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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Planalto parte para o confronto após intervenção descarada de Trump e Rubio nas Eleições pelas tarifas dos EUA contra o Brasil e anuncia retaliação

 

Governo acusa Washington de agir por motivação política, responsabiliza família Bolsonaro pela escalada e diz que recorrerá à OMC

Do Jornal GGN:


    Lula em foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

A confirmação de que os Estados Unidos vão impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros gerou uma reação imediata e contundente do Palácio do Planalto. Em nota oficial, o governo Lula (PT) classificou a decisão unilateral de Washington como um “marco lastimável” na história das relações bilaterais e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

A barreira alfandegária, decorrente de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, entrará em vigor no dia 22 de julho. O Palácio do Planalto rechaçou os argumentos técnicos apresentados pela Casa Branca, apontando que a medida tem caráter político e ideológico.

Nos bastidores, interlocutores da Presidência avaliam que o governo de Donald Trump agiu de má-fé e utilizou justificativas frágeis para atender a interesses eleitorais da oposição brasileira.

Retaliação legal e comercial

A principal linha de defesa de Brasília será a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica. Sancionada em 2025, a legislação permite ao Executivo adotar contra medidas tarifárias e suspender concessões comerciais, de investimentos e de propriedade intelectual contra países que impuserem barreiras unilaterais ao comércio nacional.

O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros“, informou a Secretaria de Comunicação Social (Secom) em nota. “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC“, diz outro trecho da nota.

A diplomacia brasileira argumenta que não há justificativa econômica para a sanção. O Itamaraty destaca que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o Brasil. Além disso, em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no mercado brasileiro livres de impostos.

Defesa do Pix e soberania jurídica

O governo brasileiro também saiu em defesa das políticas públicas e das decisões do Judiciário que foram atacadas pelo relatório norte-americano. A Casa Branca argumenta que o Pix prejudica as bandeiras americanas de cartão de crédito e que as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra desinformação em plataformas digitais configuram censura comercial.

O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas“, rebateu o Planalto. A nota acrescenta que “são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento“.

Politização e racha interno

A imposição das tarifas aprofundou a polarização política no Brasil. O governo federal acusou abertamente a oposição e, nominalmente, a família de Jair Bolsonaro (PL) de colaborar de forma ativa para a construção do tarifaço com o objetivo de desgastar a gestão atual.

É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros“, diz o texto divulgado pela Secom.

Em contrapartida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, usou as redes sociais para culpar a gestão petista pela falta de acordo. “O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. […] No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso“, publicou Rubio.

Enquanto o Planalto prepara a ofensiva jurídica e comercial, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) analisam a lista de exceções publicada pelos EUA. O mercado prevê prejuízos bilionários à indústria nacional de manufaturados, como calçados, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos, que não foram poupados do imposto de 25%.

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Ana Gabriela Sales



terça-feira, 19 de agosto de 2025

Lei Magnitsky contra Moraes objetiva isolar o Brasil por interesses intervencionistas dos Estados Unidos, por Reynaldo Aragon, jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia, com foco nas relações entre tecnologia, cognição e comportamento.

 

Mais do que punir um magistrado, o gesto revela a intenção de empurrar o Brasil para uma posição insustentável no tabuleiro internacional.


Do Jornal GGN:


STF – Ascom


Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes objetiva isolar o Brasil.

por Reynaldo Aragon

Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, bloqueio de reservas e dependência tecnológica expõem um cerco estratégico: Washington quer empurrar o Brasil para uma ruptura diplomática e enquadrá-lo no ‘eixo do mal’

30 de julho de 2025. Os Estados Unidos decidiram atravessar uma linha inédita nas relações com o Brasil. O anúncio das sanções da Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, congelando bens e bloqueando transações em solo americano, não é apenas uma agressão diplomática: é um ataque direto à independência do Judiciário brasileiro. A medida, somada ao tarifaço de 50% contra produtos brasileiros que entra em vigor em 1º de agosto, sinaliza um movimento calculado de escalada.

