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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Lei Magnitsky contra Moraes objetiva isolar o Brasil por interesses intervencionistas dos Estados Unidos, por Reynaldo Aragon, jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia, com foco nas relações entre tecnologia, cognição e comportamento.

 

Mais do que punir um magistrado, o gesto revela a intenção de empurrar o Brasil para uma posição insustentável no tabuleiro internacional.


Do Jornal GGN:


STF – Ascom


Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes objetiva isolar o Brasil.

por Reynaldo Aragon

Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, bloqueio de reservas e dependência tecnológica expõem um cerco estratégico: Washington quer empurrar o Brasil para uma ruptura diplomática e enquadrá-lo no ‘eixo do mal’

30 de julho de 2025. Os Estados Unidos decidiram atravessar uma linha inédita nas relações com o Brasil. O anúncio das sanções da Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, congelando bens e bloqueando transações em solo americano, não é apenas uma agressão diplomática: é um ataque direto à independência do Judiciário brasileiro. A medida, somada ao tarifaço de 50% contra produtos brasileiros que entra em vigor em 1º de agosto, sinaliza um movimento calculado de escalada.

Mais do que punir um magistrado, o gesto revela a intenção de empurrar o Brasil para uma posição insustentável no tabuleiro internacional. É a mesma lógica aplicada em outros países: provocar reações, induzir rupturas e criar as condições narrativas para enquadrar o país como parte de um “eixo do mal”, facilitando futuras sanções, isolamento econômico e ataques à soberania.

O que está acontecendo agora (fatos e cronologia).

O ataque de hoje não veio do nada. Ele faz parte de uma sequência cuidadosamente planejada de atos coercitivos contra o Brasil:

18 de julho – Os Estados Unidos revogaram o visto do ministro Alexandre de Moraes e de seus familiares. O gesto foi tratado por Washington como uma “reavaliação de segurança”, mas foi lido no Brasil como um sinal de retaliação direta contra o magistrado responsável por processos envolvendo Jair Bolsonaro.

30 de julho – O Departamento do Tesouro anunciou a aplicação da Lei Global Magnitsky contra Moraes, congelando ativos, bloqueando transações e proibindo que ele ou empresas eventualmente ligadas a ele mantenham relações com o sistema financeiro americano. É a primeira vez na história que um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro é sancionado por outro país.

1º de agosto – Entram em vigor as tarifas de 50% contra produtos brasileiros – incluindo carne bovina, café, laranja e aço. O tarifaço atinge diretamente setores estratégicos da economia brasileira e ameaça dezenas de milhares de empregos. Apesar do superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024, a medida foi justificada por “preocupações com democracia e direitos humanos”, uma narrativa típica para legitimar ações punitivas.

Somados, esses três movimentos formam um cerco jurídico e econômico com potencial de desestabilizar o país. O roteiro é conhecido: mira-se em indivíduos para atingir o Estado. Foi assim na Venezuela e na Rússia, onde as sanções da Lei Magnitsky acabaram atingindo setores inteiros e forçando o país a responder sob forte desgaste.

A lógica da Lei Magnitsky como arma de guerra híbrida.

A Lei Global Magnitsky foi criada para sancionar indivíduos envolvidos em violações de direitos humanos e corrupção. No papel, parece um instrumento “cirúrgico”. Na prática, porém, ela funciona como uma arma estratégica de guerra híbrida.

Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal ou uma empresa estatal é atingida, o Estado sente o impacto diretamente. Bens são bloqueados, transações travadas, reputações destruídas. Isso gera um efeito cascata: instituições ficam paralisadas, parceiros internacionais se afastam e setores inteiros da economia entram em alerta.

Não é a primeira vez que esse mecanismo é usado dessa forma. Na Rússia, as sanções Magnitsky contra oligarcas e aliados de Putin abriram caminho para um isolamento econômico crescente. O próprio presidente russo classificou a medida como “uma sanção contra o Estado”. Na Venezuela, autoridades e empresas estatais foram sufocadas financeiramente, enquanto a narrativa internacional enquadrava o país como uma “ameaça à democracia”.

