programas sociais. E mais e menos de um monte de coisas. Todas que não interessam ao povo. Todas que interessam às elites.
Enfim, num momento desses e com essa conjuntura quem é progressista deveria ficar atento e se cercar de cuidados ao mexer suas peças.
Rodrigo Maia parece uma bobão, mas não é. E o bagaço de Temer não está sendo jogado fora à toa. Talvez neste momento menos seja mais.
Renato Rovai - no 247

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Odebrecht teria denunciado propinas para grupos de mídia (que Moro abafa), por Renato Rovai

A grande surpresa da delação premiada de executivos da Odebrecht, incluindo a do seu presidente afastado, Marcelo, pode ser a implicação de grupos de mídia no roteiro de corrupção e de pagamentos de propinas.
A Odebrecht teria financiado vários projetos midiáticos, principalmente produtos especiais que não guardariam relação nenhuma com a sua atividade, a partir de acordos realizados com políticos e partidos para que aqueles meios de comunicação lhe garantissem apoio eleitoral.
odebrecht 1
Profissionais da área sabem que quando um produto desses chega sem muita justificativa e é apoiado por uma grande empresa que tem relação com governos, a linha editorial terá de se adaptar ao gosto do freguês.
Que não é a empresa patrocinadora, mas o governo que fez a ponta para que o patrocínio ocorresse.
Até o momento, porém, nenhuma empresa investigada na Lava Jato teria revelado essa parte do esquema de pagamento de propinas.
O grupo Odebrecht decidiu fazê-lo por conta dos ataques duros que sofreu desses mesmos grupos durante o tempo que se negou a fazer o acordo de delação premiada.
Há o risco, porém, de que esse capítulo, um dos mais reveladores da investigação e da relação promíscua da mídia com a corrupção política, vir a ser excluído da delação final.
Alguns procuradores estariam fazendo pressão para que a empreiteira desistisse de tratar do tema, alegando falta de provas mais contundentes. Mas o verdadeiro motivo é o receio de que isso provoque a ira da mídia contra a Operação Lava Jato.
O fato é que as notas fiscais desses grupos de comunicação para empresas da Lava Jato e que têm contrato com governos seriam, segundo pessoas que tiveram acesso à delação da Odebrecht, parte do esquema de legalização de caixa 2 e do pagamento de propinas.
Seriam compra de apoio editorial sem a necessidade do uso da propaganda oficial.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Exclusivo: Jornal Nacional do dia 23 de maio foi negociado com Temer... Os Golpistas em permanente Conluio.....




Segue o texto de Renato Rovai, extraído de seu blog:

O Jornal Nacional de ontem foi fruto de uma intensa negociação, é o que revela uma fonte do blogue.
O áudio da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado fez com que os luas pretas da Central Globo de Jornalismo trocassem inúmeras mensagens e realizassem uma reunião de emergência logo cedo.
juca globo
A primeira decisão foi esperar para ver qual seria a repercussão. E pela manhã tanto a GloboNews quanto o G1 trataram do assunto de forma suave e sem muito destaque.
Na Globo, porém, a avaliação era de que não havia saída para o agora licenciado ministro do Planejamento. E a mensagem foi enviada para Temer através de Wellington Moreira Franco.
O carioca não precisava ser convencido.Teria dito que iria buscar convencer Jucá a se afastar ou renunciar ao cargo, mas que não seria uma tarefa tão simples.
Durante o dia a Globo foi cobrindo o tema de uma maneira bem menos explosiva do que, por exemplo, o áudio vazado do ex-senador Delcídio. Ou do grampo ilegal da conversa entre Lula e Dilma.
Só ao final da tarde, quando a solução do afastamento de Jucá já havia sido negociada por Temer é que se decidiu por fazer um Jornal Nacional onde o caso teria destaque relevante. E que se liberou os âncoras e comentaristas da GloboNews para que pudessem tratar de forma mais intensa do assunto.
Até aí, nada muito surpreendente. A não ser pelo fato de que o sinal de que não seria necessário aliviar para Jucá teria partido da equipe de Temer, segundo a fonte do blogue.
A avaliação dos que fizeram a ponte com a Globo era a de que o tratamento da saída de Jucá não deveria ser o de um simples afastamento, mas o de uma demissão, para que Temer não saísse tão desgastado.
Não foi à toa que a apresentadora do JN, Renata Vasconcellos, abriu a nota sobre o caso fazendo bico para falar que Jucá foi “e-xo-ne-ra-do”.
E que o presidente interino apareceu no meio da reportagem dizendo ao repórter da GloboNews “que tudo iria se resolver e que estava tudo tranquilo”.
A narrativa que ficou acordada era de preservar Temer e rifar Jucá.
E por isso, o restante do bloco, não por acaso o último, foi dedicado a noticiar os principais trechos do áudio da conversa divulgada pela Folha, evitando repercutir muito o assunto e a crise que o áudio gerou.
Antes, porém, houve tempo para falar muito da crise da Venezuela e do caso que pode levar o governador de Minas, Fernando Pimentel, a ser cassado.
Segundo a fonte deste blogue, Jucá percebeu que seria rifado e falou grosso na reunião que teve com Moreira Franco e Eliseu Padilha. E num momento mais explosivo teria dito que se fosse jogado ao mar poderia fazer o mesmo que Sérgio Machado, referindo-se a delação que o ex-presidente da Transpetro negociou.
Também não por acaso, ontem, depois disso tudo acontecer e quando dava uma entrevista conturbada no Congresso que um repórter da GloboNews se aproximou dele e perguntou à queima roupa:
– O senhor está pensando em fazer delação premiada?
Jucá ficou atordoado e saiu sem responder. Mas a pergunta não estava fora de contexto. Teria sido pedida por um dos editores ao jovem jornalista.
Era um aviso para Jucá dos seus amigos do PMDB de que a ameaça já havia vazado. E de que a Globo não iria preservá-lo.
Jucá não tem mais condições de voltar ao governo e sabe disso. O que ele busca agora é se livrar da prisão. E para que isso não aconteça ele vai precisar da Globo e da mídia que citou como parte da articulação do impeachment.  Por isso, muito provavelmente, mesmo tendo entendido tudo que lhe aconteceu, vai ficar quieto. Mas só se escapar. Caso não, toda essa operação pode virá à tona e ainda com um número muito maior de detalhes.

domingo, 22 de maio de 2016

MinC voltou e fica a lição de como se deve lidar com Temer, por Renato Rovai

O ministro da Educação anunciou pelo Twitter que o Ministério da Cultura será recriado pelo presidente ilegítimo e interino Michel Temer.
É a primeira grande derrota de um governo que está mais do que completamente perdido e cujos ministros já anunciaram diversas coisas pela manhã e tiveram de recuar à tarde.
temer - jorn livres 2
Entre elas, a interrupção do Minha Casa Minha Vida, cortes no Bolsa Família e aposentadoria aos 65 anos.
Mas esse recuo não é isolado.
É um volta-atrás do governo como um todo que atinge duas iniciativas que se complementam.
A primeira é a da diminuição do Estado. Quando Temer fecha ministérios, isso aponta para uma desestatização geral. E abre as portas para a privatização de bancos públicos e da Petrobras, por exemplo.
A segunda tem a ver com o que o MinC tem de simbólico. Ao fechá-lo, busca-se interditar o campo da cultura e seus incômodos. É na área da cultura que se elaboram as críticas e as reflexões que tendem a incomodar o establishment.
Há quem vá dizer que o fato de Temer ter recuado no caso do MinC é uma derrota para a resistência ao golpe.
Enganam-se.
O mundo da cultura ganhou e mostrou ao Brasil que o presidente interino, além de ilegítimo, é fraco.
E isso é tudo o que Temer não queria mostrar ao Brasil.
Porque, com a volta do MinC, cresce o ânimo de quem quer a volta de Dilma e da democracia.
As lutas ficam mais fortes quando contabilizam vitórias. A vitória do MinC é de quem lutou e não de quem recuou.