Mais do que punir um magistrado, o gesto revela a intenção de empurrar o Brasil para uma posição insustentável no tabuleiro internacional. É a mesma lógica aplicada em outros países: provocar reações, induzir rupturas e criar as condições narrativas para enquadrar o país como parte de um “eixo do mal”, facilitando futuras sanções, isolamento econômico e ataques à soberania.

O que está acontecendo agora (fatos e cronologia).

O ataque de hoje não veio do nada. Ele faz parte de uma sequência cuidadosamente planejada de atos coercitivos contra o Brasil:

18 de julho – Os Estados Unidos revogaram o visto do ministro Alexandre de Moraes e de seus familiares. O gesto foi tratado por Washington como uma “reavaliação de segurança”, mas foi lido no Brasil como um sinal de retaliação direta contra o magistrado responsável por processos envolvendo Jair Bolsonaro.

30 de julho – O Departamento do Tesouro anunciou a aplicação da Lei Global Magnitsky contra Moraes, congelando ativos, bloqueando transações e proibindo que ele ou empresas eventualmente ligadas a ele mantenham relações com o sistema financeiro americano. É a primeira vez na história que um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro é sancionado por outro país.

1º de agosto – Entram em vigor as tarifas de 50% contra produtos brasileiros – incluindo carne bovina, café, laranja e aço. O tarifaço atinge diretamente setores estratégicos da economia brasileira e ameaça dezenas de milhares de empregos. Apesar do superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024, a medida foi justificada por “preocupações com democracia e direitos humanos”, uma narrativa típica para legitimar ações punitivas.

Somados, esses três movimentos formam um cerco jurídico e econômico com potencial de desestabilizar o país. O roteiro é conhecido: mira-se em indivíduos para atingir o Estado. Foi assim na Venezuela e na Rússia, onde as sanções da Lei Magnitsky acabaram atingindo setores inteiros e forçando o país a responder sob forte desgaste.

A lógica da Lei Magnitsky como arma de guerra híbrida.

A Lei Global Magnitsky foi criada para sancionar indivíduos envolvidos em violações de direitos humanos e corrupção. No papel, parece um instrumento “cirúrgico”. Na prática, porém, ela funciona como uma arma estratégica de guerra híbrida.

Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal ou uma empresa estatal é atingida, o Estado sente o impacto diretamente. Bens são bloqueados, transações travadas, reputações destruídas. Isso gera um efeito cascata: instituições ficam paralisadas, parceiros internacionais se afastam e setores inteiros da economia entram em alerta.

Não é a primeira vez que esse mecanismo é usado dessa forma. Na Rússia, as sanções Magnitsky contra oligarcas e aliados de Putin abriram caminho para um isolamento econômico crescente. O próprio presidente russo classificou a medida como “uma sanção contra o Estado”. Na Venezuela, autoridades e empresas estatais foram sufocadas financeiramente, enquanto a narrativa internacional enquadrava o país como uma “ameaça à democracia”.

O padrão se repete agora com o Brasil: mira-se em um indivíduo, mas o verdadeiro alvo é a nação. Ao atacar um ministro do STF, não se questiona apenas a integridade de uma pessoa – questiona-se a legitimidade do sistema de Justiça brasileiro. A consequência imediata é a erosão da credibilidade institucional, abrindo espaço para pressões externas cada vez mais duras.

Onde os EUA querem chegar.

A estratégia norte-americana segue um roteiro conhecido. Primeiro, aumenta-se a pressão sobre autoridades e empresas estratégicas, na esperança de que o país alvo reaja de forma descontrolada. Depois, utiliza-se essa reação como justificativa para escalonar o conflito. O objetivo final é claro: forçar o Brasil a cortar relações diplomáticas e, assim, enquadrá-lo em uma lógica de isolamento.

Esse enquadramento é conhecido como o “eixo do mal”, conceito usado repetidamente pelos Estados Unidos para justificar medidas agressivas contra países que desafiam seus interesses. Uma vez colocado nessa categoria, qualquer sanção futura — bloqueio de reservas, restrições financeiras, barreiras tecnológicas — passa a ser legitimada pela narrativa de que o Brasil é uma “ameaça à democracia”.