O padrão se repete agora com o Brasil: mira-se em um indivíduo, mas o verdadeiro alvo é a nação. Ao atacar um ministro do STF, não se questiona apenas a integridade de uma pessoa – questiona-se a legitimidade do sistema de Justiça brasileiro. A consequência imediata é a erosão da credibilidade institucional, abrindo espaço para pressões externas cada vez mais duras.

Onde os EUA querem chegar.

A estratégia norte-americana segue um roteiro conhecido. Primeiro, aumenta-se a pressão sobre autoridades e empresas estratégicas, na esperança de que o país alvo reaja de forma descontrolada. Depois, utiliza-se essa reação como justificativa para escalonar o conflito. O objetivo final é claro: forçar o Brasil a cortar relações diplomáticas e, assim, enquadrá-lo em uma lógica de isolamento.

Esse enquadramento é conhecido como o “eixo do mal”, conceito usado repetidamente pelos Estados Unidos para justificar medidas agressivas contra países que desafiam seus interesses. Uma vez colocado nessa categoria, qualquer sanção futura — bloqueio de reservas, restrições financeiras, barreiras tecnológicas — passa a ser legitimada pela narrativa de que o Brasil é uma “ameaça à democracia”.

A ruptura diplomática não é apenas simbólica. Ela facilita o uso de instrumentos ainda mais duros: bloqueio de ativos brasileiros no exterior, restrições a exportações de tecnologia crítica e, em última instância, a exclusão do país de circuitos financeiros internacionais dominados pelo Ocidente. É por isso que, embora as sanções Magnitsky sejam “pessoais”, elas carregam o potencial de desestabilizar todo um Estado.

O que está em jogo não é o destino individual de Alexandre de Moraes, mas a soberania do Brasil. E os Estados Unidos sabem disso.

Os riscos imediatos para o Brasil

O Brasil está diante de uma encruzilhada que pode redefinir seu futuro. Caso o cerco continue se intensificando, os riscos são severos e múltiplos. O primeiro deles é a possibilidade de bloqueio ou confisco de reservas internacionais brasileiras mantidas no exterior, um instrumento já utilizado pelos Estados Unidos contra países classificados como “hostis”, como ocorreu com a Venezuela, o Irã e a Rússia. O segundo é a dependência tecnológica: boa parte da infraestrutura digital e de segurança do Brasil está nas mãos de empresas norte-americanas e israelenses, o que torna vulneráveis sistemas de monitoramento, redes de comunicação crítica e até plataformas de inteligência. Em um cenário de hostilidade declarada, o país poderia ter serviços estratégicos paralisados ou acessos suspensos.

A economia também está sob ataque. O tarifaço de 50% imposto sobre produtos brasileiros já ameaça cadeias produtivas inteiras e pode provocar a perda de milhares de empregos em setores estratégicos, como carnes, suco de laranja e aço. Se o conflito se agravar, novas barreiras comerciais, restrições financeiras e fuga de capitais podem mergulhar o país em uma recessão profunda. Por fim, há a dimensão interna: historicamente, a pressão externa é acompanhada de campanhas de desinformação e narrativas destinadas a provocar instabilidade política. O Brasil já viveu algo semelhante em 2013, com as Jornadas de junho; a diferença é que agora a máquina de guerra híbrida está ainda mais sofisticada e bem calibrada.

A combinação de bloqueio financeiro, vulnerabilidade tecnológica, ataques à economia e manipulação informacional cria uma situação explosiva. O Brasil corre o risco de ser pressionado simultaneamente por fora e por dentro, isolado no sistema financeiro internacional e fragilizado em seus setores estratégicos.

O cerco é maior do que parece

O que está em curso contra o Brasil vai muito além de sanções pessoais contra Alexandre de Moraes ou do tarifaço que ameaça setores estratégicos da economia. O país está diante de um ataque coordenado e multifacetado à sua soberania, que combina instrumentos jurídicos, econômicos, tecnológicos e simbólicos. A Lei Magnitsky, apresentada ao mundo como uma ferramenta de punição a indivíduos corruptos ou violadores de direitos humanos, funciona na prática como uma alavanca para desestabilizar instituições. Ao mirar uma autoridade do Supremo Tribunal Federal, envia-se a mensagem de que o próprio sistema de Justiça brasileiro é ilegítimo.