Fonte do Texto: Blog do Rovai
Foto de capa: Jornalistas Livres

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O outono antecipado do governo Temer e a primavera das ruas, por Renato Rovai


O governo Temer é um amontoado de interesses contraditórios que se uniram para um único objetivo, afastar Dilma e derrotar o PT e Lula.
Sem votos para conseguir isso democraticamente, esse segmento não se intimidou em ir ao golpe.
Mas, como na Fórmula 1, uma coisa é chegar, outra é passar.
Eles chegaram ao governo pelas mãos do personagem vice vigarista, mas, ao que já se pode perceber, não vão passar muito tempo juntos nessa aventura.
Os descontentamentos e as contradições já deram suas caras.
Os industriais não rentistas que restaram no Brasil já perceberam que eles é que vão pagar o pato. Além de receberem de presente um ministro da Indústria e Comércio pastor, cujo grande feito é saber multiplicar o dízimo, já perceberam que os donos da economia serão fundamentalistas ortodoxos.
Ou seja, tudo ao deus Mercado. Não ao Walter, mas àquele de Wall Street.
E alguns já começam a se perguntar se isso não vai ampliar a desindustrialização do país.
Por outro, lado na academia e na cultura até os mais antipetistas já reconhecem que a agenda de Temer é por demais retrógrada. E que o Brasil corre sérios riscos de retrocesso em setores fundamentais para se consolidar como um país minimamente respeitável.
Além disso, há crises nos arranjos estaduais e municipais. Prefeitos e governadores já sentiram que Temer vai arregaçar com programas sociais e investimentos federais que lhes rendiam votos. E ao mesmo tempo não vai lhes dar folga para ajustar as contas.
O governo Temer já está em crise e já é fraco. E o sintoma principal é o que se passa no Congresso. Waldir Maranhão não sai da presidência da Casa e a turma de Cunha força o presidente ilegítimo a engolir como líder do governo André Moura, um dos seus principais aliados.
Outono assim tão rápido pode prenunciar uma primavera das ruas. E os Jogos Olímpicos estão logo ali.
Numa sociedade conectada e em redes não é incomum a velocidade dos acontecimentos surpreender.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Cunha pode estar por trás de anulação da votação do impeachment, por Renato Rovai

A decisão de anular a votação do impeachment na Câmara tomada pelo presidente interino da Casa, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), não parece ser exatamente um ato de patriotismo ou algo relacionado a uma jogada casada com o governo. Pelo que este blogue apurou quem estaria por trás dessa decisão é Eduardo Cunha.
Em nota divulgada à imprensa, Maranhão diz que a petição da AGU que pedia o cancelamento da votação ainda não havia sido analisada pela Casa e que, ao tomar conhecimento dela, resolveu acolher. Na decisão, ele argumenta “ocorreram vícios que tornaram nula de pleno direito a sessão em questão”.
cunha waldir maranhão
Não há nada de errado nem na fala de Maranhão e nem na sua decisão. Há elementos que justificam o cancelamento da sessão. Mas o fato é que a decisão tomada tem mais elementos políticos do que técnicos.
Maranhão esteve na sexta-feira com Cunha e esse tema teria sido discutido entre eles. O presidente afastado da Casa está se sentindo abandonado pelos antigos aliados e percebeu que não conseguiria se livrar da prisão e nem influenciar em mais nada no Congresso se porventura Dilma viesse a ser afastada nesta quarta-feira.
E Maranhão também percebeu que se não tiver tempo para buscar uma base para garantir sua permanência na presidência da Casa também será varrido da cadeira que está em pouco tempo.
Ou seja, para ambos o melhor é que o processo de Dilma se arraste por mais um tempo. E para garantir este tempo, Cunha não se opõe nem sequer a uma aproximação de Maranhão com o governo Dilma.
As peças se reposicionaram de novo. O Supremo deve ser chamado para tratar deste assunto. E pode vir a se manifestar contra a decisão de Maranhão e voltar as peças para onde estavam.
Mas não será uma decisão simples.
Por outro lado, a equipe de Temer deve estar buscando formas de se reaproximar de Cunha. Ficou mais do que claro agora que Cunha não estaria para brincadeira quando disse a alguns aliados, neste final de semana, que o governo Temer pode acabar antes de começar. Cunha não perdoará o vice se ele o abandonar pelo caminho.