A ruptura diplomática não é apenas simbólica. Ela facilita o uso de instrumentos ainda mais duros: bloqueio de ativos brasileiros no exterior, restrições a exportações de tecnologia crítica e, em última instância, a exclusão do país de circuitos financeiros internacionais dominados pelo Ocidente. É por isso que, embora as sanções Magnitsky sejam “pessoais”, elas carregam o potencial de desestabilizar todo um Estado.

O que está em jogo não é o destino individual de Alexandre de Moraes, mas a soberania do Brasil. E os Estados Unidos sabem disso.

Os riscos imediatos para o Brasil

O Brasil está diante de uma encruzilhada que pode redefinir seu futuro. Caso o cerco continue se intensificando, os riscos são severos e múltiplos. O primeiro deles é a possibilidade de bloqueio ou confisco de reservas internacionais brasileiras mantidas no exterior, um instrumento já utilizado pelos Estados Unidos contra países classificados como “hostis”, como ocorreu com a Venezuela, o Irã e a Rússia. O segundo é a dependência tecnológica: boa parte da infraestrutura digital e de segurança do Brasil está nas mãos de empresas norte-americanas e israelenses, o que torna vulneráveis sistemas de monitoramento, redes de comunicação crítica e até plataformas de inteligência. Em um cenário de hostilidade declarada, o país poderia ter serviços estratégicos paralisados ou acessos suspensos.

A economia também está sob ataque. O tarifaço de 50% imposto sobre produtos brasileiros já ameaça cadeias produtivas inteiras e pode provocar a perda de milhares de empregos em setores estratégicos, como carnes, suco de laranja e aço. Se o conflito se agravar, novas barreiras comerciais, restrições financeiras e fuga de capitais podem mergulhar o país em uma recessão profunda. Por fim, há a dimensão interna: historicamente, a pressão externa é acompanhada de campanhas de desinformação e narrativas destinadas a provocar instabilidade política. O Brasil já viveu algo semelhante em 2013, com as Jornadas de junho; a diferença é que agora a máquina de guerra híbrida está ainda mais sofisticada e bem calibrada.

A combinação de bloqueio financeiro, vulnerabilidade tecnológica, ataques à economia e manipulação informacional cria uma situação explosiva. O Brasil corre o risco de ser pressionado simultaneamente por fora e por dentro, isolado no sistema financeiro internacional e fragilizado em seus setores estratégicos.

O cerco é maior do que parece

O que está em curso contra o Brasil vai muito além de sanções pessoais contra Alexandre de Moraes ou do tarifaço que ameaça setores estratégicos da economia. O país está diante de um ataque coordenado e multifacetado à sua soberania, que combina instrumentos jurídicos, econômicos, tecnológicos e simbólicos. A Lei Magnitsky, apresentada ao mundo como uma ferramenta de punição a indivíduos corruptos ou violadores de direitos humanos, funciona na prática como uma alavanca para desestabilizar instituições. Ao mirar uma autoridade do Supremo Tribunal Federal, envia-se a mensagem de que o próprio sistema de Justiça brasileiro é ilegítimo.

Ao mesmo tempo, tarifas comerciais de impacto devastador minam cadeias produtivas inteiras e aumentam a pressão sobre o governo. Em paralelo, a dependência tecnológica do Brasil — com sistemas de segurança, inteligência e infraestrutura digital controlados por empresas norte-americanas e israelenses — abre brechas críticas que podem ser exploradas a qualquer momento. O país corre o risco de ter serviços estratégicos paralisados, ativos bloqueados e reservas internacionais confiscadas sob a justificativa de “defesa da democracia”.