Ao mesmo tempo, tarifas comerciais de impacto devastador minam cadeias produtivas inteiras e aumentam a pressão sobre o governo. Em paralelo, a dependência tecnológica do Brasil — com sistemas de segurança, inteligência e infraestrutura digital controlados por empresas norte-americanas e israelenses — abre brechas críticas que podem ser exploradas a qualquer momento. O país corre o risco de ter serviços estratégicos paralisados, ativos bloqueados e reservas internacionais confiscadas sob a justificativa de “defesa da democracia”.

É o manual clássico da guerra híbrida: isolar diplomaticamente, deslegitimar internamente, estrangular economicamente e, quando necessário, fomentar instabilidade por meio de narrativas artificiais e campanhas de desinformação. A situação é ainda mais grave porque, se o Brasil reagir de forma precipitada e cortar relações diplomáticas, dará aos Estados Unidos o pretexto perfeito para enquadrá-lo no chamado “eixo do mal”, facilitando sanções ainda mais duras e a exclusão do país de circuitos financeiros internacionais. Trata-se de um cerco estratégico que, se não for enfrentado com firmeza e inteligência, poderá comprometer a capacidade do Brasil de decidir seu próprio destino.

Cenários futuros e Conclusão

Os próximos meses serão decisivos. Se o Brasil reagir de forma precipitada e romper relações diplomáticas com os Estados Unidos, entrará exatamente na armadilha que foi cuidadosamente montada: passará a ser enquadrado como parte do “eixo do mal”, categoria usada para justificar bloqueios de ativos, exclusão de mercados e sanções cada vez mais amplas. Nesse cenário, qualquer medida de retaliação adotada pelo governo brasileiro será narrada internacionalmente como “ato hostil”, criando as condições para um cerco econômico e político ainda mais sufocante.

A outra possibilidade, no entanto, também carrega riscos. Se o Brasil optar por não reagir e se manter em silêncio diante das provocações, a pressão externa tende a se intensificar. O país continuará sendo alvejado por tarifas, restrições financeiras e campanhas de desinformação internas, que fragilizam o governo e desestabilizam as instituições. É a estratégia da corrosão lenta: manter o país acuado, inseguro e cada vez mais dependente do sistema financeiro e tecnológico controlado por Washington.

O desafio, portanto, é romper o cerco sem cair na armadilha. Isso exige medidas estratégicas em múltiplas frentes: blindar reservas internacionais, reduzir a dependência tecnológica de sistemas controlados pelo exterior, fortalecer alianças com países que defendam um mundo multipolar e, acima de tudo, proteger a narrativa nacional. Não se trata apenas de comunicar, mas de construir um consenso interno de que a soberania brasileira está em risco real.

O que está em jogo não é o futuro individual de Alexandre de Moraes, nem as exportações de um setor específico. O que está em disputa é o próprio direito do Brasil de existir como nação independente, capaz de decidir seus rumos sem se submeter ao tabuleiro geopolítico imposto pelos Estados Unidos.

É preciso compreender a gravidade do momento. Cada passo dado agora será usado contra ou a favor da soberania nacional. O Brasil pode ser empurrado para o isolamento e a submissão, ou pode reagir de forma inteligente e se tornar um dos poucos países capazes de resistir ao cerco híbrido. A escolha precisa ser feita com clareza, estratégia e coragem. O tempo, como sempre, é curto.

Reynaldo Aragon Gonçalves é jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia. É membro pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação (NEECCC – INCT DSI) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberania Informacional (INCT DSI).

Criador da Lei Magnitsky condena sanção a Moraes: “É um abuso político”

 

William Browder, idealizador da legislação, afirma que medida de Trump distorce os objetivos originais da lei e compromete sua integridade

Do Jornal GGN:

William Browder. | Foto: Divulgação/Intrínseca

O uso da Lei Global Magnitsky para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi classificado como um “abuso das intenções da lei” por William Browder, executivo financeiro britânico que liderou a campanha por sua criação nos Estados Unidos. Em entrevista à BBC News Brasil, Browder afirmou que a legislação foi deturpada ao ser aplicada em um contexto de “vingança política”.

A Lei Magnitsky foi estabelecida para impor sanções a graves violadores dos direitos humanos e pessoas que são culpadas de cleptocracia em larga escala”, explicou. “Ela não foi criada para ser usada para vinganças políticas. O uso atual da Lei Magnitsky é puramente político e não aborda as questões de direitos humanos para as quais ela foi originalmente elaborada. E, como tal, é um abuso das intenções da lei”, completou.

A crítica se dirige diretamente à decisão do governo norte-americano, liderado por Donald Trump, que anunciou na última quarta-feira (30) sanções contra Alexandre de Moraes — medida que, conforme noticiado pelo GGN, prevê o congelamento de bens, o cancelamento de vistos e a proibição de entrada do ministro nos Estados Unidos.

O Departamento do Tesouro, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), justificou a medida alegando que o ministro seria responsável por uma campanha arbitrária contra Jair Bolsonaro (PL).

O caso Magnitsky e a origem da lei

Aprovada em 2012 durante o governo de Barack Obama, a Lei Magnitsky foi criada para punir os responsáveis pela morte do advogado russo Sergei Magnitsky, que havia denunciado um esquema de corrupção envolvendo autoridades da Rússia e morreu sob custódia, em 2009. À época, Magnitsky era advogado de William Browder em Moscou.

CEO da Hermitage Capital Management, Browder foi o maior investidor estrangeiro na Rússia até 2005, quando foi banido do país e incluído na lista de “ameaças à segurança nacional”. “Então fui a público para tentar encontrar uma maneira de fazer justiça por Sergei Magnitsky”, relembra.

Segundo ele, muitos dos envolvidos no crime lucraram e mantinham seu dinheiro fora da Rússia, o que motivou a proposta de sanções como o bloqueio de bens e restrições de viagens. Com o tempo, a legislação foi ampliada e passou a ter alcance global, sendo aplicada a indivíduos e entidades envolvidos em corrupção e violações graves de direitos humanos em qualquer parte do mundo.

Preocupação com precedentes e possível reversão judicial

Para Browder, a iniciativa de Trump compromete a credibilidade e a eficácia da lei, uma vez que aplicada contra Moraes não apenas desvia seu propósito original, como pode comprometer sua legitimidade em casos futuros.

O executivo também acredita que a medida pode ser revertida na Justiça americana, considerando o flagrante uso da lei em desacordo com sua intenção original. Segundo ele, o próprio ministro Alexandre de Moraes pode recorrer: “Acredito que há fortes argumentos para que a decisão seja anulada pelos tribunais”, disse.

Portal do José: EXTRA! BOLSONARISMO EXREMISTA PRÓ-TRUMP E CONTRA O BRASIL SURTA DE VEZ E CAI NO RIDÍCULO! "NANA NENEM, A CUCA VEM PEGAR"! DESESPERO GRAVE!

 

Do Portal do José:




sexta-feira, 1 de agosto de 2025

William Browder, apoiador da Lei Magnitsky, critica a deturpação da mesma Lei por Trump para usá-la politicamente como sanção dos EUA a Moraes

 

Do ICL Notícias reproduzindo matéria do UOL/Folhapress:


INTERNACIONAL

Apoiador da Lei Magnitsky critica sanção dos EUA a Moraes

Segundo William Browder, o juiz do STF não se enquadra nas categorias para as quais a Lei foi feita


(Uol/Folhapress) — O investidor britânico William Browder, responsável pela campanha global para aprovação da Lei Magnitsky, criticou a aplicação dela contra Alexandre de Moraes, juiz do STF (Supremo Tribunal Federal).