É o manual clássico da guerra híbrida: isolar diplomaticamente, deslegitimar internamente, estrangular economicamente e, quando necessário, fomentar instabilidade por meio de narrativas artificiais e campanhas de desinformação. A situação é ainda mais grave porque, se o Brasil reagir de forma precipitada e cortar relações diplomáticas, dará aos Estados Unidos o pretexto perfeito para enquadrá-lo no chamado “eixo do mal”, facilitando sanções ainda mais duras e a exclusão do país de circuitos financeiros internacionais. Trata-se de um cerco estratégico que, se não for enfrentado com firmeza e inteligência, poderá comprometer a capacidade do Brasil de decidir seu próprio destino.

Cenários futuros e Conclusão

Os próximos meses serão decisivos. Se o Brasil reagir de forma precipitada e romper relações diplomáticas com os Estados Unidos, entrará exatamente na armadilha que foi cuidadosamente montada: passará a ser enquadrado como parte do “eixo do mal”, categoria usada para justificar bloqueios de ativos, exclusão de mercados e sanções cada vez mais amplas. Nesse cenário, qualquer medida de retaliação adotada pelo governo brasileiro será narrada internacionalmente como “ato hostil”, criando as condições para um cerco econômico e político ainda mais sufocante.

A outra possibilidade, no entanto, também carrega riscos. Se o Brasil optar por não reagir e se manter em silêncio diante das provocações, a pressão externa tende a se intensificar. O país continuará sendo alvejado por tarifas, restrições financeiras e campanhas de desinformação internas, que fragilizam o governo e desestabilizam as instituições. É a estratégia da corrosão lenta: manter o país acuado, inseguro e cada vez mais dependente do sistema financeiro e tecnológico controlado por Washington.

O desafio, portanto, é romper o cerco sem cair na armadilha. Isso exige medidas estratégicas em múltiplas frentes: blindar reservas internacionais, reduzir a dependência tecnológica de sistemas controlados pelo exterior, fortalecer alianças com países que defendam um mundo multipolar e, acima de tudo, proteger a narrativa nacional. Não se trata apenas de comunicar, mas de construir um consenso interno de que a soberania brasileira está em risco real.

O que está em jogo não é o futuro individual de Alexandre de Moraes, nem as exportações de um setor específico. O que está em disputa é o próprio direito do Brasil de existir como nação independente, capaz de decidir seus rumos sem se submeter ao tabuleiro geopolítico imposto pelos Estados Unidos.

É preciso compreender a gravidade do momento. Cada passo dado agora será usado contra ou a favor da soberania nacional. O Brasil pode ser empurrado para o isolamento e a submissão, ou pode reagir de forma inteligente e se tornar um dos poucos países capazes de resistir ao cerco híbrido. A escolha precisa ser feita com clareza, estratégia e coragem. O tempo, como sempre, é curto.

Reynaldo Aragon Gonçalves é jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia. É membro pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação (NEECCC – INCT DSI) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberania Informacional (INCT DSI).

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Os EUA imperialistas da extrema direita de Trump e suas ameaças a um passo do rompimento diplomático com o Brasil, por Luís Nassif

 

Ao lado dos planos de contingência, será necessário um programa de comunicação eficiente, em torno da defesa da soberania do Brasil (frente às ameaças de Trump e seus apaniguados).

Do Jornal GGN:

Os EUA a um passo do rompimento diplomático com o Brasil, por Luís Nassif




Vamos entender quais os objetivos da embaixada norte-americana, com as notas cada vez mais agressivas contra o Supremo Tribunal Federal. A cada nota, o Itamaraty convoca o embaixador para explicações. Segue-se nova nota no mesmo teor. Essa escalada tem um desfecho previsível: os Estados Unidos procuram um rompimento diplomático com o Brasil.

Aumentos de tarifas prejudicam exportadores brasileiros e importadores norte-americanos. Por isso, há uma dose alta de desgaste no uso político das tarifas. Trocou-se então pelos ataques ao Supremo, e a seus ministros, e pelas provocações diplomáticas, como forma de justificar a escalada e o futuro rompimento.