Browder afirmou que o ministro não se encaixa nos requisitos necessários para imposição da Lei. Ele disse ter passado anos lutando pela aprovação dessa legislação ”para acabar com a impunidade contra violadores graves dos direitos humanos e cleptocratas”. ”Pelo que sei, o juiz brasileiro Moraes não se enquadra em nenhuma dessas categorias”, escreveu no X nesta quarta-feira (30).

Ele ainda republicou uma postagem que dizia que a ação se tratava de retaliação política. ”Triste dia quando os EUA usam a lei que William Browder passou tanto tempo lutando contra um juiz do Supremo Tribunal Federal brasileiro apenas por vingança política”, dizia a publicação.

Sergei Magnitsky, que dá nome à lei, era advogado russo do investidor. Em 2009, o homem foi morto em uma prisão de Moscou após expor um desvio de US$ 230 milhões das autoridades russas, que haviam acusado a empresa de Browder, Hermitage Capital Management, de não pagar cerca de US$ 17,4 milhões em impostos.

Após a morte de Magnitsky, o empresário conduziu uma campanha no mundo todo para sanções. A ideia era impor proibições de visto e congelamento de bens a violadores de direitos humanos.

Nos EUA, Lei foi aprovada em 2012 e ampliada em 2016. Na versão mais recente, foram incluídos o bloqueio de bens, o congelamento de contas e outras transações pelo sistema financeiro em solo americano, além de proibição de entrada no país.

Outros países aderiram à legislação na sequência. A Lei Magnitsky foi sancionada na Estônia em dezembro de 2016 e, um ano depois, Reino Unido, Canadá e Lituânia fizeram o mesmo. Decretos semelhantes passaram a ser discutidos na Austrália, França, Dinamarca, Holanda, África do Sul, Suécia e Ucrânia, segundo a Assembleia Parlamentar da OTAN.

William Bowder, “Pai” da Lei Magnitsky criticou o uso dela contra Alexandre de Moraes, dizendo que ele não se enquadra (Foto: Reprodução)

Por que Moraes foi alvo da Lei Magnitsky?

A ideia de aplicá-la contra Moraes ganhou corpo após a viagem de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos. O deputado tentou convencer parlamentares republicanos a adotarem sanções contra o ministro com base na Lei Magnitsky. A atuação foi vista como parte de uma estratégia para internacionalizar o embate político e pressionar o Judiciário brasileiro com apoio externo em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Elon Musk, entre outros nomes conservadores, passaram a defender o ato desde então. A sugestão, no entanto, é vista por especialistas em direito internacional como um desvirtuamento da legislação.

Na prática, o ministro pode perder cartões emitidos por bancos americanos, ter o acesso a pagamentos por Google Pay e Apple Pay bloqueados. Além disso, pode ser monitorado por empresas americanas, como o Google, para garantir que ele não está contornando as sanções, segundo a legislação. Empresas e cidadãos americanos também ficam impedidos de negociar com Moraes, mas não há previsão de sanção para pessoas ou entidades internacionais.

Segundo o texto da própria legislação americana, as sanções da Lei Magnitsky se aplicam a responsáveis por execuções extrajudiciais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e outras violações flagrantes dos direitos à vida, à liberdade e à segurança. A definição de “graves violações” está ancorada em tratados internacionais e exige conduta sistemática. Também podem ser punidos agentes que reprimem denúncias de corrupção ou impedem o trabalho de jornalistas e defensores de direitos.

As sanções podem ser impostas com base em provas não judiciais, mas precisam de fundamentação plausível. A medida é executiva e envolve o Departamento de Estado, o Departamento do Tesouro e a Ofac (Office of Foreign Assets Control), órgão responsável por incluir nomes na chamada SDN list, que bloqueia o acesso ao sistema financeiro americano.

Já houve precedentes contra membros do Judiciário, mas apenas em regimes autoritários. A lei foi usada contra magistrados russos e contra autoridades da Turquia e de Hong Kong, em casos que envolviam perseguições políticas, julgamentos fraudulentos ou repressão estatal institucionalizada.