As consequências de um rompimento diplomático são as seguintes:

  • alguma influência adicional no comércio exterior;
  • interrupção de programas conjuntos em áreas como tecnologia, agricultura, medicina, energia e parceria espacial;
  • cortes em bolsas de estudo, intercâmbios e convênios acadêmicos;
  • interrupção de acordos militares e de inteligência;
  • redução da cooperação no combate ao narcotráfico e contrabando de armas.

Os cenários possíveis

Pedi ao Chat GPT que traçasse dois cenários:

  • Cenário A: rompimento sem sanções.
  • Cenário B: rompimento + sanções financeiras.

Impactos setoriais

  • Mais atingidos (A e B): aeroespacial (atrasos/certificações), metalurgia/aço, químicos finos, TIC/serviços com receita em EUA, autopeças.
  • Gargalos logísticos no curto prazo; efeito líquido menor em A e moderado em B.
  • Energia & mineração: mercados líquidos atenuam perdas; em B, controles de tecnologia/serviços especializados podem atrasar projetos offshore.
  • Educação & ciência: congelamento de novos convênios e bolsas com instituições dos EUA; cooperação espacial, clima e saúde sofre hiatos (mais longo em B).
  • Defesa & segurança: cooperação e inteligência virtualmente paradas; em B, vetos a peças/softwares críticos.

Mas há vários caminhos para mitigar esses efeitos:

  1. Seguro de + linhas BNDES/BB para manter embarques e alongar prazos.
  2. Fast‑track regulatório (equivalência técnica) com UE/Ásia; ofensiva de promoção comercial por NCM/destino. NCM são as categorias de classificação de produtos para comércio exterior.
  3. Hedge coordenado de estatais e orientação a grandes importadores para suavizar o câmbio.
  4. Reforço de pagamentos alternativos (euro, CNY) com banco.
  5. Ponte acadêmica via UE e organismos multilaterais enquanto convênios com EUA ficam suspensos.
  6. Mapeamento fino de cadeias críticas (aeroespacial, saúde, TIC) e estoque estratégico de insumos sensíveis.

De qualquer modo, já deve estar sendo preparado um plano de contingência para enfrentar os próximos tempos. Mas é inacreditável como a mídia, e a opinião pública, ainda não se deram conta da situação atual. Notas em off, sobre supostos medos de ministros do Supremo e ataques a Alexandre de Moraes.

Por isso, ao lado dos planos de contingência, será necessário um programa de comunicação eficiente, em torno da defesa da soberania. O viralatismo nacional terá que ser expulso ao som do samba, do frevo, do choro e dos dobrados.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Afirma o jornal americano The New York Times: Ninguém enfrenta Trump como o presidente do Brasil

 

Em entrevista, Lula reitera que ele não aceita ordens do presidente norte-americano e que a soberania do Brasil é “inegociável”

Do Jornal GGN:


Foto: Ricardo Stuckert / PR

Artigo de Tatiane Correia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que o Brasil merece e quer ser tratado com o devido respeito pelo governo dos Estados Unidos, mas que “seriedade não exige subserviência”.

“Trato a todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito”, destacou Lula em sua primeira entrevista ao jornal norte-americano The New York Times em 13 anos, antes da decisão de Donald Trump em autorizar a cobrança de tarifas de 50% sobre os produtos exportados pelo Brasil.

“Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande”, disse ele, ressaltando que reconhece o poder militar e tecnológico dos norte-americanos, mas que esse poderio “preocupa” e não assusta.

Além disso, Lula destacou ser “inegociável” uma das justificativas usadas por Trump para a cobrança das taxas: a “caça às bruxas” contra seu aliado político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

“Talvez ele não saiba que aqui no Brasil o Judiciário é independente”, disse ele, sobre a autonomia do Judiciário brasileiro.

O presidente também afirmou que Trump está infringindo a soberania do Brasil. “O estado democrático de direito para nós é algo sagrado”, disse o presidente brasileiro. “Porque já vivemos ditaduras e não queremos mais.”

“Talvez não haja líder mundial desafiando o presidente Trump com tanta veemência quanto Lula”, destacou a publicação norte-americana.

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