Revista britânica The Economist sobre sanções a Alexandre de Moraes: ‘Ataque sem precedentes ao Judiciário’

 

Em editorial publicado na quinta-feira (31), a revista The Economist classificou como “sem precedentes” as sanções impostas pelo governo norte-americano ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A aplicação da Lei Magnitsky, de acordo com a The Economist, , é algo “nunca antes visto” contra um juiz atuando em uma democracia

Do ICL:

INTERNACIONAL

The Economist sobre sanções a Moraes: ‘Ataque sem precedentes ao Judiciário’

Revista britânica afirma que acusações contra Bolsonaro não podem ser ignoradas

Em editorial publicado na quinta-feira (31), a revista The Economist classificou como “sem precedentes” as sanções impostas pelo governo norte-americano ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A aplicação da Lei Magnitsky, de acordo com a The Economist, , é algo “nunca antes visto” contra um juiz atuando em uma democracia

Segundo o editorial, a legislação americana tem sido usada para punir “generais genocidas de Mianmar e autoridades russas que assassinaram dissidentes políticos”. “Moraes não fez nada parecido”, afirma a revista.

A revista também destaca as motivações políticas das sanções, lembrando que o magistrado é conhecido por conduzir o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, caso que Trump considera uma “perseguição política”.

The Economist

 

A publicação lembra que o governo Trump revogou recentemente vistos de ministros do STF e aliados ligados à investigação contra Bolsonaro. No decreto de tarifas assinado por Trump, o governo americano cita “perseguição politicamente motivada, intimidação, assédio, censura e processo” contra o ex-presidente.

The Economist critica aliados de Bolsonaro

A Economist critica aliados de Bolsonaro, que minimizam os atos de 8 de janeiro de 2023. O editorial lembra que “qualquer busca superficial mostra que foi uma orgia de vandalismo” e cita ainda outros episódios violentos atribuídos a bolsonaristas, como incêndios de veículos em Brasília e um plano de atentado contra Lula e Moraes elaborado no fim do governo Bolsonaro.

O texto contextualiza a atuação de Moraes, destacando que ele lidera desde 2019 o inquérito das fake news, ampliado ao longo dos anos para combater desinformação sobre instituições democráticas no Brasil.  investigação, segundo a revista, é polêmica por concentrar poderes de investigação, julgamento e decisão no próprio STF, mas destaca que isso não é ilegal no contexto jurídico brasileiro.

Ao final, a revista questiona se a pressão de Trump, do secretário de Estado Marco Rubio e do secretário do Tesouro Scott Bessent pode ter efeito sobre o magistrado. “Moraes, acostumado a receber ameaças de morte, é difícil de intimidar”, afirma o texto, mencionando que, no mesmo dia em que a Lei Magnitsky foi aplicada,Moraes foi assistir ao jogo de seu time de futebol em São Paulo.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Igor Gadelha: Trump faz barulho com Lei Magnitsky para ofuscar tarifaço desidratado

 

Donald Trump usou aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes para ofuscar tarifaço sobre produtos brasileiros cheio de exceções




Do site Metrópoles:


Igor Gadelha

Após provocar tensão no governo Lula e no empresariado brasileiro ao recusar negociações prévias, o governo Trump oficializou nesta quarta-feira (30/7) um tarifaço com cerca de 700 exceções.

Na lista de produtos brasileiros excluídos da tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos, estão artigos de aeronaves civis, veículos, suco de laranja, fertilizantes, celulose e donativos.

De importante mesmo, restaram como alvos do tarifaço a carne e café brasileiros, produtos que costumam ser bastante comprados pelos americanos — hoje, os EUA produzem apenas 1% do café consumido pela população.

A ordem executiva para o tarifaço e suas respectivas exceções, porém, só foi assinada por Donald Trump após o governo americano divulgar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Reinaldo Azevedo – Magnitsky contra Moraes: maior atentado da história à soberania do Brasil; a fascistada bolsonarista vibra

 

 Da Rádio BandNews FM:




Tarifaço que virou meio-tarifinho e o Magnitsky deturpado para ser aplicado contra Moraes: Poder ou desespero de Trump? Vídeo do Portal do José

 

Do Portal do José:


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